Comentários ‘pesquisas’
Em pronunciamento nesta terça-feira (15), o senador Wellington Dias (PT-PI) chamou a atenção para o Mapa da Violência contra a Mulher 2012, que, conforme afirmou, mostra uma realidade cruel no Brasil, onde uma mulher é morta a cada duas horas.
O senador disse que ex-namorados, maridos e companheiros são os principais responsáveis pelas agressões contra as mulheres, muitas vezes cometidas no próprio ambiente doméstico.
De acordo com a pesquisa, divulgada pelo Ministério da Justiça, em um grupo de 87 países, o Brasil ficou em 7º lugar em número de agressões contra as mulheres, com 4.297 casos, ou 4,4 assassinatos em um grupo de 100 mil habitantes. De acordo com o senador, o Piauí foi o estado brasileiro com o menor número de agressões, com 2,6 casos para 100 mil habitantes. O mais violento é o Espírito Santo, com 9,4 homicídios para um grupo de 100 mil habitantes.
Em aparte, a senadora Ana Rita (PT-ES), manifestou apoio a Wellington Dias, e disse que as autoridades brasileiras devem se engajar para aplicar a legislação em defesa da mulher em toda a sua plenitude. O senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) também afirmou que os dados da violência no país exigem medidas enérgicas e urgentes das autoridades.
Da Agência Senado
As mulheres têm mais chances de apresentar problemas cardíacos após viver situações estressantes, segundo um estudo apresentado nesta terça-feira (24) na conferência Biologia Experimental 2012, que acontece em San Diego, nos Estados Unidos.
As doenças coronarianas são a maior causa de morte nos EUA, mas o problema afeta a população de maneira diferente, pois a cada ano mais homens do que mulheres são diagnosticados com o problema.
Outros estudos mostraram que durante a prática de exercício físico o coração dos homens se contrai mais que o das mulheres e isto diminui o fluxo de sangue. Mas as mulheres são mais propensas do que os homens a terem problemas cardíacos após sobressaltos emocionais.
Uma equipe de pesquisadores do Colégio de Medicina da Universidade Estadual da Pensilvânia, liderado por Charity Sauder, realizou um estudo para entender estas diferenças e verificou que o fluxo sanguíneo realmente aumenta nos homens durante o estresse mental, mas não se altera nas mulheres.
A pesquisa foi realizada com 17 adultos saudáveis, oito homens e nove mulheres. Em cada voluntário foi medido o ritmo cardíaco e a pressão arterial em descanso, assim como a condutância vascular, que verifica por meio de um aparelho de ultrassom o fluxo sanguíneo pelas vias coronarianas até o coração.
Depois, os voluntários se submeteram a uma prova de três minutos de aritmética mental na qual os pesquisadores pediram que eles subtraíssem sete de um número ao acaso.
Para aumentar o estresse, os cientistas pressionaram os voluntários para realizarem a tarefa rapidamente, e além disso diziam que estavam errados mesmo quando fizeram a conta corretamente.
Após a prova, eles foram submetidos mais uma vez às três medições cardíacas. Os testes mostraram que quando estavam em repouso os resultados dos homens e das mulheres não apresentavam grandes diferenças.
Durante a tarefa de aritmética mental todos os voluntários mostraram um aumento do ritmo cardíaco e da pressão arterial. Mas enquanto os homens tiveram um aumento da condutância coronariana sob estresse, as mulheres não apresentaram mudanças.
Esta diferença, explicou um dos autores do estudo, Chester Ray, poderia predispor as mulheres a problemas cardíacos durante o estresse.
Os resultados foram surpreendentes, acrescentou Ray, já que estudos anteriores indicavam que os homens têm um fluxo de sangue para o coração significativamente menor do que o das mulheres durante a prática de exercício físico. A nova pesquisa poderia explicar por que as mulheres têm mais problemas cardíacos após eventos estressantes, como a morte do marido, por exemplo.
