"Ajudando as mulheres a liderar, vencer, governar." ✫Desde 2009✫

Comentários ‘igualdade entre gêneros’

Bancárias lutam por igualdade salarial, além de melhores condições de trabalho / Arquivo Diário SP

Segundo cálculo do Dieese, demoraria 88 anos para que os salários fossem igualados entre os sexos

Os dados do 2º Censo da Diversidade, realizado entre 17 de março e 9 de maio, causaram surpresa até no comando nacional do Sindicato dos Bancários. As mulheres continuam sendo discriminadas pelas instituições financeiras. Somente pelo fato de serem do sexo feminino, recebem 77,9% do salário médio pago aos homens, mesmo os dois fazendo as mesmas funções.

Na comparação com o primeiro censo, feito em 2008, a situação melhorou, mas foram pífios 1,5% de alta, segundo o Sindicato dos Bancários.

O cálculo foi feito pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). Ele mostra, por exemplo, que se esse ritmo de correção das distorções não mudar, vai demorar 88 anos para que as bancárias passem a receber salários iguais aos dos colegas homens.

Na Região Sudeste, a mais rica do país, a diferença salarial de gênero é ainda maior. Demoraria cerca de 234 anos para as mulheres atingirem a mesma remuneração dos homens.

Durante a reunião com o Comando Nacional dos Bancários, no primeiro semestre, também foram apresentados os dados solicitados pela Contraf (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro) sobre os números de afastamento de bancários do trabalho nos últimos anos.

Do total de 458.922 trabalhadores dos 18 bancos que participaram do 2º Censo, 187.411 responderam ao questionário, o equivalente a 41% dos contratados pelo setor. Desse montante, 51,7% são homens e 48,3%, mulheres.

A presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Juvandia Moreira, cobrou providências para mudar esse cenário. Os bancários fizeram greve de sete dias na semana retrasada para cobrar, além de reajuste salarial, melhorias nas condições de trabalho.

“Cobramos dos bancos propostas concretas para que diminua essa diferença de salários entre homens e mulheres e todos tenham igual oportunidade de ascensão na carreira”, afirmou Juvandia.

Outro lado/ Em nota, a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) disse não ter conhecimento dos resultados Mesmo assim, ela considera os resultados parciais e incompletos. A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) informou que os dados apresentados foram apenas uma prévia e, por isso, não iria comentá-los.

Do Diário de São Paulo

A maior parte da população feminina no Brasil é negra, são 51,7%

Dados da Uerj mostram que negras não estão nos filmes nacionais de maior bilheteria

As mulheres negras* não estão nas telas de cinema, nem atrás das câmeras. Pesquisa da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) mostra que pretas e pardas não figuraram nos filmes nacionais de maior bilheteria. Apesar de ser a maior parte da população feminina do país (51,7%), as negras apareceram em menos de dois a cada dez longas metragens entre os anos de 2002 e 2012. Além disso, atrizes pretas e pardas representaram apenas 4,4% do elenco principal de filmes nacionais. Nesse período, nenhum dos mais de 218 filmes nacionais de maior bilheteria teve uma mulher negra na direção ou como roteirista.

Coordenada pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp) da Uerj, um dos mais renomados centros de estudos de ciência política na América Latina, a pesquisa A Cara do Cinema Nacional sugere que as produções para as telonas não refletem a realidade do país, uma vez que 53% dos brasileiros se autodeclaram pretos ou pardos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O prejuízo, na avaliação das autoras do estudo, é a influência de determinados valores sobre a audiência.

“Pelos dados, a população brasileira é diversa, mas essa diversidade não se transpõe para ambientes de poder e com maior visibilidade”, disse uma das autoras, a mestranda Marcia Rangel Candido. Ela acrescenta que, além da “total exclusão” nos cargos técnicos, a representação no elenco está limitada a estereótipos associadas à pobreza e à criminalidade. “As mulheres brancas exercem vários tipo de emprego, são de várias classes sociais, a diversidade é maior”, destaca.

 A doutoranda Verônica Toste, coautora da pesquisa, diz que a baixa representatividade de mulheres em postos mais altos do cinema – elas ocupam 14% dos cargos de direção e 26% dos postos de roteiristas entre os filmes mais vistos -, além da invisibilidade das negras no elenco, são distorções da sociedade. “A ausência de mulheres, principalmente as negras, nesses papéis gera baixa representação e reproduz uma visão irreal do Brasil.” De acordo com a pesquisa, nenhuma das diretoras ou das roteiristas entre os filmes pesquisados era negra.

