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Comentários ‘comportamento’

Como reforçar nas redes sociais a ideia de que a mulher é dona do próprio corpo? A ilustradora mineira Carol Rossetti encontrou no desenho a ferramenta certa para lutar contra o machismo e espalhar ideias que tornam a mulher mais livre, segura e feliz.

Da celulite à opção por não ter filhos e do shortinho ao sexo casual, Carol Rossetti usa desenhos e frases certeiros. Mas o feminismo e o empoderamento da mulher não é o único tópico a ser abordado pela arte da mineira.

Na sequência, a ilustradora também abordou temas como o racismo e a homofobia. E se esses problemas são universais, nada mais justo do que permitir que falantes de outras línguas compreendam essas belas ilustrações, não é mesmo? Para isso, ela contou com ajuda na tradução para o inglês e o espanhol, entre outros idiomas.

Confira algumas das ilustrações e compartilhe essa ideia!

Do Hypeness

Foto publicada em página no Facebook mostra mulher iraniana com os cabelos expostos, o que é proibido no país. ‘Após ficar alguns anos longe de meu país, eu pisei em suas vastas planícies novamente, esperando pelo dia em que todas as mulheres de meu país possam sentir a liberdade com seus corpos e suas almas’, diz a descrição da imagem (Foto: Reprodução/Facebook/Stealthy Freedoms of Iranian women)

Página na rede social reúne fotos de mulheres sem véu ao ar livre. Comunidade foi criada pela jornalista Masih Alinejad, crítica do regime.

Dezenas de mulheres iranianas passaram a publicar em uma página do Facebook fotos suas ao ar livre sem o véu islâmico, obrigatório no país, em uma campanha em que exigem liberdade para escolher o que usam.

Traduzido do farsi, a página se chama “Liberdade furtiva às mulheres no Irã”, com o slogan “Desfrute do vento em seu cabelo”. A página diz não estar filiada a grupos políticos. Somente nos primeiros quatro dias, a iniciativa recebeu mais de 30 mil “curtidas” e é objeto de milhares de conversas na rede social.

“A iniciativa reflete as preocupações das mulheres iranianas que enfrentam restrições legais e sociais”, diz a apresentação da página.

“Todas as fotos e legendas postadas foram enviadas por mulheres de todo o Irã e este é um site dedicado às mulheres iranianas no interior do país que querem compartilhar suas selfies ‘furtivas’ sem o véu”, segue a apresentação, que convida às mulheres a enviarem fotos, mas pede cautela.

Nas imagens, algumas posam de óculos escuros ou em posições em que não seja possível ser reconhecida, mas muitas também aparecem de frente e tiram o véu em lugares públicos claramente iranianos para mostrar e divulgar esse instante de liberdade.

A página foi criada pela jornalista e escritora iraniana Masih Alinejad, exilada em Londres e conhecida crítica do regime iraniano.

Até agora, a maioria dos comentários é positivo. Neles, as mulheres destacam a pequena felicidade que representa deixar o vento acariciar o cabelo.

“Que lindo que seu cabelo possa dançar no ar”, diz uma jovem.

A maioria dos homens que comentam também apoia. Os que não o fazem recebem reprimendas.

Diante de um comentário masculino que afirma que tirar o véu não significa liberdade, uma chuva de críticas sugere que se ponha no lugar das mulheres e suporte ter a cabeça coberta quando chove, no calor, praticando esporte e, inclusive, tomando banho de mar com sua própria família.

“O véu não é muito importante. O importante é que estou me afogando, não posso falar, quero liberdade de expressão neste país”, se queixa uma jovem.

Uma mulher mais velha comemora ao ver as imagens de mulheres com o cabelo solto, e diz esperançosa: “Que isso possa ser o começo de uma época de liberdade que minha filha possa desfrutar”.

“Espero que os homens aguentem”, declara um garoto, ao que uma mulher responde rapidamente perguntando se “Por acaso os homens iranianos são tão frágeis que não podem aguentar ver o cabelo de uma mulher?” e alfineta: “É bom irem se acostumando aos poucos”.

A abertura da página no Facebook, rede social que é vetada no Irã, mas que milhões de iranianos acessam a partir de programas, coincide com o aumento das reivindicações dos grupos mais radicais para que a vestimenta islâmica seja respeitada.

