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Arquivos para a ‘Poder’ Categoria

Como reforçar nas redes sociais a ideia de que a mulher é dona do próprio corpo? A ilustradora mineira Carol Rossetti encontrou no desenho a ferramenta certa para lutar contra o machismo e espalhar ideias que tornam a mulher mais livre, segura e feliz.

Da celulite à opção por não ter filhos e do shortinho ao sexo casual, Carol Rossetti usa desenhos e frases certeiros. Mas o feminismo e o empoderamento da mulher não é o único tópico a ser abordado pela arte da mineira.

Na sequência, a ilustradora também abordou temas como o racismo e a homofobia. E se esses problemas são universais, nada mais justo do que permitir que falantes de outras línguas compreendam essas belas ilustrações, não é mesmo? Para isso, ela contou com ajuda na tradução para o inglês e o espanhol, entre outros idiomas.

Confira algumas das ilustrações e compartilhe essa ideia!

Do Hypeness

Solenidade de posse da ministra Maria Elizabeth Rocha, primeira mulher a comandar o Superior Tribunal Militar José Cruz/Agência Brasil

A ministra Maria Elizabeth Guimarães Teixeira Rocha tomou posse hoje (16) na presidência do Superior Tribunal Militar (STM). É a primeira vez em 206 anos de existência que uma mulher preside a corte. Maria Elizabeth terá um mandato de curta duração, com apenas nove meses, e disse agirá em favor da igualdade de gênero e contra a discriminação a homossexuais nas Forças Armadas.

Antes da posse, a nova presidenta do STM concedeu uma entrevista coletiva e falou sobre o desafio de comandar a mais alta corte militar do país. “Primeiro, por uma questão de gênero, pelo empoderamento e ampliação da [presença da] mulher nos espaços públicos; e é sintomático que esta corte nunca tenha tido uma mulher antes de mim. Eu encaro como um desafio, com honra, porque esta foi uma corte que eu sempre admirei e que sempre engrandeceu a história do Judiciário, da democracia e do Estado de Direito”, disse.

Em seu discurso de posse, Maria Elizabeth louvou a presença das mulheres nas Forças Armadas e disse que o empoderamento feminino aperfeiçoa a República. “Uma democracia sem mulheres é uma democracia incompleta,” sentenciou.

Doutora em direito constitucional pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Maria Elizabeth, 54 anos, foi indicada ao STM em 2007 pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Eleita no ano passado como vice-presidenta da corte para o biênio 2013-2015, ela agora vai substituir o general-de-exército Raymundo Nonato de Cerqueira Filho, que se aposentou. A vice-presidência será ocupada pelo ministro Fernando Fernandes.

Desde sua posse como ministra, a atual presidente do STM tem defendido a igualdade de tratamento a homossexuais nas Forças Armadas. “Há um preconceito não só dos militares, mas de toda a sociedade brasileira com relação à orientação sexual”, avaliou. “Todos nós, cidadãos brasileiros heterossexuais ou homossexuais, temos um compromisso com a pátria e ninguém não pode ser segregado como se fosse cidadão de primeira ou segunda categoria. O Estado não pode promover o discurso do ódio”, acrescentou.

Maria Elizabeth passa a comandar um órgão que recebe de 2 mil a 3 mil processos por ano. Durante a posse, a ministra defendeu que a corte tenha direito a uma vaga no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). “Somos a mais antiga corte do país, mas não temos voz nem voto ali dentro e isto me parece uma inconstitucionalidade, para dizer o mínimo,” criticou.

Ela também criticou a posição do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, que recentemente defendeu a extinção da Justiça Militar nos estados. “Conter homens armados é fundamental para se preservar o Estado Democrático de Direito e a estabilidade do regime político. Os homens que portam as armas da nação têm que ser controlados com rigor para que a paz possa permanecer”, comentou. Para a ministra, a posição de Barbosa foi “rigorosa e não corporativa”.

