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Arquivos para a ‘Literatura’ Categoria

Outubro parecia tão distante.

Foto Valéria Pena-Costa

Foto Valéria Pena-Costa

Mas chegou.

Sensação de que chegou antes do tempo.

Um mês prematuro…

E Setembro nem havia passado.

Outubro veio arrastando uma secura insensata. Não esperou a chuva que deveria tê-lo anunciado com antecedência de um setembro inteiro.

Entrou de supetão. Não fez perguntas nem bateu à porta.

Não se importou com o tempo, em saber se já havia gotas no céu a serem choradas. E porque não foram.

Embarcado num ano que passa correndo, ameaça sair deixando atrás de si uma nuvem gigante de poeira. Flores secas sobre palha quente.

Não se pode tratar assim viventes vulneráveis…

Por que não se senta um pouquinho, não bebe uma água com a gente?

Logo chegará o dia de finados e só poderemos lamentar os dias mortos em aparente imaturidade.

Dias que não fizeram, com a gente, sequer amizade.

Que dirá de compromissos.

(Pare, ano, pare bem aí! Ainda quero conferir umas coisinhas que não podem ficar para trás. Afinal você está me arrastando sem saber se quero ir. O que me lembra uma antiga poesia.)

A FLOR E A FONTE

(Vicente de Carvalho)

“Deixa-me, fonte!” Dizia

A flor, tonta de terror.

E a fonte, sonora e fria

Cantava, levando a flor.
“Deixa-me, deixa-me, fonte!”

Dizia a flor a chorar:

“Eu fui nascida no monte…

”Não me leves para o mar.”
E a fonte, rápida e fria,

Com um sussurro zombador,

Por sobre a areia corria,

Corria levando a flor.
“Ai, balanços do meu galho,

“Balanços do berço meu;

“Ai, claras gotas de orvalho

“Caídas do azul do céu!…”
Chorava a flor, e gemia,

Branca, branca de terror.

E a fonte, sonora e fria,

Rolava, levando a flor.
“Adeus, sombra das ramadas,

“Cantigas do rouxinol;

“Ai, festa das madrugadas,

“Doçuras do pôr-do-sol;
“Carícias das brisas leves

”Que abrem rasgões de luar…

“Fonte, fonte, não me leves,

Não me leves para o mar!”
 
Valéria Pena-Costa

Valéria Pena-Costa

 

 

 

Valéria Pena-Costa, Artista plástica . Mineira em Brasília.

 

Escultura de Mafalda em San Telmo (Ekpy)

Ela é baixinha, tem os cabelos curtos e pretos e sempre tem uma crítica na ponta da língua quando o assunto é violência ou guerra. Rejeita a destruição do meio ambiente, a falta de sensibilidade dos governantes e a injustiça social. Isso tudo com apenas 6 anos!

Mafalda, nasceu dia 29 de setembro de 1964, em Buenos Aires, pelas mãos do cartunista Quino. Completando 50 anos hoje (29), a personagem continua viva e atual em todo o mundo. Suas tirinhas foram traduzidas em vinte línguas e, apesar de terem durado menos de uma década (Quino decidiu parar de desenhá-la em 1973), colecina velhos e novos fãs.

Para comemorar a data, serão inauguradas, em San Telmo, as estátuas de dois amiguinhos da personagem: Susanita e Manolito. A própria Mafalda já tem seu monumento no local. Ao longo de todo o ano, a garotinha e seu criador, Quino, foram homenageados na Espanha, na França e em países da América Latina. Em entrevista em abril passado, na inauguração da Feira do Livro em Buenos Aires, Quino revelou que se surpreende com o sucesso de seu personagem até hoje: “Fico surpreso quando vejo como temas que abordei há 50 anos permanecem atuais. Até parece que desenhei a tira hoje. Deve ser porque o mundo continua cometendo os mesmos erros”.

Frases como “Parem o mundo, que eu quero descer” e “o que há de errado com a família humana que todos querem ser o pai?” definem a perspicácia da cinquentenária Mafalda.

 Da EBC

Livro KALAHARI do poeta português Luis Serguilha

Livro KALAHARI do poeta português Luis Serguilha

Será lançado no próximo dia 19 de agosto o livro KALAHARI do poeta português Luis Serguilha.

O evento ocorrerá na Livraria Cultura do Shopping Iguatemi no Lago Norte às 19 horas com uma conversa sobre o trabalho do poeta. O debate será com os convidados professor e poeta Antonio Miranda, a poeta e professora Sylvia Cyntrão e o público presente.

