Comentários ‘Humor’
Duas semanas, em tempo de pedreiro, transformam-se facilmente em três, quatro, cinco MESES!
O gato se afeiçoa rápido a outras pessoas, mas não me abandona jamais.
Sou um perfeito desastre como mulher, porém tenho qualidades interessantes e divertidas.
Por mais que eu seja honesta, não significa que os outros agirão da mesma forma comigo.
É possível dividir tempo & espaço com alguém sem a sensação pavorosa de aprisionamento.
Obra é uma fonte inesgotável de problemas. Excelente exercício para adquirir paciência, resignação e dívidas. E por falar em dívidas… Quem não deve, não tem!
Às vezes, retidão, é sinônimo de aborrecimento. Os espertos, estúpidos, esquentadinhos de plantão conseguem o que querem. Os demais, não!
O projeto melhorias pessoais faz efeito.
Arte é necessária e importante. Mais do que móveis novos, panelas coloridas e roupas fashion. Arte é arte e dispensa comentários.
Por mais que eu brigue com o médico, ele continua me tratando com respeito e carinho.
Minha preguiça é do tamanho do mundo.
As flores de plástico não morrem. Farinha aberta ou fechada no armário dá caruncho. Caruncho se reproduz muito rápido.
Cinza é lindo. Combinar a decoração do apartamento com a cor do gato… é para poucos!
Sou alérgica à picada de insetos.
Consigo lidar com sarcasmo, alfinetadas matinais e comentários irônicos. Dou risada e, até, sinto falta quando esmorecem.
Comprometimento e vergonha na cara são itens raros no ramo da construção. Ah! Educação é item de luxo.
Os outros serão, eternamente, mais preocupados com a minha vida do que eu. O meu descaso é diretamente proporcional à preocupação dos outros.
Terapia & Acupuntura & Homeopatia não são balelas.
Sou muito, muito, muito bagunceira. Tem gente que não se incomoda – nem um pouco – com isso.
Gato faz controle de pragas, mia muito quando está carente e não come caruncho.
Tenho sempre duas atitudes a tomar frente às dificuldades: positiva ou negativa. A escolha é minha!
Adoro resmungar.
Carolina Vianna é fotógrafa, Poderosa e escreve para o Mulheres no Poder.
Todas as boas crises já se foram. Restaram-nos, então, as ridículas. Apenas as crises ridículas. A pia molhada, o chinelo virado, a porta aberta do armário. Para onde foram os televisores jogados das janelas e os pulsos cortados? Já não se grita mais como outrora gritamos. E com as boas crises foram-se as boas brigas.
- Não, senhora. Grito está em falta. Quer levar uma DR civilizada num restaurante francês?
- Passo.
O gosto misto de sangue e lágrimas dá lugar ao drops diet. Gosto de vida morna. Sexo sem suor. Correto. Calado. Sufocado. Quase morto. Entre quatro paredes. O som que não saiu daquela boca aberta de onde se esperava o agudo final. O riso gasto acompanhado de um olhar de soslaio. De esguelha. Sim. Nossos olhares tão firmes, hoje são de esguelha.
A personalidade que se esvaiu. A alma foi partida. Somos, hoje, impressos de uma mesmice tola. Palavras formando textos que não se sustentam. E são esquecidos. Esquecidos também são os nomes, as fisionomias, as pessoas. Até não restar lembrança alguma do que fomos um dia.
A repetição marcada de uma ação. A mente exaurida. A mente vazia. Preparação eterna para o momento que não chegará porque teve fim antes de ser iniciado.
E a tela volta a ser branca.
E, talvez, tenhamos alguma esperança.
Carolina Vianna é fotógrafa, Poderosa e escreve para o Mulheres no Poder.
Cópia
s.f. Reprodução manual ou automática de um texto, documento etc.
Imitação exata de uma obra de arte: cópia de um quadro.
Imitação desonesta de uma obra; plágio:
Diário
s.m. Livro de anotações contendo a narrativa diária de experiências pessoais. Na literatura inglesa, encontra-se grande número de diários importantes.
