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Os primeiros dias após o fim da distribuição das embalagens plásticas nos mercados são marcados por dúvidas, filas e confusão
Sacolas Polêmicas.
Um acordo entre o governo do estado, a prefeitura municipal e a Associação Paulista de Supermercados (Apas) baniu, desde o dia 25, a distribuição gratuita de sacolas plásticas em 2.600 lojas com o objetivo de reduzir o descarte de 6,6 bilhões de embalagens por ano (1,8 bilhão delas só na capital). A iniciativa tem por trás uma louvável preocupação com o meio ambiente. Além de ser derivado do petróleo, o produto demoraria até 400 anos para se decompor depois de jogado no lixo, de acordo com alguns estudos. Como o tal acordo não tem valor de lei, a adesão é voluntária. Na cidade, 95% dos supermercados já embarcaram na campanha, cujo slogan é a frase “Vamos tirar o planeta do sufoco”. A maior parte da população também se mostra simpática à ideia. Segundo pesquisa divulgada na semana passada pelo instituto Datafolha, 57% dos paulistanos apoiam a mudança.
Esse clima favorável entre a opinião pública, porém, não se refletiu nos humores de quem precisou passar pelos caixas na semana passada. Apesar da farta divulgação, muitos acabaram pegos de surpresa. Mesmo as pessoas que se preveniram para esta nova fase confessam ainda estar confusas sobre como substituir as sacolinhas. “Está difícil”, dizia a pedagoga Sueli Castanho Nastri, enquanto pagava a conta na loja do Pão de Açúcar da Vila Clementino, na Zona Sul. Sua dificuldade era encontrar a melhor opção para levar as compras. Já tentou usar caixas de papelão, que, embora sejam distribuídas sem custo, nem sempre estão disponíveis. Também experimentou uma sacola retornável de tecido, cuja alça se rompeu com o peso. “Estou acostumada a levar mercadorias para duas semanas, mas hoje só vou adquirir comida para o dia, porque não sei mais como transportar grandes quantidades”, contou. O presidente da Apas, João Gallassi, no entanto, aposta que as dificuldades serão passageiras. “É preciso um tempo de adaptação para que tudo se ajeite”, acredita.
Para substituir as antigas embalagens, as empresas oferecem agora sacolas biodegradáveis. Elas são produzidas a partir de amido de milho e levam de seis meses a dois anos para sumir do planeta. Ou seja, essa versão seria uma evolução em termos ambientais. O inconveniente do negócio é que os mercados estão cobrando pelo produto (0,19 real, em média). “Não acho justo onerar o consumidor e lucrar com algo que antes era oferecido gratuitamente”, afirma a publicitária Joan na Sottomaior. Segundo a Apas, o valor cobrado é o preço de custo da embalagem verde. Empresários do setor dizem ainda que a venda será provisória. “Numa segunda fase do programa, essas sacolas também vão sair de circulação. Elas estão sendo oferecidas agora apenas para não deixar as pessoas na mão”, diz Felipe Zacari Antunes, gerente de sustentabilidade do Walmart Brasil.
Do Ambiental Sustentável
Você sabe o que fazer para reduzir os impactos ambientais causados pela sua alimentação? Para os membros da Bon Appétit, é possível diminuir os danos globais com pequenas atitudes individuais. Pensando nisso, eles listaram cinco dicas essenciais para quem quer se alimentar com saúde, qualidade e respeito ao planeta.
1º – Não desperdice
Quando você joga comida fora, está transformando em lixo não apenas aquelas sobras, mas também toda a energia gasta para cultivar, transportar e preparar a refeição. Quando chega aos aterros sanitários, essa comida libera gás metano, um dos gases causadores do efeito estufa. Por isso, compre e cozinhe apenas a comida que você vai comer. Se sobrar, guarde para a próxima refeição.
2º – Faça do “local e sazonal” seu mantra alimentar
Alimentos que são cultivados sazonalmente e dentro do perímetro da sua região geralmente emitem menos carbono na atmosfera. Por isto, essas devem ser as suas primeiras opções. Mas tome cuidado para não comprar alimentos cultivados em estufas aquecidas com energias não renováveis, mesmo que elas estejam próximas a você.
3º – Afaste-se de carnes vermelhas e queijos
A pecuária é responsável por 18% das emissões mundiais de gases do efeito estufa. Se você não puder viver sem carne e queijo, considere ao menos reduzir a quantidade desses itens, e selecione-os criteriosamente, comendo com menos frequência e apenas aquilo que você realmente ama.
