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Código traz regras sobre a preservação ambiental em propriedades rurais. Projeto será enviado à presidente Dilma, que poderá sancionar ou vetar.
O novo Código Florestal aprovado na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (25) traz mudanças em relação ao código atual em pontos importantes como as Áreas de Preservação Permanente (APP) e a reserva legal.
O código já havia sido aprovado na Câmara em maio de 2011, quando a base aliada aprovou, mesmo com orientação contrária do governo. Depois, o texto passou pelo Senado, em dezembro de 2011 e, por ter sido modificado pelos senadores, voltou para a Câmara, onde teve a votação concluída nesta quarta. Agora, o projeto vai para sanção da presidente Dilma Rousseff, que tem direito de fazer veto integral ou parcial.
Veja na ilustração abaixo os principais pontos do antigo e do novo código. Abaixo, veja item por item os principais assuntos.
Reserva Legal
É a área de mata nativa que deve ser preservada dentro da propriedade.
- O que passou na primeira votação na Câmara
De acordo com o texto aprovado na Câmara, a área a ser protegida na Amazônia Legal corresponde a 80% da propriedade; 35% no cerrado; e 20% em outras regiões.
- O que passou no Senado
O projeto aprovado no Senado permanecia com as especificações citadas, mas possibilitava a redução da reserva para 50% em estados e municípios com mais de 65% das suas áreas em reservas ambientais, desde que a redução seja autorizada pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente.
- O que passou segunda votação na Câmara
Os deputados aprovaram o que havia passado pelo Senado, mas com a seguinte modificação: a redução de reserva legal será definida em nível estadual. Ou seja, se o estado possuir mais de 65% de áreas protegidas (unidade de conservação e/ou terras indígenas), a reserva poderá ser diminuída desde que uma lei estadual autorize isso.
Áreas de Preservação Permanente (APPs)
São locais vulneráveis, como beira de rios, topo de morros e encostas, que não podem ser desmatados. Atualmente, produtores devem recompor 30 metros de mata ciliar para rios com até 10 metros de largura.
- O que passou na primeira votação na Câmara
O texto previa redução para 15 metros de recuperação de mata para rios com largura de até 10 metros. O projeto aprovado autorizou o uso de APPs para alguns tipos de cultivos, como maçã e café. A atividade precisaria ser regulamentada em lei posterior e dava espaço para que cada estado decididisse. O governo foi contra, mas acabou derrotado pela bancada ruralista e parte da base aliada.
- O que passou no Senado
O texto obrigava aos proprietários com até quatro módulos fiscais – o módulo varia entre estados de 20 a 440 hectares -, de não exceder a recuperação em 20% da área da propriedade. Para propriedades maiores que quatro módulos fiscais em margem de rios, os conselhos estaduais de meio ambiente estabeleceriam as áreas minimas de matas ciliares, respeitando o limite correspondente à metade da largura do rio, observando o mínimo de 30 metros e máximo de 100 metros. Assegurou a todas as propriedades rurais a manutenção de atividades agrossilvopastoris nas margens dos rios, desde que consolidadas até 2008.
O texto aprovado exigia dos produtores a recomposição de, no mínimo, 15 metros de vegetação nativa nas margens de cursos d’água com até 10 metros de largura. Previa ainda que, para os rios com leitos superiores a 10 metros, a faixa de mata ciliar a ser recomposta deveria ter entre 30 e 100 metros de largura.
- O que passou na segunda votação na Câmara
No caso de rios com até 10 metros de largura, o proprietário rural deverá recompor uma faixa de, no mínimo, 15 metros de mata ciliar. Não foi definida regra para os rios maiores.
As chamadas pequenas propriedades (de até quatro módulos fiscais) terão uma regra especial: a soma das APPs (sendo beira de rio, inclinação ou topos de morro, por exemplo) será limitada a um percentual da área total da propriedade. Em área de floresta amazônica, o percentual será de 80%. Já no cerrado que esteja localizado na Amazônia Legal, será de 35%. Em outros lugares, será de 20%. Esses percentuais correspondem às regras de reserva legal.
Já nas áreas urbanas, as regras para todos os tipos de APPs serão definidos pelos planos diretores municipais.
Conversão de Multas
O Código Florestal prevê anistia a multas por desmatamento desde que haja reflorestamento.
- O que passou na primeira votação na Câmara
Produtores rurais com propriedade de até 4 módulos fiscais, autuados até julho de 2008, poderiam converter multas com reflorestamento, de acordo com o texto aprovado pela Câmara.
