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Mary Del Priore

Mary Del Priore é historiadora, professora universitária e autora de obras como História das Mulheres no Brasil (ed. Contexto), vencedor dos prêmios Jabuti e Casa Grande e Senzala, e Histórias e Conversas de Mulher (ed. Planeta), em que acompanha avanços femininos desde o século 18.

Para a historiadora, as mulheres brasileiras do último século conquistaram o direito de votar, tomar anticoncepcionais, usar biquíni e a independência profissional. Mas ainda hoje são vítimas de seu próprio machismo.

Muitas mulheres “não conseguem se ver fora da órbita do homem” e são dependentes da aprovação e do desejo masculino, opina ela.

BBC Brasil – Você vê traços de machismo ou preconceito em seus ambientes profissional e pessoal?

Mary Del Priore - No ambiente profissional, não vivi nenhum problema, porque desde os anos 1980 o setor acadêmico sofreu grande “feminilização”. As mulheres formam um bloco consistente nas disciplinas (universitárias) mais diversas.

Mas, na sociedade, acho que o machismo no Brasil se deve muito às mulheres. São elas as transmissoras dos piores preconceitos. Na vida pública, elas têm um comportamento liberal, competitivo e aparentemente tolerante. Mas em casa, na vida privada, muitas não gostam que o marido lave a louça; se o filho leva um fora da namorada, a culpa é da menina; e ela própria gosta de ser chamada de tudo o que é comestível, como gostosa e docinho, compra revistas femininas que prometem emagrecimento rápido e formas de conquistar todos os homens do quarteirão.

O que mais vemos, sobretudo nas classes menos educadas, é o machismo das nossas mulheres.

BBC Brasil - Mas muitas até querem que os maridos ajudem em casa, mas será que essas coisas do dia a dia acabam virando motivos de brigas justamente por conta do machismo arraigado? E também há mulheres estudadas, ambiciosas e fortes – mas também vaidosas, que ao mesmo tempo querem se sentir desejadas por um parceiro/a que as respeite. Isso é uma conquista delas, não?

Del Priore - Ambas as questões não podem ter respostas generalizantes. Mais e mais, há maridos interessados na gerência da vida privada e na educação dos filhos. Quantos homens não vemos empurrando carrinhos de bebê, fazendo cursos de preparação de parto junto com a futura mamãe ou no supermercado? Tudo depende do nível educacional de ambos os parceiros. Quanto mais informação e mais educação, mais transparente e igualitária é a relação.

Quanto às mulheres emancipadas, penso que preferem estar sós do que mal acompanhadas. Chega de querer “ter um homem só para chamar de seu”. Elas estão mais seletivas e não desejam um parceiro que queira substituir a mãe por uma esposa.

BBC Brasil - Como a mulher mudou – e o que permanece igual – no último século?

Del Priore - Temos uma grande ruptura nos anos 60 e 70 no Brasil, que reproduz as rupturas internacionais, com a chegada da pílula anticoncepcional. As mulheres começaram a ocupar postos nos diversos níveis da sociedade, a ganhar liberdade sexual e financeira. Ela passa atuar como propulsora de grandes mudanças. Quebra-se o paradigma entre a mulher da casa e a mulher da rua.

(Mas) a mulher continua se vendo através do olhar do homem. Ela quer ser essa isca apetitosa e acaba reproduzindo alguns comportamentos das suas avós. Basta olhar algumas revistas femininas hoje. Salvo algumas transformações, a impressão é de que a gente está lendo as revistas da época das nossas avós.

A mulher não consegue se ver fora da órbita do homem, diferentemente de algumas mulheres europeias, que são muito emancipadas. O que ela quer é continuar sendo uma presa desejada.

A (antropóloga) Mirian Goldenberg diz que a mulher brasileira continua correndo atrás do casamento como uma forma de realização pessoal. No topo da agenda dela não está se realizar profissionalmente, fazer o que gosta, viajar, conhecer o mundo – está encontrar um par e botar uma aliança no dedo. Mesmo que o casamento dure uma semana.

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Iris Apfel compareceu ao evento de lançamentos outono-inverno da Swarovski, nesta quarta-feira, no shopping JK Iguatemi, em São Paulo Foto: Getty Images

Ícone fashion, aos 92 anos ela segue lição dada pela mãe durante a Grande Depressão: me ensinou que de um vestido preto se faz 15 roupas diferentes, se souber usar os acessórios.

Aos 92 anos, ela esbanja alegria, personalidade e inspira fashionistas do mundo inteiro com seu estilo particular – e nada básico – de se vestir. Com seus óculos de lentes grandes e redondas – marca registrada da ícone da moda – ela já inspirou uma coleção e também lançou uma linha de acessórios, com pulseiras e colares coloridos, que são indispensáveis para Iris Apfel. Para o evento da Swarovski Elements desta quarta-feira (18), para o qual ela foi a convidada especial, não foi diferente. Iris chegou com o já conhecido par de óculos, pulseiras coloridas cobrindo todo o antebraço, maxicolares, um acessório de plumas laranja e a simpatia usual. “Minha mãe adorava acessórios, ela que me ensinou a usá-los”, comentou.

