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Caçadores de Obras-Primas. Título na língua original: Monuments Men. Ano da produção: 2014. Países de origem: Alemanha, EUA. Direção: George Clooney.

Caçadores de Obras-Primas. Título original: Monuments Men. 2014.  Alemanha, EUA. Direção: George Clooney.

Além Clooney, Caçadores de Obras-Primas tem elenco estelar: Cate Blanchett, Matt Damon, Bill Murray, Jean Dujardin, John Goodman e Bob Balaban.

 Ao assistir um filme, o espectador explicita sentimentos. Projeta-se nos personagens e situações. A conexão pode ser enviesada. Ou direta, como nos textos dos escritores rocambolescos Alexandre Dumas e Julio Verne. Caçadores de Obras-Primas (Monuments Men - Alemanha – EUA – 2014) já nasce clássico e provoca imediata simpatia da plateia para com o grupo protagonista. A narrativa é convencional, começo, meio e fim. Não há flashbacks ou sofisticados recursos de computação gráfica. A embalagem, no entanto, esconde conteúdo que pode ser considerado tesouro da Sétima Arte e merece ser avaliado com atenção. A essência do filme está nos seus inúmeros e relevantes detalhes. “O mais cruel dos sanguinários pode tentar eliminar uma civilização, começando pela matança em larga escala. Mas, ele sabe que o morticínio não será suficiente. Apenas poderá pensar em atingir seu objetivo, se conseguir destruir ou se apoderar da memória cultural e artística daquelas populações”. A reflexão do tenente do exército americano Frank Stokes (George Clooney) vai permear todos os acontecimentos que estruturarão o roteiro, a partir de então.

Aventura de se desdobra em interessante reflexão política 

Baseado em fatos reais, Caçadores de Obras-Primas conta a odisseia de grupo de especialistas em obras de arte que integravam as tropas aliadas, em 1944. Com o fim do conflito já próximo, decidem empreendimento ousado: localizar, resgatar e devolver aos legítimos donos quadros e esculturas valiosas, roubadas pelos nazistas. O acervo incluía Michelangelo, Rodin, Monet, Renoir, Da Vinci. Antes de assumir o poder, Adolf Hitler tentou ser pintor. Foi reprovado, por mediocridade acentuada. Ego transtornado, tão logo consolidou a conquista de parte da Europa, planejou criar o maior espaço cultural do planeta, na cidade alemã de Siegen. Para isso, deu carta branca a Hermann Göring, um dos seus mais próximos. Ele deveria se apoderar do acervo artístico localizado no continente europeu, que seria reunido no maior museu do planeta, a ser criado pelo Terceiro Reich. Emblemática forma de sinalizar o controle sobre a alma de povos que se opunham ao delírio esquizofrênico do predomínio da suposta raça ariana sobre o resto do mundo. Enganam-se os que vierem a pressupor que o filme adentra pelos surrados clichês do maniqueísmo rasteiro. Também sobram alfinetadas para os russos, sutilmente apresentados como os novos bárbaros que iriam instalar na área ditadura que substituiria o nazismo. E crítica afiada até para o trio de generais-comandantes das tropas aliadas, os americanos Eisenhower, Marshall e Patton, que apenas teriam valorizado a missão, quando ela descobriu, por acaso, as milhares de barras de ouro 2

que compunham o lastro econômico do Estado alemão. Teria aquela montanha de dinheiro sido usada pelos Estados Unidos em benefício dos seus interesses geopolíticos justamente para criar, depois da guerra, um programa econômico — o Plano Marshall – objetivando recuperar a economia dos países atingidos pelo conflito? Caridade, com o dinheiro dos vencidos?

Seis homens, uma mulher e um único destino Suspense, drama e aventura se fundirão na movimentada trajetória que George Clooney transformou em filmaço. Também diretor e autor do roteiro, ele contou com elenco de primeira grandeza: Cate Blanchett (que concorre ao Oscar de Melhor atriz, por sua atuação em Blue Jasmine), Jean Dujardin (o francês que recebeu a estatueta de Melhor Ator em 2012 por O Artista), mais os premiados Matt Damon, Bill Murray, John Goodman e Bob Balaban. A história avança com a chegada do grupo à Normandia, poucas semanas depois do histórico desembarque das forças aliadas. Surpreendentemente, são recebidos pelos comandos americanos com certo desprezo, traduzido de forma explícita com a não disposição para colaborar com o tenente Stokes.

