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A emenda prevê multa e prisão de até seis meses aos que desrespeitarem a lei

Foto: Publimetro.pe

A anorexia no mundo da moda está ameaçada na França. A Assembleia Nacional Francesa recebeu nesta segunda-feira (16/3) emenda que visa combater a “magreza excessiva” nas passarelas e campanhas publicitárias no país: as agências de modelos seriam obrigadas a cobrar atestado médico comprovando a saúde das profissionais.

“É intolerável que se faça apologia à desnutrição e que se explore comercialmente pessoas que estão em situações de risco à sua saúde”, afirmou o relator do projeto, médico e deputado do Partido Socialista, Olivier Véran.

O atestado médico deve comprovar que a mulher tem um Índice de Massa Corporal (IMC) saudável. A emenda prevê multa de 75 mil euros e até seis meses de prisão para aqueles que não respeitarem as exigências.

Outros países com capitais da moda, como Espanha e Itália, já adotaram regulações semelhantes. A própria ministra da Saúde francesa, Marison Touraire, já declarou seu apoio à emenda, “é uma mensagem importante, principalmente às jovens meninas e mulheres que enxergam nessas modelos um modelo de estética”. O deputado estima que existam entre 30 e 40 mil pessoas com anorexia na França hoje, adolescentes, em 90% dos casos.

Além disso, o socialista apresentou uma segunda emenda à assembleia nesta tarde. Com apoio da bancada feminista, Verán propõe bloqueio a sites que façam “apologia à anorexia”, com mulheres excessivamente magras. “Essas páginas ensinam, a jovens de 12 e 13 anos, que se deve ter espaço de 15 centímetros entre os joelhos para ser bonita”, critica Véran, se referindo ao famoso “thigh gap” – obsessão entre meninas por pernas magras, atestado pelo espaço entre as coxas.

No Brasil, um projeto de lei semelhante está em tramitação do Senado Federal, desde 2010. Além da exigência do atestado médico com IMC saudável, a proposta obriga as agências a oferecer acompanhamento mental e físico periódico aos modelos.

A “magreza excessiva” que os projetos visam combater se refere, principalmente, a distúrbios alimentares, como a anorexia e a bulimia.

Do Correio Braziliense

Dirigidas pelo cineasta Olivier Assayas, Juliette Binoche, Kristen Stewart e Chloë Moretz revelam detalhes sensíveis e inteligentes da alma feminina

 Acima das Nuvens. Título na língua original: Clouds of Sils Maria. Ano da produção: 2014. País de origem: França. Direção: Olivier Assayas. Elenco: Juliette Binoche, Kristen Stewart, Chloë Moretz.

Acima das Nuvens.
/ Clouds of Sils Maria.2014. França.
Direção: Olivier Assayas.
Elenco: Juliette Binoche, Kristen Stewart, Chloë Moretz.

Raramente um filme pode ser resumido em frase emblemática do diálogo entre protagonistas. Acima das Nuvens (Clouds of Sils Maria – França – 2014) é um deles. “Você está feliz, porque eles passaram a noite inteira te elogiando”, sentencia Valentine (Kristen Stewart), assessora de imprensa da diva cinematográfica Maria Enders (Juliette Binoche). O cineasta Olivier Assayas, que já havia dirigido Juliette Binoche em Horas de Verão (2007), volta a lapidar tema recorrente no Teatro e no Cinema. Crepúsculo dos Deuses (1950), dirigido pelo lendário Billy Wilder, e também peça de enorme sucesso na Broadway, com Glenn Close, foi um dos primeiros que mostrou as dificuldades das atrizes-celebridades, quando percebem que seus belos olhos e silhuetas há muito não refletem o frescor de vinte anos antes. Linda e cheia de charme, a estrela de agora é frágil. Escondeu-se por trás de máscara egóica, na esperança de que não lhe notassem a insegurança. A narrativa entra no ápice, quando jovem diretor de cinema, Lars Eldinger (Klaus Diesterweg) insistiu em convite para que ela interpretasse personagem em refilmagem de produção na qual foi estrela, duas décadas antes. Um detalhe (perturbador) para ela. Seu personagem atual não seria a bela jovem protagonista. Seu papel seria da coadjuvante, vinte anos mais velha. Vacila. Quase desaba. Não sabia como lidar com o desafio novo. Valentine percebe a agonia da diva e tenta convencê-la sobre a importância dela aceitar o convite. A intranquilidade de Maria Enders continuou, especialmente depois de ser apresentada à bela e jovem atriz, Jo-Ann (Chloë Moretz), que iria viver personagem que havia sido sua e com a qual encantara as plateias de então.

Exposição de belos sentimentos da alma feminina.

O cineasta Olivier Assayas conseguiu resultado impactante. Juntou moldura que reproduziu a tranquilidade de pequenas e charmosas cidades da Suíça, onde a maioria das locações foi realizada, com atmosfera efervescente, borrifada pelos sons e aromas que transbordaram das três belas. O filme tem garra, sem deixar de ser suave durante todos os 124 minutos.

Atriz dona de sensibilidade e inteligência raras.