Gerúndio
s.m. Forma nominal e invariável dos verbos, proveniente do ablativo do gerúndio latino, e caracterizada, em português, pela desinência -ndo: copiando, refazendo, reproduzindo, pondo.
diário-gerúndio*
pensando em hades & tártaro. sobrevivendo ao caos. arrastando os pertences dentro do saco de pim. agarrando o saco. lutando com unhas e dentes. sabendo como é.
…
vivendo na ilha da fantasia. usurpando mimos do verdadeiro rei. engordando o cão. ludibriando o rei. simulando contrição. ouvindo ultrajes. respirando fundo. retrucando insultos. semeando a discórdia.
…
disfarçando indecências. escondendo carências. dissimulando intenções. resvalando para a concupiscência. desviando o olhar dos olhos inquisidores da matrona. criando subterfúgios & submergindo. querendo o nada de atreyu.
…
adquirindo micróbios, germes e doenças na rede de alcance mundial.
…
sonhando & ansiando & vivendo & respirando & pensando 24×7 no mausoléu & na obra & na arte. procrastinando as famigeradas promessas de fim de ano. fumando.
…
sendo sereia em terra firme.
*Fonte de inspiração
O Carnaval que existe hoje vem da sociedade vitoriana. Copiado de Paris por Nice, Nova Orleans e Rio de Janeiro. O Rio criou um estilo próprio a partir do que havia copiado. Acrescentou o desfile das escolas de samba e com isso ganhou pompa e magnitude. Virou uma festa suntuosa e diferente que, por sua vez, foi copiada por São Paulo, Tóquio e, pasmem, Helsinque.
Dizem que a origem dessa festa aconteceu na Grécia. Servia para agradecer aos deuses pela fertilidade do solo, produção e boas colheitas. A palavra vem do latim “carne vale” que significa “adeus à carne”. Era feita de cultos e cânticos.
Hoje em dia poderia ser ad carne, lorem carne, grata carne. (Não entendeu? Google tradutor existe pra isso!)
Pois bem, depois dos gregos vieram os romanos que adoraram a festinha e introduziram vinho e sexo. Tornando-a mais aprazível, ao menos, aos olhos do povo. Uma festança na minha visão! Dionísio, Baco, Saturno e, é claro, Pã se divertindo horrores e tomando bons drink. A igreja, não curtiu nadinha e censurou geral, adotou a festa e baniu os atos pecaminosos.
Isso tudo rolou na visão de alguns historiadores. Encontramos, ainda, a origem do carnaval no Egito com festas dedicadas à Ísis e ao Touro Apis, nos bacanais romanos e , também, com o entrudo português. Enfim, independentemente da origem, sempre foi festa.
Não sou fã número um do carnaval, mas aproveito o feriado para fazer alguma coisa diferente. Mesmo que seja “tirar o atraso” do sono. Já tive catapora, fugi pra Porto Alegre uma vez, outra fui pra Nova Iorque. Duas vezes me joguei na esbórnia: Salvador e Diamantina. No último ano aproveitei os dias extras pra me recuperar de uma cirurgia.
Esse ano vou trabalhar. Sexta, sábado e um pouquinho do domingo. É. Inusitado, não? Vamos fingir que eu estou gostando disso pra não começar a ladainha das reclamações sem fim.
Ainda aproveitarei segunda e terça. Ah, quarta também! Já que os meus princípios não me permitem trabalhar na quarta-feira de cinzas. E se alguém da repartição reclamar, paciência, é só lembrar quem passa o Natal e o Ano Novo lá na seção, ok?
Despeço-me desejando um excelente carnaval. Pra quem vai viajar e pra quem programou uma boa hibernada. Pra quem vai tomar todas, pra quem não bebe nada. Pra quem vai trabalhar e resmungar também. Enfim, pra todos!
Boa festa e juízo.
(pouquinho, né!)
Carolina Vianna é fotógrafa, Poderosa e escreve para o Mulheres no Poder.
Batata sabor estrogonofe, viagem turística para a Lua, chip subcutâneo com identidade e cartão de crédito integrados, arquipélagos artificiais, órgãos desenvolvidos em laboratório, amor virtual, sexo online, máquinas de prazer, pílulas para ser feliz, alimentos transgênicos, seleção de características genéticas para a prole. E por aí vai.