A lição tirada no final da década de 1920 influenciou a vida inteira da nova-iorquina. “Vivi a época da Grande Depressão nos Estados Unidos, não tínhamos muita coisa. Minha mãe me ensinou que de um vestido preto se faz 15 roupas diferentes, se souber usar os acessórios. Se tiver imaginação, dá para fazer muita coisa, fica personalizado, diferente e ainda ajuda a economizar dinheiro”, contou. A preferência por roupas “arquitetônicas”, que permitam que ela mesma as embeleze, permanece até hoje.

Em sua primeira visita ao Brasil, Iris se disse encantada pelas peças e acessórios de artesanatos locais. “Vocês têm muito talento aqui, nas feirinhas de rua, vi muito artesanato e adorei. Se a alfândega permitir vou levar coisas para casa e para mim também”, afirmou a fashionista, que não vive sem acessórios. Se vestir bem para Iris não implica em roupas caras ou seguir as últimas tendências. Ela enxerga a moda como um fenômeno cíclico e que o importante é vestir-se para si mesmo. “Elegância não é o que você veste, mas como veste. Vem de dentro”, disse. “Tenho jeans de 10 dólares”, comentou.

A história de Iris com as calças jeans mereceu um espaço especial no bate-papo da fashionista com o público. “Acho que fui a primeira mulher dos EUA a comprar um par de jeans”, contou. Na época, as calças eram feitas apenas para os homens, mas, depois de ter a ideia de que jeans com camiseta branca era uma excelente combinação, Iris foi em busca de um modelo que a servisse. Ela foi até uma loja das Forças Armadas e insistiu para que eles ajustassem a calça para ela. Ela venceu pelo cansaço e conseguiu.

Iris sempre gostou de roupas e de se vestir bem. Atualmente, ela já não faz compras com tanta frequência e cede apenas quando encontra algo encantador. “Tenho muita coisa, estou doando todos os anos para uma instituição de caridade e para um museu”, contou ela, que trouxe três malas com roupas e acessórios para a rápida passagem pelo Brasil. O guarda-roupa dela é tão comentado no mundo da moda, que Iris ganhou até uma exposição no museu Metropolitan, em Nova York. “O pessoal da produção abriu os armários, gavetas e até olharam embaixo da cama, levaram cerca de 300 peças para a exposição e todo dia um caminhão ia buscar mais. Foi um sucesso”, lembrou o evento entre os anos de 2005 e 2006.

Apesar de ser queridinha entre os designers e uma atração nas semanas de moda, o trabalho de Iris começou longe das passarelas. Ela é designer de interiores, dona de uma loja de tecidos e trabalhou por anos com restaurações e decoração na Casa Branca. Ao longo dos anos, desenvolveu uma linha de cosméticos para a M.A.C., duas de bijuterias para o Yoox, uma para o designer Alexis Bittar, e uma linha de óculos e bolsas para a Eyebobs. E ela não pretende parar: “aposentar é pior que morte, todos precisam fazer algo”.

O segredo para tanta disposição, segundo Iris contou em entrevista ao Terra, é “não levar as coisas tão a sério”. “Eu não tenho uma rotina, nunca sei o que o próximo dia vai trazer”, acrescentou. Ao longo de mais de nove décadas, ela aprendeu a importância da família, do amor e de ter amigos próximos. “O segredo é tentar se divertir e fazer as próprias coisas sem se preocupar muito com o que os outros vão pensar”, concluiu.

Do Terra

<3

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I

Eu preciso escrever uma história de amor. Dessas com começo, meio e fim. Aliás, a minha história de amor. Que teve tudo isso e foi linda.

Difícil começar. Talvez pelo dia em que nos conhecemos. Mas isso é tão banal. Todas as histórias começam pelo início. Assim, sem-graça. Assim, banais. A nossa história, que foi a mais bela que houve até hoje, deveria ter um princípio especial. Ao menos, no papel.

Mas não escrevo em papel. E não tenho como retroceder no tempo para apagar os fatos e fazê-los magníficos.

Foi uma chuva. Ou um guarda-chuva. Rolou no chão com o vento. Bateu em meus pés. Ele veio correndo apanhar. Desculpou-se. Ofereceu-se para me levar ao carro protegida da chuva. Tenho medo de sombrinhas, respondi, já encharcada. Isso não é uma sombrinha, é um guarda-chuva, corrigiu-me.

Tenho medo, mesmo assim. De guarda-chuva. De gente carrancuda. De sim e de não. Ser indiscreta ou forçar intimidade. Cachorro preto. Escuro. Ficar louca. Solidão. Fantasmas. Terremotos. Ternos cinza. Dias calmos. Tenho medo.

Muitos medos, observou. E de café? Perguntou sorrindo. Café, eu gosto, respondi rápido ansiando por um convite. Que bom, disse, acabando com as minhas esperanças. Perguntou-me se eu tinha telefone ao me deixar no carro. Respondi-lhe que sim e parti.

É o tipo de coisa que não se faz, sabe? O arrependimento chegou segundos depois. Mas não voltei. Não voltaria. A cena valia mais do que a ligação.

Carolina Vianna

Carolina Vianna

 

 

 

Carolina Vianna é fotógrafa, diretora de teatro, poderosa e escreve para o Mulheres no Poder.

