You can borrow from Payday Loans UK Have a history of poor borrowing

"Ajudando as mulheres a liderar, vencer, governar." ✫Desde 2009✫

Comentários ‘coluna da carolina vianna’

Caixinha de música

Tenho essa caixinha de música com um trechinho de Carmen gravada.

Isso e um Santo Antônio.

Os dois moram em cima do computador, na estação de trabalho que ocupo na repartição.

Ganhei o Santo de uma colega que me acha muito solitária.

Ensinou-me, na ocasião, que deveria tirar o menino Jesus dele e devolver apenas depois que casasse.

Colei Jesus no Santo Antônio com superbonder.

Não é desprezo é tampouco heresia. Rezo todos os dias pra ele. Só não quero correr o risco daquele menino sumir e a coisa acabar em tragédia. A caixinha foi comprada por mim num ataque de nostalgia. Toda vez que me irrito, ouço a música. É só um trecho, bem pequeno, aliás.

Mas, às vezes, o conforto vem das pequenas coisas. Um santinho, um pedaço de uma música boa, um carinho, um sorriso.

Tenho apreciado isso ultimamente e está me fazendo bem. Ao menos, é o que eu penso.

Novos desafios e possibilidades vêm por aí. Um baita frio na barriga também. Pra não pirar, surtar e nem sair correndo, giro a minúscula manivela e ouço a habanera.

Carolina Vianna

Carolina Vianna

 

 

Carolina Vianna é fotógrafa, poderosa e escreve para o Mulheres no Poder

 = )

= )

“Coloque o cinto e acenda os faróis. Tenha uma boa noite e volte sempre.” Ouvi isso e me senti no primeiro mundo. Aquele que juram que existe. Onde as pessoas são educadas, honestas e generosas porque se sentem motivadas para isso. Nem esperam algo em troca.

Saiu assobiando. Ou cantarolando. Não me recordo. A sinceridade, a recomendação e a alegria dele deixaram-me atordoada.

Era um vigia. Guardador de carros? Não sei se existe nomenclatura para essa recém-surgida profissão.

Era uma pessoa, oras! Uma pessoa que, com uma frase, abalou meus pensamentos e me tirou do conformismo-classe-média-acomodada-demais-para-acreditar.

Não penso que educação é relacionada a dinheiro e, muito menos, espero boas maneiras apenas dos engravatados, mas estava num momento expectativa-perdida. Aquele sorriso iluminou minha noite. Brilhou como uma lua cheia de esperança e derramou seu brilho na minha crença sobre a humanidade.

Sim, há salvação! Pensei. E pensei também em descer do carro, dar um abraço nele, desejar que Deus abençoasse toda a família. Siiiiim, quase dei meu cartãozinho visa vale recheado em vez da moedinha-que-sobrou-do-cigarro-com-sorriso-obrigatório.

Aí, refleti. Ele é normal, e eu – infelizmente -perdi o contato com pessoas assim.

Normais, são as pessoas que devolvem os carrinhos de supermercado para o lugar correto, aqueles que dizem bom-dia-boa-tarde-boa-noite. Normais, são os que insistem na utilização de por-favor/obrigada(o).

Eles vivem no primeiro mundo. Mas o primeiro mundo não é um País, Estado, ou Cidade. É um estado. Assim, com letra minúscula e que significa só o modo de ser e estar. Não compreende o ter.

Soberanos são aqueles que ignoram o ter e à ele sobrepõem o ser.

Carolina Vianna

 

Carolina Vianna é fotógrafa, poderosa e escreve para o Mulheres no Poder

 

Dança

Dança

É mais ou menos assim: dois pra lá, dois pra cá.

A gente segue o ritmo da música. Pisa no meu pé, eu não ligo. Te levo. Esse cheiro…

Ah, esse cheiro de shampoo. Sabonete. Não sei.

Pele macia. Voz mansa. Dois pra lá. Corpo grudado. Quente. Seus lábios roçando meu pescoço.