Rendição da Alemanha próxima. Tempo escasso. Missão com risco de ser sumariamente encerrada

Precisaram, então, improvisar e descobrir meios heterodoxos para levar adiante a missão. Dividiram-se em grupos que iriam explorar possibilidades em cidades diferentes. O tempo estava contra eles. Tão logo viesse a ocorrer a rendição da Alemanha, a tarefa a que se propunham estaria inviabilizada. O tenente James Granger (Matt Damon) encontra a colaboração de um francês da Resistência, que tinha avião escondido em longínqua propriedade rural. Consegue chegar a Paris, onde localiza Claire Simone (Cate Blanchett), que havia sido secretária do oficial alemão encarregado por Göring de centralizar e despachar para a Áustria o acervo roubado. Embora simpática aos aliados, era uma mulher tensa, desconfiada e, sobretudo, amargurada com a perda do irmão, que acabara de ser assassinado pela SS, a polícia secreta alemã. Enquanto isso, os outros estavam fazendo descobertas periféricas, mesmo enfrentando risco de morte nos encontros com remanescentes do exército germânico. Notícias vindas da frente Leste confirmavam a chegada dos russos a Alemanha. Estava iniciada a contagem regressiva para o término da missão. Queimar etapas àquela altura seria quase impossível. Mas, era a única opção disponível. George Clooney, ex-apoiador de Obama, democrata rebelde 

Desde que se transformou em astro internacional, o americano George Clooney tem mantido postura crítica acentuada em relação à maneira como os Estados Unidos vêm agindo na cena política interna e externa. Colaborador assumido do Partido Democrata e apoiador da primeira eleição de Barack Obama, lentamente foi revendo posições. Transferiu sua produtora para a Itália. Desde então, tem mantido postura crítica acentuada em relação à forma de gestão do país. Sinaliza certa decepção com o próprio Obama. Tudo Pelo Poder, filme que também dirigiu e protagonizou em 2011, pode ser considerado como autópsia dos meios usados pelos democratas. Além de inteligente, George Clooney é refinado, culto e 3  admirado pelo público americano. Trabalha com sutilezas que a arte cinematográfica permite. Dificilmente abrirá área de confronto ao estilo Edward Snowden.

Ir contra a corrente… Será que valeu a pena?

Na sequência final de Caçadores de Obras-Primas, o tempo avança para 1977. Lá está o já aposentado tenente Frank Stokes, na companhia de um neto, visitando museu com algumas das obras resgatadas por seu grupo, trinta e três anos antes. Em pensamento, pergunta e responde: “Será que valeu o sacrifício? Claro que valeu!”. Mais uma sutileza do ator-cineasta e roteirista, que permite inúmeras ilações.

Além Clooney, Caçadores de Obras-Primas tem elenco estelar: Cate Blanchett, Matt Damon, Bill Murray, Jean Dujardin, John Goodman e Bob Balaban.

 Escrito Por J.Jardelino

Foto Valéria Pena-Costa

Foto Valéria Pena-Costa

“Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o sino que ressoa ou como o prato que retine.”

Ando desejando falar de amor. Diretamente. Me referindo mesmo a ele ao invés de somente tocá-lo com a ponta dos dedos ou da língua ao passar por lugares e falar de cores e passarinhos. Mas não sei. O amor, esse aí, me confunde.

“Ainda que eu tenha o dom de profecia e saiba todos os mistérios e todo o conhecimento, e tenha uma fé capaz de mover montanhas, se não tiver amor, nada serei.”

Então, quase nada sou?

Eu repetiria Coríntios, 13, de um a treze, e decoraria tudo aquilo em que quero acreditar. No entanto, chego sempre à conclusão de que aquele é realização de meu amor de mãe. Somente esse amor atinge em mim a quase totalidade do que o texto descreve.

Mas como quero falar de amor, de qualquer modo o farei, ainda que o crie, ainda que fantasie a possibilidade desse alcance.

Mesmo que somente possa ser sentido em frações desencontradas de tempo.

“Ainda que eu dê aos pobres tudo o que possuo e entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me valerá.”