Para chegar ao perfil racial, a pesquisa comparou imagens de 939 atores, 412 roteiristas e 226 diretores de filmes, excluindo documentários e filmes infantis. “Usamos um modelo de identificação em que o pesquisador é que define o grupo racial ao qual pertence o sujeito”, esclareceu Marcia. Na classificação, para a comparação, foi utilizada uma escala de fotos de oito indivíduos, do mais branco para o mais preto, estabelecida em trabalhos científicos anteriores.

A lista dos filmes mais vistos no período é da Agência Nacional do Cinema (Ancine), organização que, na avaliação do premiado cineasta negro Joel Zito Araújo, deveria ter um papel ativo na promoção da diversidade no audiovisual. Ao avaliar a pesquisa do Iesp, ele disse que a agência precisa atuar. “Somente quem governa, que tem poder de criar políticas públicas, é que pode criar paradigmas para a nação e resolver essa profunda distorção”, disse.

Apesar de ter a função de fomentar e regular o setor, procurada, a Ancine informou que “não opina sobre conteúdo dos filmes, elenco ou qualquer coisa do tipo”.

* Convencionou-se chamar negros a soma dos grupos populacionais preto e pardo, seguindo classificação do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE).

Do Brasília Encontro 

Fabrica Dimensão Máquinas – Foto UOL

Em meio às faíscas e ao barulho da linha de produção, lábios com batom e rostos maquiados. Na fábrica de equipamentos industriais Dimensão Máquinas, em Trindade (GO), são as mulheres que fazem o trabalho pesado.

Desde que passou a contratar força de trabalho feminina para atuar na linha de produção, em 2009, o empresário Francisco Luciano Alves de Jesus, 37, diz que a produtividade aumentou e os negócios começaram a prosperar.

Jesus diz que, enquanto três homens demoravam 45 dias para produzir um equipamento, o mesmo número de mulheres fazia o serviço em metade do tempo. No ano, eles produziam a média de oito peças e elas, 16.

“Com os homens, tinha dificuldade para dividir tarefas porque eles eram mais orgulhosos. Já as mulheres trabalham melhor em equipe, o que possibilitou o aumento no quadro de funcionários e, consequentemente, a produtividade.”

Em quatro anos, o número de funcionárias e o faturamento da fábrica triplicou, segundo o empreendedor. Enquanto em 2009, a receita anual do negócio era de R$ 200 mil, a arrecadação de 2013 já superou os R$ 600 mil.

A mudança começou quando o empresário precisou de apoio na produção para dar conta dos pedidos. “Na época, só tinha eu e três homens na produção. Pedi para a secretária dar uma força e ela gostou do trabalho. Conforme a empresa foi crescendo, comecei a contratar apenas mulheres”, diz.

A secretária, que hoje não trabalha mais na fábrica, gostou da atividade e pediu para permanecer na linha de produção, segundo Jesus. Depois dela, outras secretárias foram contratadas, mas também pediram para mudar de setor.

De acordo com o empresário, a inclusão de operárias na produção começou a incomodar os homens. “Eles não aceitaram ter mulheres na mesma função e com o mesmo salário. Em um ano, os três pediram demissão”, declara.

Hoje, a empresa tem 11 funcionárias e quatro estagiárias e fabrica oito peças por mês. As funções são de soldadora, eletricista, montadora, torneira mecânica e pintora. Nenhum homem, além do proprietário, trabalha na empresa.

Funcionárias são vaidosas e ganham ‘vale-salão’

Para premiar a equipe quando uma meta é atingida, o empreendedor criou o “vale-salão”. Elas ganham de R$ 50 ou R$ 100 por mês como motivação quando batem a meta.

“O salão de beleza é apenas uma sugestão para uso do dinheiro, mas elas podem gastar o benefício como quiserem”, afirma.

Segundo Jesus, apesar de as funcionárias terem liberdade para usar o dinheiro para comprar o que quiserem, na maioria das vezes elas utilizam o bônus no salão de beleza.