Um arrepio. Dois pra cá.

E eu rezando baixinho pra música não acabar.

Carolina Vianna

 

 

Carolina Vianna é fotógrafa, poderosa e escreve para o Mulheres no Poder


Alma fria. Coração vazio. Encontro-me à espreita de uma nova emoção. Horas vagas.

O Resto...

O Resto…

Tardes inúteis. Nada toca. Não há sentido.

Direita, esquerda? Pra quê? O sentido se foi. Levou o sorriso, a alegria. Mente frívola. Coração oco.

Protesto em vão. Requeiro dignidade quando nada mais resta. Restam os restos. E os restos sou eu.

Em tantos cantos sobra amor, mas como amar o que é sobra?

O que sobra é a sombra do que se foi um dia.

Nada vale.
Vale de ilusões.

Sobejos inúteis em busca de função.

Carolina Vianna

 

 

Carolina Vianna é fotógrafa, poderosa e escreve para o Mulheres no Poder

Viaduto Abandonado - Glensk Viaduct, Co Kerry, Irlanda

Viaduto Abandonado – Glensk Viaduct, Co Kerry, Irlanda

Atirou-se do viaduto.

“Adeus”, na sola do sapato esquerdo.

Carolina Vianna

 

 

Carolina Vianna é fotógrafa, poderosa, e escreve para o Mulheresnopoder.

Era uma vez....

Era uma vez….

- Quando eu vou ter um final feliz?

- No dia em que você morrer e, talvez, for para o céu.

Carolina Vianna

 

Carolina Vianna é fotógrafa, poderosa, e escreve para o Mulheresnopoder.

Sorry! Desculpa!

Juro que havia pensado em escrever um texto lindo homenageando as mulheres pelo seu dia. Pensei, ainda, em pesquisar fatos históricos sobre mulheres fortes, marcantes, que fizeram a diferença em sua época. Queria mesmo fazer uma coisa legal. Mas não rolou. Ando aborrecida. Bastante aborrecida.

Recuso-me a acreditar que não vou aprender isso nunca. Mais uma vez a vida me mostra que devo criar porcos e contentar-me com o bacon. Mais uma vez, fiz planos, criei expectativas e fiquei com fome.

Minha incapacidade de ler sinais está passando dos limites. Pode-se, inclusive, dizer que é patética. Patética, também, é a mania de fazer tempestade em copo d’água. Patética é a autocensura.

A questão, que às vezes é ínfima, toma uma proporção descomunal. A coisa desanda num efeito dominó. Por quê? Porque eu não falo, sou dada a grandes dramas e não gosto de ser contrariada. Ok, Mea Culpa.

Mas, além disso, acho que hoje em dia as pessoas não veem mais importância em respeitar os outros, honrar o que dizem e muito menos em conhecer alguém de verdade. Culpa alheia.

É tudo muito twitter. 140 segundos.

O twitter da vida real permite relações com a duração máxima de 140 segundos.

Carolina Vianna

 

Carolina Vianna é fotógrafa, poderosa, e escreve para o Mulheresnopoder.

Na caça...

Na caça…

É cuidar do jardim para que elas venham até você.

(Mário Quintana?)

Em meio a um processo complicadíssimo de recuperação de crédito de uma empresa em estado de quase falência (não entendi muito bem) estava ela: a borboleta.

Uma borboleta gigante de asas negras com detalhes amarelo-vivo. O corpo também era grande. Pode-se dizer até que era gordinho.

Ventava forte, suas asas descolavam da parede, mas voltavam. Ela, definitivamente não queria sair dali.

Ele discorria sobre suas manobras jurídicas, gabava-se de sua astúcia e contava – cada vez mais altivo – seus feitos enfadonhos.

Alto, nem notou que eu não olhava em seus olhos. Minha visão detinha-se pouco acima de sua cabeça. Na parede de mármore negro. Na misteriosa borboleta. Quase sem prestar atenção em mim, ele me deixava livre para observá-la.