As palavras são de uma beleza que me cega. Permitem-me encontro e eternidade em uma única leitura. Talvez ao lê-las já me sinta realizada, pois sou jogada instantaneamente ao interior de um êxtase.

Mas então hesito um pouco quando os próximos versículos se aproximam…

“O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha.

Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor.

O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade.

Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

O amor nunca perece; mas as profecias desaparecerão, as línguas cessarão, o conhecimento passará. Pois em parte conhecemos e em parte profetizamos;

Quando, porém, vier o que é perfeito, o que é imperfeito desaparecerá.”

Silencio minha tentativa de entendimento por alguns instantes, já que não posso explorá-lo…

“Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Quando me tornei homem, deixei para trás as coisas de menino.”

Ainda não entendo. E insiste aquele pensamento de que tudo o que sei é que nada sei.

Mas suponho. E chego a reconhecer em mim retalhos preciosos de amor, pois sei que amo ao pensar no bem estar do outro antes de realizar em plenitude o meu.

Amo ao sentir culpa pela dor que possa causar sem que ainda a tenha provocado.

Amo até mesmo quando penso em abandonar. Porque mesmo os abandonos podem ser mais amorosos e sinceros que a presença incompleta. Principalmente porque sei que posso me fazer mais presente em minha ausência que quando me distancio em pensamento.

Conheço bem a força da ausência e o quanto de presença ela traz. A alheia e a minha.

“Agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro, como em espelho; mas, então, veremos face a face. Agora conheço em parte; então, conhecerei plenamente, da mesma forma como sou plenamente conhecido.

Assim, permanecem agora estes três: a fé, a esperança e o amor. O maior deles, porém, é o amor.”

Não quero ser somente um sino, um prato, nem quero pensar como um menino. O espelho já não me satisfaz, a parte não me basta. E se conheço a fé, a esperança e o amor de mãe, talvez possa conhecer o todo, e me fazer plenamente conhecida.

Quero ver no outro a face de Deus e recitar como Santo Agostinho: Sero te amavi.

“Tarde te amei, beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Tu estavas dentro de mim e eu te buscava fora de mim. Como um animal buscava as coisas belas que tu criaste. Tu estavas comigo, mas eu não estava contigo. Mantinham-me atado, longe de ti, essas coisas que, se não fossem sustentadas por ti, deixariam de ser. Chamaste-me, gritavas-me, rompeste minha surdez. Brilhaste e resplandeceste diante de mim, e expulsaste dos meus olhos a cegueira. Exalaste o teu Espírito e aspirei o seu perfume, e desejei-te. Saboreei-te, e agora tenho fome e sede de ti. Tocaste-me, e abrasei-me na tua paz.”

Quem já amou assim, que atire a primeira palavra.

(Confesso que temo o silêncio.)

Valéria Pena-Costa

Valéria Pena-Costa

 

Valéria Pena-Costa, Artista plástica . Mineira em Brasília.

Prêmio Nobel da Paz por sua luta contra a violência racial na África do Sul, Nelson Mandela – ou Madiba, como é chamado na sua terra natal – passou 27 anos preso e se tornou o primeiro presidente negro daquele país. Foto UOL

Apesar da chuva, milhares de sul-africanos cantam e dançam no estádio FNB -também conhecido como Soccer City- no bairro de Soweto, em Johannesburgo, onde o ex-presidente Nelson Mandela vai receber uma homenagem especial como parte das cerimônias de seu funeral. A presidente Dilma Rousseff já chegou ao local.

A parte superior de um dos lados do estádio, com capacidade para 90 mil espectadores, já está completamente lotada de pessoas que dançam ao som da música “gospel” de um coral presente no gramado.

Os presentes levam bandeiras da África do Sul e imagens com o rosto de Madiba, como Mandela é carinhosamente chamado em seu país.

Muitos estão com camisas com o rosto de Mandela e vestidos africanos com as cores e o anagrama do Congresso Nacional Africano (CNA), que foi liderado pelo ex-presidente, e até uniformes militares de Umkhonto we Sizwe, o braço armado da organização fundada por Madiba.

Bandeiras de outros países como Zimbábue e França podem também ser vistas penduradas nas arquibancadas, onde há muitos cartazes com fotografias de Mandela, que morreu na última quinta-feira aos 95 anos.

