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Cartilhas e cartazes serão distribuídos em todos os terminais rodoviários. No ano passado, DF registrou 42 casos de abuso contra 32 em 2012.

Cartaz que será afixado em ônibus e terminais do DF (Foto: Lucas Salomão/G1)

A Secretaria da Mulher do Distrito Federal, em parceria com as secretarias de Transporte e de Segurança Pública, lançou nesta segunda-feira (24) a campanha “Assédio sexual no ônibus é crime”. O objetivo do programa é conscientizar a sociedade e encorajar mulheres vítimas de abuso a denunciarem os agressores.

Em 2013, o DF registrou 42 denúncias de abuso sexual contra mulheres no interior de ônibus, vans e do Metrô, contra 32 em 2012. Segundo a secretária da Mulher, Olgamir Amância, o número de casos é muito maior do que o registrado. A estimativa é que mais 90% das situações não são denunciadas.

“Algumas mulheres sofrem caladas, não denunciam o assédio porque não sabem que se trata de um crime e, muitas vezes, não fazem a denúncia por vergonha. Em alguns casos, elas se sentem até culpadas pelo abuso”, diz a secretária. “É preciso, também, conscientizar a sociedade para defender a vítima e estimular que elas denunciem. É um passo a passo.”

Para a campanha, foram confeccionados três mil cartazes, que serão afixados em toda a frota de ônibus e em todos os terminais rodoviários do DF. O programa também prevê a distribuição gratuita de 20 mil cartilhas com explicações sobre o que é o assédio sexual, as punições previstas e como fazer a denúncia.

Há ainda a previsão de cursos educativos para cobradores e motoristas sobre como agir em situações de assédio dentro dos veículos e a publicação de anúncios em jornais, rádio e em painéis eletrônicos na Rodoviária do Plano Piloto sobre o tema.

No ano passado, o Plano Piloto registrou oito casos de assédio, mesmo número de 2012, e lidera como a região com o maior número de ocorrências no DF. Em seguida estão Taguatinga, com seis casos, Gama, com cinco, Ceilândia, com três, e Planaltina, com dois casos registrados.

Um levantamento feito pela Secretaria de Segurança Pública aponta que os dias quando mais ocorreram casos em 2013 foram quinta e sexta, e o horário de maior incidência é entre 18h e 21h.

A delegada-chefe da Delegacia da Mulher, Ana Cristina Santiago, afirma que o assédio sexual pode variar de importunação ofensiva ao pudor, contravenção cuja pena é uma multa estipulada por um juiz, até estupro, cuja pena varia de seis a dez anos de prisão.

“É muito importante que as mulheres denunciem, pois isso facilita a identificação do autor do abuso”, diz a delegada. “Por isso, precisamos que todos estejam atentos e conscientes da gravidade deste crime, já que muitas vezes, por nervosismo, a mulher não atenta para detalhes físicos do suspeito. As testemunhas são fundamentais.”

Do G1

Copa terá campanha de combate à exploração sexual de crianças e adolescentes Marcelo Camargo/Agência Brasil

A campanha “Não desvie o olhar”, contra a exploração sexual de crianças e adolescentes, foi lançada hoje (24) em Brasília para inibir os crimes e incentivar as denúncias durante os grandes eventos esportivos. A ação será nas 12 cidades-sede da Copa do Mundo no Brasil, em locais de grande concentração de pessoas.

Com o slogan “Exploração sexual de crianças e adolescentes é crime. Denuncie. Disque 100”, a campanha é apresentada pelos jogadores de futebol brasileiros Kaká e Juninho Pernambucano. A ideia é incentivar as pessoas a denunciar os crimes por meio do Disque 100 e outros locais de atendimento.

Para o coordenador-geral do Sistema de Garantia de Direitos de Crianças e Adolescentes, Marcelo Nascimento, o país está se preparando para evitar o crime. “É um diálogo com a sociedade, não só para Copa do Mundo, mas em outros grandes eventos. Que fique o legado de que no Brasil não aceitamos violação aos direitos humanos de crianças e adolescentes”, disse Nascimento, explicando que o Disque 100 contará com equipes extras durante o Campeonato Mundial de Futebol.