Acima das Nuvens é quase paradoxal. Juliette Binoche, desde os vinte, quando aconteceu na cena cinematográfica mundial em A Insustentável Leveza do Ser (1987), mantém a carreira em ascensão. Aos 50, seu talento e estonteante beleza têm lhe permitido viver variados personagens, sempre com desempenho dramático maiúsculo. Aliás, o argumento do filme foi criação sua. Conversou sobre a ideia com o diretor e recebeu de volta roteiro quase concluído.

Fotografia e figurino enalteceram a qualidade da produção.

Olivier Assayas usou película (35mm), que permitiu resultado que destacou a leveza da narrativa, agregando-lhe tom aveludado e, ao mesmo tempo, profundo, Os super closes nos olhares das protagonistas teriam resultado diferente, caso as imagens tivessem sido captadas com câmeras digitais. Outro detalhe contribuiu para acentuar o toque de classe do filme: o figurino foi todo produzido pela Maison Chanel, que financiou parte da produção.

Filme para ser levemente degustado.

A química entre o diretor e as protagonistas sublinhou belas sutilezas relacionadas à alma das mulheres. Acima das Nuvens é um filme para ser degustado. Suavemente. Como se faz com os tintos de Bordeaux (Pauillac). Safra rara do bom cinema francês.

Diretor participará de “Hitchcock/Truffaut”, documentário que pretende ser definitivo sobre os dois magníficos cineastas.

Olivier Assayas, ao lado de Martin Scorsese, Steven Spielberg, Wes Anderson, David Fincher e Brian De Palma, estará no elenco do documentário, a ser lançado ainda em 2015, sobre a relação de Alfred Hitchcock com François Truffaut, baseado na série de entrevistas (1966), que se transformou no livro “Hitchcock/Truffaut”. Um e outro merecem tratamento de primeira classe, pela extraordinária contribuição que deram à Arte Cinematográfica. Truffaut, “o homem que amava as mulheres”, marcou sua filmografia com a direção de algumas das mais belas atrizes de todos os tempos: Catherine Deneuve, Claude Jade, Jacqueline Bisset, Brigitte Fossey, Fanny Ardant. Devem a ele parte da fama que conquistaram em escala mundial. Hitchcock criou várias das “leis” que regem a Sétima Arte, nos cinquenta e três filmes que dirigiu. Recentemente, foi vítima de filme medíocre (Hitchcock), que pretendeu esmiuçar os bastidores da produção de Psicose, joia rara de seu tesouro.

Escrito por José Jardelino da Costa Júnior

Uma Longa Viagem. Título na língua original: The Railway Man. Ano da produção: 2013. Países de origem: Austrália, Reino Unido. Direção: Jonathan Teplitzky. Elenco: Colin Firth, Nicole Kidman, Hiroyuki Sanada, Jeremy Irvine.

Uma Longa Viagem. / The Railway Man.; 2013.  Austrália, Reino Unido. Direção: Jonathan Teplitzky. Elenco: Colin Firth, Nicole Kidman, Hiroyuki Sanada, Jeremy Irvine.

 Filme do diretor australiano Jonathan Teplitzky instiga reflexão sobre sentimentos passados 

Mistura de filme de guerra com drama psicológico intenso, Uma Longa Viagem (The Railway Man - Austrália, Reino Unido – 2013) apresenta atributos magníficos, estruturados em lindo subtexto. O diretor Jonathan Teplitzky conseguiu superar o enorme desafio de lapidar cinematograficamente ódio e perdão, sentimentos estruturadores da condição humana. Começou a acertar com a escolha do argumento que move os 116 minutos da trama. Baseado em fatos reais, o roteiro estreita o foco em episódio ocorrido na Segunda Guerra, quando batalhão de oficiais ingleses foi obrigado a se render ao Exército Imperial japonês, em campo de batalha na Tailândia. Vários dos cativos eram especialistas na construção de ferrovias; um deles, Eric Lomax, também exímio em transmissões de rádio, além de ser o que mais entendia de trilhos, locomotivas e respectivas formas de operação. Lomax foi interpretado por dois atores. Jeremy Irvine, quando jovem. E por Colin Firth, na fase madura. Ótimos.

Prisioneiros ingleses colaborariam? 

Os japoneses foram claros: se houvesse colaboração para realização de longa e estratégica ferrovia, os prisioneiros seriam bem tratados. Qualquer conduta discrepante resultaria em duros castigos. Os ingleses decidiram esticar a corda e transgrediram. Montaram receptor de rádio clandestino para ouvir as notícias da BBC sobre o andamento da Guerra. Aparentemente insensata, a medida serviria para manter elevado o ânimo dos sobreviventes, porque o “bom tratamento” dos captores era estruturado em magras porções de arroz frio, pouca água em ambiente com temperatura perto dos quarenta graus e mais de quatorze horas de trabalho diário.

Descobertos e punidos 

O serviço de inteligência japonesa descobriu a artimanha e elegeu um dos oficiais para servir como exemplo da repressão. Exatamente Eric Lomax. Espancado e torturado, conseguiu se manter vivo. A sobrevivência viria com pesado ônus: inapagável “carimbo” na memória, representado pelas imagens dos torturadores, particularizando o crudelíssimo espancador e, também, o oficial responsável pela tradução de suas respostas, Takashi Nagase. Duas boas interpretações para reviver o japonês: Tanroh Ishida, quando jovem, e o experimentado Hiroyuki Sanada, nos anos pós-guerra.

