"Ajudando as mulheres a liderar, vencer, governar." ✫Desde 2009✫

Arquivos para a ‘Literatura’ Categoria

"Le Voyage dans La Lune" Georeges Melies, 1902

Batata sabor estrogonofe, viagem turística para a Lua, chip subcutâneo com identidade e cartão de crédito integrados, arquipélagos artificiais, órgãos desenvolvidos em laboratório, amor virtual, sexo online, máquinas de prazer, pílulas para ser feliz, alimentos transgênicos, seleção de características genéticas para a prole. E por aí vai.

O futuro me assusta!

Isolados pela Globalização!

(Igreja Evangélica – Comunidade do Amor)

Não sei o nome da vizinha que mora ao lado, mas mando cartão pra filha do meu amigo virtual que mora na Alemanha e eu nunca vi. Quase não visito minha família, mas curto tudo o que eles dizem no facebook. Odeio dar satisfações, mas digo o que estou fazendo de hora em hora no twitter.

O futuro me distancia!

Nostalgia (sf.)
1. Tristeza e melancolia por sentir saudades da pátria.
2. Saudades de algo relacionado ao passado.
3. Estado de tristeza sem motivo certo.
[F.: Do fr. nostalgie.]

O mundo muda, mas o sentimento gregário do ser humano é atávico. Está impresso em nosso código. Nada é tão estranho quanto a sensação de vazio que essas novas formas de relações sociais nos trazem. Adaptamo-nos a diferentes situações sem grandes dramas, mas o vazio apavora. Somos resilientes. Podemos nos acostumar com o novo. Mas com o isolamento? Nunca! Nós precisamos de gente!

Tá louco o mundo? Por que tudo junto se escreve separado e separado se escreve tudo junto?

(autor desconhecido)

Conectados o tempo inteiro. Sem descanso. Rodeados por milhões de pessoas. Sem amigos. Compartilhando tristezas, alegrias e muito mais informações do que deveríamos.

E continuamos sós.

Eu estou com medo do futuro!

Carolina Vianna

 

 

Carolina Vianna é fotógrafa, Poderosa e escreve para o Mulheres no Poder.

Wislawa Szymborska

Morreu hoje, tinha 88 anos, a poeta polaca, Wislawa Szymborska, nobel da literatura em 1996. Fico aqui com o céu que ela deixou (tradução para português do Brasil) Procurem-na lá. Ela deixa os sinais

Céu

Era preciso comecar daí: céu.
Janela sem encosto, sem moldura, sem vidraça.
Abertura e nada mais, porém muito bem aberta.
Não preciso aguardar a noite amena:
nem levantar a cabeça
para perscrutar o céu.
Tenho céu atrás de mim, sob as mãos
e debaixo das pálpebras.
Estou enredada de céu
e isto me exalta.
Nem as montanhas mais altas
Estão mais próximas do céu
que os vales mais profundos.
Nao há mais céu num lugar
do que em outro.
A nuvem está atada ao céu
indiferente como o túmulo.
A toupeira é tão feliz
quanto a coruja que abre as asas.
O objeto que cai no precipício
cai do céu no céu.
Partes poeirentas, léquidas, montanhosas,
passageiras e queimadas do céu, migalhas do céu,
brisas de céu e montes.
O céu é onipresente
até nas trevas sob a pele.
Devoro o céu, rejeito o céu.
Estou com armadilhas na armadilha,
com o habitante instalado,
com o abraço abraçado,
com a pergunta presente na resposta.
A divisão entre céu e terra
não foi pensada de forma adequada
a respeito desta unidade.
Permite até que se sobreviva
no endereço mais exato,
que pode ser achado mais depressa
se me procurarem.
Os meus sinais característicos são
o arrebatamento e o desespero.
 
Do Puro Acaso

Luto

Sabe Sr. Barão
Eu quase sempre só tenho palavras boas para o Senhor
Mas hoje não!
Estou com raiva. E em torpor!

