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Comentários ‘Rio+20’

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, participa do lançamento de novo mecanismo de financiamento para a energia limpa EUA-Africa, durante a Rio+20

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, disse hoje (22) que a liderança brasileira permitiu que todos os países se reunissem em torno de um documento final na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. Segundo Clinton, a declaração final, que será assinada pelos líderes de 193 países reunidos no Rio de Janeiro, “marca um grande avanço para o desenvolvimento sustentável”.

“O Brasil prestou um grande serviço ao mundo ao nos hospedar e receber aqui. Este é um momento difícil, mas graças à liderança brasileira conseguimos nos reunir em torno de um documento final, que marca um grande avanço para o desenvolvimento sustentável. É um dos momentos mais difíceis de todos os tempos. Como vamos crescer no futuro, não é o problema de apenas alguns países, é uma questão que deve ser abordada por todos os países. Graças ao Brasil, estamos no centro dos nossos esforços compartilhados para encontrarmos essas soluções”, disse Clinton, em discurso na plenária da Rio+20.

Segundo ela, o documento não trata de questões de longo prazo, mas de ações que precisam ser tomadas imediatamente. A chanceler americana disse que é preciso haver um trabalho conjunto para combater a fome crônica. “Essa é uma área em que o Brasil apresenta uma liderança especial”, disse.

Para ela, apesar de haver discordâncias entre os países, há consenso em alguns princípios básicos. “O documento final aqui adotado contém princípios importantes e propostas essenciais. O resultado mais importante dessa conferência é um exemplo de uma nova forma de pensar, que nos levará a modelos importantes para ações futuras. Sairemos daqui não apenas pensando grande, mas diferente”, disse.

Clinton disse que esse é um momento de ser pragmático e otimista. “Um futuro onde todos os povos vão se beneficiar do desenvolvimento sustentável, independentemente de quem são e onde estão, está ao nosso alcance. Sabemos o que podemos fazer, mas também sabemos que o futuro não é uma garantia. Os recursos de que todos nós dependemos, água limpa, oceanos, terras aráveis, ambiente estável, estão sob pressão crescente. É por isso que, no século 21, o único desenvolvimento viável é o desenvolvimento sustentável.”

Para a secretária de Estado norte-americana, é preciso estimular diferentes formas de financiamento ao desenvolvimento sustentável, e não apenas na Assistência Oficial ao Desenvolvimento (ODA). Segundo ela, a ODA diminuiu nos últimos 50 anos, mas o financiamento ao desenvolvimento aumentou graças a investimentos do setor privado e políticas inteligentes que catalisaram crescimento sustentável e inclusivo. “Os Estados Unidos consideram importante essa ideia”, afirmou.

Hoje os Estados Unidos lançaram uma iniciativa de incentivo ao desenvolvimento de energia limpa na África, que prevê a destinação de US$ 20 milhões a projetos em países do continente.

Hillary Clinton também destacou a relevância do papel das mulheres no desenvolvimento sustentável e considerou importante que o documento final da Rio+20 fizesse menções à saúde reprodutiva e ao acesso universal ao planejamento familiar. “Para atingirmos as nossas metas, temos também que assegurar os direitos reprodutivos das mulheres. As mulheres têm que ser empoderadas, para poder tomar decisões sobre quando desejam ter filhos. Os Estados Unidos vão continuar a trabalhar para assegurar que esses direitos sejam respeitados em acordos internacionais”, disse a chanceler, sob intenso aplauso da plenária.

Da Agência Brasil

Rio+20: Sociedade em Fragmentos

Sinto na pele o quanto a insustentabilidade pulsa em cada canto dos eventos da Rio+20. Dos geradores de energia a diesel – só o Greenpeace está produzindo sua energia – até os milhares de copinhos de isopor. Sinto-me parte desse mosaico fragmentado. Um caquinho jogado em meio a tantos tipos de resíduos diferentes, talvez como um grão de areia de uma obra do Vik Muniz, pois no geral, de longe, tudo é espetáculo.

