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Arquivos para a ‘Poderosas’ Categoria

Café com a Presidenta

Café com a Presidenta

A presidenta Dilma Rousseff disse hoje (20) que a criação de 4,139 milhões de empregos formais no país, desde janeiro de 2011, tem importância ainda maior quando considerada a situação de países desenvolvidos, sobretudo europeus, que sofrem com o desemprego. “Mais emprego e salário em expansão são fatores essenciais para a diminuição da desigualdade no país”, observou.

No programa semanal Café com a Presidenta, Dilma destacou que o setor de serviços foi responsável pela geração de quase metade das vagas geradas no período. O resultado, de acordo com a presidenta, se deve à elevação do nível de vida dos brasileiros. “A população modifica o seu padrão de consumo, demanda mais serviços e de forma mais diversificada”, explicou.

Ela lembrou que as áreas de saúde e educação foram responsáveis por 437 mil novas vagas, enquanto a indústria respondeu por 470 mil postos de trabalho e a construção civil, por mais de 500 mil empregos.

“A crescente formalização do trabalho no Brasil, a valorização do salário mínimo, cujo poder de compra cresceu mais de 70% nos últimos dez anos, os 19,5 milhões de empregos gerados nesses dez anos mais a cobertura de políticas sociais de combate à pobreza, como o Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida, Luz para Todos e tantas outras são os grandes responsáveis pela redução da desigualdade no Brasil”, acrescentou.

Da Agência Brasil

Eu gostei mais de você quando você se foi. Achei coisa digna, a sua partida. Corajosa. A desistência, li por aí, é um ato de bravura.

Platão

A partida é bela. Pra mim, eu penso. Sempre bela. Talvez por ser triste. A tristeza me encanta. Você saiu, partiu, sumiu. Fiquei, então, encantada com isso.

O encantamento alastrou-se, incluiu você e virou amor. Ouvi, um dia, que toda forma de amor vale a pena. Escolhi Platão.

Amor fundamentado no seu ato virtuoso de ir embora com graça. Mas sem gracejos.

Carolina Vianna

Carolina Vianna

Carolina Vianna é fotografa, poderosa e escreve para o Mulheres no Poder
Vilão ou mocinho?

Vilão ou mocinho?

Segundo dados de FEV/12 da “Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor da Confederação Nacional do Comércio”, 71,9% dos endividados têm débitos no cartão de crédito.

No Brasil, os juros de cartão de crédito são os mais altos do mercado, chegando a até 12% a.m., mais taxas. Portanto, a melhor atitude é fugir deles !

Usar o limite do cartão é fazer dívida da dívida, e aí é só o começo de um novelo emaranhado…

Quando você paga somente o valor ‘mínimo’ da fatura, corre o risco ‘máximo’: o caminho mais curto para a inadimplência rápida.

E como resolver as dívidas no cartão de crédito ?

A solução mais viável é negociar e quitar a pendência. Se não houver nenhuma reserva de dinheiro para isso, um empréstimo pessoal é a melhor saída, pois os juros são muito menores que os do cartão. Descarte a hipótese de ‘rolar’ dívida de um cartão para outro.

Dívida quitada, inicie imediatamente um controle severo dos gastos e uma atitude sensata para isso, porém funcional, é cancelar o cartão até conseguir reverter totalmente qualquer resquício de inadimplência. Não se preocupe, é uma fase necessária para que, aos poucos, você retome o fôlego e as finanças se normalizem.

Neste período você não cairá nas armadilhas de consumo desenfreado, o que emocionalmente é bastante positivo, pois conterá as compulsões por compras enquanto você vê a vida financeira se estabilizar.

Você reavaliará seus hábitos e aprenderá a real necessidade ou interesse de seu consumo e se defenderá do erro de comprar supérfluos simplesmente pela facilidade de pagar parcelado no cartão. É aí que o seu dinheiro some, lembre-se disso.

O cartão deve ser visto com a única função de facilitar pagamentos e nunca como uma fonte de crédito. Pagar juros de cartão é um ato declaradamente inimigo dos conceitos de ‘inteligência financeira’.

Independente de já ter tido ou não esse tipo de dívida, fica a dica para todos: estabelecer metas em sua vida financeira, considerando potencial de pagamento, nível de consumo, prazos e sobras. Aí sim você não sofrerá mais sustos.

