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Comentários ‘Michelle Bachelet’

Imagem de arquivo mostra presidente do Chile em Santiago, em março de 2014 Foto: Reuters

Em uma escala de 1 a 7, o centro de estudos ultraconservador “Libertad y Desarrollo” qualificou o cumprimento das promessas de Bachelet com 3,8

A presidente do Chile, Michelle Bachelet, afirmou nesta quarta-feira – dia em que completa 100 dias de mandato – ter cumprido 91% das 56 medidas prometidas em campanha.

Em um ato realizado no município de El Bosque, o mesmo onde anunciou sua candidatura para um segundo mandato, Bachelet disse que as medidas que não foram cumpridas, como a criação dos Ministérios de Cultura e de Assuntos Indígenas, estão pendentes de um diálogo com todos os atores envolvidos.

As matérias relacionadas aos indígenas devem ser analisadas e consultadas com as próprias comunidades envolvidas, como estabelece o Convênio 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), assinada pelo Chile.

“Façamos as coisas bem, e abramos as consultas”, disse a presidente chilena, que ressaltou que a maioria das medidas responde “à urgência” da cidadania para abordar os problemas que os afetam.

Neste aspecto, Bachelet explicou que as 56 medidas prometidas seguiram “um roteiro e mostraram o sentido, o alcance e as transformações que deseja levar adiante”.

“Queremos articular uma nova maneira de se fazer política e planos, de maneira participativa e cidadã”, ressaltou Bachelet.

“Não queremos nunca mais políticas de costas aos cidadãos”, completou a presidente chilena, ao reiterar que as 56 medidas “são o início de um caminho”. “Hoje fechamos uma etapa, as reformas já estão em andamento e esse é o ritmo que queremos sustentar”, completou.

No entanto, em resposta a Bachelet, o presidente da opositora União Democrata Independente (UDI), Ernesto Silva, afirmou que os primeiros 100 dias do novo governo “foram de cansaço”. “É como se fossem muitos mais”, disse Silva, acrescentando que foram dias “de muita confusão entre os chilenos sobre o futuro do país”.

“Tomara que isto mude (…) Em poucos meses é muito barulho, pouco avanço e muita incerteza. Eu acho que os chilenos se cansaram”, finalizou.

Em uma escala de 1 a 7, o centro de estudos ultraconservador “Libertad y Desarrollo”, vinculado à UDI, qualificou o cumprimento das promessas de Bachelet com 3,8.

Do TERRA

Após a conversa, Bachelet vai receber mais uma vez o mandato presidencial, depois de governar o país de 2006 a 2010 e ser sucedida por Sebastián Piñera (UN Women/Creative Commons)

A presidenta Dilma Rousseff se encontra hoje (11) de manhã com a presidenta eleita do Chile, Michelle Bachelet, que assume novamente o governo. A reunião está marcada para as 9h40, horário local (uma hora a menos do que no Brasil), no Palácio Presidencial Cerro Castilho, que fica em Viña del Mar, cidade litorânea do Chile.

Após a conversa, Bachelet vai receber mais uma vez o mandato presidencial, depois de governar o país de 2006 a 2010 e ser sucedida por Sebastián Piñera. A cerimônia ocorre no Congresso Nacional chileno, que fica em Valparaíso, próximo de Viña del Mar e a 120 quilômetros da capital, Santiago.

Tendo como principal desafio reformar o sistema educacional e a Constituição herdada da ditadura de Augusto Pinochet, Michelle Bachelet terá que negociar com outros partidos, além de sua coalizão, para cumprir as promessas.

Do ponto de vista internacional, a expectativa do governo brasileiro é que o novo mandato aproxime o Chile dos vizinhos sul-americanos. De acordo com o embaixador Américo Simões, subsecretário-geral do Itamaraty para a América do Sul, Central e do Caribe, a expectativa do Brasil é aprofundar parcerias nas áreas de energia, educação, infraestrutura e direitos humanos.

Após a cerimônia de posse, os chefes de Estado retornam a Viña del Mar para cumprimentar Bachelet e participar de almoço oferecido pela chilena, marcado para as 14h. Dilma ainda participa de fotografia oficial com os demais chefes de Estado e de governo, no Palácio Presidencial Cerro Castilho, de onde se desloca para embarcar de volta ao Brasil. Ela tem chegada prevista para o fim da noite.