O futuro me assusta!
Isolados pela Globalização!(Igreja Evangélica – Comunidade do Amor)
Não sei o nome da vizinha que mora ao lado, mas mando cartão pra filha do meu amigo virtual que mora na Alemanha e eu nunca vi. Quase não visito minha família, mas curto tudo o que eles dizem no facebook. Odeio dar satisfações, mas digo o que estou fazendo de hora em hora no twitter.
O futuro me distancia!
Nostalgia (sf.) 1. Tristeza e melancolia por sentir saudades da pátria. 2. Saudades de algo relacionado ao passado. 3. Estado de tristeza sem motivo certo. [F.: Do fr. nostalgie.]O mundo muda, mas o sentimento gregário do ser humano é atávico. Está impresso em nosso código. Nada é tão estranho quanto a sensação de vazio que essas novas formas de relações sociais nos trazem. Adaptamo-nos a diferentes situações sem grandes dramas, mas o vazio apavora. Somos resilientes. Podemos nos acostumar com o novo. Mas com o isolamento? Nunca! Nós precisamos de gente!
Tá louco o mundo? Por que tudo junto se escreve separado e separado se escreve tudo junto?
(autor desconhecido)
Conectados o tempo inteiro. Sem descanso. Rodeados por milhões de pessoas. Sem amigos. Compartilhando tristezas, alegrias e muito mais informações do que deveríamos.
E continuamos sós.
Eu estou com medo do futuro!
Carolina Vianna é fotógrafa, Poderosa e escreve para o Mulheres no Poder.
- Posso passar uma semana na sua casa?
- Até pode, mas por quê?
- Vou reformar o banheiro e o pedreiro disse que resolve em uma semana.
- Então traz roupa para duas semanas. Eles, normalmente, demoram mais do que o previsto.
1ª Semana: A empolgação!
Depois de decidir como seria o banheiro novo, baseada nas milhares de revistas de banheiro que havia lido, comprei os materiais de construção. Sonhava acordada com a linda decoração que imaginada.
2ª Semana: O medo.
Na primeira visita à obra, caí na real. Tudo sujo. Destruído. Até o teto o pedreiro conseguiu quebrar ao retirar o box de lá. A cada dia um pedido novo. Falta isso, falta aquilo. Tudo condenado, quebrado, estragado. Ainda na fase da destruição. A nova rotina compreende visitas diárias às lojas de construção. Potencial de VDM* com marcador no nível vermelho escuro.
3ª Semana: O atraso…
Os pedreiros habitam um universo paralelo onde a contagem de tempo é completamente diferente da que conhecemos e que funciona no mundo real. Parecem aqueles médicos que marcam consultas com duração de uma hora, mas o fazem em intervalos de 15 minutos. São duas categorias que pensam ter portais do tempo. Só pode!
- Não era uma semana?
- É, dona Carol, mas tem que ver a fiação, consertar um vazamento e…
- Tá! Quanto tempo?
- Mais uma semana.
4ª Semana: O Festival dos erros!
A bancada de concreto foi destruída pela 2ª vez e, ainda assim, não ficou do tamanho certo. O apoio para a cuba foi furado do lado errado. O blindex ficou menor do que a janela, sobraram pecinhas depois de montar o box, o rejunte manchou, o teto descascou, a porta “deu barriga” após a pintura…
- Deu barriga?
- É. Sozinha.
- Jura???
- É dona Carol, acho que o material não era de boa qualidade.
- Sei… e termina quando?
- Só mais uma semana…
5ª Semana: Tocando o F…-se!
Então, caí no esquema do “Já que…”. Já que o pedreiro era péssimo, troquei por outro no meio do serviço. Já que tem entulho por toda parte, vou trocar também o piso. Já que o apartamento está bagunçado, vou aproveitar para pintar as paredes. Já que estou com ódio de obra, vou fazer uma reforma geral para não ter de passar por isso de novo tão cedo.
10ª Semana: Dúvida cruel.
É sempre assim ou só com os marinheiros de primeira viagem?
Carolina Vianna é fotógrafa, Poderosa e escreve para o Mulheres no Poder.
