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Comentários ‘Justiça’

“Pequena Sereia” por Saint Hoax

Um dos jeitos mais bem sucedidos que artistas e ilustradores muitas vezes encontram para divulgar seu trabalho na internet é recriando as Princesas da Disney em diferentes contextos, pois esse tipo de conteúdo é altamente viralizante, por causa da popularidade das personagens. Entretanto, a artista Saint Hoax, decidiu usar as clássicas heroínas para fazer um alerta para um tema muito sério: o abuso infantil.

Ela criou o projeto “Princest Diaries” com o objetivo de chamar atenção para o tema, colocando Ariel, Aurora e Jasmine beijando seus respectivos pais. De acordo com ela, esta é uma “campanha de sensibilização direcionada às crianças que foram vítimas de abuso sexual por um membro da família”, declarou, completando que “o propósito da série é incentivar as crianças a relatarem seus casos para que as autoridades impeçam que isso aconteça novamente”.

As imagens trazem um dado preocupante: 46% das crianças e adolescentes estupradas são vítimas dos próprios familiares, diz a legenda de cada foto, sem se referir a fontes e à região/país a que se referem os dados. Mas infelizmente não é difícil de acreditar na informação. De acordo com um relatório do Ministério da Saúde divulgado no início deste ano, pelo menos 20 crianças de zero a 9 anos de idade são atendidas no Sistema Único de Saúde (SUS) por dia. Em 70% dos casos nessa faixa-etária, o abuso aconteceu dentro da casa da vítima.

A motivação para Saint Hoax criar a campanha foi ter descoberto que uma amiga sua havia sido estuprada aos 7 anos de idade. “Como artista e ativista, eu decidi lançar uma luz sobre o assunto novamente em uma nova forma”, afirmou ao site Huffington Post.

No Brasil, para denunciar qualquer tipo de abuso sexual contra crianças e adolescentes, basta ligar para o número 100, que é o número do Disque Denúncia Nacional de Abuso e Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes.

O Huffington Post ainda pontuou um assunto interessante. A própria história da Bela Adormecida em sua origem, relata um episódio de abuso sexual. Antes da trama ser adaptada no filme da Disney ela foi contada em duas versões, pelo francês Charles Perrault e pelos irmãos Irmãos Grimm. Entretanto, tanto Perrault quanto os Grimm se basearam em um conto do italiano Giambattista Basile, publicado no século 17. Ao contrário das versões futuras, na história original, a princesa não era acordada de seu sono eterno pelo beijo do amor verdadeiro, mas sim estuprada pelo rei, seu próprio pai, quando ainda estava inconsciente. Depois de nove meses, ela dá a luz a duas crianças e uma delas a acorda.

Do Adoro Cinema

Veja as outras imagens da campanha no site do artista : http://www.sainthoax.com/

Solenidade de posse da ministra Maria Elizabeth Rocha, primeira mulher a comandar o Superior Tribunal Militar José Cruz/Agência Brasil

A ministra Maria Elizabeth Guimarães Teixeira Rocha tomou posse hoje (16) na presidência do Superior Tribunal Militar (STM). É a primeira vez em 206 anos de existência que uma mulher preside a corte. Maria Elizabeth terá um mandato de curta duração, com apenas nove meses, e disse agirá em favor da igualdade de gênero e contra a discriminação a homossexuais nas Forças Armadas.

Antes da posse, a nova presidenta do STM concedeu uma entrevista coletiva e falou sobre o desafio de comandar a mais alta corte militar do país. “Primeiro, por uma questão de gênero, pelo empoderamento e ampliação da [presença da] mulher nos espaços públicos; e é sintomático que esta corte nunca tenha tido uma mulher antes de mim. Eu encaro como um desafio, com honra, porque esta foi uma corte que eu sempre admirei e que sempre engrandeceu a história do Judiciário, da democracia e do Estado de Direito”, disse.

Em seu discurso de posse, Maria Elizabeth louvou a presença das mulheres nas Forças Armadas e disse que o empoderamento feminino aperfeiçoa a República. “Uma democracia sem mulheres é uma democracia incompleta,” sentenciou.

Doutora em direito constitucional pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Maria Elizabeth, 54 anos, foi indicada ao STM em 2007 pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Eleita no ano passado como vice-presidenta da corte para o biênio 2013-2015, ela agora vai substituir o general-de-exército Raymundo Nonato de Cerqueira Filho, que se aposentou. A vice-presidência será ocupada pelo ministro Fernando Fernandes.

