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Com informações do Terra Moda.
A cor vermelha é uma das preferidas das celebridades e, sim, está na moda. Mas independentemente das tendências, celebridades vestem uma vez por ano vestidos vermelhos na abertura da Semana de Moda de Nova York para alertar as mulheres sobre os problemas do coração. A campanha The Heart Truth (A Verdade do Coração), começou em 2002 e o desfile sempre acontece na temporada de inverno, em fevereiro.
A modelo brasileira Camila Alves e a atriz burlesca Dita Von Teese participaram da apresentação, que ocorreu pela primeira vez no Lincoln Center, para onde o evento de moda se mudou em setembro. Grifes como Marchesa, J.Mendel, Malandrino, Oscar de la Renta, Matthew Williamson e Zac Posen desenharam as roupas vestidas pelas celebridades: cantoras, atrizes e até boxeadores, como Taila Ali, filha de Muhammad Ali.
Os vestidos, em sua maioria, eram longos e sensuais, como o modelo desfilado por Camila Alves, com um profundo decote nas costas, da grife Kaufman Franco, de H Ken Kaufman e Isaac Franco, conhecida pela sensualidade de suas criações. O de Dita Von Teese, mais ajustado e decotado, bem ao estilo da moça, é assinado por Zac Posen. Confira na galeria de fotos as celebridades que vestiram vermelho para lembrar as doenças do coração.
O PhD em gente vale mais
Marcelo S. Tognozzi
Em 2004, quando as redes sociais engatinhavam, um político chamado Howard Dean, ex-governador do estado de Vermont, decidiu usar a internet para fazer campanha. Ele disputava com o senador John Kerry, de Massachusetts, o direito de ser candidato a presidente pelo Partido Democrata. Nem Dean e nem John Trippi, seu marqueteiro, imaginavam que mudariam o jeito americano de fazer campanha, e também o do resto do mundo.
No início, eles acreditavam que a internet poderia ser apenas um meio eficiente de arrecadação, mas aos poucos começaram a entender que havia mais. “Isto não é simplesmente comunicar nossa mensagem, mas ouvir primeiro e formular nossa mensagem”, definiu Dean.
A tecnologia tem colocado na praça novos equipamentos e novas ferramentas praticamente todos os dias. Com o surgimento dos smartphones e dos tablets, a comunicação pela WEB experimenta uma nova onda de transformação. Os aplicativos que rodam no iPhone, rodam também no iPad e dentro de muito pouco tempo estarão rodando nos lap tops e nos desk tops. Isso quer dizer que não iremos mais precisar de um navegador tradiconal para, por exemplo, acessar as redes sociais.
A velocidade das tranformações é incontrolável. A campanha de Obama, que tanto sucesso fez em 2008, hoje está superada tecnologicamente. Mas o ensinamento número 1 de Dean continua atual: ouvir primeiro e formular depois.
O ambiente digital criou um novo contexto. Não se fala mais para uma massa compacta, mas para grupos que interagem entre si e com o comunicador (emissor). Isto é gestão de conteúdo, uma nova profissão surgida da necessidade de interagir com diferentes públicos ao mesmo tempo.
Hoje, ninguém pode ignorar a midia gerada pelo eleitor. Ela é consequência do desejo das pessoas estarem permenentemente conectadas. O resultado disso é um fluxo constante de pensamentos e opiniões. Um blogueiro gera mídia própria e também se apropria de conteúdos que estão circulando pela WEB. Isso vale para o Twitter, o Orkut, Facebook e quaisquer redes sociais. As opiniões não são mais formadas com a leitura de jornais e revistas, nem com uma simples conversa de bar. As pessoas usam as redes sociais, os blogs, trocam informações de todo tipo. Elas confiam mais na informação que circula na rede do que aquela publicada pela grande midia, atesta o Ibope Ratings. É comum esbarrarmos com posts do tipo: “pode pesquisar no google que vc vai ver que estou dizendo a verdade”.
É por isso que o conteúdo faz a diferença numa campanha digital. Se a idéia é boa, se a denúncia impacta, se a piada faz rir, alguém vai passar adiante. O importante é que estas ações sejam confiáveis, transparentes, autênticas. Verdadeiras.
