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"Ajudando as mulheres a liderar, vencer, governar." ✫Desde 2009✫

Arquivos para a ‘Literatura’ Categoria

IX

Choro

Choro

Foi por meia-hora, acho. Não mais do que quarenta minutos, isso eu tenho certeza. Entre o trajeto do trabalho e o carro. Ali, bem no meio do estacionamento. Horário de rush. Já havia escurecido. Os carros enfileiravam-se e as pessoas buzinavam.

Larguei tudo o que carregava no chão. Sentei no meio-fio e me dispus a chorar. Alminhas apressadas evitavam olhar. As coisas esparramadas no chão. Não tive forças para recolher de imediato. Toda a energia concentrada no ato de chorar.

Li em uma pesquisa, não sei se confiável ou não, que é feliz quem despende toda a sua atenção naquilo que faz, enquanto o faz. Acreditei. E por trinta minutos da minha vida me concentrei em chorar.

Choro de raiva, desânimo, tristeza, manha, infelicidade. Choro de tudo. De agruras próprias e humanitárias. Choro doído, sofrido, de mágoa e desesperança.

Duas doses e meia de sofrimento real resultando em choro cowboy. Natural, sem firulas nem três pedrinhas de gelo pra diluir. Choro puro!

Enfim, recolhi os pertences no chão, enfiei tudo no porta-malas e tomei o rumo de casa. No meio do engarrafamento, uma lágrima desavisada insistiu em cair. Contive-a sem dó. Afinal, é mais feliz quem presta atenção no que faz e o momento era de dirigir.

Carolina Vianna

 

Carolina Vianna é fotógrafa, poderosa e escreve para o Mulheres no Poder

Rosiska Darcy de Oliveira

Rosiska Darcy de Oliveira

A escritora Rosiska Darcy de Oliveira é a nova ocupante da cadeira 10 da Academia Brasileira de Letras (ABL), deixada vaga com a morte, em dezembro do ano passado, do poeta alagoano Ledo Ivo. Ela foi eleita na tarde de hoje (11) com 23 votos, contra 6 dados ao poeta Antônio Cícero, 5 ao também poeta Marcus Accioly e 4 à historiadora Mary del Priore. Dos 38 acadêmicos, 26 votaram na sessão plenária e 12 por carta.

“A academia está muito contente com a eleição de Rosiska Darcy de Oliveira e se sente enriquecida com o aumento de seu naipe feminino”, disse o secretário-geral entidade, Geraldo Holanda Cavalcanti, que presidiu a sessão, substituindo a presidenta da Casa, Ana Maria Machado, ausente por motivos particulares. Além da presidenta e da agora eleita Rosiska, mais três mulheres integram a ABL, as escritoras Nélida Piñon e Lygia Fagundes Telles e a professora de literatura Cleonice Berardinelli.

Jornalista, escritora, ensaísta e conferencista, Rosiska Darcy de Oliveira, formada em direito pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro, esteve exilada durante a ditadura militar. Na Suíça, tornou-se doutora em educação e lecionou durante dez anos na Universidade de Genebra, na Suíça.

De volta ao Brasil, fundou o Instituto de Ação Cultural (Idac) e foi assessora especial do professor Darcy Ribeiro, na época vice-governador do Rio de Janeiro. No governo federal, presidiu o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher e foi embaixadora do Brasil na Comissão Interamericana de Mulheres da Organização dos Estados Americanos (OEA). É consultora de organismos internacionais e membro do Painel Mundial sobre Democracia da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

A questão feminina é o tema dos dois primeiros livros de Rosiska – Le féminin ambigu e La culture des femmes – publicados na Europa, e também de Elogio da diferença, lançado no Brasil e nos Estados Unidos. Colunista dos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo, publicou outros quatro livros que reúnem suas crônicas A dama do unicórnio, Outono de ouro e sangue, A natureza do escorpião e Chão de terra.

Dedicada à questão da cidadania, a recém-eleita acadêmica preside a organização não governamental Rio como Vamos, que tem como objetivo monitorar a gestão municipal da cidade do Rio de Janeiro.

Ao todo, 15 candidatos concorreram à cadeira 10, uma das duas em aberto na Academia. A outra era ocupada pelo jornalista e escritor paulista João de Scantimburgo, que morreu no dia 22 de março. As inscrições para esta segunda vaga ainda estão abertas e um dos candidatos é o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso.