4º – Evite frutas e peixes de outros países
Quando você compra mariscos e frutas “frescas” vindas de outros países, saiba que para que elas estejam no supermercado pouco tempo após sua colheita foi preciso transportá-las de avião, o que torna as emissões dez vezes maiores do que se esses alimentos viessem de navio. Por isso, prefira sempre alimentos locais e os frutos do mar que foram “processados e congelados no mar”.
5º – Se for processado e embalado, esqueça
Salgadinhos, sucos, e até mesmo hambúrgueres vegetarianos (preparado, embalado, congelado e transportado) consomem muita energia e geram lixo, e nós comemos essas coisas sem pensar. Por isso, quando você precisar de um lanche ou refeição prática e rápida, escolha uma fruta fresca local, pequenas quantidades de nozes, e outras opções caseiras deliciosas.
Do Ambiental Sustentável
Hoje (02 de Fevereiro) é o dia D para as sacolas plásticas em território paulista. Em outras palavras, os consumidores vão ter que se acostumar a não dispor mais deste item após as compras, já que entra em vigor a substituição do produto.
Uma das alternativas já apontadas por especialistas são os próprios sacos de plástico, mas confeccionados com material renovável, como milho. Eles degradam mais rápido que a sacola regular, feita com derivados de petróleo, e estarão à venda nas cadeias de supermercado (que optaram por substituir o saco comum).
“São duas possibilidades infinitamente melhores que a sacola convencional, que leva centenas de anos para se decompor. Além disso, a produção dessas sacolas vai usar menos combustível fóssil, ou seja, vai ser menos poluente”, atesta Sérgio Leitão, diretor de campanhas do Greenpeace Brasil.
Só para lembrar, enquanto o tempo de decomposição de uma sacola regular é de mais de 100 anos, as biodegradáveis duram apenas dois anos, segundo fabricantes. Caso sejam tratadas em usinas de compostagem, elas podem degradar em 180 dias, afirmam os produtores.
Essa diferença, avalia Leitão, pode gerar um impacto considerável, já que as sacolas plásticas são responsáveis pela morte de um milhão de aves marinhas e de cem mil tartarugas por ano, que confundem o material com alimento. Os dados são do Greenpeace.
Além disso, elas geram impermeabilização do solo dos lixões, dificultando o processo de decomposição do lixo, de acordo com dados da campanha Saco é um Saco, do Ministério do Meio Ambiente (MMA). Atualmente são distribuídas 1,5 milhão de sacolas plásticas por hora no Brasil. Ou seja: cerca de 13 bilhões por ano, segundo a campanha do MMA.
Estudo do IPT
A diferença no tempo de degradação das sacolas está sendo estudada pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), ligado à Universidade de São Paulo. Desde outubro de 2011 os cientistas avaliam quatro tipos diferentes de embalagem: polietileno comum (a sacola tradicional de plástico), polietileno com aditivo para degradação, papel e TNT (um tipo de saco retornável).
Elas ficarão expostas a sol, chuva e vento durante um ano, simulando condições de abandono das sacolas no meio urbano. “Embora existam muitos artigos sobre isso, não há muitas pesquisas nas condições brasileiras. Nós vimos a necessidade de fazer esse estudo para tentar ajudar a esclarecer um pouco esse assunto”, diz Mara Dantas, pesquisadora do laboratório de Embalagens do IPT.
Os resultados da pesquisa serão divulgados após o período de exposição dos materiais, que termina em outubro deste ano. Uma das questões que o estudo pretende responder é sobre a eficácia de aditivos para tornar o plástico degradável, já que não há consenso científico sobre o tema.
Polêmica
Já a Plastivida, Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos, entidade que representa fabricantes do setor, defende que a sacola que será abolida dos supermercados paulistas é a opção mais sustentável.
Para o instituto, o problema está na destinação final inadequada do material. “Com a coleta da sacola para a reciclagem, seria bom que [o processo de decomposição] demorasse 100 anos. Assim, ela viraria outro produto e não seria preciso extrair mais matéria prima [para produzi-lo]”, diz o presidente da Plastivida, Miguel Bahiense.