Em 2009 eu estava em Washington participando do Politics Online Conference (POLC) e pude assistir a um debate entre o diretor de tecnologia do Obama, Joe Rospars, e o diretor de tecnologia do McCain, Michael Palmer. Rospars reconheceu que a tecnologia ajudou muito. Mas o pulo do gato foi a forma como a equipe de Obama gerenciou as relações humanas: “A organizção comunitária foi o combustivel da nossa campanha na Internet. Ajudou a formatar nossa estratégia tecnológica, nossa estratégia para arrecadar doações e a organizar as ações de corpo-a-corpo”. Ou seja: as relações humanas foram a base de tudo. Prevaleceram sobre as relações puramente tecnológicas, dando a vitória a quem melhor soube gerenciá-las. Aqui no Brasil não foi diferente.
Lula é PhD em gente. Levou Dilma Rousseff à vitória em outubro passado, numa campanha em que a internet não foi decisiva. Lula não é um ser tecnológico, mas um político que entende de relações humanas e sabe conversar com as pessoas. Quando em 2012 ou em 2014 a internet fizer a diferença nas campanhas políticas no Brasil, um PhD em gente vai continuar valendo mais que um PhD em Tecnologia da Informação.
Porque Dilma caminha para a vitória e Serra para a derrota
Marcelo S. Tognozzi
Por que Dilma está no rumo da vitória e José Serra caminha para a derrota a menos de dois meses da eleição? A resposta é simples: Serra errou e continua errando muito. Vem fazendo a pior campanha da sua carreira política. Demorou a assumir publicamente a candidatura, enquanto o presidente Lula passou os últimos dois anos fazendo campanha para Dilma. Demorou a apresentar seu vice, escolhido não num consenso, mas numa briga – um barraco daqueles – com os aliados do DEM. Não foi capaz até agora de dizer ao eleitor de forma simples e direta porque seu governo seria melhor do que este que aí está.
O Serra de 2010 não empolga as pessoas. Não fala nem ao coração nem ao racional do eleitor. Seu site é pobrinho, seu mailing desatualizado (conheço muitos formadores de opinião e blogueiros que não recebem seus boletins). Dilma tem Lula para falar ao coração das pessoas. E ainda a boa performance econômica do governo que, por si, fala ao racional delas.
É uma aluna aplicada. Até agora não errou. Guardadas as devidas proporções, seu estilo lembra muito o do ex-presidente João Figueiredo, escolhido por Geisel para sucedê-lo pelos seus méritos de gerentão eficiente e tríplice coroado na academia militar. Dilma tem o mesmo jeito durão de ser. Fala grosso, se impõe. Vamos ver o que acontece quando ela sentar na cadeira e empunhar a caneta, mas esta é uma outra conversa.
Serra perdeu o bonde da História e está fazendo uma campanha melancólica, fruto dos seus erros estratégicos, da falta de timing e de uma tendência exagerada em subestimar o adversário. Mas Serra não errou sozinho. O PSDB e o DEM cometeram inúmeros tropeços ao longo dos últimos oito anos, sendo o principal deles não investir em pesquisas, profissionalização das assessorias, planejamento de internet de longo prazo e construção das bases de uma candidatura que pudesse confrontar o presidente Lula. Dinheiro não faltaria. Bastava usar o fundo partidário, que, por sinal, foi feito exatamente para isso.
O PT nos seus primórdios seguiu este script. Me lembro bem da ação do partido no Congresso nos anos 80 e 90. Os investimentos do PT na formação de quadros permitiu que sua assessoria se transformasse na mais eficiente de todas quando o assunto era regimento e, principalmente, obstrução. Fez oposição profissional, coisa que nem de longe PSDB e DEM foram capazes de repetir.
Não é possível cravar 100% a vitória de Dilma, mas esta é uma tendência que a cada dia se consolida mais. Está refletida numa maioria de brasileiros – eleitores dela ou de Serra – que insistem em dizer aos institutos de pesquisas que as chances da candidata de Lula são maiores que as do seu adversário.
Lula encarna aquilo que se chama de político profissional, figura que até uns anos atrás era simbolizada por ACM. Um dos traços mais fortes deste tipo de político é saber faturar (no bom sentido, claro) seus acertos.
Até hoje, o único presidente a eleger seu sucessor foi Itamar Franco, com FHC. Com Dilma, Lula caminha para ser o segundo. Se Deus permitir e a oposição continuar ajudando.
