Comentários ‘mulheres’
- Uma homenagem às mulheres e mães.
Na sala de espera de uma clínica de imagens algumas mulheres aguardam a sua vez de atendimento. O celular de uma delas toca e fechando a mão em concha meio que esconde o telefone para não incomodar e para ter um pouco mais de privacidade. Começa baixinho, mas é inevitável deixar de ouvi-la.
A conversa é com a filha que teima em não ir à aula de inglês para ir ao shopping com a amiga. Com calma explica os prejuízos da troca. Alguns segundos em silencio e o celular toca novamente. É a empregada. Ela mais uma vez explica a receita e diz onde os ingredientes estão. Daí a pouco liga o marido e ela diz não saber o quanto ainda vai demorar e pergunta por que ele quer saber. E diz: “como? passar numa papelaria a essa hora? Onde achar uma papelaria aberta? Tá, tá bem, vou ver.” Desliga. Toca outra vez. É a empregada novamente. “Não tem farinha de trigo? Bom, faz com amido de milho, dá no mesmo.” E toca mais uma vez. É uma amiga e ela explica que está fazendo o check-up anual, mamografia, que é um suplício necessário e ainda faz referencia ao caso da Ligia, que teve câncer de mama por puro descuido.
Distrai-se com uma revista por pouco tempo porque o celular toca pela milésima vez. É do escritório e ela diz que não sabe se vai voltar, mas passou o fax que pediram, marcou a reunião e está tudo organizado. Enquanto fala é chamada para o exame e vai assim mesmo falando e explicando.
Depois que saiu do exame não mais se teve noticias dela, mas, com certeza, ainda deve ter passado no mercado, abastecido o carro, comprado a cartolina do filho mais novo para o trabalho da escola.
Se tudo deu certo, o jantar vai estar pronto do jeito que determinou, a filha foi ao inglês ao invés do shopping e o filho fará sozinho o trabalho da escola. Ao contrário, ainda encontrará forças para ter aquela conversa com a filha, porque não se pode repreender pura e simplesmente; existe diálogo, conquista-se a confiança dos filhos. Enquanto isso vasculha revistas antigas à procura das figuras para colar na cartolina.
O sapato nos pés é o mesmo calçado às sete da manhã, ainda de salto. Somente a blusa foi posta pra fora do cós da saia, porque ninguém é tão de ferro assim.
Pronto, finalmente ela vai ter um pouco de paz. Mas não sem antes ver o que tem no freezer e montar o cardápio do dia seguinte, deixar escrito para a faxineira os lugarezinhos que só ela percebe que precisam de limpeza, verificar se as janelas estão fechadas, se tem comidinha e água para o cachorrinho de estimação da família, tirar a maquiagem do rosto, tomar uma chuveirada, passar algum creme no corpo, porque na revista, as mulheres multifuncionais ainda têm tempo pra isso, vestir uma camisola sexy e viver um pouco.
As mulheres sabem como gerir, contornar, estruturar e transformar as abóboras da vida em melão e os melões em melancia, com harmonia, equilibrismo e desenvoltura capazes de desbancar qualquer varinha de condão.
Katia Dias Freitas é advogada em Brasília.
Contato: contato@freitastotolipedrosa.adv.br
Tel: (61) 3349-5707
Da Folha Ilustrada
Muito bom o texto de Luiz Felipe Poindé “Femmes aux hommes”
Mulher não gosta de covarde, mesmo que seja covarde em nome dos “direitos femininos”
Muitas leitoras se queixam de que nunca falo sobre os males masculinos. Hoje, vou pagar uma parte desta dívida. Como todo homem que gosta de mulher, sou um escravo do desejo de deixá-las felizes. Que inferno…
Recentemente, numa entrevista, uma jornalista me perguntou se acredito que os homens tenham medo de mulheres inteligentes. E também o que seria mais importante numa mulher, beleza ou inteligência.