Por cima passam helicópteros com os privilegiados que podem fugir do caos do trânsito. Na baía de Guanabara, grandes navios levam contêineres de exportações. Nas estreitas ruas, batedores produtores de silvos estridentes abrem caminho para as autoridades em carros blindados que “não podem” ficar trancados em engarrafamentos. No Rio está escancarada a falta de coesão da sociedade e dos governos. Tantos interesses e visões de mundo, onde salvar o planeta é apenas um pretexto.

Se em 92 a Cúpula dos Povos era o espaço da sociedade civil do mundo, nesta edição, o evento reúne principalmente entidades brasileiras, sedentas por recursos de instituições que podem financiar seus projetos. No Rio Centro, estão os demais estrangeiros. Enfim, para os cariocas, o Aterro do Flamengo é lugar de índio. Reclamam que o trânsito piorou com tanta programação e passeatas. Aliás, surgem vários protestos, com objetivos distintos. Cada movimento chama atenção para suas causas.

Ouvi da boca de uma fonte de alta credibilidade que para a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), expressivos representantes do movimento social, não criticam as posições do governo quanto ao rumo da política ambiental. Os movimentos da sociedade, incluindo os ambientalistas, disputam holofotes, enquanto as empresas se unem para mostrar como tem se preocupado com o ambiente.

Creio que o melhor para o planeta, para o ambiente do Rio ou de qualquer outra cidade, é não ter mais mega eventos desse tipo. Porém é importante para a humanidade, para os seres que erram e acertam. Principalmente para se conquistar mais espaço na mídia e até para se ter acesso a projetos incríveis, como o idealizado pela Bia Lessa e equipe.

Boa parte dos integrantes da sociedade civil que tem propriedade para debater e conduzir algo produtivo está envolvida com a produção. Recepcionam estrangeiros, estão ocupadíssimos na distribuição de colchonetes na hospedagem de ongueiros e índios no Sambódromo. A coordenadora da Rede de ONGs da Mata Atlântica, Ivy Wiens, me falou ontem (19) que ainda não conseguiu acompanhar qualquer programação.

Enfim, passaram-se 40 anos desde Estocolmo, 10 anos da morte de José Lutzenberger – o ministro do Meio Ambiente do governo Collor que teve uma forte influência para a realização da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento no Brasil -, e ainda engatinhamos no básico da eterna busca pelo equilíbrio: dialogar e entrar em comum acordo nem que seja entre os ditos verdes. Será que o ser humano tem jeito?

Até o momento, uma das coisas mais legais que me deparei até o momento foram as oficinas do Fórum de Empreendedorismo Social. Lá tive contato com pessoas que estão fazendo a diferença e são felizes, superando inúmeras dificuldades. Vou ter que escrever um post contando só como foi essa experiência maravilhosa. Por agora, fico por aqui, pois preciso me preparar para a grande marcha que deverá reunir todas as tribos no Centro do Rio.

Do Ambiental Sustentável

Hillary Clinton

Sem antecipar detalhes, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, anunciou que amanhã (22.jun.2012), sexta-feira, apresentará “um novo mecanismo de financiamento em energia limpa”.

Segundo informa o governo dos EUA, “o anúncio será feito juntamente com a presidente e CEO da Corporação para Investimentos Privados Internacionais (OPIC na sigla em inglês), Elizabeth Littlefield”.

Em teoria, esse “mecanismo tem por objetivo alavancar diferentes tipos de apoio financeiro dos EUA para proporcionar maiores níveis de investimento do setor privado em projetos de energia limpa, principalmente na África”.

Os Estados Unidos, maior economia do planeta, não enviaram seu presidente, Barack Obama, para a Rio+20. Hillary Clinton o representará apenas nesta sexta-feira (22.jun.2012), último dia do evento –e ficou, portanto, fora da foto oficial que foi produzida ontem (20.jun.2012).

Uma das razões para a não participação de Obama na RIO+20 é o processo eleitoral em curso nos EUA (ele é candidato à reeleição).

Como a economia norte-americana ainda está seriamente afetada pela crise econômica internacional, a participação de Obama em uma conferência sobre meio ambiente e desenvolvimento sustentável só teria o efeito de subtrair votos. Se o presidente dos EUA cedesse aos apelos ecológicos, desagradaria aos conservadores. Se negasse comprometimento com esse tipo de causa, reforçaria a imagem de se afasta cada vez mais de suas propostas liberais do passado.

