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O Carnaval que existe hoje vem da sociedade vitoriana. Copiado de Paris por Nice, Nova Orleans e Rio de Janeiro. O Rio criou um estilo próprio a partir do que havia copiado. Acrescentou o desfile das escolas de samba e com isso ganhou pompa e magnitude. Virou uma festa suntuosa e diferente que, por sua vez, foi copiada por São Paulo, Tóquio e, pasmem, Helsinque.
Dizem que a origem dessa festa aconteceu na Grécia. Servia para agradecer aos deuses pela fertilidade do solo, produção e boas colheitas. A palavra vem do latim “carne vale” que significa “adeus à carne”. Era feita de cultos e cânticos.
Hoje em dia poderia ser ad carne, lorem carne, grata carne. (Não entendeu? Google tradutor existe pra isso!)
Pois bem, depois dos gregos vieram os romanos que adoraram a festinha e introduziram vinho e sexo. Tornando-a mais aprazível, ao menos, aos olhos do povo. Uma festança na minha visão! Dionísio, Baco, Saturno e, é claro, Pã se divertindo horrores e tomando bons drink. A igreja, não curtiu nadinha e censurou geral, adotou a festa e baniu os atos pecaminosos.
Isso tudo rolou na visão de alguns historiadores. Encontramos, ainda, a origem do carnaval no Egito com festas dedicadas à Ísis e ao Touro Apis, nos bacanais romanos e , também, com o entrudo português. Enfim, independentemente da origem, sempre foi festa.
Não sou fã número um do carnaval, mas aproveito o feriado para fazer alguma coisa diferente. Mesmo que seja “tirar o atraso” do sono. Já tive catapora, fugi pra Porto Alegre uma vez, outra fui pra Nova Iorque. Duas vezes me joguei na esbórnia: Salvador e Diamantina. No último ano aproveitei os dias extras pra me recuperar de uma cirurgia.
Esse ano vou trabalhar. Sexta, sábado e um pouquinho do domingo. É. Inusitado, não? Vamos fingir que eu estou gostando disso pra não começar a ladainha das reclamações sem fim.
Ainda aproveitarei segunda e terça. Ah, quarta também! Já que os meus princípios não me permitem trabalhar na quarta-feira de cinzas. E se alguém da repartição reclamar, paciência, é só lembrar quem passa o Natal e o Ano Novo lá na seção, ok?
Despeço-me desejando um excelente carnaval. Pra quem vai viajar e pra quem programou uma boa hibernada. Pra quem vai tomar todas, pra quem não bebe nada. Pra quem vai trabalhar e resmungar também. Enfim, pra todos!
Boa festa e juízo.
(pouquinho, né!)
Carolina Vianna é fotógrafa, Poderosa e escreve para o Mulheres no Poder.
- Posso passar uma semana na sua casa?
- Até pode, mas por quê?
- Vou reformar o banheiro e o pedreiro disse que resolve em uma semana.
- Então traz roupa para duas semanas. Eles, normalmente, demoram mais do que o previsto.
1ª Semana: A empolgação!
Depois de decidir como seria o banheiro novo, baseada nas milhares de revistas de banheiro que havia lido, comprei os materiais de construção. Sonhava acordada com a linda decoração que imaginada.
2ª Semana: O medo.
Na primeira visita à obra, caí na real. Tudo sujo. Destruído. Até o teto o pedreiro conseguiu quebrar ao retirar o box de lá. A cada dia um pedido novo. Falta isso, falta aquilo. Tudo condenado, quebrado, estragado. Ainda na fase da destruição. A nova rotina compreende visitas diárias às lojas de construção. Potencial de VDM* com marcador no nível vermelho escuro.
3ª Semana: O atraso…
Os pedreiros habitam um universo paralelo onde a contagem de tempo é completamente diferente da que conhecemos e que funciona no mundo real. Parecem aqueles médicos que marcam consultas com duração de uma hora, mas o fazem em intervalos de 15 minutos. São duas categorias que pensam ter portais do tempo. Só pode!