Desde sua posse como ministra, a atual presidente do STM tem defendido a igualdade de tratamento a homossexuais nas Forças Armadas. “Há um preconceito não só dos militares, mas de toda a sociedade brasileira com relação à orientação sexual”, avaliou. “Todos nós, cidadãos brasileiros heterossexuais ou homossexuais, temos um compromisso com a pátria e ninguém não pode ser segregado como se fosse cidadão de primeira ou segunda categoria. O Estado não pode promover o discurso do ódio”, acrescentou.

Maria Elizabeth passa a comandar um órgão que recebe de 2 mil a 3 mil processos por ano. Durante a posse, a ministra defendeu que a corte tenha direito a uma vaga no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). “Somos a mais antiga corte do país, mas não temos voz nem voto ali dentro e isto me parece uma inconstitucionalidade, para dizer o mínimo,” criticou.

Ela também criticou a posição do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, que recentemente defendeu a extinção da Justiça Militar nos estados. “Conter homens armados é fundamental para se preservar o Estado Democrático de Direito e a estabilidade do regime político. Os homens que portam as armas da nação têm que ser controlados com rigor para que a paz possa permanecer”, comentou. Para a ministra, a posição de Barbosa foi “rigorosa e não corporativa”.

A nova chefe da corte militar quer que uma das marcas de sua gestão seja a digitalização dos arquivos do STM, que, segundo ela, teve papel importante na defesa da democracia e do Estado de Direito em diferentes momentos da história do país. “Para que os pesquisadores, cientistas políticos e estudiosos em geral possam ver o papel desta corte na defesa dos direitos humanos que muitos desconhecem”.

Segundo Maria Elizabeth, a atuação da corte impediu, por exemplo, que a presidenta Dilma Rousseff fosse condenada duas vezes pelo mesmo crime, durante a ditadura militar.

Parte da documentação do tribunal está no Arquivo Nacional e já se encontra digitalizada. No entanto, os processos a partir de 1977, quando o STM foi transferido do Rio de Janeiro para Brasília ainda precisam ser digitalizados.

Quinze ministros vitalícios compõem o STM: três generais da Marinha, quatro do Exército e três da Aeronáutica, além de cinco civis.

Da Agência Brasil

 Leticia Sabatella (dir.) no Senado Foto: Wilson Dias / Agência Brasil

Na cerimônia de promulgação da Emenda Constitucional 81/2014, que prevê a expropriação de imóveis nos quais for comprovada a exploração de trabalho escravo, defensores dos direitos humanos reivindicaram que o conceito de trabalho escravo, que constará da regulamentação do texto, não seja descaracterizado.

Para o movimento, deve ser mantido o conceito de trabalho análogo à escravidão do Artigo 149 do Código Penal. O dispositivo diz que comete o crime quem submete o trabalhador a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto.

Parlamentares ligados ao agronegócio questionam o dispositivo e defendem uma definição mais clara do conceito de trabalho escravo. Para eles, é necessário, por exemplo, definir exatamente o que poderia ser considerado como jornada exaustiva.

Da tribuna do Senado, a atriz Leticia Sabatella leu uma carta do Movimento Humanos Direitos em que pede o “fim da barbárie” existente no País. “É hora de abolir de vez essa vergonha, senhores congressistas. Com a manutenção do conceito de trabalho escravo como ele é hoje, vocês se tornam parte da história e, certamente, serão lembrados pelas futuras gerações, pois tiveram a coragem de garantir dignidade ao trabalhador brasileiro. Esse sim será um golaço histórico pré-Copa do Mundo”, disse a atriz.

O presidente do Congresso, senador Renan Calheiros, disse esperar que o combate ao crime seja mais eficaz. “Com a esperança de que com a modificação em nossa Constituição possa, senão eliminar, pelo menos reduzir consideravelmente essa prática criminosa, é que promulgamos a emenda constitucional que dá nova redação ao Artigo 243 da nossa Carta Magna”, discursou Calheiros.

“Esse prática odiosa não pertence mais à nossa vida cotidiana. A escravidão que combatemos não é mais institucionalizada, escancarada, aberta aos olhos de todo, mas nem por isso é menos cruel e execrada. A que persiste é insidiosa, encoberta e disfarçada”, disse o presidente do Congresso.