- O que passou no Senado
Texto do Senado ampliou o benefício também para os grandes proprietários rurais que desmataram até julho de 2008.
- O que passou na segunda votação na Câmara
Mantém a possibilidade a agricultores de todos os portes converterem multas com o reflorestamento. A presidente Dilma Rousseff suspendeu até junho as multas aplicadas a quem desmatou até 2008. O texto estabelece que, após a sanção e posterior definição das regras para as APPs, os produtores assinem termo para a recomposição. Caso não reponham a vegetação num determinado prazo, deverão pagar multa. As multas ficam suspensas a partir do momento da sanção do Código.
Do G1
As comissão de meio ambiente da Câmara e do Senado realizarão nesta quinta-feira (26) audiência pública para discutir os impactos da aplicação do novo Código Florestal (PL 1876/99), cuja votação está prevista para os dias 24 e 25. O debate foi proposto pelos deputados Márcio Macêdo (PT-SE) e Pedro Uczai (PT-SC).
Apresentado na semana passada, o substitutivo do deputado Paulo Piau (PMDB-MG) elimina a definição das faixas de áreas de preservação permanente (APPs) com atividades produtivas a serem recuperadas para todos os tamanhos de rios. Tanto o texto aprovado na Câmara quanto no Senado estipulam que, para cursos d’água com até 10 metros de largura, os produtores rurais devem recompor 15 metros de vegetação nativa.
Piau fez 21 alterações no texto vindo do Senado, sete delas de mérito. Como já havia anunciado anteriormente, o relator também suprimiu do projeto a definição de APPs nas cidades, incluídas pelo Senado. Pelo texto da Casa revisora, as áreas de expansão urbana deveriam prever 20 metros quadrados de vegetação por habitante. “Isso iria encarecer os terrenos, principalmente para os programas sociais”, justificou Piau. Regras de proteção para plantas em extinção também ficaram de fora.
Foram convidados para a audiência:
- a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira; - o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Antônio Herman Benjamin; - o geógrafo Márcio Ackerman, autor do livro “A cidade e o Código Florestal”; - o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência e Tecnologia, Carlos Afonso Nobre; - o professor da Universidade de Brasília Sérgio Sauer.Da Agência Câmara de Notícias
O julgamento da ação que pede a descriminalização do aborto de anencéfalos, marcado para amanhã (11) no Supremo Tribunal Federal (STF), será um “divisor de águas no plano da opinião pública”, na avaliação do ministro Carlos Ayres Britto, que assume a presidência da Corte na próxima semana.
Para o ministro, o julgamento da ação, que chegou à Corte em 2004, será rico em reflexões e intuições. “O país tinha um encontro marcado com esse tema. Ele é divisor de águas no plano da opinião pública, repercute muito no campo da religiosidade, da saúde pública. Um tema grandioso pelo seu impacto, pelo modo de conceber a própria vida”, disse Ayres Britto após encontro com os presidentes do Senado, José Sarney, e da Câmara, Marco Maia.
“Teremos, certamente, um julgamento rico de debates, reflexões e de intuições também, porque o sentimento também conta na hora de equacionar os fatos”, acrescentou.
O STF foi provocado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde (CNTS), que defende o aborto nos casos em que o feto tem malformação no cérebro e poucas chances de sobrevivência. Com a demora de mais de oito anos para a analisar a questão, mulheres que preferem interromper a gravidez ao saber do diagnóstico de anencefalia, atualmente, têm de recorrer à Justiça.
O processo deverá ser um dos últimos temas de grande repercussão julgados pelo STF na gestão de Cezar Peluso. Ele deixa a presidência do STF no dia 19 de abril, quando assume o ministro Carlos Ayres Britto.
Do Uol

Os primeiros dias após o fim da distribuição das embalagens plásticas nos mercados são marcados por dúvidas, filas e confusão
Sacolas Polêmicas.
Um acordo entre o governo do estado, a prefeitura municipal e a Associação Paulista de Supermercados (Apas) baniu, desde o dia 25, a distribuição gratuita de sacolas plásticas em 2.600 lojas com o objetivo de reduzir o descarte de 6,6 bilhões de embalagens por ano (1,8 bilhão delas só na capital). A iniciativa tem por trás uma louvável preocupação com o meio ambiente. Além de ser derivado do petróleo, o produto demoraria até 400 anos para se decompor depois de jogado no lixo, de acordo com alguns estudos. Como o tal acordo não tem valor de lei, a adesão é voluntária. Na cidade, 95% dos supermercados já embarcaram na campanha, cujo slogan é a frase “Vamos tirar o planeta do sufoco”. A maior parte da população também se mostra simpática à ideia. Segundo pesquisa divulgada na semana passada pelo instituto Datafolha, 57% dos paulistanos apoiam a mudança.