Outro problema, segundo o instituto, é o abuso do uso da embalagem. Em 2007, foi iniciada uma campanha para reduzir o desperdício de sacolinhas. O consumo atual, de cerca 13 bilhões por ano, representa uma queda de 30% em relação aos números do começo da campanha (em torno de 18 milhões).
Além disso, uma pesquisa realizada no Reino Unido e divulgada pela Plastivida aponta que as chamadas ecobags precisam ser reutilizadas por mais de 100 vezes para provocarem menos danos ambientais que o plástico, devido à maior quantidade de matéria-prima empregue na sua confecção.
Um ponto de consenso em diferentes pesquisas é que o impacto das diferentes sacolas não é fixo, mas depende do tipo de consumo que é feito delas – por exemplo, o tempo de uso – e das condições de destinação final da embalagem (como o encaminhamento para reciclagem).
Assim, vale seguir a recomendação de Mara, do IPT: “O consumidor tem que reutilizar o que tiver em casa e procurar fazer a destinação correta do material. Mas não pode deixar que a embalagem fique exposta na natureza”, provocando danos ambientais.
Do Ambiental Sustentável
Na região central de SP, mercado dá sacola biodegradável como cortesia. Em Pirituba, empresário leva as compras de casa em casa sem custo.

Supermercado em São Paulo dá sacolinhas biodegradáveis de graça para os clientes (Foto: Renato Jakitas/G1)
Após um acordo entre supermercadistas determinar o fim das sacolinhas plásticas nas gôndolas das lojas de São Paulo no dia 25 de janeiro, donos de pequenas e médias redes decidiram improvisar para não perder seus clientes. O G1 visitou sete pontos de venda localizados na região central e no bairro de Pirituba nesta terça-feira (31) e observou as estratégias encampadas pelos empresários e gerentes dos setor. Os exemplos vão desde bancar os custos da distribuição de sacolas biodegradáveis para os consumidores até a entrega sem custo das compras de casa em casa – e com o prazo máximo de 40 minutos.
O supermercado Master, localizado dentro do Shopping Frei Caneca, na região central de São Paulo, é um dos que aproveitaram o momento para tentar se diferenciar da concorrência. O mercado tirou da boca dos caixas as sacolinhas plásticas. Mas, no lugar, está distribuindo sem custo uma opção ecológica, feita a partir do bagaço da cana-de-açúcar.
“É uma cortesia para os nossos clientes sem tempo determinado para acabar. Nós abraçamos o acordo de retirar as sacolas plásticas e, no lugar, estamos distribuindo essa, que também é ecológica. Caso o cliente queira, ele também pode comprar a sacola de amido de milho por R$ 0,19, além de nossas opções de ecobags”, afirma Fernanda Ruano, analista de recursos humanos do supermercado Master.
A iniciativa parece ter agradado a clientela. A professora Else Lemos diz que resolveu entrar e fazer compras no mercado só por causa das sacolas grátis. “Eu nem ia comprar nada. Estava passando pelo mercado quando vi as pessoas saindo com essas sacolinhas. Daí decidi entrar e comprar”, conta.
Ao fazer referência aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), a presidenta Dilma Rousseff defendeu ontem (26) a criação de metas de desenvolvimento sustentável durante a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), marcada para junho no Rio de Janeiro.
Ao participar do Fórum Social Temático (FST) 2012, ela avaliou que tais metas devem estar centradas no combate à pobreza e à desigualdade. “Assumimos que é possível crescer e incluir, proteger e conservar”, explicou.
Dilma disse ser uma grande alegria poder voltar a Porto Alegre e lembrou sua participação no Fórum Social Mundial em 2001, quando ainda era secretária de Energia do governo do Rio Grande do Sul. “Desde então, essa cidade transformou-se em referência para todos que buscavam criar uma alternativa ao desequilíbrio da situação econômica e política global. Aqui, se firmou a ideia de que um outro mundo é possível.”
Durante o discurso, a presidenta destacou que muita coisa aconteceu nos últimos 11 anos e que a crise que vinha latente transformou-se em uma crise real desde 2008. Segundo ela, as incertezas financeiras que pairam sobre o futuro mundial dão um significado especial para a Rio+20.
“Deve ser um momento importante de um processo de renovação de ideias, diferentemente das COP [Conferências das Partes]”, disse. “Queremos que a palavra desenvolvimento apareça, de agora em diante, sempre associada à [palavra] sustentável”, completou.
