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Tribo do Quênia

Atos homossexuais podem ser fora da lei no Quênia, mas uma antiga tradição de algumas comunidades permite casamento entre mulheres. A surpresa maior é que isso acontece num país onde líderes religiosos dizem que uniões gays são “não-africanas” – e no qual os que mostram abertamente suas relações enfrentam reações hostis da população.

No entanto, estes casos envolvendo mulheres não são vistos sob o mesmo prisma. Em determinadas comunidades no oeste do país, se uma mulher não tiver filhos, ela assume o que se considera o papel masculino em um novo casamento, oferecendo uma casa para uma mulher mais jovem.

A mulher mais jovem é encorajada a encontrar um parceiro sexual no clã de sua parceira mais velha, para conseguir engravidar. Os filhos, no entanto, serão considerados como filhos do casal de mulheres.

“Eu me casei de acordo com nossa tradição, que diz que se uma mulher não tem a sorte de ter seus próprios filhos, pode encontrar outra mulher para honrá-la com crianças”, diz a queniana Juliana Soi, de 67 anos.

Sentada em uma cadeira na sombra do lado de fora de sua casa de palha em Elburgon, na província do Vale do Rift, ela diz que casou com Esther no início dos anos 1990.

“Crianças são como cobertores”

Esther, que se manteve calada durante toda a entrevista, tem 20 anos a menos que Juliana Soi e, juntas, elas têm cinco filhos.

“Você sabe, crianças são como cobertores. A pessoa precisa ter seu próprio cobertor para não ter que ir à casa do vizinho à noite pedindo o dele, que ele deve estar usando”, diz Juliana.

O arranjo – praticado entre as comunidades quenianas Kalenjin (que engloba os povos Nandi, Kipsigis e Keiyo), Kuria e Akamba – chamou a atenção do poder judiciário recentemente por causa de um caso de herança que foi levado aos tribunais na cidade costeira de Mombasa, a segunda maior do país.

Em uma decisão história, a Suprema Corte reconheceu no ano passado que, de acordo com a lei de costumes sobre casamentos entre mulheres dos Nandi, Monica Jesang Katam poderia herdar a propriedade de sua mulher.

No entanto, parentes da falecida – que era a parceira mais velha da relação – estão desafiando o veredicto. A disputa é por uma grande casa em Mombasa.

Se o apelo dos familiares falhar, um dos filhos, Franklin Chepkwony Soi não terá dificuldades em reivindicar sua herança quando ficar mais velho.

“Eu nasci aqui na casa de Juliana e Esther é minha mãe. Juliana se casou com minha mãe porque ela queria filhos que herdassem sua propriedade”, diz o rapaz de 20 anos.

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Novo filme de Clint Eastwood usa Freud para explicar a persona de um dos mais poderosos americanos do século 20

J.Edgar - EUA - 2011

Eastwood em seu filme mais freudiano – Em J.Edgar (J.Edgar – EUA – 2011), o cineasta Clint Eastwood literalmente retira o pano que sempre encobriu a personalidade de um dos mais poderosos americanos do século 20. Ninguém menos do que J. Edgar Hoover, fundador e líder supremo do Federal Bureau of Investigations – FBI, por quase cinco décadas. O enredo coloca sonda no inconsciente do personagem e, a partir dali, acende holofote sobre as fraquezas de quem tentou, sempre, se mostrar duro como um rochedo, por fora. O quarteto principal reúne arquétipos freudianos conhecidos: mãe castradora, Annie Hoover (Judi Dench, magnífica) e filho submisso, Edgar, que reprime e tenta esconder suas inclinações sexuais, por sentir medo da mãe, numa relação edipiana mal resolvida (Leonardo di Caprio, em grande performance, atingiu o que parecia impossível, que foi superar a sua atuação em O Aviador, quando incorporou o lendário magnata Howard Hughes). Há ainda o melhor amigo Clyde Tolson (Armie Hammer, perfeito em seu desempenho), como”libertador” das pulsões sexuais recalcadas, alvo da paixão do outro, devidamente correspondida. E mulher bela e jovem (Helen Gandy, vivida por Naomi Watts, igualmente estonteante na vida real), assexuada declaradamente, que aceita ser a eterna e fiel secretária, depositária inexpugnável dos maiores segredos políticos e sexuais dos Estados Unidos, no período entre 1924 e 1972. Cinebiografia eficiente, que provoca no espectador a sensação de ter assistido narrativa contendo autêntico retrato falado (e filmado) do poderoso chefão da polícia federal americana.