- Não era uma semana?
- É, dona Carol, mas tem que ver a fiação, consertar um vazamento e…
- Tá! Quanto tempo?
- Mais uma semana.
4ª Semana: O Festival dos erros!
A bancada de concreto foi destruída pela 2ª vez e, ainda assim, não ficou do tamanho certo. O apoio para a cuba foi furado do lado errado. O blindex ficou menor do que a janela, sobraram pecinhas depois de montar o box, o rejunte manchou, o teto descascou, a porta “deu barriga” após a pintura…
- Deu barriga?
- É. Sozinha.
- Jura???
- É dona Carol, acho que o material não era de boa qualidade.
- Sei… e termina quando?
- Só mais uma semana…
5ª Semana: Tocando o F…-se!
Então, caí no esquema do “Já que…”. Já que o pedreiro era péssimo, troquei por outro no meio do serviço. Já que tem entulho por toda parte, vou trocar também o piso. Já que o apartamento está bagunçado, vou aproveitar para pintar as paredes. Já que estou com ódio de obra, vou fazer uma reforma geral para não ter de passar por isso de novo tão cedo.
10ª Semana: Dúvida cruel.
É sempre assim ou só com os marinheiros de primeira viagem?
Carolina Vianna é fotógrafa, Poderosa e escreve para o Mulheres no Poder.
O esperado Ano Novo chegou. O próprio tempo se encarregou de trazê-lo até aqui. E mesmo ainda tão novo já tem história para contar. A mudança de um Ano para outro, pensando-se exclusivamente na diferença de apenas um numeral, não é lá tão significativa assim. Já em relação ao Novo vai depender de como cada um resolveu desafiá-lo.
Essa passagem de um ano para o outro, aqui, ali e acolá tão festejada costuma renovar promessas e sonhos, estimular a criação de novas perspectivas e dar alma nova à fé e à esperança. A esperança de, simplesmente, ser feliz.
E nesse mote, a felicidade vem ganhando corpo, ao ponto de ocupar as cabeças mais pensantes ao redor do mundo. Inusitadamente, pretendem que a sensação de alegria, satisfação e paz proporcionada pela felicidade ultrapasse a esfera individual para projetar-se no sentimento coletivo, como forma de dizer ao poder público, que ali se tem boa qualidade de vida.
A Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) em meados do ano passado reconheceu a busca pela felicidade como “um objetivo humano fundamental”, delegando aos seus países-membros, dos quais o Brasil faz parte, a obrigação de fazê-la acontecer através da adoção de políticas públicas. Para a ONU povo desenvolvido é povo feliz e vice-versa.
Nesse pensar, a felicidade e o desenvolvimento de uma nação estariam atrelados de tal forma e intensidade que seria possível aferi-los pelo “Índice de Felicidade Interna Bruta” ─ “FIB” ─ aliás, nos moldes criados pelo rei do Butão, pequenino país asiático ao sul da China, que está a influenciar o mundo. Lá, leva-se a sério as políticas públicas de bem-estar social no compromisso de tornar o seu povo o mais feliz de todos os povos.
Medindo-se a felicidade através do FIB afastar-se-ia o modelo de medição do desenvolvimento de uma nação, apenas considerando os “frios indicadores econômicos do Produto Interno Bruto – PIB”, como dizem os economistas.
A equação supostamente é simples: direitos sociais respeitados = desenvolvimento = felicidade.
Entre nós, antecipando-se, inclusive, à ONU, o Senador Cristovam Buarque e a Deputada Federal Manuela D’Ávila são autores da Proposta de Emenda à Constituição – PEC 19/10, conhecida como PEC da Felicidade, que tramita ao mesmo tempo nas duas Casas, Câmara e Senado, já tendo sido aprovada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal, em novembro de 2010. Ao final do périplo, se aprovada, o artigo 6º da nossa Constituição passará a ter a seguinte redação: “ são direitos sociais, essenciais à busca da felicidade, a educação, a saúde, alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados”.
