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O Haiti, o país mais pobre das Américas, registra um dos piores índices mundiais de mortes de mulheres durante o parto ou devido a complicações na gestação. A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que a cada 100 mil nascimentos, 630 mulheres morrem por complicações na gravidez ou em decorrência de problemas no parto.
Desde 2009, a OMS implementa no Haiti um programa em parceria com o governo na tentativa de melhorar o atendimento às gestantes. De acordo com dados divulgados ontem (1º), quatro em cada cinco mulheres que usam o serviço público de saúde disseram estar satisfeitas com a assistência recebida.
Pelo estudo, no período de 2008 a 2012, 137 mil mulheres grávidas foram atendidas por meio da parceria entre a OMS e o governo do Haiti. O custo total desses atendimentos chegou a US$ 10 milhões. O programa de combate à aids doou ainda US$ 20 milhões para ampliar o atendimento às crianças com até 5 anos.
O atendimento à saúde pública no Haiti é um dos principais desafios do governo do presidente Michel Martelly. Martelly enfrenta ainda as dificuldades causadas pelo terremoto de janeiro de 2010, que destruiu parte do país e matou mais de 220 mil pessoas.
Da Agência Brasil
Nos tratamentos de reprodução assistida, existem alguns casos em que as pacientes precisam de óvulos doados para que seja feita a fertilização. Nesses casos, além de tomar a difícil decisão de aceitar ou não a doação, a mulher ainda sofre com a escassez dos bancos. Segundo Edson Borges, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) e diretor científico da clínica Fertility, de São Paulo, normalmente há filas de espera por óvulos.
Para o especialista, o problema acontece porque a única fonte de óvulos do banco são as próprias pacientes. “No nosso País, não é permitido que mulheres ofereçam óvulos em troca de algum tipo de remuneração. Na Espanha, por exemplo, essa prática é permitida”, explica o médico.
Assim como no banco de espermatozoides, nos quais o casal pode escolher as características do doador, as clínicas disponibilizam às pacientes uma ficha básica sobre a doadora, com informações como cor da pele, dos cabelos, dos olhos, altura e peso. Segundo o Borges, essas características são liberadas porque assim o casal pode escolher uma doadora que seja compatível com as características físicas dos futuros pais. De qualquer forma, o nome da doadora deve ser mantido em sigilo.
Indicações
De acordo com o vice-presidente da SBRA, a fertilização in vitro com óvulos doados é indicada para mulheres que já passaram pela menopausa ou, em alguns casos, pacientes que ainda têm menstruação, mas os óvulos estão com qualidade inferior por conta da idade muito avançada.
Além disso, mulheres que passaram por processos como quimioterapia, radioterapia e retirada de ovário também podem precisar da doação de óvulos para engravidar.
O processo de fertilização in vitro em si não tem alterações. Ou seja, os óvulos são transferidos para uma placa no laboratório, na qual são colocados juntamente com os espermatozoides do marido para que ocorra a fertilização. Os óvulos fertilizados, ou embriões, são analisados quanto a sua qualidade e provável capacidade para se desenvolver e são então transferidos para o interior do útero da mulher.
Do Terra
Em discurso nesta quinta-feira (15), a senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO) pediu atenção para um dos maiores desafios dos sistemas de saúde brasileiro e mundial, a redução da taxa de mortalidade materna. Segundo a senadora, a Organização Mundial de Saúde (OMS) denomina o problema como uma “epidemia silenciosa” que vitima mais de 500 mil mulheres anualmente em todo o planeta.
– Isto significa 1.410 mortes maternas por dia. E, em 99% das vezes, as mortes ocorrem em países em desenvolvimento – ressaltou.
A Organização das Nações Unidas (ONU), acrescentou Lúcia Vânia, incluiu a melhora da saúde da mulher e a redução da mortalidade materna entre as chamadas Metas de Desenvolvimento do Milênio.
A senadora explicou que a mortalidade materna atinge mulheres de 10 a 49 anos devido a complicações na gravidez, no parto e nos primeiros 42 dias de pós-parto.
Lúcia Vânia destacou como uma iniciativa de sucesso o Projeto Trevo de Quatro Folhas, desenvolvido pela Secretaria da Saúde e Ação Social do município de Sobral (CE).
