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Escultura de Mafalda em San Telmo (Ekpy)

Ela é baixinha, tem os cabelos curtos e pretos e sempre tem uma crítica na ponta da língua quando o assunto é violência ou guerra. Rejeita a destruição do meio ambiente, a falta de sensibilidade dos governantes e a injustiça social. Isso tudo com apenas 6 anos!

Mafalda, nasceu dia 29 de setembro de 1964, em Buenos Aires, pelas mãos do cartunista Quino. Completando 50 anos hoje (29), a personagem continua viva e atual em todo o mundo. Suas tirinhas foram traduzidas em vinte línguas e, apesar de terem durado menos de uma década (Quino decidiu parar de desenhá-la em 1973), colecina velhos e novos fãs.

Para comemorar a data, serão inauguradas, em San Telmo, as estátuas de dois amiguinhos da personagem: Susanita e Manolito. A própria Mafalda já tem seu monumento no local. Ao longo de todo o ano, a garotinha e seu criador, Quino, foram homenageados na Espanha, na França e em países da América Latina. Em entrevista em abril passado, na inauguração da Feira do Livro em Buenos Aires, Quino revelou que se surpreende com o sucesso de seu personagem até hoje: “Fico surpreso quando vejo como temas que abordei há 50 anos permanecem atuais. Até parece que desenhei a tira hoje. Deve ser porque o mundo continua cometendo os mesmos erros”.

Frases como “Parem o mundo, que eu quero descer” e “o que há de errado com a família humana que todos querem ser o pai?” definem a perspicácia da cinquentenária Mafalda.

 Da EBC

Magia Ao Luar. - Magic in the Moonlight. 2014.EUA. Direção: Woody Allen.

Magia Ao Luar.
- Magic in the Moonlight. 2014.EUA.
Direção: Woody Allen.

Atuação de Colin Firth conecta a plateia às melhores performances do diretor nos filmes em que dirigiu a si

Com o seu novo trabalho, Magia Ao Luar (Magic in the Moonlight - EUA - 2014), Woody Allen retoma a atmosfera do melhor dos seus filmes recentes, Meia-Noite Em Paris. A genialidade do cineasta consegue essa proeza sem perder os traços que têm marcado a essência de sua filmografia. Com certeza, o espectador observará em todos os 97 minutos do filme críticas ao modus vivendi dos célebres e poderosos nessa segunda metade do século 21. Faz isso, como sempre, de forma sarcástica e humor bem dosado, sublinhado pelos diálogos inteligentes e elenco bem entrosado, cem por cento afinado com os objetivos da trama.

Conteúdo marcante e estética valorizada por magníficas paisagens da Riviera Francesa

Em Magia Ao Luar, o ícone a ser desconstruído encarna numa jovem e bela médium, Sophie (Emma Stone). O encarregado da missão é o bem sucedido mágico londrino Stanley (Colin Firth), personalidade carregada por racionalismo neurótico, que o aproxima das performances do próprio cineasta, nos filmes em que também foi protagonista. Stanley é convidado para viajar à Riviera Francesa dos anos 20 do século passado por milionário, cujos vizinhos estavam absolutamente dominados pelos encantos e poderes de Sophie. Além do conteúdo marcado por deliciosa crítica aos ídolos de ocasião, Magia Ao Luar ainda traz como bônus paisagens que se assemelham a belos afrescos renascentistas ou aos melhores trabalhos de Auguste Renoir. As locações contribuem para sublinhar atmosfera pós-belle èpoque, especialmente o local mágico referido no título, um planetário construído em estilo retrô. O que ali acontece traz as primeiras pistas de como será o desenlace da história.

Colin Firth vive o personagem que seria do próprio Woody Allen 

Magia Ao Luar mostra, mais uma vez, o talento de atores ingleses que conseguem incorporar os trejeitos do diretor. Kenneth Branagh já havia atingido performance semelhante no ótimo Celebridades (1999), joia da filmografia de Woody Allen. Agora, o desafio coube ao multifacetado Colin Firth, o astro de O Discurso do Rei (com o qual recebeu a estatueta do Oscar de Melhor Ator em 2011). O seu desempenho se caracteriza por linguagem não verbal, marcada por tiques e atos falhos, reveladores de processos inconscientemente vivenciados pelo seu personagem. Façanha que apenas atores donos de notáveis recursos dramáticos conseguem.

