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Comentários ‘Marina Silva’

Marina Silva por Renata Castelo Branco

Marina Silva, ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente, participou do “Poder e Política”, projeto do UOL e da Folha conduzido pelo jornalista Fernando Rodrigues. A gravação ocorreu em 26.fev.2012 no estúdio do UOL em Brasília.

Narração de abertura: Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima tem 55 anos. Já foi senadora da República, ministra do Meio-Ambiente e candidata a presidente da República.

Marina Silva nasceu em uma pequena comunidade chamada Breu Velho, no Seringal Bagaço, localidade situada na zona rural de Rio Branco, capital do Acre. Aos 16 anos, mudou-se para a zona urbana para tratar da saúde, fragilizada por doenças como malária e hepatite. Nessa idade, aprendeu a ler, trabalhou como empregada doméstica e também dedicou-se à religião.

Filiada ao PT, Marina disputou sua primeira eleição em 1986, para deputada federal. Perdeu. Depois, em 1988, foi eleita vereadora em Rio Branco. Foi quando sua carreira política deslanchou. Na eleição seguinte, de 1990, elegeu-se deputada estadual. E, em 1994, aos 36 anos, tornou-se senadora, cargo para o qual foi reeleita em 2002.

Marina Silva foi ministra do Meio Ambiente do ex-presidente Lula de 2003 a 2008. Pediu demissão do cargo por discordar de políticas do governo petista. Filiou-se ao Partido Verde e disputou a eleição presidencial de 2010 contra a candidata do PT, Dilma Rousseff. Marina foi derrotada, mas ficou em 3º lugar com 19,6 milhões de votos.

Agora, em 2013, fora do Partido Verde, Marina Silva tenta fundar uma nova sigla… chamada “Rede Sustentabilidade”. Se a “Rede” ficar pronta, Marina pode disputar a Presidência da República pela legenda em 2014.

Folha/UOL: Olá internauta. Bem-vindo a mais um “Poder e Política – Entrevista”.

Este programa é uma realização do jornal Folha de S.Paulo e do portal UOL. E a gravação é realizada aqui no estúdio do Grupo Folha, em Brasília.

A entrevistada desta edição do Poder e Política é a ex-senadora, ex-ministra, ex-candidata à presidente da República, Marina Silva.

Folha/UOL: Como vai, Marina, tudo bem?

Marina Silva: Tudo bem, Fernando.

Folha/UOL: Começo perguntando uma questão de gênero. O novo partido que está sendo criado deve ser tratado por nós como a Rede ou o Partido Rede Sustentabilidade? Masculino ou feminino?

Marina Silva: É. Eu acho que a Rede.

Folha/UOL: É?

Marina Silva: A Rede. É.

Folha/UOL: Seria, assim, no feminino, então. A Rede, sempre.

Marina Silva: A Rede. É.

Folha/UOL: Está certo.

Marina Silva: Porque, inclusive, já…

Folha/UOL: Então, “o partido [a Rede]“, né?

Marina Silva: É. Mas vai quebrando o paradigma, né?

Folha/UOL: Está certo. Então, feminino. E, dois, outra dúvida que eu tenho, os jornalistas têm essa dúvida: Quem é do partido PT, é petista. Do PMDB, pemedebista. Do PSDB, peessedebista. Quem é da Rede é o que? Redista? Como a gente poderia chamar?

Marina Silva: É, isso é ainda uma indagação que até o meu filho, que trabalha com programação, me fez. “Mãe, como é que vai ser isso?” Eu digo, as pessoas vão ser criativas o suficiente para encontrar um caminho. Ou, pelo menos, vão nos chamar de “os redes”.

Folha/UOL: Os redes?

Marina Silva: [risos]

Folha/UOL: Essa seria uma forma aceitável, você acha, do grupo que foi composto?

Marina Silva: É. Eu acho que soa bem, não é?

Folha/UOL: É. Muito bem. Como é que está a coleta de assinaturas para a formação do partido?