Da Agência Brasil
Clarice Linspector

Clarice Linspector

A primeira tradução para o inglês de Um Sopro de Vida (A Breath of Life), o último romance de Clarice Lispector, por Johnny Lorenz, é finalista do Prêmio de Melhor Livro Traduzido nos Estados Unidos, na categoria Ficção. O anúncio dos dez finalistas, escolhidos entre os 25 nomeados, foi feito hoje (10) pelo centro de investigação literária que criou a premiação, o Three Percent, da Universidade de Rochester, no estado norte-americano de Nova Iorque.

O Prêmio de Melhor Livro Traduzido nos Estados Unidos é atribuído anualmente ao melhor livro traduzido para o inglês, publicado no mercado norte-americano, considerando a qualidade da obra e da tradução. Segundo a organização, a premiação é “uma oportunidade para honrar e distinguir tradutores, editores e outros agentes literários que ajudam a disponibilizar a literatura de outras culturas aos leitores americanos”.

A cerimônia de entrega dos prêmios ocorrerá em Nova Iorque no dia 4 de junho. O autor e o tradutor das obras premiadas nas categorias de Ficção e Poesia receberão um prêmio de US$ 5 mil dólares (cerca de 3.800 euros) cada, atribuído pela Amazon.

Clarice Lispector decidiu ser escritora em 1933, aos 13 anos. Em 1942, publicou sua primeira obra, Perto do Coração Selvagem. Ela escreveu 36 livros, entre os quais A Paixão Segundo G.H, A Vida Íntima de Laura, A Mulher que Matou os Peixes, Laços de Família e A Maçã no Escuro.

Um Sopro de Vida, o último romance de Clarice Lispector, foi editado nos Estados Unidos em 2012 pela New Directions. A escritora brasileira morreu em 1977 aos 57 anos.

Da Agência Brasil
Viaduto Abandonado - Glensk Viaduct, Co Kerry, Irlanda

Viaduto Abandonado – Glensk Viaduct, Co Kerry, Irlanda

Atirou-se do viaduto.

“Adeus”, na sola do sapato esquerdo.

Carolina Vianna

 

 

Carolina Vianna é fotógrafa, poderosa, e escreve para o Mulheresnopoder.

Cinthia Kriemler

A escritora Cinthia Kriemler

Cinthia Kriemler não é uma revelação recente, porém, sua chegada à Academia Brasiliense de Letras e o recente lançamento de um livro de contos trouxe-lhe uma visibilidade que ela está aprendendo a gerenciar, como veremos a seguir na entrevista da jornalista Rejane Xavier.

Siga o blog:palavrasabracadas.blogspot.com

Cinthia Kriemler: quem é você?              

- Uma mulher de 55 anos, profissional de Comunicação, mãe de uma filha única — talhada mesmo para a minha vida — e amante de cachorros. Uma pessoa de extremos, radical e compreensiva, alegre e triste, mas sempre com alguma opinião sobre tudo. E como acredito que opinião é momento, uma visão parcial de um todo momentânea, sou também uma mulher que muda. De opinião, de roupa, de carro, de estilo. Não mudo de amigos. Acrescento um novo se e quando acho que compensa. Existem também uns três ou quatro limites que deixo na conta do imutável. Coisas inegociáveis entre mim e a minha consciência, onde se alternam culpas, desejos, perdões, dúvidas, certezas, reflexões . Odeio pedir desculpas. Mas peço sempre que acho que errei, que extrapolei.

Como você se distribui como profissional, escritora, protetora dos animais…?

- A profissional anda comigo há 35 anos. Somos uma só, quando eu quero. Somos distintas, quando preciso me distanciar de certas tomadas de decisão.

Já a escritora é a persona que mais me serve, veste a minha alma. Amo escrever. É como uma cachacinha de rolha que ora se toma em pequenas doses, ora se vira a garrafa toda. Mas sempre apreciando. Escrevo com o útero. Se eu não rir ou chorar com o que escrevo, não está bom.

Em relação aos animais, acho que se o ser humano pudesse compreender o mecanismo simples de aproximação, proteção e amor que vem deles, seria mais feliz.

Amo cachorros. Gosto de gatos. Respeito e me emociono com bichos de modo geral. Choro e rio com eles. Não ligo pra raça..

Livro Do todo que me cerca

Você é uma ou várias? De onde vêm essas vozes tão diferentes que falam na sua literatura?