Passado sobreviveria por décadas 

Já de volta a Inglaterra, Lomax conviveria diariamente com dois mundos antagônicos. O real, habitado pela bela Patti (Nicole Kidman), por quem se apaixonou e foi correspondido. Seria a presença da mulher o fator que iria desencadear o inimaginável desfecho da história. O outro mundo de Lomax era sombrio, povoado pelas imagens dos seus piores momentos de torturado. Ali, o fio condutor seria o ódio dos que lhe fizeram aquele estrago insuportável e, até aquele momento, psicologicamente incurável.

Frente a frente com o torturador 

Súbito, descobre que o Takashi Nagase estava vivo e livre. Imediatamente decidiu viajar ao Oriente em busca de justiça. Ou de vingança. Encontra o japonês. O diálogo entre os dois, uma das melhores partes do filme, envereda por caminhos não previstos. Estava aberto o espaço para atitudes inesperadas de um e de outro. Fizeram a história ter final marcado pela emoção em grau elevado.

Referências anteriores 

Três outros filmes também abordaram o comportamento e o fanatismo japonês: Cartas de Iwo Jima (2006) e A Conquista da Honra (2006), ambos dirigidos por Clint Eastwood, que buscou quebrar o maniqueísmo que girava em torno do assunto e mostrou a questão pelo lado ocidental e também a versão japonesa. O terceiro, no entanto, é o melhor já feito até hoje a respeito do conflito do Japão com os países ocidentais: A Ponte do Rio Kwai (1957). Grandioso, o filme trouxe o inglês Alec Guinness e o japonês Sessue Hayakawa em atuações raras. Recebeu várias estatuetas do Oscar e teve o mérito de esmiuçar sentimentos inconscientes ingleses e japoneses e compará-los, quase simultaneamente. Tarefa para cineasta do porte de David Lean.

Nicole Kidman cada vez mais bela. Cada vez melhor. 

Como esposa de Lomax, beleza transbordante, em sintonia com o seu talento. Nos menores detalhes. Por exemplo, quando outros personagens se referiam ao amor de Lomax por ela, dos seus lábios brotava sutil e arrebatador sorriso que embutia sensualidade quase não contida.

Outra sequência magnífica 

A passagem em que Lomax, décadas depois, volta ao lugar em que foi torturado. Mostrou os recursos dramáticos de grande ator, que é Colin Firth. Nenhum diálogo; apenas a linguagem imagética, superclose no seu olhar. Ali, o espectador capta a transformação do ódio em perdão. Muito próxima de outra sequência com viés intensamente freudiano. Esta ocorreu curiosamente no filme Freud, Além da Alma (1962), quando o próprio, eficazmente revivido por Montgomery Clift, enfrenta os portões do cemitério onde o pai foi sepultado.

Reflexão 

A distribuição de Uma Longa Viagem enfrentou dificuldades e levou quase dois anos para atingir exibição em circuito mundial. Chegou em boa hora. Para sublinhar o estrago que o ódio pode causar. E destacar atributo superior da condição humana: a capacidade de perdoar.

Escrito por J.Jardelino

Estado de Kerala lançou os “She Taxis”, uma frota de 40 táxis rosas dirigidos por mulheres Foto: Sivaram V. / Reuters

Táxis rosas transportaram 24 mil pessoas em cerca de 10 mil viagens desde novembro de 2013

O suposto estupro de uma passageira cometido por um taxista do Uber colocou novamente sob os holofotes os riscos do sistema de transporte na Índia, que não consegue garantir a segurança de mulheres. Uma solução: taxis conduzidos por mulheres para mulheres.

No ano passado, o Estado de Kerala lançou os “She Taxis”, uma frota de 40 táxis rosas dirigidos por mulheres, e equipados com dispositivos de rastreamento sem fio e botões de pânico ligados a call centers.

Agora o serviço se tornou um modelo para o governo do primeiro-ministro Narendra Modi replicar no país inteiro, disse seu presidente-executivo. “O incidente em Délhi mostra a necessidade dos ‘She Taxis’ por todo o país”, disse P.T.M. Sunish à Reuters.

Os táxis rosas transportaram 24 mil pessoas em cerca de 10 mil viagens desde novembro de 2013. A demanda até agora supera a oferta e até metade das solicitações de pessoas por um táxi precisam ser negadas, disse Sunish.

“Me sinto segura e a família fica satisfeita”, disse Aswathy Sreekumar, 25 anos, funcionária do setor de tecnologia que usou o serviço durante sete meses, após encerrar o expediente à meia-noite.

“Do contrário, fico recebendo ligações de meus pais”.

O aumento dos crimes sexuais levou Estados da Índia e pequenas empresas a lançarem serviços de táxi operados por mulheres. A tendência cresceu após os protestos em dezembro de 2012 devido ao estupro de uma jovem em um ônibus em movimento na capital, Nova Délhi, e sua posterior morte.

Leis mais duras e promessas de melhor policiamento se provaram ineficientes. O transporte público indiano é o quarto mais perigoso do mundo para mulheres, e a segurança noturna é a segunda pior, segundo uma pesquisa recente.

