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Com temática universal mesclada por situações locais, o cineasta Asghar Farhadi conquista a estatueta de Melhor Filme Estrangeiro e chega onde o Brasil nunca chegou
A Odisséia de um cineasta no regime dos Aiatolás – O cineasta iraniano Asghar Farhadi, autor do (bom) À Procura de Eli, já podia ser considerado vencedor bem antes da conquista do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, semana passada. Aliás, a primeira estatueta do Irã. Seu mais novo trabalho, Separação (Jodaeiye Nader az Simin, Irã – 2011) conseguiu a proeza de ser um filme bem realizado, inesquecível. Driblando as prováveis, talvez muitas, restrições impostas à atividade cinematográfica vigentes em país sob a tutela de padrões religiosos ortodoxos, ele apresentou ao mundo drama marcante, enriquecido por interpretações irrepreensíveis. Mirou sua câmera na intimidade de duas famílias de condições sociais distintas, na Teerã dos tempos atuais. E conseguiu lapidar história envolvente, não-maniqueísta, que poderia ter ocorrido em Nova York, Los Angeles, Buenos Aires ou Rio de Janeiro. Seu jeito de fazer cinema é universal, portanto. Em vez de formular pedagogia contra os excessos do regime, Farhadi constrói situações cotidianas nas quais a voz dos personagens, de forma melodramática, explicita situações absurdas, como a da diarista que precisa telefonar para um parente a fim de saber se seria pecado fazer o asseio em idoso com incontinência urinária. O filme segue emocionando e surpreendendo, ao tratar no mesmo nível de importância os personagens masculinos e femininos.
Resumo da história - Famílias que aparecem nos filmes do Irã de hoje devem sempre ser compostas pelo casal e, pelo menos, por um filho. É a maneira de sublinhar ensinamento basilar do Alcorão, que é taxativo ao se referir ao objetivo da união entre um homem e uma mulher: a procriação. Dessa situação, Farhadi extrai o argumento que vai segurar a narrativa até o final, que é o medo de uma adolescente, Termeh (Sarina Farhadi), de 11 anos. Sofre com a perspectiva da separação de seus pais, pessoas de classe média, com certas posses e confortos. A mãe, médica, Simin (a bela Leila Hatami), no entanto, determinada, dá um tempo na relação com o marido bancário, Nader (Peyman Moadi), e vai morar com os pais. E leva junto a esperança de que ele libere a filha. Seu desejo: ambas irem morar no exterior. A ideia não desagrada Nader. Mesmo assim, ele apresenta obstáculo intransponível para deixar o país. O seu pai (Ali-Asghar Shalbagi) padece de demência em estado avançado. “Ele já nem se lembra do seu nome, muito menos quem é você”, arremata Simin. “Acontece que eu sei que ele é meu pai. E ponto final”. A saída de cena de Simin obriga Nader a contratar uma diarista. Surge, Razieh (Saret Bayat), mulher pobre, humilde, sempre acompanhada de filhinha (Kimia Hosseini), com menos de seis anos. O que Nader não sabe é que o marido de Razieh, Hodjat (Shabat Hosseini), um sapateiro desempregado e cheio de dívidas, ignora a iniciativa da mulher de procurar emprego. Rude e autoritário, sinaliza que jamais a deixaria trabalhar. É nesse jogo de desencontros que o filme se estrutura e vai até o final, impulsionado por medos, vaidades, arrogância e egoísmo, latentes e recalcados. No final, a platéia pergunta como tudo vai se resolver. Qual será a sentença final, justa ou injusta? Como acontece com o cinema de Farhadi, todas as portas continuam abertas.
O primeiro grande mérito do diretor - Mesmo oriundo de país marcado por situação política complexa, Farhadi é hábil escultor de temas universais, aos quais junta certo tempero iraniano. Em A Separação, contrapõe desejo de mãe — mulher esclarecida, que almeja dias melhores para a família — e filha adolescente que, como a grande maioria das pessoas naquela faixa etária(em escala mundial), tende a se considerar culpada por eventual separação dos pais. Certamente, bem mais tarde, já adulta e tendo ela mesma vivenciado suas próprias experiências, bem ou mal sucedidas, Termeh irá constatar que seu desejo (passado) de manter os pais juntos de qualquer jeito estava desconectado da realidade. Mas, Termeh, no filme, tem apenas 11 anos.
O segundo grande mérito do diretor - Urdiu situação baseada em conflitos domésticos, onde as partes envolvidas se sentiam injustiçadas não por estarem sendo responsabilizadas pelo que cometeram, mas, sobretudo, por aquilo que não foram capazes de controlar. Agradou pelas sutilezas com que tratou os ângulos agudos de situações aparentemente intransponíveis. Sem discriminação cultural ou demagogia. E conseguiu ser o preferido dos mais de seis mil jurados do Oscar. Quase todos americanos.
Universalidade, o caminho para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro
A Argentina, de O Segredo dos Seus Olhos, já sabe que os jurados do Oscar raramente se encantam por produções com foco em situações exclusivamente locais. Também já o sabem Áustria, Holanda, Japão, Israel, Líbano, México, Espanha, Suécia, além, evidente, da França e da Itália. E, agora também o Irã, com litígios aparentemente insolúveis com os Estados Unidos. Resta saber quando o Brasil, de enormes talentos como Walter Salles e Fernando Meirelles, vai entender isso de uma vez por todas. Pelo visto, ainda vamos esperar (muito) pela sonhada estatueta. Nosso representante nesse ano foi Tropa de Elite 2, de José Padilha. . .