Além do “vale-salão”, o empresário disponibiliza estojos com batom, rímel e cremes para as operárias retocarem a maquiagem durante o expediente.

“Ainda que tenhamos de usar uniforme e o trabalho seja um pouco desgastante, não deixamos de lado nossa vaidade”, declara a gerente de produção Joice Ioleni da Silva, 26.

Ambiente misto favorece troca de ideias na empresa

Para a consultora do Sebrae-GO (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Goiás) Paula Cristina Borges Gomide, as mulheres têm algumas virtudes inatas, como maior capacidade de concentração e de executar várias tarefas ao mesmo tempo.

No entanto, segundo Gomide, não dá para dizer que os homens estavam impedindo o crescimento da empresa. “As mulheres souberam preencher falhas que os antigos profissionais deixaram, provavelmente porque estavam desmotivados”, diz.

A gerente nacional de recrutamento e seleção do grupo Manpower, Lisângela Melo, afirma que a contratação de profissionais não deve levar em consideração características como sexo, idade, altura, peso, etnia ou religião. A competência deve ser o quesito principal.

“Um ambiente misto, com homens e mulheres, jovens e profissionais experientes, é sempre o mais indicado, pois favorece a troca de ideias e faz com que um problema seja analisado com olhares diferentes”, declara.

Do Uol

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IBGE

Quanto mais elevado o grau de escolaridade das mulheres no mercado de trabalho, maior a diferença salarial na comparação com os homens. Os dados estão na Síntese de Indicadores Sociais – Uma análise das condições de vida dos brasileiros, divulgada nesat sexta-feira (29) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A partir dos dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) 2012, o estudo revela que em 2002, o rendimento das mulheres era equivalente a 70% do rendimento dos homens. Dez anos depois, em 2012, a relação passou para 73%. No grupo com 12 anos ou mais de estudo, o rendimento feminino cai para 66% da renda masculina. “No caso das mulheres, a gente identifica que, à medida em que avança a escolaridade, a desigualdade de rendimento entre homens e mulheres aumenta”, explica a pesquisadora do IBGE, Cristiane Soares.

Outro destaque é a ocupação dos cargos gerenciais. A pesquisadora do IBGE ressalta que o acesso de mulheres com 25 anos ou mais aos cargos de direção ficou em 5% para as mulheres e 6,4% para os homens. “Mesmo em setores em que as mulheres são maioria, como os setores de saúde, educação e serviços sociais, há uma desigualdade maior entre homens e mulheres”. Nessas áreas, o rendimento das mulheres em cargo de chefia corresponde a 60% do rendimento dos homens.

Os dados revelam também que as mulheres ainda são maioria na ocupação de trabalhos precários e não remunerados, o que diferencia os gêneros na inserção no mercado. “Comparando a jornada entre homens e mulheres, a gente trabalhou a questão do rendimento-hora, justamente porque a mulher tem uma jornada um pouco inferior à dos homens no mercado [formal].”

A síntese de indicadores apontou que as mulheres trabalham menos horas no mercado formal de trabalho, mas fazem o dobro da jornada dos homens nos afazeres domésticos. Em 2012, os homens trabalharam em média 42,1 horas por semana, enquanto a jornada das mulheres ficou em 36,1 horas. Para os afazeres domésticos, no entanto, as mulheres dedicam 20,8 horas enquanto os homens trabalham 10. Na comparação com 2002, houve redução em cerca de duas horas na jornada doméstica feminina, enquanto a masculina se manteve igual.

A pesquisadora do IBGE explica que o estudo adotou a definição mais ampla de trabalho, que engloba não somente o formal, mas também os afazeres domésticos. “Nessa análise por sexo a gente mostrou que a inserção das mulheres no mercado de trabalho é diferenciada, comparativamente à dos homens. As mulheres estão mais concentradas no trabalho doméstico, na produção para o próprio uso, para o próprio consumo, como trabalho não remunerado”.

Do Uol

Embora sejam maioria na população brasileira, mulheres são subrepresentadas no Parlamento.

A Proposta de Emenda à Constituição que assegura a representação proporcional de homens e mulheres na composição das Mesas Diretoras (PEC 590/06) é uma das prioridades entre as votações previstas para o segundo semestre. A PEC também garante a mesma proporção de mulheres e homens nas comissões da Câmara e do Senado. Após reunião com o presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves, a coordenadora da bancada feminina, deputada Jô Moraes (PCdoB-MG), garantiu que ele irá incluir o tema na pauta de votações do Plenário ainda neste ano.