 Do Terra

A adolescente paquistanesa Malala Yousafzai, 17, recebe o Prêmio Nobel da Paz das mãos do de presidente do Comitê Norueguês do Nobel, Thorbjorn Jagland, em Oslo, Noruega

A adolescente paquistanesa Malala Yousafzai, 17, recebe o Prêmio Nobel da Paz das mãos do de presidente do Comitê Norueguês do Nobel, Thorbjorn Jagland, em Oslo, Noruega

A estudante e ativista paquistanesa Malala Yousafzai disse à BBC que, depois de receber o Prêmio Nobel da Paz de 2014, ela quer iniciar sua carreira na política.

Malala recebeu o prêmio em uma cerimônia nesta quarta-feira e afirmou que pretende até tentar ser primeira-ministra do Paquistão depois de completar os estudos na Grã-Bretanha.

“Quero servir ao meu país e meu sonho é que meu país se transforme em um país desenvolvido e que cada criança seja educada”, disse Malala à BBC em Oslo, antes da cerimônia da entrega do prêmio.

A estudante afirma que sua inspiração vem de Benazir Bhutto, que foi duas vezes primeira-ministra do Paquistão antes de ser assassinada, em 2007.

“Se eu puder servir meu país da melhor maneira através da política e sendo primeira-ministra, então eu definitivamente escolheria isto”, afirmou.

A paquistanesa dividiu o Nobel da Paz de 2014 com Kailash Satyarthi, ativista indiano defensor dos direitos das crianças. Aos 17 anos, Malala é a mais jovem a receber o prêmio.

Em 2012, a estudante paquistanesa, que militava pelo direito à educação das meninas paquistanesas, sobreviveu a uma tentativa de assassinato por membros do grupo Talebã.

Honra

A adolescente disse que receber o Prêmio Nobel da Paz nesta quarta-feira ao lado de Kailash Satyarthi era uma grande honra.

“Eu tinha o desejo, desde o começo, de ver crianças indo à escola e comecei esta campanha”, disse Malala.

“Este Prêmio (Nobel) da Paz é muito importante para mim e realmente me deu mais esperança, mais coragem e eu me sinto mais forte do que antes, pois vejo que muitas pessoas estão comigo.”

“Há mais responsabilidades, mas eu também me impus mais responsabilidades. Sinto que tenho que responder a Deus e a mim mesma e que tenho que ajudar minha comunidade. É meu dever”, afirmou.

Malala e Satyarthi vão dividir o prêmio de US$ 1,4 milhão (cerca de R$ 3,6 milhões). Correspondentes afirmam que centenas de pessoas foram às ruas de Oslo para ver os dois ganhadores do Prêmio Nobel da Paz.

O comitê do prêmio afirmou que é importante que uma muçulmana e um hindu, uma paquistanesa e um indiano, tenham se unido para o que o comitê chamou de luta pela educação e contra o extremismo.

Oportunidade

Satyarthi disse à BBC que receber o Prêmio Nobel da Paz era uma “grande oportunidade” para ampliar seu trabalho contra a escravidão infantil.

“É importante para mim mas muito mais importante para milhões daquelas crianças que ainda estão ficando para trás… As crianças que são vendidas como animais, não apenas na Índia”, afirmou.

O ativista disse que seu trabalho pelos direitos das crianças na Índia é perigoso.

“Você vai ver as cicatrizes em meu corpo, da perna até a cabeça. Fui atacado várias vezes e a última foi em 2011.”

De acordo com ele, traficantes de crianças são “muito poderosos”, “muito bem relacionados”, e acrescentou que dois de seus colegas foram mortos por causa deste trabalho.

Do UOL

Jovem que sobreviveu ao ataque de uma gangue luta junto da deusa Parvati contra os crimes de gênero no país

Cineasta criou heroína depois de ter contato com protestos contra a violência sexual na Índia/ Foto: Divulgação

Um novo livro de quadrinhos que tem como superheroína uma vítima de estupro foi lançado na Índia para chamar a atenção sobre o problema da violência sexual no país.

O Priya’s Shakti, inspirado por histórias motológicas hindus, conta a história de Priya, uma jovem que sobreviveu ao ataque de uma gangue de estupradores, e da deusa Parvati. As duas lutam juntas contra os crimes de gênero na Índia.

O cineasta indiano-americano Ram Devineni, um dos criadores da obra, disse à BBC que teve a ideia de fazer a história em quadrinhos em 2012, quando uma onda de protestos se espalhou plea Índia após o estupro e o assassinato brutal de uma estudante de 23 anos em um ônibus de Nova Déli.

“Eu estava em Déli quando os protestos começaram e me envolvi em alguns deles. Eu conversei com um policial e ele disse uma coisa que me surpreendeu. Disse que garotas sérias não andam sozinhas à noite”, afirmou Devineni.

“A ideia começou desse jeito. Eu percebi que o estupro e a violência sexual na Índia era cultural e que se sustentava pelo patriarcalismo, misogenia e percepção popular”. Na sociedade indiana, muitas vezes é a vítima do estupro – e não o agressor – que é tratada com ceticismo e acaba sendo submetida ao ridículo e à exclusão social.