Do UOL

Foto: Acervo do Grupo 'Conterrâneos Carmelitanos'

Foto: Acervo do Grupo ‘Conterrâneos Carmelitanos’

‘Ave Maria Gratia plena

Dominus tecum… ‘

Sai a melodia da velha Igreja Matriz e caminha tomando toda a praça. Passa por becos, sai em ruas, entra em alpendres e janelas. E eu, que passeio sob os flamboyants, sento-me em um dos bancos de cimento e assisto de longe a um casamento imaginário. Dos antigos, me parece.

Charles Gounod, auxiliado por Bach, é o celebrante, ainda que na voz da moça emocionada que chora enquanto canta. A oração, por Gounod, incita lágrimas e torna mais sólidas as promessas.

Eu mesma choraria e amaria com mais força e mais certezas se me casasse sob o doce olhar da Virgem do Carmo daquela igreja. Mas a igreja não existe mais.

E mais sólido ainda seria meu amor se uma voz angelical entoasse a mesma Ave Maria, pois para mais perto do céu um timbre de anjo nos eleva, lá onde alianças não se dissolvem, apesar da proximidade do sol. Ainda que as pretensões de nubentes (palavra tão velha quanto o extinto templo) muito se assemelhem às de Ícaro.

A voz também já não existe.

‘Benedicta tu in mulieribus.’

Eu teria me sentido bendita entre as mulheres. Num manto possivelmente branco, entre todas aquelas que se sentavam diariamente, sob véus negros de renda, diante dos santos e velas, fazendo escorrer entre os dedos as contas de terços gastos, movendo os lábios em orações mecânicas ao mesmo tempo que os olhos em buscas atentas a cada passo que ecoasse no piso floral (ladrilhos hidráulicos estampados por rosáceas escuras, carregadas de simbolismos que à época eu ignorava, e que ainda hoje seguem estampando minha memória).

Ali eu me casaria por amor e morreria ainda amando, certa de um sentimento correspondido e nunca duvidado. Crédula, crente, fidelizada por um hino sacro que sela as mais puras devoções. Ao menos enquanto dure a lembrança de um sermão que evoca as bodas de Canaã, que torna água em vinho, diferente do vinho nosso de cada dia que torna-se água num lento evaporar e lavar de quereres. Antes água que vinagre, me diria meu sábio pai.

Diante de um altar barroco, todos os amados são anjos, todo enlace é santo, todo juramento é inquebrável, toda relação é eterna e cada amor é infinito, até o dia de sua morte.

São seis horas da tarde de um dia sanctu. Hora do Angelus, hora da Ave Maria.

Ouço o sino.

‘Benedicta tu in mulieribus.

Et benedictus fructos ventri tui Jesus’

Assim também era a velha igreja, bendita mãe de todos os devotos, carregava Jesus em seu ventre como acolhia todos os filhos em seu interior.

‘Sancta Maria,

Ora pro nobis

Nobis peccatoribus’

(Que sacrificamos nossos amores a cada dia)

‘Nunc et in hora, in hora mortis nostrae …’

Que os outros amores nunca morram.

(E que as promessas nunca tombem, como ruiu a própria igreja,

por puro desamor aos velhos compromissos.)

Amen

Valéria Pena-Costa

Valéria Pena-Costa

 

 

 

Valéria Pena-Costa, Artista plástica . Mineira em Brasília.

Ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela

A presidenta Dilma Rousseff lamentou há pouco a morte do ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela. Em nota de pesar, a presidenta descreveu Mandela como “personalidade maior do século 20”.

“Mandela conduziu com paixão e inteligência um dos mais importantes processos de emancipação do ser humano da história contemporânea – o fim do apartheid na África do Sul”, disse Dilma. A presidenta acrescentou que os brasileiros receberam consternados a notícia da morte do líder sul-africano.

Transmitindo aos parentes de Nelson Mandela e a todos os sul-africanos sentimento de “profundo pesar”, a presidenta disse que o governo e os brasileiros “se inclinam diante da memória de Nelson Mandela”.

“O exemplo deste grande líder guiará todos aqueles que lutam pela justiça social e pela paz no mundo”, acrescentou.

O líder sul-africano tinha 95 anos e recebia cuidados médicos em casa após passar por problemas de saúde consecutivos, entre internações e altas hospitalares.