Antes de tudo, um reparo. Neste assunto, não consulte as feministas porque elas não entendem nada de mulher. Tampouco pergunte aos homens que chamam as mulheres de “vítimas sociais”, porque são frouxos. Pobres diabos: mulher não gosta de covarde, mesmo que seja covarde em nome dos “direitos femininos”.
A segunda pergunta (o que é mais importante numa mulher, a inteligência ou a beleza?) é fácil: a beleza vem em primeiro lugar, nunca a inteligência. Quando um homem disser pra você que ele prefere mulheres inteligentes, ele quer te pegar. Ou, pior, ele tem medo do patrulhamento das feias e das chatas, que no Brasil, graças às deusas, não crescem em número porque as mulheres brasileiras são como dizem os franceses “femmes aux hommes” (mulheres para os homens).
Por que é necessário ter coragem pra dizer que a inteligência feminina não é erotizada pelos homens? Ora bolas, porque atualmente falar para as mulheres que inteligência vale mais do que a beleza é um “dever de todo cidadão”.
Uma mulher poderá fazer uma queixa contra você na delegacia da mulher caso você não diga para ela que inteligência numa mulher é fundamental. Não se engane: inteligência nunca é fundamental. Mas, não exagere para o outro lado: as burrinhas enchem o saco depois de duas horas de sexo.
Quanto à primeira questão (os homens têm medo de mulheres inteligentes?), a resposta é simples: sim, sempre; só os mentirosos e medrosos negam este fato. Melhor dizendo, o homem sempre tem medo da mulher, principalmente quando está interessado nela.
Segundo os darwinistas, esta seria uma característica atávica, desde a savana africana. Medo da infidelidade, medo da impotência, medo do ridículo.
Mas há sutilezas nisso tudo. O homem prefere a beleza, mas num relacionamento de longo investimento, outras característica pesam, às vezes, mais do que a beleza pura e simples. Por exemplo, evidências de que ela seja fiel, boa mãe para seus futuros filhos, generosa, doce (coisa rara em mulheres excessivamente competitivas, como é comum em cidades do tipo São Paulo, mas menos comum em outras regiões, como Minas Gerais ou Nordeste onde elas são mais “sorridentes”).
Beleza demais pode dar medo quando ela é sua mulher. Garanhões costumam rondar mulheres bonitas demais. Se você só quer “pousar de poderoso” com uma gostosa, tudo bem, mas se quiser viver com ela, aí a coisa pega. Para pilotar um Boeing você tem que ser competente em muita coisa, e nem sempre dá, num cenário violento e volátil como o mundo contemporâneo, onde as mulheres têm mais opção de escolha afetiva e profissional.
Por que, muitas vezes, é tão difícil para as mulheres aceitarem que a inteligência numa mulher não seja essencial? Porque, ao contrário dos homens (esses seres primitivos, insensíveis e promíscuos… risadas…), as mulheres erotizam a inteligência no homem, às vezes, mais do que a beleza pura e simples.
Eu arriscaria dizer que a inteligência quando associada à coragem (virilidade) pode ser um afrodisíaco imbatível para as mulheres numa noite de calor.
Resumo da ópera: a inteligência numa mulher é um risco interno à relação porque o homem pode se sentir “menor” do que ela.
Já a beleza feminina é sempre um risco externo porque o cara sente medo de perdê-la porque sabe como os outros caras pensam.
Já a inteligência num homem nunca é um risco interno à relação porque as mulheres dão nó em qualquer homem. Mas, é sempre um risco externo porque as mulheres sabem como suas parceiras pensam: se, além da inteligência, o cara tiver “atitude” (a soma disso dá em charme), aí, meu bem, se prepare para a cobiça de suas amigas.
O cantor e compositor relata o que pensa do assédio das fãs e se mostra um homem dedicado à família.
Não bastasse ser assediado por causa de sua genialidade, Chico Buarque, capa da edição de fevereiro da ALFA, é assediado intensamente desde que defendeu A Banda com Nara Leão, em 1966, por um público que vai de adolescentes a balzaquianas que expressam, sem reservas, a sua admiração. Na entrevista que concedeu à revista, o mito fala que talvez isso se deva ao seu conhecimento de causa. “Convivi muito mais com elas do que com homens. Com minhas irmãs muito mais do que com meus irmãos”, justifica.