“Eu conversei com sobreviventes de ataques de gangues de estupradores e elas disseram que foram desencorajadas por familiares e pela comunidade a procurar justiça, elas também foram ameaçadas pelos estupradores e suas famílias. Até a polícia não as levou à sério”, disse Devineni.

Os quadrinhos refletem uma realidade severa: quando Priya conta a seus pais sobre o estupro, ela é culpada por ele e expulsa de casa.

A personagem representa uma mulher indiana genérica e suas aspirações. “Ela é como todos os rapazes e moças que querem viver seus próprios sonhos. Mas esses sonhos foram destruídos após o estupro”, disse Devineni.

No livro, com alguma ajuda de Shiva e Parvati – o casal de deuses mais poderoso na cultura hindu – Priya consegue transformar sua tragédia em uma oportunidade. No final ela volta à cidade montada em um tigre e derrota seus adversários.

Heroína é expulsa de casa por familiares ao revelar que foi vítima de estupro/ Foto: Divulgação

Devineni disse que escolheu usar elementos da mitologia poque o hinduísmo é a religião majoritária do país – 80% da população, ou 1,2 bilhão de pessoas, são hindus – e seus mitos e histórias estão enraizadas em sua vida cultural.

Ele convenceu artistas de rua e criadores de pôsteres de filmes de Bollywood a pintar murais inspirados na história em quadrinhos na favela de Dharavi, em Mumbai, considerada a maior da Ásia.

As pinturas têm “recursos de realidade aumentada”, que permitem às pessoas ver figuras “saltarem” da parede quando são vistas por meio das câmeras de smartphones.

É possível baixar da internet cópias do livro em hindi e em inglês. O trabalho será exibido em uma feira de quadrinhos em Mumbai em dezembro.

“Nosso público alvo vai desde crianças entre 10 e 12 anos a jovens adultos. É uma idade crítica nas vidas deles e por isso estamos fazendo uma tentativa de conversar com eles”.

Na Índia, onde em média um estupro é comunicado a cada 21 minutos, o crime ocorrido em Déli no ano de 2012 foi um divisor de águas. A brutalidade dos seis agressores deflagrou uma série de protestos e forçou o governo a criar leis antiestupro, prevendo inclusive a pena de morte para violência sexual muito grave.

Mas analistas dizem que as leis mais duras resolvem apenas parte do problema. Ele seria resolvido apenas com a criação de consciência e mudança de atitudes sociais. Davineni diz que esse é o objetivo do livro.

Urvashi Butalia, líder da editora feminista Zubaan Books, diz que o sucesso ou fracasso dependerá “muito da história” e de “quantas pessoas ela atinge”. Segundo ela, tude que gera um diálogo ajuda.

“Muitas das mudanças do mundo começaram como ideias. E essa é uma ideia interessante – não há muitas super heroínas”, disse ela.

Versão em inglês de livro em quadrinhos poderá ser baixado pela internet/ Foto: Divulgação

Jasmeen Patheja é fundadora do Projeto Blank Noise, que realiza uma campanha chamada “eu nunca pedi isso” – referindo-se a agressões sexuais.

O projeto cria instalações urbanas e galerias de imagens na internet com as roupas que as vítimas estavam usando quando foram abusadas em uma campanha para “rejeitar a culpa”.

A maior mudança, segundo ela, será quando “as pessoas entenderem que não há desculpa que justifique a violência sexual, como as roupas que as vítimas estava usando, a hora ou o lugar em que estavam”.

“Romances, quadrinhos, livros de histórias, filmes – todos têm grande potencial para ajudar”, ela disse.

Do Terra

Denúncia é o meio mais eficaz de combater o crime, diz Ivete Sangalo – FOTO: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Uma em cada três vítimas de tráfico de pessoas é criança. Do conjunto de vítimas desse tipo de crime, praticado em pelo menos 152 países de origem e 124 países de destino, 70% são mulheres. Até o momento, foram identificado mais de 510 fluxos de tráfico ao redor do planeta, revela o Relatório Global 2014 sobre Tráfico de Pessoas, divulgado hoje (4) pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc).

De acordo com o relatório, o tráfico de crianças aumentou 5% na comparação com o período entre 2007 e 2010. Em algumas regiões, como África e Oriente Médio, as crianças são as maiores vítimas do tráfico de pessoas. No Continente Africano e no Oriente Médio, elas representam 62% das vítimas de tal tipo de crime.

O tráfico para trabalhos forçados , que abrange, entre outros, setores como o industrial, o de trabalho doméstico e a produção têxtil, tem “aumentado continuamente” nos últimos cinco anos. Nesse grupo, as mulheres correspondem a 35% das vítimas. Segundo o documento do Unodc, os motivos para o tráfico de pessoas variam em função da região. Na Europa e na Ásia Central, a maioria das vítimas é traficada para exploração sexual, enquanto na Ásia Ocidental e no Pacifico a motivação é a prestação de trabalho forçado. No caso das Américas, foram detectados casos de exploração sexual e de trabalho forçado em igual medida.