– É uma idéia simples e de baixo custo, que beneficiou milhares de crianças e mães na última década – disse.
A senadora explicou que as protagonistas desse projeto cearense são as “mães sociais”, mulheres da comunidade treinadas por uma equipe com assistentes sociais, psicólogas e enfermeiras. As “mães sociais” percorrem residência por residência orientando as gestantes sobre aleitamento materno, higiene e outros cuidados com a saúde.
– Nos últimos oito anos, a taxa de mortalidade infantil caiu de 29 para 13,6 a cada mil nascidos vivos e há dois anos não há registro de morte materna no município – informou Lúcia Vânia.
A senadora disse ainda que o Projeto Trevo de Quatro Folhas foi premiado na categoria Inovação Social pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe das Nações Unidas (Cepal).
Da Agência Senado
Em um ambiente competitivo, o sucesso profissional é que determina a hora de se tornar mãe, mas especialistas garantem ser possível conciliar. Correio inicia hoje série sobre a presença feminina no mercado.

Antes de ter filhos, Verônica Couto, 28 anos, quer se tornar gerente de marketing e fazer um mestrado. Breno Fortes/CB/D.A Press
Reflexo do aumento da participação feminina no mercado de trabalho, ganha força a opinião de que a hora certa para tornar-se mãe depende, necessariamente, do sucesso profissional. São pessoas que consideram maternidade e carreira duas palavras inconciliáveis, pelo menos durante uma fase da vida ativa. Como a competitividade é alta em grande parte das profissões, a gravidez acaba ficando para depois.
Ter filhos só depois de virar gerente de marketing é o pressuposto definido pela publicitária Verônica Couto, 28 anos, funcionária de um shopping center na Asa Norte. “Meu marido é sete anos mais velho e, por ele, eu já estaria grávida, mas combinei um prazo de cinco anos para conseguir mudar de função”, conta a jovem, que também pretende cursar, nesse período, um mestrado em comportamento do consumidor. Atual coordenadora de marketing do centro comercial, Verônica desconfia da possibilidade de harmonizar a chegada de um filho com a rotina que leva: “Vai ser dividido, o bebê terá 70% do tempo”.
Essa sensação de cisão é normal, de acordo com a coach para gestantes Thirza Reis Sifuentes. “Em alguns momentos, a impressão de não dar conta desespera. A primeira dica é saber que é possível. A segunda, otimizar o tempo e reorganizar a rotina”, orienta a especialista, que ressalta: nada de tentar ser onipotente. “A síndrome da ‘mulher maravilha’ assola muita gente na nossa época, pois nós adquirimos novos papéis na esfera pública, mas não abdicamos do privado. Então, há uma exigência enorme”, diz.
A coordenadora de carreiras da pós-graduação da ESPM, Adriana Gomes, também acredita num meio-termo: “Acho que são conciliáveis, mas as ambições talvez tenham que ser comedidas. Nada impede que a mulher continue trabalhando quando os filhos estão pequenos, porque eles crescem. Mas é um período que exige mais cuidados, mais participação em casa”.
Parece haver uma eterna desvantagem quando o assunto é conciliar filhos e carreira. Em geral, quanto mais realizado profissionalmente o homem, mais chances de casar e ter filhos. Já a mulher, quando chega ao mesmo patamar, não pode parar tudo e correr o risco de perder oportunidades de crescimento. “Por mais que o pai seja presente, tem coisas que são de mãe”, reforça a psicóloga Stela Lobato. É por isso que a palavra de peso maior costuma ser a feminina. A mineira Fernanda Dias Gomes, 30 anos, dona de uma confecção no Jardim Botânico e em Unaí (MG), é taxativa: gravidez só em 2014 ou 2015, quando a empresa estiver mais estabilizada. Casada há sete anos, ela conta que, pelo marido, já teria tido filhos. A atenção à carreira é prioridade para a graduada em moda desde antes da entrada na faculdade, e a ausência de familiares em Brasília estimula o adiamento da maternidade. “Uma empresa nova é como um filho recém-nascido. Dá muito trabalho.”