- Várias! Sempre! Acho cansativo ser a mesma pessoa todos os dias. Gosto de variar a roupa, ou de me pintar num dia e no outro não; de comer sushi numa quarta-feira e sanduíche no domingo. As duas bebidas que gosto mostram isso: chope e champanha/espumante. Hoje quero vestir uma roupa elegante, preta. Amanhã quero jeans com rasteirinha. Hoje quero sentar no melhor restaurante. Amanhã tomo cerveja num caixote de mercado municipal. Sou essa pessoa inquieta, mutante, que gosta de desafios, é por isso que na literatura falo em vozes bem distintas.

Minha preferência são os contos, porque é exatamente onde posso criar personagens os mais diversos. Um garçom que lê Shakespeare e esconde um mistério. Uma menina que sofreu abusos. Uma mulher com Alzheimer. Algumas vezes me dizem que falo muito de tristeza e solidão; logo eu que vivo rindo. Talvez seja porque nunca deixei de rir que possa falar sobre coisas tão delicadas e sentidas. Mas não tenho certeza. Escrevo o que as circunstâncias me ditam. Ora é humor, ora realismo fantástico, num outro dia um conto de mistério ou crime. Gosto mais, claro, dos que posso expandir reflexões. Mas tomo cuidado com esses, porque são escritos na primeira pessoa e isso pode ser perigoso e irritante para quem lê.

Nas crônicas misturo tudo. Registro o social, os amigos, as tecnologias, as modernidades, bobagens. Mas crônica é muito cotidiana; daqui a um ano não sei se o que escrevi agora vai despertar interesse. Diferentemente dos contos.

E como gosto muito de experimentar, escrevo, ainda, nos gêneros Cartas, Poesia e Infantil. Na poesia, engatinho. Mas tenho gostado de uns poemas que escrevo. Em cartas me sinto em casa. Parece que estou mesmo conversando com a pessoa, mesmo que esse personagem esteja no Séc. XVIII, por exemplo. Já no infantil só arrisco. Embora tenha sido finalista do Prêmio SESC DF Monteiro Lobato, em 2012. Para mim, foi surpresa, porque acredito que tenho a mão de escritora pesada demais para crianças e morro de medo de confundir a cabecinha delas.

Você acha que mudou/ficou diferente depois do sucesso na literatura (os prêmios, a Academia Brasiliense de Letras…)?

- Sucesso é uma palavra forte e perigosa. É coisa, às vezes, de instante. Eu não acho que possa dizer que sou um sucesso como escritora. Já caminhei, já senti o gosto de algumas realizações. Mas ainda tem chão pela frente. Eu fiquei diferente, sim, no sentido de amadurecer. De compreender, por exemplo, no que sou melhor e no que não sou. Mudei na segurança. Antes, achava que nada era bom. Hoje, já me concedo a autoaprovação imediata em algumas coisas.

As pessoas mudaram com você?

- De modo geral, tenho apoio de amigos e leitores que, discutem, trocam ideia. Mas existe uma ou outra que ficou ressentida comigo. Gente que torce o nariz não para a minha obra — porque em relação a isso não haveria problema,— mas que torce o nariz para mim e para o que eu conquistei, tentando me desmerecer, me desqualificar. Mas em sua grande maioria quem me lê é muito gentil e generoso comigo.

Você é vaidosa? O peso é um problema para você?

- Sou muito vaidosa. Mas já fui mais. Gosto de roupas novas, de bijouterias bonitas, de cabelo arrumado. Só que sou muito gorda. E é difícil encontrar coisas que eu goste no meu manequim. Isso me deixa chateada. Não por causa da estética apenas, mas também, e principalmente, pela saúde que começou a se deteriorar em função do peso. Nada letal, mas são coisas que doem, incomodam e me impedem, muitas vezes, de ser a pessoa ativa, empreendedora que já fui um dia.

Você é religiosa? Como você descreveria a sua ética?

- Sou nascida na religião católica. Frequentei colégio de freiras e fui à missa até os 35 anos gosto de alguns santos e adoro Nossa Senhora. Acredito em outro mundo, purgatório, inferno e céu.

Mas quando me divorciei, aos 30 anos, a igreja me disse que eu estava me tornando uma pessoa marcada, eu tive um grande choque. Ontem, a filha amada de Deus que fazia tudo certinho. Hoje, a mulher desregrada que não pode nem mesmo comungar.