Campanha de Dilma trouxe araponga para montar dossiês
Conhecido por suas apurações sigilosas, sargento da reserva Idalberto Matias de Araújo aceitou missão proposta por petistas e indicou delegado para ajudá-lo; trabalho custaria R$ 200 mil mensais
Rodrigo Rangel, de O Estado de S. Paulo:
A articulação para montar uma central de dossiês a serviço da campanha de Dilma Rousseff à Presidência da República contou com a participação de arapongas ligados aos serviços secretos oficiais. Um deles é o sargento da reserva Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, recém-saído do Cisa, o serviço secreto da Aeronáutica.
Conhecido personagem de apurações sigilosas em Brasília, o sargento esteve, por exemplo, ao lado do delegado Protógenes Queiroz nas investigações que deram origem à Operação Satiagraha, que levou o banqueiro Daniel Dantas à prisão.
A participação de Idalberto de Araújo remonta às origens do plano de inteligência petista. Em abril, após ter sido procurado por emissários da campanha, o sargento disse que aceitaria o serviço, mas necessitaria de apoio. Deixou claro que, para executar a missão proposta pela campanha, seria preciso chamar mais gente.
O sargento, então, indicou um amigo de longa data, o delegado aposentado da Polícia Federal Onésimo de Souza, dono de uma pequena empresa de segurança instalada num conhecido centro comercial de Brasília. As conversas avançaram.
Outros agentes, dentre eles um araponga aposentado do extinto Serviço Nacional de Informações (SNI) e um militar que já serviu à Agência Brasileira de Inteligência (Abin), chegaram a ser contatados para integrar a equipe. O passo seguinte foi chegar a um valor para o serviço.
É onde começa o contato direto entre o agente e um dos principais profissionais da área de comunicação da campanha de Dilma, o jornalista e consultor Luiz Lanzetta. Dono da Lanza Comunicação, empresa contratada pelo PT para fazer a assessoria de imprensa da campanha, Lanzetta marcou um encontro com o sargento e o ex-delegado.
A reunião ocorreu no restaurante Fritz, na Asa Sul de Brasília. A dupla disse a Lanzetta que, pelo serviço, cobraria R$ 200 mil por mês. O delegado justificou o preço com o argumento de que seria preciso montar uma equipe de 12 pessoas para a missão.
Bunker. Lanzetta se encarregou de detalhar o serviço de que precisava. A primeira tarefa seria interna, no bunker que ele próprio montara no Lago Sul. Desconfiado de que seu trabalho estaria sendo sabotado por gente do próprio PT, o consultor queria que os arapongas descobrissem a origem do fogo amigo.
O pacote incluiria ainda investigações que pudessem dar à campanha de Dilma munição para ser usada, em caso de necessidade, contra adversários. O alvo preferencial era o candidato tucano José Serra.
A proposta para contratação dos serviços do araponga e do delegado foi levada, então, para o núcleo central do comitê de Dilma. O assunto chegou a ser discutido com o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, coordenador da campanha. Num primeiro momento, Pimentel avaliou que o preço estava alto demais. Disse que topava pagar, no máximo, R$ 60 mil.
O grupo já estava discutindo estratégias de trabalho – um dos planos era infiltrar um agente no núcleo de inteligência da campanha de José Serra – quando começaram a vazar para a imprensa informações acerca de supostos dossiês produzidos pelo bureau montado por Lanzetta na fortaleza petista do Lago Sul.
Era o que faltava para os ânimos se acirrarem ainda mais no comitê. O imbróglio realçou, no interior da campanha de Dilma, o conflito entre dois grupos: o do mineiro Fernando Pimentel, responsável por levar Lanzetta para o staff de Dilma, e o do ex-ministro Antonio Palocci.
Deu na Veja
‘Era para levantar tudo, inclusive coisas pessoais’
Delegado conta que aloprados planejavam mesmo espionar aliados e o ex-governador José Serra
Policarpo Junior e Daniel Pereira:
Na semana passada, VEJA revelou a existência de um grupo que se reunia dentro do comitê eleitoral do PT, em Brasília, com a missão de espionar adversários e integrantes do próprio partido.
A notícia estremeceu as relações até então amigáveis entre os principais atores ligados à campanha presidencial. O PSDB anunciou que pretende convocar para depor no Congresso os personagens que tentaram montar uma rede de espionagem onde funciona o comitê de comunicação da pré-campanha da ex-ministra Dilma Rousseff.