Campanha das organizações Direct Relief International, Fundação Fístula e o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA)
O mais abrangente mapa dos serviços disponíveis para mulheres que vivem com fístula obstétrica foi lançado hoje (01/03) pelas organizações Direct Relief International, Fundação Fístula e o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA). O lançamento do Mapa Global da Fístula vai ajudar a agilizar a alocação de recursos e aumentar a conscientização sobre a doença.
A fístula obstétrica, uma das lesões mais devastadoras que podem ocorrer durante o parto, é causada pela falta de atendimento qualificado e falta de acesso a cuidados de emergência durante o parto. Altamente estigmatizante, embora na maioria dos casos seja tratável, a fístula é resultado de um trabalho de parto prolongado e obstruído, que causa incontinência urinária crônica à mulher. De acordo com as estimativas atualmente aceitas, existem entre 50 mil e 100 mil casos novos a cada ano.
“Tragicamente, há um número inaceitavelmente alto de casos de fístula. Vemos a partir dos dados reunidos no mapa que o tratamento atual atinge apenas uma fração das pacientes – cerca de 14 mil mulheres em 2010 – sem contar o aumento significativo de casos”, disse o Coordenador da Campanha pelo Fim da Fístula, Gillian Slinger do UNFPA.
O Mapa Global da Fístula é um esforço colaborativo desenvolvido pela organização Direct Relief. Ele destaca mais de 150 unidades de saúde que prestam serviços de reparação da fístula em 40 países da África, Sudeste da Ásia e Oriente Médio. ”O Mapa Global da Fístula é um passo fundamental rumo ao domínio do tratamento da doença. É uma ferramenta dinâmica e poderosa que pode ajudar a acessar os escassos recursos onde são mais necessários no tratamento de mulheres com fístula obstétrica”, disse a Diretora Executiva da Fundação Fístula, Kate Grant.
Acesse o mapa.
Do site da ONU BR
Dados divulgados nesta quinta-feira pelo Ministério da Saúde indicam que o Brasil pode registrar a maior queda, em termos absolutos, na taxa de mortalidade materna desde 2002, quando o país freou uma fase acentuada de redução dessas mortes.
O país está, porém, longe de atingir a meta para 2015, traçada pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 2000.
Segundo levantamento do ministério, foram 870 mortes maternas no primeiro semestre de 2010 e 705 no mesmo período de 2011; uma diminuição de 19%.
Os dados completos de 2011, ainda preliminares, fazem o governo acreditar que o país pode encerrar o ano com uma razão de mortalidade de 63 mortes de mães por cada cem mil crianças nascidas vivas.
Isso significaria uma redução de cinco pontos em relação a 2010, queda que não é registrada pelo Brasil desde 2002 (quando a taxa saiu de 80 para 75), explicou o ministro da pasta, Alexandre Padilha. “Demoramos de 2003 a 2010 para ter uma queda de quatro pontos na taxa de mortalidade materna”, disse.
Enquanto os anos 90 registraram uma acentuada queda nesse indicador, os de 2000 foram quase de estabilidade, o que fez pesquisadores apontarem, em 2011, que o Brasil levaria 25 anos para cumprir a meta da ONU, atingindo o indicador apenas em 2040.
“Temos que intensificar os trabalhos nos próximos anos se quisermos atingir os Objetivos do Milênio de chegar a 35 [mortes maternas por cem mil nascidos vivos] em 2015. [Vemos em 2011 uma] intensificação da curva de redução”, admitiu Padilha.
As principais causas de morte materna são hipertensão gestacional, hemorragia, infecção pós-parto, doenças circulatórias pré-existentes e agravadas com a gravidez e aborto.
Do Ambiental Sustentável
Reportem-se ao ano de 1988. Antes do dia 5 de outubro daquele ano, quando a nossa Constituição Federal foi promulgada e passou a conceder 5 dias de licença do trabalho sem prejuízo do salário a título de licença paternidade, apenas a Consolidação das Leis Trabalhistas – CLT, em seu artigo 473 inciso III, concedia 1 dia apenas, para que o pai pudesse desfrutá-la ao lado de sua mulher, companheira ou não, e filho recém nascido.
Embora a concessão da licença paternidade não fosse uma inovação, posto outros países já a concederem, e até por períodos bem superiores, para nós, a CF/88 trouxe um significativo avanço, principalmente na valorização da família e desse momento mágico – o nascimento de um filho. Uma oportunidade para permitir, também ao pai, o estreitamento de laços de afeto e amor para com o novo membro da família.