Resultado: situações caricatas indescritíveis. Impossível não relaxar e se deixar envolver por inúmeras sequências de bom humor.

Aos 79, Woody Allen mostra-se conectado a estilo que não para de evoluir e encantar novas plateias

Um dos poucos autores cinematográficos em atividade, Woody Allen surpreende de novo. O olhar de sua câmera continua focado em novos horizontes. Agora com recursos digitais que permitem molduras que vão muito além do lugar comum, os caminhos do seu cinema de vanguarda incorporam-se ao inconfundível estilo que fascina desde Um Assaltante Bem Trapalhão (1969), o primeiro filme do diretor.

Escrito por J.Jardelino 

Filme do diretor João Jardim consegue trazer 1954 para 2014

Getúlio. 2013. Brasil. Direção: João Jardim. Elenco: Tony Ramos, Alexandre Borges, Drica Moraes.

Getúlio. 2013. Brasil.
Direção: João Jardim. Elenco: Tony Ramos, Alexandre Borges, Drica Moraes.

 Uma das mais emblemáticas passagens da História do Brasil foi transformada em filme. Filmaço. Getúlio (Brasil – 2013) lança olhar cinematográfico sobre os últimos dias de Getúlio Vargas, presidente do Brasil por quase duas décadas. Quase um documentário, o filme do diretor João Jardim tem qualidades para adentrar pelos gêneros suspense e drama, com viés político inteligente. E cumpre essa missão com êxito. Ao invés de maçante cinebiografia do ex-presidente, o roteiro estreita o foco nos dias que antecederam o fim da Era Vargas. Mesmo sendo obra ficcional ambientada há sessenta anos, Getúlio consegue ser atual. Revela minúcias do ambiente político no entorno da presidência da República. Os membros do gabinete presidencial, particularizando familiares, ministros e assessores próximos do poder, a oposição e o posicionamento da mídia são apresentados quase em estilo de cinema-verdade. Desde então, pouco ou nada mudou.

Traídos pela disfunção egóica 

O filme trata do embate entre duas personalidades fortes, Getúlio Vargas e Carlos Lacerda, representantes de interesses políticos antagônicos e donos de egos hipertrofiados. A disfunção psíquica em ambiente hostil faria um e outro cair em ciladas preparadas pelos inimigos. E pela traição dos amigos. Getúlio sucumbiria em 1954, abatido pelo fogo da mídia a serviço de oligarquias incomodadas pelas políticas que colocou em prática em favor dos mais pobres. Lacerda cairia quatorze anos depois — dezembro de 1968, em seguida à decretação do AI 5 — traído pelos amigos que ajudou a encastelar no poder com o advento do regime militar iniciado em 1964.

Getúlio 

Getúlio inaugurou a era dos presidentes carismáticos. Sabia se comunicar muito bem pelo rádio. Também era dono da rara habilidade de ganhar a confiança das multidões. Nos contatos diretos com o povo, deixou registrada marca de aceno contínuo, com a mão direita indo e voltando à testa. Instintivo, agregou à sua reputação a imagem de “pai dos pobres” ao materializar benefícios até hoje em vigor para as classes trabalhadoras, como a CLT – Consolidação das Leis do Trabalho, salário mínimo, férias proporcionais. Também soube flertar com a grande classe média, se aproximando da Igreja Católica. Em sua gestão, foi construído o Cristo Redentor. E ainda estabeleceu conexões pragmáticas com certa parte das elites nacionalistas, ao criar a Companhia Siderúrgica Nacional – CSN e liderar a campanha “O Petróleo É Nosso” e posterior fundação da Petrobrás.  Contra ele, pesou a criação do famigerado DIP – Departamento de Imprensa e Propaganda, eufemismo para instituir a censura à imprensa, no período em que foi ditador (1930/45). Outro lamentável episódio ligado ao seu governo foi a entrega de Olga Benário Prestes aos nazistas alemães, fato que resultaria na execução dela em câmera de gás de campo de concentração. Em 1951, voltou ao cargo de presidente da República, eleito pelo voto direto, em 30 de outubro do ano anterior.