O esperado Ano Novo chegou. O próprio tempo se encarregou de trazê-lo até aqui. E mesmo ainda tão novo já tem história para contar. A mudança de um Ano para outro, pensando-se exclusivamente na diferença de apenas um numeral, não é lá tão significativa assim. Já em relação ao Novo vai depender de como cada um resolveu desafiá-lo.
Essa passagem de um ano para o outro, aqui, ali e acolá tão festejada costuma renovar promessas e sonhos, estimular a criação de novas perspectivas e dar alma nova à fé e à esperança. A esperança de, simplesmente, ser feliz.
E nesse mote, a felicidade vem ganhando corpo, ao ponto de ocupar as cabeças mais pensantes ao redor do mundo. Inusitadamente, pretendem que a sensação de alegria, satisfação e paz proporcionada pela felicidade ultrapasse a esfera individual para projetar-se no sentimento coletivo, como forma de dizer ao poder público, que ali se tem boa qualidade de vida.
A Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) em meados do ano passado reconheceu a busca pela felicidade como “um objetivo humano fundamental”, delegando aos seus países-membros, dos quais o Brasil faz parte, a obrigação de fazê-la acontecer através da adoção de políticas públicas. Para a ONU povo desenvolvido é povo feliz e vice-versa.
Nesse pensar, a felicidade e o desenvolvimento de uma nação estariam atrelados de tal forma e intensidade que seria possível aferi-los pelo “Índice de Felicidade Interna Bruta” ─ “FIB” ─ aliás, nos moldes criados pelo rei do Butão, pequenino país asiático ao sul da China, que está a influenciar o mundo. Lá, leva-se a sério as políticas públicas de bem-estar social no compromisso de tornar o seu povo o mais feliz de todos os povos.
Medindo-se a felicidade através do FIB afastar-se-ia o modelo de medição do desenvolvimento de uma nação, apenas considerando os “frios indicadores econômicos do Produto Interno Bruto – PIB”, como dizem os economistas.
A equação supostamente é simples: direitos sociais respeitados = desenvolvimento = felicidade.
Entre nós, antecipando-se, inclusive, à ONU, o Senador Cristovam Buarque e a Deputada Federal Manuela D’Ávila são autores da Proposta de Emenda à Constituição – PEC 19/10, conhecida como PEC da Felicidade, que tramita ao mesmo tempo nas duas Casas, Câmara e Senado, já tendo sido aprovada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal, em novembro de 2010. Ao final do périplo, se aprovada, o artigo 6º da nossa Constituição passará a ter a seguinte redação: “ são direitos sociais, essenciais à busca da felicidade, a educação, a saúde, alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados”.
Respeitando-se as genuínas intenções da PEC da Felicidade, que pretende encomendar uma utópica felicidade coletiva, nada disso seria necessário se apenas fosse observado, e cumprido à risca, o que reza o preâmbulo da Constituição Federal/88, cujo detalhamento está no próprio dizer do art. 6º, objeto da emenda. A nossa Carta Magna instituiu o Estado Democrático que assegura, como valor supremo, dentre outros, o exercício dos direitos sociais. Assim, repita-se, os direitos sociais já estão garantidos pela Constituição e se bastam. Não há necessidade da criação de mais um dispositivo somente para fazer o Estado assumir a responsabilidade de proporcionar as condições para que os cidadãos brasileiros sejam e sintam-se felizes. A Constituição já lhe imputou essa responsabilidade.
Essa preocupação em criar algo novo sobre o que já existe dispende precioso tempo e energia de trabalho de todos os envolvidos no processo, que poderia ser gasto na busca de efetivos resultados pelo simples cumprir das leis vigentes .
E se o “FIB” ainda não explodiu de felicidade a explicação é tão eloquente que só resta lamentar.
Katia Dias Freitas é advogada em Brasília
Contato: contato@freitastotolipedrosa.adv.br
É tão bom quando a gente aprende a rir das merdas que faz. Tá, não só das merdas. Mas da gente mesmo. Das trapalhadas. Mancadas. Burrices. Tolices. Infantilidades. Mediocridades. Mesquinharias. E desse monte de besteira que preenche os nossos dias.