Esse clima favorável entre a opinião pública, porém, não se refletiu nos humores de quem precisou passar pelos caixas na semana passada. Apesar da farta divulgação, muitos acabaram pegos de surpresa. Mesmo as pessoas que se preveniram para esta nova fase confessam ainda estar confusas sobre como substituir as sacolinhas. “Está difícil”, dizia a pedagoga Sueli Castanho Nastri, enquanto pagava a conta na loja do Pão de Açúcar da Vila Clementino, na Zona Sul. Sua dificuldade era encontrar a melhor opção para levar as compras. Já tentou usar caixas de papelão, que, embora sejam distribuídas sem custo, nem sempre estão disponíveis. Também experimentou uma sacola retornável de tecido, cuja alça se rompeu com o peso. “Estou acostumada a levar mercadorias para duas semanas, mas hoje só vou adquirir comida para o dia, porque não sei mais como transportar grandes quantidades”, contou. O presidente da Apas, João Gallassi, no entanto, aposta que as dificuldades serão passageiras. “É preciso um tempo de adaptação para que tudo se ajeite”, acredita.
Para substituir as antigas embalagens, as empresas oferecem agora sacolas biodegradáveis. Elas são produzidas a partir de amido de milho e levam de seis meses a dois anos para sumir do planeta. Ou seja, essa versão seria uma evolução em termos ambientais. O inconveniente do negócio é que os mercados estão cobrando pelo produto (0,19 real, em média). “Não acho justo onerar o consumidor e lucrar com algo que antes era oferecido gratuitamente”, afirma a publicitária Joan na Sottomaior. Segundo a Apas, o valor cobrado é o preço de custo da embalagem verde. Empresários do setor dizem ainda que a venda será provisória. “Numa segunda fase do programa, essas sacolas também vão sair de circulação. Elas estão sendo oferecidas agora apenas para não deixar as pessoas na mão”, diz Felipe Zacari Antunes, gerente de sustentabilidade do Walmart Brasil.
Do Ambiental Sustentável

Rita Lee durante show em Aracaju que a cantora afirma ser o último de sua carreira - Foto:Maria Odilia - Folhapres
O governador de Sergipe, Marcelo Déda (PT), negou que tenha intenção de processar Rita Lee. Em mensagem postada em seu Twitter e enviada à imprensa pela assessoria do governo nesta terça-feira, ele afirma que o cachê pela apresentação já foi pago.
“A hipótese de reaver o cachê foi aventada durante a confusão na madrugada do domingo e logo arquivada”, diz o comunicado. “Show feito, cachê pago, caso encerrado.”
A ameaça de processo foi feita por Déda ainda durante a apresentação de Rita Lee após a cantora provocar a Polícia Militar.
Rita estava em Sergipe fazendo a última apresentação de sua carreira. O imbróglio começou no meio do show, quando a cantora afirmou ter visto membros de seu fã clube –que viaja atrás dela pelo Brasil para vê-la ao vivo– sendo agredidos por policiais.
Primeiro, declarou que não os queria em sua apresentação. Ainda calma, disse: “Vocês são legais, vão lá fumar um baseadinho”.
Mas, quando os policiais vieram para a frente do palco, formando uma parede humana de frente para ela, a cantora se alterou. Lembrou já ter vivido o período da ditadura e disse não ter medo deles. Chamou os PMs de “cavalo”, “cachorro” e “filho da puta”.
Terminado o show, Rita foi levada pela polícia à delegacia, onde prestou depoimento e assinou um boletim de ocorrência. A ex-senadora e hoje vereadora de Maceió Heloisa Helena (PSOL) estava no show e também assinou o documento como testemunha a favor da cantora.
Logo após a apresentação, Déda disse ter testemunhado “um espetáculo deprimente” por parte de Rita. “A polícia não tinha feito nenhum tipo de ação que justificasse [a atitude da cantora]“.
Para o governador, a cantora tentou colocar o público –estimado em 20 mil pessoas pela organização– contra os policiais, o que poderia levar a uma “confusão generalizada”.
Do Folha.com
A cantora Rita Lee, 64, foi presa após um show em cidade próxima a Aracaju (SE). A cantora afirmou ter visto membros de seu fã clube, que viaja atrás dela pelo Brasil, sendo agredidos pelos policiais. Ao avistar policiais na plateia, declarou que não os queria em sua apresentação. “Vocês são legais, vão lá fumar um baseadinho.”