Lacerda 

Carlos Lacerda oscilou da esquerda para a direita em espaço de tempo relativamente curto para travessia ideológica daquele porte. No biênio 32/34, foi comunista. Em 1948, guinada radical. Converteu-se ao catolicismo sob o papado conservador de Pio Doze. A nova postura incluiu intenso combate ao getulismo, com sucessivos discursos contra um governo que “chafurdava na lama da corrupção e planejava golpe que iria abortar as eleições presidenciais marcadas para 1955″. Perspicaz, entendeu a importância do novo veículo de comunicação, a televisão. Assistindo ao apresentador Fulton J. Shelton nos Estados Unidos, aprimorou técnicas que o ajudaram a dominar por completo o nova mídia. Em seus pronunciamentos televisivos, quase sempre se valia de um quadro-negro, a fim de destacar os pontos importantes de suas falas. Era o precursor do atual power point. Atraiu simpatizantes na classe média civil e militar, especialmente a abnegação de dez majores da Aeronáutica, um deles Rubens Florentino Vaz.

Intrigas de 1954 repaginadas para 2014 

O filme começa justamente com o assassinato do major Vaz, na rua Toneleros, em Copacabana. Na verdade, os autores do crime, ligados a Gregório Fortunato, líder da guarda pessoal de Getúlio, visavam Lacerda. O episódio daria início a uma série de erros do governo, que não estava preparado para agir com rapidez e eficiência. Os bastidores do Palácio do Catete, residência oficial de Getúlio, eram habitados por ministros e assessores que se caracterizavam ou pela incompetência ou pela explícita falta de lealdade ao presidente. Não ocorreu a ninguém ir aos subúrbios ou mesmo viajar aos Estados, a fim de conferir a excepcional popularidade que o presidente tinha, sobretudo junto às classes mais carentes. Naquele tempo, não estavam à disposição dos governantes as pesquisas de opinião. No final do filme, a exibição de imagens de arquivo da época demonstra o quanto Getúlio era querido e aprovado. Sagaz, Lacerda entendeu a vulnerabilidade predominante no núcleo do poder central e soube transformar mera fagulha em incêndio de grandes proporções. Com a mídia escancarada em seu favor, conseguiu construir cortina de fumaça entre o presidente e a realidade. De Getúlio, tirou a vontade de lutar. Sem ela, o presidente foi desmoronando, charuto em charuto, no rumo da carta-testamento.

Tony Ramos, Drica Moraes e Alexandre Borges em magníficas performances, sob a direção de João Jardim, com fotografia de Walter Carvalho 

O êxito de Getúlio pode e deve ser atribuído, em primeiro lugar, ao diretor João Jardim, que atuou como eficiente juiz em partida de futebol decisiva: deixou o jogo rolar de forma imparcial. Estudou, nos maiores e nos menores detalhes, as características de Getúlio Vargas e de Carlos Lacerda e soube passar orientações cirurgicamente precisas a Tony Ramos (Getúlio) e Alexandre Borges (Lacerda). Experientes, um e outro conseguiram materializar personagens muito próximos do que devem ter sido na realidade os próprios Getúlio e Lacerda. Drica Moraes, como Alzira Vargas, filha queridíssima do presidente, viveu talvez a melhor performance de sua carreira. Completando o círculo virtuoso, Walter Carvalho, um dos melhores diretores de fotografia do cinema brasileiro em todos os tempos, conseguiu a luz certa para cada sequência, valorizando outro atributo do filme: a linguagem imagética.

“Um filme que vale para todas as épocas” 

Segundo Tony Ramos, a sua filha, que é advogada, quando viu o filme, lhe segredou: “É um filme que propõe reflexão não só para aquela época. Vale para todas as épocas”.

Escrito por J. Jardelino

Foto Valéria Pena-Costa

Foto Valéria Pena-Costa

Eu buscava um assunto sobre o qual escrever dentre os muitos que eu pensava. Mas há assuntos a serem materializados, há assuntos a serem sentidos e há muitos outros a serem descartados. Despejados no nada. Enquanto tentava atrair algumas palavras no espremido teclado, meu gato (o tema público mais frequente em minha vida nos últimos dias) me lambia o pescoço e mordia o queixo, pousado no meu colo.