“A redução do estresse é importante para todos, seja qual for o gênero”, disse Ray, “mas este estudo mostra que o estresse afeta de maneira distinta os corações das mulheres”, e por isso o risco delas sofrerem um problema coronariano após uma situação traumática é maior.
A conferência Biologia Experimental começou nesta segunda-feira e vai até amanhã. O evento, que deverá atrair 12 mil participantes, é patrocinado pela Sociedade Fisiológica dos EUA e outras cinco instituições científicas.
Do Terra
Margem de erro é dois pontos percentuais; CNI encomendou pesquisa. Ficou estável em 56% o índice dos que consideram governo ótimo ou bom.

A presidente Dilma Rousseff em viagem à Índia na semana passada (Foto: Roberto Stuckert Filho / Presidência)
A aprovação pessoal da presidente Dilma Rousseff subiu cinco pontos percentuais e atingiu 77%, de acordo com pesquisa Ibope encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e divulgada nesta quarta-feira-feira (4). Na pesquisa anterior, de dezembro, o índice dos eleitores que aprovavam a maneira de Dilma de governar era de 72%.
Dos eleitores ouvidos, 5% não souberam ou não quiseram responder. Esta é a maior aprovação pessoal da presidente Dilma nas cinco pesquisas realizadas pela CNI desde sua posse.
Conforme a pesquisa, 19% dos eleitores desaprovam a maneira de Dilma de governar. Na pesquisa anterior, o percentual era de 21%. 2% não responderam.
A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Entre 16 e 19 de março, o Ibope ouviu 2.002 eleitores com 16 anos ou mais em 142 municípios de todas as regiões do país.
O levantamento foi realizado pouco depois do auge da crise do governo com a base aliada, quando o governo sofreu derrotas em votações importantes e a presidente Dilma trocou os líderes do governo na Câmara e no Senado para tentar solucionar o impasse.
Em relação ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma apresenta maior popularidade em comparação com os dois primeiros anos dos dois mandatos de Lula, conforme a pesquisa. Em março do segundo ano do segundo mandato, Lula tinha 73%. A melhor avaliação de Lula, no mesmo período, foi registrada em março de 2003, quando ele obteve 75%. Na última pesquisa Ibope do governo Lula, em dezembro de 2010, o ex-presidente obteve 87% de aprovação.
Entre as regiões, a melhora mais expressiva da avaliação de Dilma ocorreu na região Sudeste, onde o índice de aprovação subiu de 69% para 75%.
Avaliação do governo Dilma
O Ibope aponta que, dos eleitores, 56% consideraram como ótimo ou bom o governo como um todo, mesmo percentual do levantamento anterior, feito em dezembro. Segundo o levantamento, 8% consideraram o governo Dilma ruim ou péssimo, contra 9% na pesquisa anterior.
Considerando a avaliação do governo, o melhor percentual registrado por Lula foi 51% em março do primeiro ano do primeiro mandato. Mais da metade da população, 60%, considera que o governo da presidente Dilma está sendo igual ao do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O percentual de brasileiros que confiam na presidente passou de 68% para 72%. Considerada a margem de erro, esse índice se manteve estável em relação ao resultado mais elevado alcançado por Dilma, em março de 2011 (74%). Houve destaque para o aumento da crença dos eleitores das regiões Sul e Nordeste na presidente. No Sul, o índice saiu de 65% para 72% e no Nordeste de 73% para 79%.
Percepção dos eleitores
A pesquisa mostra que assuntos crtíticos para o governo, como os conflitos com a base aliada e a votação do Código Florestal, foram pouco lembrados pelos entrevistados na pesquisa. A crise com a base foi lembrada por 4% dos eleitores.
Os temas mais citados foram os programas sociais voltados para mulheres, dos quais 9% dos eleitores lembraram, e as viagens da presidente Dilma Rousseff, lembadas por 7%.