De acordo com Dilma, o que estará em jogo na Rio+20 é um modelo capaz de articular o crescimento e o aumento de empregos, a participação social e a ampliação de direitos, o uso sustentável e a preservação de recursos ambientais. “A tarefa que nos impõe esse fórum e a Rio+20 é desencadear o desenvolvimento, a renovação de ideias e de novos progressos absolutamente necessários para enfrentar os dias difíceis que hoje vive ampla parte da humanidade.”
Por fim, a presidenta avaliou que a sociedade civil e os governos progressistas, cada um em sua dimensão, podem fazer dos primeiros anos do novo milênio o anúncio de uma nova era. Para isso, segundo ela, é decisivo o fortalecimento dos laços de solidariedade e de cooperação Sul-Sul.
“É essa esperança que nos une e nos mobiliza para a Rio+20 e que deve sempre nos guiar na busca de um novo modo de vida, inclusivo e sustentável, sabendo que o papel da sociedade civil será determinante para o êxito da conferência”, disse. “Tenho certeza: um outro mundo é possível. Até o Rio de Janeiro”, concluiu Dilma.
Da Agência Brasil
Intelectuais de esquerda e ambientalistas que participam do Fórum Social Temático fazem previsões de fracasso para a conferência Rio+20, que reunirá líderes mundiais em junho para discutir o futuro do planeta.
O clima de pessimismo dominou ontem o primeiro dia de debates do encontro, em Porto Alegre.
“Do ponto de vista de chefes de Estado, temo que vai ser um fracasso”, afirmou o escritor Frei Betto. “O G8 não está minimamente interessado em fechar compromissos ambientais.”
Os participantes criticaram o documento divulgado pelas Nações Unidas como esboço de resolução a ser votada na conferência.
O empresário Oded Grajew, um dos organizadores do fórum, disse que o texto está “muito abaixo da expectativa” e não prevê ações concretas para reduzir as emissões de gases poluentes.
“Se a sociedade não pressionar, vai acontecer pouca coisa, como tem acontecido nas COPs”, disse, referindo-se às conferências sobre mudanças climáticas.
O ambientalista Tasso Azevedo, ex-diretor do Serviço Florestal Brasileiro, afirmou que o documento será inócuo. “É um texto certinho. Existindo ou não, não fará diferença alguma.”
“O documento já nasceu velho, do século 19. Como está, não leva a nenhuma conclusão. São só conclamações idealistas, sem mostrar a sociedade que queremos”, disse o teólogo Leonardo Boff.
Outros participantes apontaram riscos de os países desenvolvidos usarem o discurso do meio ambiente para bloquear o crescimento de nações emergentes, como Brasil, China e Índia.
“Eles não querem impor metas para si mesmos, só para os emergentes. Não aceitaremos que congelem nosso desenvolvimento por decisão dos países ricos”, afirmou Nilmário Miranda, presidente da Fundação Perseu Abramo, do PT.
Marina
A ex-senadora Marina Silva fez nova cobrança à presidente Dilma Rousseff, que discursa hoje no fórum, para que ela vete as mudanças no Código Florestal aprovadas pelo Congresso.
Ela disse que Dilma se comprometeu a vetar projetos que aumentem o desmatamento quando buscava seu apoio nas eleições de 2010.
“Peço a Deus e ao povo brasileiro que a gente se mobilize para dar sustentabilidade à presidente Dilma para que ela possa honrar isso.”
Do Ambiental Sustentável
Sacolinhas saem de circulação a partir de 25 de janeiro em mercados. Opções mais simples para compras semanais são as bolsas retornáveis.
Consumidores já encontram uma série de opções para substituir as sacolas plásticas tradicionais dos supermercados de São Paulo, que vão deixar de ser fornecidas a partir desta quarta (25). O G1 percorreu supermercados de três redes (Carrefour, Pão de Açúcar e Sonda) e encontrou ao menos oito tipos diferentes de bolsas reutilizáveis – feitas de lona, de algodão, de plástico reciclado de garrafas PET, de tecido TNT e de ráfia (tipo de plástico, também conhecido como polipropileno). Os preços variam de R$ 1,99 a R$ 13,90, dependendo do modelo escolhido.
A orientação dada pela Associação Paulista de Supermercados (APAS) é que as redes ofereçam ao menos um tipo de sacola a preço de custo. Existem também outras opções: carrinhos com bolsas adaptadas, caixas de plástico dobrável, caixas de papelão e as sacolas biodegradáveis (chamadas também de biocompostáveis).