A cerimônia de promulgação foi acompanhada por artistas, como a cantora Alcione, juristas, e defensores dos direitos humanos.

Do Terra

Dados da ONU mostram que 7 em cada 10 mulheres são ou serão vítimas de violência. O sequestro de mais de 200 meninas na Nigéria em abril deu força ao debate em torno do tema; afinal, por que – e como – ser mulher define o futuro e a vida de milhares de pessoas?

Vídeo divulgado pelo grupo islamita Boko Haram revela situação de jovens sequestradas na Nigéria vestindo hijab, tendo sido obrigadas a se converter ao islamismo Foto: AFP

A imagem é a seguinte: mais de duzentas meninas e jovens com o corpo coberto por roupas escuras e olhos descobertos, cheios de medo e certa resignação. O cenário ao fundo é uma paisagem arborizada ilustrando aquilo que poderia ser um “quadro do terror”, mas é a realidade. A realidade dessas e de outras milhões de mulheres no mundo inteiro.

As jovens cristãs foram sequestradas em uma pequena cidade do interior da Nigéria em abril, pelo grupo terrorista islâmico Boko Haram, obrigadas a se converterem ao islamismo e (possivelmente) à inércia de serem vendidas como escravas. Elas foram raptadas de suas casas, tiradas de suas famílias e privadas de suas próprias vidas por cometeram um “crime fatal”: elas estudavam. Mais do que isso, participavam da vida social.

“Nascer mulher tem definido a vida e a existência social do gênero feminino. Por isso, a ONU Mulheres trabalha e coloca todo o seu esforço em favor dos direitos e da liberdade de mulheres e meninas em todo o mundo”, afirma a porta-voz da instituição, Nadine Gasman.

Após o primeiro mês de sequestro sem nenhuma negociação à vista (já que o Boko Haram exige a liberdade de prisioneiros), não há boas previsões do futuro das meninas nigerianas. “O caso ali é de escravidão e estupro, algo que acontece de forma comum em vários países”, relata o cientista político e assessor de direitos humanos da Anistia Internacional no Brasil, Maurício Santoro.

“Há muitas redes de exploração sexual que levam mulheres do leste da Europa para o oeste. Também há casos de sequestros, como nos Países do Golfo Pérsico, onde mulheres e meninas são sequestradas e levadas para países como Catar, Emirados Árabes e, em situação precária, acabam servindo como mão-de-obra escrava”, completa.

Como no caso noticiado pela imprensa britânica, em 21 de maio, de uma jovem das Filipinas de 23 anos (que não teve o nome revelado), queimada com água fervente e espancada pelos patrões na Arábia Saudita, que admitiram a violência, por ter demorado a fazer um café.

A “culpa” de ser mulher

São tantos os crimes que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, considera a violência contra a mulher como uma das violações de direitos humanos mais presentes no mundo e sua total eliminação é meta da campanha “Una-se pelo fim da violência contra as mulheres”.

O quadro é desconcertante: segundo dados das Nações Unidas, 70% de todas as mulheres do mundo já sofreram ou sofrerão algum tipo de violência em, pelo menos, um momento de suas vidas – independente de nacionalidade, cultura, religião ou condição social. De acordo com um estudo feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em 2013, a cada noventa minutos, uma brasileira é vítima de violência.

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Dilma sanciona a lei ao lado da ministra Ideli Salvatti, da apresentadora Xuxa e do cantor Sérgio Reis Foto: José Cruz / Agência Brasil

A presidente Dilma Rousseff sancionou nesta quarta-feira uma lei que torna mais rígido o cumprimento da pena de condenados a crime de exploração de crianças e adolescentes. Em breve cerimônia, a presidente recebeu a apresentadora Xuxa Meneghel, madrinha do Disque 100, serviço de ouvidoria da Secretaria de Direitos Humanos.

“Agora é inafiançável. Agora realmente não tem mais conversa. Fez vai ter de pagar, e por muito tempo”, comentou Xuxa ao deixar o Palácio do Planalto. A apresentadora teve uma agenda cheia em Brasília e também apoiou no Congresso Nacional a aprovação em comissão de um projeto que condena agressões a crianças e adolescentes em casa, a chamada “lei da palmada”.