A presidenta volta, mas o chanceler Luiz Alberto Figueiredo fica no Chile para discutir, quarta-feira (12), a situação da Venezuela com ministros das Relações Exteriores de países da União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

 Da EBC

Michelle Bachelet - Foto: independenciasulamericana.com.br

Michelle Bachelet – Foto: independenciasulamericana.com.br

A presidenta Dilma Rousseff telefonou há pouco para a presidenta eleita do Chile, Michelle Bachelet, para cumprimentá-la pela vitória nas eleições de ontem (15).

A presidenta cumprimentou Bachelet pelo “ótimo desempenho nas eleições presidenciais chilenas”. A socialista obteve 63% dos votos no segundo turno, derrotando a adversária Evelyn Matthei. Bachelet é a primeira mulher a ser reeleita no Chile, após governar o país entre 2006 e 2010.

Segundo a assessoria de imprensa do Planalto, a ligação durou cerca de cinco minutos e Dilma manifestou o desejo de que o “Brasil e Chile possam trabalhar juntos por uma América do Sul cada vez mais forte”. De acordo com o Blog do Planalto, a presidenta brasileira também confirmou presença na posse de Bachelet, marcada para 11 de março de 2014.

“Bachelet agradeceu o telefonema e disse que pretende trabalhar em estreita parceria com o Brasil após assumir a Presidência do Chile”, informa o blog.

Pela manhã, Dilma disse, pelo Twitter, que Brasil e Chile têm muito a cooperar e construir juntos e que está certa de que seu governo e o de Bachelet vão aprofundar ainda mais as relações entre os dois países.

Da Agência Brasil 

Com 47% dos votos, Michelle Bachelet não alcançou a metade mais um dos votos necessários para evitar segundo turno (Adital)

A socialista Michelle Bachelet obteve 47% dos votos no primeiro turno das eleições presidenciais do Chile. Foi quase o dobro dos 25% obtidos pela segunda colocada, Evelyn Matthei – ex-ministra e candidata do atual governo de direita do presidente Sebastian Piñera. Mas foi insuficiente para evitar o segundo turno, no próximo dia 15 de dezembro, que era um dos objetivos de sua campanha.

“Não existem duas leituras. Ganhamos essa eleição com ampla maioria”, disse Bachelet, assim que soube que não tinha metade mais um dos votos e teria que continuar fazendo campanha. “Sabíamos que o desafio de ganhar no primeiro turno era complexo, tendo em vista a quantidade de candidatos e o desafio do voto voluntário”, acrescentou.

Essa eleição foi inédita porque nunca houve tantos candidatos à presidência (nove) e pela primeira vez o voto era opcional. Agora que a campanha vai se polarizar entre as duas alianças politicas tradicionais da política chilena – uma representando a centro-esquerda e a outra, a direita – Bachelet diz que a vitória está garantida.

A maior parte dos outros sete candidatos que disputavam a presidência defende propostas parecidas com as dela: educação gratuita e de qualidade para todos; reforma tributária para financiar programas sociais; e uma reforma da Constituição, herdada da ditadura militar (1973-1990).

Para o governo, o segundo turno foi visto como uma vitória – mesmo que Evelyn Matthei perca para Bachelet no dia 15 de dezembro. Pior teria sido uma derrota esmagadora no primeiro turno. “Temos grandes diferenças com a esquerda e elas vão sair à luz nos próximos 30 dias. Eles dizem que temos que derrubar tudo e partir do zero, com uma nova Constituição. Nós achamos que construímos um país sólido e que temos que melhorá-lo”, disse Evelyn Matthei.

Filhas de generais da Forca Aérea chilena, Michelle e Evelyn foram à mesma escola primária e brincavam juntas, quando eram crianças. Os pais eram amigos, até o golpe militar de 1973, liderado por Augusto Pinochet contra Salvador Allende – o primeiro socialista eleito presidente no mundo.

O pai de Bachelet era homem de confiança de Allende e morreu torturado na cadeia. O pai de Matthei estava no exterior na época, mas voltou para integrar a junta militar. Quarenta anos depois do golpe, as duas mulheres estão de lados opostos: Michelle quer acabar com os últimos resquícios da ditadura (que privatizou a educação e redigiu uma constituição limitando a atuação dos políticos), enquanto Evelyn continua defendendo a herança de Pinochet.