Me fala, pra que ?
Para que o Tratado de 1903, então?
Para isso?
Acreanos são brasileiros por um triz.
Eles são raros no ministério, Sr. Barão.
Uma pessoa tão doce de modos tão gentis,
Que cem anos depois de você,
Deu a vida pelo pais!

Mas você se foi tranqüilo. No gabinete.
Liverpool! Berlim! Paris!!!
Ao partir no carnaval, deixou o povo feliz!

Ela não. Ela não Sr. Barão.
Não foi fácil pra ela assim.
Ela foi pra África Sr. Barão.
Três anos de carreira, e fim!

É mais fácil ser da Pátria, herói
Jornalista, intelectual, deputado.
Dançar no Alcazar não dói,
Sendo filho de ministro de Estado.

Quer ver Senhor Barão,
Sendo mulher, negra, de Rio Branco.
Coincidência, não?
De Rio Branco Sr. Barão! De Rio Branco!

Em sua época ela não entraria
Em seu ministério, seria uma pária!
Mas se entrasse.. Quem diria?
Na Europa não tinha malária!

É senhor Barão, estou triste, indignado.
O Senhor foi o meu modelo de diplomata do século passado.
Mas no século futuro é a Milena!

João Daniel

A Privataria Tucana

Em nome da defesa do “bem comum”, a presidente Dilma Rousseff defendeu nesta sexta-feira em conversa com jornalistas que cobrem a Presidência, uma relação “civilizada” com a oposição. “Não é preciso ter uma mesma posição para conversar com alguém”, disse.

A presidente deu o exemplo da votação da elevação do teto da dívida americana, como sinal de modelo “incivilizado”. “Você não pode supor que um país pode ter um susto como o episódio como aquele do teto da dívida”, disse.

Dilma avaliou como republicana a relação que mantém com os governadores de oposição. “Como o problema de São Paulo não é meu? Como o de Minas Gerais não é meu?”, indagou. Ambos os Estados citados são governados pelo PSDB.

Questionada se teria lido o livro Privataria Tucana de Amaury Júnior, Dilma negou e desconversou. “Não li nem o meu”, referindo-se à biografia escrita pelo jornalista Ricardo Amaral.

O livro, lançado na última semana, relata irregularidades em privatizações de empresas públicas durante o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). A obra é resultado de 12 anos de trabalho do jornalista investigativo Amaury Ribeiro Júnior.

Do Terra

Estável? Arte RatoFX

-  Sucessão

Errico Malatesta, ativista e anarquista italiano (1853/1932) tinha razão:  “O ordinário se presume e o extraordinário se prova”. Ainda mais quando as regras dão  margem a injustiças inominadas.

Percebe-se que tem crescido muito o número de pessoas, e não somente entre os mais jovens, que optam pelo instituto da união estável ao invés do casamento. Brinda-se aos noivos, novos companheiros e lhes desejam votos de que o amor, o carinho, a amizade e cumplicidade entre eles se renovem a cada dia, ao longo de suas vidas. E assim vivem, sonham, constroem e criam seus filhos, se os tiverem como acontece na união pelo casamento civil.

Os motivos e razões por essa escolha são inúmeros, mas seja pela praticidade, economia, modernidade ou informalidade material não devem servir para justificar descuidos. Afinal, quem ama cuida, se preocupa e isso inclui o futuro, porque um dia, inexoravelmente para todos nós, a vida põe um ponto. É quando se percebe que aquela praticidade, modernidade e informalidade trouxeram, também, em suas bagagens reflexos econômicos e patrimoniais.

Os companheiros, sempre de forma consensual e a qualquer tempo podem (não é obrigatório) estabelecer um contrato (escrito) estipulando regras para efeitos patrimoniais. Têm liberdade até para optar pelo regime de comunhão universal de bens, única forma, aliás, de atribuir efeito retroativo atingindo os bens adquiridos por cada um antes da união, formando um único bloco de patrimônio, que passa a pertencer a ambos.