Iphan

A presidenta Dilma Rousseff anuncia às 11h45 de hoje (20), em São João Del Rei (MG), a seleção de projetos que serão contemplados com R$ 1,6 bilhão de recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Cidades Históricas.

O programa foi criado para desenvolver e proteger o patrimônio e tem 44 cidades de 20 estados incluídas nessa etapa. Os recursos poderão ser investidos na recuperação e revitalização das cidades, restauração de monumentos e para o desenvolvimento econômico e social e suporte a cadeias produtivas locais.

Além de R$ 1,6 bilhão em investimentos, também será anunciada uma linha de crédito de R$ 300 milhões para financiar obras em imóveis particulares localizadas em 105 cidades com áreas tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Escolhida para o anúncio, São João Del Rei vai receber R$ 550 mil para sinalização turística, segundo informações da prefeitura.

Também estão na lista do PAC Cidades Histórica municípios como João Pessoa (PB), São Luís (MA), Belém (PA), São Miguel das Missões (RS), Corumbá (MS) e São Luís do Paraitinga (SP).

Da Agência Brasil

Exposição - Memórias Femininas da Construção de Brasília

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Primeira mulher premiê do Reino Unido morreu aos 87 anos após derrame. Ela era chamada de ‘Dama de ferro’ devido ao estilo autoritário da política.
A ex-premiê britânica Margaret Thatcher acena da entrada de sua casa em 2010 (Foto: AFP)

A ex-premiê britânica Margaret Thatcher acena da entrada de sua casa em 2010 (Foto: AFP)

Morreu nesta segunda-feira (8) aos 87 anos Margaret Thatcher, primeira mulher a se tornar primeira-ministra britânica, cargo no qual ficou por três mandatos consecutivos, entre 1979 e 1990. Ela foi uma das figuras dominantes na política inglesa no século XX e o seu “thatcherismo” ainda influencia políticos até hoje.

O porta-voz da família de Thatcher informou ela morreu em consequência de um acidente vascular cerebral. “É com grande tristeza que Mark e Carol Thatcher anunciam que sua mãe, a baronesa Thatcher, morreu em paz depois de um derrame, esta manhã,” disse Tim Bell.

Após sua morte, o atual premiê britânico, David Cameron, disse que o Reino Unido “perdeu uma grande líder, uma grande primeira-ministra e uma grande britânica”. O premiê anunciou que voltará para Reino Unido interrompendo uma visita a países europeus.

Thatcher havia sido internada pela última vez em dezembro, quando passou por uma cirurgia na bexiga.

Ela não falava em público desde 2002, quando os médicos desaconselharam a presença diante de audiências após uma série de pequenos derrames que deixaram como sequela confusões ocasionais e perdas de memória.

A filha Carol escreveu em suas memórias, publicadas em 2008, que nos piores momentos Thatcher tinha dificuldades para terminar as frases e esquecia que o marido, Denis, havia morrido em 2003.

Vida

Margaret Hilda Roberts nasceu em 13 de outubro de 1925 em Grantham, Lincolnshire. Seu pai era pastor e membro do conselho da cidade.

Ela estudou química na Universidade de Oxford, onde presidiu a tradicional Associação Conservadora, composta por alunos. Ela estudou direito enquanto trabalhava e se formou advogada em 1954.

Em 1951, se casou com Denis Thatcher, um rico homem de negócios, com quem teve dois filhos gêmeos, Carlo e Mark.

Carreira política

Thatcher se tornou membro do Partido Conservador no Parlamento de Finchley, ao norte de Londres, em 1959, onde cumpriu mandato até 1992. Seu primeiro cargo parlamentar foi ministra-assistente para previdência no governo de Harold Macmillan.

De 1964 a 1970, quando o partido Trabalhista assumiu o poder, ela ocupou diversos cargos no gabinete de Edward Heath. Heath se tornou primeiro-ministro em 1970 e Thatcher, sua secretária de Educação.

Durante o período na pasta, ela aumentou o orçamento da educação no país, mas foi criticada por abolir o leite que era gratuito em escolas para crianças. A medida polêmica lhe deu o apelido de “Thatcher the Milk Snatcher”, algo como “Thatcher a Ladra de Leite”.

Após os conservadores sofrerem nova derrota, em 1974, Thatcher concorreu com Heath pela liderança do partido e, para surpresa de muitos, venceu a indicação. Em 1979, o Partido Conservador venceria as eleições gerais e ela se tornaria primeira-ministra, aos 54 anos.

A  ex-premiê britânica Margaret Thatcher (Foto: AFP)

A ex-premiê britânica Margaret Thatcher (Foto: AFP)

‘Thatcherismo’

Com ideias arrojadas criou uma nova expressão no dicionário inglês: “thatcherismo”, que significa liberdade de mercado, privatizações, menos intervenção do governo na economia e mais rigor no tratamento com os sindicatos trabalhistas. Suas políticas conseguiram reduzir a inflação, mas o desemprego aumentou dramaticamente.

A vitória na guerra pelas Ilhas Malvinas, em 1982, e uma oposição rachada ajudaram Thatcher a conquistar uma nova vitória nas eleições de 1983. Em 1984, ela escapou por pouco de um atentado do IRA (o Exército Republicano Irlandês), que instalou um carro-bomba numa conferência do Partido Conservador em Brighton.