Com o tempo e a posição célebre, Chico tornou-se uma pessoa mais reservada, avesso a entrevistas e muito discreto com relação as suas namoradas. Se a timidez é o charme, não sabemos, mas esse mito vem dos anos 60 e 70 com as suas canções engajadas. Ele atribui à mídia a sua fama de galã: ”Sex symbol com mais de 60 anos? Tenha paciência!”.
Mas a verdade é que Chico exerce verdadeiro fascínio sobre o universo feminino. Não é à toa que mantém muito saudável a relação com sua ex-mulher, a atriz Marieta Severo. A reportagem conta que muitas vezes, no fim de semana, ele vai à Gávea para o almoço dominical na casa de Marieta, também para estar próximo dos seus netos e filhas, aliás, suas grandes paixões. “Quero conviver com eles para que se lembrem do vô Ico”, conta Chico. Silvia, sua filha mais velha afirma “ele é genial com criança”. E ainda define carinhosamente o pai que contava histórias misturando vários personagens como Platão com Cleópatra, Salomão com Marco Polo, para ela e as irmãs quando eram crianças: “Uma presença muito graciosa, doce e tranqüila”.
Revista ALFA
Do blog Girl Friday

Meghan Casserly
20 de janeiro
Um post recente da “Psychology Today” com base na lista de 2010 das “Mulheres Mais Poderosas” segundo a revista Forbes apontou uma tendência interessante: das 100 mulheres da lista, mais de 70 estão acima dos 50 anos de idade. Entre as executivas em nível de chefia, as CEOs, essa presença é ainda mais forte: varias “poderosas” são CEOs de importantes multinacionais
Esta tendência não passou desapercebida dos editores da revista quando estavam fazendo a lista. Eles observaram que o sucesso chega em diferentes fases da vida de acordo com a categoria profissional das mulheres elencadas: Negócios, Política, Mídia ou do mundo do Entretenimento. Nesta última, por exemplo, as mulheres de mais sucesso são as mais jovens. Lady Gaga é numero 7 na lista e tem apenas 24 anos.
Faz sentido! A elite de Hollywood normalmente inclui as mais belas, mais atraentes e mais jovens pessoas do planeta.
Mas então por que será que as mulheres CEOs só conseguem sobressair profissionalmente quando já ultrapassaram a marca dos 50?
É crença comum, especialmente para o marketing que visa atingir mulheres, que os 50 marcam o auge da vida feminina no que diz respeito ao bem-estar, sentimento de autoconfiança e estabilidade financeira, ao menos para as classes sociais mais elevadas.
Entretanto, de acordo com o post de Anjana Ahuna e Mark van Vugt para Psychology Today, é somente aos 50 que as mulheres começam a evoluir em suas carreiras.
Para eles a resposta está na evolução biológica.
O útero versus a Sala da Diretoria
…Nosso cérebro e psicologia foram moldados primordialmente no tempo em que éramos uma espécie das savanas e carregamos, ainda que sem saber, lembranças psicológicas dessa época. Uma dessas lembranças é a crença instintiva de que o papel primordial da mulher é doméstico, e que qualquer outro papel que ela queira desempenhar- como CEO ou Embaixadora – são simplesmente incorporados à função original. Mas este conflito só existe para mulheres que estão na idade de ter e criar filhos. Quando uma mulher atinge a menopausa, ou quando seus filhos já estão adultos, a contradição desaparece. Isso poderia explicar a notória presença de tantas mulheres pós-menopausa na lista da Forbes Será então que mulheres mais velhas não apenas tem a vantagem que a experiência e a autoridade lhes dão, mas também são levadas mais a sério por não serem mais percebidas como biologicamente necessárias para a sobrevivência do grupo?