Respeitando-se as genuínas intenções da PEC da Felicidade, que pretende encomendar uma utópica felicidade coletiva, nada disso seria necessário se apenas fosse observado, e cumprido à risca, o que reza o preâmbulo da Constituição Federal/88, cujo detalhamento está no próprio dizer do art. 6º, objeto da emenda. A nossa Carta Magna instituiu o Estado Democrático que assegura, como valor supremo, dentre outros, o exercício dos direitos sociais. Assim, repita-se, os direitos sociais já estão garantidos pela Constituição e se bastam. Não há necessidade da criação de mais um dispositivo somente para fazer o Estado assumir a responsabilidade de proporcionar as condições para que os cidadãos brasileiros sejam e sintam-se felizes. A Constituição já lhe imputou essa responsabilidade.
Essa preocupação em criar algo novo sobre o que já existe dispende precioso tempo e energia de trabalho de todos os envolvidos no processo, que poderia ser gasto na busca de efetivos resultados pelo simples cumprir das leis vigentes .
E se o “FIB” ainda não explodiu de felicidade a explicação é tão eloquente que só resta lamentar.
Katia Dias Freitas é advogada em Brasília
Contato: contato@freitastotolipedrosa.adv.br
É tão bom quando a gente aprende a rir das merdas que faz. Tá, não só das merdas. Mas da gente mesmo. Das trapalhadas. Mancadas. Burrices. Tolices. Infantilidades. Mediocridades. Mesquinharias. E desse monte de besteira que preenche os nossos dias.
“Não levar tão a sério!” Expressão fantástica. Do tipo fácil de entender e dificílima de fazer. Se fosse receita, em site ou livro de culinária, deveria ter 5 estrelinhas no grau de dificuldade. E se o livro fosse escrito por mim teria até um “putaqueopariu!” entre parênteses.
É assim, o povo vai dizendo e a gente vai ouvindo. Num belo dia a coisa acontece. Rola um clique. E você ri. Faz a maior cagada do mundo e ri. E não para. E acha graça mesmo. Não é fachada. O clique é sério.
Não sabe de onde veio. Nem sabe como aprendeu. Nem fica se perguntando se foi osmose, idade ou maturidade. A coisa se introjeta de tal maneira que fica natural. Ri até jogar a cabeça pra trás.
Pensa, no máximo, em uma maneira de consertar. No mínimo, acha melhor ficar quieta por um tempo. Afinal, não sabe se o alheio também já aprendeu a rir de si mesmo.
Quem ri de si mesmo não guarda tantas mágoas. Não se culpa tanto. Não remói. Não se envenena. E não deve ter gastrite nervosa, eu acho.
Quem aprende a rir de si mesmo vive sem tantos atropelos. Sem tantos desassossegos.
Não sente vergonha ao pedir desculpas. E toca a vida numa boa.
Não sei se vive feliz. Porque a felicidade, ao meu modo de ver, não é a constante “k”.
Felicidade, para mim, é o caminho. Ou saber que está no caminho. Mesmo quando se desvia um pouco. Mesmo quando pega um atalho errado. Mesmo quando se perde e dá uma volta enorme para retornar ao tal do caminho.
Parece confuso. Às vezes é. Às vezes não.
Mas quem ri de si mesmo vive de maneira mais simples. E eu, sempre que posso ou consigo, prefiro ser simples. E leve! Em todos os sentidos.
Carolina Vianna é fotógrafa, Poderosa e escreve para o Mulheres no Poder.
A repartição pode ser um lugar agradável, desde que você tome alguns cuidados.
Preste atenção.
No início, assemelha-se à selva. Você deve adentrar com cautela. Evitar contato com os animais peçonhentos, por exemplo, as cobras. Ao avistá-las, fuja imediatamente.