Thatcher cultivou uma relação muito próxima e pessoal com o então presidente dos EUA, Ronald Reagan, baseada na desconfiança de ambos com o comunismo e na ideologia de uma economia de mercado livre. Nesta época, recebeu o apelido de “Dama de Ferro” dos soviéticos. Ela saldou com entusiasmo a chegada ao poder do reformista soviético Mikhail Gorbachev.

Nas eleições de 1987, Thatcher ganhou um inédito terceiro mandato. Mas suas políticas controversas, como a adoção de novos impostos e a oposição a qualquer integração mais próxima com a Europa, levaram sua popularidade a cair para o nível mais baixo desde que ela havia assumido o poder, em 1979.

A política interna da primeira-ministra começava a fracassar. Com a inflação alta, o país caminhava para a recessão e sua liderança começou a ser questionada dentro do próprio Partido Conservador. Em novembro de 1990, ela concordou em renunciar ao cargo e à liderança do partido, sendo substituída por John Major.

Do G1

Bertha Lutz lutou para que a mulher brasileira tivesse direito ao voto

Cinco mulheres com atuação em áreas como assistência social, direitos femininos, saúde e educação serão agraciadas pelo Senado Federal com o Diploma Mulher-Cidadã Bertha Lutz. A comenda será entregue em sessão solene do Congresso Nacional marcada para as 11h desta nesta quarta-feira (6), no Plenário do Senado.

As homenageadas na 12ª edição do diploma são a deputada Jô Moraes (PCdoB-MG), a educadora Adélia Moreira Pessoa, as ativistas Amabília Vilaronga de Pinho Almeida e Telma Dias Ayres e a missionária Luzia Santiago.

Veja a seguir mais detalhes sobre cada uma das indicadas:

ADÉLIA MOREIRA PESSOA

Uma história de vida pautada na defesa da cidadania está associada ao nome da indicada, nascida em São Gonçalo (MG), onde começou sua vida profissional como professora primária nos idos de 1968, na periferia de Belo Horizonte. Chegou em Aracaju em dezembro de 1973 e, disposta a recomeçar a vida profissional, no ano seguinte ingressou no curso de Direito da Universidade Federal de Sergipe (UFS). Como conselheira federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), atuou como membro da Comissão de Acompanhamento da Constituinte e da Comissão do Ensino Jurídico. Desde 1999, atua na Diretoria Estadual do Instituto Brasileiro de Direito de Família, onde busca contribuir para a criação de novos paradigmas e valores, garantindo os direitos constitucionais do ser humano, em especial no âmbito familiar. De abril a dezembro de 2006 assumiu a direção da Escola de Gestão Penitenciária, da Secretaria de Estado de Justiça de Sergipe, realizando trabalho que se mostrou vitorioso ao definir a educação como elemento de valorização dos servidores, visando a um tratamento digno para os internos. Na luta em defesa da mulher e no enfrentamento da violência doméstica, Adélia Passos ministra cursos e palestras, organiza e participa de conferências e seminários.

AMABÍLIA VILARONGA DE PINHO ALMEIDA

Desde cedo Amabília tornou-se ativista na luta pelos direitos das mulheres, já em 1952 vinculando-se à Associação Feminina da Bahia. Como seguidora do Movimento Nova Escola, cujo manifesto de fundação teve a assinatura de nomes como Anísio Teixeira, Fernando de Azevedo e Cecília Meireles, militou entre os anos 50 e 60 pela universalização da escola pública, laica e gratuita. Em 1964, no dia do golpe militar, então candidata à presidência da Sociedade Unificada dos Professores, participava de caminhada até o palácio do governo. Depois, afastada do serviço público por força do Ato Institucional nº 2, ela juntou-se a colegas e fundou uma escola privada ainda hoje referência de boa educação. Sem nunca abandonar a luta em defesa dos direitos das mulheres, Amabília filiou-se ao então MDB e ajudou a formar o MDB Mulher. Foi ainda fundadora do Movimento Feminino pela Anistia e atuou em defesa da Assembleia Nacional Constituinte e pelas eleições diretas. Com a queda do autoritarismo integrou-se ao PMDB. Tendo sua liderança reconhecida nos movimentos de mulheres e educadores, ela foi eleita vereadora com mandato de 1983 a 1986, e em 1986, como deputada estadual constituinte da Bahia. Não descuidando da assistência social a crianças, adolescentes e idosos, adicionou à assistência atividades de formação para a cidadania. Sua trajetória é exemplar como exercício de cidadania.

LUZIA DE ASSIS RIBEIRO SANTIAGO

Luzia Santiago, formada em Serviço Social e Filosofia, é natural de Virgínia (MG). Ela é missionária e co-fundadora da comunidade Canção Nova, uma associação internacional de fiéis fundada pelo Monsenhor Jonas Abib, em 1978. Com sede em Cachoeira Paulista (SP), a entidade tem por missão formar homens novos para um mundo novo, por meio da evangelização em encontros, retiros e meios de comunicação social. É membro do Conselho Deliberativo da Fundação João Paulo II. Esta fundação criou, há três anos, o Núcleo Social Coração Solidário, composto pelo Progen – Projeto Geração Nova, Casa do Bom Samaritano, Mãos que Evangelizam, Posto Médico Pe. Pio e Instituto Canção Nova, atuando nas áreas de saúde, educação e assistência social. Luzia é também vice-presidente da Associação Privada Internacional de Fiéis. Já publicou vários livros e apresenta programas voltados de forma mais efetiva para o público feminino, pela TV Canção Nova.