A PEC foi aprovada por comissão especial em 2009 e foi incluída na pauta do Plenário em 2010, mas não houve acordo para votação.

Em 2012, a deputada Rose de Freitas (PMDB-ES) ocupou a primeira vice-presidência da Câmara, mas, neste ano, a bancada feminina voltou a ficar sem nenhum representante na Mesa Diretora. “Os partidos continuam não lançando as mulheres da sua legenda nem para a Mesa nem para a presidência da maioria das comissões”, salientou Rose, que foi relatora da PEC na comissão especial que a analisou e apoia a proposta. “À medida que as mulheres ocuparem os espaços de maior decisão, de maior relevância, elas vão acabar quebrando esse preconceito”, complementou.

Rose destaca ainda que menos de 10% dos integrantes da Câmara são mulheres, embora elas sejam a maioria da população. Dos 513 parlamentares, apenas 46 são mulheres (8,57%). As mulheres compõem 51,5% da população brasileira – o que equivale a mais de 100 milhões de brasileiras.

“Engessamento”

Arte Agência Câmara

Já o cientista político João Paulo Peixoto é contrário à proposta. “A participação da mulher na política não só é bem-vinda como necessária, porque vivemos em um País com largo contingente feminino na população, mas acredito que esse engessamento, essa rigidez, essa imposição não é positiva”, disse. “Isso tem que acontecer, com o tempo, de forma natural”, completou.

Peixoto atribui a baixa participação da mulher no Parlamento à falta de interesse pela atividade política. “Não se pode obrigar ninguém a participar do processo político; o importante é que as instituições estejam abertas a incorporar todos aqueles grupos sociais que desejem participar mais ativamente do processo político, como eleitos ou como eleitor”, afirma.

Vaga assegurada

A PEC 590/06, de autoria da deputada Luiza Erundina (PSB-SP), estabelece que, enquanto a representação proporcional dos sexos nas Mesas Diretoras da Câmara, do Senado e das comissões não for alcançada, ao menos uma vaga para mulheres nessas Mesas seja assegurada.

“Se quisermos acompanhar a tendência mundial de redução da desigualdade de gênero, principalmente em termos de participação política, precisamos reverter esse quadro de discriminação política contra as mulheres no Brasil, por meio de ações concretas”, argumenta a deputada.

Segundo a deputada Jô Moraes, há um “acerto político” para garantir a presença de uma representante da bancada feminina em missões oficiais, comissões especiais e relatorias.

Da Agência Câmara de Notícias

CNI/Ibope

CNI/Ibope

Pesquisa Ibope sobre a presença feminina na política revela que 80% dos entrevistados são favoráveis a uma lei que torne obrigatória a reserva de metade das cadeiras das Câmaras de Vereadores, das Assembleias Legislativas Estaduais e do Congresso Nacional para as mulheres.

O desejo de paridade entre mulheres e homens nos espaços decisórios no país foi medido por levantamento contratado pelo Instituto Patrícia Galvão. A pesquisa entrevistou 2.002 homens e mulheres em todas as regiões do país entre 11 e 15.abr.2013. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Desde 2009, a lei eleitoral brasileira já estabelece que os partidos ou coligações devem apresentar no mínimo 30% de candidatas mulheres nas eleições. Mas a medida é considerada insuficiente pela maioria das pessoas ouvidas pelo Ibope.

O resultado completo da pesquisa será divulgado pelo Instituto Patrícia Galvão hoje (9.jul.2013), às 12h, no auditório da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República.

Do Blog do Fernando Rodrigues

Governo abre seleção de projetos visuais e de cinema feitos por mulheres – Foto Marcello Casal Jr./ABr

As ministras da Secretaria de Políticas para Mulheres da Presidência da República, Eleonora Menicucci, e da Cultura, Marta Suplicy, lançaram hoje (2) dois editais públicos de incentivo a projetos de artes visuais e de cinema feitos por mulheres. A medida atende ao Plano Nacional de Políticas para as Mulheres 2013-2015.

