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Comentários ‘Poder’

Margem de erro é dois pontos percentuais; CNI encomendou pesquisa. Ficou estável em 56% o índice dos que consideram governo ótimo ou bom.

A presidente Dilma Rousseff em viagem à Índia na semana passada (Foto: Roberto Stuckert Filho / Presidência)

A aprovação pessoal da presidente Dilma Rousseff subiu cinco pontos percentuais e atingiu 77%, de acordo com pesquisa Ibope encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e divulgada nesta quarta-feira-feira (4). Na pesquisa anterior, de dezembro, o índice dos eleitores que aprovavam a maneira de Dilma de governar era de 72%.

Dos eleitores ouvidos, 5% não souberam ou não quiseram responder. Esta é a maior aprovação pessoal da presidente Dilma nas cinco pesquisas realizadas pela CNI desde sua posse.

Conforme a pesquisa, 19% dos eleitores desaprovam a maneira de Dilma de governar. Na pesquisa anterior, o percentual era de 21%. 2% não responderam.

A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Entre 16 e 19 de março, o Ibope ouviu 2.002 eleitores com 16 anos ou mais em 142 municípios de todas as regiões do país.

O levantamento foi realizado pouco depois do auge da crise do governo com a base aliada, quando o governo sofreu derrotas em votações importantes e a presidente Dilma trocou os líderes do governo na Câmara e no Senado para tentar solucionar o impasse.

Em relação ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma apresenta maior popularidade em comparação com os dois primeiros anos dos dois mandatos de Lula, conforme a pesquisa.  Em março do segundo ano do segundo mandato, Lula tinha 73%. A melhor avaliação de Lula, no mesmo período, foi registrada em março de 2003, quando ele obteve 75%. Na última pesquisa Ibope do governo Lula, em dezembro de 2010, o ex-presidente obteve 87% de aprovação.

Entre as regiões, a melhora mais expressiva da avaliação de Dilma ocorreu na região Sudeste, onde o índice de aprovação subiu de 69% para 75%.

Avaliação do governo Dilma
O Ibope aponta que, dos eleitores, 56% consideraram como ótimo ou bom o governo como um todo, mesmo percentual do levantamento anterior, feito em dezembro. Segundo o levantamento, 8% consideraram o governo Dilma ruim ou péssimo, contra 9% na pesquisa anterior.

Considerando a avaliação do governo, o melhor percentual registrado por Lula foi 51% em março do primeiro ano do primeiro mandato. Mais da metade da população, 60%, considera que o governo da presidente Dilma está sendo igual ao do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O percentual de brasileiros que confiam na presidente passou de 68% para 72%. Considerada a margem de erro, esse índice se manteve estável em relação ao resultado mais elevado alcançado por Dilma, em março de 2011 (74%). Houve destaque para o aumento da crença dos eleitores das regiões Sul e Nordeste na presidente. No Sul, o índice saiu de 65% para 72% e no Nordeste de 73% para 79%.

Percepção dos eleitores
A pesquisa mostra que assuntos crtíticos para o governo, como os conflitos com a base aliada e a votação do Código Florestal, foram pouco lembrados pelos entrevistados na pesquisa. A crise com a base foi lembrada por 4% dos eleitores.

Os temas mais citados foram os programas sociais voltados para mulheres, dos quais 9% dos eleitores lembraram, e as viagens da presidente Dilma Rousseff, lembadas por 7%.

O percentual de percepção sobre notícias relacionadas a corrupção no governo caiu de 28%, em dezembro de 2011, para 5% no último mês. As substituições dos ministros da Pesca e do Desenvolvimento Agrário também foram citadas espontaneamente por 4% dos entrevistados.

Aumentou também, de 21% para 28%, o percentual de eleitores que consideraram as últimas notícias favoráveis à presidente. Em dezembro do ano passado, 19% dos entrevistados avaliavam a maioria de notícias como desvaforáveis. Esse índice caiu para 14% em março.