Avençadas durante a convivência, o regime de comunhão parcial, que é o padrão, posto que determinado por lei lhes atinge até aquele momento, e somente dali em diante as regras estabelecidas terão eficácia, e valerão, inclusive, em caso de dissolução da união em vida ou quando do falecimento de um deles.

Porém, se avençadas antes da convivência, qualquer um deles poderá dispor da totalidade dos bens individuais adquiridos até ali, de forma que, ao companheiro sobrevivente só caberá a meação ou direito à herança SE houver bens adquiridos onerosamente, ou seja, por esforço de ambos (que é sempre presumido, não há necessidade de se provar) durante a constância da união. Não tendo adquirido patrimônio, durante a convivência, o companheiro sobrevivente não terá direito algum, nem à meação nem à herança.

Projetando essa união ao longo dos anos, o que será do companheiro sobrevivente ao final?   E é aqui que reside o grande deslize do código civil: “Art. 1790 – A companheira ou o companheiro participará da sucessão do outro, quanto aos bens adquiridos onerosamente na vigência da união estável, nas condições seguintes: I – se concorrer com filhos comuns, terá direito a uma quota equivalente à que por lei for atribuída ao filho; II – se concorrer com descendentes só do autor da herança, tocar-lhe-á a metade do que couber a cada um daqueles; III – se concorrer com outros parentes sucessíveis, terá direito a um terço da herança; IV – não havendo parentes sucessíveis, terá direito à totalidade da herança.

Consubstancia-se assim, uma verdadeira desigualdade de tratamento e toda a preocupação em erigir o instituto da união estável ao mais próximo da instituição do casamento desmorona quando o próprio Código Civil vigente estabelece essas diferenças abissais entre casados e companheiros, impensável, quanto mais, para ser realidade nos dias de hoje.

E, afinal essa história de ficar  “…Sem lenço, sem documento/Nada no bolso ou nas mãos/ Eu quero seguir vivendo, amor/Eu vou…” só fica bem na fita quando o Caetano Veloso canta “Alegria,Alegria”.

Katia Dias Freitas

 

 

Katia Dias Freitas é advogada em Brasília

Contato: contato@freitastotolipedrosa.adv.br

Autora do livro Comandante Chique diz que primeira-dama estabeleceu um código de vestimenta e faz visual funcionar para ela

Editora Mikki Taylor, autora do livro 'Comandante Chique', fala sobre Michelle Obama - Foto: NYT

Para a maioria das pessoas, existe apenas um grande ícone com a letra “O”. Mas quando Mikki Taylor, a ex-editora da revista Essence, fala de “O,” não existe dúvida sobre quem ela está falando. “A Sra. O não segue qualquer tendência”, disse Taylor. “E ela vive sua vida da mesma maneira.”

Como editora da revista, Taylor passou os últimos 30 anos ajudando a definir a beleza e a moda negra. Agora, ela tem focado seu olhar em Michelle Obama, sem dúvida a primeira-dama com mais estilo desde

Jacqueline Kennedy (que viria a ser o outro grande ícone com a letra “O”), em seu novo livro “Commander in Chic” (Comandante Chique, em tradução literal).

Com um subtítulo que diz, “um guia para cada mulher gerenciar seu estilo como uma primeira-dama”, o livro não chega a ser um manual mas que busca oferecer prescrições inspiradoras que

Taylor chama de “Mikki-ismos”. Um exemplo típico disso é o conselho: “Seu cabelo deve ser penteado de uma maneira tão estilosa que pareça que você tem uma equipe de pessoas lhe esperando do outro lado do telefone”.

Taylor pessoalmente é, alegre e cheia de vida. Ela é como a tia legal cujo estilo e guarda-roupas você espera herdar algum dia. Ter estilo não é gastar muito dinheiro e comprar compulsivamente à toa, ela disse em uma entrevista realizada recentemente. “Trata-se de estabelecer o seu próprio código de vestimenta. Estilo verdadeiro não é uma roupa que você simplesmente veste.”