Poeta irreverente, inquieto,criador em toda a amplitude do termo, traz um sopro novo à poesia lusa. É impossível rotular seu fazer poético, engavetá-lo numa ou noutra corrente. Serguilha é caso isolado no panorama mais geral da literatura portuguesa do século XXI

Maiores informações entrar em contato com Mônica Lucena

(61) 95591694.

Imagem - Valéria Pena - Costa

Imagem – Valéria Pena – Costa

É ‘Agosto’,

Resto de inverno nos ‘Sertões’.

Cai a tarde e vai chegando ‘A hora da estrela’.

Plantas vivem suas ‘Vidas secas’, próprias da estação.

Ainda à ‘Margem da história’ da primavera que se prenuncia,

Sonham com o momento da ‘Ressurreição’.

Aqui nesse jardim, agora triste,

Nem ‘A linguagem dos pássaros’ encontra eco. Silêncio.

Alguns meses ‘Tantos anos’ de abandono lhe parecem…

É como se estivesse mesmo imerso em uns ‘Cem anos de solidão’,

Sem ‘A mão e a luva’ de um atento jardineiro a lhe afagar a terra,

A lhe trazer, como adubo, punhados de ‘Contos na palma da mão’.

Ninguém soube sequer ‘O nome da rosa’ que aqui floresceu…

Não lhe cortejou um beija-flor a beijar-lhe a boca,

Ninguém lhe deu sequer ‘O espelho’

Que lhe provasse a parte que lhe cabe na ‘A história da beleza’.

Onde esteve seu ‘Pequeno Príncipe’ alado?

Foi-se a florada da rosa, mantida na ‘Inocência’, perdida na incerteza…

Foi embora pra ‘Terras do sem fim’…

‘O tempo e o vento’ trazem,

‘O tempo e o vento’ levam,

‘O tempo e o vento’ são inclementes.

Mas assim como varreram as pétalas secas,

Fizeram pousar aqui suas sementes.

Valéria Pena-Costa

Valéria Pena-Costa

 

 

 

Valéria Pena-Costa, Artista plástica . Mineira em Brasília.

 

 

 

Foto Valéria Pena-Costa

Foto Valéria Pena-Costa

Ainda tenho a falar de Cartagena, lugar generoso em histórias e inspiração, mas, ao voltar, criei uma pequena esquina no caminho e um breve assunto surgiu num passeio saudosista pelo centro de São Paulo, com direito a um guia amoroso e narrativas pitorescas.

Alguns poderiam chamar nosso trajeto de ‘clichê’ ou coisa assim, já que caminhamos por pontos como a Praça da Republica, o Largo do Paissandú e a Av. Ipiranga (com avenida São João). Claro que mais clichê que citar Caetano, impossível, mas não resisto. Aliás já se tornou um cacoete meu cantarolar Sampa ao passar por ali. E, claro, me peguei com um assobio embutido, louco para ser transformado em canto, mas que engoli – o que o prolongou perseverantemente no meu cérebro a ponto de ritmar meus passos por intermináveis instantes. Iniciamos pela tradicional Xavier Toledo, passamos pelo teatro Municipal, descemos à Praça Ramos de Azevedo, também conhecida como a praça dos gatos. Para minha decepção, um único representante apareceu ao longe. Diante da bela Fonte dos Desejos não pude evitar a imagem de Anita Ekberg deliciando a vista dos inúmeros transeuntes com um banho dirigido por Fellini. Chegamos à igreja Nossa Senhora do Rosário no Largo do Paissandu, o que pra mim foi o ponto alto do trajeto. Não tanto pela minha já conhecida devoção, mas pelos detalhes que dali extraí. O singelo templo é hiper adornado, dando a impressão de que mãos e olhares ansiosos por agradar à padroeira local juntaram ali, com o andar do tempo, um considerável grupo de elementos vistosos e de santos de comprovada influência na esfera celeste. De algumas imagens confesso ter sentido um quase medo, tão feias me pareceram numa grosseira artesania barroca, com cabelos humanos e olhos de vidro nadinha compassivos. Muito mais, sim, assustadores, como aqueles que em nada me lembraram as belas representações de Jesus. Este, especialmente, estava meio desolado num abandono de quaisquer traços da vaidade católica, comum ao apresentar seus ícones. Estava descabelado, na verdade, e nem a roupa fora feita à sua medida. Talvez nem seja assim e tudo seja fruto da minha tendência ao caráter de ‘impressionável’.

Felizmente já havia feito minhas preces à doce Virgem Maria antes de cruzar meu olhar com o olhar vítreo da dramática imagem, senão, certamente teria minha concentração abalada e o poder da minha oração estaria em risco.

