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Comentários ‘maternidade’

Vaga para gestante

Está pronto para ser incluído na pauta da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado projeto que torna obrigatória a reserva de vagas em estacionamentos públicos para gestantes e mães com crianças de até um ano e meio de idade.

De autoria do senador Anibal Diniz (PT-AC), a proposta (PLS 520/2013) altera a Lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000, que já reserva 2% das vagas em áreas próximas dos acessos de circulação de pedestres para veículos que transportem pessoas com deficiência com dificuldade de locomoção. Além de estender o benefício às gestantes e mães com crianças pequenas, o projeto também amplia a demarcação de vagas para 3% do total daquelas existentes em vias públicas.

Segundo o autor, ao disciplinar a reserva de vagas para o grupo específico, o projeto considera a dificuldade de locomoção a ele inerente, medida pelo esforço e pelo cansaço decorrente de sua condição física.“Não se pode negar que o carregamento de peso extra, representado pela criança na barriga ou no colo, aumenta sensivelmente o esforço que é necessário empreender para deslocar-se”, observa Anibal.

Em apoio à proposta, a relatora, senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), lembra que assembleias estaduais e câmaras municipais já vêm adotando leis semelhantes. “A proposição ecoa preocupação generalizada de política urbana”, disse a parlamentar em seu parecer.

A decisão da CDH terá caráter terminativo, ou seja, se o projeto for aprovado, poderá seguir diretamente para a Câmara dos Deputados, sem passar por votação no Plenário do Senado.

Da EBC

Usando marcadores genéticos, teste consegue antever se grávidas que tiveram contrações antes do tempo entraram mesmo em trabalho de parto.

Atualmente, grávidas com contrações antes da hora não têm como prever se terão bebês prematuros (Foto: BBC)

Especialistas canadenses desenvolveram um exame de sangue que pode prever as chances de uma mulher grávida, que sofre contrações antes do tempo, de ter um bebê prematuro.

Cerca de 5% das mulheres que começam a ter contrações antes das 37 semanas de gravidez dão à luz em até 10 dias, afirmam os especialistas, em pesquisa publicada na revista científica PlosOne.

Atualmente, mulheres com contrações antes da hora não têm formas confiáveis de saber se estão prestes a entrar em trabalho de parto ou se as contrações vão parar.

Em algumas ocasiões, são realizados esfregaços vaginais, mas esses testes muitas vezes podem acusar resultados errados.

O teste de sangue desenvolvido por pesquisadores do Mount Sinai Hospital, em Toronto, foi capaz de prever partos prematuros em 70% dos 150 casos analisados em um hospital na Austrália.

O cientista Stephen Lye explica que o exame de sangue se baseia na busca por marcadores genéticos ligados ao parto.

“Os dados indicam que marcadores no sangue de mulheres com contrações antes da hora são capazes de indicar as chances de elas darem à luz prematuramente ou não”, disse Lye.

“Isso trará benefícios para as mães, para o bebê e para o sistema de saúde”, acrescentou.

O exame será testado em um hospital em Toronto e deve estar disponível no mercado em cinco anos.

Do G1

Arte RatoFX

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O Ministério Público Federal em Piracicaba (MPF/SP) recomendou à direção do Hospital Unimed de Limeira que apure denúncias de violência contra a mulher durante o parto. O MPF recebeu relatos de que os médicos deste local seriam os responsáveis pelas irregularidades. As agressões consistiriam em violência moral, especialmente o menosprezo pelo sofrimento da paciente, e realização desnecessária de exames invasivos.

Em reposta à ocorrência, a Unimed de Limeira limitou-se a negar os fatos, sem apresentar comprovação de que tenha conduzido qualquer procedimento para apurar as denúncias ou evitar que tal situação ocorra.

O MPF também recomendou que o hospital afixe em todas as salas de parto e de espera de parturientes um cartaz que alerte que a violência física ou moral durante o parto viola os direitos das mulheres. Além disso, o cartaz deve indicar a quem as denúncias devem ser encaminhadas: à direção do hospital, à Agência Nacional de Saúde e ao Ministério Público Federal.

