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A Allergan como uma das patrocinadoras do projeto tem o prazer de convidá-la para conferir a Mostra Fotográfica: Laços de Família – Etnias do Brasil, de 10/05 a 17/06, na Biblioteca Nacional de Brasília, entrada gratuita.

Mulher em Cena 2012

O Festival Mulher em Cena chega à sua 3ª edição dando destaque à produção artística protagonizada por mulheres. Em 2012 as linguagens contempladas são teatro e música e o festival e compõem a Ocupação Funarte Brasília 2012, à convite da Alecrim produções.

Agregando forças à cada edição, o festival segue proporcionando um mosaico criativo de questões importantes da atualidade vistas e revistas pelo olhar feminino. Num país como o Brasil onde a desigualdade entre homens e mulheres ainda se faz bastante presente e onde o índice de violência contra a mulher é dos maiores do mundo, qualquer espaço onde a mulher se faz protagonista é também um espaço de resistência, liberdade e novos olhares.

Em 2012, os espetáculos teatrais se dividem entre as Salas Cássia Eller e Plínio Marcos, além da área externa. Os shows musicais e djs tomam o palco do Espaço de Convivência, parada certa entre uma atração e outra, enquanto as oficinas acontecem na Sala de Dança e no Instituto Arcana.

O Festival tem entrada franca em todas as atividades com exceção dos espetáculos das 21h, cujo ingresso deve ser trocado por um pacote de absorvente íntimo feminino, a serem destinados a instituições de atendimento à mulher do DF.

Quando
De 25 a 29 de abril
 
Onde
Complexo Cultural
Funarte – Brasília ocupando:
•Sala Plínio Marcos;
•Sala Cássia Eller ;
•Galpão das Artes;
•Sala de Dança ;

Do Instituto Arcana

Inspirados pela série sobre a vida de Chiquinha Gonzaga realizada pela Rede Globo, dois amigos se juntaram para fazer um site sobre a compositora e inspirados nesse site que disponibiliza partituras inéditas de sua obra foi montado um concerto por cantores líricos de São Paulo, Brasília e Belo Horizonte para divulgar o repertório vocal da aclamada artista brasileira.

Ópera e Outros Cantos Foto - Divulgação

O SESC Ribeirão realiza em parceria com a Cia. Minaz mais uma edição da série “Ópera e Outros Cantos”, nos dias 13 e 14 de abril. “Chiquinha a Quatro vozes e um piano” é o nome do concerto e “A surpreendente história da maestrina Chiquinha Gonzaga” da palestra da série deste mês que homenageia Chiquinha Gonzaga, no Teatro Minaz.

O espetáculo no dia 13 às 21 horas será interpretado pelo quarteto vocal formado por Denise Tavares (soprano – Brasília), Gisele Ganade (Mezzo-soprano – Ribeirão Preto), Lenine Santos (Tenor – São Paulo) e Mauro Chantal (Baixo – Belo Horizonte) que nessa apresentação será substituído por Camilo Calandreli, acompanhados pela pianista Flávia Botelho, trazendo um repertório desconhecido pelo público com obras extraídas de peças teatrais e operetas além de tangos, marchas, canções e peças sacras e alguns arranjos adaptados para o grupo.

A palestra no dia 14 às 10 horas será realizada pelo pianista Wandrei Braga (Brasília), criador do site oficial da maestrina Chiquinha Gonzaga apresentando sua história e várias peças da compositora ao piano.

O projeto de resgate da obra de Chiquinha Gonzaga para quarteto vocal e todas as possibilidades de intercâmbio entre essas vozes, surge inspirado no próprio site que contém boa parte da produção desta compositora, e de uma vontade imensa de divulgar músicas que deveriam estar acessíveis ao público.