Ou seja, Obama na Rio+20 não teria para onde correr –ou, como dizem os norte-americanos, seria uma “catch-22 situation”.

Há 20 anos, na Eco-92, o então presidente dos EUA, George Bush, aceitou estar presente no Rio. Ele era à época candidato a mais um mandato na Casa Branca, como ocorre hoje com Obama. Outra similaridade: a economia era também um fator de grande relevância na eleição norte-americana.

Um diplomata de alto escalão dos EUA foi confrontado com essas atitudes diferentes, de Bush (há 20 anos, que veio ao Rio) e de Obama (que não quis nem saber de participar da Rio+20): “Pois é. George Bush veio ao Rio há 20 anos… E o que aconteceu com ele? Perdeu a eleição para Bill Clinton em novembro daquele ano”.

Do Blog do Fernando Rodrigues

Rio+20

A presidenta Dilma Rousseff tem hoje (21) agenda intensa de compromissos paralelos à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, além da terceira reunião plenária de chefes de Estado e Governo. Dilma toma café da manhã com o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e tem reuniões ao longo do dia com o presidente do Congo, Denis Sassou-Nguesso, e os primeiros-ministros Julia Gillard (Austrália) e Wen Jiabao (China).

A equipe da presidenta recebeu 57 pedidos para audiências bilaterais. Mas, em decorrência das dificuldades de tempo, Dilma deverá se reunir apenas com sete autoridades. Além das audiências de hoje, ela se reuniu ontem (20) com os presidentes François Hollande (França), Macky Sall (Senegal) e Goodluck Jonathan (Nigéria).

Os encontros foram marcados por um tom de cobrança por parte da presidenta que, no caso da França, esperava mais empenho em relação aos pontos do texto da conferência que esbarravam em compromissos financeiros. Dilma lembrou que países africanos contribuíram com os europeus para a superação da crise. De outro lado, ouviu críticas ao documento concluído pelos negociadores. Eles estiveram, nos últimos dias, sob o comando da delegação brasileira que empenhou-se em concluir um documento conciso antes que os líderes dos países chegassem à conferência.

Anteriormente, estavam previstos encontro com o presidente de El Salvador, Mauricio Funes, que é casado com a brasileira Vanda Pignato, ligada ao Partido dos Trabalhadores, e uma reunião com cerca de 50 representantes da União Africana. Mas esses compromissos não foram incluídos na primeira agenda da presidenta que, no entanto, pode ser alterada.

Dilma quer assegurar aos africanos que, assim como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quer manter uma relação privilegiada com a África, que está entre as prioridades da política externa brasileira. Desde que assumiu o governo, ela visitou Angola e Moçambique, mas pretende ampliar as viagens para outros países da região.

Os líderes africanos reiteram que pretendem fortalecer as relações com o Brasil e a América Latina, pois acreditam que os continentes têm semelhanças. Para os africanos, a globalização aproxima os países de tal maneira que há uma tendência também à ampliação da classe média na África, como ocorre no Brasil.

Uma das preocupações dos africanos é com o crescimento populacional, pois a estimativa é que em breve a África tenha 2 bilhões de habitantes. Eles querem desenvolver parcerias para implementar a agricultura tropical, aproveitando a geologia da região que é semelhante à do Brasil, e trocar experiências para a transferência de tecnologias.

Da Agência Brasil

Presidenta Dilma Rousseff discursa durante a cerimônia de abertura protocolar da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20). Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

A presidenta Dilma Rousseff pediu hoje (20) aos líderes que participam da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que as incertezas no cenário internacional não enfraqueçam a disposição política para a conclusão de acordos em torno da agenda do desenvolvimento sustentável.

“Resultados novos exigem novas práticas. A crise financeira e as incertezas que pairam sobre o futuro da economia mundial dão uma significação especial à Rio+20 (…) Nós estamos conscientes e temos a certeza que a recuperação para ser estável tem de ser global. Em um momento como este, de incertezas em relação ao futuro da economia internacional, é forte a tentação de tornar absolutos os interesses nacionais. A disposição política para acordos vinculantes fica muito fragilizada. Não podemos deixar isso acontecer”.