Apesar de a maioria dos fluxos ser interregional, 60% das vítimas cruzaram pelo menos uma fronteira nacional. Outra constatação do relatório é que 72% dos traficantes condenados são homens com origem no país onde praticaram os crimes. No entanto, ressalta o Unodc, a impunidade continua sendo um “problema sério”, uma vez que 40% dos países registraram “apenas alguma ou nenhuma condenação”, não havendo,ao longo dos últimos dez anos, “aumento perceptível” na resposta da justiça global a essa prática criminosa.

“Reduzir a vulnerabilidade, a exemplo do que tem sido feito no Brasil, é um bom começo, mas, ao mesmo tempo, é necessário que, além de reduzir miséria e pobreza, sejam apresentadas medidas legislativas mais abrangentes”, disse o coordenador do Sistema das Nações Unidas no Brasil, Jorge Chediek.

Para o Unodc, é preciso que os países adotem, e se comprometam a implementar, as medidas previstas pela Convenção de Palermo, promovida pelas Nações Unidas em 2000,, mas que entrou em vigor em 2003. As recomendações são focadas basicamente em três frentes de combate: persecução, visando à punição de tal prática, proteção para as vitimas e prevenção.

“No caso do Brasil, o que falta é tipificar de forma mais adequada o crime, o que acaba resultando em penas mais brandas para quem o pratica”, disse o representante do Unodc no Brasil, Rafael Franzini. “Apesar de, desde 2006, a legislação brasileira ter avançado e incluído também, ao lado das mulheres, homens e crianças como vítimas, falta ainda classificar como crime de tráfico de pessoas as práticas envolvendo trabalho forçado e os feitos com o objetivo de fazer a remoção de órgãos”, informou Franzini.

Segundo o Unodc, o crescimento econômico brasileiro fez com que o país passasse a ser, além de origem, destino de vítimas de tráfico de pessoas. Das 241 pessoas indiciadas por esse crime entre 2010 e 2012, 97 foram processadas e 33 condenadas. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, entre 2005 e 2012, 483 pessoas foram vítimas dessa prática. E, de acordo com o Unodc, as policiais rodoviários contabilizaram 547 vítimas de trafico de pessoas para fins de trabalho escravo e exploração sexual em 2012.

Nomeada embaixadora da Boa Vontade da Campanha Coração Azul contra o Tráfico de Pessoas, a cantora Ivete Sangalo considera a denúncia a “forma mais eficaz” de combater tráfico humano.

“Por meio da minha música e popularidade, sou instrumento e panfleto dessas ações. Nos shows consigo levar o conhecimento desses fatos a um grande número de pessoas. Precisamos estimular as pessoas a denunciar essa prática porque, definitivamente, a informação não apenas esclarece as pessoas, como também esclarece o crime”, afirmou a cantora.

Da Agência Brasil

Luz Santiesteban e Sara Candelo, ganhadoras do Prêmio Nansen 2014, visitam a comunidade da EstruturalMarcelo Camargo/Agência Brasil

Vencedoras do Prêmio Nansen 2014, considerado o Nobel humanitário, duas representantes da Rede Borboletas com Novas Asas vieram da Colômbia para o Brasil para ouvir e compartilhar experiências com mulheres da periferia de Brasília. Luz Santiesteban e Sara Candelo fazem parte do grupo de cerca de 100 mulheres que estão transformando a realidade da cidade de Buenaventura, porto marítimo mais importante da Colômbia, marcada por altos índices de violência no conflito armado que divide o país.

As duas ativistas percorreram hoje (30) as ruas da Cidade Estrutural, a cerca de 20 quilômetros do centro de Brasília e um dos bairros mais violentos da capital federal, para conhecer histórias de mulheres também vítimas de violência e compartilhar experiências de combate a essas agressões.

“Viemos conhecer a outra cara do Brasil. Me sinto orgulhosa de estar nessa comunidade. Mesmo não sendo daqui, me sinto dessa comunidade, porque eu sou isso, todas essas mulheres que estão aqui são minhas irmãs. Juntas podemos ser um coletivo, não importa que nós estejamos na Colômbia e elas estejam aqui. Podemos aumentar a rede para que trabalhemos juntas. A luta de mulheres não tem um só lugar”, disse Luz, que após ser vítima de violência sexual se juntou às borboletas na luta pela defesa das mulheres em meio ao conflito armado.

Parte do trabalho de Luz e outras borboletas é visitar e ouvir mulheres vítimas da violência e estimulá-las a denunciar os abusos. Segundo Luz, em Buenaventura, as mulheres são as maiores impactadas pelos conflitos, que obrigam famílias inteiras a deixar suas casas e a recomeçar a vida em outras regiões. “São elas quem têm sair com as crianças, que são violadas, estigmatizadas com o sexismo, o racismo. E quem são as mais perseguidas? As líderes e lideranças que vivem trabalhando nos processos comunitários”, denunciou.

Para se protegerem das ameaças e garantir que as denúncias sejam feitas, a Rede Borboletas funciona com o sistema de comadreo, uma rede informal de comadres, para que as mulheres se sintam à vontade para denunciar sem medo de sofrer retaliações dos grupos armados ou da própria polícia. As comadres também se escutam e se ajudam, numa resposta coletiva às violências.