À saída da igreja passamos pela bancada de velas, mas para minha divertida surpresa não eram velas que ardem em belas coreografias de chamas delicadas e recatadas, símbolos da transmutação de desejos terrenos em mensagens que se elevam aos céus como emissoras sagradas. Eram lâmpadas. E, pasmem, com funcionamento pago por tempo de serviço. Um papel fixado trazia a tabela de preços do “Velário Ecológico” com tempos predefinidos:

Moedas R$ 0,25
Vela ligada
Por 15 minutos

Moedas R$ 0,50
Vela ligada
Por 30 minutos

Moedas R$ 1,00
Vela ligada
Por 60 minutos

Vela ligada! Achei isso o máximo. Da esquisitice, da incoerência entre o divino e o mercantil. É certo que também vamos pedir coisas nas igrejas (quero dizer, aos santos e a Deus!), dinheiro até, mas pagar taxas por pedidos… e saber que um interruptor de energia elétrica define o tempo da manifestação de fé…

Saímos da igreja e a bela história de sua construção pelos escravos (ou Homens Pretos, como consta em seu nome), ainda que em dissintonia com o prosaico detalhe, não permitiu que meu estado de contemplação fosse maculado (demais). Logo ali fora, porém, o profano era gritante e não pude deixar de fazer paradoxais relações. A praça era o avesso da Igreja. Ao invés das ‘estátuas’ sagradas no contorno interno da nave, postadas à volta da igreja, pontilhando a grade que a circunda, moças em trajes contemporâneos e muito menos pudicos prestavam-se a outro tipo de devoção. Pusessem-lhes túnicas longas de cores celestiais, retirassem as gritantes cores dos traços fisionômicos retintos pela pesada maquiagem, seriam belas imagens de santas. Madalenas.

E agora, se pareço pecar, perdoe-me aquele que é o Senhor da verdade, mas imediatamente me veio à lembrança a tal da tabela de preços dos minutos de uso do calor da chama.

Melhor e mais poético teria sido ver velas de cera que derretem ao fogo, trazidas pelas mãos crentes que oferecem e pedem com o mesmo ardor as benesses divinas. Já as moças, ficariam ainda mais bonitas como ninfas na Fonte dos Desejos, pois voluptuosas e sensuais como Anita Ekberg, quase todas eram. E Fellini certamente se comprazeria a observar lá do céu. Se é que se encontre lá.

(Penso que sim).

Valéria Pena-Costa

Valéria Pena-Costa

Valéria Pena-Costa, Artista plástica . Mineira em Brasília.

Vestido

Vestido

Eu voltei. Como o boêmio que volta cansado, eu também voltei cansada. Parece até que viajei a pé. E voltei como o filho pródigo que atravessa o mundo pelo retorno a si mesmo. Deixei lá fora as roupas sujas de excessos que se desmancharam no sereno sob aquela linda lua cheia.

Nesse mundo de aventuras emocionais por onde andei, vi sacudidos todos os meus sentidos e em algum momento me vi cega. Vi. E voltei do escuro como Jonas volta do ventre da baleia. E voltei a ver como Tobias tira dos olhos as escamas que lhe cegavam.

Esse mundo de aventuras com suas contradições costuma ser cruel. Ele dá mas não entrega. Já eu, a ele entreguei mesmo o que não prometi. Mas não se trata de um sistema de trocas, não foi permuta o que fizemos. Então me devolvi a mim antes que eu lhe desse tudo e faltasse comigo mesma.

Como Ulisses eu voltei. E me encontrei como Penélope, a tecer e desmanchar para então refazer. Unicamente para não me perder. Teci meu próprio sudário e o desfiei para propiciar a volta. E fui Ariadne a enrolar um novelo com o fio da saída. Mas também fui Teseu que retornou depois de matar o minotauro. Eu o matei.

Eu fui a própria lua que nasce e cresce, diminui e some, mas sempre retorna àquele ponto, ao pé do horizonte, e chega ao topo do céu.

Valéria Pena-Costa

Valéria Pena-Costa

 

Valéria Pena-Costa, Artista plástica . Mineira em Brasília.

Foto Valéria Pena-Costa

Foto Valéria Pena-Costa

Quando sinto que estou precisando me conectar com a serenidade, com o mundo das possibilidades, busco uma leitura sobre o sagrado ou sobre a delicadeza oriental de viver. De ser. São dois caminhos que me apascentam. Imediatamente, ao sentir o primeiro micro sopro de uma folha virada, entro no campo das boas não certezas, da gentil permissão, do simples estar e deixar ser. E, acredite, as possibilidades vêm. Pelo menos por alguns instantes, tempo para que eu me respire novamente. Chegam como pássaros em revoada suave que por aqui permanecerão bicando, minuciosos, os grãos do aromático alpiste reserva que tenho, e que passo a espalhar no chão à minha volta.