Claro que, como observam Ahuna van Vugt em seu post, para muitas pessoas há o argumento de que sexismo e discriminação são elementos que impedem as mulheres de conseguir o sucesso mais rapidamente e ainda jovens. As que conseguem escalar rapidamente a escala corporativa muitas vezes têm que gerenciar simultaneamente família e carreira e as que optam por contratar babás para poder focar no trabalho são geralmente criticadas por colocarem a vida profissional à frente da familiar. Se em vez disso escolherem horários mais flexíveis de trabalho, como meio-expediente, serão vistas como funcionárias não comprometidas com a empresa.
Mais uma vez, esse é um dilema que só aflige mulheres em idade fértil. Mulheres na peri ou pós-menopausa não costumam ter esses problemas, por isso estão na idade de ouro para dedicar-se e evoluir em suas carreiras.
O artigo também aponta para outro cenário. Segundo levantamento do “The Center for Work Life Policy” 45% das mulheres optam por diminuir o ritmo de trabalho ou mesmo renunciar à carreira antes dos 44 anos, justamente para poder dedicar-se à família ou mesmo necessidades pessoais. É bem possível que isso também contribua para que poucas mulheres consigam atingir mais altos postos de chefia.
Qual a verdade que permeia as entrelinhas de todas essas afirmações? Segundo a executiva Indra Nooyi, CEO da Pepsi-Co, ser mulher é algo que atinge você de forma adversa, mas em vez de reclamar, as mulheres tem que trabalhar duas vezes mais. Para ela, ser uma mãe que trabalha significa construir um sistema de suporte para ajudá-la enquanto vai lutando para crescer profissionalmente.
Ela vem trabalhando sem parar desde 1986- é mãe de dois filhos, um dos quais nasceu em 1994, ano em que ela foi nomeada vice-presidente de planejamento estratégico da empresa. Seu lema é: Se você quer ser CEO, não abandone, não reduza o ritmo de trabalho por conta da maternidade. Persevere para obter sucesso a longo termo.
A pergunta que fazem aos seus leitores e que reproduzimos aqui é:
O que você acha? É possível diminuir o ritmo ou mesmo parar, por algum tempo, e ainda assim atingir seus objetivos na carreira? Ou uma mulher que espera ter tempo livre para cuidar de sua família pode abandonar suas esperanças de sucesso em postos de alta chefia?
Mulher chefia 5% das grandes empresas
Entre 100 maiores, só 5 têm mulheres na presidência; em novembro de 2009, não havia nenhuma nessa posição no país
Com as de médio porte, presença fica em 3%; poucas oferecem opção de jornada flexível para conciliar vida pessoal
CAROLINA MATOS
DE SÃO PAULO
No Brasil, onde uma mulher acaba de assumir a Presidência da República, apenas 5 das 100 maiores companhias em receita com vendas têm mulheres na presidência.
O levantamento foi feito pela Folha a partir do ranking “Melhores & Maiores” da revista “Exame” . O número é baixo, mas o cenário era ainda menos favorável às mulheres em 2009, quando não havia nenhuma presidente nas cem maiores companhias.
Hoje, incluindo as empresas “médias-grandes”, com faturamento anual bruto entre R$ 90 milhões e R$ 300 milhões, por critérios do BNDES, a situação é similar à dos maiores grupos.
Só 3% das cadeiras de presidentes, em média, ficam com as mulheres, segundo a DMRH, consultoria em recursos humanos, que atende mais de 450 empresas.
Os números da DMRH revelam ainda a dificuldade das funcionárias em ser promovidas, já que a fatia feminina é maior nos cargos mais baixos.
De acordo com a consultoria, 9% dos diretores e vice-presidentes das companhias são mulheres; elas são cerca de 35% dos gerentes e 50% dos trainees e analistas.
Nos EUA, a ocupação dos cargos é menos desigual nos níveis até diretoria, mas a presença feminina na presidência das grandes corporações segue baixa: 3%, de acordo com o Conselho das Mulheres Líderes Mundiais.