A presidenta disse aos chefes de Estado e de governo que há uma grande vontade de construir um acordo e uma nova visão de futuro em torno do desenvolvimento sustentável. Dilma afirmou que o mundo está no limiar de um novo momento que exigirá mudanças profundas de atitudes coletivas, institucionais e individuais.

“A tarefa que nos impõe a Rio+20 é desencadear o movimento de renovação de ideias e de processos, absolutamente necessários para enfrentarmos os dias difíceis em que hoje vive ampla parte da humanidade. Sabemos que o custo da inação será maior que o das medidas necessárias, por mais que essas provoquem resistências e se revelem politicamente trabalhosas (…) Caberá a nós, dirigentes mundiais, chefes de Estado e de governo, ministros, funcionários, enfim, aos representantes das nações aqui presentes demonstrarmos capacidade de liderar e de agir”.

Do Blog do Planalto

Rio+20 - Foto: José Paulo Tupynambá

As senadoras Ana Rita (PT-ES), Lídice da Mata (PSB-BA) e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) participaram ontem do evento ONU Mulheres. O fórum, presidido pela ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, reuniu mulheres notáveis de todo o mundo, em evento paralelo à Rio+20. Elas discutiram as relações das mulheres com o Poder, os movimentos sociais, a inovação e a economia verde, entre outros temas.

Para Vanessa, o evento ganhou ainda maior relevância por estar inserido no viés que a sociedade e o governo brasileiro imprimiram à Rio+20: tratar do meio ambiente sob a óptica da sustentabilidade e da inclusão social.

— Não podemos imaginar um modelo de desenvolvimento sustentável para o mundo, que se preocupe com a inclusão e com a diminuição da miséria, sem nos preocuparmos com as mulheres. Elas são as maiores vítimas da pobreza, da sanha do capitalismo — afirmou a parlamentar, acrescentando que as mulheres pobres, negras e de famílias grandes são ainda mais excluídas.

A senadora disse que, apesar de ser um exemplo para muitos países, a democracia brasileira ainda está em “franco processo de construção” — o que pode ser observado, segundo ela, pela condição das mulheres.

— Nesta democracia em que a gente vive, nós, mulheres, ocupamos menos de 10% das cadeiras do Parlamento. — disse.

Lídice da Mata ressaltou a importância de a reunião mostrar que as questões ambientais são valorizadas pelas mulheres de todas as nações. De acordo com ela, o desenvolvimento e a sustentabilidade fazem parte da óptica feminina.

Já Ana Rita confia no sucesso da Rio+20 e disse que o planeta espera posições mais audaciosas do encontro.

Do Jornal do Senado

Dilma discursa na inauguração do Pavilhão Brasil

A presidenta Dilma Rousseff deve desembarcar agora de manhã no Rio, depois de passar os últimos dois dias na Cúpula do G20, no México. Ela passa a manhã no hotel em despachos internos e depois almoça com o presidente da França, François Hollande. À tarde, a presidenta abre oficialmente a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, e tem mais duas reuniões bilaterais.

Inicialmente, Dilma pretende se reunir em audiências privadas com oito a dez chefes de Estado e Governo. À tarde, ela conversa com os presidentes do Senegal, Macky Sall, e da Nigéria, Goodluck Jonathan. Há ainda a previsão de reuniões com os primeiros-ministros da China, Wen Jiabao, e da Turquia, Recep Tayyip Erdogan. A agenda dela ainda está sendo fechada, segundo assessores.

Em sua primeira visita ao Brasil como presidente eleito, Hollande, que é defensor das discussões sobre desenvolvimento sustentável, também pretende tratar com Dilma da venda dos 36 caças para a Força Aérea Brasileira (FAB). A francesa Dassault, fabricante do Rafale, a sueca Saab, que fabrica o Gripen, e a norte-americana Boeing, do F-18 Super Hornet, disputam a venda.