A nova chefe da corte militar quer que uma das marcas de sua gestão seja a digitalização dos arquivos do STM, que, segundo ela, teve papel importante na defesa da democracia e do Estado de Direito em diferentes momentos da história do país. “Para que os pesquisadores, cientistas políticos e estudiosos em geral possam ver o papel desta corte na defesa dos direitos humanos que muitos desconhecem”.

Segundo Maria Elizabeth, a atuação da corte impediu, por exemplo, que a presidenta Dilma Rousseff fosse condenada duas vezes pelo mesmo crime, durante a ditadura militar.

Parte da documentação do tribunal está no Arquivo Nacional e já se encontra digitalizada. No entanto, os processos a partir de 1977, quando o STM foi transferido do Rio de Janeiro para Brasília ainda precisam ser digitalizados.

Quinze ministros vitalícios compõem o STM: três generais da Marinha, quatro do Exército e três da Aeronáutica, além de cinco civis.

Da Agência Brasil

Foto: Agência O Globo / Givaldo Barbosa/16.07.2013

No primeiro posicionamento sobre aborto desde o início de seu governo, a presidente Dilma Rousseff defendeu a interrupção da gestação por motivos “médicos e legais” e sua realização em todas as unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) com serviço de obstetrícia. Ela abordou o assunto em resposta a questionamento do GLOBO sobre a grande quantidade de mulheres mortas devido a abortos malsucedidos na clandestinidade. O Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, mostra que uma mulher morre a cada dois dias e meio no Brasil após realizar um aborto, quantidade que permanece inalterada desde 1996, conforme registros do SIM.

A presidente sustentou que a lei 12.845, de 1º de agosto de 2013, passou a garantir que o atendimento seja “imediato e obrigatório” em todos os hospitais do SUS. “Para realizar a interrupção legal da gestação, o estabelecimento deve seguir as normas técnicas de atenção humanizada ao abortamento do Ministério da Saúde e a legislação vigente. O gestor de saúde municipal ou estadual é o responsável por garantir e organizar o atendimento profissional para realizar o procedimento”, afirmou Dilma ao GLOBO.

A lei citada foi sancionada pela presidente para assegurar atendimento médico a mulheres vítimas de violência sexual. Causou polêmica junto às bancadas evangélica e católica no Congresso por prever a “profilaxia da gravidez” — a mais comum é a pílula do dia seguinte — e o fornecimento de informações sobre a possibilidade legal de aborto em caso de estupros. Segundo essas bancadas, Dilma estimulava o aborto ao sancionar a lei sem vetos. Grupos religiosos protestaram em frente ao Palácio do Planalto contra a sanção da lei.

A última ofensiva religiosa contra o governo visou a portaria do Ministério da Saúde que definia os valores dos atendimentos de aborto na rede pública — a tabela do SUS passaria a trazer o montante de R$ 443,40 por procedimento e só se referia aos casos aceitos pela legislação: estupro, risco de vida à mulher e gestação de anencéfalo. Após forte pressão de parlamentares evangélicos, em especial do líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), o ministério revogou a portaria, no último dia 28. A explicação oficial é que a revogação ocorreu por “questões técnicas”. A posição da presidente, agora, é uma defesa de que esses casos sejam atendidos em qualquer hospital da rede pública.

A resposta foi enviada ao GLOBO pela Secretaria de Imprensa da Presidência, que ressaltou que esse posicionmento é de Dilma como presidente da República, e não como pré-candidata à reeleição. Dilma afirmou que houve redução de mortes de mulheres por conta de abortos malsucedidos e atribuiu essa queda à “ampliação da rede de serviços à saúde integral da mulher, incluindo o tratamento às vítimas de violência”.

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Top 10 - Arte Época

Top 10 – Arte Época

A revista americana Forbes divulgou nesta quarta-feira (28/05) a lista de 100 Mulheres Mais Poderosas do Mundo. A presidente Dilma Rousseff aparece na quarta colocação, duas posições abaixo em relação ao ranking de 2013 – quando foi a 2ª colocada. A Forbes descreve Dilma como “uma das chefes de estado mais poderosas do mundo, que comanda a 7ª maior economia mundial”.