O percentual de percepção sobre notícias relacionadas a corrupção no governo caiu de 28%, em dezembro de 2011, para 5% no último mês. As substituições dos ministros da Pesca e do Desenvolvimento Agrário também foram citadas espontaneamente por 4% dos entrevistados.
Aumentou também, de 21% para 28%, o percentual de eleitores que consideraram as últimas notícias favoráveis à presidente. Em dezembro do ano passado, 19% dos entrevistados avaliavam a maioria de notícias como desvaforáveis. Esse índice caiu para 14% em março.
Temas relacionados à Copa do Mundo, como a votação da Lei Geral da Copa no Congresso, foram citados por 3% dos entrevistados. O mesmo percentual de entrevistados lembrou de medidas econômicas adotadas pelo governo. A prisão pela Polícia Federal do empresário suspeito de comandar rede de jogos ilegais, Carlinhos Cachoeira, foi citada por 2% dos entrevistados.
Avaliação por áreas
A área com pior avaliação é a de impostos. A carga tributária brasileira foi desaprovada por 65% da população, seguida pelas áreas de saúde (63%) e segurança pública (61%).
Em relação a ações de combate à inflação, a desaprovação caiu de 52% em dezembro para 50% em março deste ano.
As políticas e ações de proteção ao meio ambiente tiveram crescimento da aprovação de 48% para 53%. O governo prepara para junho a Rio+20, conferência sobre desenvolvimento sustentável das Nações Unidas, que será no Rio de Janeiro.
Os principais programas da área social do governo, que tratam do combate à fome e à pobreza, estão entre as áreas que tiveram melhora na avalição pelo eleitoral, subindo de 56% para 59% de aprovação.
Os índices de aprovação são maiores na região Nordeste (63%), nas cidades do interior (62%) e em municípios pequenos de até 20 mil habitantes (69%). Outro tema aprovado pela maioria da população (53%) foi a política de combate ao desemprego. Na educação, o percentual de aprovação subiu quatro pontos percentuais, chegando a 49%.
Do G1
Dados divulgados nesta quinta-feira pelo Ministério da Saúde indicam que o Brasil pode registrar a maior queda, em termos absolutos, na taxa de mortalidade materna desde 2002, quando o país freou uma fase acentuada de redução dessas mortes.
O país está, porém, longe de atingir a meta para 2015, traçada pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 2000.
Segundo levantamento do ministério, foram 870 mortes maternas no primeiro semestre de 2010 e 705 no mesmo período de 2011; uma diminuição de 19%.
Os dados completos de 2011, ainda preliminares, fazem o governo acreditar que o país pode encerrar o ano com uma razão de mortalidade de 63 mortes de mães por cada cem mil crianças nascidas vivas.
Isso significaria uma redução de cinco pontos em relação a 2010, queda que não é registrada pelo Brasil desde 2002 (quando a taxa saiu de 80 para 75), explicou o ministro da pasta, Alexandre Padilha. “Demoramos de 2003 a 2010 para ter uma queda de quatro pontos na taxa de mortalidade materna”, disse.
Enquanto os anos 90 registraram uma acentuada queda nesse indicador, os de 2000 foram quase de estabilidade, o que fez pesquisadores apontarem, em 2011, que o Brasil levaria 25 anos para cumprir a meta da ONU, atingindo o indicador apenas em 2040.
“Temos que intensificar os trabalhos nos próximos anos se quisermos atingir os Objetivos do Milênio de chegar a 35 [mortes maternas por cem mil nascidos vivos] em 2015. [Vemos em 2011 uma] intensificação da curva de redução”, admitiu Padilha.
As principais causas de morte materna são hipertensão gestacional, hemorragia, infecção pós-parto, doenças circulatórias pré-existentes e agravadas com a gravidez e aborto.