Recentemente escrevi o desejo de ter um gato na janela. Imediatamente chegou-nos à casa o exemplar mais cativante que eu poderia desejar. Como ainda é muito pequeno para janelas, senta-se em meu ombro e espia o curto mundo que alcança nas medidas do meu quarto. Ou acomoda-se em meu colo e penetra outro mundo, um pouco mais complexo, fixando meus olhos com um encantador olhar azul.

Gosto disso. Gosto dos olhos que me olham. Da expressão do rosto que parece me sorrir. Gosto da sedução do macio, do corpo quente e, principalmente, do sabê-lo delicada vida muito pulsante ao meu alcance, despertando meu desejo de cuidar e retribuir amor.

Quando falo do gato me remeto também a gente. Desse prazer de ter ao alcance dos olhos e das mãos uma presença animada cheia de olhares e expressões instigantes carregadas de afeto. Penso em uma presença pousada em meu colo penetrando meus olhos e, quem sabe, até mordiscando-me o queixo. Mas isso não é tudo. O melhor mesmo, é o que se passa entre um mundo e outro. Mundos muito desconhecidos que de repente encontram pontes que permitem intenso tráfego pra lá e pra cá em caminhadas incansáveis de exploração e conhecimento.

A vida se dá nessas pontes, nesse lá-ligado-ao-cá, e sem isso, nada tem sentido. Não numa época globalizada de sentimentos que se alimentam de intercâmbios. Salvam-se os bem nutridos.

E meu gatinho, tão pequeno, já me traz bonitinhas reflexões sobre o viver afetivo. E enquanto escrevo, olho-o em uma de suas infinitas carinhas graciosas, que não faz o menor esforço para ser o encanto personificado. É o encanto em forma de gato. Ele cochila de um modo inusitado, cabecinha pendente no vazio, vai em movimento muito lento caindo para trás enquanto fecha os olhos, e então se dá conta de que nada o apara. Leva um pequeno susto e se recompõe com uma carinha de riso. Sempre penso que ele me sorri. E lá vai procurar posição mais confortável pra mais uma das centenas de cochilos, sempre encostado ao meu corpo, buscando o calor acolhedor. E eu, tanto quanto lhe aqueço, me abasteço nesse querer tão doce do ronronado que, nesse exato instante, escala meu corpo para acomodar-se no vão do meu pescoço (e me ajeito pra permiti-lo e continuar escrevendo). Meu peito capta a vibração dessa engraçada expressão. É a hora em que ele se acalma. Eu também me acalmo embalada pela maciez do som, pela tranquilidade com que adormece confiante em meu sentimento, sobre meu peito, tão ao alcance dos meus olhos que posso tocá-lo e posso oferecê-lo (meu sentimento) a alguma gente. E vou misturando as vidas. A minha e as muitas que me ensinam sobre o prazer do assunto que julguei merecedor de ser registrado. Porque é de amor que falo.

Valéria Pena-Costa

Valéria Pena-Costa

 

 

 

Valéria Pena-Costa, Artista plástica . Mineira em Brasília.

Caçadores de Obras-Primas. Título na língua original: Monuments Men. Ano da produção: 2014. Países de origem: Alemanha, EUA. Direção: George Clooney.

Caçadores de Obras-Primas. Título original: Monuments Men. 2014.  Alemanha, EUA. Direção: George Clooney.

Além Clooney, Caçadores de Obras-Primas tem elenco estelar: Cate Blanchett, Matt Damon, Bill Murray, Jean Dujardin, John Goodman e Bob Balaban.

 Ao assistir um filme, o espectador explicita sentimentos. Projeta-se nos personagens e situações. A conexão pode ser enviesada. Ou direta, como nos textos dos escritores rocambolescos Alexandre Dumas e Julio Verne. Caçadores de Obras-Primas (Monuments Men - Alemanha – EUA – 2014) já nasce clássico e provoca imediata simpatia da plateia para com o grupo protagonista. A narrativa é convencional, começo, meio e fim. Não há flashbacks ou sofisticados recursos de computação gráfica. A embalagem, no entanto, esconde conteúdo que pode ser considerado tesouro da Sétima Arte e merece ser avaliado com atenção. A essência do filme está nos seus inúmeros e relevantes detalhes. “O mais cruel dos sanguinários pode tentar eliminar uma civilização, começando pela matança em larga escala. Mas, ele sabe que o morticínio não será suficiente. Apenas poderá pensar em atingir seu objetivo, se conseguir destruir ou se apoderar da memória cultural e artística daquelas populações”. A reflexão do tenente do exército americano Frank Stokes (George Clooney) vai permear todos os acontecimentos que estruturarão o roteiro, a partir de então.