A DMRH afirma que, em muitos casos, as mulheres acabam desistindo dos postos mais altos por dificuldade em conciliar agenda profissional e vida pessoal.
Mas pesquisadores discutem as motivações e o significado desse tipo de “opção da mulher”.
“Muitas mulheres acabam, sim, optando pela vida pessoal em detrimento da profissional porque não têm suporte das empresas para conciliar suas demandas”, diz Regina Madalozzo, pesquisadora do Insper.
Algumas poucas companhias têm políticas para retenção de mulheres na liderança -geralmente, grupos cujo negócio está mais voltado ao público feminino.
No Brasil, Natura e Unilever oferecem possibilidade de jornada flexível. E há berçário em algumas unidades, além de auxílio-creche.
Em empresas que possuem conselho de administração -órgão que aprova decisões estratégicas da companhia, como a nomeação do presidente-executivo (CEO, na sigla em inglês)-, mulheres têm menos chances de chegar ao topo.
É o que mostra um estudo do Insper com 153 empresas listadas na Bolsa brasileira, que investigou variáveis que poderiam interferir na promoção de executivas a CEO.
Foram considerados faturamento, número de funcionários, lucratividade e estrutura da companhia, por exemplo. E o levantamento concluiu que a existência de um conselho administrativo reduz em 12% as chances de o CEO ser uma mulher.
“Nenhuma das outras variáveis tinha qualquer impacto na equação de probabilidade que montamos”, diz Regina Madalozzo, professora e pesquisadora do Insper.
Das empresas avaliadas, 64% tinham conselho de administração. E, dessas, apenas 5,6% tinham uma mulher como CEO.
Já nas companhias sem conselho, a presença feminina na presidência-executiva ficou em 12,3%.
O levantamento mostrou ainda que, nos próprios conselhos, a participação feminina é baixa.
Das empresas avaliadas, 42,5% não tinham nenhuma mulher conselheira; 22,9% tinham apenas uma. E somente 1,31%, seis mulheres.
Em média, a presença feminina nos conselhos fica em 8,9% no Brasil. Nos EUA, 14,8%.
De acordo com a pesquisadora do Insper, o cenário só muda de forma significativa em países em que a lei passou a exigir mais presença feminina.
Na Noruega, é obrigatório, desde 2008, que 40% dos conselhos de administração sejam compostos por mulheres. Na Espanha, foi aprovada uma lei semelhante, com a mesma cota, mas só entra em vigor em 2015.
As mulheres são melhores na política – e isso não é uma boa notícia
As mulheres são parlamentares mais eficientes do que os homens, pelo menos no Congresso americano, segundo um estudo que vai ser publicado no American Journal of Political Science. A pesquisa comparou o desempenho de legisladores e legisladoras entre 1984 e 2004 e descobriu que as mulheres:
– conseguiram mais verba para os seus estados – US$ 49 milhões a mais por ano;
– propuseram mais leis – e leis mais populares;
– apoiaram mais leis;
– conseguiram mais apoio dos colegas do que eles.
A conclusão dos autores do estudo, o professor Christopher Berry, da Universidade de Chicago, e a aluna Sarah Anzia, de Stanford, é que as habilidades das parlamentares para “negociação, definição de agenda, coalizão e tomada de decisão” eram responsáveis por essa diferença marcante de desempenho.
Mas antes de achar que este é mais um post ingênuo defendendo a superioridade feminina, leia até o fim.
O resultado da pesquisa não quer dizer que as mulheres são melhores do que os homens na política. Não? Não. Só quer dizer que as poucas mulheres que lá estavam eram melhores do que os seus colegas. Tinham que ser melhores porque só assim conseguiriam eleger-se. A resistência dos eleitores é grande: segundo as pesquisas de opinião, um em cada cinco americanos admite abertamente que não votaria numa mulher para a presidência. O resultado é que hoje menos de 20% dos assentos do Congresso americano são ocupados por mulheres. Apenas as mega-ultra-híper-master-capacitadas e talentosas acabam chegando lá.