Do Ambiental Sustentável
Pesquisa do Instituto Ibope encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e divulgada nesta sexta-feira registra 72% na aprovação pessoal da presidente Dilma Rousseff, um ponto percentual acima do último levantamento, datado de setembro. O desempenho do governo federal é avaliado como ótimo ou bom por 56% dos entrevistados, patamar cinco pontos percentuais acima da última pesquisa e a mesma cifra que a melhor avaliação positiva de seu governo, medida apenas três meses após a posse. Mais da metade da população – 57% – consideram que o atual governo está sendo “igual” ao do antecessor e padrinho político de Dilma, Luiz Inácio Lula da Silva.
Na comparação dos primeiros anos de mandato, a avaliação positiva do governo dilmista supera o mesmo período dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva – que havia registrado 41% – e de Fernando Henrique Cardoso, que tinha 43% de avaliações de “ótimo” ou “bom”.
Conforme a CNI/Ibope, a avaliação positiva do governo aumentou em todas as regiões do País. A análise da gestão dilmista é considerada negativa por 9%, enquanto 32% a classificam como regular.
As expectativas com relação aos pouco mais de três anos restantes do governo da presidente Dilma Rousseff também melhoraram na comparação com o levantamento de setembro. A pesquisa CNI/Ibope revela que 59% do eleitorado acreditam que o restante do governo será “ótimo” ou “bom”. O patamar, ainda que elevado, é três pontos percentuais aquém daquele medido em dezembro de 2010 após a vitória da petista em segundo turno contra o tucano José Serra.
Com a aprovação pessoal da presidente Dilma estável – dentro da margem de erro – também se manteve inalterado em 21% o percentual de eleitores que desaprovam a maneira de governar da petista. A confiança dos brasileiros em Dilma Rousseff não muda entre setembro e o levantamento divulgado nesta sexta e se mantém em 68%.
A margem de erro da pesquisa CNI/Ibope é de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. O levantamento, último do ano, foi realizado entre os dias 2 e 5 de dezembro com 2.002 pessoas em 142 municípios.
Do Terra
Anvisa divulga lista dos alimentos com maior nível de contaminação
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária acaba de produzir uma lista dos alimentos com maior nível de contaminação. É um documento inédito, que você vai conhecer agora, com os repórteres Mônica Teixeira e Luiz Cláudio Azevedo.
O que vem do campo pode não ter apenas nutrientes, mas também resíduos dos produtos usados para proteger as plantações. Agrotóxico em excesso ninguém quer.
“Como é que a gente vai saber se foi fabricado com agrotóxico se não tem nada aqui indicando?”, questiona uma consumidora.
Uma refeição colorida, com folhas, legumes e frutas, para qualquer pessoa, um prato assim é a tradução de alimentação saudável. Mas quando a Agência Nacional de Vigilância Sanitária analisou o pimentão, morango, pepino, alface e cenoura, descobriu que em pelo menos metade das amostras desses alimentos houve uso indevido de agrotóxicos.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária levou para o laboratório amostras de 18 tipos de alimentos. Em 28% delas, havia excesso de agrotóxicos ou agrotóxicos não autorizados para aquela cultura, o que pode representar um risco maior à saúde.
O caso mais grave é o pimentão. “Desse tamanho aqui? Além de enxerto, tem muito agrotóxico”, afirma uma consumidora.
Em 92% das amostras, foram encontradas irregularidades. O morango teve 63% de amostras irregulares; o pepino, 57%; a alface, 54%; e quase 50% das amostras de cenoura tinham agrotóxicos acima do permitido ou não autorizados. O tomate, que já esteve no topo do ranking, hoje tem menos contaminação, 16,%. E uma boa notícia: na batata, nenhum problema foi encontrado entre as amostras examinadas.
“O agrotóxico no alimento, ao ser ingerido pela população, tem um efeito cumulativo, vai se acumulando no organismo. Pode levar a algum tipo de doença crônica não transmissível”, alerta José Agenor Álvares da Silva, diretor da Anvisa.
“Principalmente neurológicas, endócrinas, imunológicas e hoje a questão do aparelho reprodutor, como infertilidade, diminuição do número de espermatozoides e a questão do câncer”, explica Heloísa Pacheco, coordenadora do ambulatório de Toxicologia da UFRJ.