A ausência do trabalhador de seu posto de trabalho é um ônus que tem que ser suportado pelos empregadores. Na verdade é licença remunerada e a contagem deve ser iniciada em dia útil a partir da data do nascimento.
Não se pode conceber o direito como sendo um instituto estanque, imutável. Para que seja justo e para que sua efetividade seja aplicável ao contexto social de determinada época, é preciso que acompanhe a evolução dessas relações sociais. De outro modo perderia completamente o seu objeto.
Relações, aliás, que vêm tomando contornos e dimensões jamais pensados, mas que, felizmente, está ganhando respeito e respaldo legal, na mais perfeita tradução de que o Direito, sob suas influências, vem se moldando e evoluindo, com algumas exceções, da mesma maneira.
E não seria diferente ao se tratar da licença paternidade. Já tramita na Câmara dos Deputados um projeto de lei nº 879/2011 que propõe a ampliação dessa licença dos atuais 5 dias para 30 dias.
Atropelando o trâmite legislativo desse projeto de lei, a semana passada foi sacudida por uma inédita e diga-se, muito bem vinda, decisão da MM. Juíza da 6ª Vara Federal de Brasília que concedeu a um policial federal, cuja mulher falecera de complicações pós-parto, antes dos primeiros 30 dias de vida do bebê, o direito de gozar de 120 (cento e vinte) dias de licença paternidade, lastreada no art. 207 da Lei nº 8.112/90 cumulado com o artigo 2º, parágrafo 1º, do Decreto nº 6.690/2008 que dispõe sobre a prorrogação em mais 60 dias à Licença Gestante e à Adotante para servidoras federais, totalizando 180 dias de licença paternidade, como se fora a própria licença maternidade.
A CF/88, em seu artigo 227 estabelece como “… dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança (…) com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, (…) à convivência familiar, (…) além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência …”.
É fato que o Estado reconhece a família como base da sociedade. Mas a família de hoje pouco guarda da estrutura das famílias de outrora, com obrigações individuais bem delimitadas, e pior, sem margem para negociação. Ao homem da casa competia prover o sustento e só. À mulher cabia-lhe todo o resto, inclusive ter tantos filhos quanto o seu marido quisesse.
Hoje, o casal anda em paralelo, um ao lado do outro, ombro a ombro. Ambos trabalham, ambos proveem o sustento dos filhos, a regular educação e ainda se esforçam para proporcioná-los alguns adicionais, na justa medida das exigências da competitividade da vida moderna. Ambos trocam fraldas, acordam no meio da madrugada, acalentam e substituem um ao outro sem qualquer restrição. E sendo assim, na alegria, na bonança, na riqueza da vida, por que não, também, na tristeza, na tempestade, quando já não existe o outro para dividir? O exercício do poder familiar é responsabilidade irrenunciável dos pais, e ainda não se ouviu falar que na falta de um deles, ao sobrevivente não coubesse prosseguir.
No nosso estado democrático de direito cabe ao judiciário, por intermédio de seus entes devidamente legitimados o poder/dever de garantir os direitos fundamentais aos que lhes pedem abrigo jurisdicional. E foi o que aconteceu, ao ser reconhecido, sem hesitação, o equivalente direito desse pai de dedicar-se por 180 dias exclusivamente aos seus filhos, um recém-nascido e outro com apenas 10 anos de idade, após o infortúnio da perda, tão abrupta, da figura materna.
Esse pai, por óbvio, não tem o leite materno, mas tem de sobra o seu amor, o calor do seu corpo, os batimentos de seu coração que serão doados, em dobro, ao seu bebê.
Sem qualquer dúvida, essa simbiose lhes permitirá amenizar a dor pela ausência da sua mulher e mãe.
Katia Dias Freitas é advogada em Brasília
Atos homossexuais podem ser fora da lei no Quênia, mas uma antiga tradição de algumas comunidades permite casamento entre mulheres. A surpresa maior é que isso acontece num país onde líderes religiosos dizem que uniões gays são “não-africanas” – e no qual os que mostram abertamente suas relações enfrentam reações hostis da população.