O maior desafio para quem quer que saia vitoriosa em dezembro será obter votos suficientes no Congresso para alterar a Constituição. Pelo atual sistema eleitoral, herdado de Pinochet, o governo só consegue maioria parlamentar se seus candidatos obtiverem o dobro dos votos da segunda legenda mais votada. “Foi um sistema criado para assegurar um empate entre as duas forças majoritárias e forcar uma solução negociada”, explicou a prefeita de Santiago, Carolina Toha, que apoia a candidatura de Bachelet.

A esperança de Bachelet é que desta vez a pressão social seja tão grande que obrigue a direita a aceitar mudanças mais profundas. O problema é que os chilenos estão cada vez mais intolerantes com a classe politica. No domingo, no meio da votação, um grupo de estudantes ocupou o comando da campanha de Bachelet.

“Nos despedimos deste governo com mobilizações nas ruas, porque não soube resolver nossos problemas. E vamos receber o próximo governo com mobilização nas ruas, até conseguirmos o que queremos”, disse Isabel Salgado, porta-voz dos estudantes de ensino médio que fizeram o protesto. Os protestos estudantis de 2011 e 2012 paralisaram o país e receberam o apoio da grande maioria dos chilenos: eles pedem ensino gratuito e de qualidade para todos.

No Chile, a ditadura privatizou a água, o cobre, a saúde e a educação. O país virou exemplo de economia que deu certo na América Latina: não tem inflação; reduziu a pobreza; atraiu investimentos e continua crescendo. Mas tem um dos maiores índices de desigualdade da região. E a principal preocupação da classe média emergente é reduzir a brecha social.

Da EBC

Michelle Bachelet, candidata à presidência do Chile, acena para apoiadores após entregar novo plano de governo – Mario Ruiz/Efe

A ex-presidente socialista Michelle Bachelet venceria a próxima eleição presidencial no Chile com uma vantagem cômoda, revelou nesta terça-feira (29) uma pesquisa elaborada pelo Centro de Estudos Públicos (CEP).

Questionados sobre em qual candidato votariam se o pleito fosse no próximo domingo, 47% dos entrevistados responderam que optariam por Bachelet, enquanto que a candidata do governo, Evelyn Matthei, ficou com apenas 17%, segundo a sondagem do CEP, o mais respeitado do setor.

O coordenador do Programa de Opinião Pública do CEP, Ricardo González, disse que não foi incluído na pesquisa um cenário de segundo turno, já que o resultado não considerou votos nulos ou brancos, o que poderia aumentar a vantagem da candidata favorita.

Para vencer o pleito presidencial em primeiro turno, o sistema eleitoral no Chile exige que um candidato obtenha 50% mais um dos votos. Caso contrário, os dois mais votados disputam um segundo turno em dezembro.

O economista independente Franco Parisi ficou em terceiro lugar, com 10%.

Na pesquisa, 78% dos entrevistados “acreditam” que Bachelet, que foi presidente de 2006 a 2010, será a vencedora. Para a equipe de Matthei, a pesquisa desta terça-feira trata-se apenas de “um dado a mais”.

A pesquisa realizada entre 13 de setembro e 14 de outubro ouviu 1.437 pessoas, com margem de erro de 3% para mais ou para menos.

Do UOL

Candidata à Presidência da República do Chile Michelle Bachelet

A candidata à Presidência da República do Chile Michelle Bachelet – apontada como uma das favoritas na disputa – anunciou um pacote de 50 medidas para o país. Bachelet prometeu que cumprirá as ações nos primeiros 100 dias de governo. No pacote, a ex-presidenta chilena (2006-2010) priorizou educação, saúde e proteção social. Uma das propostas é a criação de uma administração específica para os fundos de pensão.

As medidas, divulgadas por Bachelet, incluem projetos para aperfeiçoar a segurança pública e também propõe a criação do Ministério de Assuntos Indígenas, além de uma instituição de defesa dos direitos trabalhistas, assim como melhorias para o transporte público e direitos da mulher.

Bachelet disse que o custo médio para a execução das medidas propostas por ela será US$ 720 milhões. A ex-presidenta foi sucedida no poder pelo atual presidente chileno, Sebastián Piñera, que venceu as eleições apoiado por uma aliança de direita. O primeiro turno das eleições presidenciais do Chile está marcada para 17 de novembro.

Os principais candidatos que disputam as eleições, além de Bachelet, são Evelyn Mattei (Aliança Governamental), Marco Enriquez-Ominami (Partido Progressista), Marcel Claude (Partido Humanista) e Franco Parisi, que é independente. Mas as que aparecem como favoritas nas pesquisas de intenções de votos são Bachelet e Mattei.