“Não levar tão a sério!” Expressão fantástica. Do tipo fácil de entender e dificílima de fazer. Se fosse receita, em site ou livro de culinária, deveria ter 5 estrelinhas no grau de dificuldade. E se o livro fosse escrito por mim teria até um “putaqueopariu!” entre parênteses.
É assim, o povo vai dizendo e a gente vai ouvindo. Num belo dia a coisa acontece. Rola um clique. E você ri. Faz a maior cagada do mundo e ri. E não para. E acha graça mesmo. Não é fachada. O clique é sério.
Não sabe de onde veio. Nem sabe como aprendeu. Nem fica se perguntando se foi osmose, idade ou maturidade. A coisa se introjeta de tal maneira que fica natural. Ri até jogar a cabeça pra trás.
Pensa, no máximo, em uma maneira de consertar. No mínimo, acha melhor ficar quieta por um tempo. Afinal, não sabe se o alheio também já aprendeu a rir de si mesmo.
Quem ri de si mesmo não guarda tantas mágoas. Não se culpa tanto. Não remói. Não se envenena. E não deve ter gastrite nervosa, eu acho.
Quem aprende a rir de si mesmo vive sem tantos atropelos. Sem tantos desassossegos.
Não sente vergonha ao pedir desculpas. E toca a vida numa boa.
Não sei se vive feliz. Porque a felicidade, ao meu modo de ver, não é a constante “k”.
Felicidade, para mim, é o caminho. Ou saber que está no caminho. Mesmo quando se desvia um pouco. Mesmo quando pega um atalho errado. Mesmo quando se perde e dá uma volta enorme para retornar ao tal do caminho.
Parece confuso. Às vezes é. Às vezes não.
Mas quem ri de si mesmo vive de maneira mais simples. E eu, sempre que posso ou consigo, prefiro ser simples. E leve! Em todos os sentidos.
Carolina Vianna é fotógrafa, Poderosa e escreve para o Mulheres no Poder.
A repartição pode ser um lugar agradável, desde que você tome alguns cuidados.
Preste atenção.
No início, assemelha-se à selva. Você deve adentrar com cautela. Evitar contato com os animais peçonhentos, por exemplo, as cobras. Ao avistá-las, fuja imediatamente.
Faça o reconhecimento do território. Guarde bem os trajetos que percorrer em sua cabeça. Sem barulho. Não atraia atenção durante esse período. Observe. O silêncio, na selva, pode salvar sua vida.
Você poderá encontrar, também, araras, papagaios, maritacas, onças pintadas, macacos gordos, leões, jacarés, formigas, escorpiões e, quem sabe, um jabuti.
Talvez não veja todos. Talvez se depare com outros diferentes. Isso não importa. Permaneça alerta! Você está na selva.
Desconfie das trilhas mais fáceis, podem ter armadilhas. Não se jogue em águas calmas, verifique antes a existência de peixes perigosos.
Com o passar dos anos você se acostuma à selva e passa a enxergá-la como um zoológico. Você se sente no Simba Safari com todos os bichos transitando soltos. Agora você já enrola a cobra no pescoço e tira fotos pra colocar na rede social. Convive melhor com os animaizinhos e até os defende. Levanta bandeiras e tudo mais. Eles parecem tão domesticados, tão inofensivos.
No zoológico da repartição os animais relacionam-se razoavelmente bem. Cada um no seu território, é claro. Ora defendem seu terreno, ora dividem. Alguns somam forças para a sobrevivência. Outros, como os lobos solitários, andam eternamente à espreita de um deslize para aproveitar a oportunidade de algo melhor. E tem ainda aqueles que, vez ou outra, atacam deliberadamente o espaço alheio. É. Eles não estão mais em total condição de selvageria, mas mantem seus instintos.
O lugar passa a ser prazeroso, alegre, divertido. Não é mesmo? Então escolha seu bando de acordo com seus hábitos ou qualquer característica que julgue mais interessante. Se preferir, não se junte a ninguém. Você já passou pela selva, sobreviveu, está no zôo e é feliz.
Enfim, feliz na repartição!
Mas não se assuste se passar por um espelho d’água e notar que cresceram pelos, garras ou plumas em você. Esse é o preço!