Por José Jardelino da Costa Jr.
A Invenção de Hugo Cabret é uma fantástica e surpreendente declaração de amor ao Cinema
Scorsese em ritmo de aventura – O cineasta Martin Scorsese adentra em terreno inédito. Saem de cena os psicopatas e esquizofrênicos de todos os gêneros que habitaram vários dos seus magníficos filmes (Táxi Driver, Touro Indomável, Infiltrados, Cassino, O Aviador, Cabo do Medo). Em A Invenção de Hugo Cabret (Hugo – EUA – 2011), eles foram substituídos por referências aos tipos imaginados por Victor Hugo, Alexandre Dumas e Júlio Verne, em ambiente compatível: Paris do início do século vinte. Mais especificamente, a estação de trem da Cidade-Luz, onde quase toda a trama se desenvolve. A conexão com três dos maiores autores literários franceses vai se desdobrar em citação aos Irmãos Lumière. Eles inventaram o cinematógrafo, que surpreendeu os franceses e o mundo com as antológicas imagens em movimento de cotidiano trem chegando numa estação. Nascia o cinema. Com esses elementos, Scorsese construiu o argumento de história fantástica e surpreendentemente não-maniqueísta. O personagem-protagonista que inspira o título, um menino-órfão, agirá no sentido de despertar sentimentos inconscientes nos adultos com quem irá interagir e lhes modificará para sempre as suas vidas.
Resumo da história – Hugo Cabret (Asa Butterfield) é um menino esperto, mal chegado à adolescência. E órfão, numa Paris encantadora nas aparências, mas crudelíssima com quem teve a desventura de perder precocemente o pai e cair nas mãos de tio quase sempre bêbado, cuja função era a de manter os relógios da estação de trem de Paris em funcionamento e sincronizados. A alternativa seria ir para um orfanato, perspectiva que apavorava o garoto. Submete-se às sempre crescentes ausências do tio e começa, ele mesmo, a controlar os relógios da estação. É lá onde mora em cubículo esquecido, no qual conserva inusitado legado de seu pai (Jude Law), relojoeiro habilidoso e sonhador. Era um simulacro de andróide que se movimentava a partir dos mesmos mecanismos dos relógios de corda. Para fazer a engenhoca funcionar teria que contar com a ajuda de outro relojoeiro, dono de pequena loja no local, o ranzinza Georges Méliès (Ben Kingsley), que esconde passado inimaginável. Com a ajuda da afilhada deste, Isabelle (Chloe Moretz), Hugo chegará a segredos cuidadosamente camuflados. Eles estarão entrelaçados com a solução de que precisa para fazer o seu “robô” voltar a funcionar. Vencer as resistências do sorumbático Méliès não será o único desafio para a sagacidade de Hugo. Ele terá que se livrar da perseguição do guarda da estação (Sacha Baron Cohen), mutilado de guerra, com perna mecânica e cachorro (Maximillian) hostil, que perseguirá Hugo com persistência semelhante a do inspetor Javert no encalço de Jean Valjean — ambos personagens de “Os Miseráveis”, de Victor Hugo. A vida pregressa de Méliès, a ser descoberta por Hugo, será a deixa para Scorsese fazer bela homenagem aos pioneiros da arte cinematográfica. Com imagens digitais em 3D, decifrará para o espectador os segredos mágicos dos primeiros filmes, em sequências extraordinariamente bem dirigidas e produzidas.No final, o diretor ainda encaixará reflexão filosófica-existencialista na fala do adolescente Hugo: “O mundo é uma grande máquina que não dispõe de peças sobressalentes. Se você (dirigindo-se a Isabelle) e eu estamos aqui, é por algum motivo”. Instigante fecho para a fabulosa aventura de menino sonhador, apaixonado pelo futuro. Aqui o adjetivo “fabulosa” se desvincula de outros laudatórios, como grandiosa, magnífica, para sublinhar ligação com bela fábula, o que realmente o filme é.
Scorsese encontra Spielberg e o francês Michel Hazanavicius no mesmo Oscar – Três ótimas produções que concorrem à estatueta de melhor Filme e Melhor Diretor no Oscar do próximo domingo têm seus enredos entrelaçados. A Invenção de Hugo Cabret apresenta argumento semelhante ao de O Artista, de Michel Hazanavicius: magnífica homenagem ao Cinema e aos extraordinários talentos que o conceberam e aperfeiçoaram. Ambos também se estruturam em roteiros rocambolescos, exatamente como Cavalo de Guerra (dirigido por Steven Spielberg), que concorre no mesmo páreo (Melhor Filme e Melhor Diretor). Mais: a Primeira Guerra Mundial, que move o herói equino de Spielberg, será a resposta para as perguntas sobre o mistério do enigmático Méliès. Nunca antes na história do Oscar houve situação parecida.