Daí para frente comecei a perceber outros defeitos no catolicismo: A perseguição aos homossexuais, a insistência em relegar a mulher ao papel medieval de mãe e esposa, a hipocrisia dos padres pedófilos sendo mantidos longe da mídia e encobertos pelo silêncio da Igreja, as finanças, a ganância e o luxo do Vaticano, a intolerância em relação a outras religiões, a face sempre europeia da Santa Sé. Não fiz disso uma bandeira. Apenas me afastei e descobri que minha crença é na divindade, não nas instituições. No céu no qual eu acredito haverá prostitutas, ateus, muçulmanos, pais de santo, bêbados, drogados.

Ética é gesto cotidiano. É o que a gente é: essência, pensamento, atitude. Não adianta dizer que é honesto, justo, imparcial. São os atos que vão dizer se a gente é tudo isso.

As mulheres da sua vida – avó, mãe, filha, madrinha, amigas – que importância têm para entender você?

As mulheres da minha vida foram determinantes. Venho de uma família mineira de matriarcas — Família grande, lutando com dificuldade, apenas duas das irmãs puderam estudar. No entanto, conversar com cada uma das minhas tias sempre foi um assombro. Filhas de professora e dentista tinham um português de dar inveja, entendiam de qualquer assunto e muito sobre a vida. As que estudaram e as que não. Minha madrinha, por exemplo, Leonor Nunan, a quem dediquei meu segundo livro, além de ser professora foi autodidata em francês e alemão. Ouvia óperas, cozinhava como ninguém e lia autores de todas as correntes. Devo a ela a pessoa crítica, interessada em literatura, em arte que me tornei.

Minha mãe era uma mulher de grande personalidade. Por causa disso, brigamos muitas vezes. Acho que nunca conheci ninguém mais forte e guerreira do que ela. Sempre adiante do seu tempo, me educou, formou, amou e mostrou o caminho. Depois, me disse que era para ir caminhar sozinha e tropeçar e cair e levantar. Faço assim até hoje.

Hoje, minha filha única e eu temos uma relação muito parecida: brigamos, conversamos, eu ensino, ela me ensina, nos amamos. Eu gosto que ela se oponha a mim, que pense sozinha. Somos muito amigas, mas antes e acima de tudo, somos mãe e filha.

E quem foi/quem foram os homens importantes na sua vida?

- Meu pai, com certeza, embora de uma maneira diferente. Ele não era a figura tradicional de pai, a quem se tem que pedir permissão para tudo. Era o que me levava para o clube, para o cinema. Nunca julgava se minha saia estava muito curta ou se eu usava biquíni pequeno. Com ele aprendi coisas que só mais tarde percebi. Hábitos que cultivei como ele. O box é um deles! Eu voltava da rua aos sábados e o encontrava assistindo box na TV. Ele então me convidava para uma última cervejinha e aquilo era um ritual.

Meu padrinho, casado com a irmã mais velha de mamãe, foi outro homem importante na minha vida. Foi a figura mais doce e amiga que tive até o final da adolescência.

No mais, não conheci meu avô materno nem o paterno. E não tive na vida nenhum outro homem que me marcasse. Como disse antes, meus exemplos de vida são em sua grande maioria femininos.

Você tem medo de alguma coisa?

- De algumas. Da morte, com certeza. Como acredito em outra vida e acho que sou muito errada, morro de medo de morrer e ter que ir conversar com o dono do andar de cima.

Tenho medo de cobra, de rato, de ser enterrada viva (verifiquem bem, por favor, se eu morri mesmo, gente!).

Mas meu maior medo é de andar de avião. Falo dois idiomas com fluência e um outro razoavelmente, fora o português, e não viajo para o mundo todo porque tenho pânico de avião. Pode? Se for de extrema necessidade, me controlo, bebo, mordo a boca, cravo as unhas na mão e viajo. Mas já perdi cursos, festas e outras coisas por causa disso.

Há muitos anos, ouvi de uma psicóloga: “Quem é maior, o criador ou a criatura?”. Assim que lhe dei a resposta óbvia, ela me disse: “Se o criador é sempre maior que a criatura, você é maior que o seu medo”.

Fora isso,tenho medo de gente invejosa, de gente que maltrata idosos, crianças e animais. De gente que tem prazer em humilhar o outro como forma de exercer poder. De gente que suga, mas não dá. De gente que se acha superior aos outros porque tem mais estudo, mais dinheiro, mais sorte.

