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Comentários ‘maternidade’

PNAD

A jornalista recifense Rosália Vasconcelos tem 30 anos e faz parte de um perfil cada vez mais comum entre as brasileiras –de mulheres brancas e escolarizadas entre 15 e 49 anos que não tem filhos. E ela conta que não pensa em tê-los.

De acordo com dados da Pnad, em 2013, 38,4% das mulheres de 15 a 49 anos não tinham filho. Entre as mulheres de 25 a 29 anos, no mesmo ano, 40,4% não tinham filho, um aumento de 24% em relação à taxa de fecundidade de mulheres da mesma faixa etária em 2004, quando 32,5% não tinham nenhum filho.

Entre as jovens de 15 a 19 anos, verificou-se que 89,3% não tinham filho em 2013; já no grupo formado pelas mulheres de 45 a 49 anos, 12,5% permaneciam sem filhos.

“Eu não sinto que tenha instinto materno e acredito que a mulher não nasceu necessariamente para ser mãe. É a sociedade diz que a mulher precisa casar e ter filhos”, afirma Rosália.

O fato de não querer ter filhos gerou divergência inclusive no relacionamento longo que Rosália teve. “Ele queria casar e ter filhos e eu não tinha essa vontade.”

Ela conta que essa decisão foi, em grande parte, baseada no seu histórico familiar.

“Minha mãe sempre foi uma mulher da casa, que tinha uma função muito subjugada ao meu pai e à criação dos filhos. Ela se privou da vida e do trabalho por causa da família e eu não quero isso para mim”, afirma a jornalista.

Rosália gosta de viajar e aprecia o seu espírito livre. “Quero ter a possibilidade de um dia, quem sabe, pedir demissão do trabalho e viajar. Se eu tivesse um filho não teria essa possibilidade”.

Primeiro a formação e a casa própria, depois o(s) filho(s)

Já a professora de Educação Física Danielle Zarantoniello, 33, de Santo André (SP), se encaixa no perfil da brasileira que espera para engravidar depois de ter uma carreira consolidada e uma condição financeira melhor.

No sexto mês de gestação de duas meninas, ela e o marido, com que está casada há seis anos, resolveram terminar os estudos e comprar um apartamento antes de assumirem a posição de pais.

“Esperei passar o período probatório dos cargos públicos que ocupo. Além disso, decidimos, eu e meu marido, terminar a pós-graduação e quitar o apartamento antes da chegada dos bebês. Como a minha família tem histórico de gêmeos, sempre tive a certeza que esperaria duas crianças em vez de uma”, diz.

Entre as amigas, Danielle vê que não está sozinha na decisão de adiar a maternidade. “Tenho amigas na mesma idade que ainda estão esperando alcançar outros objetivos antes de serem mães”.

O único plano que a professora deixou de lado pela gestação foi o mestrado. “Mas a maternidade não vai me impedir de fazer (o mestrado). Quando elas tiverem com uns quatro anos, pretendo tentar”.

Do UOL

Maria Fernanda Rizzo – Divulgação

A professora de educação física Maria Fernanda Rizzo, 35, sofria com a jornada dupla de profissional e mãe em 2007, quando identificou uma oportunidade de negócio: produzir para fora as papinhas orgânicas que fazia em casa.

“Todos os dias à noite, quando chegava em casa depois do trabalho, eu preparava papinhas orgânicas para minha filha. Até que me perguntei se não havia alguém que as vendesse. Pesquisei e vi que tinha em outros países, mas não no Brasil”, conta.

Hoje, sua empresa produz 30 mil refeições por mês, que são comercializadas em 40 pontos de venda no país. A rede faturou R$ 1,1 milhão no primeiro semestre de 2014 e espera chegar à marca dos R$ 2 milhões até o fim do ano.

A professora precisou de R$ 600 mil e de um ano e meio de preparação antes de abrir o negócio para aprender sobre o mercado de orgânicos e escolher o modelo de produção. As refeições são congeladas sem conservantes em um processo que garante validade média de seis meses.