Ao anunciar a morte de Mandela, o atual presidente da África do Sul, Jacob Zuma, disse que este é um dos momentos de pesar mais profundos pelo qual passa o país. “A nossa nação perdeu o maior dos seus filhos”, disse.

Da Agência Brasil

Meu Caio

(M)EU CAIO

A diretora, nossa colunista de sábados, Carolina Viana e o ator, Arthur Tadeu Curado, acharam um ponto de equilíbrio perfeito para mostrar, em 45 minutos de um monólogo sensacional, a efervescência do autor.

Monólogos são difíceis e só funcionam quando o ator é um craque e a direção acerta no tom.

Com tanto a dizer sobre a produção do Caio F, imagino a dificuldade de fazer a seleção, porém o resultado foi muito feliz.

A Produção é enxuta, com cenário e iluminação criativos e o teatro, Espaço Cena, muito apropriado para a peça.

Temporada de #meucaiomaisumadeamor vai até 27 de outubro no Espaço Cena Brasília.

De quinta a sábado às 21h e domingo as 20h.

Não perca!

No Facebook consulte a página:

https://www.facebook.com/meucaio

Gianna Xavier

Gianna Xavier

Gianna Xavier

Mary Del Priore

Mary Del Priore é historiadora, professora universitária e autora de obras como História das Mulheres no Brasil (ed. Contexto), vencedor dos prêmios Jabuti e Casa Grande e Senzala, e Histórias e Conversas de Mulher (ed. Planeta), em que acompanha avanços femininos desde o século 18.

Para a historiadora, as mulheres brasileiras do último século conquistaram o direito de votar, tomar anticoncepcionais, usar biquíni e a independência profissional. Mas ainda hoje são vítimas de seu próprio machismo.

Muitas mulheres “não conseguem se ver fora da órbita do homem” e são dependentes da aprovação e do desejo masculino, opina ela.

BBC Brasil – Você vê traços de machismo ou preconceito em seus ambientes profissional e pessoal?

Mary Del Priore - No ambiente profissional, não vivi nenhum problema, porque desde os anos 1980 o setor acadêmico sofreu grande “feminilização”. As mulheres formam um bloco consistente nas disciplinas (universitárias) mais diversas.

Mas, na sociedade, acho que o machismo no Brasil se deve muito às mulheres. São elas as transmissoras dos piores preconceitos. Na vida pública, elas têm um comportamento liberal, competitivo e aparentemente tolerante. Mas em casa, na vida privada, muitas não gostam que o marido lave a louça; se o filho leva um fora da namorada, a culpa é da menina; e ela própria gosta de ser chamada de tudo o que é comestível, como gostosa e docinho, compra revistas femininas que prometem emagrecimento rápido e formas de conquistar todos os homens do quarteirão.

O que mais vemos, sobretudo nas classes menos educadas, é o machismo das nossas mulheres.

BBC Brasil - Mas muitas até querem que os maridos ajudem em casa, mas será que essas coisas do dia a dia acabam virando motivos de brigas justamente por conta do machismo arraigado? E também há mulheres estudadas, ambiciosas e fortes – mas também vaidosas, que ao mesmo tempo querem se sentir desejadas por um parceiro/a que as respeite. Isso é uma conquista delas, não?

Del Priore - Ambas as questões não podem ter respostas generalizantes. Mais e mais, há maridos interessados na gerência da vida privada e na educação dos filhos. Quantos homens não vemos empurrando carrinhos de bebê, fazendo cursos de preparação de parto junto com a futura mamãe ou no supermercado? Tudo depende do nível educacional de ambos os parceiros. Quanto mais informação e mais educação, mais transparente e igualitária é a relação.

Quanto às mulheres emancipadas, penso que preferem estar sós do que mal acompanhadas. Chega de querer “ter um homem só para chamar de seu”. Elas estão mais seletivas e não desejam um parceiro que queira substituir a mãe por uma esposa.

BBC Brasil - Como a mulher mudou – e o que permanece igual – no último século?

Del Priore - Temos uma grande ruptura nos anos 60 e 70 no Brasil, que reproduz as rupturas internacionais, com a chegada da pílula anticoncepcional. As mulheres começaram a ocupar postos nos diversos níveis da sociedade, a ganhar liberdade sexual e financeira. Ela passa atuar como propulsora de grandes mudanças. Quebra-se o paradigma entre a mulher da casa e a mulher da rua.