Mas o medo não me acovarda. Só me inquieta.

Uma coisa que deixa você furiosa:

- Não podem ser duas? Humilhação e maus-tratos.

Uma coisa que deixa você feliz:

- Quando alguém elogia um texto literário meu.

?

Eu acordei, não tem ninguém ao lado…

Não tem ninguém que segure minha mão quando tenho medo. Não tem ninguém que me abrace quando tenho pesadelos. Ninguém dorme de conchinha nem leva café da manhã na cama.

Não. Ninguém!

Não tem ninguém que corra atrás de mim na praia. Não tem ninguém que faça massagem nos meus pés. Ninguém me olha nos olhos e se sente feliz só por eu existir.

Ninguém!

Ninguém assopra e diz que vai passar. Porque ninguém cuida de mim quando estou doente. Ninguém sabe quando sofro. Ninguém, mas ninguém mesmo vê as minhas lágrimas.

Há até quem acredite que elas não existam.

Alguém!

E nesse vai e vem, eu vou. Vou por aí doendo, sofrendo, chorando, sorrindo, curtindo, rindo e todas as rimas pobres que possam imaginar.

Vibro. Sonho. Vivo. Acredito. Renasço. Acordo.

Sem ninguém ao lado….

Carolina Vianna

 

 

Carolina Vianna é fotógrafa, poderosa, e escreve para o Mulheresnopoder.

Para a atriz, temor da idade é causado por falta de informação

Para a atriz, temor da idade é causado por falta de informação

Passar dos 50 anos é muito bom, avisou a atriz norte-americana Jane Fonda que completa 75 em 21 de dezembro. Vestindo um terno branco impecável e poucas joias, ela deu o recado aos mais jovens: “não tenham medo de envelhecer”. O segredo, segundo ela, é não perder a curiosidade. “A gente não pode perder o brilho nos olhos e o interesse em descobrir tudo. É aí que está o prazer de viver”, disse Jane, que aconselha as pessoas a se exercitarem sempre e, principalmente, zelar pela qualidade dos alimentos que consome.

A atriz está no Brasil para promover o livro O melhor momento: aproveitando ao máximo toda a sua vida, recém-lançado pela editora Paralela, e também participar do VII Fórum da Longevidade, realizado ontem pela Bradesco Seguros, em São Paulo. “É difícil para os jovens se imaginarem mais velhos, então eu precisava contar isso a eles. Muitos têm medo de envelhecer. A minha experiência é que, após os 50, a vida fica melhor. As pessoas se tornam mais sábias e menos estressadas”, afirmou a estrela norte-americana em uma entrevista a jornalistas brasileiros.

Jane contou que adora viajar e não revelou quanto gasta para se manter linda e em forma. “Jamais vão saber”, disse com uma gargalhada. Ela admitiu ter feito plásticas, sem exageros. “Eu não sou hipócrita. É claro que eu fiz algumas cirurgias. Retirei a bolsa embaixo dos olhos e a papada, mas eu não gosto de colocar algo que não é do meu corpo, como algumas mulheres fazem nos lábios e no rosto. Fica ridículo”, disse a vencedora de dois Oscars pela atuação nos filmes Klute (1971) e Amargo regresso (1978).

Do Correio Braziliense

O escritor Mia Couto está lançando seu 12º livro pela editora Companhia das Letras

O escritor Mia Couto está lançando seu 12º livro pela editora Companhia das Letras

O moçambicano Mia Couto está no Brasil para lançar seu 12º livro pela editora Companhia das Letras, “A Confissão da Leoa”. Vencedor do prêmio Vergílio Ferreira em 1999 pelo conjunto de sua obra e, em 2007, do prêmio União Latina de Literaturas Românicas, o escritor escolheu, desta vez, transformar a experiência real que teve durante uma expedição para estudos ambientais em romance. Ao viajar para o norte de Moçambique em 2008, Mia presenciou ataques violentos de leões a pessoas, principalmente mulheres.

Em “A Confissão da Leoa”, após a morte de sua irmã Silência, Mariamar tem suas próprias teorias sobre a origem e a natureza dos ataques das feras. Ao UOL, o escritor conta que quis retratar no livro a condição histórica e social das mulheres rurais de Moçambique. “Há muito que estão sendo devoradas por um sistema de patriarcado que as condena a uma situação marginal e de insuportável submissão”, afirma.