Nascida em 17 de outubro de 1847, no Rio de Janeiro, Chiquinha Gonzaga viveu até os anos 30 do século 20 sendo pioneira na transição da música europeia para a linguagem nacional, abrindo caminho para outros compositores brasileiros. Foi precursora das marchinhas carnavalescas que agitaram os salões cariocas e alegraram os carnavais de rua. Sua produção foi incessante, entre valsas, polcas, operetas e peças para piano solo, o que resultou em uma vasta obra que infelizmente acabou esquecida ao longo dos anos. A compositora teve sólida formação musical, sendo uma mulher bastante instruída para sua época o que a transformou em uma das representantes da música no Brasil da virada do século XIX / XX. Além disso, Chiquinha Gonzaga tem um valor histórico extra, ao lutar para a preservação dos direitos autorais criando a SBAT, órgão existente até nossos dias. Chiquinha também foi eternizada no cinema nos filmes “Brasília 18%” (2006), “O Xangô de Baker Street” e na televisão, foi retratada na minissérie que levou seu nome em 1999. Na literatura, foi estudada por autores como Edinha Diniz, Mariza Lira, Dalva Lazaroni e Ayrton Mugnaini Jr.

O concerto e a palestra têm entrada gratuita.

Serviço

Ópera e Outros Cantos
Concerto “Chiquinha a Quatro vozes e um piano”
Dia: 13/04
Horário – 21 horas
Local: Teatro Minaz (R. Carlos Chagas, 273 – Jd. Paulista)
Ingressos: gratuitos (retirar na Casa Minaz – . Carlos Chagas, 259 – Jd. Paulista ou na bilheteria do teatro uma hora antes do concerto)
Classificação: 10 anos

Palestra

Dia: 14/04
Horário – das 10 às 11,30
Local: Teatro Minaz (R. Carlos Chagas, 273 – Jd. Paulista)
Classificação: 10 anos
Gratuito

Ministra Ana de Hollanda

A ministra da Cultura, Ana de Hollanda, disse há pouco que as emendas parlamentares ao Orçamento são importantes para garantir os recursos necessários ao setor. Segundo ela, as áreas prioritárias, que receberam mais recursos, no ano passado, foram museus, livros e artes em geral. Neste ano, as mesmas áreas terão prioridade, com enfoque nas bibliotecas.

Ana de Hollanda participa de audiência pública na Comissão de Educação e Cultura. No encontro, que foi proposto pelo deputado Stepan Nercessian (PPS-RJ), a ministra deverá apresentar as diretrizes para o setor neste ano. Também participa da reunião o secretário-executivo da pasta, Vitor Ortiz.

Da Agência Câmara de Notícias
Com temática universal mesclada por situações locais, o cineasta Asghar Farhadi conquista a estatueta de Melhor Filme Estrangeiro e chega onde o Brasil nunca chegou

Separação (Jodaeiye Nader az Simin, Irã - 2011)

 A Odisséia de um cineasta no regime dos Aiatolás – O cineasta iraniano Asghar Farhadi, autor do (bom) À Procura de Eli, já podia ser considerado vencedor bem antes da conquista do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, semana passada. Aliás, a primeira estatueta do Irã. Seu mais novo trabalho, Separação (Jodaeiye Nader az Simin, Irã – 2011) conseguiu a proeza de ser um filme bem realizado, inesquecível. Driblando as prováveis, talvez muitas, restrições impostas à atividade cinematográfica vigentes em país sob a tutela de padrões religiosos ortodoxos, ele apresentou ao mundo drama marcante, enriquecido por interpretações irrepreensíveis. Mirou sua câmera na intimidade de duas famílias de condições sociais distintas, na Teerã dos tempos atuais. E conseguiu lapidar história envolvente, não-maniqueísta, que poderia ter ocorrido em Nova York, Los Angeles, Buenos Aires ou Rio de Janeiro. Seu jeito de fazer cinema é universal, portanto. Em vez de formular pedagogia contra os excessos do regime, Farhadi constrói situações cotidianas nas quais a voz dos personagens, de forma melodramática, explicita situações absurdas, como a da diarista que precisa telefonar para um parente a fim de saber se seria pecado fazer o asseio em idoso com incontinência urinária. O filme segue emocionando e surpreendendo, ao tratar no mesmo nível de importância os personagens masculinos e femininos.