Temas relacionados à Copa do Mundo, como a votação da Lei Geral da Copa no Congresso, foram citados por 3% dos entrevistados. O mesmo percentual de entrevistados lembrou de medidas econômicas adotadas pelo governo. A prisão pela Polícia Federal do empresário suspeito de comandar rede de jogos ilegais, Carlinhos Cachoeira, foi citada por 2% dos entrevistados.

Avaliação por áreas
A área com pior avaliação é a de impostos. A carga tributária brasileira foi desaprovada por 65% da população, seguida pelas áreas de saúde (63%) e segurança pública (61%).

Em relação a ações de combate à inflação, a desaprovação caiu de 52% em dezembro para 50% em março deste ano.

As políticas e ações de proteção ao meio ambiente tiveram crescimento da aprovação de 48% para 53%. O governo prepara para junho a Rio+20, conferência sobre desenvolvimento sustentável das Nações Unidas, que será no Rio de Janeiro.

Os principais programas da área social do governo, que tratam do combate à fome e à pobreza, estão entre as áreas que tiveram melhora na avalição pelo eleitoral, subindo de 56% para 59% de aprovação.

Os índices de aprovação são maiores na região Nordeste (63%), nas cidades do interior (62%) e em municípios pequenos de até 20 mil habitantes (69%). Outro tema aprovado pela maioria da população (53%) foi a política de combate ao desemprego. Na educação, o percentual de aprovação subiu quatro pontos percentuais, chegando a 49%.

Do G1
Marta Suplicy venceu a queda-de-braço com José Pimentel para se manter na primeira vice-presidência do Senado. Isso, porém, custou-lhe caro, como mostram bastidores de uma reunião recuperados pelo Congresso em Foco

Marta: briga com José Pimentel pela primeira vice-presidência do Senado deixou-a isolada na bancada - Valdemiro Rodrigues/Senado

Os dias desde o início do ano têm sido ingratos para as pretensões políticas da senadora Marta Suplicy (PT-SP). Ex-prefeita de São Paulo, ela foi preterida na sua pretensão de disputar novamente o cargo pela vontade do ex-presidente Lula, que ungiu um neófito na política eleitoral como candidato, o ex-ministro da Educação Fernando Haddad. Ex-mulher de um dos fundadores do partido, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), Marta deixou de comparecer à festa de aniversário de 32 anos do PT, para não se encontrar ali com um convidado de honra do partido, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Rejeitada como candidata, Marta teve contestada também sua oposição à estratégia da direção petista, que quer Kassab como aliado de Haddad nas eleições paulistanas. Se as eleições municipais deste ano botaram Marta em rota de colisão com Lula e a cúpula do PT, a sua situação não anda muito melhor com relação a seus colegas petistas no Senado. A forma agressiva como Marta impôs a sua permanência na primeira vice-presidência do Senado custou-lhe o isolamento na bancada.

É o que revelam bastidores recuperados pelo Congresso em Foco da reunião entre os senadores petistas em que o assunto foi tratado, no último dia 1º de fevereiro. A reunião estava marcada para que fosse decidida a escolha do novo líder do partido no Senado, em substituição ao senador Humberto Costa (PT-PE). Disputavam o cargo os senadores Walter Pinheiro (PT-BA) e Wellington Dias (PT-PI). Inicialmente, iniciou-se uma votação, e Wellington disparou na frente na preferência de seus colegas. Até uma intervenção do senador Jorge Viana (PT-AC). Ele argumentou que seria importante que o novo líder assegurasse a sua disposição de não dividir a atenção do comando da bancada com as eleições municipais. Neste momento, Wellington, que tem a pretensão de voltar a ser governador do Piauí em 2014, retirou sua candidatura à liderança. Sem outro concorrente, o cargo ficou, então, para Walter Pinheiro.

Foi quando Marta resolveu introduzir a questão da sua permanência na primeira vice-presidência do Senado, assunto que, inicialmente, não estava na pauta da reunião. Desde o ano passado, ela e o senador José Pimentel (PT-CE) brigavam pelo cargo. Pimentel reivindicava o cumprimento de um suposto acordo feito quando Marta tornou-se primeira vice-presidente, no processo que escolheu José Sarney (PMDB-AP) presidente do Senado. Por esse acordo, Marta deixaria o cargo e ele passaria a ser este ano de José Pimentel. De acordo com os senadores petistas, naquela ocasião Marta aceitara o acerto porque imaginava-se candidata à prefeitura de São Paulo agora, o que acabou não acontecendo.