Faça o reconhecimento do território. Guarde bem os trajetos que percorrer em sua cabeça. Sem barulho. Não atraia atenção durante esse período. Observe. O silêncio, na selva, pode salvar sua vida.
Você poderá encontrar, também, araras, papagaios, maritacas, onças pintadas, macacos gordos, leões, jacarés, formigas, escorpiões e, quem sabe, um jabuti.
Talvez não veja todos. Talvez se depare com outros diferentes. Isso não importa. Permaneça alerta! Você está na selva.
Desconfie das trilhas mais fáceis, podem ter armadilhas. Não se jogue em águas calmas, verifique antes a existência de peixes perigosos.
Com o passar dos anos você se acostuma à selva e passa a enxergá-la como um zoológico. Você se sente no Simba Safari com todos os bichos transitando soltos. Agora você já enrola a cobra no pescoço e tira fotos pra colocar na rede social. Convive melhor com os animaizinhos e até os defende. Levanta bandeiras e tudo mais. Eles parecem tão domesticados, tão inofensivos.
No zoológico da repartição os animais relacionam-se razoavelmente bem. Cada um no seu território, é claro. Ora defendem seu terreno, ora dividem. Alguns somam forças para a sobrevivência. Outros, como os lobos solitários, andam eternamente à espreita de um deslize para aproveitar a oportunidade de algo melhor. E tem ainda aqueles que, vez ou outra, atacam deliberadamente o espaço alheio. É. Eles não estão mais em total condição de selvageria, mas mantem seus instintos.
O lugar passa a ser prazeroso, alegre, divertido. Não é mesmo? Então escolha seu bando de acordo com seus hábitos ou qualquer característica que julgue mais interessante. Se preferir, não se junte a ninguém. Você já passou pela selva, sobreviveu, está no zôo e é feliz.
Enfim, feliz na repartição!
Mas não se assuste se passar por um espelho d’água e notar que cresceram pelos, garras ou plumas em você. Esse é o preço!
Carolina Vianna é fotógrafa, Poderosa e escreve para o Mulheres no Poder.
A ideia surgiu de uma conversa. Pra dizer a verdade, foi inspirada em uma ação similar. Tá, tudo bem! Foi copiada. No sentido, não na integralidade. Pensei naquilo por mais de uma semana.
Sim, sinto falta de companhia. Às vezes, fico carente. Mas não é coisa grave que necessite de alguém o tempo todo. Um contato esporádico pode resolver isso. Isso e a questão física, é claro! Essa é a mais complexa.
Poderia fazer entrevistas. Ou um leilão. Não, leilão lembra bailão que lembra peão que lembra música sertaneja. Eu não gosto de música sertaneja. Não muito.
Perco o foco. Licitação, leilão, não. Nenhum ão! Muita formalidade. Um site na internet talvez. É mais descontraído, casual… Casual! Essa é a palavra.
Casual: adj. Que depende do acaso; fortuito; ocasional.
Fortuito é um luxo! Devaneio de novo e me perco nas palavras. Voltando à ideia inicial. Sim, decidi. Vou fazer! A forma não será rígida. Traço um perfil, decoro um questionário e aplico quando tiver interesse. Assim, no meio da conversa, com intuito de passar despercebido. Quando chegar em casa faço o placar e pronto, escolho o que quero. Fácil!
Foi o que pensei.
- O que você gosta de fazer?
- Ah… Gosto de sair, mas também curto ficar em casa. Bebo de vez em quando, cozinho, saio com a galera pra balada.
- Você tem muitos amigos?
- Eu faço o tipo popular, saca?
- Hmm.. acho que sei.
- Tudo me diverte, menas pessoas chatas, sabe? Gente que tá sempre insatisfeita, reclamando. Tipo mimimi. Isso eu não topo
Saca já estava difícil, mas menas? Bah! Menas, nem o Lula, companheiro! Menas, não dá. Não é preconceito. É crivo! Parti, então, para uma abordagem mais direta. No meu ponto de vista, é óbvio!