Scorcese dá novo e bem-vindo tom para a aventura no Cinema – A Invenção de Hugo Cabret tem como (bom) atributo a simplicidade; não é uma história nervosa e cheia de detalhes que deixam a platéia tonta. Também foi cuidadosamente editado para evitar conotação pessimista, por mais tristes que sejam alguns eventos. Os personagens, por sua vez, vivem situações improváveis, mas, bem dirigidos, têm aparência “humana”, e ficam a anos-luz dos tipos caricatos. A simplicidade do roteiro, no entanto, traz embutida tema complexo e profundo: a guerra, como devastadora de sonhos e de vidas. Essa mistura faz o filme decolar, tal e qual os primeiros arquétipos de foguetes imaginariamente dirigidos para a Lua.
Filme diz muito, sem mostrar pouco – Além do maestro Scorsese na direção, A Invenção de Hugo Cabret conta com elenco raro: Ben Kingsley repete performances que o notabilizaram (Ghandi, Fatal). O menino Asa Buterfield passa autenticidade a personagem determinado e discretamente otimista. Tem na garota Chloe Moretz o contraponto ideal para sua performance. Há ainda o impagável Sacha Baron Cohen (Borat), como o guarda da estação, que consegue a proeza de fazer o que faz, sem parecer cem por cento ridículo ou abominável. Elenco de apoio, com astros como Jude Law (o pai), Emily Mortimer (a florista da estação, que encanta o guarda) e Helen McCrory como, Mama, a esposa de Méliès, aparentemente resignada, mas dona de força inesperada para induzir mudanças comportamentais surpreendentes no marido, formam conjunto sem o qual Scorsese não poderia ter avançado como avançou em sua já magistral filmografia.
Escrito por José Jardelino da Costa Júnior
com a colaboração de Camila Costa.
Atriz já foi indicada 17 vezes ao maior prêmio da indústria. Ela venceu por sua interpretação de Thatcher em ‘A dama de ferro’.
Ovacionada de pé por seus colegas, a norte-americana Meryl Streep ganhou na noite deste domingo (26) o terceiro Oscar de sua carreira. O prêmio de melhor atriz veio por sua interpretação da primeira-dama britânica Margaret Thatcher no filme “A dama de ferro” – as duas vitórias anteriores aconteceram em 1980, quando levou o prêmio de atriz coadjuvante por “Kramer vs. Kramer”, e em 1983, quando venceu a categoria de melhor atriz por seu trabalho em “A escolha de Sofia”.
Ela abriu seu discurso agradecendo o marido, por medo de que o limite de tempo a impedisse de dizer seu ‘obrigada’ a ele. E encerrou declarando que queria aproveitar para agradecer a todos os seus colegas e amigos, “porque acho que nunca mais estarei aqui de novo”.
Meryl Streep é a atriz mais vezes indicadas ao Oscar na história, tendo concorrido 17 vezes, recorde que demonstra sua credibilidade dentro da indústria. A marca, no entanto, tem um lado amargo – com tantas disputas, Streep é também a atriz que mais vezes esperou em vão ter seu nome chamado. O fato foi notado pelo apresentador Billy Cristal, que aproveitou para fazer uma piada, dizendo que só por ter tido que aguentar tantos discursos de agradecimento de outros atores ela já merecia um Oscar.
Do G1
A atriz norte-americana Meryl Streep, recordista de indicações ao Oscar com 17 nomeações, recebeu, nesta terça-feira (14) um Urso de Ouro honorário no Festival de Berlim em homenagem a seus 40 anos de carreira.
Streep está em Berlim para divulgar seu mais recente filme, A Dama de Ferro, que não concorre na mostra principal da Berlinale. Sua atuação como Margaret Thatcher no longa lhe rendeu mais uma indicação ao Oscar – a atriz é uma das favoritas a vencer a categoria, pela terceira vez.
Na tarde desta terça, durante uma concorrida entrevista coletiva de divulgação de A Dama de Ferro, Streep foi surpreendida por um buquê de flores entregue por um repórter austríaco e uma coleção de bonecas russas desenhadas com seu rosto e trajes de seus personagens marcantes.
Mesmo acostumada às glórias das premiações, a atriz garantiu na entrevista que ainda sente “borboletas no estômago” a cada novo reconhecimento. “É muito estranho estar numa posição em que as pessoas chegam pra você e dizem: ‘eu acho que você vai ganhar’ ou ‘esse ano você não ganha’. Parece um esporte, um jogo que você não pediu pra participar. Me sinto me preparando para o Super Bowl!”
Do Terra
O Homem Que Amava As Mulheres, considerado síntese da obra do melhor entre os cineastas franceses, fará 35 anos em 2012 e acaba de ganhar edição remasterizada.