No entanto, estes casos envolvendo mulheres não são vistos sob o mesmo prisma. Em determinadas comunidades no oeste do país, se uma mulher não tiver filhos, ela assume o que se considera o papel masculino em um novo casamento, oferecendo uma casa para uma mulher mais jovem.
A mulher mais jovem é encorajada a encontrar um parceiro sexual no clã de sua parceira mais velha, para conseguir engravidar. Os filhos, no entanto, serão considerados como filhos do casal de mulheres.
“Eu me casei de acordo com nossa tradição, que diz que se uma mulher não tem a sorte de ter seus próprios filhos, pode encontrar outra mulher para honrá-la com crianças”, diz a queniana Juliana Soi, de 67 anos.
Sentada em uma cadeira na sombra do lado de fora de sua casa de palha em Elburgon, na província do Vale do Rift, ela diz que casou com Esther no início dos anos 1990.
“Crianças são como cobertores”
Esther, que se manteve calada durante toda a entrevista, tem 20 anos a menos que Juliana Soi e, juntas, elas têm cinco filhos.
“Você sabe, crianças são como cobertores. A pessoa precisa ter seu próprio cobertor para não ter que ir à casa do vizinho à noite pedindo o dele, que ele deve estar usando”, diz Juliana.
O arranjo – praticado entre as comunidades quenianas Kalenjin (que engloba os povos Nandi, Kipsigis e Keiyo), Kuria e Akamba – chamou a atenção do poder judiciário recentemente por causa de um caso de herança que foi levado aos tribunais na cidade costeira de Mombasa, a segunda maior do país.
Em uma decisão história, a Suprema Corte reconheceu no ano passado que, de acordo com a lei de costumes sobre casamentos entre mulheres dos Nandi, Monica Jesang Katam poderia herdar a propriedade de sua mulher.
No entanto, parentes da falecida – que era a parceira mais velha da relação – estão desafiando o veredicto. A disputa é por uma grande casa em Mombasa.
Se o apelo dos familiares falhar, um dos filhos, Franklin Chepkwony Soi não terá dificuldades em reivindicar sua herança quando ficar mais velho.
“Eu nasci aqui na casa de Juliana e Esther é minha mãe. Juliana se casou com minha mãe porque ela queria filhos que herdassem sua propriedade”, diz o rapaz de 20 anos.
Mulheres que têm que enfrentar um tratamento de câncer na gravidez podem ficar mais tranquilas quanto ao risco de o bebê ser afetado pela quimioterapia.
Uma série de estudos publicados hoje no periódico “Lancet” mostra que crianças expostas à quimioterapia na gestação se desenvolvem tão bem quanto crianças da população geral.
Uma em cada mil gestações é afetada pela doença, mas a tendência é que essa incidência aumente, já que mais mulheres têm deixado a gravidez para depois dos 30 e o risco de câncer aumenta com a idade.
Uma das pesquisas envolveu 68 mulheres grávidas que tiveram diferentes tipos de câncer e receberam químio, cirurgia e/ou radioterapia.
As crianças foram examinadas logo após o parto e periodicamente até os 18 anos. Os testes incluíam exames neurológicos, eletrocardiogramas, audiometrias e testes de aprendizagem, função cognitiva e atenção.
Os únicos que mostraram um atraso no desenvolvimento cognitivo foram os que nasceram prematuros e, por isso, já tinham maior risco de apresentar essa diferença.
Tratamento
O tratamento da gestante com câncer precisa de cuidados a mais. A químio só deve ser feita após o primeiro trimestre para evitar o risco de malformação do bebê –antes disso, só pode ser feita a cirurgia para retirar o tumor.
A última sessão de químio deve ser feita pelo menos três semanas antes de o bebê nascer. E, como não há estudos sobre os efeitos da radioterapia, é recomendável deixá-la para depois do parto.
Segundo os autores, a estratégia de prorrogar o tratamento para depois do parto não deve ser colocada em prática, assim como antecipar o nascimento para iniciar a quimioterapia. “Isso não ajuda a mãe em nada e, pior, pode causar sequelas no bebê”, diz Max Mano, coordenador do ambulatório clínico de câncer de mama na gestação do Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira).
Da mesma forma, o abortamento não muda o prognóstico da mulher no caso de câncer de mama. Mas, em algumas situações mais graves, isso pode ser discutido, como em câncer de colo de útero, leucemias e linfomas.