Da Agência Brasil

Dilma recebe ex-presidente chilena, Michelle Bachelet Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

A presidente Dilma Rousseff disse nesta quinta-feira que o desenvolvimento social associado ao desenvolvimento econômico é uma ferramenta de redução da pobreza. Dilma falou na presença da secretária-executiva da ONU Mulheres, a ex-presidente chilena, Michelle Bachelet. Para Dilma, os governos europeus devem evitar essa dissonância.

“Os governos precisam romper com a dissonância entre a voz dos mercados e a voz das ruas. Diminuindo essa diferença para propostas proativas de solução ao mesmo tempo que soluciona a crise, você cria condições para garantir que as pressões sofram toda essa magnitude dela”, disse a presidente.

Dilma destacou ainda que os programas de transferência de renda e o aquecimento do mercado interno criaram “o ciclo virtuoso que é o centro da força do Brasil nos últimos anos”. A presidente citou ações do governo, como por exemplo, a política de valorização do salário mínimo que, para ela, contribuiu para que “eliminasse a erosão do seu poder de compra”.

A presidente demonstrou novamente preocupação com o cenário econômico mundial e a crise aguda europeia. “Hoje estamos vendo um processo de desemprego dramático (naquele continente”, disse.

Inovação

Em evento posterior, a presidente defendeu a inovação e a pesquisa como ferramentas para o desenvolvimento do Brasil. Para a presidente, trata-se de um “esforço que estamos fazendo para ter um país mais rico e mais forte, com maior capacidade de investir, de agregar valor”. Dilma citou os investimentos em programas como o Ciência sem Fronteiras, que deverá enviar para o exterior 100 mil estudantes brasileiros.

A capacidade de competir e a agregação de valor e a inovação (…) serão talvez o maior instrumento (de desenvolvimento) nas próximas décadas e nos próximos anos”, avaliou a presidente. “O Brasil só vai conseguir usufruir dos frutos da era da prosperidade (…) se investir metódica e intensamente em educação e em ciência”, acrescentou.

Dilma assegurou que “não falta vontade política” para investimentos em educação e em ciência e tecnologia. Para a presidente, além de combater a miséria o Brasil tem o desafio de ser “capaz de criar tecnologia avançada”. A presidente discursou durante a entrega do prêmio Finep de Inovação, que reconhece talentos na área de empresas, instituições científicas e tecnológicas, públicas e privadas.

Do Terra

Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile, assume entidade da ONU voltada para o direito das mulheres.

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Nomeada em 14 de setembro para chefiar a ONU Mulher, Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile, colocará a nova instituição em ordem de batalha até janeiro de 2011, data a partir da qual a agência começará a funcionar. No mundo das ONGs que militavam há anos pela criação de uma agência “dedicada” às mulheres, poucas nomeações teriam sido recebidas com tal unanimidade.

Na entrevista concedida ao “Le Monde”, Bachelet afirma que suas prioridades serão combater a violência doméstica e sexual, bem como lutar contra as consequências da crise que atinge gravemente as mulheres.

Fazendo isso, ela manifesta sua vontade de não se deixar fechar dentro dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), especialmente aqueles que dizem respeito à redução da mortalidade infantil e da mortalidade materna, que acabam de receber um programa de US$ 40 bilhões (R$ 69 bilhões). Aos 59 anos, Michelle Bachelet, que refletiu longamente sobre esse engajamento no cenário internacional, pretende utilizar toda a notoriedade que lhe vale sua posição de ex-chefe de Estado e de nova secretária-geral adjunta da ONU, que a coloca no topo da hierarquia das Nações Unidas.

Le Monde: Quais serão suas prioridades nos próximos meses?

Michelle Bachelet: Nos próximos três meses, vamos trabalhar para reunir e colocar em sinergia as quatro entidades que compõem a ONU Mulher. Com duas prioridades. A primeira será combater a violência contra as mulheres, um campo que não é coberto pelos ODM. Esse problema atravessa todas as sociedades, sem exceção: 70% das mulheres no mundo sofrem violência doméstica. Nós nos esforçaremos especialmente para reduzir o imenso abismo que existe entre as legislações que protegem as mulheres – existem muitas delas – e sua aplicação, que continua sendo muito fraca. Também quero que a ONU Mulher se envolva na luta contra as mutilações genitais: 3 milhões de mulheres são vítimas delas no continente africano a cada ano. Essa guerra à violência contra as mulheres certamente também inclui o combate ao tráfico de mulheres, ao estupro, que ocorre em grande escala nos países em conflito, como a República Democrática do Congo, por exemplo.