A cada ano, no início da primavera, muitas mulheres, principalmente as mais jovens, relaxam na interpretação do rigoroso código estético imposto pela lei e cortam a manga das roupas ou vestem peças mais soltas e ligeiramente transparentes, o que deixa os mais religiosos indignados.

Nesta semana, centenas de pessoas se manifestaram perante o Ministério do Interior exigindo mais medidas para que a lei islâmica seja respeitada, com a maioria das participantes mulheres cobertas da cabeça aos pés com o tradicional chador preto. Rapidamente, a página do Facebook recebeu críticas dos setores mais conservadores.

A agência de notícias “Fars” publicou recentemente um artigo no qual tachava Masih Alinejad de “antirrevolucionária que escapou com ajuda dos britânicos e colabora com a imprensa anti-iraniana”. O artigo também dizia que a página convoca às mulheres “a tirar o hijab no Irã” a fim de “fomentar a cultura de não respeitar nada”.

Do G1

Stop Street Harassment – Divulgação

Assobios, vulgaridades e comentários gratuitos são o pão da cada dia de milhões de mulheres no mundo. É a forma de assédio mais tolerada socialmente e que acontece na rua, espaço eleito por Tatyana Fazlalizadeh para uma campanha que aborda os homens: “Pare de dizer às mulheres para que sorriam”.

Com um rolo, cola e um grupo de voluntárias que não para de crescer, a criadora americana imprimiu nas paredes das principais cidades do país os rostos de mulheres reais – inclusive o seu – que sofreram assédio na rua junto de fortes mensagens em inglês e em espanhol que respondem às agressões verbais mais comuns.

“Meu nome não é ‘pequena’”, “Minha roupa não é um convite”, “Não estou aqui para você”, “As mulheres não buscam sua aprovação”. Estas são algumas das frases que a artista de 27 anos levou a um espaço, a rua, onde as mulheres se sentem frequentemente “incomodadas e inseguras”, explicou no manifesto de sua campanha.

O assédio verbal de rua é a agressão à mulher menos documentada e a mais difícil de classificar em termos legais, apesar de sua incidência superar os 80% entre adolescentes e jovens, segundo os estudos da organização sem fins lucrativos “Stop Street Harassment” (SSH).

Uma de cada quatro meninas já foi vítima desse tipo de assédio aos 12 anos e 90% das meninas de 19 anos respondeu afirmativamente quando perguntadas se já se sentiram intimidada pelas “palavras e ações desrespeitosas de desconhecidos em um espaço público”.

Essa é a definição que a SSH dá ao ‘assédio de rua’, um termo muito menos estudado e regulado do que “assédio sexual” ou “agressão sexual”, já que se refere em boa medida a comportamentos que, embora ofensivos e perturbadores, não são tipificados como crime.

E mais, chamar a atenção das mulheres na rua e fazer comentários obscenos sobre seu corpo em muitos casos é tratado com condescendência, como um elogio ou uma piada inofensiva.

Mudar esta visão é o que moveu Fazlalizadeh a pegar sua câmera, seu rolo e sua tinta no outono de 2012, quando começou a ocupar as ruas do bairro nova-iorquino do Brooklyn com rostos, frases e uma mensagem clara: este comportamento não é aceitável.

O que começou então como uma modesta iniciativa individual se transformou agora em uma campanha nacional que envolveu centenas de mulheres.

“Apesar de sua incidência, a violência e o assédio contra as meninas e as mulheres nos espaços públicos continua sendo um assunto amplamente ignorado, do qual poucas leis ou políticas se ocupam”, escreveu a ex-presidente do Chile Michele Bachelet quando era diretora-executiva de ONU Mulheres, a entidade das Nações Unidas para a igualdade de gênero.

Para reverter esta situação, Fazlalizadeh ofereceu várias formas de participação em sua campanha através de um site que recruta voluntárias tanto para pegar o rodo como para dar a conhecer a iniciativa nos meios de comunicação e nas redes sociais.

A pintora e ilustradora, nascida em Oklahoma e de ascendência iraniana e afro-americana, fotografou primeiro as voluntárias, depois desenhou seus rostos, sempre com olhar desafiante, e por último os imprimiu em cartazes em branco e preto junto de mensagens em letras maiúsculas: “As mulheres não saem à rua para o entretenimento dos homens”.

Esses textos não são fruto da imaginação de Fazlalizadeh, nasceram das histórias reais que as voluntárias revelaram nas entrevistas que fez por todo o país.