MARIA DO SOCORRO JÔ MORAES

Natural de Cabedelo (PB), Jô Moraes iniciou sua militância política como estudante secundarista nos tempos mais sombrios da história do Brasil. Mesmo na clandestinidade foi responsável por elaborar informes sobre a questão da mulher em congressos partidários. Integrou o movimento feminino pela anistia e, a partir da redemocratização do país, os movimentos e organizações de mulheres que surgiram no período. Atualmente é deputada federal e exerce a presidência da Comissão Parlamentar Mista que analisa a ação do estado no enfrentamento à violência contra a mulher. Em 1982, foi coordenadora da Comissão Pró-Federação de Mulheres de Minas Gerais, também sendo eleita como a primeira presidente do Movimento Popular da Mulher de Belo Horizonte. Em agosto de 1998 em Salvador, foi eleita a primeira presidente da União Brasileira de Mulheres. Jô Moraes também é autora de dois livros sobre discriminação de gênero: Pelos Direitos e Pela Emancipação da Mulher e Esta Imponderável Mulher. É membro-fundadora do conselho editorial da revista Presença da Mulher e autora de artigos para publicações especializadas sobre o assunto. Em sua ação legislativa buscou priorizar projetos do gênero, como, por exemplo, a proposta para o pagamento pelo poder público de pensão indenizatória aos dependentes das vítimas fatais de crimes de violência doméstica e o que sugere a criação do Programa de Apoio às Chefes de Família Desempregadas.

TELMA DIAS AYRES

Telma Dias Ayres, que nasceu em Vitória (ES), é um exemplo de dedicação à causa oncológica no estado do Espírito Santo. Como presidente da Associação Feminina de Educação e Combate ao Câncer desde 1983, ela é voluntária desde 1960. Sua história de vida se confunde com a da associação, doando seu tempo e esforço para que os pacientes com câncer ganhem um tratamento mais humanizado. Tornou-se também presidente do Conselho de Administração do Hospital Santa Rita de Cássia, mantido pela associação. Vanguardista, ela move pessoas, que se inspiram em sua vida de doação e se tornam parceiras da entidade e da causa. Juntamente com suas seguidoras, Telma exerce cidadania ativa, estimula a criação de políticas públicas de saúde, briga por igualdade e pela humanização do paciente oncológico do Sistema Único de Saúde (SUS), acreditando nos valores humanos e na possibilidade de fazer diferença. Já recebeu vários prêmios e troféus em reconhecimento ao seu trabalho.

Da Agência Senado

Título em português: No
Título na língua original: No
Ano da produção: 2012
País de origem: Chile, França, Estados Unidos
Direção: Pablo Larraín
Elenco: Gael García Bernal, Alfredo Castro, Antonia Zegers

Performance marcante de Gael Garcia Bernal em produção chilena que concorrerá ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 26 de fevereiro.

Chile, 1989. A pressão internacional sobre o regime de exceção comandado pelo ditador Augusto Pinochet aumentava. Estados Unidos e Europa, maiores aliados econômicos do país, convencem o general de que será possível permanecer no poder através do voto direto. Afinal, o Chile ostentava os melhores índices econômicos da América do Sul. Ciente de que poderia efetivamente vencer, ele convoca plebiscito. As pessoas diriam “Sim (Si)”, para sua permanência no poder, por mais um período. Ou “Não (No)”, o que significaria sua retirada imediata e consequente passagem do cargo de chefe de Estado para o líder oposicionista. Achando-se blindado, o regime abriu espaço para “o outro lado” nos meios de comunicação, televisão incluída. Apenas com um detalhe: o espaço gratuito seria durante a madrugada. Nesse ambiente, começa a narrativa de No (No – Chile, França, Estados Unidos – 2012). A oposição era pura salada ideológica: comunistas, socialistas, democratas-cristãos e todos os que discordavam da maneira como o País vinha sendo conduzido, desde a interrupção do governo esquerdista de Salvador Allende, em setembro de 1973. Cicatrizes psicológicas continuavam latentes. Era preciso aproveitar o tempo na televisão para mostrar a crueldade da ditadura, lembrar os mortos e desaparecidos. E exigir punição para os acusados de tortura e outros coniventes com o regime de força. Um dos líderes da oposição convida então o publicitário René Saavedra (Gael Garcia Bernal) para criar e produzir os programas de televisão “contra o governo”. Filho de militante de esquerda morto pelo regime, René reunia a confiança do grupo. Além disso, com a morte do pai, foi morar na Espanha, então redemocratzizada na década anterior. Lá se formou em publicidade e desde cedo despontou como talentoso redator. Imediatamente, recebeu convite de próspera agência de publicidade chilena para ser o seu diretor de criação. A chance de voltar. Aceitou ser publicitário em Santiago. O dono da agência, Lucho Guzmán (Alfredo Castro) o pressiona para trabalhar em favor do “Si”, ou seja, para o governo, que era cliente da empresa. Agradece e recusa o convite, por razões pessoais. E por já haver aceito trabalhar justamente para a oposição. O filme mistura fatos reais — o plebiscito efetivamente ocorreu — com personagens imaginários, a exemplo de René e Lucho.