UOL - O que o inspirou a escrever o livro “A Confissão da Leoa” foram mesmo os ataques de leões em Moçambique? Você chegou a presenciar algum desses ataques?

Mia Couto - Sim, foram fatos reais e vividos por mim. Eu estava numa pequena aldeia do litoral norte de Moçambique, quando ainda trabalhava como biólogo, e, certa noite, me chamaram porque havia um homem morto no caminho. Era a primeira vítima dos leões. Nos dias seguintes seguiram-se outros ataques, sempre mortais. E as vítimas eram sempre mulheres. Vinte e cinco mulheres foram devoradas num espaço de quatro meses. A violência dessa experiência marcou-me para sempre. Mas eu quero fazer aqui um aviso sobre o livro: não se trata de um relato que procura verossimilhança, uma história de bichos e caçadas. O que quis foi incorporar uma dessas mulheres e contar a história da sua condição histórica e social. As mulheres rurais de Moçambique há muito que estão sendo devoradas por um sistema de patriarcado que as condena a uma situação marginal e de insuportável submissão.

UOL - Qual a relação de “A Confissão da Leoa” com suas obras anteriores, além de Moçambique como cenário?

Mia Couto - Os livros não pretendem ter relações com outros livros. Querem ser únicos, mesmo que não sejam capazes dessa autonomia. Eu acredito que adotei, nesta obra, um estilo mais liberto da recriação de linguagem. Mantenho a poesia como o meu caminho. Mas pretendo uma fluência narrativa mais solta. Creio que continuo escrevendo sobre aqueles a quem a vida atirou para a margem. No caso de Moçambique as mulheres rurais são vistas como entidades marginais, sem voz, sem outra história senão aquela a quem os homens lhes emprestam.

Capa do livro "A Confissão da Leoa"

Capa do livro “A Confissão da Leoa”

UOL – Como é o seu processo criativo? Como nascem seus personagens?

Mia Couto - De forma caótica, como a própria vida. Eu acho que a criação não é nunca um método, mas uma sintonia, um modo de nos acertarmos com a intimidade dos outros seres. As minhas personagens surgem porque escuto nos outros não a história que eles contam mas aquele que eu imagino que esses relatos ocultam. Talvez seja pretensão minha.

UOL - Qual é a importância das lendas e dos mitos na sua literatura?

Mia Couto - Pode existir a ideia que sendo da África estarei mais propenso a beber dessas lendas. Eu acho que não sou mais ou menos permeável a um imaginário que percorre todos os países do mundo, todas as culturas e civilizações. O que pode suceder é que a África assume mais essa outra racionalidade, não sente que a deve esconder. Mas todos os outros continentes produzem e reproduzem mitos, tradições e expressões da oralidade que alimentam a literatura porque nos sugerem que podem haver leituras diversas de um mundo que, apesar da aparência, é bem plural.

UOL - O que você gosta de ler? Há escritores brasileiros que você sente ter influenciado sua obra?

Mia Couto - Sou um leitor pouco disciplinado. Leio compulsivamente poesia. Há escritores brasileiros que me marcaram imensamente. Quase todos, do lado da poesia. Se tenho que nomear: Drummond, João Cabral, Manoel de Barros, Adélia Prado, Hilda Hilst. E é claro, mais do que todos, João Guimarães Rosa, sobretudo pela poesia que mora na sua prosa.

Serviço:

Lançamento do livro “A Confissão da Leoa”
Quando: terça-feira (6)
19h30 – Bate-papo entre Mona Dorf e Mia Couto no Cine Livraria Cultura
20h30 – Sessão de autógrafos na Loja Companhia das Letras por Livraria Cultura
Onde: Av. Paulista, 2073 – Conjunto Nacional – São Paulo – SP
 
Do UOL

Obrigação ou merecimento?

Num domingo qualquer, fui almoçar na casa de uma amiga. Aliás, minto, convidei-me à casa de uma conhecida. Tipo a amiga do primo da namorada do amigo, entende? Ela é inteligente, bem relacionada e, extremamente, divertida. Eu simplesmente não podia perder a chance.

A conversa estava pra lá de animada. Copos espalhados pela mesa e as pessoas terminando de comer. Tentava, sem muito sucesso, me imiscuir nos assuntos. Particularmente, acho um luxo gente que – levemente alcoolizada – consegue inserir “coaduna” no meio de uma frase. Eufemismo, sim, mas só para os queridos.