Resumo da história - O filme conta a história de John Edgar Hoover (Leonardo di Caprio), desde os primeiros tempos. Confinado pelo sistema a tarefas burocráticas, ele se mostrou determinado na construção de estrutura que usasse métodos científicos avançados para ajudar na investigação de crimes hediondos. Em paralelo, trabalhou politicamente no sentido de aprovar legislação que permitisse ao recém-criado FBI autorização para atuar em escala nacional, se sobrepondo, quando necessário, às leis estaduais. E, obstinado, conseguiu recursos orçamentários para aquisição de armas e equipamentos tão ou mais sofisticados do que aqueles usados pelo crime organizado. Naqueles primeiros anos, o FBI prendeu, efetivamente, facínoras notórios. E se envolveu intensamente na tentativa de elucidar o sequestro do filho do famoso Charles Lindberg. No entanto, a solução que encontrou, repleta de pontos obscuros, sinalizaria para onde e como J. Edgar iria conduzir a atuação da enorme estrutura sob seu poder, que era constitucional apenas nas aparências. Tal e qual o rei francês Luís quartorze (O Estado sou eu), deveria, sinceramente, achar que o FBI era ele e suas controvertidas convicções. Doravante, apenas valeria sua opinião. Provas? Ele as forjaria com os avançados recursos tecnológicos à sua disposição. Em paralelo, frestas de luz iriam se infiltrar por entre as persianas quase intransponíveis de sua intimidade. E começaram a iluminar pessoa atormentada. A indefinição sexual do início viria a ser substituída pela certeza da homossexualidade. No cargo que ocupava e nos Estados Unidos dos anos 20 e 30 do século passado, ser verdadeiro estava fora de cogitação. Significaria perder o poder, o enorme poder recém conquistado, para onde até então era canalizada a energia sexual reprimida. Além da pressão externa, ele tinha, dentro de casa, força maior ainda, representada pela mãe, conservadora ortodoxa e predadora de sentimentos. Ela daria o empurrão que faltava para que o filho viesse a ser o falso self que efetivamente foi a vida inteira. Recalcado seu lado gay, tratou de castigar quem encontrasse pelo caminho em posições heterodoxas, fossem comunistas, lésbicas ou simples seres humanos com ideias diferentes das suas. Ou ainda homossexuais masculinos. Olhava-se no espelho e sentia inveja daqueles que tinham coragem de nadar contra a corrente. Sua mente carcomida por distúrbios inconscientes transformava aquela inveja em ódio. Com a morte da mãe, às escondidas,cai nos braços de Clyde, seu melhor amigo e conselheiro, sob o olhar cúmplice de Helen, eficiente e fiel secretária.

Filme mostra como os presidentes recém-eleitos eram chantageados

Nos quarenta e oito anos em que esteve no comando do FBI, J.Edgar Hoover serviu a oito presidentes americanos. O enredo estreita o foco em três emblemáticas situações, envolvendo Roosevelt, Kennedy e Nixon. Nas duas primeiras, ele surpreende os interlocutores, com a existência de transcrições de gravações que revelariam detalhes íntimos da vida de Eleonor Roosevelt, que seria bissexual, e do próprio Kennedy, obcecado por sexo e transpirando amantes por todos os poros, Marilyn Monroe incluída. Na vez de Nixon, ele, J. Edgar, é quem se surpreenderia: ao mencionar as famosas gravações, é interrompido pelo presidente, que lhe confirma no cargo sem que ele chegue a pedir. E vai além. Autoriza-o a espionar os inimigos políticos do governo, prática que permaneceria após a morte de J. Edgar em 1972, e desembocaria no famoso Escândalo Watergate.

Magistral sequência em que sombras sugerem Kennedy e Marilyn

entrelaçados Saindo do lugar comum que seria mostrar um casal na cama, em ação, Clint Eastwood mostra a sequência por meio de sombras projetadas na parede de quarto na penumbra. A sutileza é potencializada pelos acordes de um piano que domina a trilha sonora, que também tem como autor o próprio diretor.

Maquiagem prejudica desempenhos, montagem impõe ritmo

diferente à narrativa O excesso de maquiagem para caracterizar o envelhecimento dos personagens de Armie Hammer e Naomi Watts efetivamente prejudicou os desempenhos cênicos dos dois. Não foi o caso de Leonardo di Caprio que, submetido ao mesmo infortúnio, conseguiu sair do invólucro plástico. Para contrabalançar aquele peso negativo, o filme foi editado com sequências temporalmente diferentes, “coladas”, mostrando, ora os personagens nos anos 30, ora no crepúsculo de suas vidas (início dos anos 70), o que permitiu agilidade e leveza à narrativa.

Escrito por José Jardelino da Costa Júnior

 

Dilma em interrogatório; ao fundo, oficiais cobrem o rosto - Foto: Reprodução/Revista Época

A presidente Dilma Rousseff disse que gosta da foto em que aparece sendo interrogada, aos 22 anos, na década de 1970, na Auditoria Militar, informa a coluna de Mônica Bergamo, publicada na Folha desta quarta-feira.

Sabe por que eu gosto daquela foto? Porque ela é verdadeira. Foi o que aconteceu”, disse Dilma Rousseff à colunista na terça-feira (6), ao receber, em São Paulo, o prêmio Personalidade do Ano, da revista “Istoé Gente”.

A presidente, que tinha passado por torturas, está no centro. Os militares que a interrogam encobrem a face. Dilma diz que não sabe quem são eles. “Mas me lembro de seus rostos.” A foto, divulgada há alguns dias, está num livro sobre a sua vida que será lançado neste mês.