Publicitário assume liderança da comunicação do “No”

Criativo e experimentado internacionalmente, logo na primeira reunião ele discordou radicalmente de todas as sugestões dos ideólogos oposicionistas. Nada de fazer campanha para lembrar os mortos, a tortura, dias tristes, o passado sombrio. O caminho estava em mensagem essencialmente otimista, gente jovem e bonita, trilha sonora cativante e em ritmo moderno. Nossa mensagem, afirmou, “deve estar conectada com o amanhã. Com o passado, jamais. Vamos deixar os nossos mortos em paz. Onde quer que estejam, nada podem fazer. As pessoas votam no futuro”

A opção “publicitária” prevalece

Tumulto imediato no QG da oposição. Os mais velhos, que haviam enfrentado as forças militares e estavam cheios de ideias na cabeça, discordaram radicalmente de René. O impasse terminou sendo resolvido. O líder da oposição fez um apelo e pediu voto de confiança para o publicitário. Ele vinha da Europa e tinha visão mais abrangente. Além disso, era profissional de primeira linha. De repente, com enorme responsabilidade sobre os ombros, ele começa a trabalhar e o resultado do seu trabalho a aparecer. Os percentuais a favor do “No” crescem de forma tão rápida, que passam a incomodar o lado do governo. René chega a receber ameaças anônimas, mas não se intimida. Segue com sua estratégia. No final, a vitória do “No”. Pinochet cede lugar a Patricio Aylwin, jurista de sólida formação. Enorme comemoração na capital.

A vitória do “No”

Pelas ruas de Santiago, todos em estado de euforia. Todos, menos René, exatamente o responsável pela estratégia de comunicação vencedora. Acompanhado do sobrinho, menino adolescente, discretamente vai deixando a praça principal onde aconteciam as comemorações pela volta do estado de direito prometido pelo novo presidente. A câmera foca seu rosto. Semblante estóico brota por trás de riso de falsa satisfação. Pura linguagem imagética. Cinema com “C” maiúsculo. René tinha lá suas razões para não estar confiante. Sua campanha se sagrara vitoriosa, mas para que o êxito acontecesse, teve que inocular, pela primeira vez em seu país, o “vírus da publicitarização nas campanhas”. Partidos, temia ele, iriam, doravante, ser “vendidos” como sabonetes. Ideias e ideais corriam o risco de serem jogados na lata de lixo. Floresceria jeito efervescente de fazer comunicação política. Rostos bonitos, sorrisos, candidatos apertando mãos de pessoas saudáveis e simpáticas, testemunhais (previamente ensaiados) de gente do povo e, claro, uma música conhecida ligando todas aquelas imagens otimistas.

Candidatos iriam, doravante, ser vendidos como sabonete?

A democracia voltara. Mas, a que preço? René vinha da Espanha, onde também uma ditadura de direita tinha dado lugar a um governo esquerdista. O primeiro-ministro era Felipe Gonzalez, do PSOE, vistosa sigla que significa Partido Socialista Operário Espanhol, então ferrenho opositor do antigo regime duro e sanguinário de Francisco Franco. Direitos civis haviam sido restaurados. Mas, casos de corrupção já começavam a aparecer em parte dos escalões do governo de esquerda, que iriam provocar a queda de Gonzalez dali a sete anos. Quase não havia mais em que ou em quem acreditar? As campanhas haviam ficado parecidas demais. René temia destino semelhante para o Chile. Sequência final: o espectador o acompanha passando em frente a loja de eletros, onde aparelhos de televisão ligados mostravam o recém-empossado Patrício Aylwin prometendo novos tempos. Super close no rosto do publicitário: sorriso melancólico, olhar triste. Aquele silêncio, eloquente, parecia dizer algo como, “eu sei como isso vai terminar. . .”.

O que iria ocorrer depois e o filme não mostrou

Nos anos seguintes, fatos novos iriam alterar aquele destino que preocupava René. O país iria ser governado por políticos que contratassem publicitários-vendedores de sabonetes, apartamentos, automóveis, linguiças e tais? Ele não estava totalmente enganado. Após as gestões de Patricio Aylwin e de Eduardo Frei, ambos ligados à oposição ao antigo regime militar, eis que surge o candidato-espuma nas eleições presidenciais de 2000, Joaquim Lanvin, prefeito de Los Condes, região chique de Santiago, e graduado em Economia nos Estados Unidos. Assessorado por colegas de René (muitíssimo bem pagos para aquela empreitada) e apoiado por quase toda a mídia, Lanvin falava de “mudança” e de “futuro”. “Viva el Cambio”, proclamava, cinicamente, seu principal slogan. O outro lado estava com Ricardo Lagos, experiente e ético, com a responsabilidade de manter todos os que foram ligados à ditadura afastados do poder. Não fez por menos: convocou antídoto para Lanvin. Exatamente o parisiense Jacques Séguéla, que havia ajudado na trajetória (inatacável) do então presidente da França, François Mitterrand, dono de reputação austera e, ao mesmo tempo, de invejável intimidade com seus eleitores, que o chamavam carinhosamente de “ton ton” (titio). Lagos venceu, não sem antes experimentar enormes dissabores, conforme relata o próprio Séguéla, em seu livro “A Vertigem das Urnas” (Ed Tag & Line, 2007).