Resumo da história - Famílias que aparecem nos filmes do Irã de hoje devem sempre ser compostas pelo casal e, pelo menos, por um filho. É a maneira de sublinhar ensinamento basilar do Alcorão, que é taxativo ao se referir ao objetivo da união entre um homem e uma mulher: a procriação. Dessa situação, Farhadi extrai o argumento que vai segurar a narrativa até o final, que é o medo de uma adolescente, Termeh (Sarina Farhadi), de 11 anos. Sofre com a perspectiva da separação de seus pais, pessoas de classe média, com certas posses e confortos. A mãe, médica, Simin (a bela Leila Hatami), no entanto, determinada, dá um tempo na relação com o marido bancário, Nader (Peyman Moadi), e vai morar com os pais. E leva junto a esperança de que ele libere a filha. Seu desejo: ambas irem morar no exterior. A ideia não desagrada Nader. Mesmo assim, ele apresenta obstáculo intransponível para deixar o país. O seu pai (Ali-Asghar Shalbagi) padece de demência em estado avançado. “Ele já nem se lembra do seu nome, muito menos quem é você”, arremata Simin. “Acontece que eu sei que ele é meu pai. E ponto final”. A saída de cena de Simin obriga Nader a contratar uma diarista. Surge, Razieh (Saret Bayat), mulher pobre, humilde, sempre acompanhada de filhinha (Kimia Hosseini), com menos de seis anos. O que Nader não sabe é que o marido de Razieh, Hodjat (Shabat Hosseini), um sapateiro desempregado e cheio de dívidas, ignora a iniciativa da mulher de procurar emprego. Rude e autoritário, sinaliza que jamais a deixaria trabalhar. É nesse jogo de desencontros que o filme se estrutura e vai até o final, impulsionado por medos, vaidades, arrogância e egoísmo, latentes e recalcados. No final, a platéia pergunta como tudo vai se resolver. Qual será a sentença final, justa ou injusta? Como acontece com o cinema de Farhadi, todas as portas continuam abertas.

O primeiro grande mérito do diretor - Mesmo oriundo de país marcado por situação política complexa, Farhadi é hábil escultor de temas universais, aos quais junta certo tempero iraniano. Em A Separação, contrapõe desejo de mãe — mulher esclarecida, que almeja dias melhores para a família — e filha adolescente que, como a grande maioria das pessoas naquela faixa etária(em escala mundial), tende a se considerar culpada por eventual separação dos pais. Certamente, bem mais tarde, já adulta e tendo ela mesma vivenciado suas próprias experiências, bem ou mal sucedidas, Termeh irá constatar que seu desejo (passado) de manter os pais juntos de qualquer jeito estava desconectado da realidade. Mas, Termeh, no filme, tem apenas 11 anos.

O segundo grande mérito do diretor - Urdiu situação baseada em conflitos domésticos, onde as partes envolvidas se sentiam injustiçadas não por estarem sendo responsabilizadas pelo que cometeram, mas, sobretudo, por aquilo que não foram capazes de controlar. Agradou pelas sutilezas com que tratou os ângulos agudos de situações aparentemente intransponíveis. Sem discriminação cultural ou demagogia. E conseguiu ser o preferido dos mais de seis mil jurados do Oscar. Quase todos americanos.

Universalidade, o caminho para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro

A Argentina, de O Segredo dos Seus Olhos, já sabe que os jurados do Oscar raramente se encantam por produções com foco em situações exclusivamente locais. Também já o sabem Áustria, Holanda, Japão, Israel, Líbano, México, Espanha, Suécia, além, evidente, da França e da Itália. E, agora também o Irã, com litígios aparentemente insolúveis com os Estados Unidos. Resta saber quando o Brasil, de enormes talentos como Walter Salles e Fernando Meirelles, vai entender isso de uma vez por todas. Pelo visto, ainda vamos esperar (muito) pela sonhada estatueta. Nosso representante nesse ano foi Tropa de Elite 2, de José Padilha. . .

Por  José  Jardelino da Costa Jr.    

 A Invenção de Hugo Cabret é uma fantástica e surpreendente declaração de amor ao Cinema

A Invenção de Hugo Cabret (Hugo – EUA – 2011)

 Scorsese em ritmo de aventura – O cineasta Martin Scorsese adentra em terreno inédito. Saem de cena os psicopatas e esquizofrênicos de todos os gêneros que habitaram vários dos seus magníficos filmes (Táxi Driver, Touro Indomável, Infiltrados, Cassino, O Aviador, Cabo do Medo). Em A Invenção de Hugo Cabret (Hugo – EUA – 2011), eles foram substituídos por referências aos tipos imaginados por Victor Hugo, Alexandre Dumas e Júlio Verne, em ambiente compatível: Paris do início do século vinte. Mais especificamente, a estação de trem da Cidade-Luz, onde quase toda a trama se desenvolve. A conexão com três dos maiores autores literários franceses vai se desdobrar em citação aos Irmãos Lumière. Eles inventaram o cinematógrafo, que surpreendeu os franceses e o mundo com as antológicas imagens em movimento de cotidiano trem chegando numa estação. Nascia o cinema. Com esses elementos, Scorsese construiu o argumento de história fantástica e surpreendentemente não-maniqueísta. O personagem-protagonista que inspira o título, um menino-órfão, agirá no sentido de despertar sentimentos inconscientes nos adultos com quem irá interagir e lhes modificará para sempre as suas vidas.