- Não é que eu tenha medo de relacionamento ou compromisso. Só acho que não é o momento, entende?
- Claro.
- Então fico só. De tempos em tempos aparece uma ou outra pessoa. Coisa casual.
- Pra tirar o atraso, né?
- O quê?
- Olha, gata, que tal pularmos esse nhenhenhem do jantar e irmos direto lá pra casa?
Não era exatamente o que eu estava esperando. Não sou muito exigente, mas isso foi tosco. Rude. E depois? Me joga na parede e me dá umas bofetadas? Ah, assim não quero. Bruto, só no sentido “não refinado”. Mal-educado, nem pensar!
Mudei a tática. Gênero: romântico. Perfil: princesa. Mulher fresquinha perde. Vestido florido, arranjo no cabelo (escovado, é claro), sapatinho de boneca. Mais tons de rosa em uma só pessoa do que na casa da Barbie inteira. Creperia. Suquinho e salada. Sugestão dele. Acatada com boa vontade de Amélia.
- Você não gosta de fazer as unhas?
- Err.. Não tive tempo essa semana.
- A sobrancelha também não, né?
- Não. Marquei salão para amanhã.
- Qual salão você frequenta?
- Fica naquele Shopping perto do meu trabalho.
- A-DO-RO o cabelereiro de lá!!! Ele é um gênio da tesoura!
- É… (amiga)
Definitivamente é melhor começar à distância. A primeira conversa, agora, é por e-mail. Regra estabelecida! Nada de encontros às escuras. Chega de enrascadas.
Tentei, por fim, um site de relacionamentos. Existem aos montes. É possível enunciar os atributos desejados, listar suas principais características e escolher aquilo que você pensa que combina.
Usei imagem fidedigna. Fui discreta, mas sincera. Quando supus ter encontrado o par compatível, a surpresa final!
- Olha, Dona, vi que você se interessou por mim e já que vamos nos encontrar preciso te dizer uma coisa… pra beijar e dormir de conchinha é mais caro, tá?
E foi assim, meninas, que eu virei lésbica!
O mês de dezembro chegou e o Natal está agora bem próximo. A cidade se veste nas cores natalinas e as luzes coloridas já nos encantam. Só se fala nas festas e nas intermináveis listas de presentes.
Sente-se e aprecie, por algum tempo, o ir e vir, frenético, das pessoas nos shoppings, nas ruas. E cabe a pergunta: e o espírito natalino?
Algumas pessoas, quando questionadas, a despeito de terem passado o ano inteiro com suas almas recheadas de avareza, indiferença, desamor e, quem sabe de outros sentimentos perversos, inerentes à natureza humana em seu estado menos lapidado, amanhecem com um sentimento infinito de bondade, um tanto quanto inesperado. Precisam recuperar-se.
A culpa é do calendário, afinal é Natal e são apenas 25 dias para se pensar no bem, para se amar o próximo, para se ser solidário, para se importar com os outros, nos conhecidos, nos desconhecidos, necessitados e pobres. Tempo de se fazer tudo que não se praticou ao longo do ano. São gestos e sentimentos pontuais.
A lista de presentes enche folhas de papel, frente e verso: uma coisinha para fulana, outra para sicrana; pessoas que passaram o ano inteiro sem ouvir um bom dia, um muito obrigado, uma palavra de conforto quando precisou de ombro amigo. Pensa-se que basta uma lembrancinha no Natal para a alma se sentir lavada da indiferença e ficar em paz com o tal do espírito natalino.
Que não se viva apenas de consumo e de gestos episódicos de sensibilidade para com o próximo, carente, ou não. Que não se amanheça invadido pela bondade sazonal, apenas porque é Natal. Comece, pelo menos, sendo próximo do seu próximo e os ouça, se importe, dê suporte. Seus nomes devem constar da lista no seu coração o ano inteiro e quando chegar novamente o Natal se dará conta que não precisa correr para comprar, por obrigação, uma lembrancinha qualquer. Aí sim, ter-se-á, finalmente, encontrado o espírito natalino, o verdadeiro: menos ter e mais ser.