Com os africanos, a presidenta deve conversar sobre as possibilidades de ampliação de parcerias e cooperação com o Senegal e a Nigéria. A África ganhou destaque no documento preliminar da Rio+20. Em vários parágrafos, os representantes dos 193 países se comprometem a consolidar esforços para garantir a melhoria da qualidade de vida no continente africano.

Com a Turquia, o Brasil tem uma relação estreita que abrange várias negociações no Oriente Médio. Um dos temas da reunião de Dilma com Erdogan deve ser o agravamento da crise na Síria, que já dura mais de 15 meses e matou pelo menos 12 mil pessoas. Os turcos, diferentemente de nações vizinhas à Síria, cobraram ações mais concretas do presidente sírio, Bashar Al Assad, e condenaram a violação de direitos humanos na região.

Na conversa com Jiabao, Dilma deverá reforçar a atuação do Brics (grupo formado pelo Brasil, a Rússia, Índia, China e África do Sul) além de temas bilaterais, pois atualmente os chineses são os principais parceiros do Brasil. No mês passado, Jiabao disse à presidenta que a China quer ampliar e aprofundar as relações com a América Latina. A China superou os Estados Unidos em 2009, tornando-se a principal parceira comercial do Brasil.

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, também pediu audiência, mas ainda não há confirmação. A presença de Ahmadinejad no Rio gerou, no dia 17, protestos de manifestantes. Para eles, o iraniano prega um discurso de discriminação. Mas o Brasil é apontado pelos iranianos como parceiro diferenciado.

O apreço do Irã pelo Brasil foi motivado pelo esforço do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em tentar negociar o fim das resistências internacionais aos iranianos. Ele foi um dos mediadores do acordo de paz, que foi rejeitado pela comunidade internacional. As negociações foram conduzidas pelo Brasil e pela Turquia. Nos últimos anos, os iranianos são alvo de sanções internacionais por suspeitas em seu programa nuclear.

Sobre a Rio+20

Vinte anos após a Eco92, o Rio de Janeiro volta a receber governantes e sociedade civil de diversos países para discutir planos e ações para o futuro do planeta. A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que ocorre até o dia 22 de junho na cidade, deverá contribuir para a definição de uma agenda comum sobre o meio ambiente nas próximas décadas, com foco principal na economia verde e na erradicação da pobreza.

Depois do período em que representantes de mais de 100 países discutiram detalhes do documento final da Conferência, o evento se prepara para ingressar na etapa definitiva. De quarta até sexta, ocorrerá o Segmento de Alto Nível da Rio+20 com a presença de diversos chefes de Estado e de governo de países-membros das Nações Unidas.

Apesar dos esforços do secretário-geral da ONU Ban Ki-moon, vários líderes mundiais não estarão presentes, como o presidente americano Barack Obama, a chanceler alemã Angela Merkel e o primeiro ministro britânico David Cameron. Além disso, houve impasse em relação ao texto do documento definitivo. Ainda assim, o governo brasileiro aposta em uma agenda fortalecida após o encontro.

Do Terra

Rio+20

Processo de escolha das recomendações registrou mais de 1,3 milhão de votos.

A participação ativa da sociedade civil já pode ser considerada uma das marcas da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. O espaço de diálogo social foi ampliado graças a uma iniciativa inédita do governo brasileiro, os “Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável”, realizados com apoio das Nações Unidas e que atraiu mais de 13 mil internautas e um público médio de 1,3 mil participantes nas atividades presenciais, realizadas no Riocentro.

“Não há possibilidade de pensar desenvolvimento sustentável sem o pilar da participação social e democrática”, disse nessa terça-feira (19), em entrevista coletiva na Rio+20, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho. Para o ministro, os números da participação social reafirmam que a decisão brasileira de propor a ampliação dos canais de diálogo foi acertada. “A experiência brasileira tem nos ensinado a eficácia da participação social. O único caminho possível para encontrarmos a perspectiva real do desenvolvimento sustentável é colocar mais gente na mesa de discussão”, afirmou.

A etapa virtual dos “Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável” tratou de dez temas, mediados por especialistas de dez universidades brasileiras e de outras 20 instituições estrangeiras, na proporção de três para cada eixo temático. Na etapa presencial, a discussão reuniu, de 16 a 19 de junho, especialistas de diferentes partes do mundo no plenário central da Rio+20.