(Mas) a mulher continua se vendo através do olhar do homem. Ela quer ser essa isca apetitosa e acaba reproduzindo alguns comportamentos das suas avós. Basta olhar algumas revistas femininas hoje. Salvo algumas transformações, a impressão é de que a gente está lendo as revistas da época das nossas avós.

A mulher não consegue se ver fora da órbita do homem, diferentemente de algumas mulheres europeias, que são muito emancipadas. O que ela quer é continuar sendo uma presa desejada.

A (antropóloga) Mirian Goldenberg diz que a mulher brasileira continua correndo atrás do casamento como uma forma de realização pessoal. No topo da agenda dela não está se realizar profissionalmente, fazer o que gosta, viajar, conhecer o mundo – está encontrar um par e botar uma aliança no dedo. Mesmo que o casamento dure uma semana.

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Iris Apfel compareceu ao evento de lançamentos outono-inverno da Swarovski, nesta quarta-feira, no shopping JK Iguatemi, em São Paulo Foto: Getty Images

Ícone fashion, aos 92 anos ela segue lição dada pela mãe durante a Grande Depressão: me ensinou que de um vestido preto se faz 15 roupas diferentes, se souber usar os acessórios.

Aos 92 anos, ela esbanja alegria, personalidade e inspira fashionistas do mundo inteiro com seu estilo particular – e nada básico – de se vestir. Com seus óculos de lentes grandes e redondas – marca registrada da ícone da moda – ela já inspirou uma coleção e também lançou uma linha de acessórios, com pulseiras e colares coloridos, que são indispensáveis para Iris Apfel. Para o evento da Swarovski Elements desta quarta-feira (18), para o qual ela foi a convidada especial, não foi diferente. Iris chegou com o já conhecido par de óculos, pulseiras coloridas cobrindo todo o antebraço, maxicolares, um acessório de plumas laranja e a simpatia usual. “Minha mãe adorava acessórios, ela que me ensinou a usá-los”, comentou.

A lição tirada no final da década de 1920 influenciou a vida inteira da nova-iorquina. “Vivi a época da Grande Depressão nos Estados Unidos, não tínhamos muita coisa. Minha mãe me ensinou que de um vestido preto se faz 15 roupas diferentes, se souber usar os acessórios. Se tiver imaginação, dá para fazer muita coisa, fica personalizado, diferente e ainda ajuda a economizar dinheiro”, contou. A preferência por roupas “arquitetônicas”, que permitam que ela mesma as embeleze, permanece até hoje.

Em sua primeira visita ao Brasil, Iris se disse encantada pelas peças e acessórios de artesanatos locais. “Vocês têm muito talento aqui, nas feirinhas de rua, vi muito artesanato e adorei. Se a alfândega permitir vou levar coisas para casa e para mim também”, afirmou a fashionista, que não vive sem acessórios. Se vestir bem para Iris não implica em roupas caras ou seguir as últimas tendências. Ela enxerga a moda como um fenômeno cíclico e que o importante é vestir-se para si mesmo. “Elegância não é o que você veste, mas como veste. Vem de dentro”, disse. “Tenho jeans de 10 dólares”, comentou.

A história de Iris com as calças jeans mereceu um espaço especial no bate-papo da fashionista com o público. “Acho que fui a primeira mulher dos EUA a comprar um par de jeans”, contou. Na época, as calças eram feitas apenas para os homens, mas, depois de ter a ideia de que jeans com camiseta branca era uma excelente combinação, Iris foi em busca de um modelo que a servisse. Ela foi até uma loja das Forças Armadas e insistiu para que eles ajustassem a calça para ela. Ela venceu pelo cansaço e conseguiu.

Iris sempre gostou de roupas e de se vestir bem. Atualmente, ela já não faz compras com tanta frequência e cede apenas quando encontra algo encantador. “Tenho muita coisa, estou doando todos os anos para uma instituição de caridade e para um museu”, contou ela, que trouxe três malas com roupas e acessórios para a rápida passagem pelo Brasil. O guarda-roupa dela é tão comentado no mundo da moda, que Iris ganhou até uma exposição no museu Metropolitan, em Nova York. “O pessoal da produção abriu os armários, gavetas e até olharam embaixo da cama, levaram cerca de 300 peças para a exposição e todo dia um caminhão ia buscar mais. Foi um sucesso”, lembrou o evento entre os anos de 2005 e 2006.