Resumo da história - Instigante comédia dramática, narrada em flashback, sobre a vida e as conquistas amorosas de Bertrand Morane (Charles Denner), especialista na construção de aviões, barcos e helicópteros. Ele é O Homem Que Amava As Mulheres (L’homme Qui Aimait Les Femmes – França – 1977). Morava em Montpellier, a “cidade francesa com maior número de belas por metro quadrado”. Um apaixonado pela alma feminina. . Todas. Nenhuma o deixava indiferente. Gostava das ruivas “pelo cheiro”, das louras platinadas “pelo artifício”, das jovens porque elas acham que “o mundo lhes pertence”, das viúvas “por estarem disponíveis”,das casadas “por não estarem”. Para ele, engenheiro, “as pernas das mulheres eram compassos que percorrem o globo terrestre em todas as direções, dando-lhe equilíbrio e harmonia”. Na primeira cena que mostra uma de suas conquistas, ele se deixa fascinar apenas pelas pernas de quem sequer consegue ver o rosto. Anota a placa do conversível dela e,obstinado, tenta de todas as formas encontrá-la. Chega a chocar o seu carro aleatoriamente e denuncia à companhia de seguros que o acidente teria sido por culpa da dona do belo par de pernas. Queria , porque queria, saber o seu endereço e a sua identidade. Sucedem-se outras aventuras, até que ele esbarra em Hélène (Geneviève Fontanel), mulher madura e bela, dona de loja de lingeries, que aceita convite para jantar. Logo após, confessa que prefere mesmo os homens mais jovens, embora aprecie a sua companhia. A partir desse momento, Bertrand decide escrever um livro sobre sua vida e as mulheres que dela participaram. As reminiscências adentram no terreno freudiano. O espectador fica sabendo que ele foi desprezado por mãe castradora e promíscua. Mais: a mulher por quem se apaixonou e com quem viveu alguns anos, Vera (Leslie Caron), o abandonara inexplicavelmente. Começam as semelhanças entre a vida do personagem e a do próprio Truffaut (segundo os biógrafos do cineasta, “Vera” teria sido Catherine Deneuve). Ele, Truffaut, sinaliza a conexão entre a fantasia e a realidade, ao aparecer no início do filme. Os originais do livro de Bertrand ficam prontos e uma importante empresa editora decide transformá-los em livro. Escala a diretora Geneviève Bigey (Brigitte Fossey), bonita e cheia de charme, para cuidar do projeto. Ela vai além e termina na cama dele. Fatos imprevisíveis atrapalham a trajetória de Bertrand rumo a mais outra conquista. A história termina com explicação freudianamente plausível sobre os motivos do comportamento compulsivo do personagem. Apenas mais uma vítima de neuroses recalcadas, muito distante, portanto, do estereótipo do sedutor convencido e chato.
O diretor – Ao romper com Jean-Luc Godard, amigo dos primeiros tempos, Truffaut deixou claro o tipo de cinema que queria produzir. Abandonaria as ilações políticas, etéreas, a fim de se fixar em filmes que mostrassem o encanto dos relacionamentos, independentemente de “finais felizes”. Seus trabalhos iriam esmiuçar o jeito de ser de mulheres, homens e suas neuroses. Aprimorou estilo baseado em suas experiências pessoais. O Homem Que Amava As Mulheres é considerado o filme em que melhor exprimiu o seu jeito de lidar com o mundo e com as belas que lhe surgiram no caminho.
O elenco – Charles Denner foi um dos principais atores franceses dos anos 60 e 70. Trabalhou com Louis Malle (Ascensor Para o Cadafalso, ótimo suspense, ao lado de Jeanne Moreau), Godard, Costa-Gavras (Z), Claude Chabrol, Claude Lelouch e com Truffaut. Segundo este, depois que o roteiro de O Homem Que Ama As Mulheres foi concluído, não havia melhor ator para vivenciar a aventura de Bertrand Morane pelos labirintos dos sentimentos femininos. Aos 51, a voz grave e viril de Charles Denner fazia o contraponto ideal com certa vulnerabilidade que costuma despertar o instinto maternal das mulheres. Todas as coadjuvantes estiveram perfeitas, cada uma preenchendo, à sua maneira, lacunas explícitas na autoestima do personagem. Destaque para Brigitte Fossey e Geneviève Fontanel.
Filme viria a influenciar a outros grandes diretores da geração seguinte
O Homem Que Amava As Mulheres, pelo mergulho no inconsciente masculino, iria deixar marcas em trabalhos futuros de Pedro Almodóvar (Carne Trêmula, Abraços Partidos), François Ozon, no filme mais sensível de Clint Eastwood (Pontes de Madisson) e Christophe Honoré (A Bela Junie),entre outros.
Truffaut chegou a planejar retomada ao tema de O Homem que Amava As Mulheres
Em maio de 1984, Truffaut reuniu seu diretor de fotografia preferido, Nestor Almendros (também o responsável pelas magníficas imagens de O Homem Que Amava As Mulheres), e Gérard Depardieu, a fim de discutir adaptação do romance La Varande, que contava a vida amorosa de militar que voltava das guerras napoleônicas, com o rosto desfigurado e a certeza de que a sua vida de sedutor havia acabado. Para surpresa dele, o seu nariz mal refeito dos ferimentos tornar-se-ia elemento fetichista e objeto de desejo das mulheres que passaria a conhecer. Não houve tempo. Em 21 de outubro do mesmo ano, viria a falecer, vencido por câncer no cérebro.
Outro filme, aqui no Brasil também “O Homem Que Amava As Mulheres” (Vie Hérooique, na língua original), relativo àcinebiografia do músico francês Serge Gainsbourg, realizado em 2010, nada tem a ver com o filme de François Truffaut.
José Jardelino da Costa Júnior

A ex-senadora Marina Silva será tema de um longa da diretora e Sandra Werneck - Foto: Leticia Moreira/Folhapress
A ex-senadora Marina Silva (sem partido), 53, terá uma fase da sua vida retratada em filme da diretora Sandra Werneck, informa a coluna de Mônica Bergamo, cuja entrevista com Marina foi publicada na Folha desta segunda-feira.