Durante a Copa do Mundo de 2010, houve aumento de 30% nos casos de exploração sexual de crianças e adolescentes na África do Sul, o que motivou a iniciativa brasileira. A campanha, em português, inglês e espanhol, será veiculada também em 19 países da Europa e África.

Para a procuradora-geral de Justiça do Distrito Federal e Territórios, Eunice Carvalhido, a campanha levanta um assunto urgente. “A articulação do Poder Público abre caminhos contra a prática, que em muitos casos acontece com a conivência das famílias, e ao ato segue-se a ameaça e o medo, então, é preciso habilidade dos agentes de saúde e da assistência social para dar um bom encaminhamento às vítimas”, disse Carvalhido.

A iniciativa é da Secretaria da Criança do Distrito Federal, do Comitê de Proteção para os Grandes Eventos do Distrito Federal, do Conselho Nacional do Serviço Social da Indústria e da Frente Nacional de Prefeitos.

Da Agência Brasil

Neste mês começou um ciclo de reflexões chamado Pequim+20, que lembra a conferência sobre os direitos das mulheres realizada pela ONU em Pequim.O objetivo é analisar os avanços desde a conferência há 20 anos. No Brasil, as mulheres ainda enfrentam problemas e desafios. Confira.

 

 

Da EBC

Acompanhada do ministro do Esporte, presidente se encontra com cruzeirense e juiz Márcio Chagas, que sofreram discriminação em estádios recentemente

Presidente Dilma Roussef posa entre Márcio Chagas Filho e o cruzeirense Tinga (Foto: Divulgação Planalto.gov.br)

A presidente Dilma Rousseff recebeu nesta quinta-feira, no Palácio do Planalto, em Brasília, o volante Tinga, do Cruzeiro, e o árbitro gaúcho Márcio Chagas da Silva, que foram vítimas recentemente de ofensas racistas em estádios de futebol. O encontro foi solicitado pela própria presidente, que queria demonstrar pessoalmente sua solidariedade aos dois. Dilma aproveitou para reforçar também o objetivo do governo de usar a Copa do Mundo para combater o racismo no país.

- Foi um encontro interessante. A presidente se preocupou com as situações que ocorreram no último mês, e tive a oportunidade de falar sobre outras coisas que também acontecem no nosso país em termos de preconceito, seja com religião, opção sexual, forma física, entre outros – relatou Tinga após o encontro.

- Ela (Dilma) se mostrou solidária pelos fatos que aconteceram comigo, com o Tinga, com o Arouca, e tantas outras pessoas que sofrem preconceito no seu dia a dia. É importante encamparmos algo que faça com que a população comece a se dar conta do que está acontecendo e agir de forma que isso seja minimizado. Não podemos ter a utopia de que vai acabar, mas podemos conseguir minimizar com mobilização, mostrando o que acontece, e não mascarando como vinha sendo feito – completou Márcio Chagas.

Além do jogador e do árbitro, também participaram da reunião o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, a ministra Luiza Bairros, da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), e o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência da República. Durante o encontro, a presidente recebeu de Tinga um livro e uma camisa do Cruzeiro. Atleticana, Dilma brincou com os presentes.

- O povo do Atlético vai me matar – disse a presidente sorrindo.

O volante Tinga foi hostilizado por torcedores do Real Garcilaso, do Peru, durante partida do Cruzeiro pela Libertadores, no dia 12 de fevereiro. Na ocasião, torcedores do time peruano ficaram imitando sons de macaco a cada toque do volante cruzeirense na bola.

Já o árbitro Márcio Chagas da Silva encontrou bananas no seu carro após partida entre Esportivo e Veranópolis, pelo Campeonato Gaúcho, no dia 6 de março (acompanhe agora o julgamento do Esportivo, denunciado por racismo, em Tempo Real).

Outro caso de racismo no Brasil também foi registrado recentemente. O volante Arouca, do Santos, foi chamado de macaco por torcedores no momento em que concedia entrevista após a vitória por 5 a 2, sobre o Mogi Mirim, pelo Campeonato Paulista, no dia 7 de março.

- Na minha opinião, no nosso país temos todo o tipo de preconceito. Também manifestei isso e falei para a presidente que acredito que somente através da educação é possível resolver. A educação é o que nos faz pensar nos outros – disse Tinga.