Marina Silva: Bem, nesse momento em que a gente ainda está no processo de registro junto ao TSE [Tribunal Superior Eleitoral], ainda é um esforço de mobilização muito espontâneo. Mas várias iniciativas estão sendo tomadas e, sobretudo, das pessoas que entram no nosso site, o www.brasilemrede.com.br, e baixam a ficha e estão encaminhando para os endereços mais próximos.

Folha/UOL: Eu soube que, num primeiro momento, cerca de 20 mil fichas foram baixadas. Tem alguma atualização desse número?

Marina Silva: Nesse momento, eu não tenho essa atualização. Mas é uma grande quantidade que já foi baixada e a busca que as pessoas estão fazendo. Eu estou medindo um pouco isso nas minhas caminhadas. Geralmente, as pessoas são muito respeitosas, mas quando, agora, depois do sábado que foi lançada a Rede, uma boa parte passa e diz: “Como é que eu faço para ajudar? Conte comigo”. E várias pessoas estão manifestando espontaneamente o desejo de contribuir com as assinaturas.

Já tivemos um ato aqui, na Feira do Guará, sábado aqui em Brasília. Em São Paulo também, lá na Av. Paulista. E em Minas Gerais já está programado. Em vários lugares, as pessoas já estão fazendo. E não só, digamos assim, pelos grupos mais ligados à Rede, mas iniciativas espontâneas também de pessoas que não são fundadoras ou que não estão diretamente ligadas.

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Marina Silva por Renata Castelo Branco

Segundo os organizadores da legenda, a Rede Sustentabilidade é uma inovação na política.

O novo partido da ex-senadora Marina Silva foi lançado neste sábado (16) em Brasília. E a novidade começa pelo nome da legenda.

O novo partido foi criado, segundo os organizadores, como uma inovação na política. Tanto que nem a palavra partido faz parte do nome. Por aclamação, ele se chamará Rede Sustentabilidade ou, simplesmente, Rede.

A Rede tem na ex-senadora e ex-ministra do Meio-Ambiente, Marina Silva, seu principal nome.

A convenção reuniu integrantes de movimentos sociais e parlamentares que hoje estão filiados a outros partidos e que, no futuro, devem fazer parte da nova sigla.

O estatuto, ainda provisório, prevê apenas uma reeleição para os futuros parlamentares, um teto para doações ao partido e transparência online durante as campanhas eleitorais.

O partido não pretende aceitar financiamento das indústrias ligadas à produção de armas, agrotóxicos, bebidas e cigarros.

Segundo integrantes da organização da Rede, o partido precisa agora de quase 560 mil assinaturas, em nove estados da federação, para conseguir o registro junto ao Tribunal Superior Eleitoral. Essas assinaturas têm que ser coletadas até outubro deste ano, para que a Rede possa participar das eleições de 2014.

Na coletiva, Marina Silva disse que, por enquanto, a Rede não está alinhada a nenhuma força política. “Quando me perguntam se eu sou oposição à presidente Dilma, eu digo: ‘nem oposição, nem situação. Eu assumo posição’”, disse.

Do G1

Ex-ministra do Meio Ambiente disse que humanidade vive o ‘mal do excesso’. Paineis de discussão ocorrem no Forte de Copacabana, no Rio.

A ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, durante painel de discussão do TEDxRio+20, no Forte de Copacabana. (Foto: Lilian Quaino/G1)

A ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, emocionou o público do TEDxRio+20 ao falar sobre seu passado nos seringais. Na tarde desta segunda-feira (11), no Forte de Copacabana, ela disse que é preciso separar ética de política e pôr fim ao projeto de poder pelo poder e do dinheiro pelo dinheiro. “Isso nos transforma em exterminadores do futuro”, disse.

Durante o painel “Da ignorância à sabedoria”, Marina afirmou que desenvolvimento sustentável não é apenas a criação de uma forma de energia mais limpa, mas sim, uma nova maneira de ser.

“É preciso valorizar o ser, e não o ter. Vivemos o mal do excesso, o que nos falta é ‘a falta da falta’. Estamos consumindo nosso planeta. A humanidade tem de se reencontrar com sua infância civilizatória. O modelo sustentável é usar com sabedoria recursos de milhares de anos”.