A médica Silvia Brandalise, pesquisadora da Unicamp, estuda as causas de câncer, principalmente entre crianças. Segundo ela, pesquisas já comprovaram que a exposição aos venenos usados nas plantações está relacionada à leucemia e aos tumores no cérebro. A comida com excesso de agrotóxicos e produtos químicos também faz parte dos fatores de risco.
“Se aquele produto lesa uma célula da formiga, uma célula de um mosquito e leva à morte esse mosquito, de maneira mais aguda. O homem não é diferente. Só que no homem é mais crônico, é de longa duração”, destaca.
E se o contato com o veneno for direto, pior. Osvaldo nunca usou proteção. “O veneno abalou os nervos, então não posso fazer força nenhuma”, conta.
Ainda criança, Márcia acompanhava o pai na aplicação do veneno. “Ele ia botando na frente e a gente ia amarrando o tomate atrás, a gente tomava aquele banho de veneno”, lembra.
A terra hoje está abandonada. O casal, sem condições de trabalhar. O agrotóxico levou mais do que o sustento dessa família.
“Nunca tive alegria para viver. Sempre doente, sempre com problema de saúde”, diz Márcia.
Do Correio 24 Horas
Para cientista político da FGV, maioria da presidenta é mais confortável que a de seu antecessor. Mas heterogeneidade dos partidos que a apoiam dificulta definição da pauta e a faz enfrentar instabilidade maior que Fernando Henrique. Professor analisou pesquisa encomendada pelo Congresso em Foco

Com maioria mais ampla, Dilma vive situação mais confortável que a de Lula. Mas heterogeneidade da sua base a torna mais instável do que era a de Fernando Henrique - Foto Orlando Brito
Melhor que o petista Lula, pior que o tucano Fernando Henrique Cardoso. Para o professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ) Márcio Grijó Vilarouca, assim pode ser resumida a situação da presidenta Dilma Rousseff (PT) em relação à sua base governista. Na avaliação do cientista político, o grande número de partidos com perfis distintos que integram o bloco de sustentação da presidenta no Congresso garante a ela, por um lado, folgada maioria. Mas, por outro, dificulta a definição de uma pauta pelo Executivo.
“Comparativamente, a situação da Dilma é melhor que a coalizão do governo Lula, que não tinha maioria no Senado. Mas é pior que a do Fernando Henrique, que tinha uma coalizão mais enxuta, de centro-direita. Com Dilma, são dez partidos heterogêneos, com um elevado número de atores para a coalizão. Não é simples levar adiante uma agenda de governo. É um problema satisfazer a diversidade de partidos de espectros ideológicos diferentes”, observa.
Em seus dois governos, Fernando Henrique Cardoso teve o apoio do PSDB, do PFL (atual DEM), do PTB, do PPB (atual PP) e de parte do PMDB, partidos que lhe garantiram maioria nas duas Casas legislativas. Com um leque maior de legendas em torno de si, Lula manteve-se com folga na Câmara, mas enfrentou ferrenha oposição no Senado ao longo de seus oito anos de governo. Um problema que não existe para Dilma, com sua ampla maioria entre deputados e senadores.
Márcio Vilarouca analisou os dados levantados pelo Instituto Análise, em pesquisa encomendada para a Revista Congresso em Foco, publicada por este site. Na visão dele, as respostas dadas pelos 150 parlamentares entrevistados revelam um Congresso bastante fragmentado e ciente de seu pouco poder decisório.
A reboque
De um lado, uma oposição fragilizada e sem discurso; de outro, uma ampla e heterogênea base governista, que busca conciliar as divergências entre partidos que vão da esquerda à direita. De acordo com o professor, emerge da pesquisa um Congresso que admite ir a reboque do Executivo em função de sua pouca capacidade de definir a própria agenda.