“Nos dá medo denunciar, porque a polícia não é um apoio. Se uma vai e denuncia, logo já sabem quem denunciou. Por meio do comadreo, coletamos as informações e fazemos a denúncia através da rede. É mais complexo e mais seguro. Tivemos resultados bons e estamos usando muito essa estratégia”, explicou Sara Cadelo.

Reconhecidas internacionalmente com o Prêmio Nansen, entregue pelo Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), as borboletas pretendem ampliar suas vozes e usar o dinheiro da premiação – US$ 100 mil – para construir uma casa de acolhimento para as mulheres vitimizadas em Buenaventura.

“O prêmio nos compromete mais com o trabalho comunitário que realizamos e nos abre um alto-falante para chegar não somente às pessoas de Buenaventura, mas também a outros municípios do Vale do Cauca. Somos ambiciosas, pensamos grande. E nesse pensar grande também pedimos a colaboração de outras organizações que possam ajudar no desenvolvimento desse projeto, porque a ideia é fazer uma casa de acolhimento, e para isso necessitamos de benfeitores que sigam trabalhando conosco”, pediu Luz.

“Necessitamos de uma casa de acolhimento não só para as mulheres, mas para as crianças, porque, quando uma mãe é violentada ou é agredida, ela sai de casa e não tem para onde ir. E, ao não ter para onde ir, seus filhos vão acabar na rua”, acrescentou Sara, Segundo ela, o prêmio “dá força e fortaleza” às borboletas, que agora vão buscar parcerias para construir e manter o abrigo.

A integrante do Coletivo da Cidade, organização que atua na Estrutural, Rita de Jesus, disse que a visita das colombianas à comunidade mostra que as mulheres dos dois países vivem situações de violência e exclusão muito parecidas e a conquista do prêmio estimula outras iniciativas como as das borboletas.

“O compartilhamento dos saberes dá mais resistência, mais encorajamento, fortalece, renova. São mulheres iguais a nós, pretas, que estão em outros lugares, fora do Brasil, que passam pelas mesmas dificuldades e que estão vendo sentido em permanecer lutando. É um exemplo olhar e ver que elas estão conseguindo, que estão indo adiante, que está dando certo”.

As representantes da Rede Borboletas vão participar, ao longo da semana, da reunião ministerial Cartagena+30, que marca os 30 anos da Declaração de Cartagena sobre Refugiados. As ativistas também conhecerão o serviço de recebimento de denúncias de violência de gênero administrado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República.

A visita das colombianas também coincide com a campanha “16 Dias de Ativismo contra a Violência Sexual e de Gênero”, que vai até 10 de dezembro.

Da Agência Brasil

Divulgação

Foto Divulgação

Sob várias críticas e denúncias de violações aos direitos humanos, o Marrocos recebe, de hoje (27) até domingo (30), o 2º Fórum Mundial de Direitos Humanos.

A diretora da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, Salete Valesan, explicou que o Reino do Marrocos foi escolhido para sede do encontro porque, durante a primeira edição do evento, em Brasília, no ano passado, ativistas marroquinos garantiram que no país os debates seriam respeitados por meio de “um número muito grande de atividades livres”.

O compromisso está sendo cumprido. Oficialmente, a programação não traz, por exemplo, debates de questões delicadas para o país, como as que envolvem diretamente os direitos das mulheres, da população LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) e liberdade religiosa. Mesmo assim, esses assuntos estão sendo tratados pelos países participantes do encontro, que organizaram atividades paralelas. O Brasil tem um espaço específico no fórum, com uma programação extensa de mesas e oficinas temáticas sobre esses e outros assuntos.

“Durante o fórum, há um número muito pequeno de atividades oficiais, mas tudo vai acontecer aqui: protestos, debates, elogios e críticas para quem precisa. O governo [marroquino] já é alvo de protestos nas redes sociais, por exemplo, pelo movimento feminista”, explicou Salete.

Ainda segundo a diretora da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, o Marrocos viveu período muito forte de criminalização dos movimentos socais de luta pelos direitos humanos, especialmente das mulheres, com a prisão de muitos ativistas. “Esses problemas ainda existem. Não em grau tão elevado como já foi, mas vem acontecendo cotidianamente”, disse ela.

Dias antes do início do fórum, a organização internacional Human Rights Watch expressou preocupação com a interferência do Marrocos nas atividades de grupos de direitos humanos locais e internacionais que atuam no país. De acordo com a entidade, as autoridades locais impediram reuniões que a Associação Marroquina de Direitos Humanos tentou realizar em todo o país desde julho. A organização também acusa as autoridades de negar espaços para eventos planejados pela Liga Marroquina de Direitos Humanos e a Anistia Internacional, entre outras. Os problemas teriam começado após o ministro do Interior marroquino, Mohammed Hassad, acusar organizações de direitos humanos de fazer acusações falsas sobre abusos de direitos pelas forças de segurança do país.

Mesmo não sendo um encontro deliberativo e sem ter nenhum tipo de carta compromisso ao final dos trabalhos dos mais de 90 países participantes, a iniciativa é vista como fundamental para o fortalecimento mundial da discussão sobres direitos humanos. Na abertura do fórum, a ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Ideli Salvatti, destacou o desejo brasileiro de que o espaço se consolide como um evento anual para monitorar e avaliar as dificuldades e a evolução da garantia dos direitos humanos pelo planeta.