A revista destaca ainda que a presidente brasileira fez duras críticas aos Estados Unidos em relação aos escândalos de espionagem durante a última Assembleia Geral da ONU e cancelou a visita aos EUA após ser revelado que a Agência de Segurança do país interceptava os seus emails.

Na lista de 2014, a chanceler alemã Angela Merkel manteve-se no topo, apresentada como a mulher mais poderosa do mundo. Mas quem ganhou destaque mesmo da revista foi Janet Yellen, que assumiu recentemente a presidência do Federal Reserve, o Banco Central americano. Ela ocupa a 2ª posição na lista. “Colegas elogiam sua capacidade de explicar ideias complexas com palavras simples”, afirma a revista. É a primeira representante do FED a figurar nesse ranking e um dos 18 novos rostos da lista.

Em relação ao ranking do ano passado, a presidente da Graça Foster subiu três posições e ocupa o 16º lugar. Outra brasileira na lista é Gisele Bündchen, apresentada como “celebridade”. Ela está na 89ª colocação.

Entre as executivas, destacam-se na lista Sheryl Sandberg, COO do Facebook (9ª); Marissa Meyer, CEO do Yahoo (18º), Mary Barra, nova CEO da GM (7º) e Virginia Rometty, CEO da IBM (10º). Destaque também para a rainha Elizabeth, que ocupa a 35ª posição.

Da Época 

Filme do diretor João Jardim consegue trazer 1954 para 2014

Getúlio. 2013. Brasil. Direção: João Jardim. Elenco: Tony Ramos, Alexandre Borges, Drica Moraes.

Getúlio. 2013. Brasil.
Direção: João Jardim. Elenco: Tony Ramos, Alexandre Borges, Drica Moraes.

 Uma das mais emblemáticas passagens da História do Brasil foi transformada em filme. Filmaço. Getúlio (Brasil – 2013) lança olhar cinematográfico sobre os últimos dias de Getúlio Vargas, presidente do Brasil por quase duas décadas. Quase um documentário, o filme do diretor João Jardim tem qualidades para adentrar pelos gêneros suspense e drama, com viés político inteligente. E cumpre essa missão com êxito. Ao invés de maçante cinebiografia do ex-presidente, o roteiro estreita o foco nos dias que antecederam o fim da Era Vargas. Mesmo sendo obra ficcional ambientada há sessenta anos, Getúlio consegue ser atual. Revela minúcias do ambiente político no entorno da presidência da República. Os membros do gabinete presidencial, particularizando familiares, ministros e assessores próximos do poder, a oposição e o posicionamento da mídia são apresentados quase em estilo de cinema-verdade. Desde então, pouco ou nada mudou.

Traídos pela disfunção egóica 

O filme trata do embate entre duas personalidades fortes, Getúlio Vargas e Carlos Lacerda, representantes de interesses políticos antagônicos e donos de egos hipertrofiados. A disfunção psíquica em ambiente hostil faria um e outro cair em ciladas preparadas pelos inimigos. E pela traição dos amigos. Getúlio sucumbiria em 1954, abatido pelo fogo da mídia a serviço de oligarquias incomodadas pelas políticas que colocou em prática em favor dos mais pobres. Lacerda cairia quatorze anos depois — dezembro de 1968, em seguida à decretação do AI 5 — traído pelos amigos que ajudou a encastelar no poder com o advento do regime militar iniciado em 1964.

Getúlio 

Getúlio inaugurou a era dos presidentes carismáticos. Sabia se comunicar muito bem pelo rádio. Também era dono da rara habilidade de ganhar a confiança das multidões. Nos contatos diretos com o povo, deixou registrada marca de aceno contínuo, com a mão direita indo e voltando à testa. Instintivo, agregou à sua reputação a imagem de “pai dos pobres” ao materializar benefícios até hoje em vigor para as classes trabalhadoras, como a CLT – Consolidação das Leis do Trabalho, salário mínimo, férias proporcionais. Também soube flertar com a grande classe média, se aproximando da Igreja Católica. Em sua gestão, foi construído o Cristo Redentor. E ainda estabeleceu conexões pragmáticas com certa parte das elites nacionalistas, ao criar a Companhia Siderúrgica Nacional – CSN e liderar a campanha “O Petróleo É Nosso” e posterior fundação da Petrobrás.  Contra ele, pesou a criação do famigerado DIP – Departamento de Imprensa e Propaganda, eufemismo para instituir a censura à imprensa, no período em que foi ditador (1930/45). Outro lamentável episódio ligado ao seu governo foi a entrega de Olga Benário Prestes aos nazistas alemães, fato que resultaria na execução dela em câmera de gás de campo de concentração. Em 1951, voltou ao cargo de presidente da República, eleito pelo voto direto, em 30 de outubro do ano anterior.