Marina disse que diante da crise que o mundo vive, econômica, social, ambiental e política não vale perguntar se estamos otimistas ou pessimistas. “Temos de ser persistentes. O ser humano tem a capacidade incrível de acreditar criando, não de forma ingênua, como num pensamento mágico, mas criando o futuro que queremos”.

Do G1

#VetaDilma - Arte RatoFX

“O novo Código Florestal aprovado pela Câmara é tudo, menos “florestal”, escreve Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, 27-04-2012.

Segundo a ex-ministra, “a presidente Dilma terá que decidir qual modelo de desenvolvimento quer para o país. Não dá para ter na mesma base de apoio o sonido da motosserra e o canto do uirapuru. Agora, resta a ela usar seu poder de veto ou compactuar com o que está posto. Chegou a hora da verdade. Veta, Dilma. Veta tudo, não pela metade”.

Leia o artigo.

Algo está muito errado quando a maioria dos parlamentares, na contramão da vontade da maioria da sociedade, prefere um modelo de desenvolvimento que, em razão do lucro rápido, compromete o futuro do próprio país.

O novo Código Florestal aprovado pela Câmara é tudo, menos “florestal”. Virou uma regulamentação de atividades econômicas no campo, nas cidades e nos litorais, de forma a dourar a pílula e apaziguar consciências. Está longe de representar equilíbrio, sustentabilidade, respeito às pessoas e aos bens do país.

O que saiu do Senado, tido como de “consenso”, já ignorava o parecer das autoridades científicas e de especialistas de diversas áreas. Em nome dele, lideranças de quase todos os partidos classificaram como “radicais” as vozes críticas que defendiam as salvaguardas da legislação ambiental, capazes de garantir a qualidade de vida das gerações presentes e futuras.

As mesmas lideranças, porém, contemplaram os interesses verbalizados pelas outras vozes mais radicais de um Brasil atrasado, que se recusam a entender que desenvolvimento econômico e preservação ambiental são indissociáveis.

Tais escolhas colocam a presidente Dilma diante da tarefa de fazer o que sua base de apoio não fez. Veremos debates nos próximos dias, principalmente sobre o que deve ser vetado. A discussão será algo do tipo: o quão menos ruim o projeto pode ser para não ter um caráter imediatamente fatal.

Como foi aprovado no Congresso, já é praticamente unânime que ele trará implicações nas taxas de desmatamento. Discutir o veto parcial é como avaliar se desejamos colapsar os nossos ecossistemas (e, com isso, inviabilizar nossa agricultura) em 10 ou 20 anos.

O veto deve anistiar os desmatadores ou desobrigar a recomposição de matas ciliares? Deve ser pelo fim dos mangues ou pela redução de reserva legal? Fragilizar as veredas ou as nascentes e mananciais?

Não é isso que deveríamos discutir. Temos todas as condições de liderar o processo de transição para o desenvolvimento sustentável. O Brasil pode ser para o século XXI o que os Estados Unidos foram para o mundo no século XX. Mas são necessárias visão antecipatória e determinação de perseguir nosso destino de grande potência socioambiental. Não é fácil fazer a melhor escolha, porém é na pressão dos grandes dilemas que se forja a têmpera dos que estão afiados a talhar os avanços da história.

A presidente Dilma terá que decidir qual modelo de desenvolvimento quer para o país. Não dá para ter na mesma base de apoio o sonido da motosserra e o canto do uirapuru. Agora, resta a ela usar seu poder de veto ou compactuar com o que está posto. Chegou a hora da verdade. Veta, Dilma. Veta tudo, não pela metade.

Do Instituto Humanitas Unisino

Marina Silva

A ex-presidenciável Marina Silva usou o Fórum Social em Porto Alegre para tentar romper o isolamento, se contrapor ao governo Dilma Rousseff e buscar apoio para uma nova candidatura ao Planalto em 2014.

Em ritmo de campanha, participou de sete debates e divulgou seu movimento “Nova Política”, embrião do partido que, segundo aliados, pretende fundar para disputar a Presidência de novo.

Nas falas, fez várias referências aos “quase 20 milhões de votos” que recebeu em 2010, pelo PV.

A ex-senadora admitiu, na sexta-feira, a intenção de concorrer em nome do lema da sustentabilidade.