Mano afirma ainda que o estudo vai deixar gestantes e médicos mais seguros.
“Muitos médicos têm uma posição conservadora e recomendam o abortamento.”
Segundo Mano, as conclusões são tranquilizadoras. “Parte do medicamento cruza a placenta. Um dos nossos medos era de que o coração do bebê fosse afetado.”
No estudo, foi observado um batimento cardíaco um pouco mais acelerado nessas crianças, mas elas não tinham arritmia ou qualquer outra anormalidade.
Mano afirma, porém, que não se sabe ainda o que vai acontecer quando essas pessoas tiverem 50 anos e um risco cardiovascular maior.
Da Folha.Com
Coluna Saúde
O ultrassom é um dos exames mais solicitados durante o pré-natal, para acompanhar as condições de saúde da mãe e do bebê. O termo ultrassom se refere a ondas sonoras com frequência superior àquela que nós, humanos, somos capazes de ouvir.
Ao entender apropriadamente os princípios físicos dessa tecnologia, o ultrassonografista está apto a otimizar a qualidade da imagem, contribuindo para um diagnóstico de alta qualidade e precisão. Apesar de aparentemente simples, esse exame tão comum ainda gera muitas dúvidas entre as futuras mamães.
Seguem, então, treze perguntas respondidas pelo doutor Victor Bunduki, médico obstetra e especialista em medicina fetal e ultrassonografia do CDB Premium, em São Paulo:
1. O ultrassom é um exame seguro?
Dr. Victor Bunduki – “Sim, é um exame isento de contraindicações tanto para a mãe quanto para o feto. No caso do ultrassom com dopplerfluxometria colorida, que analisa o fluxo sanguíneo em diferentes vasos do corpo humano, recomendamos que seja realizado somente após a 9ª semana de gestação, para maior segurança.
2. É verdade que o feto, ao contrário dos humanos, ouve o som emitido pela tecnologia ultrassom?
Dr. Victor Bunduki – “Não. No ultrassom, lidamos com mais de três milhões de hertz, enquanto o ouvido humano escuta até dois mil hertz. Portanto, essa questão está totalmente descartada.”
3. A partir de quando é possível ter uma imagem do bebê?
Dr. Victor Bunduki – “Como as semanas de gestação são contadas a partir da data da última menstruação, é possível enxergar o embrião a partir da quinta semana – pelo ultrassom transvaginal – ou ainda a partir da sexta semana via suprapúbica. É nessa fase que, apesar de o embrião medir poucos milímetros, podemos identificar e ouvir seus batimentos cardíacos.”
4. Existe um ‘número ideal’ de ultrassonografias recomendado às gestantes?
Dr. Victor Bunduki – “Não há um número ideal. Quem determina os pedidos de exame é o obstetra da paciente, de acordo com as características da gestação. Entretanto, quatro exames seriam o mínimo necessário durante uma gestação normal. O primeiro, para confirmar a gravidez e descartar ou não a gestação gemelar. Ainda no primeiro trimestre, medimos a translucência nucal; no segundo trimestre, é possível realizar uma boa avaliação morfológica; e, no terceiro trimestre, devemos revisar a morfologia e acompanhar o crescimento, a quantidade de líquido amniótico e o aspecto da placenta.”
5. O que significa “translucência nucal”?
Dr. Victor Bunduki – “Trata-se de um exame de rastreamento de alterações genéticas (cromossomopatias) – como a Síndrome de Down, por exemplo – em que medimos a região da nuca do bebê. Em bebês que têm alterações cromossômicas essa medida pode estar aumentada. Esse exame, portanto, não tem finalidade diagnóstica, mas seleciona as pacientes que teriam indicação de estudo do cariótipo (colhido por punção de vilosidade coriônica ou do líquido amniótico).”
6. Em que período da gestação o ultrassom é mais importante?
Dr. Victor Bunduki – “Todos são igualmente importantes. O primeiro exame é muito útil para confirmar a gestação, identificar o local da implantação e determinar a idade gestacional. O segundo, também chamado de morfologia do primeiro trimestre, mede a translucência nucal, conforme mencionado. O terceiro exame morfológico confirma a idade gestacional, avalia o crescimento e, principalmente, a morfologia fetal. Já o quarto tem o objetivo de avaliar o crescimento, a quantidade de líquido e a placenta – além de revisar a morfologia. Isso tudo pode ser realizado também no segundo trimestre, mas existem patologias típicas do terceiro trimestre que podem levar a alterações de líquido e da placenta. Daí a importância de realizar um ultrassom nessa fase da gravidez.”