“O produto sai a 100°C do fogo e vai a -30°C em quarenta minutos. Depois disso, é rotulado e embalado. É um processo controlado que mantém as características da comida fresca”, afirma.

Entre papinhas e sopinhas, a empresa oferece 27 sabores, como a de banana, a de manga ou a mistura de cenoura, maçã, mamão e beterraba. Os preços, de porções de 100 g, vão de R$ 6,60 a R$ 8,55.

Rizzo conta que seu público-alvo são mulheres das classes A e B que trabalham fora e já conhecem ou consomem alimentos orgânicos, por isso, procuram essa opção para seus bebês.

Ela também criou uma linha de alimentos congelados para a família, que vêm em porções individuais de 100 g a 500 g e custam de R$ 6,75 (arroz integral 250 g) a R$ 34 (panqueca de frango com molho de tomate 500 g).

Orgânicos no Brasil ainda são nicho e fornecedor é dificuldade

De acordo com dados do IPD (Instituto de Promoção do Desenvolvimento), entidade que acompanha o mercado de orgânicos no país, o setor cresce de 30% a 40% ao ano desde 2012.

Apesar da expansão das vendas, o mercado de orgânicos ainda é pequeno e não atinge a clientela de massa, aponta o coordenador do IPD, Ming Chao Liu.

O consumidor que procura as papinhas orgânicas é aquele que já busca produtos mais saudáveis para sua alimentação e está disposto a pagar mais por isso. Uma papinha industrializada de marca conhecida pode ser encontrada nos mercados a partir de R$ 3,35 (pote com 120 g), enquanto a sua versão orgânica custa R$ 6,60.

Além disso, a diversidade dos produtos orgânicos é menor conforme o momento do ano. Assim, nem sempre o cliente tem disponível o sabor que quer comprar. “Muita gente acha que é só não ter agrotóxico, mas é respeitar o ciclo da terra, não usar fertilizantes nem outros produtos químicos para aumentar a produtividade”, afirma Liu.

A falta de matéria-prima também é um risco do negócio, segundo Liu. “Regularidade de fornecimento e qualidade são as principais dificuldades. A maioria dos produtores de orgânicos atuam em pequena escala e de maneira pulverizada. Dessa forma, não conseguem fornecer grandes volumes.”

Oferecer outros produtos saudáveis é alternativa de crescimento

Karyna Muniz, consultora do Sebrae-SP (Serviço de Apoio à Micro e Pequena Empresa de São Paulo), considera o setor promissor. O interesse de grandes empresas, como a Jasmine, que passou a vender papinhas orgânicas no país em julho, é prova disso, segundo ela.

Como o negócio atinge um público segmentado, a consultora indica como alternativa de crescimento da empresa investir em alimentos que tenham sinergia com as papinhas orgânicas. “Se os pais se preocupam em oferecer alimentos saudáveis para a criança, é natural que eles procurem isso para si. A empresa que tiver um portfólio completo tem mais chances de sucesso.”

Onde encontrar:

Empório da Papinha: www.emporiodapapinha.com.br

Jasmine: www.jasminealimentos.com

Do Uol Economia

Leite materno

Descobrir como o Brasil tem sido tão bem sucedido com bancos de leite é o gol da pediatra americana Lisa Hammer, que junto com outros profissionais de saúde da Universidade de Michigan (UM), estiveram no Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz). Este é um exemplo de inovação reversa, com parceiros internacionais da universidade, fornecendo modelos de sucesso que podem ser implantados no sistema de saúde da UM. O sistema de banco de leite humano brasileiro é o principal responsável por um declínio de 73% na mortalidade infantil nas últimas duas décadas.

Nos Estados Unidos, o sistema de banco de leite fica muito aquém da demanda e basicamente não é regulado. “Aqui o leite materno é vendido por U$ 4 por Oz (0.118 L). É uma barreira significativa e no Brasil essa barreira foi removida”, explica Lisa Hammer, uma das profissionais que estiveram no Instituto. Para a coordenadora de Produto e Qualidade da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano do IFF, Danielle Aparecida da Silva, os EUA têm um modelo que não tem a responsabilidade da amamentação, não tem a prática da amamentação, a não ser o dia a dia, e este foi o grande diferencial. “Saber como grande parte da população amamenta, como manter os níveis elevados e como a amamentação ajudou a diminuir a mortalidade infantil foi o que atraiu a atenção da UM. Consequentemente, eles se interessaram em como trabalhamos o leite humano como um fluido funcional. Eles vieram em busca de como manipular o alimento”, explica.