A partir da assinatura da presidente, os crimes de abuso de crianças e adolescentes se tipificam como hediondo. Desta forma, deve ser cumprido inicialmente em regime fechado, isento de anistia, indulto ou fiança. O cálculo da progressão de regime para semiaberto também muda de um sexto da pena para dois quintos.

“Não tem fiança, não tem progressão, não tem indulto. Essa lei é para inibir o crime de violência sexual”, diz Ideli Salvatti, ministra da Secretaria de Direitos Humanos. Hoje esse tipo de crime tem punição prevista que varia de 4 a 10 anos e também é aplicável a quem facilitar essa prática ou impedir ou dificultar o seu abandono pela vítima. Iguais penas são atribuídas a quem for pego praticando sexo ou outro ato libidinoso com alguém menor de 18 e maior de 14 anos no contexto da prostituição.

A Lei do Crime Hediondo já prevê essa classificação para outros dez crimes graves, como estupro de crianças e adolescentes menores de 14 anos e pessoas vulneráveis (que não têm condições de discernimento para a prática do ato devido a enfermidade ou deficiência mental), latrocínio e sequestro seguido de morte.

Do Terra

Alessandra Lustosa e Yglessyanne Lustosa posam para foto durante o casamento, no Distrito FederalValter Campanato/Agência Brasil

No dia do casamento, Alessandra Lustosa estava de blusa social e gravata vermelha. Sua mulher, Yglessyanne Lustosa, de vestido branco com detalhes em renda e saia com camadas sobrepostas. A cerimônia ocorreu em um cartório de Taguatinga, cidade do Distrito Federal a cerca de 20 quilômetros da área central de Brasília, com direito a marcha nupcial e bolo com bonecas no topo representando as noivas. “Éramos o único casal do mesmo sexo no cartório naquele dia, e ela era a noiva mais bonita”, conta Alessandra.

O casamento das duas foi um dos 130 que ocorreram no DF, desde maio de 2013, quando a união homoafetivo passou a ser permitida no país. O levantamento foi feito pela Associação dos Notários e Registradores do Brasil (Anoreg-Br) com dados dos 12 cartórios de Registro Civil do DF. O número foi obtido com exclusividade pela Agência Brasil. Hoje (14), a Resolução 175 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que permitiu o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, completa um ano.

“Para mim, é uma conquista muito grande dos nossos direitos. A sociedade acha que nosso relacionamento é errado, a Igreja acha que é pecado. Se a gente pode trabalhar, se paga impostos, por que não pode ter esse direito como qualquer outra pessoa?”

Ela relata que as duas já moravam juntas há seis meses, mas que foi o casamento que tornou a relação pública. “Trabalho há 14 anos na mesma empresa, todo mundo suspeitava, mas não tinha certeza, até eu me casar com a Yglessyanne. Graças a Deus, todos aceitaram numa boa”, diz Alessandra, que é supervisora comercial. Elas planejam ter um filho.

A possibilidade de ter um bebê também foi um dos motivos do casamento de Milena Ganzelevitch. Ela mora com a mulher, que pediu para não ser identificada, há 12 anos. As duas casaram-se no dia 31 de março deste ano e, em breve, terão um novo membro na família. Milena está grávida de 8 meses da Maria Luísa, nome escolhido em homenagem à avó materna. “O que muda agora é a questão social. Para a sociedade, somos legalmente casadas”, diz. “O casamento mesmo foi muito rapidinho, não deu tempo para organizar festa. No cartório, não tivemos problema nenhum de preconceito, só os olhares curiosos das pessoas que estavam ali”.

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Foto publicada em página no Facebook mostra mulher iraniana com os cabelos expostos, o que é proibido no país. ‘Após ficar alguns anos longe de meu país, eu pisei em suas vastas planícies novamente, esperando pelo dia em que todas as mulheres de meu país possam sentir a liberdade com seus corpos e suas almas’, diz a descrição da imagem (Foto: Reprodução/Facebook/Stealthy Freedoms of Iranian women)

Página na rede social reúne fotos de mulheres sem véu ao ar livre. Comunidade foi criada pela jornalista Masih Alinejad, crítica do regime.

Dezenas de mulheres iranianas passaram a publicar em uma página do Facebook fotos suas ao ar livre sem o véu islâmico, obrigatório no país, em uma campanha em que exigem liberdade para escolher o que usam.