7. Que doenças podem ser identificadas durante o ultrassom gestacional?
Dr. Victor Bunduki – “São inúmeros tipos de malformações estruturais que podem ser detectados pelo ultrassom. Entre os mais recorrentes estão a hidrocefalia – que é o acúmulo de fluido cerebroespinhal nas cavidades ventriculares do cérebro – e outros distúrbios do sistema nervoso central, além de alguns tipos de malformações cardíacas, entre outras.”
8. Em que casos o obstetra costuma solicitar exames mais sofisticados de ultrassom, como Doppler, 3D e 4D?
Dr. Victor Bunduki – “O ultrassom com doppler é indicado para avaliar a circulação da mãe para o bebê e para checar o fluxo nos vasos internos do bebê. É importante nos casos de diabetes, hipertensão e retardo de crescimento fetal, por exemplo. Já o ultrassom 3D nos permite enxergar as estruturas fetais em três dimensões, melhorando muito a visão da anatomia de superfície, principalmente do rostinho do bebê. Também é muito útil como complemento do ultrassom convencional em caso de diagnóstico de malformações. No 4D, além das imagens bastante reais, também é possível acompanhar os movimentos do bebê.”
9. É possível que o ultrassom cometa erros, indicando problemas inexistentes?
Dr. Victor Bunduki – “Por mais que uma tecnologia ofereça recursos de ponta, o exame depende de um operador passível de cometer falhas. Por isso, além de se recomendar que uma malformação, por exemplo, seja confirmada através de um novo exame, é importante que a gestante realize seus exames em clínicas com boa reputação, principalmente que tenham profissionais especializados em medicina fetal.”
10. Mesmo que todos os exames solicitados estejam aparentemente normais, é possível que uma criança nasça com alguma malformação?
Dr. Victor Bunduki – “É possível, já que a sensibilidade ou taxa de detecção do ultrassom gira em torno de 90% na identificação de malformações estruturais. Sendo assim – e por existirem malformações muito discretas, de difícil identificação – o exame tem suas limitações. Por isso, há casos em que há indicação de um acompanhamento rigoroso, com a realização de exames complementares.”
11. Há casos em que o ultrassom identifica a necessidade de intervenções na hora do nascimento do bebê?
Dr. Victor Bunduki – “Sim, especialmente as cardiopatias e doenças do tórax. Há intervenções que podem ocorrer inclusive no ambiente intrauterino, como transfusões de sangue, derivações (ventriculares, renais), punções de líquido amniótico com finalidade terapêutica, entre outros. Fetos portadores de malformações cardíacas graves devem nascer em um centro de referência provido de UTI neonatal, cardiologistas pediátricos e cirurgiões cardíacos, prontos para atender o recém-nascido cardiopata, dado que desse atendimento depende a sua sobrevida.”
12. Como deve ser a preparação da gestante para o exame de ultrassom?
Dr. Victor Bunduki – “Nos três primeiros meses é necessário que a gestante beba bastante água antes de se submeter ao exame. Pelo menos, entre quatro e cinco copos. Depois da 12ª semana, entretanto, isso não é mais necessário. Vale ressaltar que, ao contrário do ultrassom suprapúbico, o transvaginal é realizado com a bexiga vazia. O gel utilizado durante o exame é o meio ideal para a transmissão das ondas sonoras através da pele e facilitar o deslizamento do equipamento.”
13. A partir de quando é possível saber o sexo do bebê?
Dr. Victor Bunduki – “Apesar de o sexo ser definido no momento da concepção, o órgão genital se desenvolve entre nove e doze semanas de gravidez. Portanto, entre a 14ª e a 16ª semana, dependendo da posição do bebê, é possível identificar o sexo da criança. Quando a criança está sentada sobre as perninhas ou quando está de pernas cruzadas, é mais difícil a visualização de sua genitália – obrigando os pais a terem um pouco mais de paciência para obter essa informação.”