Aventura de se desdobra em interessante reflexão política 

Baseado em fatos reais, Caçadores de Obras-Primas conta a odisseia de grupo de especialistas em obras de arte que integravam as tropas aliadas, em 1944. Com o fim do conflito já próximo, decidem empreendimento ousado: localizar, resgatar e devolver aos legítimos donos quadros e esculturas valiosas, roubadas pelos nazistas. O acervo incluía Michelangelo, Rodin, Monet, Renoir, Da Vinci. Antes de assumir o poder, Adolf Hitler tentou ser pintor. Foi reprovado, por mediocridade acentuada. Ego transtornado, tão logo consolidou a conquista de parte da Europa, planejou criar o maior espaço cultural do planeta, na cidade alemã de Siegen. Para isso, deu carta branca a Hermann Göring, um dos seus mais próximos. Ele deveria se apoderar do acervo artístico localizado no continente europeu, que seria reunido no maior museu do planeta, a ser criado pelo Terceiro Reich. Emblemática forma de sinalizar o controle sobre a alma de povos que se opunham ao delírio esquizofrênico do predomínio da suposta raça ariana sobre o resto do mundo. Enganam-se os que vierem a pressupor que o filme adentra pelos surrados clichês do maniqueísmo rasteiro. Também sobram alfinetadas para os russos, sutilmente apresentados como os novos bárbaros que iriam instalar na área ditadura que substituiria o nazismo. E crítica afiada até para o trio de generais-comandantes das tropas aliadas, os americanos Eisenhower, Marshall e Patton, que apenas teriam valorizado a missão, quando ela descobriu, por acaso, as milhares de barras de ouro 2

que compunham o lastro econômico do Estado alemão. Teria aquela montanha de dinheiro sido usada pelos Estados Unidos em benefício dos seus interesses geopolíticos justamente para criar, depois da guerra, um programa econômico — o Plano Marshall – objetivando recuperar a economia dos países atingidos pelo conflito? Caridade, com o dinheiro dos vencidos?

Seis homens, uma mulher e um único destino Suspense, drama e aventura se fundirão na movimentada trajetória que George Clooney transformou em filmaço. Também diretor e autor do roteiro, ele contou com elenco de primeira grandeza: Cate Blanchett (que concorre ao Oscar de Melhor atriz, por sua atuação em Blue Jasmine), Jean Dujardin (o francês que recebeu a estatueta de Melhor Ator em 2012 por O Artista), mais os premiados Matt Damon, Bill Murray, John Goodman e Bob Balaban. A história avança com a chegada do grupo à Normandia, poucas semanas depois do histórico desembarque das forças aliadas. Surpreendentemente, são recebidos pelos comandos americanos com certo desprezo, traduzido de forma explícita com a não disposição para colaborar com o tenente Stokes.

Rendição da Alemanha próxima. Tempo escasso. Missão com risco de ser sumariamente encerrada

Precisaram, então, improvisar e descobrir meios heterodoxos para levar adiante a missão. Dividiram-se em grupos que iriam explorar possibilidades em cidades diferentes. O tempo estava contra eles. Tão logo viesse a ocorrer a rendição da Alemanha, a tarefa a que se propunham estaria inviabilizada. O tenente James Granger (Matt Damon) encontra a colaboração de um francês da Resistência, que tinha avião escondido em longínqua propriedade rural. Consegue chegar a Paris, onde localiza Claire Simone (Cate Blanchett), que havia sido secretária do oficial alemão encarregado por Göring de centralizar e despachar para a Áustria o acervo roubado. Embora simpática aos aliados, era uma mulher tensa, desconfiada e, sobretudo, amargurada com a perda do irmão, que acabara de ser assassinado pela SS, a polícia secreta alemã. Enquanto isso, os outros estavam fazendo descobertas periféricas, mesmo enfrentando risco de morte nos encontros com remanescentes do exército germânico. Notícias vindas da frente Leste confirmavam a chegada dos russos a Alemanha. Estava iniciada a contagem regressiva para o término da missão. Queimar etapas àquela altura seria quase impossível. Mas, era a única opção disponível. George Clooney, ex-apoiador de Obama, democrata rebelde 