Mas os policiais se aproximaram ainda mais do palco, formando um paredão humano. Mais exaltada, a cantora os chamou de “cavalo”, “cachorro” e “filho da puta”. Passado esse momento, seguiu com o show até o final, quando foi levada à delegacia.
Ela se apresentava no Festival Verão Sergipe e declarou que aquele seria seu último show.
O governador Marcelo Déda (PT) estava no show e disse ter testemunhado “um espetáculo deprimente” por parte de Rita. “A polícia não tinha feito nenhum tipo de ação que justificasse [a atitude da cantora]“, declarou Déda. Para o governador, a cantora tentou colocar o público, estimado em 20 mil pessoas pela organização, contra os policiais, o que poderia levar a uma “confusão generalizada”, segundo ele.
Do Folha.Com
Eliana Calmon destacou que decisão é ‘provisória’ e pode ser revertida. Ela afirmou que, ‘como jurista e cidadã’, defende autonomia do Conselho.
A corregedora-nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon, afirmou nesta segunda-feira (19) ao G1 que recebeu com “surpresa” a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, de conceder uma liminar que limita os poderes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ ) para investigar juízes suspeitos de irregularidades.
Com a liminar (decisão provisória), Mello se antecipou ao julgamento do caso pelo plenário da Corte, que só ocorreria em fevereiro, após o recesso de janeiro. “Foi uma surpresa para todo mundo. É uma decisão que seria do colegiado e que foi antecipada. Imediatamente meus assessores me passaram a informação. Estou lendo e avaliando”, disse.
A ministra destacou que a decisão é “provisória” e pode ser revertida pelo plenário do Supremo. “Liminar é sempre uma decisão provisória. Vamos aguardar”. Indagada se teria “esperanças” de que o colegiado revertesse a decisão de Marco Aurélio, a ministra disse: “Não tenho perspectiva. O Supremo é sempre imprevisível, como foi imprevisível essa liminar.” Em viagem à Bahia, Eliana Calmon não quis emitir opinião sobre a decisão de Marco Aurélio Mello.
“Já me considero em recesso. Estou lendo a liminar e avaliando. Tomei a deliberação de me manter silenciosa e aguardar a decisão do colegiado”, afirmou. Ela ressaltou, contudo, que mantém a posição de defender a autonomia do CNJ para investigar juízes. “É uma opinião que eu tenho como jurista, como brasileira e como cidadã.”
O julgamento da amplitude dos poderes do CNJ, previsto para setembro, foi adiado após a publicação de uma entrevista em que a corregedora-nacional de Justiça apontou “gravíssimos problemas de infiltração de bandidos que estão escondidos atrás da toga”. O presidente do CNJ e do STF, Cezar Peluso, emitiu nota de repúdio. Entidades de magistrados, como a AMB, criticaram as declarações.
Em entrevista ao G1 no fim de setembro, Eliana Calmon afirmou que considerava a discussão sobre os poderes do CNJ como “perdida”. “Vamos perder no STF. Vai ser um retrocesso. Vai esvaziar o CNJ”, afirmou na ocasião.
Decisão
Na decisão individual desta segunda, o ministro Marco Aurélio entendeu que o conselho não pode atuar antes das corregedorias dos tribunais. Para ele, a competência de investigação do CNJ é subsidiária, ou seja, deve apenas complementar o trabalho das corregedorias dos tribunais.
Até agora, a corregedoria do CNJ funcionava de maneira concorrente aos tribunais, tendo capacidade de abrir investigações contra magistrados e puxar para si casos que tramitavam nos estados. Essa iniciativa, para Marco Aurélio, pode ser mantida sem ferir a Constituição, desde que haja uma justificativa, como prescrição e negligência na condução do processo.
A Advocacia-Geral da União (AGU) informou que, ainda nesta semana, vai recorrer da decisão à Presidência do Supremo – no recesso do Judiciário, é o presidente do tribunal quem analisa os pedidos.
Do G1
Foi aprovado ontem (14), na Câmara dos Deputados, o projeto de lei que protege a criança e o adolescente de receber qualquer punição por castigos físicos, as famosas palmadas. A proposta, que ficou conhecida como a Lei da Palmada, foi aprovada por unanimidade, em caráter conclusivo, na comissão especial criada para analisar a matéria e tem o objetivo de reforçar o controle da Justiça sobre os casos de maus-tratos contra a criança e o adolescente. O projeto segue agora para apreciação do Senado.