Traduzido do farsi, a página se chama “Liberdade furtiva às mulheres no Irã”, com o slogan “Desfrute do vento em seu cabelo”. A página diz não estar filiada a grupos políticos. Somente nos primeiros quatro dias, a iniciativa recebeu mais de 30 mil “curtidas” e é objeto de milhares de conversas na rede social.

“A iniciativa reflete as preocupações das mulheres iranianas que enfrentam restrições legais e sociais”, diz a apresentação da página.

“Todas as fotos e legendas postadas foram enviadas por mulheres de todo o Irã e este é um site dedicado às mulheres iranianas no interior do país que querem compartilhar suas selfies ‘furtivas’ sem o véu”, segue a apresentação, que convida às mulheres a enviarem fotos, mas pede cautela.

Nas imagens, algumas posam de óculos escuros ou em posições em que não seja possível ser reconhecida, mas muitas também aparecem de frente e tiram o véu em lugares públicos claramente iranianos para mostrar e divulgar esse instante de liberdade.

A página foi criada pela jornalista e escritora iraniana Masih Alinejad, exilada em Londres e conhecida crítica do regime iraniano.

Até agora, a maioria dos comentários é positivo. Neles, as mulheres destacam a pequena felicidade que representa deixar o vento acariciar o cabelo.

“Que lindo que seu cabelo possa dançar no ar”, diz uma jovem.

A maioria dos homens que comentam também apoia. Os que não o fazem recebem reprimendas.

Diante de um comentário masculino que afirma que tirar o véu não significa liberdade, uma chuva de críticas sugere que se ponha no lugar das mulheres e suporte ter a cabeça coberta quando chove, no calor, praticando esporte e, inclusive, tomando banho de mar com sua própria família.

“O véu não é muito importante. O importante é que estou me afogando, não posso falar, quero liberdade de expressão neste país”, se queixa uma jovem.

Uma mulher mais velha comemora ao ver as imagens de mulheres com o cabelo solto, e diz esperançosa: “Que isso possa ser o começo de uma época de liberdade que minha filha possa desfrutar”.

“Espero que os homens aguentem”, declara um garoto, ao que uma mulher responde rapidamente perguntando se “Por acaso os homens iranianos são tão frágeis que não podem aguentar ver o cabelo de uma mulher?” e alfineta: “É bom irem se acostumando aos poucos”.

A abertura da página no Facebook, rede social que é vetada no Irã, mas que milhões de iranianos acessam a partir de programas, coincide com o aumento das reivindicações dos grupos mais radicais para que a vestimenta islâmica seja respeitada.

A cada ano, no início da primavera, muitas mulheres, principalmente as mais jovens, relaxam na interpretação do rigoroso código estético imposto pela lei e cortam a manga das roupas ou vestem peças mais soltas e ligeiramente transparentes, o que deixa os mais religiosos indignados.

Nesta semana, centenas de pessoas se manifestaram perante o Ministério do Interior exigindo mais medidas para que a lei islâmica seja respeitada, com a maioria das participantes mulheres cobertas da cabeça aos pés com o tradicional chador preto. Rapidamente, a página do Facebook recebeu críticas dos setores mais conservadores.

A agência de notícias “Fars” publicou recentemente um artigo no qual tachava Masih Alinejad de “antirrevolucionária que escapou com ajuda dos britânicos e colabora com a imprensa anti-iraniana”. O artigo também dizia que a página convoca às mulheres “a tirar o hijab no Irã” a fim de “fomentar a cultura de não respeitar nada”.

Do G1

Acidente

A presidente Dilma Rousseff sancionou nesta segunda-feira a lei que endurece a pena para quem participar de rachas. Com a nova determinação, a multa será dez vezes maior para quem participar de competições de automóveis nas ruas. Além disso, o veículo será apreendido e terá sua permissão para dirigir suspensa. As informações são do Diário Oficial da União.

Caso o motorista seja reincidente em um ano, a multa será dobrada. E ainda, na hipótese do motorista estar sob efeito do álcool, ele terá a pena de reclusão de 2 anos e 4 meses, além de sofrer a suspensão ou a proibição do direito de dirigir.

Se houver algum acidente e/ou lesão corporal, a pena do condutor pode aumentar mais um terço do tempo ou até mais metade da reclusão prevista, podendo chegar a 3 anos e 6 meses de prisão.