O MPF recomendou ainda a realização de uma palestra ou curso de capacitação destinado a todos os médicos, enfermeiros e profissionais de saúde do hospital, a fim de informá-los e conscientizá-los sobre a gravidade das ocorrências de violência no parto. Somente em 2010, segundo pesquisa da Fundação Perseu Abramo, uma em cada quatro mulheres brasileiras sofreram violência durante o nascimento de seus filhos.

A direção do hospital tem o prazo de 30 dias, contados a partir de 29 de abril, para apresentar cronograma com as providências a serem tomadas acerca das recomendações, de autoria do procurador da República Edilson Vitorelli Diniz Lima.

Da EBC

Arte RatoFX

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Mais de 800 mulheres morrem todos os dias devido a complicações na gravidez e no parto, mostra a Organização Mundial da Saúde (OMS) em dados divulgados hoje (6). A mortalidade materna, no entanto, registra redução de 45% desde 1990.

Segundo a OMS, 289 mil mulheres morreram em 2013 devido a complicações relacionadas à gravidez e ao parto. Em 1990, foram 523 mil mortes.

A quase totalidade das mortes maternas (99%) ocorre em países em desenvolvimento e um terço do total é regitrado em apenas dois países: a Índia (50 mil) e a Nigéria (40 mil). De acordo com a OMS, a região mais perigosa para se ter um filho é a África Subsaariana.

A taxa de mortalidade materna nos países em desenvolvimento em 2013 foi 230 por 100 mil nascimentos, enquanto nos países desenvolvidos foi 16 por 100 mil nascidos vivos.

A organização, sediada em Genebra, alerta para as grandes disparidades entre os países – com alguns registrando taxas de mortalidade materna extremamente elevadas, de 1.000 por cada 100 mil nascidos vivos – e também entre pobres e ricos dentro de alguns países.

Outro estudo da agência da ONU para a saúde, publicado hoje na revista The Lancet Global Health revela que uma em cada quatro mortes se deve a complicações previamente existentes, como diabetes, HIV, malária ou obesidade, cujos impactos são agravados pela gravidez.

Um quarto das mortes deve-se a hemorragia severa. Outras causas identificadas são a hipertensão induzida pela gravidez (14%), as infeções (11%), obstruções e outras complicações no parto (9%), complicações relacionadas com o aborto (8%) e coágulos sanguíneos (3%).

“Juntos, os dois relatórios destacam a necessidade de investir em soluções comprovadas, como cuidados de saúde de qualidade para todas as mulheres durante a gravidez e o parto, e cuidados especiais para grávidas com problemas clínicos pré-existentes”, disse a diretora-geral adjunta da OMS para a Saúde da Família, Mulher e Criança, Flavia Bustreo, citada em comunicado da OMS.

Outro alerta da organização é sobre a falta de dados rigorosos relacionados à mortalidade materna. Apesar de ter aumentado o conhecimento sobre o número de mulheres que morrem e as razões das mortes, muitos dados ainda não são registrados. “Trinta e três mortes maternas por hora são 33 mortes a mais”, disse o diretor de Saúde, Nutrição e População do Banco Mundial, citado no comunicado.

“Precisamos documentar cada um desses acontecimentos trágicos, determinar as suas causas e iniciar ações corretivas urgentemente”, acrescentou Bustreo.

Da EBC

Dra. Rachel Reis, ginecologista e obstetra, foi entrevistada ao vivo pelo Repórter Brasil. Ela critica a falta de habilidade dos médicos em fazer o parto da forma natural

Da EBC

Ato silencioso no Hospital Maternidade Maria Amélia Buarque de Hollanda – Foto Agência Brasil

Um grupo de mulheres a favor da humanização do parto, com o apoio de ativistas e de profissionais de saúde, fez sábado (19) um ato silencioso no Hospital Maternidade Maria Amélia Buarque de Hollanda, no centro da capital fluminense. A manifestação dá continuidade a uma série de atividades que vêm ocorrendo desde o ano passado, quando foram realizados os primeiros protestos nacionais. Este ano, as ações envolvem 34 cidades.