“Se para ele continuar sendo relevante for necessário sair em 2014, eu peço a Deus que me dê coragem para fazer de novo, porque não é fácil enfrentar uma batalha como essa”, afirmou.

Ela pediu que os movimentos sociais pressionem Dilma a vetar as mudanças no Código Florestal e criticou o governo ao cobrar propostas para a Rio+20. “O Brasil precisa definir qual é a sua posição.”

Sem partido e sem mandato, Marina teve ajuda do empresário Oded Grajew, um dos organizadores do fórum, que participou de ao menos três debates ao seu lado.

“Pulsação do Planeta”

Em meio a ambientalistas, hippies e outras tribos, a ex-senadora passou por momentos de constrangimento.

Uma das palestras terminou com um pedido da mediadora para que a plateia fizesse silêncio e fechasse os olhos para sentir a “pulsação do planeta”. Marina manteve os olhos abertos.

Em fevereiro, ela viajará pelo Nordeste para fundar novos núcleos de seu movimento com a ex-senadora Heloísa Helena (PSOL-AL).

Do Folha.Com

Rio+20

Intelectuais de esquerda e ambientalistas que participam do Fórum Social Temático fazem previsões de fracasso para a conferência Rio+20, que reunirá líderes mundiais em junho para discutir o futuro do planeta.

O clima de pessimismo dominou ontem o primeiro dia de debates do encontro, em Porto Alegre.

“Do ponto de vista de chefes de Estado, temo que vai ser um fracasso”, afirmou o escritor Frei Betto. “O G8 não está minimamente interessado em fechar compromissos ambientais.”

Os participantes criticaram o documento divulgado pelas Nações Unidas como esboço de resolução a ser votada na conferência.

O empresário Oded Grajew, um dos organizadores do fórum, disse que o texto está “muito abaixo da expectativa” e não prevê ações concretas para reduzir as emissões de gases poluentes.

“Se a sociedade não pressionar, vai acontecer pouca coisa, como tem acontecido nas COPs”, disse, referindo-se às conferências sobre mudanças climáticas.

O ambientalista Tasso Azevedo, ex-diretor do Serviço Florestal Brasileiro, afirmou que o documento será inócuo. “É um texto certinho. Existindo ou não, não fará diferença alguma.”

“O documento já nasceu velho, do século 19. Como está, não leva a nenhuma conclusão. São só conclamações idealistas, sem mostrar a sociedade que queremos”, disse o teólogo Leonardo Boff.

Outros participantes apontaram riscos de os países desenvolvidos usarem o discurso do meio ambiente para bloquear o crescimento de nações emergentes, como Brasil, China e Índia.

“Eles não querem impor metas para si mesmos, só para os emergentes. Não aceitaremos que congelem nosso desenvolvimento por decisão dos países ricos”, afirmou Nilmário Miranda, presidente da Fundação Perseu Abramo, do PT.

Marina

A ex-senadora Marina Silva fez nova cobrança à presidente Dilma Rousseff, que discursa hoje no fórum, para que ela vete as mudanças no Código Florestal aprovadas pelo Congresso.

Ela disse que Dilma se comprometeu a vetar projetos que aumentem o desmatamento quando buscava seu apoio nas eleições de 2010.

“Peço a Deus e ao povo brasileiro que a gente se mobilize para dar sustentabilidade à presidente Dilma para que ela possa honrar isso.”

Do Ambiental Sustentável

Marina Silva pede mudanças no novo código florestal

Um documento com mais de 1,3 milhão de assinaturas contra o projeto do novo Código Florestal (PLC 30/2011) foi entregue nesta terça-feira (29) pela ex-senadora Marina Silva ao presidente do Senado, José Sarney. No documento, entidades pedem o apoio de Sarney para a correção, nos destaques que serão votados em Plenário, do que consideram “graves erros” do substitutivo dos senadores Jorge Viana (PT-AC) e Luiz Henrique (PMDB-SC).

A previsão era de que o texto do Código Florestal fosse votado nesta quarta (30), mas pode haver adiamento devido a questionamentos regimentais apresentados pelo senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP).