Será que era tão bonita em sua vida de lagarta? Será que ela já sabia o que iria enfrentar? Nunca entendi muito bem a transformação das lagartas. A formação das cores. Nada. Absolutamente nada! Nem sei se ensinam isso na escola.

Ah! Minto. Sei que não devemos ajudá-las. O grande momento da dor é a chave para a sobrevivência. Devem, com suas asinhas frágeis, romper o casulo sozinhas. Isso as torna fortes. É tudo o que sei sobre lagartas e borboletas.

Já me desiludi com Papai Noel, Coelhinho da Páscoa e maridos. Não prestaria muita atenção, mesmo que tivessem me ensinado. Essa metamorfose é mística para mim. E vai ser assim sempre.

Continuei com uma bela cara de paisagem. Assentindo com a cabeça, vez ou outra, para encorajá-lo a falar mais. Fazia o que podia para prolongar o contato com aquela criatura mágica.

Imagine só: num dia você rasteja em busca de comida, te pisam e sentem asco de você. No outro, ficam maravilhados com sua beleza e imploram para que você chegue perto. Porém você simplesmente não quer mais e sai por aí, livre, admirando as maravilhas do mundo. A borboleta é o máximo!

É um pensamento fútil, eu sei. Quase vingativo, assumo. Mas deveras interessante.

Além disso, tem o lance da vida. O dom de Deus. Esse Deus que nem sei se existe, mas que me deixa inclinada a crer quando vejo uma simples borboleta.

De repente voou. Duas piruetas, um rasante na minha cabeça e um pouso desconcertado na gravata do garboso.

Nesse momento, já havíamos terminado os cigarros. Nem sei em que ponto estava a façanha do tal do crédito-recuperado-a-duras-penas-da-empresa-quase-falida.

Só voltei em mim quando o indigno deu um tapa na borboleta e o corpo da pobre caiu sem vida no chão.

Idiota! Você sabe o que ela passou pra chegar até aqui? Disse, com ódio no olhar.

Nunca mais conversamos.

Carolina Vianna

 

Carolina Vianna é fotógrafa, poderosa, e escreve para o Mulheresnopoder.

Shhh…

Angústia. Ansiedade. Nó na garganta. E todas as sensações (péssimas) que a ausência de alguém querido pode causar.

Você liga. Manda mensagem. E-mail. Carta. Vai num pai-de-santo. Taróloga. Grita com todos os oráculos. Faz simpatia. E nada.

É, às vezes, é assim. Não adianta, por mais que você se esforce, não vai ter jeito. Quando um não quer… Não acontece e pronto!

E toda a sua inteligência desce ralo abaixo junto com as suas lágrimas de autocomiseração.

Aí, você se joga na vida mundana. Bebe. Passa de boca em boca procurando um sabor que, já sabe, não vai encontrar.

Sonha com os abraços. Fecha os olhos lentamente, inspira, sente o cheiro da pessoa no ar. Quase pode tocá-la.

Abre os olhos pra ver a ilusão se desfazer.

E, nesse meio tempo, enquanto sofre feito um condenado, imputa o mesmo sofrimento à outra pessoa.

O NÃO, dito com todas as letras, passa a ser um talvez. E você insiste. Não ouve. Faz da vida alheia um inferno.

Persegue. Faz drama. Inventa desculpas para se materializar em todos os lugares em que a pessoa está ou possa aparecer.

Liga para os amigos dela. Procura o nome da figura nos sistemas de busca da Internet. Cozinha o coelhinho de pelúcia da pessoa na panela!

E ela faz o quê? Estoura né? Numa reação digna de filme hollywoodiano.

Em terras tupiniquins, pode-se dizer “desce do salto e arma um barraco”.

Então você faz cara feia. Sai batendo porta. E ainda reclama da falta de educação.

Diz aquelas frases ótimas que se iniciam, invariavelmente, com “No meu tempo…”.

Que tal uma dose de dignidade?