Elaine Mello

Elaine Mello

Por Elaine Mello, da PYXIS_Academia de Investimentos

Caixinha de música

Tenho essa caixinha de música com um trechinho de Carmen gravada.

Isso e um Santo Antônio.

Os dois moram em cima do computador, na estação de trabalho que ocupo na repartição.

Ganhei o Santo de uma colega que me acha muito solitária.

Ensinou-me, na ocasião, que deveria tirar o menino Jesus dele e devolver apenas depois que casasse.

Colei Jesus no Santo Antônio com superbonder.

Não é desprezo é tampouco heresia. Rezo todos os dias pra ele. Só não quero correr o risco daquele menino sumir e a coisa acabar em tragédia. A caixinha foi comprada por mim num ataque de nostalgia. Toda vez que me irrito, ouço a música. É só um trecho, bem pequeno, aliás.

Mas, às vezes, o conforto vem das pequenas coisas. Um santinho, um pedaço de uma música boa, um carinho, um sorriso.

Tenho apreciado isso ultimamente e está me fazendo bem. Ao menos, é o que eu penso.

Novos desafios e possibilidades vêm por aí. Um baita frio na barriga também. Pra não pirar, surtar e nem sair correndo, giro a minúscula manivela e ouço a habanera.

Carolina Vianna

Carolina Vianna

 

 

Carolina Vianna é fotógrafa, poderosa e escreve para o Mulheres no Poder

Cecile Kyenge

Cecile Kyenge

A ministra italiana da Integração, Cecile Kyenge, disse hoje que faz questão de destacar sua origem ítalo-congolesa, em sua primeira coletiva de imprensa como membro do governo do primeiro-ministro Enrico Letta.

“Sou negra e ítalo-congolesa e é importante destacar isso. Dentro de mim existem dois países. Não sou de cor, sou negra, e afirmo isso com orgulho”, disse a ministra, ressaltando que as pessoas precisam “começar a usar as palavras certas”.

“A Itália não é um país racista, tem uma cultura de acolhimento bem radicada, mas existe uma falta de conhecimento do outro. Não se entende que a diversidade é uma resposta”, comentou Keynge, que sofreu ataques preconceituosos nos últimos dias.

“A violência contras as mulheres é um tema que não se refere apenas aos italianos ou aos imigrantes. A violência não tem cor. O que é preciso mudar é a cultura sobre as mulheres”, afirmou a ministra.

Por sua vez, o primeiro-ministro italiano, em conjunto com o ministro italiano do Interior, Angelino Alfano, escreveram uma nota defendendo Kyenge.

“Cecile Kyenge é orgulhosa de ser negra e nós estamos orgulhosos de tê-la no nosso governo como ministra da Integração [e lhe oferecemos] a plena solidariedade diante dos ataques racistas que sofreu”, afirma o comunicado.

Do Uol

Clique para ampliar – Editoria de Arte/Folhapres

A nova lei dos domésticos completa um mês em vigor.

Uma grande parcela dos trabalhadores, -4,6 milhões, ou 70% do total de domésticos do país-, porém, está à margem de qualquer benefício estabelecido pelas novas regras: são os que não têm carteira assinada.

A Folha conversou com domésticos que trabalham pelo menos três dias por semana na mesma residência e, apesar disso, não têm registro. Dos entrevistados, só uma doméstica aceitou ser identificada na reportagem.

A maioria, pela fragilidade da relação trabalhista, tem medo de se expor.

“Pedi muito, mas meu patrão não quis me dar o registro”, diz Marcilene da Silva, 28 anos, de Porto Nacional, no Tocantins, que ganha R$ 335 ao mês trabalhando três vezes por semana, quatro horas por dia, para uma família.

“Já dormi no serviço, de segunda a sábado, mas nem assim tive registro”, afirma, destacando que os direitos “fariam muita diferença”.

Há casos, porém, em que o empregado rejeita a carteira.

Muitos afirmam que a profissão não é valorizada e sentem vergonha de ter essa marca no documento. Outros temem ter a carteira retida pelo empregador caso desejem sair do trabalho, ou anotações negativas no documento.