Na avaliação da ministra, apesar de todos os problemas, o fato de o Marrocos sediar o fórum é um grande avanço. “Quando o Marrocos se coloca na perspectiva de sediar um evento mundial para tratar de direitos humanos, não tenho dúvida de que isso significa um grande passo. Em primeiro lugar, porque ninguém pode sediar um evento dessa magnitude sem reconhecer que tem problemas”, afirmou Ideli, lembrando que os participantes também demonstraram amadurecimento ao prestigiar o evento em um país com tradições tão diferentes.

Da Agência Brasil

Combate Ao Câncer de Mama.

O Brasil deu importantes saltos nas taxas de sobrevivência de câncer de mama e próstata, segundo estudo publicado nesta quarta-feira na edição online do periódico especializado The Lancet.

O estudo mapeou diversos tipos de tumores em 67 países e quantas pessoas sobreviviam a eles cinco anos após seu diagnóstico.

A partir de dados de diagnósticos e óbitos analisados em sete cidades brasileiras, abrangendo cerca de 80 mil casos, concluiu-se que a porcentagem de sobrevivência de pacientes com câncer de mama subiu de 78,2% entre 1995 e 1999 para 87,4% entre 2005 e 2009 (dados mais recentes). O índice se assemelha ao de alguns países desenvolvidos.

Na análise de pacientes de câncer de próstata, a sobrevivência aumentou de 83,4% em 1995-99 para 96,1% em 2005-09.

“Isso parece indicar uma melhoria na qualidade do tratamento e um aumento na detecção precoce dessas doenças no país”, disse à BBC Brasil Gulnar Azevedo e Silva, coautora do artigo do Lancet e pesquisadora e professora associada do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. “Mostra que o Brasil melhorou muito na atenção a alguns tipos de câncer.”

No entanto, os dados analisados por Azevedo no mesmo período sugerem uma piora nas taxas de sobrevivência a outros tipos mais letais – e de diagnóstico mais difícil – de câncer, como estômago (índice caiu de 33% para 25%), fígado (de 16% para 11,6%) e leucemia em adultos e crianças (de 34,3% para 20,3% e de 71,9% para 65,8%, respectivamente).

Para a especialista, isso pode não necessariamente significar que os brasileiros estão morrendo mais dessas doenças, mas sim que ficou mais fácil o acesso aos dados de mortalidade analisados pelo estudo entre 1995 e 2009.

“Acredito que, antes, muitos desses casos, ainda que letais, não eram registrados como casos de câncer e portanto nós (pesquisadores) não tínhamos como identificá-los. Portanto, essas porcentagens podem não ser totalmente comparáveis”, diz.

“Mas também parece não ter havido uma melhora no acesso ao diagnóstico e ao tratamento. Não é um problema só daqui – os índices foram semelhantes em outros países da América Latina.”

No Chile e em Cuba, por exemplo, as taxas de sobrevivência em câncer de estômago são de 18% e 26,2%. Mas o índice chega a ser bem mais alto em alguns países desenvolvidos: no Japão, ela sobe para 54%, mais que o dobro da taxa brasileira.

Para Azevedo, o país precisa manter o foco na detecção precoce dos tumores e investir para que a qualidade do tratamento dos cânceres se torne mais igualitária nas diversas partes do país.

Disparidades no mundo

O estudo, o maior mapeamento internacional já feito para analisar a sobrevivência de 11 tipos de câncer, envolveu cerca de 26 milhões de casos em 67 países, mas concluiu que os dados de sobrevida de pacientes ainda são escassos.

Uma das principais conclusões, a partir dos dados existentes, é que existe uma grande disparidade entre países na eficiência de sistemas de saúde em diagnosticar e tratar as doenças. Isso faz com que cânceres sejam muito mais letais em alguns países do que em outros.

“A sobrevivência em cinco anos de crianças com leucemia aguda linfoblástica é de menos de 60% em diversos países, mas chega a 90% no Canadá e em quatro países europeus, o que indica grandes deficiências no gerenciamento de uma doença altamente curável”, diz o levantamento.

No Brasil, a taxa de sobrevivência dessa doença foi de 65,8% até 2009.

“As comparações de tendências internacionais revelam diferenças muito amplas de sobrevivência, que provavelmente podem ser atribuídas a diferenças no acesso a diagnósticos precoces e tratamento ideal”, prossegue o texto.

“A continuidade da observação da sobrevida ao câncer deve se tornar uma fonte indispensável de informação para pacientes e pesquisadores e um estímulo para políticos, que devem melhorar leis e sistemas de saúde.”

Por um lado, o estudo afirma que “o fardo global do câncer está crescendo, particularmente em países de renda baixa e média”, que têm de “implementar estratégias efetivas de prevenção” com urgência e pensar, no longo prazo, em estratégias de prevenção.

Por outro, houve melhorias consistentes na sobrevida de pacientes de câncer de próstata, intestino e mama em diversos países do mundo.

Já os tumores malignos de fígado e pulmão continuam sendo letais no mundo inteiro, com taxas de sobrevida ainda baixas (no Brasil, cerca de um terço dos pacientes sobrevive após cinco anos).

Do UOL Saúde

Ig
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