“Haverá um acirramento”, avisou Eduardo Jorge, vice-presidente executivo dos tucanos. Já os petistas correm em sentido oposto, tentando pôr um ponto final à discussão. “Não fomos nós que colocamos esse assunto absurdo em pauta. Esse tipo de debate não interessa ao país”, afirma o presidente do PT, José Eduardo Dutra.
Na sexta-feira passada, em entrevista a VEJA, o delegado aposentado da Polícia Federal Onézimo Sousa revelou detalhes que ajudam a dimensionar com maior exatidão o que se planejou nos subterrâneos do comitê petista – forçando uma intervenção direta do comando da campanha com ordens expressas de parar com tudo.
Apontado como o chefe do grupo de espionagem, o policial garante que sua atuação se restringiu a uma reunião de planejamento. O que foi proposto, segundo ele, era inaceitável.
Em carta a VEJA, ele reafirmou que divergia “cabalmente quanto à metodologia e ao direcionamento dos trabalhos a ser ali executados”. O comitê petista queria identificar um suposto membro da cúpula da campanha que estaria vazando informações estratégicas.
Para isso, era necessário reunir os extratos telefônicos e rastrear com quem cada um deles conversava. Acreditava que por meio do cruzamento de números o traidor seria facilmente identificado.
A outra missão era ainda mais explosiva: monitorar o ex-governador José Serra, candidato à Presidência pelo PSDB, e o deputado tucano Marcelo Itagiba, seus familiares e amigos. Os aloprados do comitê queriam saber tudo o que os dois faziam e falavam.
No início de abril, ainda distante do atual clima de euforia com o resultado das pesquisas eleitorais, havia uma disputa interna pelo controle da campanha. De um lado, o ex-prefeito Fernando Pimentel, coordenador e amigo de Dilma. Do outro, um grupo do PT de São Paulo ligado ao vice-presidente do partido, o deputado Rui Falcão.
Onézimo Sousa conta que foi convidado para uma conversa com Pimentel, na área reservada de um restaurante tradicional de Brasília. No local marcado, não encontrou o coordenador da campanha, mas um representante do comitê, o jornalista Luiz Lanzetta.
Responsável pela parte de comunicação da campanha, Lanzetta explicou ao delegado que o objetivo deles era montar um grupo de espionagem. Não haveria contrato, e o pagamento – 1,6 milhão de reais, o equivalente a 160 000 por mês – seria feito pelo empresário Benedito de Oliveira Neto, um prestador de serviços que enriqueceu durante o governo Lula e estava presente à reunião, da qual participou também o ínclito, reto e vertical ex-jornalista e agora escritor Amaury Ribeiro.
O senhor foi apontado como chefe de um grupo contratado para espionar adversários e petistas rivais?
Fui convidado numa reunião da qual participaram o Lanzetta, o Amaury (Ribeiro), o Benedito (de Oliveira, responsável pela parte financeira) e outro colega meu, mas o negócio não se concretizou. Havia problemas de metodologia e direcionamento do trabalho que eles queriam.
Como assim?
Primeiro, queriam que a gente identificasse a origem de vazamentos que estavam acontecendo dentro do comitê. Havia a suspeita de que um dos coordenadores da campanha estaria sabotando o trabalho da equipe. Depois, queriam investigações sobre o governador José Serra e o deputado Marcelo Itagiba.
Que tipo de investigação?
Era para levantar tudo, inclusive coisas pessoais. O Lanzetta disse que eles precisavam saber tudo o que eles faziam e falavam. Grampos telefônicos…
Pediram ao senhor para grampear os telefones do ex-governador Serra?
Explicitamente, não. Mas, quando me disseram que queriam saber tudo o que se falava, ficou implícita a intenção. Ninguém é capaz de saber tudo o que se fala sobre alguém sem ouvir suas conversas. Respondendo objetivamente, é claro que eles queriam grampear o telefone do ex-governador.
Disseram exatamente que tipo de informação interessava?
Tudo o que pudesse ser usado contra ele na campanha, principalmente coisas da vida pessoal. Esse é o problema do direcionamento que eu te disse. O material não era para informação apenas. Era para ser usado na campanha. Na hora, adverti que aquilo ia acabar virando um novo escândalo dos aloprados.
Quem fez essa proposta?