Por fim, há relatos de domésticos que recebem benefícios do governo e preferem continuar na informalidade para mantê-los.

Ruy Braga, professor da USP e especialista em sociologia do trabalho, diz que o alto grau de informalidade é um problema cultural. “Não se reconhece o doméstico como portador de direitos. Por lei, a responsabilidade da formalização é do empregador.”

Família Addams

De todas as mortes que soube ou presenciei, a minha foi a mais triste. Classifiquei-as nas seguintes categorias: tristeza, popularidade, efeito surpresa.

A da minha avó ganhou em popularidade. Velório lotado. Parecia até festa. Aliás, era festa. Meu avô contratou um carro de som e patrocinou a bebida até o dia amanhecer. Quando enterraram, os convidados contavam piadas e riam. Já haviam esquecido, há muito, o motivo da reunião.

Em efeito surpresa, minha mãe venceu. Disparado. Talvez essa merecesse ficar fora da competição. Hors Concours mesmo! AVC acrescido de infarto agudo do miocárdio às vésperas de uma visita fora de época.

Aconteceu de madrugada. Teve até ligação de delegado no meu celular para avisar. Jurei que era mentira. Fiz piada com o policial. Não, nunca tive surpresa maior do que essa.

Mas a mais triste, a morte tristíssima digna de moção, foi a minha. Sozinha e em vida. Sem fechar os olhos. Sem estancar a dor. Sem dignidade.

Carolina Vianna

Carolina Vianna

 

Carolina Vianna é fotógrafa, poderosa e escreve para o Mulheres no Poder

 

 

Ao ser diagnosticada com câncer de mama, Flávia Flores, 35 anos, resolveu transformar uma das fases mais difíceis de sua vida em um projeto de vida

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A EX-MODELO FLÁVIA FLORES: DICAS DE BELEZA PARA QUEM FAZ QUIMIOTERAPIA SE TRANSFORMARAM EM PROJETO DE VIDA (FOTO: REPRODUÇÃO/FACEBOOK)

“Se alguém falar que lidou super bem com o diagnóstico de câncer, não vou acreditar. Porque eu chorei, descabelei, pensei que fosse morrer”. Quem escuta esta frase quase não acredita que ela saiu da boca de Flávia Flores. No final de 2012, a ex-modelo de 35 anos foi diagnosticada com um câncer de mama agressivo. Fez mastectomia, perdeu o cabelo, os cílios, o namorado, mas não a vontade de ficar bonita. Por isso, criou uma página no Facebook batizada de “Quimioterapia e Beleza”, que reúne dicas de maquiagem, nutrição e lifestyle para mulheres que, assim como ela, estão passando pelo tratamento. E tudo com clima alto-astral. A página deu origem a um blog, com o mesmo nome.

Quem visita a fanpage e assiste aos vídeos de Flávia, não consegue imaginar a catarinense numa versão pessimista ou mal-humorada. “Tem dias que o corpo pede pra ficar na cama, quietinha. E eu obedeço. Mas de baixo-astral eu não fico”, conta ela em entrevista exclusiva para Marie Claire.

Durante a conversa, Flávia conta como descobriu o câncer, sua reação inicial diante da doença e como surgiu a ideia (inédita) de desenvolver um projeto totalmente dedicado a autoestima de mulheres que estão passando por tratamento contra o câncer.

Marie Claire: Como era a sua vida antes de descobrir que estava com câncer?

Flávia Flores: Eu morava sozinha em São Paulo há sete anos, estava me recuperando de uma separação difícil, um relacionamento de seis anos. Não sabia se permanecia na cidade ou voltava para perto da minha família, em Florianópolis, com o meu filho, Gregório, que hoje tem 20 anos [Flavia ficou grávida na adolescência]. Aí apareceu uma oportunidade de começar um projeto, em uma nova empresa. Decidimos que Gregório ficaria em Floripa e eu, em São Paulo, tocando esse trabalho para ver no que dava.

M.C.: Como descobriu a doença?