Ainda dá tempo, faltam 25 dias.
Katia Dias Freitas é advogada em Brasília
contato@freitastotolipedrosa.adv.br
Faltando mais ou menos um mês para o Natal e pouco mais para o Réveillon parece que o ano já acabou. Ao menos quando o assunto é trabalho. Os planos feitos agora tem previsão de início para depois do carnaval. Serão mais de dois meses sobrevivendo em um lugar onde as horas não passam. As decisões são lentas. As pessoas estão em férias ou se programando para isso. E só se pensa em festas e comida. Sim, esse lugar é o fim de ano.
É sempre assim. A partir do meio de novembro começam os almoços, as confraternizações, amigos secretos e outras reuniões sociais cujos nomes não me lembro agora. Então as pessoas são simpáticas e apresentam aquele discurso anual, próprio para essas festividades. No próximo ano serei mais próximo e etc. E no ano seguinte encontram-se na mesma festa e repetem o discurso.
E a bondade súbita? É caixinha de Natal, lista para o copeiro, gorjeta para o vigia do estacionamento, cesta para o porteiro, bônus para a faxineira e por aí vai. No resto do ano, nem bom dia, nem dois dedos de prosa, nem cinco minutos de atenção. Isso me lembra a Tia Maria. Era copeira na repartição. Todo ano ganhava dinheiro e algum presente dos funcionários. Um dia, dirigiu-se à mesa do meu chefe para agradecê-lo. Quando ela saiu, ele estava com os olhos marejados. Ela agradeceu o cartão. Disse que nunca havia recebido um.
Tem a caridade também. Só em novembro e dezembro é que existem crianças órfãs, velhinhos sem parentes e pessoas que necessitam de assistência. No resto do ano, essas pessoas não são enxergadas. Ninguém tem frio. Ninguém tem fome. Ninguém precisa de carinho e cuidados. Só no Natal!
Além disso, abraços apertados, acertos de contas e sorrisos amarelos. Uma infinidade de contatos físicos indesejados com aquela pseudo-parentada e agregados que só aparecem nessa época. Ouvi uma vez que hóspede é igual peixe, depois de três dias fede. Sem mais comentários para esses que surgem apenas para comer e nem te ligam no seu aniversário.
Por fim, as famigeradas promessas para o Ano Bom que já começam a ser quebradas no dia primeiro de janeiro. Não beber tanto, maneirar na comida, emagrecer, fazer exercícios, parar de fumar, gastar menos.
Que tal sair um pouco do plano material? Que tal trocar promessas por objetivos? Desses alcançáveis. Um por ano, quem sabe. Não tenho a pretensão de converter ninguém em Madre Teresa de Calcutá, mas essas transformações são benéficas para o próprio indivíduo que as executa. Acho que é por aí.
Para alguns, pode parecer que tudo isso que falei não está tão próximo. Mas essa é a intenção. Alertar enquanto ainda há tempo de mudar.
Carolina Vianna é fotógrafa, Poderosa e escreve para o Mulheres no Poder.
Mas parece que muita gente por aí não gosta. Foi retirada de circulação a foto em que apareciam o papa Bento XVI e o imã Mohammed Al Tayeb – pasmem! – beijando na boca. O Vaticano informou que já solicitou aos seus advogados que empreendessem as medidas legais com o objetivo de impedir a utilização das imagens.
Um dia antes…
Tarde da noite, desocupada, lia notícias na internet. De repente, deparo-me com a seguinte chamada de matéria: Beijo na boca de Obama em Chávez e Hu Jintao não agrada Casa Branca. Meu Deus, pensei, o Barack endoidou de vez! Não beijou só um, mas dois caras! E logo quem?