Desde que se transformou em astro internacional, o americano George Clooney tem mantido postura crítica acentuada em relação à maneira como os Estados Unidos vêm agindo na cena política interna e externa. Colaborador assumido do Partido Democrata e apoiador da primeira eleição de Barack Obama, lentamente foi revendo posições. Transferiu sua produtora para a Itália. Desde então, tem mantido postura crítica acentuada em relação à forma de gestão do país. Sinaliza certa decepção com o próprio Obama. Tudo Pelo Poder, filme que também dirigiu e protagonizou em 2011, pode ser considerado como autópsia dos meios usados pelos democratas. Além de inteligente, George Clooney é refinado, culto e 3  admirado pelo público americano. Trabalha com sutilezas que a arte cinematográfica permite. Dificilmente abrirá área de confronto ao estilo Edward Snowden.

Ir contra a corrente… Será que valeu a pena?

Na sequência final de Caçadores de Obras-Primas, o tempo avança para 1977. Lá está o já aposentado tenente Frank Stokes, na companhia de um neto, visitando museu com algumas das obras resgatadas por seu grupo, trinta e três anos antes. Em pensamento, pergunta e responde: “Será que valeu o sacrifício? Claro que valeu!”. Mais uma sutileza do ator-cineasta e roteirista, que permite inúmeras ilações.

Além Clooney, Caçadores de Obras-Primas tem elenco estelar: Cate Blanchett, Matt Damon, Bill Murray, Jean Dujardin, John Goodman e Bob Balaban.

 Escrito Por J.Jardelino

Foto Valéria Pena-Costa

Foto Valéria Pena-Costa

“Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o sino que ressoa ou como o prato que retine.”

Ando desejando falar de amor. Diretamente. Me referindo mesmo a ele ao invés de somente tocá-lo com a ponta dos dedos ou da língua ao passar por lugares e falar de cores e passarinhos. Mas não sei. O amor, esse aí, me confunde.

“Ainda que eu tenha o dom de profecia e saiba todos os mistérios e todo o conhecimento, e tenha uma fé capaz de mover montanhas, se não tiver amor, nada serei.”

Então, quase nada sou?

Eu repetiria Coríntios, 13, de um a treze, e decoraria tudo aquilo em que quero acreditar. No entanto, chego sempre à conclusão de que aquele é realização de meu amor de mãe. Somente esse amor atinge em mim a quase totalidade do que o texto descreve.

Mas como quero falar de amor, de qualquer modo o farei, ainda que o crie, ainda que fantasie a possibilidade desse alcance.

Mesmo que somente possa ser sentido em frações desencontradas de tempo.

“Ainda que eu dê aos pobres tudo o que possuo e entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me valerá.”

As palavras são de uma beleza que me cega. Permitem-me encontro e eternidade em uma única leitura. Talvez ao lê-las já me sinta realizada, pois sou jogada instantaneamente ao interior de um êxtase.

Mas então hesito um pouco quando os próximos versículos se aproximam…

“O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha.

Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor.

O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade.

Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

O amor nunca perece; mas as profecias desaparecerão, as línguas cessarão, o conhecimento passará. Pois em parte conhecemos e em parte profetizamos;

Quando, porém, vier o que é perfeito, o que é imperfeito desaparecerá.”

Silencio minha tentativa de entendimento por alguns instantes, já que não posso explorá-lo…

“Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Quando me tornei homem, deixei para trás as coisas de menino.”

Ainda não entendo. E insiste aquele pensamento de que tudo o que sei é que nada sei.

Mas suponho. E chego a reconhecer em mim retalhos preciosos de amor, pois sei que amo ao pensar no bem estar do outro antes de realizar em plenitude o meu.

Amo ao sentir culpa pela dor que possa causar sem que ainda a tenha provocado.

Amo até mesmo quando penso em abandonar. Porque mesmo os abandonos podem ser mais amorosos e sinceros que a presença incompleta. Principalmente porque sei que posso me fazer mais presente em minha ausência que quando me distancio em pensamento.