F.F.: Durante o banho, fiz o autoexame e percebi um carocinho no seio esquerdo. Foi fácil perceber porque sempre fui magra e, juro, um dia antes não tinha nada. De repente, estava lá um nódulo. Fui ao médico e ele disse para não me preocupar pois, por ter aparecido repentinamente e ser grande, aquilo devia ser resultado de uma batida ou glândula inflamada. Em seguida, fiz a mamografia e foi detectado que minha prótese de silicone estava rompida. Então, o médico propôs que trocássemos as próteses e tirássemos o tal caroço. Eu nem lembrava mais da existência daquilo no meu corpo. Fiz a operação e, 10 dias depois, saiu o resultado da biópsia: estava com um tipo agressivo de câncer de mama.

M.C.: Como reagiu à notícia de que estava com câncer de mama?

F.F.: Eu não conseguia respirar! Fiquei dez dias de cama, só chorava, desejava morrer. E não queria nem ouvir falar sobre quimioterapia. Pensava que meu cabelo cairia, que perderia sobrancelhas, cílios, formas do corpo, que ficaria pálida, sozinha e que as pessoas se afastariam de mim. Não queria passar pelo tratamento de jeito nenhum, afinal, já tinha tirado o carocinho, não tinha mais nada no meu corpo. Foi muito, muito difícil. Fora que eu nunca tinha tido contato com ninguém com câncer. Tive casos na família, mas eram pessoas que moravam longe, então eu não senti a situação de verdade. Mas eu tive muita força da minha mãe e do meu filho. O Gregório dormiu comigo nos primeiros dias, me deu força e sorte, disse que tudo iria passar, que depois do tratamento eu ficaria boa. E eu acreditei nele. Quem não reagiu nada bem foi o meu ex-namorado, que me largou.

M.C.: Como assim? Ele te abandonou por causa do câncer?

F.F.: Sim. Quando contei que estava com câncer, ele me deu força, disse que iríamos passar juntos por tudo aquilo, e eu acreditei, claro. Ele foi até Florianópolis comigo, ficou ao meu lado depois que fiz a mastectomia e, no domingo seguinte, pegou o voo para São Paulo para trabalhar. Depois disso, ele me bloqueou no facebook e nunca mais atendeu as minhas ligações. Não sei se foi porque eu iria ficar sem cabelo ou porque ficou com medo da responsabilidade de me acompanhar durante ou tratamento ou se fui chata em algum momento. Eu não entendi direito, mas coloquei na minha cabeça que tinha que ficar perto da minha família, cuidar da minha vida, da minha saúde, dos meus projetos.

M.C.: E você conseguiu se relacionar com outros homens depois?

F.F.: Sim, eu estou namorando e muito feliz! No dia 21 de dezembro de 2012, postei um vídeo em que raspo a cabeça e um amigo de Facebook, o Ricardo, comentou que eu estava linda. Contei pra ele que aquilo era resultado de um câncer e começamos a conversar virtualmente. Aí eu fui para São Paulo, nos encontramos e ficamos. Passamos Ano Novo juntos, Carnaval. Aliás, foi quando eu postei uma foto de biquíni, na praia, que as pessoas começaram a perguntar se eu podia tomar sol, quais os cuidados que uma pessoa com câncer tinha que ter na praia. E eu passei a postar mais vídeos e dicas, a levar o projeto mais a sério.

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Moonwalker

Moonwalker

 Ansiedade é um caso sério e atrapalha a vida de qualquer mortal. Mas, passa a ser problema de todos quando aflige a quem tem poder público decisório.

Com o aumento dos casos de violência praticados por menores infratores, agravados pelo proporcional aumento da crueldade e frieza de suas ações, o clamor público  alteou ainda mais a voz e o Congresso, de repente, resolveu acelerar a sua resposta à sociedade.

Há mais de 20 anos tramitam no Congresso Nacional – sem praticamente sair do lugar – proposições de emendas para alterar o artigo 228 da Constituição Federal, reduzindo a maioridade penal de 18 para 16 anos.

Não sei se são ansiosos ou se estão ansiosos, como os que leem livros de traz para frente, nem começada a história, já querendo saber o final. A ansiedade que embota a construção “pari passu” do pensamento lógico, dos discursos e, por fim, das ações. Assim, estão invertendo o olhar, despercebidos da inocuidade da medida que estão prestes a aprovar.