Carolina Vianna é fotógrafa, Poderosa e escreve para o Mulheres no Poder.
A ideia surgiu de uma conversa. Pra dizer a verdade, foi inspirada em uma ação similar. Tá, tudo bem! Foi copiada. No sentido, não na integralidade. Pensei naquilo por mais de uma semana.
Sim, sinto falta de companhia. Às vezes, fico carente. Mas não é coisa grave que necessite de alguém o tempo todo. Um contato esporádico pode resolver isso. Isso e a questão física, é claro! Essa é a mais complexa.
Poderia fazer entrevistas. Ou um leilão. Não, leilão lembra bailão que lembra peão que lembra música sertaneja. Eu não gosto de música sertaneja. Não muito.
Perco o foco. Licitação, leilão, não. Nenhum ão! Muita formalidade. Um site na internet talvez. É mais descontraído, casual… Casual! Essa é a palavra.
Casual: adj. Que depende do acaso; fortuito; ocasional.
Fortuito é um luxo! Devaneio de novo e me perco nas palavras. Voltando à ideia inicial. Sim, decidi. Vou fazer! A forma não será rígida. Traço um perfil, decoro um questionário e aplico quando tiver interesse. Assim, no meio da conversa, com intuito de passar despercebido. Quando chegar em casa faço o placar e pronto, escolho o que quero. Fácil!
Foi o que pensei.
- O que você gosta de fazer?
- Ah… Gosto de sair, mas também curto ficar em casa. Bebo de vez em quando, cozinho, saio com a galera pra balada.
- Você tem muitos amigos?
- Eu faço o tipo popular, saca?
- Hmm.. acho que sei.
- Tudo me diverte, menas pessoas chatas, sabe? Gente que tá sempre insatisfeita, reclamando. Tipo mimimi. Isso eu não topo
Saca já estava difícil, mas menas? Bah! Menas, nem o Lula, companheiro! Menas, não dá. Não é preconceito. É crivo! Parti, então, para uma abordagem mais direta. No meu ponto de vista, é óbvio!
- Não é que eu tenha medo de relacionamento ou compromisso. Só acho que não é o momento, entende?
- Claro.
- Então fico só. De tempos em tempos aparece uma ou outra pessoa. Coisa casual.
- Pra tirar o atraso, né?
- O quê?
- Olha, gata, que tal pularmos esse nhenhenhem do jantar e irmos direto lá pra casa?
Não era exatamente o que eu estava esperando. Não sou muito exigente, mas isso foi tosco. Rude. E depois? Me joga na parede e me dá umas bofetadas? Ah, assim não quero. Bruto, só no sentido “não refinado”. Mal-educado, nem pensar!
Mudei a tática. Gênero: romântico. Perfil: princesa. Mulher fresquinha perde. Vestido florido, arranjo no cabelo (escovado, é claro), sapatinho de boneca. Mais tons de rosa em uma só pessoa do que na casa da Barbie inteira. Creperia. Suquinho e salada. Sugestão dele. Acatada com boa vontade de Amélia.
- Você não gosta de fazer as unhas?
- Err.. Não tive tempo essa semana.
- A sobrancelha também não, né?
- Não. Marquei salão para amanhã.
- Qual salão você frequenta?
- Fica naquele Shopping perto do meu trabalho.
- A-DO-RO o cabelereiro de lá!!! Ele é um gênio da tesoura!
- É… (amiga)
Definitivamente é melhor começar à distância. A primeira conversa, agora, é por e-mail. Regra estabelecida! Nada de encontros às escuras. Chega de enrascadas.
Tentei, por fim, um site de relacionamentos. Existem aos montes. É possível enunciar os atributos desejados, listar suas principais características e escolher aquilo que você pensa que combina.
Usei imagem fidedigna. Fui discreta, mas sincera. Quando supus ter encontrado o par compatível, a surpresa final!
- Olha, Dona, vi que você se interessou por mim e já que vamos nos encontrar preciso te dizer uma coisa… pra beijar e dormir de conchinha é mais caro, tá?
E foi assim, meninas, que eu virei lésbica!