Fui convidado para um encontro com Fernando Pimentel. Chegando lá no restaurante, estava o Luiz Lanzetta, que eu não conhecia, mas que se apresentou como representante do prefeito.
Ele pediu para investigar os petistas também?
Disse que estava preocupado, que tinha ocorrido uma reunião entre os seis coordenadores da campanha e que tudo o que havia sido discutido foi parar nos jornais. Havia alguém vazando informações, e ele queria saber quem era. Suspeitava do Rui Falcão.
O ex-prefeito Fernando Pimentel informou que não conhece o delegado e que Luiz Lanzetta não fala em seu nome. O jornalista, que continua trabalhando no comitê da campanha, disse que “fez uma bobagem” ao tentar criar um grupo que tinha como objetivo apenas evitar ataques dos adversários.
Deu no UOL
Jornalista sai da campanha de Dilma após polêmica sobre dossiê
FERNANDO RODRIGUES
DE BRASÍLIA
O jornalista e consultor Luiz Lanzetta pediu hoje desligamento da pré-campanha de Dilma Rousseff (PT) a presidente. A sua empresa, a Lanza, era usada até agora pelo PT para contratar a maioria dos integrantes da equipe de comunicação dilmista.
Hoje de madrugada, depois de ler uma entrevista do delegado aposentado da Polícia Federal Onézimo Sousa à revista “Veja”, acusando-o de ter proposto a montagem de um esquema de espionagem contra tucanos, Lanzetta oficializou sua saída enviando uma carta a Helena Chagas, coordenadora da assessoria de imprensa de Dilma.
À Folha Lanzetta negou ter proposto a montagem de um esquema de espionagem contra tucanos. Apesar das acusações, disse ter ficado aliviado com a entrevista de Onézimo. Assumiu toda a responsabilidade pelo episódio. “Tudo o que aconteceu diz respeito a mim. A reunião foi um ato feito voluntariamente por mim. E agora ficou claro que não tem central de arapongas e dossiês porque ninguém foi contratado. Então eu posso me desligar e me aliviar e ir embora”.
A reunião à qual Lanzetta se refere foi um encontro no dia 20 de abril, no restaurante Fritz, em Brasília. Além dele próprio, estavam presentes outras quatro pessoas: o delegado Onézimo, o jornalista Amaury Ribeiro Jr., Idalberto Matias de Araújo, o Dadá (sargento da reserva e ex-agente do serviço secreto da Aeronáutica) e Benedito de Oliveira (empresário de Brasília com boas ligações no governo petista).
Segundo Onézimo relatou à “Veja”, no encontro no Fritz foi feita uma proposta de operação de espionagem de adversários políticos do PT. Lanzetta nega: “O importante disso tudo é que há duas coisas que se confirmam. Primeiro, os cinco dizem que não houve negócio. Segundo, dos cinco presentes só um diz que eu propus algo para ele. Os outros relatam que algo foi proposto a nós”.
Lanzetta relata o que teria ouvido de Onézimo: “Ele veio se oferecer para acompanhar o Marcelo Itagiba [deputado federal pelo PSDB do Rio e ligado a José Serra, pré-candidato tucano a presidente]. Disseram que sabiam que o Marcelo Itagiba estava trabalhando porque já trabalharam na equipe dele e o conheceram. Falaram que o Marcelo Itagiba estava fazendo cem dossiês contra a base aliada. Estaria fazendo isso com uma série de ex-agentes da Polícia Federal e da Abin no gabinete dele. Essa informação era o que eles queriam dar e depois se ofereceram para ir atrás disso. Era uma coisa um pouco pirotécnica. Mas da nossa parte nada prosperou. É impressionante: é uma coisa da qual caímos fora e ficou como se tivéssemos feito”.
Lanzetta exime de responsabilidade todos os integrantes da cúpula petista nesse episódio do restaurante Fritz. Nega também que seu principal contato na direção da campanha, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, soubesse do encontro previamente.
A seguir, trechos da entrevista:
Folha – Quem estava na reunião de 20 de abril no restaurante Fritz, em Brasília?
Luiz Lanzetta – Cinco pessoas. Onézimo, Amaury, o Dadá, o Benedito e eu.
Folha – Quem marcou a reunião e fez os convites?
Luiz Lanzetta – Eu não me lembro.
Folha – Por que pessoas como o Benedito e o Amaury estavam nessa reunião?