A falta de conscientização social sobre o assédio verbal de rua pode ser comprovada com a reação que alguns homens tiveram diante da campanha: em alguns cartazes apareceram pintadas sobre a mensagem ” Pare de dizer às mulheres para que sorriam” o texto: “Obriguem-nas”.

Muitas das protagonistas desta iniciativa pertencem às minorias afro-americana, asiática e latina, grupos onde a incidência deste tipo de agressões é ainda maior. Daí que alguns dos cartazes estejam escritos em espanhol.

A escolha dos muros públicos em lugar das paredes de uma sala de exposições não foi casual. Fazlalizadeh quis levar as mensagens das mulheres ao mesmo cenário em que são vítimas do assédio, a rua. Como advertência a eles, e de lembrança para elas: “Não estão sozinhas”.

Do UOL

Arte RatoFX

Arte RatoFX

Quase 40% das mulheres entre 14 e 25 anos de idade não usam ou quase nunca usam camisinha em suas relações sexuais. Entre os homens de mesma idade, um em cada três declarou não usar o contraceptivo ou usá-lo pouco. Os números foram divulgados hoje (26) no 2º Levantamento Nacional de Álcool e Drogas, elaborado pela Universidade Federal de São Paulo, que analisou o comportamento de 1.742 pessoas com idade entre 14 e 25 anos.

O levantamento apontou que quase um terço das mulheres com idade entre 14 e 20 anos engravidou pelo menos uma vez. O índice de aborto neste grupo etário, seja ele provocado ou natural, alcançou 12%, ou seja, uma em cada dez mulheres entre 14 e 20 anos abortou.

Entre os homens menores de 20 anos, cerca de 2% declararam ser pai. “Temos aí um problema de saúde pública que não está sendo discutido”, disse Clarice Madruga, uma das coordenadoras do levantamento, em entrevista à TV Brasil.

Segundo ela, a pesquisa demonstra que a juventude assume muitos comportamentos de risco. “Sabemos que a juventude é um período de maior vulnerabilidade e o cérebro não está completamente formado, então, as pessoas se expõem mais e têm menos controle de impulso”, disse ela.

Da EBC

Candidatos ao prêmio ‘Empreendedor Social 2013′ participam de evento para convidados no Masp, em São Paulo – Rogerio Cassimiro/Folhapress

Os vencedores do prêmio Empreendedor Social e Folha Empreendedor Social de Futuro destacaram a responsabilidade que essa chancela traz às organizações.

A ganhadora do prêmio Empreendedor Social, Merula Steagall, da Abrale (Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia) e da Abrasta (Associação Brasileira de Talassemia), lidera organizações que fomentam políticas públicas, disseminam informações e dão suporte a pessoas com doenças graves no sangue. Ela destacou que “isso vai aumentar a responsabilidade de todos, dos apoiadores, da diretoria, dos colaboradores”. E emendou: “se a gente recebeu esse voto de confiança, a gente tem que abraçar mais”.

Os jovens da Asid (Ação Social para Igualdade das Diferenças), Alexandre Amorim, Diego Moreira e Luiz Ribas, foram os vencedores da categoria Folha Empreendedor Social de Futuro e da “Escolha do Leitor”. Entre pulos e abraços de amigos, afirmaram que o trabalho realizado por eles se deve muito a outro, aquele feito por escolas especiais que se dedicam a formar pessoas com deficiência.

“Com o prêmio, teremos oportunidade de fazer muitos treinamentos. Aperfeiçoar nossa metodologia e participar da fase final de outros proêmios. E, mais importante de tudo, fazer parte da Rede Folha, que é composta por pessoas excelentes, e contribuir para o crescimento das instituições”, disse Ribas.

Moreira destacou que o título mostra que eles têm muito potencial e amplia o papel da Asid. “Vai dar para expandir o trabalho para o Brasil inteiro.”

O economista José Dias, coordenador do CEPFS (Centro de Educação Popular e Formação Social), foi homenageado com a Menção Honrosa. A categoria, que teve sua estreia neste ano, em uma parceria da Folha com a Fundação Humanitare, visa dar destaque a projetos que mais se alinham à temática do Ano Internacional de Cooperação pela Água, adotado pela ONU em 2013.

Dias foi o ganhador da categoria pela dedicação de sua organização à luta contra a seca no semiárido nordestino. Ele fez um discurso em que se lembrou das dificuldades do início, mas também de como é enriquecedor verificar que as pessoas beneficiadas por ele cresceram e melhoraram de vida.