O primeiro edital prevê o Prêmio Carmen Santos Cinema de Mulheres 2013 – Apoio à Curta e Média Metragem que vai reconhecer a produção cinematográfica feita por mulheres e o trabalho de diretoras e técnicas. Serão selecionadas 16 obras, sendo dez obras audiovisuais de até cinco minutos (curtas) e seis filmes de 26 minutos (em média).

Podem ser inscritos projetos apresentados por pessoas físicas ou jurídicas, brasileiras natas ou naturalizadas, nos gêneros de ficção, documentário e animação. A temática deve abordar a construção da igualdade entre mulher e homem, os direitos femininos e cidadania. Os conteúdos devem levar em consideração as mulheres urbanas, do campo, da floresta, indígenas, negras e dos povos tradicionais.

O prêmio destina R$ 45 mil, por curta-metragem, e R$ 90 mil, para média-metragem. A inscrição vai de 2 de julho a 19 de agosto pelo sistema online Salicweb.

O prêmio é uma homenagem à atriz, produtora, diretora e empreendedora cultural, Carmen Santos, pela contribuição ao cinema brasileiros das décadas de 1920 a 1940.

O segundo edital, Prêmio Funarte Mulheres nas Artes Visuais, vai selecionar dez projetos de diferentes linguagens artísticas com premiação de R$ 70 mil. As inscrições estão abertas até 16 de agosto. O objetivo é selecionar propostas que tratem da reflexão crítica e da profissionalização dos processos de gestão cultural.

Podem participar pessoas físicas ou jurídicas (apenas mulheres), atuantes na área das artes visuais. Os projetos inscritos podem ser exposições, mostras, oficinas, intervenções urbanas, publicações, produção crítica e documental, seminários, que tenham visem à ampliação do mercado de artes visuais no âmbito da produção feminina, bem como contribuir para a formação de público.

No evento, a ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, comentou sobre as manifestações que têm ocorrido nas últimas semanas no país e disse que o governo federal tem buscado responder às demandas das ruas. “Tenho certeza que este é mais um momento histórico da democracia em construção que nós temos no Brasil”, completou.

Da EBC

Liza Campbell, filha do 25° “thane” de Cawdor – Foto: Andrew Testa/The New York Times

O fato de títulos de nobreza e grandes propriedades rurais passarem unicamente a herdeiros do sexo masculino, mesmo que sejam herdeiros cujo parentesco com o falecido é distante, pode parecer absurdo e tão “pré-histórico” quanto negar às mulheres o direito do voto, mas ainda é o que manda a lei no caso da aristocracia no Reino Unido.

“Meu pai sempre me dizia: ‘Não se esqueça de usar cinto de segurança, porque seu rosto é sua fortuna’”, contou Liza Campbell, filha do 25° “thane” (lorde feudal) de Cawdor e agora, após a morte de seu pai, irmã do 26° “thane”.

Também conhecido como o conde de Cawdor, o “thane” atual, Colin, é o filho do meio dos cinco de seu pai. Mas é o mais velho do sexo masculino e sempre foi considerado o mais importante, no que diz respeito a dar continuidade ao título. “Amo meu irmão, mas é uma situação peculiar”, disse Liza Campbell, 53, artista e escritora que cresceu na propriedade rural da família na Escócia -20 mil hectares e um castelo-, mas hoje vive em Londres. “Há um escolhido na família, e todos os outros são supérfluos.”

Até pouco tempo atrás, poucos aventavam algum desejo de mudar a lei. “O aspecto chique da sucessão ao título geralmente leva as pessoas a ignorar algo que, basicamente, é sexismo entre uma minoria privilegiada, na qual as meninas nascem valendo menos que os meninos”, disse Campbell.

Mas a questão vem sendo comentada no Parlamento desde a aprovação recente de uma lei que permite que o primogênito do monarca herde a coroa, seja ele menino ou menina. Novas propostas apresentadas permitiriam que os títulos herdados e as propriedades que muitas vezes os acompanham fossem transmitidos dessa forma também, ao filho mais velho, independentemente de seu gênero.

“Parece que não nos livramos dos títulos de nobreza, mas acho que, já que os temos, eu gostaria que não discriminassem por gênero”, disse o parlamentar que apresentou o projeto de lei à Câmara dos Lordes, o lorde Lucas de Crudwell e Dingwall, que, devido a uma exceção histórica, é um dos poucos nobres cujos títulos podem ser transmitidos para mulheres ou homens.