O texto original do Projeto de Lei 7.672/2010 teve que ser alterado para que a relatora, Tereza Surita (PMDB-RR), desse seu voto favorável. O termo “castigo corporal” foi substituído por “castigo físico”, que caracteriza qualquer ação de natureza disciplinar primitiva, com o uso da força física, que resulte em lesão à criança e ao adolescente. A palavra “sofrimento” também foi incluída no projeto, considerada como castigo.
A relatora Tereza Surita afirmou que a lei é educativa e que a punição física, por parte de pais e responsáveis quando a criança é desobediente, é uma questão cultural. “É cultural usar a violência na educação, e está mais do que comprovado que a violência não educa. Ela paralisa e não traz reflexão”, disse a relatora.
De acordo com a deputada, nesse cenário, é fundamental a mudança de valores. Ela destacou que o projeto de lei prevê o encaminhamento de casos mais graves para o acompanhamento psiquiátrico e social da criança e do agressor. “Quem agride de uma forma mais violenta também precisa de um acompanhamento”, justificou.
Pela proposta, não há punição dos pais com a perda da guarda da criança. Tereza Surita manteve em seu relatório a punição com multa de três a 20 salários mínimos para médicos, professores e agentes públicos que tiverem conhecimento de castigos físicos a crianças e adolescentes e não denunciarem às autoridades. As punições para os pais que agredirem os filhos serão as mesmas já estabelecidas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
A deputada Érika Kokay (PT-DF), integrante da comissão especial, disse que o uso da violência não corrige e nem educa. “O projeto não interfere na forma de educar as crianças e os adolescentes. Isso é uma função da família, dos educadores. O projeto interfere na violência, no bater, no machucar, no provocar sofrimento, no provocar lesão”, observou. Para ela, os que se colocam contra o projeto estão, na verdade, defendendo o direito de bater ou até mesmo espancar uma criança. “Esse projeto não tem o poder de interferir na educação e no poder da família, que é insubstituível”, afirmou.
A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República divulgou hoje nota na qual reconhece a aprovação da lei que pune a agressão física a crianças como um “importante passo para a afirmação dos direitos da criança e do adolescente contra todos os tipos de violência”. De acordo com a secretaria, um terço das denúncias registradas pelo módulo criança e adolescente do Disque Direitos Humanos (Disque 100) corresponde a situações de violência física.
Na visão da secretaria, o projeto propõe que a educação dos filhos seja baseada no diálogo e no respeito, de forma a priorizar os direitos humanos de meninos e meninas. A proposta, diz a nota, apoia as famílias e colabora para o enfrentamento da banalização da violência.
Da Agência Brasil
A presidente Dilma Rousseff prorrogou por quatro meses o decreto que impede a aplicação de multas e sanções a desmatadores e a produtores que não aderirem a programas de regularização ambiental. É a terceira vez que o decreto que anistia os desmatadores é adiado. A última prorrogação foi de seis meses, assinada pela presidente em junho.
Dilma assinou o decreto na última sexta-feira, mas informação foi negada pela Casa Civil e pela Presidência da República. O decreto foi publicado nesta manhã no Diário Oficial da União . Segundo a Casa Civil, a prorrogação prevê “o tempo necessário para a Câmara dos Deputados analisar o projeto do Código Florestal”, em trâmite no Congresso Nacional e já em fase final de apreciação.
No início deste mês, o plenário do Senado aprovou alterações do código florestal, com novas regras para atividades agrícolas e obrigações, assim como novos critérios de recomposição da vegetação devastada. Com as mudanças promovidas pelos senadores – 26 emendas foram acatadas – o texto precisará ser novamente apreciado pela Câmara dos Deputados.
Entre as determinações confirmadas pelos senadores no texto-base está a autorização para ocupação e desmatamento de vegetação nativa em áreas de preservação permanente (APP), com o objetivo de construir estádios de futebol e infraestrutura que garanta condições para o Brasil sediar a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. São APPs, por exemplo, as áreas de mananciais, encostas, manguezais e matas ciliares.
As polêmicas em torno do novo Código Florestal – protestos foram organizados ao longo de todo o debate do texto – podem ser exemplificadas no que os ambientalistas classificam como flexibilização das regras de ocupação das APPs. Além da construção de estádios, incluídos como “atividade de interesse social”, as novas regras para ruralistas e ambientalistas prevêem ainda que, se comparada com a legislação atual, em áreas consolidadas (antes de julho de 2008) com atividades agrícolas ou pastoris, os proprietários terão reduzida à metade sua obrigação de recompor a vegetação devastada.