O Brasil é conhecido internacionalmente pela sua rede bem organizada, com bom custo-benefício, regulamentação dos bancos e ampla aceitação social de práticas de aleitamento materno e doação de leite humano. “Os EUA chegaram até nós por meio do Prêmio Sasakawa de Saúde. Esta premiação veio justo pelo diferencial que temos. Não somos somente um banco de leite, onde a mãe o deposita e nós distribuímos. Também começamos a trabalhar a promoção e o incentivo ao aleitamento materno. Não vemos o leite humano como um medicamento. Conseguimos manter um padrão de qualidade de um alimento funcional e com isso trazemos a tecnologia de alimento e a adaptamos para manter características que não vão servir somente a um bebê, mas a diversas necessidades de vários bebês”, comenta Danielle.

O leite materno doado para um banco passa por um processo de seleção, classificação e pasteurização e é então distribuído aos bebês internados em unidades neonatais. “O alimento vai ajudar no sistema imunológico, no crescimento e desenvolvimento e auxilia também em aspectos probióticos. Ou seja, temos um cuidado maior com esse leite, pegamos todas as características dele para suprir as necessidades de cada bebê”, esclarece a coordenadora.

A rede brasileira também fornece educação e treinamento para os funcionários de bancos de leite, realiza pesquisas sobre a metodologia do leite doado e o controle de qualidade humana, divulga informações sobre bancos de leite e colabora com o governo nacional na concepção de políticas de saúde pública. A Universidade de Michigan foi a primeira faculdade de medicina americana interessada na colaboração com a rede de banco de leite brasileiro, e se uniu ao Brasil para saber mais sobre este sistema exclusivo e quem sabe implantá-lo nos EUA.

A delegação incluiu médicos, enfermeiros, nutricionistas, consultores de lactação e estudantes de saúde pública da UM. Eles trabalharam diretamente com os colaboradores para adquirir experiência prática e desenvolver projetos internacionais com foco em aleitamento materno, leite humano e nutrição infantil. Esta semana experimental deve começar a definir o cenário para uma parceria internacional, que potencialmente será que um exemplo de como a colaboração global pode melhorar a saúde infantil em todo o mundo.

Do EBC

Arte RatoFX

Arte RatoFX

A Câmara dos Deputados lançou, no último dia 22, uma nova enquete, para saber o que os brasileiros pensam sobre a possível limitação do número de cesarianas realizadas no Brasil. A redução do número de partos cirúrgicos (cesarianas) aos patamares indicados pelo Manual de Boas Práticas de Atenção ao Parto e o Nascimento da Organização Mundial de Saúde (OMS) está prevista em projeto de lei apresentado pelo deputado Jean Wyllys (Psol-RJ) que pretende instituir o parto humanizado no País e combater práticas definidas no texto como “violência obstétrica”.

A pergunta da enquete é: “Você concorda com a proposta de limitar o número de cesarianas no País à média recomendada pela OMS, atualmente de 15% dos partos?”.

De acordo com a pesquisa Nascer no Brasil, coordenada pela Fiocruz, em parceria com diversas instituições científicas nacionais, e divulgada em maio deste ano, a cesariana é realizada em 52% dos nascimentos. No setor privado, o índice é de 88%.

Direitos da mulher

No Projeto de Lei 7633/14, Wyllys define os direitos da mulher durante a gestação e o parto – inclusive nos casos de aborto – e as obrigações dos profissionais de saúde. Trata também dos direitos do feto e do recém-nascido.

A proposta associa assistência humanizada a procedimentos como interferência mínima da equipe médica, preferência por métodos não invasivos e utilização de medicamentos e cirurgias somente quando estritamente necessário.