As normas atuais já criaram problemas familiares diversos.

“Quando éramos crianças e adolescentes, sempre ouvíamos: ‘Quando seu irmão vier morar aqui…’”, comentou uma aristocrata que cresceu na mansão grandiosa que amava, mas viu seu irmão mais jovem herdá-la quando o pai deles morreu. Pedindo anonimato para falar porque não queria causar ofensa na família, ela disse que ninguém jamais questionou o sistema.

“Apesar de meu pai ter visto a mãe dele quase ter um colapso porque não herdou a casa em que cresceu, ele não modificou seu comportamento em relação a sua filha”, falou a mulher, que está na casa dos 50 anos. “Embora eu o amasse e ele me amasse, a regra da herança titular e da propriedade era tão forte para ele quanto a regra de que não se deve ter filhos fora do casamento.”

Ela tem sorte: seu irmão deixa que ela e seus filhos visitem a mansão quando querem. Algumas irmãs não têm a mesma sorte. Os filhos do falecido lorde Lambton, por exemplo, travam uma disputa acirrada sobre seu legado, que vale milhões de libras esterlinas e que, quando ele morreu, em 2006, foi passado integralmente para seu único filho homem, Ned, o caçula.

Três das cinco filhas de Lambton processaram seu irmão, alegando que, como lorde Lambton passou suas últimas décadas de vida em sua mansão na Itália, seu espólio deveria ser sujeito à lei italiana, em que a regra da transmissão para herdeiros homens não existe. Elas pedem US$ 1,5 milhão cada. O irmão está movendo uma ação judicial contrária num tribunal britânico.

O destacado escritor e comentarista político Peregrine Worsthone, casado com Lucinda Lambton, uma das filhas, disse que o sistema deixou a família dilacerada. “Quando tudo é deixado para o filho mais velho, é normal que ele demonstre alguma consideração para com seus irmãos”, disse Worsthone.

A situação provoca sofrimento de um tipo diferente para o conde e a condessa de Clancarty, que têm uma filha de oito anos, mas não têm ninguém que possa herdar o título que está na família há centenas de anos.

“Há o sentimento de que o nome da família vai morrer com você, depois de todos esses séculos”, disse a condessa. “O título e quaisquer objetos de memória familiar ficarão com alguém que nem sequer conhecemos.”

Mary MacLeod, que apresentou à Câmara dos Comuns o projeto de lei que visa permitir a transmissão para filhos homens ou mulheres, observou que, dos 92 pares hereditários na Câmara dos Lordes, apenas dois são mulheres. “Isso afeta apenas algumas poucas pessoas, mas é simbólico. É como perguntar se, neste momento, acreditamos de fato na igualdade entre homens e mulheres.”

Da Folha.com
Foto BBC

Foto BBC

Paquistanesa Maria Toorpakai Wazir, de 22 anos, sofre preconceito em seu país e se muda para o Canadá para treinar. Ela é a 49ª do ranking

O squash é um esporte popular no Paquistão, mas não pode ser praticado por todos. Por ter nascido em uma região muito conservadora do país, onde até a educação é proibida para moças, a jovem Maria Toorpakai Wazir, de 22 anos, teve de se passar por um rapaz para poder competir pela modalidade.

- Sou uma guerreira, nasci sendo uma guerreira. E morrerei guerreira – disse Maria, em uma longa entrevista à rede britânica BBC.

A decisão foi tomada precocemente. Quando Maria Wazir tinha apenas quatro anos, ela decidiu usar roupas de seu irmão e deixou os cabelos curtos. Antes do squash, ela chegou a se arriscar no levantamento de peso, quando tinha 12 anos. Como seu pai sentia vergonha de falar que ela era uma menina, a apresentava com Genghis Khan. O nome é em referência ao guerreiro mongol do século XII.Com a falsa identidade, Maria começou a competir e participar de torneios. No entanto, com medo de que a filha parasse de crescer e ficasse muito pesada, o pai da menina a incentivou a trocar o levantamento de peso pelo squash. E foi amor a primeira vista.

- Eu gostava de como aqueles meninos tinham determinação, gostava das belas raquetes, das bolas de squash, dos uniformes – disse.