O ponto de partida foram as recomendações mais votadas e aprovadas na etapa virtual, quando cerca de 63 mil internautas participaram com mais de 1,3 milhão de votos. Cada sessão produziu três recomendações que serão repassadas aos chefes de Estado e de governo, que participam a partir desta quinta-feira (20) da Cúpula de Alto Nível da conferência.

Cúpula dos Povos – A Cúpula dos Povos é outro espaço de ampla participação social que contou com apoio do governo brasileiro. Mais de 30 mil pessoas participam diariamente das 681 atividades inscritas por organizações e redes sociais e de outras 330 promovidas por entidades estrangeiras. No total, são 36 tendas de atividades autogestionadas e outras 14 de temas variados.

O espaço atraiu cerca de 14 mil ativistas de diferentes regiões do Brasil e do mundo. A participação popular tem sido grande também nos demais endereços da conferência como Forte de Copacabana, Galpão da Cidadania, Espaço Viva Rio e a Arena Socioambiental, um dos espaços mais procurados pelo público.

Da Secom

Ministra Eleonora Menicucci Foto: Tomás Faquini/SPM

Publicado no jornal Correio Braziliense, em 17 de junho de 2012, artigo escrito pela Ministra Eleonora Menicucci trata das oportunidades da Rio+20 para a inclusão social e a igualdade entre homens e mulheres.

Sustentabilidade com as Mulheres

A Conferência Rio+20, essa janela de oportunidade única, se realizará em sua plenitude por meio de dois compromissos: o da inclusão social, como inegociável; e o da incorporação das mulheres como propulsoras do desenvolvimento sustentável. Para a implementação de um novo modelo de sustentabilidade, devemos considerar uma reordenação da divisão sexual do trabalho e da carga produtiva e reprodutiva das classes sociais.

A participação de todas as populações, classes sociais, etnias, cores, credos e tendências é o cimento sine qua non do processo que materializa uma nova atitude no mundo. Mas o debate da inclusão que se trava no momento no Brasil aponta equívocos, como o de acusar a nova classe média que começa a se apropriar de fatia ainda pequena do célebre bolo por tanto tempo prometido, de praticar um consumo “irresponsável”. O que precisa ser inserido no debate é a lembrança de que as classes sociais de maior poder aquisitivo é que têm praticado, secularmente, um consumo predatório.

Isso não elimina a convicção de que mudar o paradigma e a atitude de consumo é uma necessidade de todas as classes sociais. Mas como pôr no mesmo patamar uma pequena renúncia ao consumo por parte de quem nunca se aplicou limites, como é o caso dessas classes de maior poder aquisitivo, e a renúncia absoluta de quem sempre foi forçado a viver abaixo do limite, justamente no momento em que, por justiça, começa a desfrutar?

A outra questão central para um novo modelo se firmar via Rio+20 é o reconhecimento e incorporação da contribuição das mulheres à economia e ao desenvolvimento de múltiplas estratégias para enfrentar a pobreza e preservar os diferentes conhecimentos; da sua contribuição com práticas fundamentais para a sobrevivência e a sustentação da vida.

Isso foi reconhecido pelo Consenso de Brasília, aprovado em 2010 na XI Conferência Regional sobre a Mulher da América Latina e Caribe. Portanto, quando se fala em recorte de gênero no âmbito da Rio+20, fala-se na perspectiva transformadora que se abre por força da ótica proposta pelas mulheres e seus movimentos, fala-se em pensar os impactos de todas as políticas na vida de mulheres e de homens.

O Consenso de Brasília chama a atenção para o fato de que o acesso à propriedade da terra, à água, aos bosques e à biodiversidade em geral é mais restrito para as mulheres que para os homens; que o uso desses recursos naturais está condicionado pela divisão sexual e secular do trabalho; que a poluição ambiental tem impactos específicos sobre as mulheres na cidade e no campo.