“É um reconhecimento importante. Primeiro, por passar pelos jurados, por ser um projeto com chancela da ONU. E, sem dúvida, vai mostrar para as famílias o nosso papel. O mérito maior é das famílias que atendemos”, afirmou Dias.

 Da Folha.com

Faxina

Para esquecer um amor precisa-se de concentração. Deve-se evitar remoer histórias do passado. As fotografias têm destino certo: o lixo. Rasgadas, de preferência. Os presentes podem ser encaixotados até que o laço não exista mais e possam ser usados novamente.

Livros ajudam no processo também. Mas cuidado! Não é qualquer livro. Fuja de poesias. Prefira os técnicos, mas não muito chatos. Qualquer um que tenha for dummies no título, servirá.

Aprenda um trabalho manual que requeira atenção. Enfie miçangas numa linha com auxílio de uma agulha. Use uma linha muito fina, fácil de se romper. Você terá a chance de passar horas catando as miçangas no chão sem se distrair com qualquer pensamento indevido.

Não beba! A correlação da bebida com os telefonemas desesperados para o ex-amor de madrugada é altíssima, quase perfeita. Se necessário, utilize comprimidos e durma, durma, durma.

Faça faxina. A alma gosta de limpeza, o coração também. Limpe banheiros, armários, cozinha e tudo o que puder. Quando – enfim – terminar, recomece. Experimente limpar o rejunte da cerâmica usando uma escova de dentes, água e saponáceo. É relaxante.

Encontre um novo amor. Se for muito difícil, engane-se com uma pessoa qualquer fingindo que é um novo amor. Se, ainda assim, não conseguir, aumente suas possibilidades. Entendeu?

Essa receita é válida para amores em geral. Não sei se funciona para esquecer um grande amor. Não foi testada. Falta-me a experiência.

Carolina Vianna

Carolina Vianna

 

Carolina Vianna é fotógrafa, diretora de teatro, poderosa e escreve para o Mulheres no Poder.

Cirque do Solei

“Se cobrir é circo, se cercar é hospício”, brincam. Cobrindo ou cercando, tanto faz, a situação está “pecuária”, como dizia, convicto, um rico, mas pouco letrado senhorzinho, querendo expressar a precariedade duma situação.

Todo o noticiário impressiona. Impressiona pelo aviltamento aos valores básicos da vida humana – à saúde, à educação, à segurança pública – ao desrespeito à fauna e à flora, ao desrespeito à ética, que há muito escorreu pelo ralo. Impressiona pela incoerência entre o que se diz e o que se faz. Impressiona pela inversão das prioridades, a começar por quem tem o poder de ditá-las. Impressiona pelo desrespeito às leis, e, impressiona mais por vê-las valer somente para uns poucos. Esse rol é exemplificativo, claro, e nele tem espaço para muitos outros descalabros.

Noutra época se diria que a casa está de pernas para o ar, e a verdade é que a casa está de cabeça para baixo a mais tempo do que deveria.

A educação brasileira, coitada… Mal tratada, sucateada, desvalorizada, vem, vergonhosamente, se arrastando para tentar mostrar algum resultado. Professores mal formados, desestimulados pelos baixos salários e condições precárias de trabalho não podem refletir em suas salas de aula, uma excelência que lhes é cobrada. Valorizem-se os professores, da formação à remuneração e mudaremos o rumo dessa prosa. E, tendo havido, então, o interesse, o rumo do país.

Sobre o leite derramado no leilão do petróleo de Libra, assunto salgado, independente do que se queira enxergar, olhos bem abertos para os prometidos recursos para a educação e para a saúde.

A polêmica quanto à exigência de permissão prévia, ou não, para se publicar biografias, abstraindo-se alguns chiliques e pedidos de desculpas, fez barulho, embora em toda essa discussão haja, no mínimo, algum saldo positivo.

Pesando-se as contradições do art. 20 do Código Civil (CC) – que já estão sendo questionadas na Câmara, e no Supremo, via Ação Direta de Inconstitucionalidade – e o que diz o inciso IX do art. 5° da Constituição fique-se com a Constituição, a lei maior, que dá a todos a liberdade de expressão, independentemente de censura ou licença.

Biógrafos, na verdadeira acepção da palavra, têm admiração e respeito pela personalidade biografada, e compromisso com a verdade histórica.