Papo-cabeça. Filosofia. Existencialismo. Novos males do século. Ou o velho Mal no novo século. Sexo. Amor. Depressão. Comportamento. Tudo ao mesmo tempo. Com e sem direção. Se não fosse um bando de intelectuais, poderia chamar de balbúrdia.

Lá pelas tantas, uma das convidadas lança uma pergunta: Ereção é obrigação ou merecimento?

Empate. Dois prá lá, dois pra cá. A provocadora aguardou a polêmica para, então, defender seu ponto de vista.

Merecimento! Merecimento, sim. Afinal, não é justo que o homem tenha um trabalho de horas e horas em preliminares para deixar a parceira no clima e seja obrigado a chegar pronto.

Pior ainda se for a primeira vez. Não precisa nem ser A Primeira Vez. Uma experiência inicial com a mocinha já serve. Em fração de segundos a racionalidade vai pro espaço e leva junto a você-sabe-o-quê.

O coitado tem de dar conta de deixar a digníssima à vontade e com vontade, conseguir a famigerada ereção e garantir a performance. Corre o risco, também, de se tornar o alvo de chacotas da turma no dia seguinte. É preciso apenas um deslize.

Por outro lado, alguém contrapôs, a mulher também chega pronta. Pode ser que não esteja pronta imediatamente para o ato, mas se esforçou aos montes até chegar na cama.

Se esforçou? Indagaram.

- Claro que sim! É preciso muito empenho para ficar linda e, sobretudo, sentir-se linda.

A mulher quando vê uma possibilidade, mesmo remota, do encontro ter um Grand Finale já começa a preparação dias antes.

Faz depilação, sobrancelhas, unhas, compra roupa nova, discute a ideia com o terapeuta, faz acupuntura para reduzir a ansiedade, liga para as amigas, lê revistas femininas com dicas quentes de sexo.

E mais. Escolhe lingerie sexy, experimenta em casa, inventa poses na frente do espelho. Faz tudo isso sabendo que as minúsculas peças não vão durar mais do que dois minutos no corpo.

Portanto, ereção, meu bem, é obrigação!

Daí pra frente virou algazarra. O academicismo deu lugar às experiências pessoais. Atropelos, acertos e risadas. O assunto ficou sem conclusão, mas rendeu uma das tardes mais divertidas que tive até hoje.

E você… o que acha?

Carolina Vianna

 

 Carolina Vianna é fotógrafa, Poderosa e escreve para o Mulheres no Poder.

Capa - Nova História das Mulheres no Brasil

Afinal, o que querem as mulheres? O que já conquistaram ao longo do século XX e início do século XXI? Que caminhos deverão seguir daqui para frente Essas são algumas das questões que as autoras – especialistas em diferentes áreas do conhecimento – respondem neste livro. Organizado pelas historiadoras Joana Maria Pedro e Carla Pinsky, Nova História das Mulheres no Brasil traz vinte e um capítulos, escritos por mulheres de diversos estados do Brasil, abordando o universo feminino através de temas como trabalho, família, educação, imigração, violência, direito, entre

outros.
Assuntos ainda hoje pouco estudados – como mulheres negras, indígenas, idosas – sāo impulsionados por conjunturas favoráveis e inéditas. Partindo de questões dos séculos XX e XXI, esta obra recorre, em alguns capítulos, ao XIX, para colocar os temas mais recentes em uma perspectiva histórica. Assim, as autoras desta obra enfrentaram, com sucesso, a difícil tarefa de compor, em conjunto, um panorama inédito e instigante sobre a história das mulheres no Brasil.
Trata-se de uma obra abrangente e atualizada sobre o assunto, destinada, além de tudo, a homens e mulheres que acreditam que compreender as relações sociais por meio da História contribui para melhorar o entendimento entre as pessoas.

 

Carla Bassanezi Pinsky

 

 

Carla Bassanezi Pinsky é historiadora, mestre em História Social pela USP, e doutora em Ciências Sociais – área de Família e Gênero, pela Unicamp. É autora e coautora de várias obras, entre elas Virando as páginas, revendo as mulheres, História das mulheres no Brasil e História da cidadania

Joana Maria Pedro

Joana Maria Pedro é doutora em História Social pela Universidade de São Paulo (USP). Fez mestrado na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), onde é professora do Departamento de História.

 

Nota do Mulheresnopoder: Estamos Preparando uma surpresa especial para que voçê tenha acesso a esse super livro! Aguarde!