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Arte RatoFX

A repartição pode ser um lugar agradável, desde que você tome alguns cuidados.

Preste atenção.

No início, assemelha-se à selva. Você deve adentrar com cautela. Evitar contato com os animais peçonhentos, por exemplo, as cobras. Ao avistá-las, fuja imediatamente.

Faça o reconhecimento do território. Guarde bem os trajetos que percorrer em sua cabeça. Sem barulho. Não atraia atenção durante esse período. Observe. O silêncio, na selva, pode salvar sua vida.

Você poderá encontrar, também, araras, papagaios, maritacas, onças pintadas, macacos gordos, leões, jacarés, formigas, escorpiões e, quem sabe, um jabuti.

Talvez não veja todos. Talvez se depare com outros diferentes. Isso não importa. Permaneça alerta! Você está na selva.

Desconfie das trilhas mais fáceis, podem ter armadilhas. Não se jogue em águas calmas, verifique antes a existência de peixes perigosos.

Com o passar dos anos você se acostuma à selva e passa a enxergá-la como um zoológico. Você se sente no Simba Safari com todos os bichos transitando soltos. Agora você já enrola a cobra no pescoço e tira fotos pra colocar na rede social. Convive melhor com os animaizinhos e até os defende. Levanta bandeiras e tudo mais. Eles parecem tão domesticados, tão inofensivos.

No zoológico da repartição os animais relacionam-se razoavelmente bem. Cada um no seu território, é claro. Ora defendem seu terreno, ora dividem. Alguns somam forças para a sobrevivência. Outros, como os lobos solitários, andam eternamente à espreita de um deslize para aproveitar a oportunidade de algo melhor. E tem ainda aqueles que, vez ou outra, atacam deliberadamente o espaço alheio. É. Eles não estão mais em total condição de selvageria, mas mantem seus instintos.

O lugar passa a ser prazeroso, alegre, divertido. Não é mesmo? Então escolha seu bando de acordo com seus hábitos ou qualquer característica que julgue mais interessante. Se preferir, não se junte a ninguém. Você já passou pela selva, sobreviveu, está no zôo e é feliz.

Enfim, feliz na repartição!

Mas não se assuste se passar por um espelho d’água e notar que cresceram pelos, garras ou plumas em você. Esse é o preço!

Carolina Vianna

 

 

Carolina Vianna é fotógrafa, Poderosa e escreve para o Mulheres no Poder.

Dilma dedicou o prêmio aos milhões de brasileiros Foto: Roberto Stuckert Filho

A presidente da República, Dilma Roussef (PT), projetou nesta terça-feira, em São Paulo, um ano de 2012 melhor que o atual no campo da economia. Ao receber o prêmio de brasileira do ano pela Editora Três, a presidente criticou os países desenvolvidos pela falta de ação frente à crise de confiança que abala a economia mundial.

“Não só estamos encerrando o ano com crescimento, mas com a visão de que 2012 será melhor que 2011, o que não é pouca coisa diante da crise e da insensatez política que vivenciamos nos EUA e na Europa.”

Dilma afirmou que “uma era de prosperidade teve início neste ano”, ao discursar por 20 minutos para uma plateia que reuniu atores, atletas, empresários e políticos. Ela enumerou os esforços do governo para contornar o momento difícil da Economia em 2011. “Até outubro deste ano foram gerados 2,2 milhões de novos empregos. Nós temos hoje uma das taxas mais baixas. O PIB cresceu, apesar de todas as consequências da crise, 3,2%. Nossas exportações vêm crescendo a taxas superiores as nossas importações”, elencou.

A presidente dedicou o prêmio recebido aos “190 milhões de brasileiros e brasileiras”, a quem chamou de “Griseldos e Griseldas”, em alusão à personagem da novela interpretada por Lília Cabral, também agraciada na premiação.