Nossa segunda prioridade será agir sobre as consequências da crise. Atualmente, a distribuição do emprego é muito desigual entre homens e mulheres no mundo. Fora da agricultura, o acesso das mulheres ao emprego é limitado: somente 31% das mulheres trabalham em um outro setor. É uma porcentagem que, além disso, camufla enormes disparidades regionais (20% somente no sul da Ásia e na África). Sem contar que muitas vezes se trata de empregos meio-período e com baixos salários. A crise agravou o problema.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho, o desemprego entre as mulheres aumentou mais rápido do que entre os homens. Milhões de mulheres estão sem emprego, o que gera uma série de consequências. Quando as mulheres perdem seu emprego, aumenta o índice de abandono escolar, por exemplo. De maneira geral, que se trate de crise financeira, alimentar, energética ou de mudança climática, todas as crises afetam duramente as mulheres.

Le Monde: Seu orçamento de US$ 500 milhões é suficiente?

Bachelet: É um orçamento inicial, e é preciso considerá-lo como tal. É um mínimo, e precisamos de bem mais, mas pediremos aos Estados-membros que aumentem sua participação, que façam um investimento “nas” mulheres.

Le Monde: As ONGs querem que a agência disponha de suas próprias forças em campo. O que a senhora acha disso?

Bachelet: A partir de agora, a Unifem está presente em 80 países. Não é suficiente, e quero ampliar essa presença. Nesse sentido, concordo com as ONGs. Mas quero que o dinheiro vá para as comunidades de mulheres que atuam em campo.

Le Monde: A senhor parecia hesitar em assumir a frente da ONU Mulher…

Bachelet: Não é uma questão de hesitação, mas eu precisava fazer uma escolha. Não é fácil quando você tem mais de 70% de aprovação em seu país! As pessoas temiam que eu fosse abandoná-las, e não quero abandoná-las. Estarei em Nova York, não é tão longe. E vou trabalhar para a causa das mulheres, uma causa que também diz respeito às mulheres do Chile. É um trabalho maravilhoso e fascinante.

Bachelet defende maior participação feminina na política

Bachelet quer que mulheres participem mais Foto: independenciasulamericana.com.br

Bachelet quer que mulheres participem mais Foto: independenciasulamericana.com.br

A presidenta do Chile, Michelle Bachelet, criticou nesta quarta-feira (2), na conferência que realizou na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, que a política continua não atraindo muitas mulheres, e reconheceu que a participação das chilenas se mantém abaixo do desejável.

Bachelet, que conclui nesta quarta sua visita oficial a Portugal, aceitou o convite da organização feminista União de Mulheres Alternativa e Resposta (Umar) para proferir uma conferência com o tema “Gênero e participação política: a experiência do Chile”.

Bem humorada, a chefe de Estado chilena lamentou que tenha havido apenas 19% de candidatas às últimas eleições municipais e destacou que existem “só 12 senadoras e 18 deputadas” no Chile, “o que levou 40 anos a ser conseguido”. “Não há entusiasmo por uma lei de cotas”, admitiu Bachelet, que ressaltou que “não bastam cotas, há que encontrar um mecanismo para torná-las eficazes”.

O gabinete da presidente é paritário, porque ela acha que as mulheres e os homens “são muito diferentes, mas têm igualdade de talentos e habilidades, distintos e complementares”. Sobre si mesma, Bachelet diz que é “flexível” e “tenaz” e que vai continuar a lutar pela igualdade, dentro ou fora do poder.

“Ter mais mulheres [em todas as esferas de poder] é ter um país mais bem representado”, afirma. A governante fez até uma comparação com o futebol, já que a seleção chilena está classificada para a Copa do Mundo da África do Sul: “Teríamos possibilidade de ganhar com metade da seleção?”.

A chefe de Estado está “otimista” quanto ao futuro, mas não deixa de lembrar que o mundo está perdendo “muito” com a “discriminação” e que os progressos avançam “lentamente”. “Apesar de tudo, estou convencida de que o que avançamos é irreversível e não vamos voltar ao statu quo”, ressaltou.

Fonte: Lusa – Agência de Notícias de Portugal

Ig
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