Apesar de ser queridinha entre os designers e uma atração nas semanas de moda, o trabalho de Iris começou longe das passarelas. Ela é designer de interiores, dona de uma loja de tecidos e trabalhou por anos com restaurações e decoração na Casa Branca. Ao longo dos anos, desenvolveu uma linha de cosméticos para a M.A.C., duas de bijuterias para o Yoox, uma para o designer Alexis Bittar, e uma linha de óculos e bolsas para a Eyebobs. E ela não pretende parar: “aposentar é pior que morte, todos precisam fazer algo”.

O segredo para tanta disposição, segundo Iris contou em entrevista ao Terra, é “não levar as coisas tão a sério”. “Eu não tenho uma rotina, nunca sei o que o próximo dia vai trazer”, acrescentou. Ao longo de mais de nove décadas, ela aprendeu a importância da família, do amor e de ter amigos próximos. “O segredo é tentar se divertir e fazer as próprias coisas sem se preocupar muito com o que os outros vão pensar”, concluiu.

Do Terra

<3

<3

I

Eu preciso escrever uma história de amor. Dessas com começo, meio e fim. Aliás, a minha história de amor. Que teve tudo isso e foi linda.

Difícil começar. Talvez pelo dia em que nos conhecemos. Mas isso é tão banal. Todas as histórias começam pelo início. Assim, sem-graça. Assim, banais. A nossa história, que foi a mais bela que houve até hoje, deveria ter um princípio especial. Ao menos, no papel.

Mas não escrevo em papel. E não tenho como retroceder no tempo para apagar os fatos e fazê-los magníficos.

Foi uma chuva. Ou um guarda-chuva. Rolou no chão com o vento. Bateu em meus pés. Ele veio correndo apanhar. Desculpou-se. Ofereceu-se para me levar ao carro protegida da chuva. Tenho medo de sombrinhas, respondi, já encharcada. Isso não é uma sombrinha, é um guarda-chuva, corrigiu-me.

Tenho medo, mesmo assim. De guarda-chuva. De gente carrancuda. De sim e de não. Ser indiscreta ou forçar intimidade. Cachorro preto. Escuro. Ficar louca. Solidão. Fantasmas. Terremotos. Ternos cinza. Dias calmos. Tenho medo.

Muitos medos, observou. E de café? Perguntou sorrindo. Café, eu gosto, respondi rápido ansiando por um convite. Que bom, disse, acabando com as minhas esperanças. Perguntou-me se eu tinha telefone ao me deixar no carro. Respondi-lhe que sim e parti.

É o tipo de coisa que não se faz, sabe? O arrependimento chegou segundos depois. Mas não voltei. Não voltaria. A cena valia mais do que a ligação.

Carolina Vianna

Carolina Vianna

 

 

 

Carolina Vianna é fotógrafa, diretora de teatro, poderosa e escreve para o Mulheres no Poder.

Iphan

A presidenta Dilma Rousseff anuncia às 11h45 de hoje (20), em São João Del Rei (MG), a seleção de projetos que serão contemplados com R$ 1,6 bilhão de recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Cidades Históricas.

O programa foi criado para desenvolver e proteger o patrimônio e tem 44 cidades de 20 estados incluídas nessa etapa. Os recursos poderão ser investidos na recuperação e revitalização das cidades, restauração de monumentos e para o desenvolvimento econômico e social e suporte a cadeias produtivas locais.

Além de R$ 1,6 bilhão em investimentos, também será anunciada uma linha de crédito de R$ 300 milhões para financiar obras em imóveis particulares localizadas em 105 cidades com áreas tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Escolhida para o anúncio, São João Del Rei vai receber R$ 550 mil para sinalização turística, segundo informações da prefeitura.

Também estão na lista do PAC Cidades Histórica municípios como João Pessoa (PB), São Luís (MA), Belém (PA), São Miguel das Missões (RS), Corumbá (MS) e São Luís do Paraitinga (SP).

Da Agência Brasil

Ig
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