Premiado com o prêmio de brasileiro do ano na política, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), afagou a presidente, dizendo que os dois têm “causas em comum”. “Ela (Dilma) nos acolheu sabendo que era um partido independente, que seria independente, mas estaria à disposição”, disse Kassab. Ele aproveitou para saudar também o vice-governador Guilherme Afif Domingos, possível candidato à prefeitura em 2012. “Afif Domingos estava do meu lado desde a divulgação das diretrizes do partido”, declarou.

Queda do PIB e crise

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta terça-feira que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro ficou estagnado no terceiro trimestre deste ano, em comparação com o trimestre anterior, com ajuste sazonal. O resultado foi influenciado por um decréscimo dos setores de indústria e serviços, que recuaram -0,9% e -0,3%, respectivamente. O contrapeso foi a agropecuária, que cresceu 3,2%.

No acumulado em 12 meses, o avanço foi de 3,7% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores. No acumulado em 2011 até setembro, o PIB apresentou uma expansão de 3,2%. O PIB em valores correntes alcançou R$ 1,046 trilhão no terceiro trimestre. O resultado confirma a desaceleração no ritmo de crescimento em consequência da crise mundial.

Apesar do quadro, o Brasil foi elogiado na semana passada pela diretora gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde. Segundo ela, como resultado da política econômica dos últimos anos, o Brasil é um dos países mais preparados para enfrentar o agravamento da crise internacional.

Do Terra

Senadora Lídice da Mata (PSB-BA) Foto: Pedro França

A senadora Lídice da Mata (PSB-BA) pediu em discurso nesta quarta-feira (23) que o orçamento destinado ao Ministério da Cultura não seja usado para socorrer outras áreas, uma vez que já é um dos menores da Esplanada dos Ministérios.

Conforme a senadora, 78% dos brasileiros acham que o montante reservado para a área da cultura já é pouco e não deve ser reduzido; e 31% acreditam que o dinheiro aplicado nesse segmento é mal gerenciado. Por outro lado, 17% opinaramno sentido de que, em situações extremas, o governo poderia desviar para outros setores dinheiro originalmente previsto para ações culturais.

Os números apresentados por Lídice baseiam-se no resultado de uma pesquisa sugerida por ela ao DataSenado sobre a opinião dos brasileiros quanto à importância da cultura. Realizada de 31 de outubro a 14 de novembro, a enquete levou em conta as respostas de 1.306 cidadãos com mais de 16 anos entrevistados por telefone. De acordo com a senadora, 83% consideram a cultura como propulsora do desenvolvimento e 70% acham que o apoio do governo à cultura gera mais empregos.

- A pesquisa mostra o alto grau de consciência do brasileiro sobre a necessidade de preservação e de investimento na cultura – disse a senadora.

Ela mostrou que após solucionar as necessidades básicas – saúde, educação e infraestrutura, por exemplo – as pessoas desejam consumir os produtos da indústria cultural.

Lídice é autora do Projeto de Lei do Senado – Complementar 20/2011, que impede a limitação do empenho e movimentação no orçamento destinado à cultura.

- Sabemos que o Ministério da Cultura é um dos que recebe menos dinheiro. Não estamos reivindicando sequer o aumento dos recursos. Apenas queremos impedir o contingenciamento dos recursos da cultura – disse.

Da Agência Senado

Palavra de Mulher

A Câmara dos Deputados lança nesta terça-feira (22) a coletânea “Palavra de Mulher – Oito Décadas do Direito de Voto”, livro que registra, pela primeira vez, numa linha do tempo, como foi e como é a participação feminina no Parlamento brasileiro.

A obra relaciona os discursos das parlamentares aos principais fatos da história política do país – do Estado Novo à ditadura militar, da redemocratização à Constituição de 1988 – e, também, narra o papel das mulheres no processo de construção da atual sociedade brasileira. O lançamento marca o Dia Internacional da Não Violência Contra a Mulher, a ser comemorado na sexta-feira (25).