Resumo da história – Hugo Cabret (Asa Butterfield) é um menino esperto, mal chegado à adolescência. E órfão, numa Paris encantadora nas aparências, mas crudelíssima com quem teve a desventura de perder precocemente o pai e cair nas mãos de tio quase sempre bêbado, cuja função era a de manter os relógios da estação de trem de Paris em funcionamento e sincronizados. A alternativa seria ir para um orfanato, perspectiva que apavorava o garoto. Submete-se às sempre crescentes ausências do tio e começa, ele mesmo, a controlar os relógios da estação. É lá onde mora em cubículo esquecido, no qual conserva inusitado legado de seu pai (Jude Law), relojoeiro habilidoso e sonhador. Era um simulacro de andróide que se movimentava a partir dos mesmos mecanismos dos relógios de corda. Para fazer a engenhoca funcionar teria que contar com a ajuda de outro relojoeiro, dono de pequena loja no local, o ranzinza Georges Méliès (Ben Kingsley), que esconde passado inimaginável. Com a ajuda da afilhada deste, Isabelle (Chloe Moretz), Hugo chegará a segredos cuidadosamente camuflados. Eles estarão entrelaçados com a solução de que precisa para fazer o seu “robô” voltar a funcionar. Vencer as resistências do sorumbático Méliès não será o único desafio para a sagacidade de Hugo. Ele terá que se livrar da perseguição do guarda da estação (Sacha Baron Cohen), mutilado de guerra, com perna mecânica e cachorro (Maximillian) hostil, que perseguirá Hugo com persistência semelhante a do inspetor Javert no encalço de Jean Valjean — ambos personagens de “Os Miseráveis”, de Victor Hugo. A vida pregressa de Méliès, a ser descoberta por Hugo, será a deixa para Scorsese fazer bela homenagem aos pioneiros da arte cinematográfica. Com imagens digitais em 3D, decifrará para o espectador os segredos mágicos dos primeiros filmes, em sequências extraordinariamente bem dirigidas e produzidas.No final, o diretor ainda encaixará reflexão filosófica-existencialista na fala do adolescente Hugo: “O mundo é uma grande máquina que não dispõe de peças sobressalentes. Se você (dirigindo-se a Isabelle) e eu estamos aqui, é por algum motivo”. Instigante fecho para a fabulosa aventura de menino sonhador, apaixonado pelo futuro. Aqui o adjetivo “fabulosa” se desvincula de outros laudatórios, como grandiosa, magnífica, para sublinhar ligação com bela fábula, o que realmente o filme é.

Scorsese encontra Spielberg e o francês Michel Hazanavicius no mesmo Oscar – Três ótimas produções que concorrem à estatueta de melhor Filme e Melhor Diretor no Oscar do próximo domingo têm seus enredos entrelaçados. A Invenção de Hugo Cabret apresenta argumento semelhante ao de O Artista, de Michel Hazanavicius: magnífica homenagem ao Cinema e aos extraordinários talentos que o conceberam e aperfeiçoaram. Ambos também se estruturam em roteiros rocambolescos, exatamente como Cavalo de Guerra (dirigido por Steven Spielberg), que concorre no mesmo páreo (Melhor Filme e Melhor Diretor). Mais: a Primeira Guerra Mundial, que move o herói equino de Spielberg, será a resposta para as perguntas sobre o mistério do enigmático Méliès. Nunca antes na história do Oscar houve situação parecida.