- Esperamos, obviamente, que os 81 senadores possam se alinhar com os 80% dos brasileiros que não querem o retrocesso, querem o avanço – afirmou Marina, também ex-ministra do Meio Ambiente, em referência a resultados de pesquisa do instituto Datafolha.

O documento, que também foi protocolado no Palácio do Planalto, é uma iniciativa de organizações que compõem o Comitê em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável, entre as quais, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O vice-presidente da CNBB, Dom José Belisário, participou da entrega do abaixo-assinado a Sarney.

No ato de entrega, Marina Silva representou um grupo de ex-ministros do Meio Ambiente que já havia se encontrado com Sarney para defender mudanças no texto. Entre as principais críticas dos ambientalistas estão a “anistia para os desmatadores” e a diminuição da proteção das áreas de preservação permanente.

Apesar de ressaltar ser sensível ao assunto, Sarney explicou que não lhe cabe, por exemplo, impedir um requerimento para tramitação da matéria em regime de urgência. O requerimento deve ser lido e votado nesta quarta-feira (30).

Para Marina Silva, a votação no Senado se deu “de forma açodada”, já que foram apenas seis meses para a análise. A senadora também criticou o fato de o senador Luiz Henrique ter sido o relator da matéria em três comissões – de Constituição e Justiça (CCJ), de Agricultura (CRA) e de Ciência e Tecnologia (CCT).

- O texto foi inteiramente blindado de qualquer emenda e de qualquer questionamento, mediante a decisão de que o debate seria feito na Comissão de Meio Ambiente. Infelizmente não foi – criticou a senadora, que ressaltou, no entanto, o esforço do senador Jorge Viana para remediar a situação.

Marina Silva afirmou que, caso as correções não sejam feitas pelo Senado, restará à sociedade fazer uma campanha pelo veto presidencial.

Da Agência Senado

A ex-senadora Marina Silva será tema de um longa da diretora e Sandra Werneck - Foto: Leticia Moreira/Folhapress

A ex-senadora Marina Silva (sem partido), 53, terá uma fase da sua vida retratada em filme da diretora Sandra Werneck, informa a coluna de Mônica Bergamo, cuja entrevista com Marina foi publicada na Folha desta segunda-feira.

Segundo Sandra, Lucy Ramos fará o papel de Marina e Wagner Moura foi convidado para viver Chico Mendes, enquanto Thiago Fragoso deve interpretar Fábio Vaz de Lima, marido da ambientalista.

A proposta já vinha sendo feita há algum tempo pela diretora de cinema e Marina conta que só aceitou “porque a proposta é que o filme registraria um período, não viria pra essa coisa da política”.

Marina disse que isso a deixou mais confortável. “Claro que as pessoas vão saber de quem se trata. Mas será muito mais um testemunho de vida para dialogar com os temas e as causas.”

Marina nasceu em Breu Velho, no Acre. Com a saúde frágil, aprendeu a cozinhar e a lavar roupa enquanto dava os primeiros passos na alfabetização. Estudar foi a motivação para deixar, aos 16 anos, o seringal Bagaço, onde ajudava o pai na extração da borracha.

Historiadora de formação, já foi vereadora de Rio Branco (AC), deputada estadual, senadora por dois mandatos pelo Acre, ministra do Meio Ambiente.

Concorrendo pelo PV à Presidência da República no ano passado, obteve 19,6 milhões de votos no país no primeiro turno das eleições –19,3% dos sufrágios válidos.

Do Folha.Com

Segundo a ex-senadora, nova sigla surgiria do movimento “verde” encabeçado por ela na internet para fazer “ponto ao PT e ao PSDB”

Ex-senadora Marina Silva criticou a 'sede do poder pelo poder' dos partidos políticos

A ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (sem partido), que está em Belo Horizonte (MG) nesta segunda-feira, voltou a dizer que não descarta a possibilidade de fundar um partido político que seja resultado do movimento em defesa do “verde” – nos moldes da organização “independente” liderada por ela na internet. Durante palestra sobre sustentabilidade, realizada na abertura da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Marina afirmou que a possível nova sigla política seria um “ponto diferente ao PT e ao PSDB”. “Já não se discute sobre ideias, sobre propostas. Os partidos discutem apenas que manobras podem ser feitas para garantir as eleições”, critica a ex-senadora, que se desligou do PV após divergências internas no partido.