Com pouco mais de 200 páginas, o livro é ilustrado por fotos de época, traz apresentações do presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), e da 1ª vice-presidente da Câmara, Rose de Freitas (PMDB-ES), e tem prefácio da coordenadora da Bancada Feminina, deputada Janete Pietá (PT-SP). Foi ela quem sugeriu a realização da obra, quando, no início do ano, se preparava para uma palestra no parlamento do Uruguai e teve dificuldade em obter dados consolidados sobre a ação das mulheres no Legislativo brasileiro. Para ela, o livro demonstra que, apesar de pequena numericamente, a participação das deputadas representa importante elo no processo de elaboração das políticas públicas voltadas para a maioria da população brasileira, além de dar visibilidade à atuação das mulheres na história política brasileira, o que, avalia, sempre foi invisível.

A organizadora da coletânea, Débora Bithiah – consultora legislativa da Casa que também participou da pesquisa e foi responsável pela concepção do livro – diz que, embora a proposta de dar visibilidade ao trabalho das mulheres parlamentares na Câmara tenha sido o principal objetivo, a pesquisa resultou num apanhado rico e detalhado. “Os discursos parlamentares e a inclusão de documentos, preservados com sua publicação no ‘Diário da Câmara dos Deputados’ ao longo dos tempos, trazem aspectos da história do país ainda pouco conhecidos”, ressalta.

Oposição à ditadura - “Um dos grandes achados desse trabalho foi descobrir, por exemplo, que, das seis mulheres que tomaram posse em 1966, cinco foram cassadas pelo regime militar em 1969, todas do MDB. Era a maior bancada feminina até então – o máximo havia sido de duas deputadas na mesma Legislatura. Já era difícil que as mulheres obtivessem espaço político e quase todas que conquistaram mandato pelo voto popular, em 1966, o perderam por meio de Ato Institucional”, conta a pesquisadora. O detalhe, completa Débora, é que três dessas que foram cassadas haviam sido eleitas herdando o capital político dos maridos (que também tinham sido cassados). “Herdeiras, sim. Submissas, não. Assumiram os mandatos e atuaram com firmeza na oposição ao regime”, frisa a organizadora do estudo, para quem também soou curioso descobrir que o Dia das Mães, comemorado no Brasil desde os anos 40, foi instituído para atender demanda de lideranças feministas que queriam dar visibilidade às suas questões, bem diferente do viés mais comercial da data atualmente.

Outro ponto que chama a atenção na coletânea, segundo Débora, “é a pertinência e o diferencial dos discursos das mulheres no Parlamento ao longo de oito décadas”. Independentemente da linha ideológica e mesmo com divergências, as deputadas mantiveram uma identidade no tratamento e na temática de suas intervenções na Câmara, com ênfase aos assuntos ligados à condição das mulheres, dos jovens e das crianças na sociedade brasileira, além da área de educação. O livro também evidencia que o trabalho da Bancada Feminina produziu resultados importantes quanto aos direitos das mulheres – como o direito ao exame de mamografia e a licença-maternidade. E mostra ainda que a atuação das deputadas não ficou restrita somente à temática dita feminista, mas cobriu os inúmeros e diversos temas tratados no Legislativo.

Além de Débora, a elaboração da coletânea teve o apoio de outros quatro pesquisadores, todos servidores da Câmara: Vilma Pereira, bibliotecária e diretora da Coordenação de Histórico de Debates do Departamento de Taquigrafia; Nádia Monteiro Pereira, analista legislativa do Centro de Documentação e Informação; Tatiara Paranhos Guimarães, bibliotecária da Coordenação de Relacionamento, Pesquisa e Informação; e Márcio Nuno Rabat, consultor legislativo, que atuou como organizador adjunto e revisor da obra. A coletânea foi publicada por Edições Câmara e faz parte do conjunto “Obras Comemorativas/Homenagem”. O trabalho foi supervisionado por Cássia Botelho, diretora do Departamento de Taquigrafia, Revisão e Redação, cuja Coordenação de Histórico de Debates é responsável pelo banco de dados de discursos parlamentares (Banco de Discursos, disponível no portal da Câmara a todos os pesquisadores da política brasileira).

Do Câmara.gov