Conforme a situação, se houver acidente fatal e for constatado no bafômetro o resultado positivo (ou o condutor se negar a soprar o aparelho), o tempo de prisão varia entre 5 e 10 anos.

Do Terra

Foto: Reprodução – Twitter

Primeira-dama norte-americana e jovem paquistanesa divulgaram nesta quarta-feira o seu apoio às adolescentes

A primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, manifestou nesta quarta-feira sua solidariedade às mais de 200 adolescentes sequestradas na Nigéria, em uma mensagem pessoal no Twitter. Mais cedo, Malala Yousafzai também se posicionou “Nossas orações estão com estas meninas nigerianas desaparecidas e com suas famílias. É hora de #BringBackOurGirls” (‘trazer nossas meninas de volta para casa’), indicou a primeira-dama em sua conta @FLOTUS com uma imagem sua na qual exibe um cartaz no qual está escrito #BringBackOurGirls”.

Os Estados Unidos enviaram especialistas, incluindo militares, para ajudar a resgatar as meninas, que foram sequestradas de sua escola no nordeste da Nigéria.

Malala, a menina paquistanesa que se recuperou milagrosamente após um tiro na cabeça disparado por membros do Talibã, disse que as mulheres são atacadas por quem teme uma sociedade em que as mulheres tenham poder m entrevista à CNN, a jovem disse que é “irmã das adolescentes sequestradas na Nigéria”. “As meninas na Nigéria são minhas irmãs e é minha responsabilidade falar por minhas irmãs”, disse ela. nas redes sociais, uma foto de Malala com cartaz também está sendo compartilhada.

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Errata

Errata

Quando o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) admitiu, na última sexta-feira (4), um dos erros mais vergonhosos de sua história – o de ter trocado dados do levantamento sobre como os brasileiros percebem a violência contra a mulher -, minha primeira reação foi o alívio.

Afinal, não vivia em um país tão ruim quanto acreditava, já que, segundo a pesquisa, 65,1% de meus compatriotas não defendem que mulheres que mostram o corpo sejam atacadas. Qual é o número real? Perguntei: 26%. Repito: 26%. Ou seja, pouco mais de um em cada quatro brasileiros.

O dado ainda me chocava, mas o que me causou mais espanto foi a reação dos brasileiros, que celebraram dizendo que “denegrimos a imagem do Brasil no exterior à tôa, já que não somos um país machista, afinal”. Qual critério baseia o grau de exigência dessas pessoas com sua sociedade? Quando o brasileiro ficou acostumado a se contentar com – e, pior, celebrar – tão pouco?

Um em cada quatro brasileiros ainda acredita que mulheres que vestem roupas curtas merecem ser atacadas. Merecem. Verbal, psicológica ou sexualmente, não importa. Eles colocam essas mulheres como seres com menos direito à proteção da sociedade e do Estado.

Mais: não há errata que corrija a reação de alguns homens (e mulheres, infelizmente), à campanha “Eu não Mereço Ser Estuprada”. Não há nada que anule as ofensas que muitas mulheres receberam ao postar suas fotos nas redes sociais, as ameaças de estupro (e até de morte) que foram feitas.

Não há errata que nos faça esquecer que uma parcela de nosso Congresso Nacional defende que temas de gênero são questões menores que não merecem estar em nosso Plano Nacional de Educação.

Não há errata que apague as 50 mil mulheres estupradas no Brasil em um único ano, dado revelado pelo último Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Contando a estimativa da polícia de que apenas 10% reportam o abuso, esse número pode chegar a 500 mil.

Não há errata que corrija um país no qual estupro é um crime mais comum que homicídio, e no qual 58% das pessoas culpam o comportamento das mulheres pelas altas taxas de abuso – número do mesmo estudo do Ipea que não foi corrigido e ficou esquecido pelos que festejaram.

Finalmente, não há errata do Ipea que mude como nós, mulheres, nos sentimos quando andamos nas ruas e somos sufocadas por ofensas e ameaças disfarçadas de elogios. E nada apaga um dado que descobrimos com essa campanha: não há mulher brasileira que não relate uma situação em que se sentiu sexualmente ameaçada ou agredida. Pergunto a vocês: estamos celebrando o que mesmo?

Por Nana Queiroz

Do UOL

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