Segundo Sandra, Lucy Ramos fará o papel de Marina e Wagner Moura foi convidado para viver Chico Mendes, enquanto Thiago Fragoso deve interpretar Fábio Vaz de Lima, marido da ambientalista.
A proposta já vinha sendo feita há algum tempo pela diretora de cinema e Marina conta que só aceitou “porque a proposta é que o filme registraria um período, não viria pra essa coisa da política”.
Marina disse que isso a deixou mais confortável. “Claro que as pessoas vão saber de quem se trata. Mas será muito mais um testemunho de vida para dialogar com os temas e as causas.”
Marina nasceu em Breu Velho, no Acre. Com a saúde frágil, aprendeu a cozinhar e a lavar roupa enquanto dava os primeiros passos na alfabetização. Estudar foi a motivação para deixar, aos 16 anos, o seringal Bagaço, onde ajudava o pai na extração da borracha.
Historiadora de formação, já foi vereadora de Rio Branco (AC), deputada estadual, senadora por dois mandatos pelo Acre, ministra do Meio Ambiente.
Concorrendo pelo PV à Presidência da República no ano passado, obteve 19,6 milhões de votos no país no primeiro turno das eleições –19,3% dos sufrágios válidos.
Do Folha.Com
Filme do diretor Adrian Lyne traz Kim Bassinger e Mickey Rourke em trama marcada pela obsessão e comportamentos sexuais transgressores
Resumo da história - A natureza da trama vem explicitada logo no título em inglês, 9 e 1/2 Weeks. Ou seja, o limite de tempo que uma relação obsessiva costuma durar, desde que um dos dois seja minimamente saudável, sob o aspecto psíquico. Por razões comerciais, o tradutor brasileiro fez acréscimo (“de amor”) que, de certa forma, desconecta a versão em português da essência verdadeira do filme.
9 e 1/2 Semanas de Amor (1986) representa hábitos dos anos 80, o charme de homens e mulheres bonitas, elegantes, tendo como moldura Nova York, Wall Street e outros símbolos da geração yuppie, enquanto na linguagem subjacente transbordam atitudes marcadas por erotismo transgressor. Liz (Kim Bassinger, aos 30, no auge de seus extraordinários encantos), gerente de uma galeria de arte, certo dia esbarra no olhar de John (Mickey Rourke), charmoso e bem sucedido executivo financeiro. Iniciam romance que será marcado pelos superlativos. Desde os primeiros encontros, ele era o dono de todas as palavras. Sabia o que estava pretendendo e não se incomodava nem um pouco com isso. Quando ela ensaiava alguma coragem para expressar seus sentimentos, ele se fechava dentro de si e apenas pensava nos seus termos. Começa então a demolição da dignidade de Liz.
Em ritmo de videoclipe, com situações aparentemente românticas e trilha sonora envolvente, o diretor Adrian Lyne conduz a relação na direção dos desvios psicológicos que irão acentuar o lado sociopata de John. Liz se submete: olhos vendados, palmadas por “castigo merecido” e outras manifestações do caráter deformado do namorado, turbinado pelos recalques decorrentes de situações vividas na infância que ele queria esconder. Era um homem experiente e dono de grande talento para negócios, mas que, por dentro, nunca havia nascido. Liz começa a perceber o sentimento de medo tomando conta de sua existência. No espelho, viu o seu retrato tenebroso e entendeu finalmente que precisava se proteger do efeito devastador que aquela relação lhe trazia. “Eu quase esperei tempo demais”, pensou, instantes antes de tomar a decisão que lhe resgataria a autoestima.
O diretor - Adrian Lyne iria voltar ao tema (psicopatas) um ano depois de 9 e 1/2 Semanas de Amor, em novo filme que retomou a discussão sobre relacionamentos efervescentes, no início, e sombrios, a partir do momento em que um dos parceiros descobre que foi vítima de idealização inconsequente e se deixou seduzir por pessoas que não eram o que aparentavam. Paixão avassaladora, marcada por imediatos e tórridos encontros sexuais também foi o tema de Atração Fatal (1987), com magistrais interpretações de Michael Douglas e Glen Close. Em ambos os filmes, o diretor teve a habilidade de colocar a câmera como uma sonda no inconsciente dos protagonistas-psicopatas e permitir que o próprio espectador testemunhasse que eles não amam, não trabalham, não vivem. Simplesmente vão à caça.
O elenco - O bem sucedida trajetória no universo da publicidade permitiu que Adrian Lyne selecionasse dois atores com o biotipo desejado por dez entre dez mulheres e homens. Isso era imprescindível para o filme funcionar. Kim Bassinger, linda, transbordava sexo por todos os poros do seu corpo arrasador. Mickey Rourke mostrou olhar, sorriso e gestos do príncipe encantado moderno. Mais: um e outro conseguiram transmitir os mais profundos sentimentos dos seus personagens, apenas com pequenos detalhes de linguagem não-verbal. Ótimas interpretações.
Detalhe (1) – 9 e 1/2 Semanas representou o ponto mais alto da carreira de Mickey Rourke. Tempos depois, enveredou pelas lutas de boxe e literalmente desconstruiu a reputação de sexy symbol.