Lacerda 

Carlos Lacerda oscilou da esquerda para a direita em espaço de tempo relativamente curto para travessia ideológica daquele porte. No biênio 32/34, foi comunista. Em 1948, guinada radical. Converteu-se ao catolicismo sob o papado conservador de Pio Doze. A nova postura incluiu intenso combate ao getulismo, com sucessivos discursos contra um governo que “chafurdava na lama da corrupção e planejava golpe que iria abortar as eleições presidenciais marcadas para 1955″. Perspicaz, entendeu a importância do novo veículo de comunicação, a televisão. Assistindo ao apresentador Fulton J. Shelton nos Estados Unidos, aprimorou técnicas que o ajudaram a dominar por completo o nova mídia. Em seus pronunciamentos televisivos, quase sempre se valia de um quadro-negro, a fim de destacar os pontos importantes de suas falas. Era o precursor do atual power point. Atraiu simpatizantes na classe média civil e militar, especialmente a abnegação de dez majores da Aeronáutica, um deles Rubens Florentino Vaz.

Intrigas de 1954 repaginadas para 2014 

O filme começa justamente com o assassinato do major Vaz, na rua Toneleros, em Copacabana. Na verdade, os autores do crime, ligados a Gregório Fortunato, líder da guarda pessoal de Getúlio, visavam Lacerda. O episódio daria início a uma série de erros do governo, que não estava preparado para agir com rapidez e eficiência. Os bastidores do Palácio do Catete, residência oficial de Getúlio, eram habitados por ministros e assessores que se caracterizavam ou pela incompetência ou pela explícita falta de lealdade ao presidente. Não ocorreu a ninguém ir aos subúrbios ou mesmo viajar aos Estados, a fim de conferir a excepcional popularidade que o presidente tinha, sobretudo junto às classes mais carentes. Naquele tempo, não estavam à disposição dos governantes as pesquisas de opinião. No final do filme, a exibição de imagens de arquivo da época demonstra o quanto Getúlio era querido e aprovado. Sagaz, Lacerda entendeu a vulnerabilidade predominante no núcleo do poder central e soube transformar mera fagulha em incêndio de grandes proporções. Com a mídia escancarada em seu favor, conseguiu construir cortina de fumaça entre o presidente e a realidade. De Getúlio, tirou a vontade de lutar. Sem ela, o presidente foi desmoronando, charuto em charuto, no rumo da carta-testamento.

Tony Ramos, Drica Moraes e Alexandre Borges em magníficas performances, sob a direção de João Jardim, com fotografia de Walter Carvalho 

O êxito de Getúlio pode e deve ser atribuído, em primeiro lugar, ao diretor João Jardim, que atuou como eficiente juiz em partida de futebol decisiva: deixou o jogo rolar de forma imparcial. Estudou, nos maiores e nos menores detalhes, as características de Getúlio Vargas e de Carlos Lacerda e soube passar orientações cirurgicamente precisas a Tony Ramos (Getúlio) e Alexandre Borges (Lacerda). Experientes, um e outro conseguiram materializar personagens muito próximos do que devem ter sido na realidade os próprios Getúlio e Lacerda. Drica Moraes, como Alzira Vargas, filha queridíssima do presidente, viveu talvez a melhor performance de sua carreira. Completando o círculo virtuoso, Walter Carvalho, um dos melhores diretores de fotografia do cinema brasileiro em todos os tempos, conseguiu a luz certa para cada sequência, valorizando outro atributo do filme: a linguagem imagética.