Se comparada à legislação vigente hoje, o novo Código Florestal ainda protela por mais cinco anos a aplicação da resolução que proíbe crédito agrícola a proprietários que não tenham cadastro ambiental rural e inova ao instituir um cadastro nacional de cada árvore existente no País para a formação do Inventário Florestal Nacional.
Do Terra
Mas parece que muita gente por aí não gosta. Foi retirada de circulação a foto em que apareciam o papa Bento XVI e o imã Mohammed Al Tayeb – pasmem! – beijando na boca. O Vaticano informou que já solicitou aos seus advogados que empreendessem as medidas legais com o objetivo de impedir a utilização das imagens.
Um dia antes…
Tarde da noite, desocupada, lia notícias na internet. De repente, deparo-me com a seguinte chamada de matéria: Beijo na boca de Obama em Chávez e Hu Jintao não agrada Casa Branca. Meu Deus, pensei, o Barack endoidou de vez! Não beijou só um, mas dois caras! E logo quem?
Tentei ler a notícia, mas o portal não apresentava a matéria. Formou-se, é claro, uma complexa teoria da conspiração na minha cabeça. Essa Casa Branca, hein? Já conseguiu interferir até nos sites brasileiros. Bah!
Depois de umas três tentativas, finalmente, consegui ver a foto. Aliás, as fotomontagens. É a campanha da Fundação UNHATE (contra o ódio?). E quem criou a Fundação? A Benetton, é claro.
So they are back in the game!
Pode até parecer incrível para os outros. Mas eu acreditei. Achei até pertinente. Pensei que estivessem selando algum acordo de paz de maneira mais esfuziante.
Coisas de quem não assiste televisão e não lê jornais, não é mesmo? É verdade. Olha, eu nem fazia ideia de que imã poderia ser algo diferente de enfeite de geladeira. Confesso!
Bom, voltando ao primeiro beijo. Não o meu. O que comentei a princípio. A foto foi tirada de circulação porque os fiéis sentiram-se ofendidos. E a Benetton – fantástica, na minha visão – lançou a campanha em Paris, mas no mesmo dia realizou ações na Itália e em Tel Aviv.
As palavras do porta-voz da Santa Sé foram: “Trata-se de uma grave falta de respeito com o papa, uma ofensa aos sentimentos dos fiéis, uma demonstração evidente de como no âmbito da publicidade é possível violar todas as regras elementares do respeito para atrair atenção“.
Não sei se estou muito permissiva, mas ver o papa beijando o imã na boca não me chocou. Também não me chocou, a reação da Igreja e dos muçulmanos. Muito menos, a reclamação dos envolvidos, afinal eles é que estão expostos num beijo gay em outdoors espalhados pelo mundo.
O que me espantou é que todos os comentários foram feitos apenas sobre as imagens. Não encontrei nenhuma matéria que falasse sobre o discurso da campanha. Ninguém disse: Poxa, cagou nas fotos, mas a mensagem é legal. Nada. Sobre isso? Silêncio absoluto.
Pode?
Então, no meu senso íntimo, vivi por alguns minutos uma outra versão da história. Na qual a campanha cumpria seu propósito da forma idealizada, como explicou o assessor de imprensa da grife.
‘Unhate’ pretende contrastar a cultura do ódio e promover a aproximação de pessoas, religiões e culturas, além da compreensão pacífica das motivações dos outros”
Os líderes mundiais fariam gracejos sobre as fotos, aproveitariam o mote para reforçar a necessidade das pessoas combaterem o ódio em seus lares, emprego, enfim, onde tiver gente. Estimulariam a luta contra a homofobia. Rechaçariam a intolerância religiosa.
O papa faria um pronunciamento. Protestaria um pouco, mas no final de seu discurso, ressaltaria a importância de não nos odiarmos, de não cultivarmos esse sentimento, de aceitarmos diferentes culturas, opiniões e etc. E faria uma oração por todos os povos.
E teríamos um tijolinho na estrada da paz mundial. Sonho de candidata à Miss Universo, eu sei. E nem me envergonho. Foi bom fechar os olhos e imaginar tudo isso. Quem tiver curiosidade ou estiver num momento Pollyanna, como eu, pode clicar aqui para conhecer a Fundação UNHATE.
Carolina Vianna é fotógrafa, Poderosa e escreve para o Mulheres no Poder.