A IV Conferência Mundial sobre a Mulher (Pequim, 1995) já incluía item específico sobre a mulher e o meio ambiente, e defendia: a) Envolver a mulher na adoção de decisões relativas ao meio ambiente; b) Integrar a perspectiva de gênero nas políticas e programas do desenvolvimento sustentável; e c) Fortalecer ou estabelecer mecanismos, em nível nacional, regional ou internacional, para avaliar o impacto das políticas de desenvolvimento e ambientais na vida das mulheres.

Todo esse acumulado de visões ecoa no Plano Nacional de Políticas para as mulheres, da Secretaria de Políticas para as mulheres, da Presidência da República. Nele, a justiça social e a equidade são articuladas sob os aspectos econômicos, políticos, sociais, culturais e ambientais.

Simultaneamente, não podemos pensar em um mundo sustentável que aceite a violência contra as mulheres e a exploração sexual de crianças, adolescentes e mulheres, tampouco o tráfico de pessoas. Não podemos pensar em um mundo sustentável que aceita uma educação discriminatória, sexista e racista. Nem numa economia verde que conviva com a diferença salarial ainda existente entre mulheres e homens.

Pensar o desenvolvimento sustentável com a inclusão das mulheres significa reconhecer o trabalho doméstico como trabalho decente, à semelhança de qualquer outro trabalho. Implica reconhecer a ação de cuidado e o autoconsumo, ainda concentrados nas mulheres, como elementos de sustentação da vida cotidiana que devem ser compartilhados pelos homens e por toda a sociedade.

Isso tudo compõe – aí, sim – um novo paradigma de desenvolvimento, em que sustentabilidade e desenvolvimento se associarão de forma estrutural a uma igual distribuição do trabalho e dos bens – à igualdade, enfim, entre mulheres e homens.

Eleonora Menicucci

Ministra de Estado Chefe da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República

Do Site da Secretaria de Políticas para Mulheres

Ex-presidenta do Chile, Michelle Bachelet Foto: Agência Brasil

O documento final da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que será entregue aos chefes de Estado e de Governo, deve contemplar de forma satisfatória, com importantes avanços, a questão da igualdade de gênero e do empoderamento das mulheres. A avaliação foi feita hoje (18) pela subsecretária-geral e diretora executiva da ONU Mulheres, Michelle Bachelet.

Segundo ela, que concedeu entrevista coletiva no Riocentro, zona oeste do Rio de Janeiro, o texto, que ainda está em negociação, traz a ideia chave das mulheres como força motriz do desenvolvimento sustentável e tem parágrafos específicos sobre o tema.

“A redação, é claro, ainda pode ser melhorada, mas ele [documento] trata sobre essas questões do empoderamento das mulheres, de aumentar a participação das mulheres nos processos decisórios e na economia e do fortalecimento dos direitos das mulheres. A linguagem é boa e esperamos que continue nessa direção”, afirmou.

Ex-presidenta do Chile, Michelle Bachelet também ressaltou que houve uma preocupação para que a questão não ficasse restrita aos parágrafos que versam sobre o tema, mas que fizesse parte, de maneira transversal, de outros importantes assuntos que compõem o documento, como a erradicação da pobreza, os oceanos e as cidades.

“As mulheres têm papel importante no desenvolvimento sustentável em várias perspectivas e é por isso que não podem estar restritas a uma só área. Precisamos das mulheres na arena política, nos processos decisórios, na implementação de políticas públicas, também na arena econômica, em toda a cadeia de suprimento”, acrescentou.

Ela destacou que, de acordo com relato da ex-primeira ministra da Noruega e enviada especial do secretário-geral das Nações Unidas, Gro Brundtland, a participação feminina no mercado de trabalho norueguês chega a 75%. Na América Latina, entretanto, ela alcança 53% em média e está geralmente associada aos setores informais.

“Precisamos aumentar a capacitação das mulheres para que elas contribuam ainda mais para a economia mundial, mas também precisamos delas porque tomam decisões todos os dias em aspectos relacionados ao uso da água e da energia, por exemplo. Precisamos delas para garantir que as três dimensões do desenvolvimento sustentável [social, econômica e ambiental] estejam de fato integradas”, ressaltou.

Da Agência Brasil
Ig
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