Carolina Vianna

 

Carolina Vianna é fotógrafa, poderosa, e escreve para o Mulheresnopoder.

Trapalhadas...

Trapalhadas…

Por quê? Porque minha vida parece um seriado de comédia pastelão…

Cena 1

Filha acaba com o carro. Convence a mãe a atravessar a cidade para levá-la a uma locadora de veículos porque quer ir a sua formatura no final de semana e não tem carona pra festa. Escolhe o carro. Faz cadastro.

- Senhora, a carteira de motorista, por favor.

Procura na bolsa. Descobre que deixou em casa.

[black out]

Cena 2

Aeroporto lotado. Fila gigantesca.

Cenário 1: Balcão da Companhia aérea

- Carteira de identidade, por favor?

Repete-se o ato da busca desesperada pelo documento. Não, ele não está lá. Volta para casa. De novo no aeroporto. Não consegue despachar a bagagem. Corre para o embarque.

Cenário 2: Detector de Metais

Apita, volta, apita, volta, passa o detector no corpo. Nada.

- Moça, se apitar com piercing eu não mostro.
- Eu é que não quero ver!

Risos.

- Passe de novo pela porta.
- Ok.

PIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII

- Tire o calça$%&, por favor.
- O QUÊ??? A CALÇA??? Como é que eu vou andar no aeroporto sem calça?
- O calçado, senhora. O cal-ça-do!
- Ah, tá…

Enfim, entra no avião, atrasada, sob olhares de reprovação, arrastando uma mala vermelha tamanho “esconderia-um-corpo-facilmente”.

Cenário 3: Duty Free de Buenos Aires

Óculos chiquérrimo. Perfumes. Chocolates. Câmera fotográfica. Compras acima da cota não declaradas por sugestão da vendedora.

- A senhora deixa a caixa aqui e coloca os óculos na cabeça, estilo fashion.
- Ok.

Nervosismo. Deve estar escrito na minha testa que estou mentindo! Passa correndo pela imigração/alfândega/pessoas-uniformizadas-com-cara-feia.

Cenário 4: Balcão do táxi

- Para onde, senhora?
- San Telmo, por favor.
- Quantos volumes?
- …
- Senhora?
Olha pra um lado, olha pro outro…
- Ai, meu Deus, a mala ficou na esteira. Espera só um minutinho?
Imigração/alfândega/pessoas-uniformizadas-com-cara-feia:
- A senhora esqueceu a mala???
- É… é…
- Fica com meu cartão, vou anotar atrás o endereço da Embaixada do Brasil. Se tiver qualquer problema…
- Obrigada, senhor, eu só quero a minha mala mesmo.

[black out]

Cena 3

Caribe. Verão. Mar azul claro. Golfinhos. Veleiros. Margaritas. Boites. Jantares. Mergulho. Visualiza?

E que tal voos perdidos, polícia e confusão?

- Onde você estava?
- Na praia.
- Mas deveria ter feito check out hoje!
- Não, meu voo é amanhã.
- Hoje! A polícia está te procurando!!!
- Hein?
- Nós reportamos a senhora como turista desaparecida às autoridades!
- Hein? O voo é amanhã…
- Pegue sua passagem, por favor, senhora.
- ….
- Senhora?

Senta no chão com a passagem na mão e pensa: Ah, não!!! De novo??? Não é possível!

[black out]

Isso e outras. Várias outras. Não acender os faróis no apagão. Bater com a cara em porta de vidro. Trocar o nome das pessoas em todas as situações imagináveis. Sim, todas. Comemorar o próprio aniversário em data errada. Chegar “levemente alterada”, tentar disfarçar e se entregar ao guardar o bifinho – que a mãe ofereceu – no bolso da calça jeans, dizendo que vai comer depois…

Então, Deus:

- Por favor, na próxima vida, menos…

Carolina Vianna

 

Carolina Vianna é fotógrafa, poderosa, e escreve para o Mulheresnopoder.