Os que, pelo contrário, são meros fofoqueiros, difamadores, e apelam para a desmedida “liberdade” de expressão, que de forma transversa chamam de “licença poética”, quando na realidade apenas vislumbram, nesse oportunismo, uma “grana” fácil ou projeção meteórica, terão a via judicial, provocada pelo atingido, injuriado ou difamado, para o justo reparo do dano causado.

Uma aparente maluquice, ainda por conferir os efeitos se sancionada pela presidente, foi aprovada no Senado, é a que autoriza a mãe, sozinha, indicar o nome do pai do bebê na hora de registrá-lo, apenas pela sua volição, sem qualquer comprovação. Uma liberdade para a qual ainda, tudo indica não se tem maturidade para exercê-la, embora seja inquestionável que os filhos devam – e precisam – saber quem são seus pais.

Gravidezes desatreladas de paternidade, e de maternidade responsável, brotam na sociedade aos milhares e a Justiça não terá essa mesma velocidade, na prestação jurisdicional para desfazer as presunções apontadas por ciúme, vingança, interesse financeiro ou por outras artimanhas de mentes insanas. A intenção é nobre, mas até onde se sabe, na nossa democracia ainda vale a presunção de inocência, até que se prove o contrário.

Fecha-se o pano. Ou o portão.

Fecha-se?

Katia Dias Freitas

Katia Dias Freitas

Katia Dias Freitas é advogada em Brasília
Contato: katiafreitasadv@gmail.com

Money

Há pouco tempo conheci uma jovem mulher que por destino se aprimorou em conhecer as pessoas,a ensiná-las o caminho do autoconhecimento e, principalmente, a cultivar o amor, a gratidão, o perdão e outras virtudes, que, na peneira da vida são as que realmente contam.

Uma mensagem transmitida por ela há alguns dias, numa rede social, para todos os seus amigos, coincidiu em cheio com o assunto que escolhi para voltar à ativa, depois de quase 2 meses. E replico alguns trechos, substituindo silenciosamente a palavra “hoje”, por, “todos os dias”: “Hoje é dia de valorizar a família, curtir o aconchego do lar. (…) Na família é onde somos verdadeiros, inteiros, e às vezes intolerantes e impacientes. Por isso é com a família que descobrimos (…) os caminhos do aprendizado! Nem sempre é fácil, mas assumimos responsabilidades por essas pessoas (…).Vamos cuidar dos nossos, da nossa casa (…)”

Família… No início eram apenas os dois, o homem e sua mulher. Somaram-se, multiplicaram-se. Tornaram-se pai e mãe. Por um longo período dividiram-se entre zelos e preocupações. Venceram. Espalharam seus frutos pela vida. Frutos que a outros se somaram, multiplicando-se, também.

Ficaram sós, a dois, como no início. E o tempo, maduro, mostra a sua inexorável força. Envelheceram. A memória está esquecida. Estão lentos, frágeis, sensíveis e carentes. Precisam de quase tudo, e nos lampejos de consciência agradecem, incansavelmente, por qualquer olhar – e gesto – que os conforte e os compreenda. As posições se invertem. É o começo de um apaixonado e intenso aprendizado, para todos. Quebram-se as prepotências, aquieta-se a pressa, porque o tempo a essa altura tem outro significado. Compreende-se o significado da tolerância e da paciência, e a vida passa a ter um novo sentido.

Aceitação e amor são lições com exercícios diários. O coração de quem está do lado de cá, aperta. É injusto. Não nos ensinaram a enxergá-los dessa maneira. Estávamos acostumados a vê-los, e tê-los, fortes, lúcidos, protetores.

Mas, pensando bem, a vida, vivida, longa, aproveitada, é justa. E sábia.

Sim, cuidar dos nossos é enriquecer sem moedas. É enriquecer verdadeira e licitamente. Um presente para quem ainda tem a quem se doar.

Katia Dias Freitas

Katia Dias Freitas

Katia Dias Freitas é advogada em Brasília

katiafreitasadv@gmail.com          

Coisas da Vida

Coisas da Vida

Disse que não me queria. Entre um beijo e outro falou que não podia. Negou sentimentos enquanto tirava a minha roupa. Tentou permanecer frio e distante. Quase considerei possível. Não fosse aquele olhar terno ao me ver adormecendo em seus braços, acreditaria na farsa.

E assim você se foi. Saiu dos meus pensamentos, das minhas intenções. Mudou-se para qualquer lugar bem distante do meu radar. Resolveu me querer logo quando deixei de me interessar. As pessoas certas nas alturas erradas.