Não será com algumas canetadas apressadas, aplausos após votação às altas horas da noite e manchetes na primeira página dos jornais na manhã seguinte que se responderá à sociedade.  Não é uma boa conclusão de que começar pelo final resolve o problema. Está apenas trazendo uma falsa sensação de completude.

Precisam se dar conta que é a existência da violência em si, do jeito rotineiro e banalizado que nos assombra hoje, que não pode ficar sem resposta, seja a praticada por maiores ou por menores de idade.

No caso, se o Estatuto da Criança e do Adolescente, ECA, não o desmerecendo,  prevê tão somente, a pena de internação nas unidades pertinentes de  no máximo 3 anos para adolescentes infratores com idade entre  12 e 18 anos incompletos, não será apenas e tão somente, a redução absoluta da idade para considerá-lo maior que saneará a encrenca. Pode até apaziguar a sede de justiça das famílias enlutadas, muito compreensível, mas, efetivamente, só se tapará o sol com a peneira.

Menores internados, detidos, reclusos, ou qualquer que seja o nome que se queira dar à medida corretiva de cerceamento da liberdade, carecem de políticas públicas eficientes que lhes propiciem a real chance de recuperação. Do jeito que é, todos eles nos serão devolvidos ao convívio muito piores do que quando ingressaram na instituição “correcional”.

O lado obscuro da realidade é que para onde vão o ambiente é fértil para a explosão e aprimoramento dos maus instintos.  Não existe esperança de resgatá-los.

Não podem esquecer, também, que como existem adultos presos que basicamente são pessoas de bem que por uma circunstância cometeram um desatino, deram um mau passo, há menores que são menores apenas pela idade, mas que são maiores na lucidez e entendimento da maldade que praticam, independentemente do turbilhão hormonal próprio da adolescência. Esses quase que certamente estarão fora de qualquer possibilidade de recuperação e certamente, não serão “estatutos” ou 3, 8 anos de medidas sócio-educativas que os colocarão no caminho do bem. Exigirão condutas rigorosamente diferenciadas.

Por isso, não adianta folhear a cartilha começando pela letra “z”. Perde-se o melhor : o sabor de fazer bem feito e a consolidação de um Estado eficiente.

Essa violência é apenas a ponta do “iceberg” cujo bloco de gelo abaixo da superfície, nesse caso, chama-se sério descaso com a educação.  Pela educação se forma caráter, se alinha valores, se aprende o respeito pelas coisas e seres, se oferta dignidade… e, assim, os afastariam da face, não mais oculta, mas ostensiva, escandalosamente ostensiva, da criminalidade. Isso, se levada a sério.

Katia Dias Freitas

Katia Dias Freitas

               Katia Dias Freitas é advogada em Brasília

              Contato:katiafreitasadv@gmail.com

IX

Choro

Choro

Foi por meia-hora, acho. Não mais do que quarenta minutos, isso eu tenho certeza. Entre o trajeto do trabalho e o carro. Ali, bem no meio do estacionamento. Horário de rush. Já havia escurecido. Os carros enfileiravam-se e as pessoas buzinavam.

Larguei tudo o que carregava no chão. Sentei no meio-fio e me dispus a chorar. Alminhas apressadas evitavam olhar. As coisas esparramadas no chão. Não tive forças para recolher de imediato. Toda a energia concentrada no ato de chorar.

Li em uma pesquisa, não sei se confiável ou não, que é feliz quem despende toda a sua atenção naquilo que faz, enquanto o faz. Acreditei. E por trinta minutos da minha vida me concentrei em chorar.

Choro de raiva, desânimo, tristeza, manha, infelicidade. Choro de tudo. De agruras próprias e humanitárias. Choro doído, sofrido, de mágoa e desesperança.

Duas doses e meia de sofrimento real resultando em choro cowboy. Natural, sem firulas nem três pedrinhas de gelo pra diluir. Choro puro!

Enfim, recolhi os pertences no chão, enfiei tudo no porta-malas e tomei o rumo de casa. No meio do engarrafamento, uma lágrima desavisada insistiu em cair. Contive-a sem dó. Afinal, é mais feliz quem presta atenção no que faz e o momento era de dirigir.

Carolina Vianna

 

Carolina Vianna é fotógrafa, poderosa e escreve para o Mulheres no Poder