Scorcese dá novo e bem-vindo tom para a aventura no CinemaA Invenção de Hugo Cabret tem como (bom) atributo a simplicidade; não é uma história nervosa e cheia de detalhes que deixam a platéia tonta. Também foi cuidadosamente editado para evitar conotação pessimista, por mais tristes que sejam alguns eventos. Os personagens, por sua vez, vivem situações improváveis, mas, bem dirigidos, têm aparência “humana”, e ficam a anos-luz dos tipos caricatos. A simplicidade do roteiro, no entanto, traz embutida tema complexo e profundo: a guerra, como devastadora de sonhos e de vidas. Essa mistura faz o filme decolar, tal e qual os primeiros arquétipos de foguetes imaginariamente dirigidos para a Lua.

Filme diz muito, sem mostrar pouco – Além do maestro Scorsese na direção, A Invenção de Hugo Cabret conta com elenco raro: Ben Kingsley repete performances que o notabilizaram (Ghandi, Fatal). O menino Asa Buterfield passa autenticidade a personagem determinado e discretamente otimista. Tem na garota Chloe Moretz o contraponto ideal para sua performance. Há ainda o impagável Sacha Baron Cohen (Borat), como o guarda da estação, que consegue a proeza de fazer o que faz, sem parecer cem por cento ridículo ou abominável. Elenco de apoio, com astros como Jude Law (o pai), Emily Mortimer (a florista da estação, que encanta o guarda) e Helen McCrory como, Mama, a esposa de Méliès, aparentemente resignada, mas dona de força inesperada para induzir mudanças comportamentais surpreendentes no marido, formam conjunto sem o qual Scorsese não poderia ter avançado como avançou em sua já magistral filmografia.

Escrito por José Jardelino da Costa Júnior
 com a colaboração de Camila Costa. 

Novo filme de Clint Eastwood usa Freud para explicar a persona de um dos mais poderosos americanos do século 20

J.Edgar - EUA - 2011

Eastwood em seu filme mais freudiano – Em J.Edgar (J.Edgar – EUA – 2011), o cineasta Clint Eastwood literalmente retira o pano que sempre encobriu a personalidade de um dos mais poderosos americanos do século 20. Ninguém menos do que J. Edgar Hoover, fundador e líder supremo do Federal Bureau of Investigations – FBI, por quase cinco décadas. O enredo coloca sonda no inconsciente do personagem e, a partir dali, acende holofote sobre as fraquezas de quem tentou, sempre, se mostrar duro como um rochedo, por fora. O quarteto principal reúne arquétipos freudianos conhecidos: mãe castradora, Annie Hoover (Judi Dench, magnífica) e filho submisso, Edgar, que reprime e tenta esconder suas inclinações sexuais, por sentir medo da mãe, numa relação edipiana mal resolvida (Leonardo di Caprio, em grande performance, atingiu o que parecia impossível, que foi superar a sua atuação em O Aviador, quando incorporou o lendário magnata Howard Hughes). Há ainda o melhor amigo Clyde Tolson (Armie Hammer, perfeito em seu desempenho), como”libertador” das pulsões sexuais recalcadas, alvo da paixão do outro, devidamente correspondida. E mulher bela e jovem (Helen Gandy, vivida por Naomi Watts, igualmente estonteante na vida real), assexuada declaradamente, que aceita ser a eterna e fiel secretária, depositária inexpugnável dos maiores segredos políticos e sexuais dos Estados Unidos, no período entre 1924 e 1972. Cinebiografia eficiente, que provoca no espectador a sensação de ter assistido narrativa contendo autêntico retrato falado (e filmado) do poderoso chefão da polícia federal americana.