Em todos os supermercados havia caixas de papelão gratuitas à disposição dos clientes, e também sacolas biocompostáveis – vendidas a R$ 0,19, em média.
As opções mais simples para as compras semanais são as bolsas retornáveis, as chamadas ecobags, dizem os consumidores ouvidos pelo G1. “Acho a bolsa [retornável] mais prática porque tem as alças para carregar, você coloca uma em cada mão e já sobe [para casa] com as compras de uma vez. Não ocupa espaço, você sempre pode deixar uma dentro da bolsa”, diz a advogada Luciana do Rosário Pires, de 33 anos, que fazia compras no Pão de Açúcar da Vila Clementino, na Zona Sul de São Paulo. Ela diz ter de oito a dez ecobags em casa.
As ecobags mais baratas são as de ráfia, vendidas a R$ 1,99 no Pão de Açúcar e R$ 2,90 no Carrefour. Já as bolsas feitas do material de garrafa PET têm preço variável entre R$ 5,99 e R$ 6,99 – depende do modelo escolhido e do supermercado. A ecobag mais cara costuma ser a de lona, por ser maior – o preço chega a R$ 13,99.
Outros clientes preferem usar o carrinho com bolsa, que permite levar as compras sem fazer tanto esforço. O produto sai por R$ 49,90 nos mercados Pão de Açúcar e Sonda e R$ 22,90 em um modelo menor. O estudante Caio Narezzi, de 24 anos, levava um carrinho grande que ganhou de presente de aniversário da amiga Ana Carolina Mora, de 23, na hora de fazer compras no Carrefour da Rua Pamplona, na região central de São Paulo. “As sacolinhas de plástico não servem para nada, fazem muita bagunça na minha casa. Eu prefiro o carrinho”, afirma o universitário.
Ambos não revelam o preço do carrinho, mas dizem que custou mais de R$ 70. Eles não dispensaram uma bolsa de pano para carregar o excedente das compras. “A questão ecológica é o principal fator para a gente”, diz Ana Carolina. “Temos pelo menos cinco sacolas de pano e o carrinho.”
Censo vai levantar espécies de plantas em diferentes partes do estado. Foco será na criação de políticas de preservação da cobertura florestal.

Área de Mata Atlântica no estado do RJ. Censo ajudará na criação de políticas de preservação. (Foto: Divulgação/Governo do Rio de Janeiro)
No próximo mês, o governo do Rio de Janeiro deve iniciar o censo da Mata Atlântica, que vai verificar a quantidade e a qualidade das florestas existentes no estado, além de contribuir para formulação de políticas públicas voltadas à preservação ambiental.
O levantamento, que deve durar oito meses, analisará regiões de mata nativa ou reflorestadas do Rio, mapeará as espécies predominantes, os problemas existentes nas áreas preservadas e também vai reunir informações para o Inventário Florestal Nacional, organizado pelo Ministério do Meio Ambiente e que reunirá dados dos biomas do país. O investimento estimado é de R$ 5 milhoes.
De acordo com Alba Simon, superintendente de Biodiversidade e Florestas da Secretaria Estadual do Ambiente (SEA), serão colhidas amostras de 320 pontos do estado para análise do solo e das espécies de plantas existentes.
Também será realizado um inventário de carbono, ou seja, será possível estimar quanto está armazenado de CO2 no solo onde estão as árvores. “De todo o território do estado, 27% é de cobertura florestal. Agora, vamos colocar uma lupa e realizar um retrato real, talvez cruel, da biodiversidade”, afirma Alba.
Pressão econômica
A superintendente cita que as florestas têm sofrido uma forte pressão devido ao desenvolvimento econômico do estado e que há necessidade de criar maneiras de evitar o avanço de licenças de instalação de novos empreendimentos indústriais sobre áreas de preservação.
“Estamos licenciando muitos empreendimentos de alto impacto. Isso significa mais pressão sobre os fragmentos florestais. Precisamos saber a situação da vegetação em áreas, por exemplo, que estão próximas à construção de novos portos ou de complexos petroquímicos”, explica.
De acordo com estudo divulgado em setembro pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), entre 2011 e 2013 o estado vai receber investimentos privados que somarão R$ 181,4 bilhões. O montante dividido por cada quilômetro quadrado do estado (43,7 mil km², segundo o IBGE) equivale a R$ 4 milhões.