Detalhe (2) - O filme ainda mantém certo frescor atual e merece ser visto (ou revisto). Na era das mídias sociais, quando as mais fantasiosas idealizações postadas no Facebook adquirem o status da credibilidade, a chance de se entrar na mesma cilada de Liz é real. A médica psiquiatra Ana Beatriz Barbosa da Silva aborda a questão com argumentos sólidos em seu bestseller “Mentes Perigosas” (Editora Objetiva – 2008). O perigo efetivamente existe. Numa nova e promissora relação, de repente, um(a) psicopata pode estar dormindo ao lado.
José Jardelino da Costa Júnior
Baseado em fatos reais, filme mostra a ascensão e a queda do mais famoso líder sindical dos Estados Unidos.
Resumo da história - O filme conta a história de líder sindical que se achou acima do bem e do mal. Desafiou a justiça e se aliou à máfia. Nascido em bairro pobre de Detroit na segunda década do século 20 (1913), Jimmy Hoffa perderia o pai logo cedo, o que lhe obrigou a abandonar os estudos e conseguir emprego num supermercado para ajudar no sustento da família. Revelou vocação para liderança, logo nos primeiros anos como profissional na área de entregas. Carismático, partiu para estruturar sindicato ligado ao setor, motivo pelo qual foi demitido. A partir de sua experiência como entregador, percebeu que os caminhoneiros eram desunidos. Mesmo sem nunca ter dirigido um caminhão, deu um jeito de se entrosar com o segmento. Não precisou de muito tempo para se tornar líder e estruturar sindicato que, décadas depois, teria um milhão e meio de filiados. Livremente inspirado em fatos reais, no início, o roteiro de Hoffa (Hoffa – EUA – 1992) estreita o foco na época dos primeiros esforços de Jimmy Hoffa (Jack Nicholson) para organizar os motoristas de caminhão. Tarde da noite, em estrada deserta, aborda o veículo do baixinho Bob (Danny De Vitto). O diálogo entre os dois, nessa sequência, revelaria senso de oportunidade e enorme capacidade de argumentação do primeiro: “Não posso fazer greve.” (Bob). “Você não pode é deixar de fazê-la.” (Jimmy). “A vida é uma negociação; toma lá, dá cá. E a negociação coletiva fortalece o trabalhador, como você ou como eu.” (Jimmy).
Ditas há oitenta anos, aquelas frases impactaram o suficiente para fazer Hoffa, em curto espaço de tempo, amado e odiado. A notoriedade e o prestígio, aliadas à confiança nata e surpreendente, lhe produziram deformação psicológica irreversível. Eleito presidente da categoria que tinha força para parar a economia da maior nação do planeta, passou a se considerar poderoso e insubstituível. A disfunção egóica e consequente dissonância cognitiva o levaram para longe do bom senso. Irresponsável, firmou pacto com o chefe de importante ala do crime organizado, Carol D’ Allessandro (Armand Assante). Em seguida, resolveu desafiar o secretário de justiça de então, ninguém menos do que o irmão do presidente John Kennedy, o arrogante Robert. Preso, condenado a treze anos, Hoffa começou a desabar. A cadeia o levou a reprimir anseios em nível quase insuportável. Graças a indulto do presidente Richard Nixon (em conluio com a máfia), foi libertado seis anos depois. Tarde demais. A carga exagerada de sentimentos recalcados pelo confinamento fez dele um histérico. Em seu primeiro reencontro com D’Alessandro, explicita desequilíbrio. E verbaliza, de forma contundente, suspeitas de que estaria sendo traído. Adentraria, daquela forma, em caminho sem retorno e passaria para a História como protagonista de estratégia invertida de marketing político;
O diretor - Danny De Vitto tem mostrado enorme talento em todos os filmes que dirigiu e atuou. Seu trabalho como diretor se caracteriza pela abordagem de situações que permitem aprofundamento psicológico inusual. Além de Hoffa, dirigiu A Guerra dos Roses (1989), estrelado por Michael Douglas e Kathleen Turner. Narra as etapas do relacionamento entre casal que não consegue se entender. E muito menos decidir pela separação. Levemente inspirado em Cenas de Um Casamento, de Ingmar Bergman (1973), mas com final bem diferente. O roteiro de A Guerra dos Roses aborda questões das quais boa parte dos dramalhões passa ao largo. O psicanalista carioca Waldemar Zusman, em seu livro “Os Filmes Que Eu Vi Com Freud” (Imago Editora – 1994), destaca que “as ambições e as rivalidades (do casal protagonista) tiveram impulso de crescimento de tal ordem que acabaram por liquidar a corrente de afetos (que sustentava a relação)”. E arremata: “É algo que se assemelha ao parasita que destrói a planta de que ele próprio se nutre”. Ou seja, principalmente como diretor, Danny De Vitto é um craque;

Na foto em p&b, o fato como ele aconteceu de verdade: Jimmy Hoffa, dedo em riste, desafia o ministro da justiça, Robert Kennedy.