Luiz Lanzetta – O Benedito estava lá até para me servir de testemunha agora. Até porque o Onézimo parece ter sido acometido por uma crise de ética que ficou retida por dois meses. Ele chegou ao encontro dizendo que transportava dinheiro. Os dois, ele e o Dadá, falaram ter conhecimento de que o Marcelo Itagiba estaria montando cem dossiês. Ofereceram-se.
Folha – Como foram os contatos seguintes?
Luiz Lanzetta – Nunca mais vi os dois. O fato a ser dito é que não foi feito nenhum contrato.
Folha – Numa entrevista, Onézimo falou ter sido proposto a ele grampear e espionar pessoas. Isso não é fato?
Luiz Lanzetta – Ele que ofereceu serviços de espionagem. Eu fui lá ouvir. Levantei e fui embora.
Folha – Mas Onézimo é muito assertivo ao dizer que foi proposto a ele buscar dados da vida pessoal do pré-candidato José Serra.
Luiz Lanzetta – Não é verdade. Não se tratou de Serra. Ele montou essa reunião agora para dar essa mídia toda. Não teve isso. Eu fui para uma reunião, ouço um monte de coisa, levanto e vou embora. Não faço contrato. Nunca mais falo com a pessoa. De repente aparece como se fosse uma proposta minha? Eu nunca mais quis encontrar com ele.
Ele veio se oferecer para acompanhar o Marcelo Itagiba. Disseram que sabiam que o Marcelo Itagiba estava trabalhando porque já trabalharam na equipe dele e o conheceram.
Folha – Mas Onézimo se ofereceu explicitamente para investigar Marcelo Itagiba?
Luiz Lanzetta – Explicitamente.
Folha – Qual serviço exatamente foi oferecido?
Luiz Lanzetta – Eles começaram a falar o que eles têm de serviço. Demonstram como seguem, como gravam. Essas coisas todas. Eu comecei nem prestar mais atenção. Eles falaram que o Marcelo Itagiba estava fazendo cem dossiês contra a base aliada. Estaria fazendo isso com uma série de ex-agentes da Polícia Federal e da Abin no gabinete dele. Essa informação era o que eles queriam dar e depois se ofereceram para ir atrás disso. Era uma coisa um pouco pirotécnica. Mas da nossa parte nada prosperou. É impressionante: é uma coisa da qual caímos fora e ficou como se tivéssemos feito.
Folha – Onézimo diz ter sido convidado para a reunião no Fritz pelo Pimentel. Isso ocorreu?
Luiz Lanzetta – É delírio. O Pimentel nem sabia disso. Só fui falar depois, quando começou a aparecer essa reunião. Falei para ele como tinha sido e que nada havia sido acertado.
Folha – Há uma informação de que Fernando Pimentel tinha conhecimento sobre a finalização da apuração que Amaury Ribeiro Jr. fazia, sobre privatizações e negócios de Verônica, filha de José Serra. Como se dava essa troca de informações?
Luiz Lanzetta – Não tinha. De minha parte, não.
Folha – Mas o Amaury poderia falar diretamente com Pimentel?
Luiz Lanzetta – Ah… só se houve algo assim. Porque nunca houve reunião que eu tenha visto dos dois.
Folha – Há também uma informação de que por algum canal, da pré-campanha ou do PT, Amaury Ribeiro teria sido remunerado regularmente para continuar suas apurações. Essa informação é real?
Luiz Lanzetta – Não tenho conhecimento. Pelo que eu sei não houve nada. O Amaury tem recursos para tocar a vida dele.
Folha – Quais serão seus próximos passos na pré-campanha?
Luiz Lanzetta – Hoje devo soltar uma nota a respeito de tudo. Tudo o que aconteceu diz respeito a mim. A reunião foi um ato feito voluntariamente por mim. Hoje [ontem] eu mandei uma carta para a pré-campanha e me desliguei. E agora ficou claro que não tem central de arapongas e dossiês porque ninguém foi contratado. Então eu posso me desligar e me aliviar e ir embora. Ninguém foi contratado, não existe. Mandei uma carta hoje [ontem] de madrugada. Quando eu vi as entrevistas [de Onézimo e uma reportagem sobre Dadá] eu pensei: ‘Dá para falar’. Fiquei tranquilo porque tudo está no meu âmbito. A carta foi para algumas pessoas, mas basicamente para a Helena Chagas.
Folha – Mas o seu contrato não vai até o final de junho?