O Brasil tem a mais alta taxa de cesarianas do mundo: o número de cirurgias aumentou de 37,8% para 52,3% entre 2000 e 2010. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que essa taxa seja 15%, tanto na rede pública, quanto na privada.

“O nosso ato é para apoiar neste local [Maternidade Maria Amélia Buarque de Hollanda] todos os profissionais que lutam para que a mulher seja protagonista do seu trabalho de parto e, isso faz com que as cesáreas feitas por conveniências médicas não aconteçam”, destacou a funcionária pública Paula Inara, de 38 anos, uma das coordenadoras do Movimento pela Humanização do Parto.

Segundo a médica e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Maria do Carmo Leal, o número de cesarianas está aumentando a cada ano, na contramão do que acontece em países desenvolvidos, como os na Europa, onde não ocorre a prática indiscriminada de partos cirúrgicos. “Nos Estados Unidos, que têm um modelo de atenção um pouco parecido com o nosso, eram 33% de cesáreas e agora estão com 31%, porque estão fazendo um imenso esforço para diminuir essa taxa.”

Em março de 2014, Maria do Carmo lançará a pesquisa Inquérito Nacional sobre Parto e Nascimento, feita nos últimos três anos em todo o país. O documento vai descrever como é a assistência ao parto; quais são as intervenções que vêm sendo feitas sobre o parto vaginal; qual é a aprovação de cesáreas; como a decisão pela cesárea está sendo feita no Sistema Único de Saúde (SUS) e na rede privada. “É uma pesquisa muito grande, que também vai contemplar os resultados sobre como o parto é feito, sobre a mãe e o recém-nascido.”

O Movimento pelo Parto Humanizado também se solidariza com as mães que perderam quatro bebês de cesariana no início do ano na Maternidade Maria Amélia e pede que as causas sejam apuradas rapidamente. O movimento afirma ainda que não é contra as cesarianas. Apenas considera que elas devem ser feitas quando há indicação clara e real para mãe ou para o bebê e não de forma indiscriminada, como tem sido feita no país.

Segundo a enfermeira obstétrica Mara Libertad, que acompanha partos normais em casa e trabalha junto ao Movimento pela Humanização do Parto, o que a maternidade faz é o recomendado pelo Ministério da Saúde como mais adequado para as mulheres em trabalho de parto. “Ela tem acompanhamento em uma sala individual, com recursos para o alívio da dor, e direito ao acompanhante, reconhecido por lei.”

Da Agência Brasil

Semana Mundial de Aleitamento Materno 2013

De 1 a 7 de agosto acontece a Semana Mundial do Aleitamento Materno (SMAM) 2013, momento este para ressaltarmos os benefícios que a amamentação natural traz para o bebê e para a mãe.

Mas o simples ato de amamentar pode se tornar um desafio para grande parte das mães que trabalham. Sabemos que, no mundo atual, as mulheres estão cada vez mais presentes no mercado de trabalho, seja para complementar a renda familiar ou mesmo como arrimo de família.

A mulher que é mãe e trabalhadora remunerada, pode dar ao seu filho o melhor alimento, o contato físico, o carinho, o estímulo, a proteção contra doenças, tudo isso através da amamentação.

Mas a questão é: Como amamentar sem deixar de trabalhar fora de casa? Somente a mulher que trabalha com contrato formal (carteira assinada) tem direito aos benefícios da legislação. As demais devem provar a relação permanente de trabalho na Justiça para tentar conseguir os benefícios.

No Brasil, desde a Constituição Federal de 1988, garante-se às mulheres com contrato de trabalho, diversos benefícios, dentre eles, a Licença Maternidade e as Pausas para Amamentar.