O cientista político entende que Dilma tem condições de fazer uma agenda política. Mas não com a pauta pretendida pelo PT. “O nosso sistema tem uma alta fragmentação partidária e implica um perfil mais moderado, uma agenda que avança mais devagar e de maneira mais consensual. Como Dilma tem maior número de atores envolvidos, ela terá de buscar sempre o meio termo”, acrescenta.
O cientista político avalia que o índice de deputados e senadores que aprovam a forma com que o governo tem atendido às demandas dos parlamentares é “razoável”, sobretudo, por causa da heterogeneidade e do tamanho da base aliada.
“Pouco mais de um terço diz que o governo tenta lidar com as demandas da base. Outros 13% dizem que o governo não tem conseguido, mas tenta. Quase metade entende que Dilma tenta lidar com divergências na base. Só 19%disseram que o governo não tem atendido. É um nível razoável de aprovação, porque faz parte do jogo você mostrar descontentamento para conseguir um naco maior.”
Conflito interno
Com uma oposição enxuta, destaca o cientista político, é natural que o governo enfrente mais conflitos em sua própria base do que na oposição. Para ele, o número de ministérios nas mãos do PT hoje é desproporcional ao tamanho da bancada e abre caminho para a insatisfação dos aliados.
“No gabinete inicial, eram 17 ministros do PT e seis do PMDB. O PSB tinha dois, o PP, o PDT e o PCdoB tinham um cada. Isso gera conflito dentro da base. Nos governos europeus parlamentaristas, a participação dos partidos nos gabinetes depende do número de votos que cada legenda recebeu. É um problema satisfazer a diversidade de partidos de espectros ideológicos diferentes”, considera.
Se o governo tem dificuldade em estabelecer uma agenda positiva, por causa da diversidade de sua base, a oposição esbarra no dilema de construir um discurso que resista ao sucesso da economia, a despeito da crise que se avizinha. Ou seja, de fazer sustentar uma agenda negativa.
Oposição perdida
“Qual a agenda da oposição hoje? Não tem. O fato de o país estar em um bom momento econômico dificulta uma agenda mais negativa. A oposição tem dificuldade de estabelecer uma agenda para se diferenciar do governo. Como a economia está indo bem, fica difícil estabelecer essa contra-agenda. Às vezes, os temas são distantes da população. Os temas apropriados pelo PT na oposição tinham mais apelo do que a reforma tributária, por exemplo.”
Márcio Vilarouca acredita que esse cenário econômico favorável explique por que a presidenta Dilma aparece hoje como favorita para as próximas eleições presidenciais, na avaliação dos parlamentares. “Se a economia está indo bem, a probabilidade de reeleição é muito alta. Se daqui a três anos a economia estiver bem, é muito provável que Dilma se reeleja”, afirma.
Até na oposição tem gente que prevê reeleição de Dilma
O cientista político diz ter ficado surpreso com o fato de o ex-candidato tucano José Serra não ter sido lembrado uma vez sequer pelos parlamentares, nem mesmo por seus colegas de partido. Para ele, isso mostra que, embora não possa ser dado como carta fora do baralho, Serra ainda está pagando pelos erros cometidos na eleição passada, quando foi acusado por aliados de centralizar as decisões de sua campanha e de não saber negociar apoio nos estados.
Nome mais cotado pela oposição para a sucessão presidencial, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) encarna uma imagem diferente, segundo o professor. E talvez por isso, acrescenta, seja o mais lembrado. “O nome dele aparece com 21%da preferência na oposição, enquanto o nome do Serra simplesmente não aparece. Serra tem uma imagem de muito confronto com o PT e com Lula. O Aécio, como bom mineiro, faz uma plataforma mais moderada. Isso ajuda a organizar uma imagem nova para a oposição. É difícil fazer oposição só com agenda negativa quando você tem crescimento econômico.”