O dilema dos marketeiros políticos, brasileiros, inclusive

Grande parte dos marketeiros políticos, incluindo alguns dos mais famosos — quase todos formados em agências de publicidade convencionais — supostamente ainda não atingiram certo estágio de desenvolvimento ético, se e quando esse estágio vier a ser possível. Em caso positivo, farão a devida separação entre uma campanha política e a criação de filmes ou anúncios para vender sabonetes, pneus ou detergentes. O mesmo vale para jornalistas, donos de informações privilegiadas e contatos poderosos, por conta dos cargos que ocuparam em sua carreiras. E até para os oriundos do campo acadêmico. Por enquanto, cabe e caberá aos eleitores distinguir, pelos seus próprios meios e iniciativa (Acesso ao resultado de pesquisas qualitativas em profundidade, com viés psicanalítico? A internet e as mídias sociais?) distinguir os candidatos possuidores do conteúdo adequado ao cumprimento de propostas de campanha, daquelas pessoas espertas para conquistar votos. E mais espertas ainda para ignorar, depois, o que escreveram, ou prometeram.

Escrito por José Jardelino da Costa Júnior

Filme é refinada peça de propaganda dos Estados Unidos 

Cartaz do filme Lincoln

Protagonizado por Daniel Day-Lewis (A Insustentável Leveza do Ser, Em Nome do Pai, Nine e Ouro Negro), Lincoln (Lincoln – EUA – 2012) tenta o resgate da essência do pensamento que deu origem aos Estados Unidos da América do Norte. E a restauração da autoestima, internamente, e do prestígio da nação, no cenário externo. Para isso, sublinha os valores que fizeram nascer país que seria, pouco mais de um século e meio depois, a principal potência do Ocidente. Hercúleas tarefas. Magnificamente dirigido por Steven Spielberg, a produção chega em momento especialmente importante para a reputação americana, ainda abalada pela crise de 2008, na qual exportou instabilidade para o resto do mundo. O prestígio do Grande Irmão ainda seria abalado por certa decepção com os quatro anos iniciais da gestão do primeiro presidente negro, que acaba de passar por enormes dificuldades para vencer eleição contra candidato (Mitt Rommey) cheio de vulnerabilidades. Guantânamo continua a existir fora do alcance da Suprema Corte e a indústria, outrora inexpugnável, encontra dificuldades para o tão sonhado soerguimento. Agora mesmo, a japonesa Toyota volta a ser a maior do setor em nível mundial, desbancando, outra vez, a GM. É compreensível o porquê de cineasta da grandeza de Spielberg ter sacrificado parte essencial do seu estilo — efeitos rocambolescos, toques lúdicos — em favor da clareza e da simplicidade, de maneira que mesmo o mundo que não fala inglês pudesse entender os propósitos deste (belo) filme. Como sempre, tudo começa com um bom roteiro, que seguiu regrinha básica: foco. Ao invés de enveredar por maçante cinebiografia (como aconteceu por aqui recentemente), Spielberg concentrou a narrativa nos dois fatos que marcaram o período de Lincoln como presidente, que foram o fim da escravidão e a reunificação do País, quase destruído pela ganância de ambos os lados, no conflito conhecido como Guerra da Secessão.

Habilidade para gerir conflitos e determinação para “dar o murro na mesa” na hora certa 
Como o filme mostra, Lincoln superou, um a um, os obstáculos que apareceram. Não foram poucos. A começar pela perda do filho e consequente desestabilização psíquica da primeira-dama, magnificamente interpretada por Sally Field. Mais: a hostilidade do Partido Democrata, que naquela época era mais conservador do que o Republicano, ao qual Lincoln era filiado, foi desconstruída em várias batalhas congressuais. Para cada uma, ele tinha a estratégia, a tática e a equipe afinada com seus propósitos. Além do casal protagonista, registro para os estupendos desempenhos de David Strathairn, como o leal secretário de estado William Seward, Hal Holbrock, interpretando o enigmático e experiente líder político Preston Blair e, claro, Tommy Lee Jones, como o genial Thaddeus Stevens — todo presidente ou primeiro-ministro precisaria ter um aliado como aquele. Aliás, fica por conta do personagem a passagem final, irônica e repleta de significados, no momento em que volta para casa, já com a vitória no Congresso. Mesmo com um time de craques ao seu dispor, houve momento em que o “murro na mesa” precisava ser dado. E o foi.

Linguagem subjacente destaca valores e estilo de nação jovem, comprometida com o futuro. 
Em algumas sequências, Spielberg mostra Lincoln numa Casa Branca despojada. Lá está ele, o presidente, sentado em velha poltrona, apenas de meias, em prosaica atitude de coçar o dedão do pé junto à lareira, enquanto ouve reclamações da esposa. Significativo contraponto com o que então existia do outro lado do Atlântico, dominado por governos absolutistas, realezas nas quais os soberanos viviam no maior luxo e sofisticação, independentemente da situação econômica do país.