A Licença Maternidade é garantida para todas as mulheres trabalhadoras sob o regime CLT. Até a publicação da Lei 11.770 de 9 de setembro de 2008, eram concedidos 120 dias de Licença Maternidade, porém com a publicação desta, mediante concessão de incentivo fiscal, houve o estímulo para as empresas ampliarem esse período para 6 meses, vindo de encontro à recomendação da Organização Mundial da saúde (OMS) e do Ministério da saúde de “Aleitamento Materno como exclusiva fonte de alimentação para bebês de até 6 meses de idade”.

Muitos estados e municípios brasileiros já aderiram à licença maternidade de 6 meses. Procure saber dentro da sua empresa!

Para amamentar o filho, a mulher tem o direito de, até os 6 meses de idade, a dois descansos especiais, de meia hora cada um, durante a jornada de trabalho, que não se confundirão com os intervalos normais para repouso e alimentação.

O leite materno é o alimento mais completo que existe para o bebê, devendo ser fonte exclusiva de alimentação até os 6 meses de idade, se possível for. Sabe-se da sua ação de imunização contra doenças, em especial, contra a diarréia, pneumonia, otites e outras infecções, além de diminuir a possibilidade de ocorrência de problemas alérgicos, respiratórios, obesidade, hipertensão arterial, colesterol alto e diabetes. Além disso, durante a amamentação, há o fortalecimento dos músculos da boca e face do bebê, além do desenvolvimento do controle respiratório, o que irão auxiliar no desenvolvimento de fala.

E quais os benefícios para a mãe que amamenta? Além de ser um momento importante de contato físico, troca de carinhos e estímulos, a amamentação natural faz diminuir as chances de ocorrência do câncer de mama, de ovários e da diabetes. Além disso, favorece a contração do útero materno após o parto, diminuindo as perdas sanguíneas e prevenindo a anemia, favorecendo ainda a perda do peso que foi ganho na gravidez.

É possível manter seu filho recebendo leite materno mesmo depois de você voltar a trabalhar. Algumas empresas já criaram Salas de Apoio à Amamentação, ou seja, locais apropriados para a mulher retirar e armazenar com segurança seu leite enquanto está trabalhando e mesmo amamentá-lo no local de trabalho, quando possível. Converse com sua chefia, com seus colegas, discuta essa idéia!

Dicas para Conciliar o Trabalho com a Amamentação:

- Se for possível e desejado, leve o bebê pequeno com você ao trabalho, ou peça para alguém levá-lo no trabalho para ser amamentado;

- Converse com o patrão para ver a possibilidade de você ter maior flexibilidade nos horários de trabalho (chegar mais tarde, sair mais cedo, reduzir a carga horária);

- Fale e explique ao seu patrão e seus colegas sobre a importância de amamentar, explique especialmente que o leite materno protege seu filho, que ficará menos doente, e que, assim, você faltará menos ao trabalho e estará mais contente; explique tudo isso também aos seus familiares.

Aretusa Monteiro é Fonoaudióloga do CEREST Pinda.

 Do CEREST Pinda

Bebês de todas as classes sociais dormem em caixas de papelão na Finlândia. País que já foi pobre na década de 30 hoje é símbolo de igualdade e apresenta as ‘mães mais felizes do mundo’

Bebês de todas as classes sociais dormem em caixas de papelão na Finlândia. Todas as gestantes finlandesas tem a opção de receber um kit maternidade ou uma ajuda financeira. (Foto:Milla Kontkanen)

Há 75 anos, todas as mulheres grávidas na Finlândia recebem um kit de maternidade do governo. O kit inclui uma caixa com roupas, lençóis e brinquedos, e a ideia é que a própria caixa seja usada como cama durante os primeiros meses de vida do bebê.

Muitos acreditam que o kit ajudou a Finlândia a alcançar uma das mais baixas taxas de mortalidade infantil do mundo.