Por outro lado, define como violência obstétrica atitudes como “tratamento desumanizado, abuso de medicalização e patologização de processos naturais, que causem a perda de autonomia e da capacidade das mulheres de decidir livremente sobre seus corpos e sua sexualidade”.

Entre os dias 1º e 21 deste mês, a proposta já gerou 133 comentários no portal Câmara Notícias. Em uma enquete mais genérica – “Você concorda com esta proposta?” –, os resultados mostram que, entre 3.433 respostas, 76,81% (2.636) apoiam o projeto.

O texto ainda garante à mulher o direito de receber da equipe de saúde todas as informações sobre gestação, diferentes formas de parto e amamentação. E obriga médicos e demais profissionais de saúde a dar prioridade à assistência humanizada no nascimento.

Controle de cesarianas

Realizar cesariana sem indicação clínica real ou submeter a mulher a procedimentos invasivos desnecessários ou humilhantes também constam como formas de ofensa. O projeto prevê a criação, por meio de portarias, de comissões de monitoramento dos índices de cesarianas e de boas práticas obstétricas (CMICBPO), com o objetivo de fiscalizar o cumprimento desses índices e controlar a violência obstétrica no País.

O texto estabelece que os limites para essas cirurgias deverão ser seguidos pelas instituições ou estabelecimentos obstétricos públicos ou privados de saúde suplementar, a não ser nos casos de hospitais-maternidades de renomada referência setorial que possuam maior demanda de atendimentos de alto risco, que deverão determinar seus próprios índices.

Da EBC

Vaga para gestante

Está pronto para ser incluído na pauta da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado projeto que torna obrigatória a reserva de vagas em estacionamentos públicos para gestantes e mães com crianças de até um ano e meio de idade.

De autoria do senador Anibal Diniz (PT-AC), a proposta (PLS 520/2013) altera a Lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000, que já reserva 2% das vagas em áreas próximas dos acessos de circulação de pedestres para veículos que transportem pessoas com deficiência com dificuldade de locomoção. Além de estender o benefício às gestantes e mães com crianças pequenas, o projeto também amplia a demarcação de vagas para 3% do total daquelas existentes em vias públicas.

Segundo o autor, ao disciplinar a reserva de vagas para o grupo específico, o projeto considera a dificuldade de locomoção a ele inerente, medida pelo esforço e pelo cansaço decorrente de sua condição física.“Não se pode negar que o carregamento de peso extra, representado pela criança na barriga ou no colo, aumenta sensivelmente o esforço que é necessário empreender para deslocar-se”, observa Anibal.

Em apoio à proposta, a relatora, senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), lembra que assembleias estaduais e câmaras municipais já vêm adotando leis semelhantes. “A proposição ecoa preocupação generalizada de política urbana”, disse a parlamentar em seu parecer.

A decisão da CDH terá caráter terminativo, ou seja, se o projeto for aprovado, poderá seguir diretamente para a Câmara dos Deputados, sem passar por votação no Plenário do Senado.

Da EBC

Usando marcadores genéticos, teste consegue antever se grávidas que tiveram contrações antes do tempo entraram mesmo em trabalho de parto.

Atualmente, grávidas com contrações antes da hora não têm como prever se terão bebês prematuros (Foto: BBC)

Especialistas canadenses desenvolveram um exame de sangue que pode prever as chances de uma mulher grávida, que sofre contrações antes do tempo, de ter um bebê prematuro.

Cerca de 5% das mulheres que começam a ter contrações antes das 37 semanas de gravidez dão à luz em até 10 dias, afirmam os especialistas, em pesquisa publicada na revista científica PlosOne.

Atualmente, mulheres com contrações antes da hora não têm formas confiáveis de saber se estão prestes a entrar em trabalho de parto ou se as contrações vão parar.

Em algumas ocasiões, são realizados esfregaços vaginais, mas esses testes muitas vezes podem acusar resultados errados.

O teste de sangue desenvolvido por pesquisadores do Mount Sinai Hospital, em Toronto, foi capaz de prever partos prematuros em 70% dos 150 casos analisados em um hospital na Austrália.