Conheço bem a força da ausência e o quanto de presença ela traz. A alheia e a minha.

“Agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro, como em espelho; mas, então, veremos face a face. Agora conheço em parte; então, conhecerei plenamente, da mesma forma como sou plenamente conhecido.

Assim, permanecem agora estes três: a fé, a esperança e o amor. O maior deles, porém, é o amor.”

Não quero ser somente um sino, um prato, nem quero pensar como um menino. O espelho já não me satisfaz, a parte não me basta. E se conheço a fé, a esperança e o amor de mãe, talvez possa conhecer o todo, e me fazer plenamente conhecida.

Quero ver no outro a face de Deus e recitar como Santo Agostinho: Sero te amavi.

“Tarde te amei, beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Tu estavas dentro de mim e eu te buscava fora de mim. Como um animal buscava as coisas belas que tu criaste. Tu estavas comigo, mas eu não estava contigo. Mantinham-me atado, longe de ti, essas coisas que, se não fossem sustentadas por ti, deixariam de ser. Chamaste-me, gritavas-me, rompeste minha surdez. Brilhaste e resplandeceste diante de mim, e expulsaste dos meus olhos a cegueira. Exalaste o teu Espírito e aspirei o seu perfume, e desejei-te. Saboreei-te, e agora tenho fome e sede de ti. Tocaste-me, e abrasei-me na tua paz.”

Quem já amou assim, que atire a primeira palavra.

(Confesso que temo o silêncio.)

Valéria Pena-Costa

Valéria Pena-Costa

 

Valéria Pena-Costa, Artista plástica . Mineira em Brasília.

Prêmio Nobel da Paz por sua luta contra a violência racial na África do Sul, Nelson Mandela – ou Madiba, como é chamado na sua terra natal – passou 27 anos preso e se tornou o primeiro presidente negro daquele país. Foto UOL

Apesar da chuva, milhares de sul-africanos cantam e dançam no estádio FNB -também conhecido como Soccer City- no bairro de Soweto, em Johannesburgo, onde o ex-presidente Nelson Mandela vai receber uma homenagem especial como parte das cerimônias de seu funeral. A presidente Dilma Rousseff já chegou ao local.

A parte superior de um dos lados do estádio, com capacidade para 90 mil espectadores, já está completamente lotada de pessoas que dançam ao som da música “gospel” de um coral presente no gramado.

Os presentes levam bandeiras da África do Sul e imagens com o rosto de Madiba, como Mandela é carinhosamente chamado em seu país.

Muitos estão com camisas com o rosto de Mandela e vestidos africanos com as cores e o anagrama do Congresso Nacional Africano (CNA), que foi liderado pelo ex-presidente, e até uniformes militares de Umkhonto we Sizwe, o braço armado da organização fundada por Madiba.

Bandeiras de outros países como Zimbábue e França podem também ser vistas penduradas nas arquibancadas, onde há muitos cartazes com fotografias de Mandela, que morreu na última quinta-feira aos 95 anos.

Do UOL

Foto: Acervo do Grupo 'Conterrâneos Carmelitanos'

Foto: Acervo do Grupo ‘Conterrâneos Carmelitanos’

‘Ave Maria Gratia plena

Dominus tecum… ‘

Sai a melodia da velha Igreja Matriz e caminha tomando toda a praça. Passa por becos, sai em ruas, entra em alpendres e janelas. E eu, que passeio sob os flamboyants, sento-me em um dos bancos de cimento e assisto de longe a um casamento imaginário. Dos antigos, me parece.

Charles Gounod, auxiliado por Bach, é o celebrante, ainda que na voz da moça emocionada que chora enquanto canta. A oração, por Gounod, incita lágrimas e torna mais sólidas as promessas.

Eu mesma choraria e amaria com mais força e mais certezas se me casasse sob o doce olhar da Virgem do Carmo daquela igreja. Mas a igreja não existe mais.

E mais sólido ainda seria meu amor se uma voz angelical entoasse a mesma Ave Maria, pois para mais perto do céu um timbre de anjo nos eleva, lá onde alianças não se dissolvem, apesar da proximidade do sol. Ainda que as pretensões de nubentes (palavra tão velha quanto o extinto templo) muito se assemelhem às de Ícaro.