Não é incomum eu me sentir recém saída de uma luta, daquelas bem lutadas, vigorosas, que gosto de assistir. Gosto estranho esse, reconheço, principalmente pra quem envolve facilmente um olhar afetivo com um papel de seda e sua transparência frágil. Quem dedica dias a uma renda fina ou compromete o dedo com uma pedra de pequena quilatagem de pura água marinha. É, posso ser aquosa, e também beiro o sangue. Aprecio, por exemplo, um Tarantino, uns goles de vinho tinto encorpado, o sabor marcante da pimenta rosa. Mas isso tem um preço.

Minha sorte é ter garantida, bem ali na estante, uma espécie de poupança em volumes que me falam de coisas outras além do corpo, dos movimentos bruscos, dos pensamentos densos e valores altos em cifrões.

Passadas as primeiras páginas, é como se a poeira de um redemoinho se assentasse e eu pudesse identificar no chão entre folhas ainda verdes, seixos simples de estrada e gravetos finos, a pequena conta de água marinha. Sigo observando, catando o que me interessa, lendo histórias, reparando em possíveis danos. E mais ainda em possíveis restauros. No chão revolvido, assim como entre as páginas do livro, nenhuma diferença faz se a folha arrancada ainda está verde ou já quebradiça de secura. Ali aprendo a silenciar a importância (ou a desimportância) das peças soltas.

O que tenho aqui comigo, no momento, é um pequeno e precioso livro que fala da cerimônia do chá, tradicional no pequeno Japão, nascida na imensidão da China. Não o leio tanto quanto possa parecer, e nem é necessário, pois é daquelas delicadezas marcantes, que se alastram na memória em prazeroso cultivo. É doce entrar, através dele, num aposento sereno de um ritual tão importantemente singelo. E no caminho entre o alpendre de espera e a sala cerimonial leio do autor: “Vamos sonhar com o efêmero, e demoremo-nos um pouquinho mais na formosa tolice das coisas”. De repente isso faz todo o sentido e eu me sinto solta e apta a ser sangue e água. E desejo uma generosa xícara de chá.

Valéria Pena-Costa

Valéria Pena-Costa

 

 

Valéria Pena-Costa, Artista plástica . Mineira em Brasília.

 

 

Nuvem

Ouço um barulho abafado atravessando o céu. São as nuvens digerindo um avião.

As semanas em clima festivo de copa têm engolido meus textos. Não os ouço claramente. Tenho a impressão de que estamos todos dispersos, e ainda mais depois de um feriado.

Climas festivos me picotam como papel a ser jogado de janelas altas de prédios em eventos de rua, confetes em carnaval ou poeira de arrasta-pé. O que sei é que depois do movimento é que minha alma se assenta, aí junto tudo e volto a ser eu, centralizada em mim com vistas para o mundo lá fora. Por enquanto, estou lá fora.

Logo estarei aqui, com pensamento claro como a linha branca deixada pelo avião em dias de céu azul. Espero!

Valéria Pena-Costa

Valéria Pena-Costa

 

 

Valéria Pena-Costa, Artista plástica . Mineira em Brasília.

 

 

Foto Valéria Pena Costa

Foto Valéria Pena Costa

Costumo falar de coisas leves, mas há dias em que, mesmo no inverno, nuvens aparecem. E com sorte, chovem. Vou fazer chover.

Hoje acordei com duas indagações, síntese de ontem: ‘quem disse que é fácil? Mas tinha que ser tão difícil?’ E tento rir. Sai um risinho seco. Realmente preciso fazer chover.

Ontem visitei extremos de emoções. Na primeira parte do dia agradecia à vida por um certo dom avalizado por pessoas que pontuam meu universo. Pequenas (enormes) estrelas. No fim do dia, o danado, inevitavelmente, escureceu (e mesmo com a presença das estrelas, o escuro me assustou).

Eu quis segurar o sol, mas nada pude fazer para retê-lo. Despediu-se lindo. Antes de ir, abraçou o céu inteiro, afagou o telhado e as paredes da minha casa; alisou todo o céu com as pontas dos dedos alaranjados; pintou a cidade, dos pés à cabeça, de laranja, vermelho e azul; atravessou os arcos da ponte; mergulhou no lago; coloriu minha íris e minha pele e se afastou devagar. Lambeu-me antes de ir. Um carinho inesquecível. E se foi. Ele costuma me afagar assim. Ao chegar, ao se retirar. Me encanta quando vem e deixa-me com saudades.