É uma tradição com origem na década de 1930, desenvolvida para dar a todas as crianças na Finlândia um começo de vida igual, independente da classe social.

O kit de maternidade é um presente do governo e está disponível para todas as gestantes.

Bebês de todas as classes sociais dormem em caixas de papelão na Finlândia. Todas as gestantes finlandesas tem a opção de receber um kit maternidade ou uma ajuda financeira. (Foto:Milla Kontkanen)

Ele contém macacões, um saco de dormir, roupas de inverno, produtos de banho para o bebê, assim como fraldas, roupas de cama e um pequeno colchão.

Com o colchão no fundo, a caixa torna-se a primeira cama do bebê. Muitas crianças, de todas as classes sociais, têm seus primeiros cochilos dentro da segurança das quatro paredes da caixa de papelão.

Acompanhamento pré-natal para todos

As mães podem escolher entre receber a caixa ou uma ajuda financeira, que atualmente é de 140 euros (R$ 390), mas 95% optam pela caixa, que vale muito mais.

A tradição começou em 1938, mas inicialmente o sistema só estava disponível para as famílias de baixa renda. Mas isso mudou em 1949.

“A nova lei diz que para receber o kit ou o dinheiro, as gestantes têm que visitar um médico ou uma clínica pré-natal municipal antes do quarto mês de gestação,” disse Heidi Liesivesi, que trabalha no Kela, o Instituto de Seguro Social da Finlândia.

Do Pragmatismo Político

Arte Terra.com

Bebês nascidos por cesariana têm quase duas vezes mais risco de se tornarem crianças e adolescentes obesos, de acordo com um novo estudo. Depois de examinar os registros de mais de 10 mil crianças britânicas, os pesquisadores descobriram que crianças de 11 anos que haviam nascido por cesárea eram 83% mais propensos a ter excesso de peso em comparação às crianças que nasceram por parto normal. Os resultados do estudo, divulgado pelo jornal Daily Mail, confirmam pesquisas anteriores que também indicaram uma ligação entre cesarianas e obesidade infantil.

Os investigadores acreditam que durante o parto normal os bebês são expostos a bactérias que ajudam a regular o metabolismo posteriormente. A pesquisa sugere que a epidemia atual de obesidade poderia ter sido impulsionada em parte pelo aumento da taxa de cesarianas. Na Inglaterra, por exemplo, um a cada quatro nascimentos são por meio desse tipo de parto, totalizando mais de 160 mil por ano.

Preocupações com a saúde podem determinar que esse seja o parto escolhido, mas muitas vezes essa opção é feita sem nenhuma razão médica. “Pode também haver consequências a longo prazo para as crianças que ainda não conhecem”, disse a pesquisadora Jan Blustein, da Escola de Medicina da Universidade de Nova York.

A médica não considera o risco de obesidade um fator determinante no momento da escolha do parto, que deve ser feita com base em questões médicas. No entanto, Jan alerta que aquelas que optam pela cesariana “devem saber sobre esses riscos”.

Para o estudo a equipe analisou dados de uma grade investigação sobre desenvolvimento infantil chamada Avon Longitudinal Study of Parents and Children. Este levantamento acompanhou a longo prazo cerca de 14 mil crianças nascidas na década de 1990.

​Pouco mais de 9% dos bebês participantes do estudo nasceram por cesariana e tinham, em média, 56 gramas mais leves do que aqueles nascidos por parto normal. No entanto, com seis meses de vida o grupo da cesariana já estava mais pesados do que os nascidos naturalmente, mesmo levando-se em consideração outros fatores como o peso da mãe e a amamentação.

O risco de obesidade foi particularmente acentuado entre crianças nascidas de mães com excesso de peso, segundo os pesquisadores. No total, um terço das crianças estava acima do peso aos três anos, enquanto aos sete e aos 15 anos havia 17% de chance de serem crianças obesas.