O elenco - Jack Nicholson dispensa apresentações. Em Hoffa, além da magnífica performance, teve em seu favor extraordinário trabalho de caracterização para ter o rosto parecido com o do Jimmy Hoffa original. Convence de tal forma que a sensação dominante é a de que o lendário líder sindical deve ter sido daquele jeito mesmo. O personagem de Danny De Vitto (Bob) é fictício. Como confidente e melhor amigo, serve para sublinhar aspectos marcantes da intimidade de Hoffa. Armand Assante, então já com quinze anos de carreira, mostrou porque é considerado bom ator. Se o papel for de gangster, ainda melhor. Boa surpresa: Kevin Anderson, que interpretou Robert Kennedy. Além da semelhança física com o irmão do presidente, protagonizou com Jack Nicholson autêntico duelo de gigantes, nas sequências de tribunal em que Hoffa seria condenado;
Detalhe (1) - Habilidoso, Danny De Vitto optou pela narrativa em flashback, ao estilo de Cidadão Kane (1941). Com isso quebrou simetria que poderia levar sono ao espectador e introduziu o elemento suspense na história. Esteve atento para a fotografia e todos os movimentos de câmera. Não economizou no uso de gruas e travellings, de forma produzir conjunto de imagens perfeito, que potencializou o efeito dramático de cada sequência;
Detalhe (2) - A reconstituição de época foi outro ponto forte de Hoffa. Realizado em 1992, o filme, com unidades de produção em Pittsburgh, Detroit, Chicago e Los Angeles, cobre período que vai dos anos 30 até meados da década de 70. Na parte em que Hoffa é libertado da prisão, se vê ao longe, em amplo estacionamento, cartaz de Laranja Mecânica (1971) polêmico filme de Stanley Kubrick. Bela homenagem de De Vitto ao mestre.
Por José Jardelino da Costa Júnior
Direção de Elia Kazan e presença de Robert Mitchum, Theresa Russell, Ray Milland, Donald Pleasence e Anjelica Huston dispensam adjetivações.
Resumo da história - Dirigido por Elia Kazan, O Último Magnata (The Last Tycoon - EUA – 1976) completa 35 anos e ganha novas cópias em blu-ray e DVD. Baseado no romance homônimo de F. Scott Fitzgerald, o filme consegue passar a essência dos sentimentos de um dos maiores escritores de língua inglesa do século 20. O roteiro foi livremente baseado na trajetória de Irving Thalberg, poderoso da MGM nos primeiros tempos do cinema americano. Retrata ambientes e situações emolduradas pela glamour, riqueza e enorme poder, entrelaçadas pelos mais sombrios aspectos da conduta humana. Arrogância, hipocrisia, frustração, tristeza, melancolia estão presentes no cotidiano de Monroe Stahr (Robert De Niro), líder supremo de um grande estúdio. Para vivenciar o luto provocado pela morte prematura da mulher que amava, pauta sua vida na tarefa de administrar conflitos de talentos e exercer, de forma enérgica, o poder de decidir o presente e o futuro de todos os que giram em torno daquela atmosfera, que era dourada apenas para quem a via de fora. É nesse ambiente hostil que ele reencontra a bela Cecília (Theresa Russell), filha do maior acionista, Pat Brady (Robert Mitchum). Recém passada dos dezoito, ela aproveita as férias de estudante para ficar algumas semanas em contato direto com Stahr, por quem nutria, desde menina, paixão e desejo. Ele não lhe retribui os sentimentos. O pai, magoado com a frustração da filha, passa a criar dificuldades para a gestão de Stahr. O ponto alto da discórdia chega sob forma de tentativa de barrar produção de filme de arte, sem grandes perspectivas de bilheteria. Confrontado, Stahr leva o assunto ao conselho de administração e recebe sinal verde. Começa então surda queda de braço entre os dois poderosos. Inesperadamente, surge a misteriosa Kathleen Moore (Ingrid Bouting). Aparentemente só e desprotegida, ela é quase uma sósia da esposa. Nessa condição, provocará avassaladora paixão em Stahr, com direito a românticos passeios noturnos em direção a uma casa de praia que ele estava construindo, ainda sem telhado. Tendo o céu estrelado por testemunha, viverá o doce delírio de ter reencontrado o amor.
Ela percebe a transferência de sentimentos e se transforma em mulher apreensiva. O receio de ter encontrado o homem certo na hora errada fará com que repense a situação. Enquanto isso, o estúdio começa a enfrentar turbulências diante da criação dos primeiros sindicatos, especialmente o dos roteiristas. Pat Brady aproveita e culpa Stahr pelas dificuldades recentes. E insinua que a nova namorada estaria influenciando suas decisões. Stahr reage e, ao seu modo, parte em busca de solução. Identifica o líder do movimento sindicalista, um certo Brimmer (Jack Nicholson), e planeja cooptá-lo durante jantar a dois em sua mansão. Substimou o convidado. Depois da sobremesa, ao invés de conhaques e charutos, partem para o confronto explícito ao estilo das brigas de saloon predominantes nos faroestes baratos que eram moda na época. Além da ressaca, o dia seguinte mostraria a Stahr realidade que não era mais a sua. Tenta encontrar alívio nos braços de Kathleen. Encontra uma mulher diferente, que lhe revela passado desalentador. Seu mundo havia caído.
O diretor - Elia Kazan é representante legítimo da primeira geração dos grandes cineastas de Hollywood. Um gigante, que esteve no comando de produções memoráveis (Sindicato dos Ladrões, Uma Rua Chamada Pecado, Viva Zapata!). O Último Magnata, com o qual encerrou sua carreira, não é o melhor de sua filmografia. No entanto, será sempre marcado pela contemporaneidade. A maneira como esse texto de F. Scott Fitzgerald foi traduzido para a gramática cinematográfica pode ser considerada uma façanha. Definitivamente, não é tarefa das mais fáceis conduzir uma câmera pelos subterrâneos da indústria que há mais de um século conquista corações e mentes.