“Um filme que vale para todas as épocas” 

Segundo Tony Ramos, a sua filha, que é advogada, quando viu o filme, lhe segredou: “É um filme que propõe reflexão não só para aquela época. Vale para todas as épocas”.

Escrito por J. Jardelino

Helena Costa – Reprodução

Helena Costa assumirá o cargo de treinadora do Clermont, clube da segunda divisão francesa, a partir da próxima temporada. Ela substituirá Régis Brouard, que deixará o time, 14º colocado na Ligue 2. Será a primeira mulher a ocupar o cargo de treinadora principal de um time de futebol profissional na França. Ao mesmo tempo em que a notícia é triste, por pensarmos que em pleno 2014 a presença de mulheres nos cargos de futebol ainda é uma raridade, ela é também animadora. Afinal, se isso já deveria ter acontecido antes, ao menos alguém resolveu dar o primeiro passo.

Um zagueiro do Clermont, Anthony Lippini, deu uma declaração que mostra bem o espírito que a contratação pioneira da técnica Helena Costa deve ser encarado. “Eu estava falando com meu fisioterapeuta sobre a vez em que a primeira mulher entrou no exército, um ambiente muito machista. No começo, houve um pouco de choque. Mas agora, a presença de mulheres no exército se tornou normal. Deve acontecer o mesmo no futebol”, afirmou o jogador ao jornal L’Équipe.

“Eu mal posso esperar para voltar na próxima temporada e fazer parte disso. Eu estou realmente curioso. Será uma experiência única ser o primeiro time profissional a ser dirigido por uma mulher na França. É bom, cria repercussão”, disse ainda o jogador. No comunicado que anunciou Helena Costa como técnica, o clube disse que a escolha da treinadora “deve ajudar o clube a entrar em uma nova era”.

A portuguesa de 36 anos tem muita experiência com futebol. Começou a carreira no Benfica, onde ocupou vários cargos até começar a dirigir o time feminino. Depois, tornou-se olheira do Celtic em Portugal e na Espanha entre 2008 e 2011. O clube escocês, aliás, divulgou um comunicado parabenizando a sua ex-funcionária pelo novo cargo que ocupará.

“Nós gostaríamos de parabenizar Helena sinceramente por assumir esse novo cargo”, afirmou um representante do Celtic ao jornal Guardian. “Ele fez um excelente trabalho para nós e sabemos que ela dará, nesse novo cargo, o mesmo nível de comprometimento e dedicação que ela deu ao Celtic”.

Não será a primeira vez que Helena comandará um time masculino. Ela treinou o Cheleirense, time que disputa divisões inferiores de Portugal e pelo qual venceu o campeonato regional de Lisboa em 2006. Ela também comandou times femininos no país, como a Sociedade União, clube pelo qual foi campeã portuguesa e levou a equipe à Liga dos Campeões feminina em 2008, e o Odivelas, levando o clube para a primeira divisão portuguesa feminina.

No comando do Catar, Helena conseguiu dar à seleção a sua primeira vitória, 4 a 1 sobre as Ilhas Maldivas em 2012. No Irã, último cargo que ocupava, não conseguiu classificar o time para a Copa do Mundo feminina. Na fase de classificação para a Copa Asiática, que serve como Eliminatórias para a Copa, o time ficou em terceiro no Grupo B, atrás da Tailândia e Filipinas, ficando à frente apenas de Bangladesh. Em três jogos, o time venceu uma e perdeu duas. Mesmo assim, ela só deixou o cargo porque um familiar adoeceu e ela teve que voltar a Portugal.

Em entrevista ao jornal português Record, a treinadora falou sobre a sua paixão de futebol. “É mais do que uma paixão, é um vício”, ela disse. Ela revelava ter convites para treinar a Líbia e as Ilhas Maldivas, mas que preferia continuar como olheira do Celtic nesse tempo, se dedicar à família e esperar por uma oportunidade melhor.