A pesquisa, publicada no International Journal of Obesity, também destacou os riscos da cesariana para as mulheres, incluindo aumento da chance de lesões intestinais ou na bexiga, bem como futuras complicações na gravidez. Segundo Jan, uma razão para a ligação entre obesidade e esse tipo de parto poderia realmente estar ligada a exposição a bactérias benéficas sendo que adultos obesos tendem a ter essas bactérias boas em menos quantidade em seu trato digestivo e possuem altos níveis de bactérias ruins, fazendo com que queimem menos calorias acumulando gordura.

Outros estudos mostram ainda que mulheres obesas são mais propensas a precisar de uma cesariana e tendem a ter filhos que no futuro sofrerão como sobrepeso. Isso levanta a possibilidade de que essas crianças seriam mais pesadas de qualquer maneira. “O excesso de peso é um fator de risco para cesariana, a questão é tentar descobrir se isso é real ou apenas uma questão de escolha”, ressaltou a médica.

Do Terra

Já está valendo a norma do Conselho Federal de Medicina que limita a fertilização para mulheres acima dos 50 anos por risco à saúde durante a gravidez. Marie Claire foi investigar o que muda com isso e ouviu a opinião de quem passou pela experiência de ser mãe na maturidade.

A atriz Solange couto foi mãe pela terceira vez aos 54 anos (foto: arquivo pessoal e divulgação)

A polêmica se instaurou. Enquanto algumas mulheres ficaram indignadas com a nova norma do Conselho Federal de Medicina, que restringe a 50 anos a idade máxima para que elas se submetam à técnica de reprodução assistida, o órgão já se defende da manifestação popular, explicando a importância da medida. “Nos baseamos em evidências. Essa é uma conclusão voltada para o benefício da saúde da mulher”, explica José Hiran Gallo, coordenador da Câmara Técnica de Reprodução Assistida do CFM, responsável pela análise das atualizações.

De acordo com Gallo, estudos mostram que, acima desta idade, doenças como o diabetes gestacional e a hipertensão, além dos partos prematuros, são mais frequentes e se tornam um risco real para a mãe e para o bebê. A discussão não para por aí. Enquanto a resolução tenta solucionar problemas éticos ligados à fertilização in vitro para os profissionais da saúde, mexe também com os direitos femininos. “É uma plenitude ser mãe aos 50 anos”, afirma a atriz Solange Couto, que engravidou de seu terceiro filho, Benjamin, aos 54 anos, de forma espontânea, mas se manifestou para Marie Claire. “Fui mãe em três fases totalmente diferentes: aos 17, aos 35 e aos 54 anos. Posso garantir que essa é a melhor fase porque estou com uma vida tranquila que não tinha das outras duas vezes”.

Já para a restauratrice Lilian Seldin, de 57 anos, que chegou a dar seu depoimento a Marie Claire, em 2009, a nova regra assusta. “Sei que agora ficará mais difícil, mas eu lutaria por esse meu direito. Ser mãe é uma decisão única da mulher”. Ela não consegue pensar em sua vida sem Patrick, de 3 anos, depois de ela ser submetida à técnica in vitro.

Foco na saúde da mulher

Os médicos, porém, vêem de forma positiva esse ponto da nova resolução. “Não é um julgamento relacionado à questão da mulher, mas, sim, à sua saúde”, afirma Claudia Gomes Padilla, médica especialista em reprodução humana do Grupo Huntington, clínica especializada em fertilização. “Quando uma mulher quer ser mãe, o desejo se torna, muitas vezes, irracional. Por isso, é importante que os médicos sejam regulamentados para orientar e evitar uma gravidez que possa ser de risco”, afirma.

A especialista ressalta, ainda, a “abertura” para pedidos de exceções em determinados casos. A mulher que quiser insistir na briga para fazer valer seu direito poderá conseguir. Quando a clínica e o médico responsáveis pelo caso analisarem que há condições físicas para engravidar nesta faixa etária, será preciso entrar com um pedido nos Conselhos Regionais de Medicina, que avaliarão individualmente. “As clínicas de reprodução assistida certamente poderão nos dar mais subsídios ao longo do tempo. Se percebermos que é necessário aumentar ou diminuir essa idade limite, certamente o faremos”, afirma Gallo.