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Foto Agência Brasil

As mulheres paulistanas vítimas de violência terão, a partir do final de 2014, um abrigo provisório, local onde poderão permanecer com seus filhos enquanto recebem apoio de uma equipe multidisciplinar. “A mulher em uma situação de vulnerabilidade que não tem para onde ir, e ainda não é o caso de ir para uma casa abrigo, fica na Casa de Passagem até a saída do ciclo de violência”, explicou a ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, Eleonora Menicucci.

A primeira Casa de Passagem na capital paulista ficará no bairro Vila Mariana. Diferentemente dos abrigos existentes, que recebem mulheres em situação de risco, as casas terão endereços conhecidos. Para o financiamento do projeto, São Paulo vai receber R$ 3 milhões do governo federal.

A cidade de São Paulo assinou acordo destinado a treinar a Guarda Civil Metropolitana para atender às ocorrências envolvendo violência contra a mulher. Os policiais serão orientados a respeito da Lei Maria da Penha, e aprenderão sobre o melhor encaminhamento a serviços dedicados à mulher.

Outro projeto voltado para o acolhimento das vítimas de violência é a Casa da Mulher Brasileira, que será aberta em 11 capitais, a partir de junho de 2014. A casa reúne Defensoria Pública, Delegacia da Mulher, além de serviço de apoio psicológico, social e encaminhamento a emprego.

As primeiras capitais a receber o projeto são Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Belo Horizonte, Vitória, Fortaleza, São Luís, Porto Velho, Rio de Janeiro, Salvador e Teresina. Segundo Eleonora, cada cidade vai receber da secretaria R$ 4,68 milhões, além do terreno doado pela União.

A ministra Eleonora Menicucci destacou uma parceria com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica que resultará em acordos a serem firmados com o Sistema Único de Saúde (SUS), para correções cirúrgicas em mulheres deformadas pela violência.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, informou que o país tem investido na ampliação de assistência às mulheres dentro do SUS. “Nós tínhamos 80 serviços como esses em 2003. Agora, em 2013, são mais de 620 serviços em todo o Brasil. Colocamos também, como regra, que todo profissional de saúde, em qualquer unidade de saúde, é obrigado a fazer a notificação quando desconfiar que a mulher é vítima de violência”, disse ele.

Da Agência Brasil

Ministra Eleonora Menicucci (Bruna Ramos)

A ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, disse hoje (4) que 20 estados assinaram o termo de adesão ao Programa Mulher, Viver sem Violência, lançado em março pelo governo federal. A meta é que até fevereiro de 2014 todas as unidades da Federação tenham aderido ao programa.

O programa prevê, entre outras ações, a construção de centros chamados Casa da Mulher Brasileira, que integrarão serviços públicos de segurança, justiça, saúde, assistência social e orientação para o trabalho, emprego e renda em todos os estados. “Até 30 de junho, vamos inaugurar 11 casas e até o final de 2014, inauguraremos todas as casas”, disse a ministra que participou do programa Bom Dia, Ministro. O programa é produzido pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República em parceria com a EBC Serviços.

Eleonora informou que a Central de Atendimento Ligue 180 vai mudar para Disque 180 até o fim do mês. “Essa mudança vai melhorar a vida das mulheres porque a resolução dos seus problemas vai ser imediata. No Ligue 180, a mulher liga, pede informações e é linkada ao 190. A partir de agora, a mulher vai ser linkada a um serviço mais perto, como uma delegacia ou um Cras [Centro de Referência de Assistência Social]”, disse.

Sobre o número de estupros em 2012, que subiu 18,17% na comparação com o ano anterior, a ministra disse que um dos motivos da elevação é que as mulheres estão denunciando mais. “[Elas] estão mais confiantes [para denunciar]”, destacou. A ministra lembrou que a presidenta Dilma Rousseff sancionou em 1º de agosto a Lei 12.845 de assistência integral e universal a toda mulher vítima de violência sexual, incluindo a obrigatoriedade do uso da pílula do dia seguinte, para impedir a gravidez indesejada.