Tentei ler a notícia, mas o portal não apresentava a matéria. Formou-se, é claro, uma complexa teoria da conspiração na minha cabeça. Essa Casa Branca, hein? Já conseguiu interferir até nos sites brasileiros. Bah!
Depois de umas três tentativas, finalmente, consegui ver a foto. Aliás, as fotomontagens. É a campanha da Fundação UNHATE (contra o ódio?). E quem criou a Fundação? A Benetton, é claro.
So they are back in the game!
Pode até parecer incrível para os outros. Mas eu acreditei. Achei até pertinente. Pensei que estivessem selando algum acordo de paz de maneira mais esfuziante.
Coisas de quem não assiste televisão e não lê jornais, não é mesmo? É verdade. Olha, eu nem fazia ideia de que imã poderia ser algo diferente de enfeite de geladeira. Confesso!
Bom, voltando ao primeiro beijo. Não o meu. O que comentei a princípio. A foto foi tirada de circulação porque os fiéis sentiram-se ofendidos. E a Benetton – fantástica, na minha visão – lançou a campanha em Paris, mas no mesmo dia realizou ações na Itália e em Tel Aviv.
As palavras do porta-voz da Santa Sé foram: “Trata-se de uma grave falta de respeito com o papa, uma ofensa aos sentimentos dos fiéis, uma demonstração evidente de como no âmbito da publicidade é possível violar todas as regras elementares do respeito para atrair atenção“.
Não sei se estou muito permissiva, mas ver o papa beijando o imã na boca não me chocou. Também não me chocou, a reação da Igreja e dos muçulmanos. Muito menos, a reclamação dos envolvidos, afinal eles é que estão expostos num beijo gay em outdoors espalhados pelo mundo.
O que me espantou é que todos os comentários foram feitos apenas sobre as imagens. Não encontrei nenhuma matéria que falasse sobre o discurso da campanha. Ninguém disse: Poxa, cagou nas fotos, mas a mensagem é legal. Nada. Sobre isso? Silêncio absoluto.
Pode?
Então, no meu senso íntimo, vivi por alguns minutos uma outra versão da história. Na qual a campanha cumpria seu propósito da forma idealizada, como explicou o assessor de imprensa da grife.
‘Unhate’ pretende contrastar a cultura do ódio e promover a aproximação de pessoas, religiões e culturas, além da compreensão pacífica das motivações dos outros”
Os líderes mundiais fariam gracejos sobre as fotos, aproveitariam o mote para reforçar a necessidade das pessoas combaterem o ódio em seus lares, emprego, enfim, onde tiver gente. Estimulariam a luta contra a homofobia. Rechaçariam a intolerância religiosa.
O papa faria um pronunciamento. Protestaria um pouco, mas no final de seu discurso, ressaltaria a importância de não nos odiarmos, de não cultivarmos esse sentimento, de aceitarmos diferentes culturas, opiniões e etc. E faria uma oração por todos os povos.
E teríamos um tijolinho na estrada da paz mundial. Sonho de candidata à Miss Universo, eu sei. E nem me envergonho. Foi bom fechar os olhos e imaginar tudo isso. Quem tiver curiosidade ou estiver num momento Pollyanna, como eu, pode clicar aqui para conhecer a Fundação UNHATE.
Carolina Vianna é fotógrafa, Poderosa e escreve para o Mulheres no Poder.

Vicent Van Gogh; Quarto do Artista em Arles (1889) Óleo sobre tela; 57,5 x 74 cm; Museu d’Orsay, Paris.
Vó atrás do toco. Inferno astral. Ovo virado. E tantas outras expressões para aqueles dias em que você realmente deveria ter ficado na cama. Nunca ouviu falar? Que tal um passeio pelo meu dia?