Quando a noite veio, tinha um humor estranho. Assustou-me, ofendeu-me, até, em um curto mas definitivo instante. Eu quis e tentei me reconciliar com ela, tentei celebrar, festejar. Não foi possível. Precisei fazê-la dormir na tentativa de mudar-lhe os ânimos. Adormecemos juntas.

Acordei tarde, depois de numerosas tentativas do dia de me despertar. As nuvens estavam lá e discutiam com o sol. Negociavam a posse do céu. Eu, daqui, até agora, tento fazer chover para dissipá-las todas.

Desenho, escrevo, falo com gente que amo, recrio o formato do dia. Desconsidero o que não merece ser cultivado. Vou me derretendo assim, um tanto melosa, e essa é minha chuva. Tento desconstruir crenças e impressões em busca de reaprender. E de repente me dou conta de que despedidas são bonitas. No drama da partida, talvez para deixar registros inesquecíveis, o que se vai tenta mostrar o melhor de si. Como o canto do cisne. A oração da extrema unção. Os finais tornam-se bem-vindos. Que sejam pequenos finais como espaços para recomeços. Podas de estações que propiciam reflorescências pródigas (numa mesma planta). Ontem se foi. (Ufa!) Ficam-me os amores e somente o que merece ser mantido na razão e no coração, que hoje em dia já não se dispõem a oferecer abrigo incondicional. Aliviada, já posso me declarar refeita. E reitero também a gratidão. Aquela mesma de ontem. O dia já passou do meio, já me reconciliei com quem amo e refaço planos com reformas imprescindíveis. Havendo ou não uma saída em ‘gran finale’ do dia e do sol, a noite há de ser doce. E estarei envolta pelo meu amor.

(Chovi)

Valéria Pena-Costa

Valéria Pena-Costa

Valéria Pena-Costa, Artista plástica . Mineira em Brasília.

SVB – Sociedade Vegetariana Brasileira promove palestra com Melanie Joy, psicóloga e autora do livro “Porque amamos cachorros, comemos porcos e vestimos vacas? Uma Introdução ao Carnismo”. A palestra acontece na UnB, na próxima quarta-feira, dia 04/06 às 19h00, e conta com o apoio do Grupo Ética + Animais e do Veganize! + ProAnima.
Entrada franca e tradução simultânea.

Foto Reprodução

A palestra da professora Melanie Joy acontece na próxima quarta-feira, dia 04/06, às 19h, na UnB, seguida de sessão de autógrafos e degustação de comida vegana (livre de ingredientes de origem animal). A apresentação tem por tema o carnismo, sistema de crenças que torna os animais invisíveis de forma a sustentar seu consumo sem que as pessoas racionalizem o porquê. O conceito, que foi cunhado pela pesquisadora e ativista, é explorado em seu livro de 2010, sendo lançado agora no Brasil pela Editora Pensamento. “Desvendar o carnismo pode nos tornar cidadãos mais empoderados e testemunhas sociais mais ativas, qualquer que seja a nossa opção alimentar”, afirma Joy.

Melanie Joy, Ph.D., Ed.M, formou-se em Psicologia na Harvard University e atualmente é professora na Universidade de Massachusetts, Boston, onde leciona cursos nos quais examina racismo, heterossexismo, gênero, violência doméstica e trauma psicológico. A Drª Joy é uma antiga defensora dos animais e da justiça social e ambiental. Seu trabalho recebeu aclamação crítica internacional e ela já foi entrevistada para diversas revistas, livros e programas de rádio de canais como a BBC, NPR, PBS, e ABC Austrália. Também escreveu o livro Strategic Action for Animals, sem tradução para o português.

No evento haverá venda de livros, sessão de autógrafos e degustação de comidas e bebidas veganas (100% livres de ingredientes de origem animal).

Dia: Quarta-feira, 04 de junho de 2014 Hora: 19h00
Onde: Universidade de Brasília Local: Auditório 4 do Instituto de Biologia
Campus Universitário Darcy Ribeiro, Asa Norte
Entrada: Franca
Realização: Sociedade Vegetariana Brasileira e Editora Pensamento
Apoio: Grupo de Pesquisa UnB Ética + Animais e Veganize!/ProAnima
Mais informações | Simone Lima: (61) 81548026 sgdelima@gmail.com
 
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