No pleito do ano passado, pela Presidência da República, Marina Silva disparou nas intenções de voto, de acordo com pesquisa Ibope, levando o PV a subir de 13% para 15% em Minas Gerais. Na capital, ela foi a candidata mais votada, em relação aos então presidenciáveis Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB).

Uma das causas ‘abraçadas’ pela ex-senadora é a reforma do texto do Código Florestal, que foi aprovado no Senado e tem recebido sugestões de cientistas e estudiosos da área, em defesa da proteção ambiental e da não anistia aos desmatadores, por exemplo.

Do Correio Braziliense
Do Terra Magazine
Marina Silva anunciou sua saída do PV na última quinta-feira (7), em São Paulo Foto Léo Pinheiro/Terra 

Tirando risos de todos que estavam lá, Marina Silva pediu aos fotojornalistas que fossem benemerentes e buscassem o seu melhor ângulo – o lado direito. É que o olho esquerdo estava vermelho por conta de um vazamento sanguíneo.

A metáfora cabia bem para reforçar a ideia que se repetia naquele 7 de julho: transbordamento. O cineclube socioambiental Crisantempo, na Vila Madalena, em São Paulo, transbordava pessoas pelas frestas em pleno início de uma tarde de 5a feira, quando se anunciaria a saída de Marina e outros tantos nomes de peso do Partido Verde, em um espaço subdimensionado.

O “movimento pela nova política” também transbordava os limites engessados e cartoriais dos partidos, em busca de contornos suprapartidários, orgânicos, tecidos em redes virtuais e reais, com menos hierarquia e mais horizontalidade.

E a própria Marina já tinha transbordado expectativas e conquistado quase 20 milhões de votos nas últimas eleições presidenciais.

Reforçar a ideia daquilo que não cabe mais em si é o tom que o chamado movimento por uma nova política adotou. Quem esteve lá e ouviu esse discurso repetido em meio ao anúncio de desfiliações se perguntava: ok, mas o que entra no lugar da velha política? Que nova política é exatamente essa?

Ninguém sabe ao certo. “E é muito bom não saber”, afirmou Eduardo Rombauer, um dos mentores do Movimento Marina Silva. Para ele, o momento é o de “deixar morrer”. Assim como a destruição criativa abre o caminho para a inovação.

Marina, que acabara de voltar de Alemanha, contou que esse país, berço dos “verdes”, também está no encalço de outra forma de fazer política. Uma forma além dos partidos, que, em geral, se tornaram espaços viciados do exercício do poder pelo poder.

Uma coisa se sabe: a palavra chave é rede – horizontal, dinâmica, flexível, arejada, democrática, acessível. Que se deixa liderar mais pelas ideias e causas coletivas do que se deixa controlar por nomes próprios e cartorialização de poderes. A tecnologia cai como luva a esse ideário, pois dá as ferramentas físicas para esse tipo de movimento. “São recursos que a gente não tinha nos anos 80″, disse Alfredo Sirkis, ao anunciar naquela tarde a desfiliação do partido que décadas atrás ajudou a fundar. Essas ideias foram exploradas pelo cientista político Sérgio Abranches, em entrevista a Revista Página22 em setembro de 2010 , antes mesmo que Marina surpreendesse nas urnas.

Sirkis, no entanto, não descartou a criação de um partido no futuro, o que pode soar contraditório. Mas, enquanto a lei no Brasil não mudar suas formas de representatividade e voto, como fazer? “Se formos fazer isso, antes vamos consolidar a rede.”

“O calendário eleitoral é só um ponto em uma reta. Não pode determinar o caminho”, disse Marina, pouco antes de soltar a sentença que ficaria marcada: “Não é hora de ser pragmático, é hora de ser sonhático. Isso é uma ‘inventação’ minha.” Pode ter sido dela, naquela hora. Mas agora já foi apropriada e compartilhada pelos que querem participar dessa coisa que não se sabe ainda bem o que é, mas que parece melhor do que aquilo que aí está.

 Por Amália Safatle