A voz também já não existe.

‘Benedicta tu in mulieribus.’

Eu teria me sentido bendita entre as mulheres. Num manto possivelmente branco, entre todas aquelas que se sentavam diariamente, sob véus negros de renda, diante dos santos e velas, fazendo escorrer entre os dedos as contas de terços gastos, movendo os lábios em orações mecânicas ao mesmo tempo que os olhos em buscas atentas a cada passo que ecoasse no piso floral (ladrilhos hidráulicos estampados por rosáceas escuras, carregadas de simbolismos que à época eu ignorava, e que ainda hoje seguem estampando minha memória).

Ali eu me casaria por amor e morreria ainda amando, certa de um sentimento correspondido e nunca duvidado. Crédula, crente, fidelizada por um hino sacro que sela as mais puras devoções. Ao menos enquanto dure a lembrança de um sermão que evoca as bodas de Canaã, que torna água em vinho, diferente do vinho nosso de cada dia que torna-se água num lento evaporar e lavar de quereres. Antes água que vinagre, me diria meu sábio pai.

Diante de um altar barroco, todos os amados são anjos, todo enlace é santo, todo juramento é inquebrável, toda relação é eterna e cada amor é infinito, até o dia de sua morte.

São seis horas da tarde de um dia sanctu. Hora do Angelus, hora da Ave Maria.

Ouço o sino.

‘Benedicta tu in mulieribus.

Et benedictus fructos ventri tui Jesus’

Assim também era a velha igreja, bendita mãe de todos os devotos, carregava Jesus em seu ventre como acolhia todos os filhos em seu interior.

‘Sancta Maria,

Ora pro nobis

Nobis peccatoribus’

(Que sacrificamos nossos amores a cada dia)

‘Nunc et in hora, in hora mortis nostrae …’

Que os outros amores nunca morram.

(E que as promessas nunca tombem, como ruiu a própria igreja,

por puro desamor aos velhos compromissos.)

Amen

Valéria Pena-Costa

Valéria Pena-Costa

 

 

 

Valéria Pena-Costa, Artista plástica . Mineira em Brasília.

Ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela

A presidenta Dilma Rousseff lamentou há pouco a morte do ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela. Em nota de pesar, a presidenta descreveu Mandela como “personalidade maior do século 20”.

“Mandela conduziu com paixão e inteligência um dos mais importantes processos de emancipação do ser humano da história contemporânea – o fim do apartheid na África do Sul”, disse Dilma. A presidenta acrescentou que os brasileiros receberam consternados a notícia da morte do líder sul-africano.

Transmitindo aos parentes de Nelson Mandela e a todos os sul-africanos sentimento de “profundo pesar”, a presidenta disse que o governo e os brasileiros “se inclinam diante da memória de Nelson Mandela”.

“O exemplo deste grande líder guiará todos aqueles que lutam pela justiça social e pela paz no mundo”, acrescentou.

O líder sul-africano tinha 95 anos e recebia cuidados médicos em casa após passar por problemas de saúde consecutivos, entre internações e altas hospitalares.

Ao anunciar a morte de Mandela, o atual presidente da África do Sul, Jacob Zuma, disse que este é um dos momentos de pesar mais profundos pelo qual passa o país. “A nossa nação perdeu o maior dos seus filhos”, disse.

Da Agência Brasil

Meu Caio

(M)EU CAIO

A diretora, nossa colunista de sábados, Carolina Viana e o ator, Arthur Tadeu Curado, acharam um ponto de equilíbrio perfeito para mostrar, em 45 minutos de um monólogo sensacional, a efervescência do autor.

Monólogos são difíceis e só funcionam quando o ator é um craque e a direção acerta no tom.

Com tanto a dizer sobre a produção do Caio F, imagino a dificuldade de fazer a seleção, porém o resultado foi muito feliz.

A Produção é enxuta, com cenário e iluminação criativos e o teatro, Espaço Cena, muito apropriado para a peça.

Temporada de #meucaiomaisumadeamor vai até 27 de outubro no Espaço Cena Brasília.

De quinta a sábado às 21h e domingo as 20h.

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Gianna Xavier

Gianna Xavier

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