Resumo da história - O filme conta a história de John Edgar Hoover (Leonardo di Caprio), desde os primeiros tempos. Confinado pelo sistema a tarefas burocráticas, ele se mostrou determinado na construção de estrutura que usasse métodos científicos avançados para ajudar na investigação de crimes hediondos. Em paralelo, trabalhou politicamente no sentido de aprovar legislação que permitisse ao recém-criado FBI autorização para atuar em escala nacional, se sobrepondo, quando necessário, às leis estaduais. E, obstinado, conseguiu recursos orçamentários para aquisição de armas e equipamentos tão ou mais sofisticados do que aqueles usados pelo crime organizado. Naqueles primeiros anos, o FBI prendeu, efetivamente, facínoras notórios. E se envolveu intensamente na tentativa de elucidar o sequestro do filho do famoso Charles Lindberg. No entanto, a solução que encontrou, repleta de pontos obscuros, sinalizaria para onde e como J. Edgar iria conduzir a atuação da enorme estrutura sob seu poder, que era constitucional apenas nas aparências. Tal e qual o rei francês Luís quartorze (O Estado sou eu), deveria, sinceramente, achar que o FBI era ele e suas controvertidas convicções. Doravante, apenas valeria sua opinião. Provas? Ele as forjaria com os avançados recursos tecnológicos à sua disposição. Em paralelo, frestas de luz iriam se infiltrar por entre as persianas quase intransponíveis de sua intimidade. E começaram a iluminar pessoa atormentada. A indefinição sexual do início viria a ser substituída pela certeza da homossexualidade. No cargo que ocupava e nos Estados Unidos dos anos 20 e 30 do século passado, ser verdadeiro estava fora de cogitação. Significaria perder o poder, o enorme poder recém conquistado, para onde até então era canalizada a energia sexual reprimida. Além da pressão externa, ele tinha, dentro de casa, força maior ainda, representada pela mãe, conservadora ortodoxa e predadora de sentimentos. Ela daria o empurrão que faltava para que o filho viesse a ser o falso self que efetivamente foi a vida inteira. Recalcado seu lado gay, tratou de castigar quem encontrasse pelo caminho em posições heterodoxas, fossem comunistas, lésbicas ou simples seres humanos com ideias diferentes das suas. Ou ainda homossexuais masculinos. Olhava-se no espelho e sentia inveja daqueles que tinham coragem de nadar contra a corrente. Sua mente carcomida por distúrbios inconscientes transformava aquela inveja em ódio. Com a morte da mãe, às escondidas,cai nos braços de Clyde, seu melhor amigo e conselheiro, sob o olhar cúmplice de Helen, eficiente e fiel secretária.

Filme mostra como os presidentes recém-eleitos eram chantageados

Nos quarenta e oito anos em que esteve no comando do FBI, J.Edgar Hoover serviu a oito presidentes americanos. O enredo estreita o foco em três emblemáticas situações, envolvendo Roosevelt, Kennedy e Nixon. Nas duas primeiras, ele surpreende os interlocutores, com a existência de transcrições de gravações que revelariam detalhes íntimos da vida de Eleonor Roosevelt, que seria bissexual, e do próprio Kennedy, obcecado por sexo e transpirando amantes por todos os poros, Marilyn Monroe incluída. Na vez de Nixon, ele, J. Edgar, é quem se surpreenderia: ao mencionar as famosas gravações, é interrompido pelo presidente, que lhe confirma no cargo sem que ele chegue a pedir. E vai além. Autoriza-o a espionar os inimigos políticos do governo, prática que permaneceria após a morte de J. Edgar em 1972, e desembocaria no famoso Escândalo Watergate.

Magistral sequência em que sombras sugerem Kennedy e Marilyn

entrelaçados Saindo do lugar comum que seria mostrar um casal na cama, em ação, Clint Eastwood mostra a sequência por meio de sombras projetadas na parede de quarto na penumbra. A sutileza é potencializada pelos acordes de um piano que domina a trilha sonora, que também tem como autor o próprio diretor.

Maquiagem prejudica desempenhos, montagem impõe ritmo

diferente à narrativa O excesso de maquiagem para caracterizar o envelhecimento dos personagens de Armie Hammer e Naomi Watts efetivamente prejudicou os desempenhos cênicos dos dois. Não foi o caso de Leonardo di Caprio que, submetido ao mesmo infortúnio, conseguiu sair do invólucro plástico. Para contrabalançar aquele peso negativo, o filme foi editado com sequências temporalmente diferentes, “coladas”, mostrando, ora os personagens nos anos 30, ora no crepúsculo de suas vidas (início dos anos 70), o que permitiu agilidade e leveza à narrativa.