Dedo na cara

“Vamos aproveitar a reunião e resolver logo essa questão”, propôs Marta. Pimentel lembrou o acordo. Marta respondeu, ríspida, segundo senadores que participavam do encontro, pondo o dedo na cara de Pimentel. “Você sabe que nunca houve acordo nenhum. Inclusive, você brigou muito pelo cargo no ano passado. A verdade é essa”, respondeu Marta. Vários senadores começaram a ponderar que tinha, sim, havido acordo.

Mata insistiu na inexistência do acordo, e ponderou que, pelo regimento do Senado, ele talvez nem fosse possível sem que houvesse uma nova eleição. Além disso, outros rodízios supostamente prometidos também não estariam sendo cumpridos. Paulo Paim (PT-RS) pretendia permanecer na presidência da Comissão de Direitos Humanos e Delcídio Amaral (PT-MS) à frente da Comissão de Assuntos Econômicos. Os senadores começaram a argumentar que o agravamento de uma disputa interna entre os petistas poderia fazer com que o partido acabasse perdendo seus cargos. O PMDB, ponderou-se, acompanhava de perto a briga na bancada do PT para, diante de um impasse, acabar reivindicando-os. Coube a Jorge Viana por panos quentes:

“Marta, todos nós temos aqui o maior respeito por você. Nenhum de nós aqui abriu mão de algo tão importante como você fez no caso das eleições em São Paulo”, disse Viana. A frase do senador acreano soou como um sinal de que a senadora poderia ser mesmo merecedora de um prêmio de consolação pela derrota a ela imposta por Lula ao preferir Fernando Haddad como candidato. José Pimentel abriu mão, então, de suas pretensões. E Marta manteve-se na primeira vice-presidência do Senado.

Segundo senadores que participaram da reunião, porém, o episódio deixou sequelas, pela forma como Marta impôs seu nome, pela rispidez da discussão e pelo fato de que um acordo anterior fora rompido. Seu único apoio hoje estaria em seu ex-marido, Eduardo Suplicy.

Do Congresso Em Foco

Dilma e Mantega: presidente exigiu explicações públicas do ministro e blindou o subordinado no Congresso - Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino

Diante dos crescentes rumores no mercado financeiro sobre um possível pedido de demissão do ministro da Fazenda, Guido Mantega, envolvido em denúncias de corrupção na Casa da Moeda, o Palácio do Planalto tratou ontem de escalar emissários para dissipar qualquer dúvida sobre o assunto. O recado da presidente Dilma Rousseff repassado por eles aos analistas foi claro: “Mantega fica onde está. E mais forte do que nunca”. Ao mesmo tempo, o Planalto montou uma tropa de choque no Congresso Nacional para blindar o ministro e evitar a sua convocação pela oposição, que cobra explicações sobre a demissão de Luiz Felipe Denucci da presidência da Casa da Moeda.

Mantega está sob intenso tiroteio há uma semana, quadro que se agravou devido ao silêncio comprometedor adotado por ele em relação a Denucci. Somente na sexta-feira passada, o ministro emitiu algumas palavras sobre as denúncias de que o ex-presidente da Casa da Moeda havia recebido propina de US$ 25 milhões em paraísos fiscais por determinação de Dilma. Mesmo assim, ampliou o mal-estar ao dizer que não conhecia o ex-subordinado quando o nomeou para o comando da estatal a pedido do PTB, partido da base aliada do governo. O líder da legenda na Câmara, Jovair Arantes (GO), rebateu Mantega e assegurou que o demitido era escolha pessoal do titular da Fazenda.

Para o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, a grande preocupação do mercado é “que até a base aliada do governo quer fritar o ministro, forçando uma convocação constrangedora” no Congresso. Mas, a seu ver, se Mantega cair, nada mudará. “A política econômica está alicerçada na figura da presidente da República, não será uma mudança na Fazenda que tirará do prumo as linhas gerais do programa econômico”, afirmou. O economista Frederico Turolla, sócio da Pezco Consultoria e Pesquisa, endossou: “Não vejo risco de mudança significativa. A saída de Mantega não mudaria os rumos da política econômica”.