O cientista Stephen Lye explica que o exame de sangue se baseia na busca por marcadores genéticos ligados ao parto.

“Os dados indicam que marcadores no sangue de mulheres com contrações antes da hora são capazes de indicar as chances de elas darem à luz prematuramente ou não”, disse Lye.

“Isso trará benefícios para as mães, para o bebê e para o sistema de saúde”, acrescentou.

O exame será testado em um hospital em Toronto e deve estar disponível no mercado em cinco anos.

Do G1

Arte RatoFX

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O Ministério Público Federal em Piracicaba (MPF/SP) recomendou à direção do Hospital Unimed de Limeira que apure denúncias de violência contra a mulher durante o parto. O MPF recebeu relatos de que os médicos deste local seriam os responsáveis pelas irregularidades. As agressões consistiriam em violência moral, especialmente o menosprezo pelo sofrimento da paciente, e realização desnecessária de exames invasivos.

Em reposta à ocorrência, a Unimed de Limeira limitou-se a negar os fatos, sem apresentar comprovação de que tenha conduzido qualquer procedimento para apurar as denúncias ou evitar que tal situação ocorra.

O MPF também recomendou que o hospital afixe em todas as salas de parto e de espera de parturientes um cartaz que alerte que a violência física ou moral durante o parto viola os direitos das mulheres. Além disso, o cartaz deve indicar a quem as denúncias devem ser encaminhadas: à direção do hospital, à Agência Nacional de Saúde e ao Ministério Público Federal.

O MPF recomendou ainda a realização de uma palestra ou curso de capacitação destinado a todos os médicos, enfermeiros e profissionais de saúde do hospital, a fim de informá-los e conscientizá-los sobre a gravidade das ocorrências de violência no parto. Somente em 2010, segundo pesquisa da Fundação Perseu Abramo, uma em cada quatro mulheres brasileiras sofreram violência durante o nascimento de seus filhos.

A direção do hospital tem o prazo de 30 dias, contados a partir de 29 de abril, para apresentar cronograma com as providências a serem tomadas acerca das recomendações, de autoria do procurador da República Edilson Vitorelli Diniz Lima.

Da EBC

Arte RatoFX

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Mais de 800 mulheres morrem todos os dias devido a complicações na gravidez e no parto, mostra a Organização Mundial da Saúde (OMS) em dados divulgados hoje (6). A mortalidade materna, no entanto, registra redução de 45% desde 1990.

Segundo a OMS, 289 mil mulheres morreram em 2013 devido a complicações relacionadas à gravidez e ao parto. Em 1990, foram 523 mil mortes.

A quase totalidade das mortes maternas (99%) ocorre em países em desenvolvimento e um terço do total é regitrado em apenas dois países: a Índia (50 mil) e a Nigéria (40 mil). De acordo com a OMS, a região mais perigosa para se ter um filho é a África Subsaariana.

A taxa de mortalidade materna nos países em desenvolvimento em 2013 foi 230 por 100 mil nascimentos, enquanto nos países desenvolvidos foi 16 por 100 mil nascidos vivos.

A organização, sediada em Genebra, alerta para as grandes disparidades entre os países – com alguns registrando taxas de mortalidade materna extremamente elevadas, de 1.000 por cada 100 mil nascidos vivos – e também entre pobres e ricos dentro de alguns países.

Outro estudo da agência da ONU para a saúde, publicado hoje na revista The Lancet Global Health revela que uma em cada quatro mortes se deve a complicações previamente existentes, como diabetes, HIV, malária ou obesidade, cujos impactos são agravados pela gravidez.

Um quarto das mortes deve-se a hemorragia severa. Outras causas identificadas são a hipertensão induzida pela gravidez (14%), as infeções (11%), obstruções e outras complicações no parto (9%), complicações relacionadas com o aborto (8%) e coágulos sanguíneos (3%).