Carta na manga
Para Márcio, é natural Dilma aparecer à frente de Lula na pesquisa feita entre os parlamentares sobre quem estará no comando do país em janeiro de 2015. Isso só vai mudar, acredita, se a crise econômica internacional desembarcar de vez no país. “Se o cenário econômico se mantiver, ela tem boas condições de se reeleger. Se ficar mal, o PT tem outra carta na manga, que é o Lula. É uma questão estratégica. Não há porque usar agora a carta que pode ser usada mais adiante.”
O professor observa que, apesar de apontarem para a reeleição de Dilma, os parlamentares ainda preferem Lula. O ex-presidente recebeu de deputados e senadores a maior nota entre sete instituições e personalidades. “Lula soube negociar mais com o Congresso do que Dilma. Ela não tinha uma socialização política, coisa que nele sobrava. Dilma tem um perfil mais técnico.”
Lula é a personalidade mais admirada no Congresso
Os parlamentares deram nota, de zero a dez, a quatro instituições e três personalidades. Destas, a mais bem avaliada foi Lula, com média de 7,25. Na pesquisa, realizada antes da revelação de que ele tem câncer de laringe, o ex-presidente se saiu bem inclusive na análise da oposição. Somente o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e a imprensa receberam notas melhores dos deputados e senadores oposicionistas.
Do Congresso em Foco
Em pronunciamento nesta quinta-feira (27), a senadora Marta Suplicy (PT-SP) informou que o último Boletim Epidemiológico Aids e DST, divulgado pelo Ministério da Saúde em 2010, mostrou uma preocupante tendência de aumento de casos de Aids em praticamente todo o país.
De acordo com o boletim, disse a senadora, de 1980 a 2010 o Brasil teve 592.914 casos registrados de Aids. Ela observou que muitos soropositivos sequer sabem que são portadores do vírus da Aids.
Marta Suplicy disse que a única região a registrar diminuição de casos entre 2008 e 2009 foi a Sudeste, que passou de 24,9 casos para cada grupo de 100 mil habitantes para 20,1.
Já as outras regiões, no mesmo período, registraram crescimento no número de casos. No Centro-Oeste, o número subiu de 11,6 para 18 por 100 mil habitantes; no Nordeste, de 6,4 para 13,9; no Sul, de 22,6 para 32,4; e no Norte, de 6,7 para 20,1.
A taxa média nacional de incidência também aumentou, passando de 19,8 casos por 100 mil habitantes em 2008 para 20,1 em 2009, ano no qual foram registrados 38.538 novos casos de Aids.
Marta Suplicy disse que também é preocupante a tendência de aumento dos casos entre jovens, de ambos os sexos, entre 13 a 19 anos.
Do Agência Senado
Uma pesquisa realizada recentemente aponta que o consumo de café com cafeína pode diminuir os riscos de depressão. O estudo foi desenvolvido pela Universidade de Harvard e publicado na Archives of Internal Medicine, uma das revistas JAMA/Archives. O estudo mostrou ainda que café descafeinado não teria o mesmo efeito.
Foram analisadas 50.739 mulheres (enfermeiras) com uma média de idade de 63 anos. Em 1996, quando foi iniciado o estudo, elas não mostravam sinais de depressão. Durante os 10 anos em que foram acompanhadas, os pesquisadores mediram o consumo de cafeína através de questionários que mostravam com qual frequência produtos com a substância eram consumidos.
Ao final do estudo, 2.607 mulheres sofreram de depressão. Mulheres que consumiam de duas a três xícaras de café por dia apresentaram 15% menos chances de ter depressão em comparação as que bebiam uma xícara ou menos por semana. Aquelas que consumiam quatro ou mais tinham uma diminuição de 20% no risco.
Os pesquisadores afirmam que o estudo “não pode provar que o café com ou sem cafeína reduz o risco de depressão, mas apenas sugere a possibilidade de um efeito protetor”.
A pesquisa mostrou ainda que consumidoras regulares de café estavam mais propensas a fumar, beber álcool e menos envolvidas com atividades da Igreja ou grupos voluntários ou comunitários. Elas também estavam menos propensas a ficar acima do peso e a sofrer pressão alta ou diabetes.