Convocação

Ontem, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), líder da bancada tucana, apresentou dois requerimentos à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado para que Mantega e Denucci sejam convocados. O presidente da CAE, Delcídio do Amaral (PT-MS), determinou que os pedidos sejam votados na próxima terça-feira. A bancada do DEM na Câmara também protocolou requerimento de convocação do ministro da Fazenda no plenário da Casa. O pedido, apresentado pelo deputado Mendonça Filho (PE), precisa ser incluído na pauta pelo presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), para poder ser votado. Mas ele já se posicionou contra a ideia. “O plenário da Câmara é um espaço nobre, destinado a grandes debates de relevância nacional. Essa questão não é um grande tema nacional, é um tema específico que, por isso, tem que ser discutido nas comissões”, disse.

Cortes indefinidos

O governo está acelerando o passo para fechar as contas e anunciar os corte nos Orçamento deste ano, que devem ficar em torno de R$ 60 bilhões. A meta é divulgar o arrocho ainda na primeira quinzena de fevereiro. Ontem, antes de uma reunião com a presidente Dilma Rousseff, no Palácio da Alvorada, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, fez questão de ressaltar que nada está decidido. “Ainda não temos o valor do corte”, disse. O mercado financeiro espera ansioso pelo número para medir qual realmente é o compromisso do governo com a promessa de cumprir a meta de superavit primário de 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB).

Do Correio Braziliense
Dilma Rousseff

Deputados ligados à área de comunicações afirmam que a mensagem da presidente Dilma Rousseff ao Congresso Nacional, relativa à reabertura dos trabalhos da 54ª legislatura, não menciona, como metas para 2012, temas essenciais para o desenvolvimento do setor.

Eles citam, por exemplo, a proposta de marco civil para a internet (PL 2126/11, do Poder Executivo); o marco legal para as comunicações eletrônicas, em fase de elaboração pelo governo; e o projeto de lei do Fust (PL 1481/07) – nenhum deles listado entre as prioridades deste ano.

Dilma promete apenas “prosseguir com as ações voltadas à atualização do marco legal das comunicações eletrônicas”, sem estabelecer prazo para a conclusão do trabalho, que foi iniciado no Governo Lula. Já em relação ao marco civil, a mensagem presidencial apenas cita o envio do projeto ao Congresso como resultado alcançado em 2011.

A mensagem presidencial menciona a continuidade do Programa Nacional de Banda Larga (PNBL) em 2012. Porém, não cita como prioritária a aprovação, pela Câmara, do PL 1481/07, que permite que recursos do Fundo de Universalização das Telecomunicações (Fust) sejam utilizados para a massificação da banda larga.

O líder do PT, deputado Paulo Teixeira (SP), destaca que, para a bancada do partido, as três propostas são prioritárias. A expectativa dele é de que o marco legal para as comunicações eletrônicas seja enviado ainda neste ano ao Congresso.

Desatualização

A deputada Luiza Erundina (PSB-SP) acha “incompreensível” que o envio do novo marco legal das comunicações ao Congresso não tenha sido listado como meta do governo para este ano. “O Código Brasileiro de Telecomunicações (CBT) completa 50 anos neste ano, e houve grandes mudanças tecnológicas nesse período”, ressalta. “Além disso, o capítulo V da Constituição, que trata da Comunicação Social, permanece sem regulação”, complementa.

Para a deputada, a Frente Parlamentar em Defesa da Liberdade de Expressão e Democratização da Comunicação deve ser ativa este ano e “trabalhar para que se criem condições políticas para que o tema passe a ser prioridade para o governo”. Ela destaca ainda que, enquanto o Executivo não finaliza a elaboração de uma nova lei de comunicações, os deputados podem avançar na discussão da temática, além de aprovar outras propostas importantes para o setor, como o marco civil da internet e o projeto do Fust.