Em relação ao desencorajamento que muitas mulheres relatam sentir no momento da ocorrência, Eleonora disse que as delegacias têm sido mais contundentes no combate à violência doméstica. “Delegada nenhuma tem o direito de desacatar a mulher, mandá-la embora e pedir que ela volte depois. A delegada tem como missão ouvir a mulher, respeitar a queixa, não a julgar e encaminhar o pedido dela a uma vara especializada para expedição de medida protetiva.”

A ministra informou que vai participar de uma audiência pública nesta quarta-feira na Câmara dos Deputados para discutir o relatório elaborado e aprovado em julho pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Violência contra a Mulher. “Essa CPMI identificou e diagnosticou as condições dos serviços de atendimento às mulheres em situação de violência no Brasil que não são nada bons”, disse.

Da EBC

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Cada dia me convenço que as redes sociais são “faca de dois gumes”. De boca-a-boca, aliás, de “curtir e compartilhar”, usando da mesma linguagem, fatos e fotos espalham-se quase na velocidade da luz. Conforme a marcha da carruagem condenam ou absolvem sem qualquer critério. É arma de potencial atômico, para o bem e para o mal.

A essa altura já se sabe qual o lado bom. Já o lado ruim vem sendo descoberto à medida da repercussão do dano que causa a terceiros. Sendo vítima ou agente da disseminação da falsa ou vexatória informação (calúnia e difamação), existem consequências cíveis e penais. Por isso mesmo o Direito já vem correndo atrás desse prejuízo, se especializando na área, no afã de preencher essa moderna e recente lacuna.

Não nos esqueçamos dos tristes episódios recentes de vazamento de fotos nas redes sociais que resultaram no suicídio de jovens.

Cautela e canja de galinha nunca fizeram mal a ninguém, o que bem se aplica ao caso. Assim como todos nós temos nas digitais o reconhecimento de nossa identidade, cuidado, seu computador, também, tem a dele, única, como a nossa. O “IP” (“internet protocol”) pode ser rastreado, indicando quando, onde e a autoria do fato.

Falando em identidade, li num sítio de noticias que um mesário,19 anos, chileno, divertindo-se com o “bizarro” nome de um cidadão que votava, fotografou a sua identidade e a postou numa rede social. Dessa forma, dois dias após a foto navegar pela rede e rodar meio mundo, Shakespeare Mozart Armstrong ganhou notoriedade além mar, sendo alvo de todo tipo de chacotas. Ao descobrir, a reação não poderia ser diferente. “Foi uma brincadeira terrível”, classificou Shakespeare Mozart Armstrong, confessando nunca ter sofrido tanto.

Embora o mesário tenha se retratado publicamente, não se livrou de um processo judicial, e na Justiça chilena farão uma composição qualquer, a saber, apesar do mal causado.

Mas, uma outra questão é atraída à esse acontecimento em particular. A culpa dos pais quando escolhem nomes esdrúxulos para seus filhos, sem se darem conta da responsabilidade que assumem. O nome é mais do que uma simples denominação. Aquele ser pequenino vai crescer e levará consigo o fardo daquela escolha.

No direito brasileiro a imutabilidade do nome civil é a regra, embora possa ser modificado até o primeiro ano seguinte ao da maioridade civil, ou por decisão judicial que reconheça motivo justificável, entre outras possibilidades mais específicas. Dá trabalho, e até conseguir modificá-lo já causou sofrimento de sobra.

Não é mesmo, Austriquiniano, Ocridio, Klynsmmann , Calistênia, Zakscirley, Lincoln Raylander, Cleidirlender, Waldetário, Marogênio, Sete de Abril, Wouwerman, Dinamarque, Uemblei, Galbinete, Biynayry, Morekson, Elizdarlem, Bequino, Mauriço, Langlevert, Jeine Keffly, Palmeston e …

Katia Dias Freitas

Katia Dias Freitas

Katia Dias Freitas é advogada em Brasília

katiafreitasadv@gmail.com

Chuva

Chuva

Chove lá fora, sem ventos, sem estragos. O som do bem. Molha a terra, banha sementes, mata a sede, traz cheiro de vida. Renascem flores, frutas, embala pensamentos.