Por aqui, temos nossa primeira presidenta, mas menos de 10% das vagas do Congresso são ocupadas por mulheres. Não tenho ideia da produtividade de nossas parlamentares, mas diante dos resultados da pesquisa americana, digo: um desempenho acima da média dos colegas não é motivo de comemoração.
Só significa que elas precisam fazer um esforço muito maior do que eles para convencer o mesmo número de eleitores.
Dilma quer um terço de mulheres no ministério
A presidenta eleita Dilma Rousseff estabeleceu como meta que um terço do seu futuro ministério seja ocupado por mulheres. A determinação foi dada em reunião com o presidente Lula e a equipe de transição anteontem.
Segundo a Folha apurou, a petista quer uma busca nos partidos aliados por indicações de nomes que tenham “estofo” para ocupar vagas no primeiro escalão. O percentual, disse ela, não é rígido, mas deve ser perseguido para garantir maior participação “delas” no poder.
Também discutiram o assunto os coordenadores da transição Antonio Palocci, José Eduardo Cardozo e José Eduardo Dutra -além do ministro Franklin Martins (Comunicação Social) e de Gilberto Carvalho (chefe de gabinete do presidente).
A lei já estabelece normas para que partidos indiquem 30% de suas candidaturas às mulheres, mas não há regras para ocupação de cargos.
Foi de Lula a recomendação de ampliar o comando de mulheres em ministérios.
Quando assumiu, ele criou a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres. A iniciativa, porém, não foi suficiente para garantir uma presença forte do grupo no governo. Hoje, há só três ministras no Executivo. Se depender de Dilma, a marca vai quadruplicar.
Objetivo do plano é salvar 16 milhões de vidas até 2015.
ONU diz que investir na saúde de mulheres e crianças reduz a pobreza.
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, anunciou a criação de um fundo de US$ 40 bilhões para melhorar a saúde de 16 milhões de mulheres e crianças nos próximos cinco anos.
A declaração foi feita nesta quarta-feira (22), último dia da reunião mundial contra a pobreza. O plano seria aprovado pelos 192 países integrantes da ONU.
O secretário-geral estimou que o plano estratégico global permitirá salvar 16 milhões de vida até 2015, e ajudará a reduzir a mortalidade feminina durante a gravidez e parto e a mortalidade de crianças com menos de 5 anos.
De acordo com a ONU, investir na saúde de mulheres e crianças reduz a pobreza e estimula o crescimento econômico. “Nós sabemos o que funciona para salvar as vidas de mulheres e crianças”, disse Ban Ki-moon em comunicado.
Promessas
A ONU afirmou que mais de US $ 40 bilhões foram prometidos por governos, fundações, empresas e organizações não-governamentais. Desse total, segundo funcionários da organização, US$ 27 bilhões fazem parte de novas promessas, e cerca de US$ 8,6 bilhões são provenientes de países de baixa renda.
Entre os países que participam da iniciativa estão Afeganistão, Zâmbia, Austrália, Grã-Bretanha, China, França, Alemanha, Índia, Japão, Rússia e Estados Unidos, diz a ONU.
Ricos
Fundação dos homens mais ricos do mundo, como o norte-americano Bill Gates e o mexicano Carlos Slim, ONG humanitárias como a Anistia Internacional e multinacionais como The Body Shop, LG e Pfizer figuram entre os doadores.
(*) Com informações das agências de notícias Associated Press, France Presse e Reuters e do Portal G1
Joga pedra na Geni
Rejane Xavier
Jornalista
Parece até ironia escrever sobre isso num site que se chama “Mulheres no Poder”… Em pleno século XXI, mais uma mulher é condenada à morte – e que morte! – por homens fanáticos que a culpam por um pecado, ou crime (quando o Estado não é laico esses conceitos se confundem) que por definição exige um coparticipante masculino para ser cometido…
É a velha tecla da mulher responsável pela queda: um poder que os homens temem e reprimem, desde Adão. Pobre Adão, se não fosse por Eva e pela serpente ele até hoje estaria no paraíso, servido pelos anjos, poupado da desagradável maldição de ter de ganhar seu pão com o suor de seu rosto. O castigo de Eva, claro, foi pior: como Adão, também precisou trabalhar para comer, mas além disso teve de parir seus filhos na dor, e passou a ser oficialmente dominada pelo homem.