Banda larga

Para o deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG), a aprovação do projeto do Fust deveria ser priorizada pelo governo. “O Fust está largado, sem uso”, afirma. O fundo arrecada em média R$ 850 milhões por ano, mas recursos vêm sendo contingenciados pelo governo.

Azeredo destaca ainda que o marco civil – que, em suas palavras, “foi colocado como grande solução do governo para a área de internet” – não é mencionado como prioridade pela presidente Dilma.

O relator da subcomissão especial destinada a acompanhar as ações do PNBL, deputado Newton Lima (PT-SP), considera essencial a aprovação do projeto do Fust. Em relatório prévio aprovado pela Comissão de Ciência e Tecnologia em dezembro do ano passado, ele recomendou a priorização do projeto na agenda política da Casa. O projeto aguarda deliberação do Plenário.

Além disso, o relatório de Lima recomendou a promoção, pelos estados, da desoneração fiscal do serviço de banda larga. Quanto a esse tema, Dilma afirma que se encontra “em fase de conclusão a criação de um regime tributário especial para o PNBL, que possa, por meio de renúncia fiscal, antecipar investimentos adicionais da ordem de R$ 10 bilhões nos próximos cinco anos”.

 Da Agência Câmara de Notícias

Primeira reunião ministerial realizada por Dilma ocorreu em janeiro do ano passado: pelo menos dois ministros vão faltar este ano Foto: Cadu Gomes/CB/D.A Press

Os ministros de Dilma Rousseff chegam hoje à tarde ao Palácio do Planalto para a primeira reunião ministerial do ano, com uma dura cobrança já feita pela presidente: por conhecerem há um ano a lógica do governo e da mandatária, os auxiliares precisam apresentar as metas de suas pastas, os prazos para o cumprimento de cada programa e as medidas de contenção de gastos, prestação de contas e acompanhamento dos resultados. Foi esse o recado de Dilma aos ministros que participaram das 10 reuniões setoriais realizadas desde quinta-feira — a última delas avançou pela noite de ontem, no Palácio da Alvorada, residência oficial da presidente.

O grande encontro de hoje, às 17h, servirá para Dilma cobrar de seus auxiliares de confiança metas e prazos para o Plano Brasil sem Miséria; para as obras de infraestrutura previstas no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC); e para o Minha Casa, Minha Vida. Outro assunto da primeira reunião ministerial do ano, segundo informação de auxiliares que participaram de alguns dos encontros setoriais, será o corte de R$ 60 bilhões a R$ 70 bilhões no Orçamento da União de 2012.

Dilma manifestou preocupação com o travamento de licenças ambientais para grandes obras de infraestrutura e, ao mesmo tempo em que faz cobranças por mais agilidade nas autorizações, tenta dar visibilidade ao principal evento do ano na área de meio ambiente. A realização da Rio+20 no Rio de Janeiro, evento da Organização das Nações Unidas (ONU) que ocorre entre 20 e 22 de junho, foi discutida ontem no Palácio da Alvorada. O governo teme um fiasco do encontro internacional, com baixa presença de chefes de Estado. A reunião setorial de ontem serviu para traçar estratégias para a Rio+20 — o evento ocorre em menos de cinco meses — e para dois grandes eventos esportivos no Brasil, a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

Treze ministros estiveram ontem no Palácio da Alvorada, entre eles a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e o ministro de Relações Exteriores, Antonio Patriota, responsáveis diretos pela Rio+20. Patriota esteve no Alvorada no sábado para as discussões sobre a crise econômica internacional. O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, e o presidente da Autoridade Pública Olímpica (APO), Márcio Fortes, também se reuniram ontem com Dilma. Metas e prazos para a Copa do Mundo e as Olimpíadas serão cobrados hoje na reunião ministerial.

A reunião setorial de ontem chegou a ser desmarcada pelo Planalto no sábado. Os ministros, porém, não tiveram sossego no domingo. Dilma não só confirmou a realização do encontro como mobilizou a maior quantidade de ministros até agora, dentre as nove reuniões setoriais já realizadas. Eles começaram a chegar às 15h e só deixaram o Palácio da Alvorada, sem falar com a imprensa, às 20h40. Uma ausência notada nas reuniões de ontem foi a de Mário Negromonte, de Cidades, mais um sinal de que sua situação não é estável no cargo. Antes da reunião ministerial, uma última setorial será feita hoje no Palácio do Planalto, para discutir segurança pública.