Combate a crimes ambientais
De acordo com Alba, as unidades de conservação e parques também serão monitorados. Para isso, imagens de satélite serão analisadas nos próximos seis meses para detectar possíveis infrações.
“Queremos verificar se existe a necessidade de criação de novas áreas de preservação ou mesmo se será preciso modificar as categorias de conservação já existentes”, disse.
Também será realizado um questionário com famílias que moram dentro dessas regiões ou nas proximidades e que utilizam os recursos naturais. “Queremos saber a percepção dessas pessoas em relação à água e à floresta. Elas responderão como as espécies nativas contribuem na renda familiar”, disse Telmo Borges, coordenador do inventário florestal no estado.
Do G1
A presidente Dilma Rousseff prorrogou por quatro meses o decreto que impede a aplicação de multas e sanções a desmatadores e a produtores que não aderirem a programas de regularização ambiental. É a terceira vez que o decreto que anistia os desmatadores é adiado. A última prorrogação foi de seis meses, assinada pela presidente em junho.
Dilma assinou o decreto na última sexta-feira, mas informação foi negada pela Casa Civil e pela Presidência da República. O decreto foi publicado nesta manhã no Diário Oficial da União . Segundo a Casa Civil, a prorrogação prevê “o tempo necessário para a Câmara dos Deputados analisar o projeto do Código Florestal”, em trâmite no Congresso Nacional e já em fase final de apreciação.
No início deste mês, o plenário do Senado aprovou alterações do código florestal, com novas regras para atividades agrícolas e obrigações, assim como novos critérios de recomposição da vegetação devastada. Com as mudanças promovidas pelos senadores – 26 emendas foram acatadas – o texto precisará ser novamente apreciado pela Câmara dos Deputados.
Entre as determinações confirmadas pelos senadores no texto-base está a autorização para ocupação e desmatamento de vegetação nativa em áreas de preservação permanente (APP), com o objetivo de construir estádios de futebol e infraestrutura que garanta condições para o Brasil sediar a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. São APPs, por exemplo, as áreas de mananciais, encostas, manguezais e matas ciliares.
As polêmicas em torno do novo Código Florestal – protestos foram organizados ao longo de todo o debate do texto – podem ser exemplificadas no que os ambientalistas classificam como flexibilização das regras de ocupação das APPs. Além da construção de estádios, incluídos como “atividade de interesse social”, as novas regras para ruralistas e ambientalistas prevêem ainda que, se comparada com a legislação atual, em áreas consolidadas (antes de julho de 2008) com atividades agrícolas ou pastoris, os proprietários terão reduzida à metade sua obrigação de recompor a vegetação devastada.
Se comparada à legislação vigente hoje, o novo Código Florestal ainda protela por mais cinco anos a aplicação da resolução que proíbe crédito agrícola a proprietários que não tenham cadastro ambiental rural e inova ao instituir um cadastro nacional de cada árvore existente no País para a formação do Inventário Florestal Nacional.
Do Terra
A presidenta Dilma Rousseff foi informada este domingo (11/12) pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, do acordo firmado entre os países na Conferência do Clima, em Durban, que permitiu a extensão do Protocolo de Quioto, documento legal que determina cortes na emissão de gases. Além disso, foi firmado um pacto para que todos os países reduzam, futuramente, suas emissões.
Segundo a ministra, a presidenta Dilma, que acompanhou de perto as negociações, demonstrou que está satisfeita com o acordo alcançado em Durban nesta madrugada. Na conversa com a presidenta, a ministra Izabella Teixeira disse que o Brasil teve papel importante na Conferência.
No discurso proferido na última quinta-feira (8), Izabella Teixeira defendeu a extensão do Protocolo de Quioto que considera “o bem maior para assegurar um regime de mudança do clima forte”.
“Países em desenvolvimento já estão contribuindo significativamente para o esforço global contra a mudança do clima, por meio de ações ambiciosas de mitigação, anunciadas nos últimos anos. Estamos determinados a continuar a implementar nossas ações, no contexto do desenvolvimento sustentável e da luta contra a pobreza. O Brasil tem assumido uma posição de vanguarda para promover a redução das emissões de gases de efeito estufa e ao mesmo tempo desenvolver-se com sustentabilidade”, disse a ministra na Conferência.