Folheio os jornais, infelizmente com a pressa de sempre. A chuva encorpa. Preciso fechar a janela. Nessa pausa, contemplando-a, reflito: nada há nada de novo nos jornais. A mesma violência, a mesma corrupção, a mesma política, a mesma politicagem, o mesmo desrespeito às instituições estatais, como se viu na semana passada em relação ao Tribunal de Contas da União (TCU).

O TCU é órgão de controle externo, criado para fiscalizar as finanças orçamentária, operacional e patrimonial da União, e das entidades da administração direta e indireta quanto à legalidade, à legitimidade e à economicidade, dentre outras atribuições. É “gente grande”, merece respeito. Contudo, não me pareceu que a sua autonomia e independência, constitucionalmente conferidas, o tenha poupado da crítica, essa sim, absurda, por ter exercido o seu papel precípuo.

Assim como às notícias, me resta, também, a repetição. E a repetição cansa, exaure, é monótona, mecaniza e embota. A indignação, perigosamente, se acomoda.

Mas, assim como a chuva trouxe fôlego novo à natureza, há algo de novo nas manchetes de hoje. Um fôlego de esperança.

Perdoe-me Ruy Barbosa, mas, no nosso país, a Justiça que tarda, seja pelo abarrotamento de demandas ou pelo excesso de recursos, continua sendo a Justiça. É Justiça, enfim. E ontem, o Supremo Tribunal Federal (STF), ainda que tenha levado 8 anos respondeu à sociedade condenando os “mensaleiros”. Restam muitos mais, de todos os matizes e tamanhos, mas a mudança começa a mostrar a nós – a sociedade – que a Justiça agora pune, e, espera-se, continuará punindo, não apenas os “ladrões de galinha”, mas também os que detêm poder econômico ou político.

A chuva passou, abro a janela novamente. A cidade iluminada, ao longe, parece um presépio de natal, serena, à espera de outro salvador.

Katia Dias Freitas

Katia Dias Freitas

Katia Dias Freitas é advogada em Brasília

katiafreitasadv@gmail.com

"XOZODOV"

“XOZODOV”

O episódio é banal. Atendo o celular, como de hábito, sem os óculos. Aperto um olho daqui, estico o braço até onde posso, e eis que identifico a letra “L”. Na bucha, confiante: – Olá Leiloca! E do outro lado. – Aqui não é a Leila, é a Letícia. Ufa, minha nora, peço desculpas com metade do constrangimento. Ela é de casa, sabe que sou mestre nessa façanha. Perdoada, conversamos e desligamos.

Dizem que o pior cego é aquele que não quer ver. Ou o pior cego será o que vê, mas não quer enxergar? Não, certamente o pior cego é aquele que vê, enxerga, mas, ainda assim, teima em fazer vistas grossas.

Vandalismos, a quebradeira do patrimônio público, a insegurança, a afronta ao estado de direito. A cena do linchamento da autoridade policial. A violência dos mascarados – verdadeiros BANDIDOS, que como tal deveriam ser tratados – intimidando as manifestações legítimas e pacíficas. É quase surreal o poder paralisante que essa turba exerce, deixando a polícia, atônita, quase inerte, até mesmo para proteger o oficial que os comandava. É surreal a inércia dos governantes.

Já pus os óculos, mas continuo não enxergando. A visão está embaçada, turva. A minha visão, a nossa visão e, pior, a visão da polícia, a visão do Estado. Preocupante.

É preciso tratar a miopia dos que fazem vistas grossas. Olhar só para o próprio umbigo pensando nas eleições no próximo ano vem desencadeando – a olhos vistos – crescentes distúrbios na ordem e na segurança, difíceis de serem pacificados, quando se quiser puxar a corda.

Se num antigo programa humorístico o marido era cego – daquele cego que não quer ver – e o aconselhavam a voltar para casa para tomar conta da sua bela mulher, está na hora, também, de se colocar um belo par de óculos, com grau suficiente para fazê-los ver no que o país está se tornando. A não ser que a ideia seja exatamente essa.

Não duvidem, quando os gatos saem, os ratos fazem a festa.

O que tem a ver o frango com tudo isso? Nada, absolutamente nada. Foi só para mostrar que sem os óculos e, com os olhos desfocados, cometi o equívoco, como disse banal – e sem consequências – ao trocar os nomes. E cometi outro, embaralhando as letras na hora de escrever no teclado virtual do celular, e um simples frango “cozido”, se tornou, para o meu pessoal me perturbar para sempre, frango “xozodov”. Aqui na minha casa tudo isso pode.