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A Privataria Tucana

Em nome da defesa do “bem comum”, a presidente Dilma Rousseff defendeu nesta sexta-feira em conversa com jornalistas que cobrem a Presidência, uma relação “civilizada” com a oposição. “Não é preciso ter uma mesma posição para conversar com alguém”, disse.

A presidente deu o exemplo da votação da elevação do teto da dívida americana, como sinal de modelo “incivilizado”. “Você não pode supor que um país pode ter um susto como o episódio como aquele do teto da dívida”, disse.

Dilma avaliou como republicana a relação que mantém com os governadores de oposição. “Como o problema de São Paulo não é meu? Como o de Minas Gerais não é meu?”, indagou. Ambos os Estados citados são governados pelo PSDB.

Questionada se teria lido o livro Privataria Tucana de Amaury Júnior, Dilma negou e desconversou. “Não li nem o meu”, referindo-se à biografia escrita pelo jornalista Ricardo Amaral.

O livro, lançado na última semana, relata irregularidades em privatizações de empresas públicas durante o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). A obra é resultado de 12 anos de trabalho do jornalista investigativo Amaury Ribeiro Júnior.

Do Terra

Senadora Marinor Brito (PSOL-PA) - Foto Waldemir Barreto

A senadora Marinor Brito (PSOL-PA) prometeu entrar com um recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar impedir a posse de Jader Barbalho (PMDB-PA) no Senado. Ela estranhou o fato de a decisão em favor de Jader Barbalho ter sido tomada por apenas um ministro, o presidente do Supremo, Cezar Peluso, mesmo sem o processo estar na pauta do dia na Corte. Marinor acusou o presidente do STF de ter cedido a pressões do PMDB.

“Enquanto não houver conclusão do processo, enquanto ainda houver possibilidade de recurso, eu tenho o direito de permanecer no Senado Federal e vou lutar até quando as pernas aguentarem para manter aqui uma representante do povo, de mãos limpas”, disse a senadora, fazendo referência à lei que barrou a posse de Jader Barbalho, candidato ao Senado mais votado no Pará nas últimas eleições legislativas.

O segundo mais votado, Paulo Rocha, também foi impedido de assumir o cargo pela mesma lei e Marinor Brito, terceira colocada no pleito, acabou herdando a vaga. Com a decisão do STF de que a Lei da Ficha Limpa não poderia ser aplicada aos candidatos que disputaram as últimas eleições, Jader entrou com pedido para assumir a vaga de senador e foi atendido, ontem (14), por Peluso.

“É um golpe antecipado na [Lei da] Ficha Limpa e a responsabilidade desse golpe é do ministro Peluso, do presidente da Suprema Corte do país, que passou por cima de uma decisão anunciada por ele mesmo, que passou por cima de uma longa discussão que esse debate teve no Senado Federal. Ele sabe que a Suprema Corte do país está dividida e tomou uma decisão unilateral, para privilegiar interesses das pressões feitas pelo PMDB”, disse Marinor Brito.

A decisão favorável a Jader Barbalho vinha sendo cobrada pelas lideranças do PMDB no Senado porque dois senadores barrados pela Lei da Ficha Limpa, Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) e João Capiberibe (PSB-AP), já tomaram posse no Senado.

Apesar da decisão do STF, Jader Barbalho ainda terá que esperar mais algum tempo para assumir a cadeira no Senado. Se o Supremo não acatar os recursos de Marinor Brito, um novo processo precisará ser aberto na Mesa Diretora do Senado para que Jader possa pedir a vaga. Nesse processo, a senadora também terá o direito de ser ouvida.