“Costumo dizer que tenho paciência de avó, com a rigidez de uma mãe”, diz Solange Couto, mãe aos 54 anos

“Tive filhos em três fases diferentes da minha vida: aos 17, aos 35 e aos 54 anos. Na primeira vez, eu era uma menina. Na segunda, já estava mais organizada, mas ainda havia pouco tempo para me dedicar. Hoje, tenho uma vida plena, uma tranquilidade e um olhar diferentes do que eu tinha com os outros bebês. Isso vem com a maturidade. Costumo dizer que tenho paciência de avó, com a rigidez de uma mãe.

Não tive medo por engravidar nesta idade, apenas os receios comuns de toda grávida. Quando fiz o exame e vi que ele estava bem, fiquei tranquila e curti o nascimento. Não tive nenhuma alteração na saúde durante a gravidez. Apenas um pico de pressão alta causado por um aborrecimento, que foi controlado durante um mês e meio. Ser mãe nesta idade me permite a experiência de estar próxima do Benjamin durante toda a sua criação. Algo que não pude ter com meus outros dois filhos.

Fico com receio de que uma regra como essa não permita a uma mulher a experiência que tive. Elas sempre me perguntam se estão velhas demais para serem mães. O que eu digo? Vá ao encontro da sua felicidade, lute por essa maternidade renovada da forma que for. Tenha seu filho, sim. Se não for naturalmente, adote, mas lute.”

“É ruim você proibir uma mulher de realizar um sonho”, Lilian Seldin, mãe aos 53 anos

“Fiquei indignada ao saber desta história. Entendo as preocupações, mas acho que cada médico tem que avaliar se a paciente pode ou não engravidar. Quando decidi ser mãe, aos 53 anos, fui a um especialista e ele analisou as possibilidades. Eu queria muito. A medicina séria não é irresponsável. É ruim você proibir uma mulher de realizar um sonho.

Eu demorei tanto tempo para engravidar porque fui casada com dois homens que não queriam ter filhos. Quando estava esperando o Patrick, nem mesmo vitamina precisei tomar. A idade não importa, mas sim a saúde da mulher. Tem tanta menina com 18 anos que está grávida e passa o tempo todo internada porque tem algum tipo de problema.

Não posso nem imaginar se eu fosse proibida de ter um filho. Dei força a todas as mulheres que queriam realizar esse sonho porque é um direito delas. Como alguém pode proibir o que queremos para a gente. Ser mãe é uma decisão única da mulher.”

Algumas das principais alterações da nova resolução do CFM

IDADE – não havia limite de idade para se submeter às técnicas de fertilização in vitro. Com a nova norma, a mulher deve ter até 50 anos. Acima desta idade, é preciso pedir um parecer ao Conselho Regional de Medicina.

CASAIS HOMOSSEXUAIS – antes, a regulamentação usava a palavra “pessoas”, o que abria a possibilidade de que casais gays realizassem o procedimento. A partir de agora, o texto traz escrita a permissão do uso da técnica em “casais homoafetivos”. No entanto, o médico tem o direito de fazer algum tipo de objeção. “Uma resposta negativa não pode ser considerada preconceito. Realizar o procedimento em casais homoafetivos envolve multiprofissionais como psicólogos, psiquiatras e nutricionistas”, diz o representante do CFM.

DESCARTE DE EMBRIÕES – não estava previsto anteriormente. Eles poderiam ser doados para outros casais ou para pesquisas após três anos do congelamento. Com a nova regra, os embriões criopreservados podem ser descartados após 5 anos, se os pacientes desejarem. A doação para outros casais ou para pesquisas permanece.

Da Marie Claire
Ig
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