Inicialmente, Maria Wazir conseguiu esconder sua identidade dos companheiros de treinamento e adversários, mas não demorou para a verdade ser descoberta e gerar polêmica em seu país. No entanto, ela não desistiu e continuou a rotina intensa, de horas diárias de treino.

- Eles costumavam me provocar, falar palavrões. Era intolerável e desrespeitoso, um bullying extremo – lembra a jovem.

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A ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, Eleonora Menicucci, participa da abertura do Seminário Internacional Políticas Públicas para Mulheres Rurais na América Latina e Caribe, no Instituto Rio Branco

A ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, Eleonora Menicucci, participa da abertura do Seminário Internacional Políticas Públicas para Mulheres Rurais na América Latina e Caribe, no Instituto Rio Branco.

Enfrentar a violência de qualquer natureza cometida contra mulheres e fortalecer as políticas públicas de apoio às trabalhadoras rurais é fundamental para que países da América Latina e do Caribe avancem no desenvolvimento econômico e social e consolidem sua democracia. A opinião é do ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas. Para ele, devem ser aprofundados os debates sobre o acesso de mulheres à terra, ao crédito, à assistência técnica e ao mercado, inclusive de compras governamentais.

“Todos nós sabemos que há um processo de urbanização crescente em nossas sociedades, mas o campo não será esvaziado e continuará importante para construirmos um desenvolvimento econômico e social equilibrado e equitativo”, disse hoje (19), em Brasília, diante de representantes de 32 países, ao participar da abertura do Seminário Internacional Políticas Públicas para Mulheres Rurais na América Latina e no Caribe.

Ao defender o desenvolvimento de estratégias que garantam a valorização do mundo rural, Vargas ressaltou que os movimentos migratórios em direção às cidades atingem principalmente a população jovem e masculina.

“Se é verdade que as mulheres representam mais de 50% da população no país, no campo, elas são pouco menos de 48%. É um dado estarrecedor que implica que precisamos discutir os direitos socioeconômicos das mulheres, mas também a divisão do trabalho entre homem e mulher”, disse o ministro. Ele destacou que os debates que do seminário, que vai até amanhã (20), são preparatórios à 12ª Conferência Regional sobre a Mulher da América Latina e do Caribe, marcada para outubro, na República Dominicana.

Na abertura do seminário, o representante do Ministério das Relações Exteriores, conselheiro Milton Rondó Filho, defendeu a “inclusão efetiva e digna” das mulheres no meio rural, em um processo que considere fatores raciais e étnicos. Ele destacou que dados apresentados durante conferência da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) indicam que é possível aumentar em 5% o Produto Interno Bruto (PIB) agrícola de um país, que é a soma de todas as riquezas produzidas pela agricultura de uma nação ao longo de um ano, com a inclusão das mulheres no meio rural.

“Se tomarmos em conta que as mulheres são, em média, 70% dos agricultores em âmbito internacional e só têm 10% dos títulos de terra temos uma dimensão da defasagem. Diante dessa situação, elas têm dificuldade de acesso ao crédito, à assistência técnica e a várias outras políticas públicas”, disse.

O conselheiro enfatizou entre os avanços recentes nessa área, a definição pela FAO, no ano passado, de diretrizes voluntárias para governança da terra. Trata-se de um conjunto de referências que podem ser usadas por governos e outros atores na administração dos direitos de posse da terra, da pesca e das florestas.

“Há países da África e do Oriente Médio em que as mulheres sequer têm direito no processo de sucessão das terras”, ressaltou, explicando que, nesses locais, caso o marido, dono da propriedade, morra, sua esposa não é considerada herdeira da terra.

A presidenta da Frente Parlamentar contra a Fome da República Dominicana, deputada Guadalupe Valdez, enfatizou o papel das trabalhadoras rurais na garantia da segurança alimentar e nutricional dos países da região. Ela defendeu que as experiências compartilhadas entre os governos e as organizações da sociedade civil das nações do continente ajudem, também, países africanos, que “vivem situações muito difíceis para as mulheres e na luta contra fome ”.

“É preciso fortalecer e fiscalizar a aplicação de políticas públicas voltadas às mulheres rurais, praticamente invisíveis em nossos país por muitas gerações. A luta contra a fome é um compromisso ético inegociável”, disse.

Da Agência Brasil

Ig
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