Lá nos Palácios, desvio da atenção e vistas grossas? Jamais!

Katia Dias Freitas

Katia Dias Freitas

Katia Dias Freitas é advogada em Brasília

Contato: katiafreitasadv@gmail.com

Cirque do Solei

“Se cobrir é circo, se cercar é hospício”, brincam. Cobrindo ou cercando, tanto faz, a situação está “pecuária”, como dizia, convicto, um rico, mas pouco letrado senhorzinho, querendo expressar a precariedade duma situação.

Todo o noticiário impressiona. Impressiona pelo aviltamento aos valores básicos da vida humana – à saúde, à educação, à segurança pública – ao desrespeito à fauna e à flora, ao desrespeito à ética, que há muito escorreu pelo ralo. Impressiona pela incoerência entre o que se diz e o que se faz. Impressiona pela inversão das prioridades, a começar por quem tem o poder de ditá-las. Impressiona pelo desrespeito às leis, e, impressiona mais por vê-las valer somente para uns poucos. Esse rol é exemplificativo, claro, e nele tem espaço para muitos outros descalabros.

Noutra época se diria que a casa está de pernas para o ar, e a verdade é que a casa está de cabeça para baixo a mais tempo do que deveria.

A educação brasileira, coitada… Mal tratada, sucateada, desvalorizada, vem, vergonhosamente, se arrastando para tentar mostrar algum resultado. Professores mal formados, desestimulados pelos baixos salários e condições precárias de trabalho não podem refletir em suas salas de aula, uma excelência que lhes é cobrada. Valorizem-se os professores, da formação à remuneração e mudaremos o rumo dessa prosa. E, tendo havido, então, o interesse, o rumo do país.

Sobre o leite derramado no leilão do petróleo de Libra, assunto salgado, independente do que se queira enxergar, olhos bem abertos para os prometidos recursos para a educação e para a saúde.

A polêmica quanto à exigência de permissão prévia, ou não, para se publicar biografias, abstraindo-se alguns chiliques e pedidos de desculpas, fez barulho, embora em toda essa discussão haja, no mínimo, algum saldo positivo.

Pesando-se as contradições do art. 20 do Código Civil (CC) – que já estão sendo questionadas na Câmara, e no Supremo, via Ação Direta de Inconstitucionalidade – e o que diz o inciso IX do art. 5° da Constituição fique-se com a Constituição, a lei maior, que dá a todos a liberdade de expressão, independentemente de censura ou licença.

Biógrafos, na verdadeira acepção da palavra, têm admiração e respeito pela personalidade biografada, e compromisso com a verdade histórica.

Os que, pelo contrário, são meros fofoqueiros, difamadores, e apelam para a desmedida “liberdade” de expressão, que de forma transversa chamam de “licença poética”, quando na realidade apenas vislumbram, nesse oportunismo, uma “grana” fácil ou projeção meteórica, terão a via judicial, provocada pelo atingido, injuriado ou difamado, para o justo reparo do dano causado.

Uma aparente maluquice, ainda por conferir os efeitos se sancionada pela presidente, foi aprovada no Senado, é a que autoriza a mãe, sozinha, indicar o nome do pai do bebê na hora de registrá-lo, apenas pela sua volição, sem qualquer comprovação. Uma liberdade para a qual ainda, tudo indica não se tem maturidade para exercê-la, embora seja inquestionável que os filhos devam – e precisam – saber quem são seus pais.

Gravidezes desatreladas de paternidade, e de maternidade responsável, brotam na sociedade aos milhares e a Justiça não terá essa mesma velocidade, na prestação jurisdicional para desfazer as presunções apontadas por ciúme, vingança, interesse financeiro ou por outras artimanhas de mentes insanas. A intenção é nobre, mas até onde se sabe, na nossa democracia ainda vale a presunção de inocência, até que se prove o contrário.

Fecha-se o pano. Ou o portão.

Fecha-se?

Katia Dias Freitas

Katia Dias Freitas

Katia Dias Freitas é advogada em Brasília
Contato: katiafreitasadv@gmail.com
Ig
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