Da Agência Brasil

Dilma Rousseff está em Porto Alegre, onde participou da entrega de máquinas retroescavadeiras para obras do PAC, e volta hoje a Brasília - Foto Roberto Stuckert Filho/PR

Disposta a manter a unidade de sua base de sustentação no Congresso após as eleições municipais de 2012 e ciente de que a disputa pode trazer de volta a Brasília uma legião de insatisfeitos considerando-se abandonados pelo Planalto, a presidente Dilma Rousseff avisou ontem que, onde houver bola dividida na base de apoio ao governo, não vai subir em palanques eleitorais. “Estou cada vez mais inclinada a não participar de eleições quando a minha base estiver envolvida. Eu tenho de ter responsabilidade com o país. Eu posso ter até aqui dentro (de mim) minhas convicções, mas aqui dentro é uma coisa. Como presidenta, não”, disse em Porto Alegre.

A resposta foi dada após Dilma ter sido questionada sobre qual seu candidato preferido nas eleições municipais na capital do Rio Grande do Sul. A regra, contudo, vale para todas as demais cidades onde a base estará rachada (Leia quadro abaixo com as principais disputas). Dilma, considerada por muitos parlamentares como alguém que prefere uma gestão técnica a um comando político do país, mostrou com a declaração que assimilou com perfeição as palavras de seu mentor, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Lula sempre buscou ao máximo a unidade nas disputas municipais e estaduais para evitar o desgaste de ter que subir em mais de um palanque e desagradar possíveis aliados. A noção de que Dilma é uma boa aluna havia sido detectada pelo próprio ex-presidente em 2010, após discurso da então pré-candidata pelo PT na inauguração da nova sede do Sindicato dos Trabalhadores de Processamento de Dados e Tecnologia da Informação do Estado de São Paulo (Sindpd). “A bichinha está palanqueira. Palanqueira de primeira”, afirmou ele ao presidente da entidade, Antônio Neto, arrancando risadas dos presentes ao evento.

Estratégia

Com o início das articulações partidárias para as eleições de 2012, Dilma tem ouvido de seus aliados que as disputas municipais são fundamentais para que os partidos mostrem suas forças e se cacifem para as eleições de 2014. O PSB, por exemplo, liberou o partido para fazer as coligações que forem mais convenientes para turbinar seu poder político. O PMDB, temendo perder o prestígio no Palácio do Planalto, avisou que lançará candidatos em todas as capitais, inclusive em São Paulo, com o deputado Gabriel Chalita resistindo à aliança em primeiro turno com o petista Fernando Haddad.

A experiência política de Lula conseguia cicatrizar feridas pós-eleitorais com mais facilidade. Dilma começa a ensaiar esses passos e buscará evitar ao máximo gestos que possam provocar ciúmes. E, nos locais onde for possível operar o consenso, agirá intensamente, com Lula, para sacramentar a unidade. Como fez na capital paulista, onde ajudou a convencer a senadora Marta Suplicy a abandonar a disputa, pavimentando o caminho soberano de Fernando Haddad no partido. “O PT quer unir os diferentes para enfrentar os antagônicos. Os antagônicos, obviamente, somos nós”, disse o tucano José Serra.

Ainda em Porto Alegre, Dilma defendeu o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, “É estranho que o ministro preste satisfações no Congresso da vida privada, da vida pessoal passada dele. Se ele achar que deve ir, ele pode ir, se ele achar que não deve ir, ele não vá. Agora, sobre assuntos do governo é obrigado a ir”, disse ela.

Aniversário com a família no RS

A presidente Dilma Rousseff comemorará seu aniversário de 64 anos hoje, na companhia da família em Porto Alegre. Durante todo o dia ela não terá agenda oficial. Dilma deve receber a visita da filha, Paula, do neto, Gabriel, de 1 ano, e do ex-marido Carlos Araújo, além de alguns amigos. No ano passado, Dilma também passou o aniversário em Porto Alegre, ainda como presidente eleita. Poucos dias depois, foi diplomada no cargo. A presidente deve retornar a Brasília no final da tarde de hoje. Amanhã, ela recebe pela manhã a ex-presidente do Chile Michelle Bachelet, atual diretora executiva da ONU Mulheres. Bachelet vem à capital participar do encerramento da 3ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres. A presidente marcou as férias do dia 26 até 10 de janeiro de 2012. A filha e o neto de Dilma virão de Porto Alegre passar o réveillon em Brasília, também na companhia da mãe e da tia de Dilma, que moram com a presidente no Palácio da Alvorada. Depois, o descanso deve ocorrer na Base Naval de Aratu, em Salvador. O local é o mesmo onde o ex-presidente Lula costumava passar as férias.