Dormir tarde e ter que acordar mais cedo do que o normal porque esqueceu de arrumar a mala e só lembrou que ia viajar minutos antes de deitar. Isso já tira um pouco do bom humor. Após se arrastar da cama, começar um banho caprichado para compensar as poucas horas de sono é até revigorante, não? Então experimente sair do banho, toda ensaboada, de peixinho (sim, do vôlei) e ser aparada pela cabeça no vaso sanitário, com o joelho na parede e uma gilete na mão, porque o chuveiro deu curto-circuito de vez. Acha pouco? É verdade. Complete, então, com um banho frio em um dia em que simplesmente não dá para não lavar o cabelo.
A roupa branca a empregada manchou. A única calça que se salvou dos dedinhos coloridos da fofa não está passada. Tentei. Queimei, claro. Uma blusa grande pra disfarçar. Dois passos na escada e um salto quebrado. Parece mentira. Enquanto troco os sapatos penso que o pneu do carro poderia furar. Dando ideia ao Cosmos que resolveu se divertir às minhas custas. Pra quê? Não furou, mas está baixo. Indo até o posto não bato o carro, nada acontece. Acho que agora engrena.
Finalmente, no trabalho, sem mais incidentes.
- Bom dia.
- É…
- O chefe ligou pedindo para você imprimir o relatório que pediu para você fazer ontem. A reunião é daqui há 15 minutos.
- Ok…
O relatório que eu iria fazer de manhã! Então era esse o motivo para chegar mais cedo no trabalho hoje. Sim, agora me lembrei. Mal súbito acontece só com desportistas? Posso ter uma síncope?
Ufa, achei o rascunho! Trabalho feito, chefe atrasado, salva pelo gongo! Num momento de contemplação olho a minha volta. Será que só eu estou tendo um dia desagradável ou essas coisas, às vezes, acontecem de modo generalizado?
Li no Google que Não posso escolher como me sinto, mas posso escolher como reagir a isto. Não obstante a terapia e o restante do trabalho de uns três anos para me tornar uma pessoa melhor, escolho dar comida ao lobo raivoso. E, por fim, ainda jogo a bola de volta para o Universo. Convenço-me que é apenas uma reação. Nada demais. Afinal, se a culpa é minha, coloco-a em quem eu quiser!
É cansativo ter bom humor todos os dias. É, verdadeiramente, extenuante não despejar as frustrações em quem chega só porque a pobre criatura nada tem a ver com a situação de estresse particular. Essa busca da evolução espiritual pode causar esgotamento nervoso se levada muito a sério.
Descontar a raiva nos outros não resolve o problema, eu sei. Mas alivia a pressão momentaneamente. Não vou discutir a questão do arrependimento porque isso só acontece com quem tem consciência e, se hoje estou generalizando, digo que ninguém tem.
Errado também, eu sei. Eu sei, eu sei e eu sei! Sei mas não quero saber. Dá pra entender isso?
Comer o que é certo. Ser amável. Exercitar-se regularmente. Colocar-se no lugar dos outros. Dizer apenas boas palavras. Não criticar. Não implicar. Proteger-se do sol. Beber pouco. Fumar? Nem pensar! Ser interrompida o tempo inteiro, estar disponível 24X7 e manter a simpatia? Como assim? Não freqüentei essa aula!
Tudo isso é muito chato! Politicamente correto deveria ser sinônimo de tedioso. Maçante. E até irritante!
Cadê a joie de vivre? Ok, mau humor não é exatamente a alegria de viver. Mas quero ter direito de vivenciar as emoções do jeito que elas surgem. Já temos maquiagem, lipoaspiração, cirurgia plástica, implante de cabelos, unhas postiças. Tudo isso para não mostrar como somos.
E, agora, mascarar a alma também. Disfarçar mais o quê, meu Deus? Já não estamos falsos o suficiente? Que saco!
- Você não tem compostura.
- Tá, e daí?
Hoje não tem Dr. Eulálio nem mantra positivo. Cenho franzido e estopim curto. Talvez um gritos no meio do parque e uma caixa bem grande de chocolates antes de deitar. E, antes que perguntem, me adianto: Não é T.P.M. É mau humor genuíno!