Antes de Helena Costa, a última mulher que tinha ocupado o cargo de treinadora em um dos países mais importantes do futebol europeu tinha sido Carolina Morace, que assumiu o Viterbese, da terceira divisão italiana, por dois jogos em 1999. Helena Costa será apresentada à imprensa logo após o final da temporada.

Que seja só a primeira e que logo nós não tenhamos nem mais motivos para falar sobre uma mulher assumindo o comando de um time de futebol. Ainda há um longo caminho pela frente.

Do Trivela

Em jantar com jornalistas, presidente afirmou que a inflação está sob controle, mas não está tudo bem com os preços no País

Presidente Dilma Rousseff com jornalistas no Palácio da Alvorada Foto: Presidência da República

Em jantar com jornalistas no Palácio da Alvorada na noite de terça-feira, a presidente Dilma Rousseff disse que “a inflação está sob controle”, mas reconheceu que “não está tudo bem” com os preços. Dilma chamou de “ridícula” as críticas que sugerem que o País entrará em crise a partir do ano que vem e negou que o governo estuda aumentar impostos para atingir o superávit primário das contas públicas em 2014.

“É absurda essa história de o Brasil explodir em 2015”, disse a presidente. “Pelo contrário, o Brasil vai bombar.” A presidente afirmou que existe uma “má vontade tremenda” nas análises econômicas no Brasil. Dilma também disse que uma meta de inflação de 3%, como foi sugerida pelo futuro adversário nas eleições Eduardo Campos, significaria para o País desemprego de 8,2% e falta de recursos para investimentos.

A presidente, ainda, negou que a inflação seja o motivo do mau humor da população, que em pesquisas de intenção de voto tem demonstrada preocupação com a economia do País. Para Dilma, nunca houve “campanha eleitoral sem mau humor” e isso é reflexo de uma demanda da população por melhores serviços, que dependem de investimentos de longo prazo que não foram feitos no passado, como as ampliações dos aeroportos.

Do Terra

O Palácio Francês. Título na língua original: Quai d'Orsay. Ano da produção: 2013. País de origem: França. Direção: Bertrand Tavernier. Elenco: Thierry Lhermitte, Raphael Personnaz, Niels Arestrup, Bruno Raffaelli, Julie Gayet.

O Palácio Francês. Título na língua original: Quai d’Orsay. 2013. França. Direção: Bertrand Tavernier. 

Filme do cineasta Bertrand Tavernier faz humor inteligente e ainda traz o sex appeal de Julie Gayet, a namorada do presidente da França

Baseado em fatos reais, O Palácio Francês (Quai d’Orsay - França – 2013) estreita o foco na trajetória do jovem e talentoso redator Arthur Vlaminck (Raphael Personnaz), no momento em que é contratado para trabalhar no Ministério das Relações Exteriores do Governo da França. De início, deixa-se entusiasmar pela chance de atuar diretamente na elaboração dos discursos do próprio ministro Alexandre Taillard de Worms (Thierry Lhermitte). A excitação com a magnífica oportunidade para alguém como ele, em início de carreira, logo nos primeiros dias, vai sendo substituída pela surpresa. O ambiente no entorno do chefe é um amálgama de personalidades e situações conflitantes.