Do Correio Braziliense
Autora do livro Comandante Chique diz que primeira-dama estabeleceu um código de vestimenta e faz visual funcionar para ela

Editora Mikki Taylor, autora do livro 'Comandante Chique', fala sobre Michelle Obama - Foto: NYT

Para a maioria das pessoas, existe apenas um grande ícone com a letra “O”. Mas quando Mikki Taylor, a ex-editora da revista Essence, fala de “O,” não existe dúvida sobre quem ela está falando. “A Sra. O não segue qualquer tendência”, disse Taylor. “E ela vive sua vida da mesma maneira.”

Como editora da revista, Taylor passou os últimos 30 anos ajudando a definir a beleza e a moda negra. Agora, ela tem focado seu olhar em Michelle Obama, sem dúvida a primeira-dama com mais estilo desde

Jacqueline Kennedy (que viria a ser o outro grande ícone com a letra “O”), em seu novo livro “Commander in Chic” (Comandante Chique, em tradução literal).

Com um subtítulo que diz, “um guia para cada mulher gerenciar seu estilo como uma primeira-dama”, o livro não chega a ser um manual mas que busca oferecer prescrições inspiradoras que

Taylor chama de “Mikki-ismos”. Um exemplo típico disso é o conselho: “Seu cabelo deve ser penteado de uma maneira tão estilosa que pareça que você tem uma equipe de pessoas lhe esperando do outro lado do telefone”.

Taylor pessoalmente é, alegre e cheia de vida. Ela é como a tia legal cujo estilo e guarda-roupas você espera herdar algum dia. Ter estilo não é gastar muito dinheiro e comprar compulsivamente à toa, ela disse em uma entrevista realizada recentemente. “Trata-se de estabelecer o seu próprio código de vestimenta. Estilo verdadeiro não é uma roupa que você simplesmente veste.”

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Rosa Maria Weber Candiota da Rosa

Rosa Maria Weber Candiota da Rosa, indicada ao cargo de ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) na vaga de Ellen Gracie Northfleet, aposentada em agosto, será sabatinada pelos senadores da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) às 9h da próxima terça-feira (6).

Sua posse está sendo aguardada com ansiedade para a conclusão de votações importantes no Supremo, como a que estabelece a validade da Lei da Ficha Limpa para as eleições municipais de 2012. O relator da matéria do STF, ministro Luiz Fux, já se manifestou favoravelmente à aplicação da lei, mas a votação, iniciada no dia 9 de novembro foi interrompida por um pedido de vista do ministro Joaquim Barbosa. Retomada na última quinta-feira (1º) com o voto favorável de Barbosa, o pedido de vista desta vez foi do ministro Dias Toffoli. A análise só deve prosseguir com a chegada da nova ministra, para evitar empate, como já ocorreu anteriormente no processo que questionou a validade da lei para as eleições de 2010.

Outro caso que só deve ter continuidade após a posse de Rosa Weber – pois está empatado em cinco a cinco – é o da eleição de Jader Barbalho para o Senado, pelo estado do Pará. Ele foi barrado pela Lei da Ficha Limpa em 2010, e, dependendo da decisão do STF, poderá ou não tomar posse no Senado. Quem detém o mandato até o momento é a senadora Marinor Brito (PSOL-PA).

Também empatada em cinco a cinco e aguardando a chegada da nova ministra está a decisão de reduzir ou não a pena de traficantes condenados pela Nova Lei do Tráfico (Lei 11.343/06), se forem primários, com bons antecedentes e não integrem organizações criminosas.

Currículo

Rosa Maria nasceu em Caxias (RS), em 1948, é bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais desde 1971, pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com conclusão em primeiro lugar e como aluna laureada.

Ingressou na magistratura em 1976, quando se tornou juíza do Trabalho substituta do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 4ª região. Em 2006 tomou posse no Tribunal Superior do Trabalho (TST), seu último posto.

Da Agência Senado