Luiz Lanzetta – Eu estou saindo pessoalmente. O meu contrato eu estou abrindo mão e com grande alívio.
Folha – Mas se ao seu juízo nada errado foi feito, por que então sair da campanha?
Luiz Lanzetta – Por que não tenho como ficar na campanha nessa situação. É melhor para todos a minha saída. Foram 40 dias dizendo que eu fiz uma coisa que eu não fiz. E o principal é que ficou esclarecido que nenhum negócio foi feito como nos acusaram.
Apoiadores de Serra na internet estão com moral baixo
Marcelo S. Tognozzi
Quem se der ao trabalho de entrar no Google e digitar “José Serra presidente” vai encontrar alguns blogs e sites de apoiadores do candidato do PSDB. Detalhe: eles estão desatualizados e ainda fazem referência às pesquisas passadas, quando ele ainda liderava a corrida para o Planalto. Incrível o PSDB ter afrouxado a rédea e deixado os apoiadores de Serra órfãos de conteúdo. Isso mostra que eles estão de moral baixo e ainda não conseguiram reagir ao fato de Dilma ter ultrapassado Serra. O Twitter do candidato do PSDB continua bom, mas poderia estar melhor. Esta falta de entusiasmo dos militantes virtuais pode acabar contaminando a campanha e virar um problemão. É bom a equipe de Serra agir logo.
Por Dilma, Lula declara que vai até à porta de fábrica
Cada época sepulta umas tantas palavras. A atual mandou à cova o vocábulo recato.
Nunca antes na história do país um presidente recebera tantas multas do TSE.
Lula, porém, faz de conta que não é com ele. Diz que ainda não foi à campanha.
“Ainda este ano, eu irei fazer campanha na porta da fábrica da Volkswagen. Não é proibido um presidente da República fazer campanha quando a campanha começar…”
“…O que eu não quero é fazer nada que possa infringir a legislação eleitoral e isso só me permite fazer campanha depois das convenções partidárias”.
Espera lá, mas e as quatro multas do TSE por campanha antecipada? “Obviamente, não cabe ao presidente criar nenhum constrangimento para a Justiça Eleitoral…”
“…Pelo contrário, tenho que dar exemplo para que a questão eleitoral transcorra no Brasil com a maior normalidade possível”. Exemplo?!?!?
Ronald Reagan, que fez estágio no cinema antes de virar presidente dos EUA, disse certa vez:
“Não consigo imaginar como alguém possa ocupar a Casa Branca sem ter passado por uma experiência no teatro”.
O signatário do blog suspeita que Lula tenha feito, em segredo, um cursinho intensivo de artes cênicas.
Marina Silva diz que Serra adotou seu discurso
Senadora e pré-candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva disse ontem, em São Paulo, ter ficado “feliz” com o conteúdo do discurso apresentado sábado pelo presidenciável tucano José Serra, no lançamento de sua pré-candidatura, porque suas ideias foram “acolhidas” pelo adversário. Marina afirmou que a linha mestra da fala de Serra, que prega a união pelo País e a recusa do “nós contra eles”, é sua linha mestra “desde sempre”.
“A ideia de união já tínhamos colocado, inclusive dizendo que não se deve ter uma relação entre biografias tão respeitáveis como se fôssemos inimigos. Fico feliz que esse discurso também tenha sido acolhido”, disse. Mais cedo, Marina havia discursado durante 20 minutos em evento do PV paulista para apresentar candidaturas ao governo e ao Senado. Defendera que o debate não fosse em torno de pessoas, mas de projetos, em termos semelhantes aos apresentados por Serra.
“(O debate) Não é em torno de Marina, Serra, Dilma (Rousseff, pré-candidata do PT), Ciro (Gomes, do PSB). O debate que temos de fazer, a união que temos de fazer é em torno dos desafios do Brasil e isso faz com que a gente dê um passo adiante, senão avançamos pouco, mas não muito”, disse a senadora para uma plateia de 600 correligionários.
Para Marina, a adoção de seu discurso por parte de Serra significa que a eleição deixou de ser um plebiscito PT-PSDB. “Hoje eu fiz questão de deixar bem claro de que o PV já fez. A eleição não vai ser plebiscito, vai ser processo político. E vejo que já estão aceitando a tese de que deve ser um debate e não um embate”, afirmou a pré-candidata. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