Política tratada com sarcasmo, fina ironia e boas risadas da plateia

A cada sequência, o experiente cineasta Bertrand Tavernier, também autor do roteiro, eleva o tom do sarcasmo que predomina no filme inteiro. Humor seis estrelas. Impossível não rir quase o tempo todo. Sob o “verniz” cultural do ministro Taillard, estava personalidade ansiosa, frágil, narcisista ao extremo. O tempo inteiro citando o pensador grego pré-socrático Heráclito, marca-texto sempre à mão para assinalar frase emblemática do criador da dialética política. Para Arthur, sobravam alguns “portos-seguros”. O chefe do gabinete ministerial, Claude Maupas (Niels Arestrup, que recebeu o César — o “Oscar” do cinema francês pelo seu desempenho), era um deles. Cínico e competente, a depender do desafio que aparecesse. Resolvia as questões mais complexas, sempre. E, também, partiam dele os conselhos pragmáticos. No “front” doméstico, a vida de Arthur era lindamente colorida pela bela Marina (Anais Demounstier), companheira, culta e encarregada de lhe injetar impulsos de entusiasmo diários. Precisava deles para enfrentar gente como Stéphane Cahut (Bruno Raffaelli), assessor para assuntos aleatórios do Ministério, ou Valérie Dumonthiel (Julie Gayet. Na vida real, a atual namorada do presidente da França, François Hollande), encarregada de impregnar o Quai d’Orsay de sensualidade no limite máximo, quase erótico. Durante os 113 minutos do filme, situações na África, Europa e Extremo Oriente se entrelaçam e vão desaguar no esperado discurso do ministro na reunião do Conselho de Segurança da ONU, em Nova Iorque.

Fatos ocorridos em 2003 inspiraram o autor do livro que deu origem ao roteiro 

O diplomata francês Anthony Baudry, sob o pseudônimo de Abel Lauzac, aproveitou sua experiência no próprio Quai d’Orsay, como redator dos discursos do então ministro do exterior francês Dominique Villepin e escreveu o livro que influenciou a criação do roteiro de O Palácio Francês. O discurso de Villepin no Conselho de Segurança da ONU, em 2003, realmente ocorreu. Na condição de representante de um dos cinco países com lugares fixos no órgão político máximo das Nações Unidas (os outros quatro são Estados Unidos, Rússia, China e Inglaterra), ele condenou, com veemência, a invasão do Iraque pelos Estados Unidos. Resultado zero. Repercussão prática nenhuma. Provavelmente, o diretor Bertrand Tavernier tenha pinçado desse detalhe a principal mensagem do filme: diplomacia é espuma, discurso com citações grandiloquentes, coquetéis, jantares. E pouco ou nada mais. Daí para decisão de fazer filme que transforma o Ministério das Relações Exteriores francês numa comédia não deve ter sido difícil para alguém com a experiência do diretor. Fez isso em Paris, mas, se quisesse, poderia ter rodado seu filme em Washington, Brasília, Londres ou Buenos Aires.

Jacques Lacan (*), onipresente nos roteiros cinematográficos da terra de Molière 

Bertrand Tavernier fez absoluta questão da grife lacaniana no roteiro. Ocorre na sequência em que o próprio pai do ministro Taillard surge diante do chefe de gabinete Claude Maupas, sem marcar audiência. Fala indiretamente em “tempo lógico” (mantra lacaniano) para a solução de algumas questões do ministério e saca do bolso do colete sugestões. Quase em seguida, o próprio ministro apresenta a Maupas as mesmas recomendações. Cínico, Maupas finge que ouve tudo com atenção. Parecia piada. Como o filme é uma comédia, era mesmo uma piada. Pertinente, inteiramente conectada à disfunção egóica do ministro.

(*) Jacques Lacan (1901-1981), considerado pelos franceses o criador da moderna Psicanálise, “um estágio além de Freud”, costumava, modestamente, afirmar que ele era freudiano; os seus seguidores, lacanianos.

Escrito por J. Jardelino

Este é o ano dos livros escritos por mulheres. Não sou eu quem digo, mas uma campanha organizada pela escritora e artista Joanna Walsh, que tem o objetivo de incentivar a leitura de escritoras no mundo inteiro. Fazendo uso da hashtag #readwoman2014, diversos meios de comunicação estrangeiros estão se movimentando para elaborar listas, dicas, dar espaço a novas e antigas autoras, que, muitas vezes, ficam à margem do noticiário literário. É só dar uma olhada em um levantamento divulgado pelo The Guardian, o qual mostra que, em 2012, na New York Review of Books, só 22% dos livros resenhados foram de escritoras. Pouco, né? O número se repete com pequena variação em todos os mais importantes suplementos literários do mundo.