Uma condição crônica, a depressão afeta duas vezes mais mulheres do que homens. Os autores da pesquisa defendem que a identificação de fatores de risco para a depressão e o desenvolvimento de novas estratégias de prevenção sejam uma prioridade de saúde pública.
Do Saúde Plena
O desenvolvimento econômico destrancou os portões e as meninas e mulheres correram para as escolas em todo o mundo. Hoje, elas são maioria no ensino superior em dois terços dos países e estão em maior quantidade no nível médio em quase metade das nações. Obtêm melhores notas que os homens em geral, repetem menos de ano, tendem a ter desempenho excepcional em línguas e interpretação de texto e já invadem antigos redutos do sexo masculino, como a matemática e as ciências.
O resultado dessa revolução educacional permitiu às mulheres avançar a passos largos no mercado de trabalho. É o que revela Relatório sobre o Desenvolvimento Mundial, divulgado ontem pelo Banco Mundial (Bird), em Washington. Nos últimos 30 anos, houve aumento da participação da mão de obra feminina na geração de riqueza em todas as faixas etárias e em quase todas as regiões do mundo — as exceções foram a Europa Ocidental e a Ásia Central.
O crescimento foi mais rápido na América Latina e no Caribe, em especial no Brasil, onde as mulheres passaram a representar 64% do mercado de trabalho, quase o dobro dos 39% observados em 1980. Na Argentina, a participação, no mesmo período, passou de 39% para 51%. Tal evolução também se observou, mesmo que em um ritmo um menor, no Oriente Médio e no norte da África. Mas, nessas duas regiões, a representação da mão de obra feminina ainda é pequena, em torno de 26% do total. Já no leste da Ásia e do Pacífico, elas são a maior parcela: 64%. Na África Sub-Saariana: 61%.
Na avaliação dos pesquisadores do Banco Mundial, a maior presença das mulheres no mercado de trabalho tem contribuído para reduzir a lacuna em relação aos homens. Os estudiosos ressaltam que, na América Latina, o avanço médio de 42% da força de trabalho feminina em 10 países deve ser atribuído ao acesso à educação e a mudanças na estrutura familiar, com a postergação dos casamentos e a decisão de ter menos filhos.
Distorções
Mas, apesar de tanto esforço e dos visíveis avanços, as mulheres ainda ganham menos que os homens na mesma função e ocupam poucos cargos altos nos governos e de chefia nas empresas privadas. Nos países pobres, as melhorias são mais lentas, e elas ainda estão concentradas no trabalho agrícola ou nos afazeres do lar. A maioria nas escolas ainda é de meninos, embora as garotas estejam em plena maratona para encurtar a distância. Na África Sub-Saariana, para cada 100 meninos no ensino primário, o número de meninas subiu de 85, em 1999, para 91 em 2008.
Para os técnicos do Bird, o fim das barreiras em relação às mulheres — desde a discriminação no trabalho ao menor acesso ao crédito — resultará em aumento da produtividade da economia em vários países em até 25%, pois as “habilidades e os talentos” delas serão aproveitados de forma mais efetiva. “Na América Latina, esse ganho de eficiência é estimado entre 4% e 16%”, afirma Ana Revenga, diretora da instituição e coautora do relatório. Ela diz mais: “O desenvolvimento econômico tem aberto as portas e reduzido as desigualdades entre homens e mulheres, particularmente nos países em que a renda da população tem melhorado”.
Porém, de forma geral, as mulheres ao redor do mundo detêm empregos de menor produtividade e que pagam menos. “Elas trabalham em fazendas menores, no caso das que estão na atividade agrícola, dirigem negócios pequenos, atuam mais na informalidade e raramente estão no poder”, destaca o documento do Bird. Entre os agricultores, as mulheres raramente são donas de terras e suas propriedades são geralmente menores do que as dos homens e valem menos. No Brasil, elas representam apenas 11% dos proprietários. No Quênia, na África, são 5%.