O elenco - Além dos já citados Robert De Niro, Jack Nicholson, Robert Mitchum, Theresa Russel e Ingrid Bouting, O Último Magnata ainda contou com outros astros e estrelas, como Anjelica Huston, Jeanne Moreau, Ray Milland, Tony Curtis e Donald Pleasence. Elenco de craques que dispensam adjetivações.
Detalhe (1) - A partir dos anos 50, a vida de Elia Kazan seria marcada por episódio controvertido, cuja repercussão o acompanharia pelas décadas seguintes. Ele teria delatado colegas e roteiristas a uma CPI encarregada de identificar comunistas infiltrados nas entranhas da indústria do cinema. Era o auge da guerra fria, com os Estados Unidos governados pelo ex-general e herói da Segunda Guerra, Ike Eisenhower. Nesse ambiente, um obscuro senador, Joseph McCarthy, condutor das investigações, encontrou espaço e bandeira política com a qual tentaria marcar sua trajetória. Mandou prender inocentes e arrebentou com muitas carreiras. Acabou atropelado pela vaidade e pela acusação de ter se utilizado de métodos pouco éticos. A dúvida, no entanto, permaneceu. Na cerimônia de 1999, a Academia concedeu a Elia Kazan o Oscar pelo Conjunto da Obra. A platéia se dividiu entre aplausos e vaias indignadas, fato inédito em situações do gênero.
Detalhe (2) - O Último Magnata marca sequência inesquecível. Duelo de gigantes, astros de primeira grandeza desde o início de suas carreiras: Robert De Niro e Jack Nicholson. Nunca mais outra vez eles atuaram num mesmo filme.
Detalhe (3) - O personagem de Jack Nicholson não existe no romance original de F. Scott Fitzgerald. Foi introduzido por razões desconhecidas a pedido do diretor, que o havia recusado para o papel principal. Ironicamente, o ator voltaria a viver, desta vez como protagonista, outro líder sindical, em Hoffa (1992), sobre a vida do lendário Jimmy Hoffa. Dirigido por Danny De Vitto, também coadjuvante, Jack Nicholson esteve, como sempre, soberbo;
Detalhe (4) - A investida no modus operandi da indústria do cinema, fio condutor da narrativa de O Último Magnata, não esteve muito longe das disputas de bastidores que cercaram a escolha do elenco. Al Pacino, convidado, recusou-se a viver o personagem de Monroe Stahr. Dustin Hoffmann, por outro lado, seria o escolhido se a direção tivesse ficado a cargo de Mike Nichols, que o havia dirigido em A Primeira Noite de Um Homem (1968);
Detalhe (5) - F. Scott Fitzgerald morreu antes de terminar de escrever o romance em que o filme se baseou, que teve o final e a edição a cargo do seu amigo, Edmund Wilson. Parte da construção do personagem de Monroe Stahr, melancólico pela perda prematura da mulher, é auto referente. Zelda, esposa e sua única grande paixão, morreu aos 34, internada em sanatório especializado no tratamento de alcólatras.
Viúva do diretor veio a São Paulo, para a Mostra de Cinema.
A 35a. Mostra do Cinema de São Paulo, em exibição, apresenta documentário sobre Elia Kazan, dirigido e narrado pelo seu colega e admirador Martin Scorcese. A viúva do diretor, Frances Kazan, está na cidade. Veio especialmente para a homenagem ao marido, falecido em 2003.
Por José Jardelino da Costa Júnior
Gil Viana nasceu na terra do atabaque e do berimbau.
Baiana de Jequié, cresceu sob o sol daquela terra maravilhosa, mas decidiu seguir um rumo bem diferente e graduou-se em Economia.
Foi para São Paulo em 1982 e começou um trabalho como secretária na no Estúdio do Fotografo Arnaldo Pappalardo, sete anos depois começou o atendimento comercial da Zohar Cinema, Film Planet .
Em 2001 fechou as malas novamente, desta vez com destino a Paris, onde foi contratada para implementar a Point de Repaire, produtora francesa, no Brasil. Por conta disso precisou morar um período em Paris para conhecer o funcionamento da empresa na Europa e estudar francês para que tivesse comunicação fluída na língua, o que atraiu vários fotógrafos internacionais e diretores de cena Brasileiros.
Depois de um período no Brasil, cansada da área de imagens, decidiu que era a hora de mostrar aos clientes a importância do áudio feito sob medida para um filme comercial. Segundo Gil, a trilha sonora de um vídeo não pode ser improvisada. Há muito trabalho técnico por trás daqueles ótimos anúncios publicitários que assistimos em que produção fonográfica, os sound efects e a finalização “casam” tão bem com a imagem.
Inserida num mercado muito competitivo, onde a área comercial é gerida principalmente por mulheres, Gil diz que é a competência profissional o fator preponderante para ter sucesso. Ela ressalta que a batalha é grande e diária, mas ganha forças graças ao seu envolvimento sólido com sua família. Gil é mãe de três filhos homens, seus principais incentivadores.
Hoje ela responde pela direção de Novos Negócios na Comando S Áudio, uma das maiores produtoras de trilhas, jingles e spots do Brasil.