“E eu com isso”? Cara leitora e amiga, ao que tudo indica, o livro no Brasil é das mulheres. Sim, nós, brasileiras, lemos mais do que os homens. Segundo pesquisa do Instituto Pró Livro, cerca de 52% dos leitores deste nosso Brasil de meu Deus são mulheres. Portanto, se somos nós que escolhemos as linhas das histórias que levamos na sacola de praia, no busão ou antes de dormir, por que não dar mais chances para nossas companheiras escritoras? Vejam: essa campanha – que foi endossada pelo bimestral norte-americano The Critical Flame – não quer que a gente pare de ler homens. Imagina ter de largar os autores xodós!? Não ia dar certo, é só questão de equilíbrio. Dar uma mexidinha nessa engrenagem – que parte dos editores, passa pela divulgação e chega aos leitores -, que acaba deixando a mulherada de lado. Trata-se de encorajar mais palavras femininas na nossa imaginação. Para mulheres e também homens. Ou você se lembra quando foi a última vez que deu um livro de uma escritora para seu marido/irmão/pai?

Como já sabemos, existe um montão de autoras sensacionais. De todo o tipo de literatura: fantástica, suspense, leve, pesada, cabeça. Em todos os gêneros também: não-ficção romance, contos, crônicas. Como aderi à campanha do #readwomen2014, compartilho com os leitores e leitoras do Sem Retoques meus livros de cabeceira escritos por mulheres. Elegi 15 e, claro, muitos ficaram de fora. Espero que gostem.

Do Blog Sem Retoques,

por Marilia Neustein

Exportação brasileira de veículos caiu 32,7% no primeiro trimestre deste ano

Brasileiros querem destravar o impasse no fluxo comercial com o país vizinho Foto: Ueslei Marcelino / Reuters

Diante de uma crise de exportações de automóveis para a Argentina, representantes do setor automotivo brasileiros se encontraram com a presidente Dilma Rousseff a fim de destravar o impasse no fluxo comercial com o país vizinho. A exportação brasileira de veículos caiu 32,7% no primeiro trimestre deste ano, após a restrição de importações pela Argentina, principal parceiro comercial no setor e responsável por receber 75% do total dos automóveis que saem do Brasil montados.

Segundo o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, Dilma determinou que o ministro Mauro Borges (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Paulo Caffarelli, entre em contato com as autoridades argentinas sobre o tema.

“Ela determinou que o ministro Mauro Borges e o ministro Taffarelli rapidamente tenham uma conversa com o governo argentino no sentido de destravar esse mercado e voltar o fluxo de comércio e o que os dois ministros colocaram é que já na próxima semana estarão na Argentina reiniciando a negociação”, afirmou Moan.

A crise no país vizinho, que era minimizada até fevereiro, acendeu um alerta vermelho para as fabricantes nacionais e já mobilizou o governo. Um memorando de entendimento para destravar o comércio bilateral foi assinado no dia 28 e as conversas para concretizar o plano acontecem em até 10 dias.

Em março foram exportados apenas 23 mil carros – quase a metade do número registrado no mesmo mês de 2013. A baixa apenas agrava um balanço ruim para as montadoras no início deste ano, com queda de 2,1% nos licenciamentos e de 8,4% na produção, na comparação com os primeiros três meses do ano passado. Segundo dados da Anfavea, foi o pior trimestre de produção desde 2010. Mesmo assim, os estoques cresceram para 387 mil unidades, o que equivale a 48 dias de vendas, ante 37 dias em fevereiro. O nível de estoque se aproxima dos meses logo após o estouro da crise global de 2008, quando chegou a 56 dias com a intensa restrição de crédito por parte dos bancos.

Apesar da má fase do setor, o presidente da Anfavea nega que o setor estude corte de pessoal ou que os veículos podem ficar mais caros por causa do aumento de custo sofrido pelo setor.

“Nesse momento, o que nós estamos buscando é aumento de produção, então nós falamos nessa questão da Argentina o grande beneficiário será o sistema de produção. Com o volume de produção retornado, não há por que se falar em redução do emprego”, disse Luiz Moan. “O nosso pessoal qualificado e treinado é um grande investimento que nós fizemos e o tanto quanto possível, nós vamos preservá-lo.”

Do Terra

Ig
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