Escrito por José Jardelino da Costa Júnior

 

Wislawa Szymborska

Morreu hoje, tinha 88 anos, a poeta polaca, Wislawa Szymborska, nobel da literatura em 1996. Fico aqui com o céu que ela deixou (tradução para português do Brasil) Procurem-na lá. Ela deixa os sinais

Céu

Era preciso comecar daí: céu.
Janela sem encosto, sem moldura, sem vidraça.
Abertura e nada mais, porém muito bem aberta.
Não preciso aguardar a noite amena:
nem levantar a cabeça
para perscrutar o céu.
Tenho céu atrás de mim, sob as mãos
e debaixo das pálpebras.
Estou enredada de céu
e isto me exalta.
Nem as montanhas mais altas
Estão mais próximas do céu
que os vales mais profundos.
Nao há mais céu num lugar
do que em outro.
A nuvem está atada ao céu
indiferente como o túmulo.
A toupeira é tão feliz
quanto a coruja que abre as asas.
O objeto que cai no precipício
cai do céu no céu.
Partes poeirentas, léquidas, montanhosas,
passageiras e queimadas do céu, migalhas do céu,
brisas de céu e montes.
O céu é onipresente
até nas trevas sob a pele.
Devoro o céu, rejeito o céu.
Estou com armadilhas na armadilha,
com o habitante instalado,
com o abraço abraçado,
com a pergunta presente na resposta.
A divisão entre céu e terra
não foi pensada de forma adequada
a respeito desta unidade.
Permite até que se sobreviva
no endereço mais exato,
que pode ser achado mais depressa
se me procurarem.
Os meus sinais característicos são
o arrebatamento e o desespero.
 
Do Puro Acaso

Rita Lee durante show em Aracaju que a cantora afirma ser o último de sua carreira - Foto:Maria Odilia - Folhapres

O governador de Sergipe, Marcelo Déda (PT), negou que tenha intenção de processar Rita Lee. Em mensagem postada em seu Twitter e enviada à imprensa pela assessoria do governo nesta terça-feira, ele afirma que o cachê pela apresentação já foi pago.

“A hipótese de reaver o cachê foi aventada durante a confusão na madrugada do domingo e logo arquivada”, diz o comunicado. “Show feito, cachê pago, caso encerrado.”

A ameaça de processo foi feita por Déda ainda durante a apresentação de Rita Lee após a cantora provocar a Polícia Militar.

 Rita estava em Sergipe fazendo a última apresentação de sua carreira. O imbróglio começou no meio do show, quando a cantora afirmou ter visto membros de seu fã clube –que viaja atrás dela pelo Brasil para vê-la ao vivo– sendo agredidos por policiais.

Primeiro, declarou que não os queria em sua apresentação. Ainda calma, disse: “Vocês são legais, vão lá fumar um baseadinho”.

Mas, quando os policiais vieram para a frente do palco, formando uma parede humana de frente para ela, a cantora se alterou. Lembrou já ter vivido o período da ditadura e disse não ter medo deles. Chamou os PMs de “cavalo”, “cachorro” e “filho da puta”.

Terminado o show, Rita foi levada pela polícia à delegacia, onde prestou depoimento e assinou um boletim de ocorrência. A ex-senadora e hoje vereadora de Maceió Heloisa Helena (PSOL) estava no show e também assinou o documento como testemunha a favor da cantora.

Logo após a apresentação, Déda disse ter testemunhado “um espetáculo deprimente” por parte de Rita. “A polícia não tinha feito nenhum tipo de ação que justificasse [a atitude da cantora]“.

Para o governador, a cantora tentou colocar o público –estimado em 20 mil pessoas pela organização– contra os policiais, o que poderia levar a uma “confusão generalizada”.

Do Folha.com

Mariam Al Safar diz estar "sempre aberta a desafios" Foto: Daily Mail

Aos 28 anos, Mariam Al Safar tornou-se a primeira mulher a conduzir um trem do metrô dos Emirados Árabes Unidos. Ela também seria a primeira a desempenhar a função no Oriente Médio.

“Estou sempre aberta a desafios e não tenho medo de assumir riscos. Meu trabalho é minha prioridade”, disse Safar à rede Gulf News, chamando outras mulheres a considerarem trabalhos “fora do convencional” ao planejarem suas carreiras.

O sistema de metrô de Dubai é controlado por um sistema automatizado, mas condutores ainda viajam nos trens para lidar com qualquer emergência.

Com a nova tarefa, Safar passou a integrar um seleto grupo de funcionários locais responsáveis pela condução do metrô.

Nos Emirados Árabes Unidos é comum a contração de estrangeiros para trabalhar nessa área. No entanto, o governo tem criado políticas para aumentar a participação de trabalhadores locais em vários setores, incluindo a operação dos trens.

Do UOL