“Juntos, os dois relatórios destacam a necessidade de investir em soluções comprovadas, como cuidados de saúde de qualidade para todas as mulheres durante a gravidez e o parto, e cuidados especiais para grávidas com problemas clínicos pré-existentes”, disse a diretora-geral adjunta da OMS para a Saúde da Família, Mulher e Criança, Flavia Bustreo, citada em comunicado da OMS.

Outro alerta da organização é sobre a falta de dados rigorosos relacionados à mortalidade materna. Apesar de ter aumentado o conhecimento sobre o número de mulheres que morrem e as razões das mortes, muitos dados ainda não são registrados. “Trinta e três mortes maternas por hora são 33 mortes a mais”, disse o diretor de Saúde, Nutrição e População do Banco Mundial, citado no comunicado.

“Precisamos documentar cada um desses acontecimentos trágicos, determinar as suas causas e iniciar ações corretivas urgentemente”, acrescentou Bustreo.

Da EBC

Dra. Rachel Reis, ginecologista e obstetra, foi entrevistada ao vivo pelo Repórter Brasil. Ela critica a falta de habilidade dos médicos em fazer o parto da forma natural

Da EBC

Ato silencioso no Hospital Maternidade Maria Amélia Buarque de Hollanda – Foto Agência Brasil

Um grupo de mulheres a favor da humanização do parto, com o apoio de ativistas e de profissionais de saúde, fez sábado (19) um ato silencioso no Hospital Maternidade Maria Amélia Buarque de Hollanda, no centro da capital fluminense. A manifestação dá continuidade a uma série de atividades que vêm ocorrendo desde o ano passado, quando foram realizados os primeiros protestos nacionais. Este ano, as ações envolvem 34 cidades.

O Brasil tem a mais alta taxa de cesarianas do mundo: o número de cirurgias aumentou de 37,8% para 52,3% entre 2000 e 2010. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que essa taxa seja 15%, tanto na rede pública, quanto na privada.

“O nosso ato é para apoiar neste local [Maternidade Maria Amélia Buarque de Hollanda] todos os profissionais que lutam para que a mulher seja protagonista do seu trabalho de parto e, isso faz com que as cesáreas feitas por conveniências médicas não aconteçam”, destacou a funcionária pública Paula Inara, de 38 anos, uma das coordenadoras do Movimento pela Humanização do Parto.

Segundo a médica e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Maria do Carmo Leal, o número de cesarianas está aumentando a cada ano, na contramão do que acontece em países desenvolvidos, como os na Europa, onde não ocorre a prática indiscriminada de partos cirúrgicos. “Nos Estados Unidos, que têm um modelo de atenção um pouco parecido com o nosso, eram 33% de cesáreas e agora estão com 31%, porque estão fazendo um imenso esforço para diminuir essa taxa.”

Em março de 2014, Maria do Carmo lançará a pesquisa Inquérito Nacional sobre Parto e Nascimento, feita nos últimos três anos em todo o país. O documento vai descrever como é a assistência ao parto; quais são as intervenções que vêm sendo feitas sobre o parto vaginal; qual é a aprovação de cesáreas; como a decisão pela cesárea está sendo feita no Sistema Único de Saúde (SUS) e na rede privada. “É uma pesquisa muito grande, que também vai contemplar os resultados sobre como o parto é feito, sobre a mãe e o recém-nascido.”

O Movimento pelo Parto Humanizado também se solidariza com as mães que perderam quatro bebês de cesariana no início do ano na Maternidade Maria Amélia e pede que as causas sejam apuradas rapidamente. O movimento afirma ainda que não é contra as cesarianas. Apenas considera que elas devem ser feitas quando há indicação clara e real para mãe ou para o bebê e não de forma indiscriminada, como tem sido feita no país.

Segundo a enfermeira obstétrica Mara Libertad, que acompanha partos normais em casa e trabalha junto ao Movimento pela Humanização do Parto, o que a maternidade faz é o recomendado pelo Ministério da Saúde como mais adequado para as mulheres em trabalho de parto. “Ela tem acompanhamento em uma sala individual, com recursos para o alívio da dor, e direito ao acompanhante, reconhecido por lei.”

Da Agência Brasil

Ig
dezembro 2014
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