O Ocidente, que hoje se horroriza, com razão, diante do apedrejamento da iraniana Sakineh, também tem uma longa história de
repressão à mulher, à sua sexualidade, a qualquer forma de poder a que ela tivesse acesso ou pudesse aspirar. A caça às bruxas incinerou milhares delas – as estimativas mais recentes e moderadas admitem que possam ter sido até 100 mil em toda a Europa, principalmente entre 1550 e 1650, o auge da histeria. Suíça, Alemanha e França foram os países mais encarniçados contra as bruxas, paradoxalmente no período em que se aponta o início da “Idade da Razão”. A coincidência dá o que pensar: o medo do que poderia acontecer ao se fragilizar o poder da religião no interior da sociedade não seria um dos motores do reinado do terror que se fez abater sobre as mulheres, para que elas não ousassem sair dos limites a que vinham sendo confinadas secularmente?
E o que dizer da nossa sociedade brasileira hoje, com a sua impressionante estatística de mulheres agredidas, mutiladas, mortas, por uma cultura que ainda as considera objetos, propriedades de que o homem pode dispor e destruir a seu bel prazer?
É estranho ver como é tímida a mobilização em torno da solidariedade a essa mulher iraniana que vai ser sacrificada da forma mais cruel. Onde está nossa indignação frente às titubeantes declarações do nosso presidente da República, que quer fazer parte de um poder global mas lava as mãos diante desse crime contra a humanidade?
“Um presidente da República não pode ficar na internet atendendo a todo pedido que alguém pede de outro país. É preciso tomar muito cuidado porque as pessoas têm leis, as pessoas têm regras, as pessoas, sabe, se começarem a desobedecer as leis deles para atender o pedido de presidentes, daqui a pouco vira uma avacalhação”.
Pois é, Lula. Não queremos que o Irã “vire uma avacalhação”. Deixa eles apedrejar mulheres e fazer bombas atômicas, pois afinal “as pessoas” têm as regras delas, e nós só vamos lá tirar retrato, fazer negócios e pedir apoio para a nossa cadeirinha no Conselho de Segurança. Afinal, uma boquinha em Nova Iorque pode ser uma boa, enquanto aqui no Brasil posamos de liberais, com “uma mulher no poder”.
Dilma cresce entre as mulheres e fica a 3 pontos de vencer no primeiro turno
Pesquisa Datafolha para presidente da República mostra Dilma com 41% das intenções de voto. Ela abriu uma vantagem de oito pontos sobre seu principal adversário, José Serra (PSDB), que registrou 33%.
Marina Silva (PV) tem 10%. Brancos e nulos são 5%. Indecisos, 9%. A pesquisa foi realizada entre os dias 9 e 12.
Quando se consideram apenas os votos válidos (os que são dados aos candidatos), Dilma vai a 47%. Fica a três pontos de uma eventual vitória no primeiro turno. A margem de erro máxima é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Entre mulheres, grupo no qual o PT e Lula enfrentam dificuldades históricas, ela subiu de 30% para 35%, empatando com Serra. São as mulheres que estão dando a liderança a Dilma, que agora terá a de manter e ampliar esta vantagem para conseguir vencer em 3 de outubro.
A pesquisa confirma tendência apontada por Fátima Pacheco Jordão (veja post abaixo), do Instituto Patricia Galvão.
A disputa se encerra no primeiro turno se um dos concorrentes obtém, pelo menos, 50% mais um dos votos válidos. Nessa conta na qual Dilma aparece com 47%, Serra tem 38%. Marina Silva registra 12%. Os candidatos de partidos pequenos somados vão a 2%.