O gigante está no divã 
A clareza e a simplicidade de estilo escolhidas por Spielberg, mesmo usando quase todo o tempo luz onde as sombras dominavam a fim de ressaltar a gravidade daqueles tempos, serviu para mostrar ao mundo País de passado admirável. Nesse momento, no entanto, precisa mesmo deitar no divã e empreender regressão à sua “infância”. Urge identificar o porquê das coisas não estarem mais dando certo por lá como antes.

Em 1970, Patton se propôs a objetivo semelhante 

Evacuação da embaixada americana, em Saigon (1974).

Em 1970, a derrota na Guerra do Vietnã, a primeira dos Estados Unidos, já se desenhava no horizonte, o que de fato ocorreria quatro anos depois, com a patética sequência filmada e fotografada para o mundo do último helicóptero americano decolando da sitiada embaixada americana em  Saigon, gente pendurada de todas as maneiras na aeronave. E outra pequena multidão desolada por não ter conseguido sair de lá.

A autoestima do País estava em baixa. Naquele ano, Patton, Herói ou Rebelde surpreendeu ao narrar a trajetória de carismático e impulsivo general americano na Segunda Guerra. Seria o grande vencedor do Oscar, com nada menos que oito estatuetas, incluindo a de Melhor Diretor  (Franklin J. Schaffner) e a de Melhor Ator para George C. Scott, um dos mais convincentes protagonistas a receber uma estatueta no Oscar.
Emblematicamente, o filme começava com discurso do general, cuja  principal frase é exatamente essa: “Americans love a winner and will not tolerate a loser” (Americanos amam o vencedor e não suportam o perdedor). Qualquer semelhança com a situação de agora não é mera coincidência

 

Título em português: Lincoln
Título na língua original: Lincoln
Ano da produção: 2012
Origem: EUA
Direção: Steven Spielberg
Elenco: Daniel Day-Lewis, Sally Field, David Strathairn
 
 
Escrito por José Jardelino da Costa Júnior
 
Presidenta Dilma Rousseff, Foto Agência Brasil

Presidenta Dilma Rousseff, Foto Agência Brasil

Na data que celebra o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, a presidenta Dilma Rousseff disse que “o Holocausto também se repete quando é negado. Por isso deve-se sempre lembrar, mas ter muita responsabilidade quanto à verdade dos fatos”.

Dilma Rousseff , disse hoje (30) em seu discurso que o país também enfrentou momentos difíceis com os 300 anos escravidão e os períodos de ditadura. A presidenta reiterou diversas vezes em seu discurso que o caminho para evitar esse tipo de tragédia é o conhecimento da verdade e da história da humanidade.

“Respeitando a diversidade, a liberdade de pensamento e a grande riqueza de sermos diferentes e tão iguais, tão humanos, isso não significa que podemos deixar de avaliar, de conhecer, de estudar as mais dolorosas lições do ser humano. (…) [Devemos] lembrar, sistematicamente, para evitar que isso se repita”, disse.

Para a presidenta, a ideologia que resultou no holocausto, “não chegou abruptamente”. “Sem dúvida nenhuma os guetos são uma antecipação disso. A expulsão dos judeus de Portugal [durante o período de inquisição] foi outra manifestação histórica, uma longa preparação, secular, que desembocou naquele momento terrível da história da humanidade, que foi a perseguição aos diferentes, aos judeus. E se repete sempre que foi aos judeus, porque tinha uma sistemática tentativa de descaracterizar seres humanos como humanos”, disse.

A presidenta ressaltou a criação no governo da Comissão da Verdade, que tem a finalidade de apurar graves violações de Direitos Humanos, praticadas por agentes públicos, ocorridas entre 18 de setembro de 1946 e 5 de outubro de 1988.

Dilma Rousseff encerrou o evento citando o poeta do alemão Martin Niemöller. “Quando os nazistas levaram os comunistas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era comunista. Quando eles prenderam os sociais-democratas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era social-democrata. Quando eles levaram os sindicalistas, eu não protestei, porque, afinal, eu não era sindicalista. Quando levaram os judeus, eu não protestei, porque, afinal, eu não era judeu. Quando eles me levaram, não havia mais quem protestasse”.

A cerimônia homenageou Aracy Guimarães Rosa, mulher do escritor João Guimarães Rosa, funcionária do consulado brasileiro em Hamburgo, na Alemanha, e Luis Martins de Souza Dantas, embaixador brasileiro na França. Os dois, nas décadas de 1930 e 1940, salvaram centenas de judeus, concedendo a eles vistos para o Brasil contrariando ordens superiores.

Por questões de segurança, a cerimônia, que ocorreria no prédio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Brasília, foi transferida de local. A decisão foi do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, a partir de laudo do Corpo de Bombeiros.

A data lembrada hoje marca a libertação do campo de extermínio de Auschwitz, na Polônia, pelas tropas soviéticas em 27 de janeiro de 1945. No local, mais de 1,5 milhão de pessoas foram exterminadas.

Da Agência Brasil
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