Preciso, agora, encontrar um novo objeto da paixão. Não vivo se não estiver apaixonada. Esse sentimento é tão necessário para a minha sobrevivência quanto o ar. Sem ele fico murcha, não crio, não existo.

Tenha uma boa vida, pensei, enquanto me dirigia ao balcão das paixões impossíveis. Sim, prefiro as impossíveis. Alimentam-me por mais tempo.

Carolina Vianna

Carolina Vianna

 

 

 

Carolina Vianna é fotógrafa, diretora de teatro, poderosa e escreve para o Mulheres no Poder.

Valeria Pena-Costa

Valeria Pena-Costa

Tão indelicado, o espelho. Chega a parecer arrogante! É capaz de nos mostrar, em imagem, aquilo que não somos… E ainda vai querer nos convencer de que somos aquilo que vemos! Mas devemos perdoá-lo, é limitado e superficial ainda que deseje mostrar profundidade infinita!

Enquanto nos esculpimos pacientemente, ele, precipitado, vai nos mostrando rascunhos. Enquanto buscamos a alma que habita a pedra, ele se atém à pedra.

Não dê ouvidos, ou melhor, não dê vistas, ao espelho, menina. Ele não sabe o que diz por isso não diz verdades. Ele pensa que é a duplicação do mundo, mas é um confuso que inverte as coisas. Desnorteado, é o que é.

Se pudesse caminhar no interior do espelho, você andaria em direção contrária ao que ele vê. Se seu mundo está no norte, o espelho a levaria ao sul. E o que está atrás lhe apareceria adiante. Como confiar em alguém assim? É preferível ser aquilo que só você sabe que é.

Esqueça o espelho, menina, foi ele quem enrugou sua pele e embranqueceu seus cabelos. Se aquela que se mostra é uma desconhecida, tenha certeza de que ela não é você. É por isso que em suas lembranças você só encontra o tempo que ele afirma que já foi, e você, só você, sabe que ainda é.

Talvez você ainda nem tenha conhecido suas filhas e netas. Talvez você nem tenha se apaixonado por esse homem que está ao seu lado e segura delicadamente seus dedos finos. Esse homem um dia vai pedir sua mão, vai colocar-lhe um anel que brilhará ao seu olhar. Esse moço que lhe fita docemente vai lhe cantar um trecho de uma canção que diz assim: “Para sempre teu… Tu serás também pelo tempo mais além… Ninguém viveu um amor assim que faz de mim para sempre teu…”

Mas isso não importa… Todos eles já amam você.

Essas meninas vão lhe sorrir de forma tão encantadora que você vai querer abraça-las. Elas se sentarão à sua mesa, e sonharão em seu colo. Repare como lhe olham com doce aguardo…

Todos eles se apertam ansiosos em uma fila que se alonga à sua descendência e aguardam, somente para reconhecer você. E todos desejam se fazer vistos, querem seus beijos, e ainda que você não os conheça, estarão sempre à sua espera. Eles sabem que seu tempo é outro.

Talvez, nesse momento, você seja tão pequena que ainda não tenha aprendido a andar, e, quem sabe, é possível até que ainda nem tenha nascido. Não é esquecimento o que você vive, é, sim, a espera do que será.

O espelho foi quem criou, para si, a ilusão de que conhece você. Vê?! Até ele está na fila de espera… E desnorteado que é, tão confuso, nem sabe o que olha, nem sabe o que vê. Mas uma coisa boa, muito boa, ele tem: claramente, não escolhe nem se apega a aparências, não demonstra preferências… E se nos mostra o que não nos agrada, não significa que ele não goste do que enxerga. Pelo contrário! Acho até que isso é amor! É seu modo de dizer que quer passar a vida ao seu lado, esteja você como estiver.

Ele quer acompanhá-la até que você saiba que cabelos não importam mais. Até que você se canse dele a ponto de nem querer olhá-lo…

Pobre espelho… Um dia estará esquecido. E você se manterá para sempre jovem como um dia se viu. Eu sei, você se mantém guardada no seu próprio espelho da lembrança.

Valéria Pena-Costa

Valéria Pena-Costa

Texto e foto de Valéria Pena-Costa 
Valéria é Artista plástica  atualmente às voltas – e encantada! – com a recém assumida condição de “do lar”. Mineira em Brasília.
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