A vida girou, e hoje a presidente tem a atribuição exclusiva de indicar os integrantes da Comissão da Verdade que investigará violações aos direitos humanos cometidas durante a ditadura militar. “Oportunamente”, respondeu, ao ser questionada pela Folha sobre o dia em que divulgará os nomes. “Eu gosto desse advérbio: oportunamente!”

Da Folha.com
Renata Ceribelli apresentará o Fantástico, ao lado de Zeca Camargo e Tadeu Schmidt.

As jornalistas Fátima Bernardes, que comandará novo programa, e Patrícia Poeta, que assumirá o JN

Acostumado a dar notícias, o Jornal Nacional, o telejornal de maior audiência da TV brasileira, está sendo notícia nesta quinta-feira (1), quando a TV Globo anuncia uma mudança importante em sua bancada. Após quase 14 anos, Fátima Bernardes deixará o JN para, segundo suas próprias palavras, realizar um novo sonho: fazer um programa que já tem seu formato definido e que entrará na grade da TV Globo em 2012. Sua substituta no telejornal será Patrícia Poeta, que está no Fantástico há quase cinco anos. No lugar de Patrícia, assumirá a jornalista Renata Ceribelli, que já apresenta ocasionalmente o Fantástico.

Segundo o diretor geral de Jornalismo e Esporte da Rede Globo, Carlos Henrique Schroder, Fátima vinha há algum tempo propondo um novo programa e, em abril deste ano, ao apresentar uma proposta formal, a ideia era tão consistente que foi aprovada de imediato pelo diretor-geral da Rede Globo, Octávio Florisbal. Schroder disse que a mudança, motivada pelo projeto de Fátima, mostra a evolução de três profissionais de talento da TV Globo. “Este é um processo normal de evolução e renovação do jornalismo da Globo. As três construíram carreiras sólidas aqui na TV e chegaram aonde chegaram por mérito. Com certeza, terão grande sucesso em suas novas funções. A proposta de Fátima realmente é excelente e ela conta com uma sucessora como Patricia Poeta, uma jornalista cujo talento é reconhecido pelos brasileiros. Ao mesmo tempo, Renata Ceribelli já é tão integrada ao Fantástico que a sua escolha é mais do que natural. Com esses ingredientes, tomar a decisão de mudar não foi difícil”, afirmou o diretor.

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Palavra de Mulher

A Câmara dos Deputados lança nesta terça-feira (22) a coletânea “Palavra de Mulher – Oito Décadas do Direito de Voto”, livro que registra, pela primeira vez, numa linha do tempo, como foi e como é a participação feminina no Parlamento brasileiro.

A obra relaciona os discursos das parlamentares aos principais fatos da história política do país – do Estado Novo à ditadura militar, da redemocratização à Constituição de 1988 – e, também, narra o papel das mulheres no processo de construção da atual sociedade brasileira. O lançamento marca o Dia Internacional da Não Violência Contra a Mulher, a ser comemorado na sexta-feira (25).

Com pouco mais de 200 páginas, o livro é ilustrado por fotos de época, traz apresentações do presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), e da 1ª vice-presidente da Câmara, Rose de Freitas (PMDB-ES), e tem prefácio da coordenadora da Bancada Feminina, deputada Janete Pietá (PT-SP). Foi ela quem sugeriu a realização da obra, quando, no início do ano, se preparava para uma palestra no parlamento do Uruguai e teve dificuldade em obter dados consolidados sobre a ação das mulheres no Legislativo brasileiro. Para ela, o livro demonstra que, apesar de pequena numericamente, a participação das deputadas representa importante elo no processo de elaboração das políticas públicas voltadas para a maioria da população brasileira, além de dar visibilidade à atuação das mulheres na história política brasileira, o que, avalia, sempre foi invisível.

A organizadora da coletânea, Débora Bithiah – consultora legislativa da Casa que também participou da pesquisa e foi responsável pela concepção do livro – diz que, embora a proposta de dar visibilidade ao trabalho das mulheres parlamentares na Câmara tenha sido o principal objetivo, a pesquisa resultou num apanhado rico e detalhado. “Os discursos parlamentares e a inclusão de documentos, preservados com sua publicação no ‘Diário da Câmara dos Deputados’ ao longo dos tempos, trazem aspectos da história do país ainda pouco conhecidos”, ressalta.

Oposição à ditadura - “Um dos grandes achados desse trabalho foi descobrir, por exemplo, que, das seis mulheres que tomaram posse em 1966, cinco foram cassadas pelo regime militar em 1969, todas do MDB. Era a maior bancada feminina até então – o máximo havia sido de duas deputadas na mesma Legislatura. Já era difícil que as mulheres obtivessem espaço político e quase todas que conquistaram mandato pelo voto popular, em 1966, o perderam por meio de Ato Institucional”, conta a pesquisadora. O detalhe, completa Débora, é que três dessas que foram cassadas haviam sido eleitas herdando o capital político dos maridos (que também tinham sido cassados). “Herdeiras, sim. Submissas, não. Assumiram os mandatos e atuaram com firmeza na oposição ao regime”, frisa a organizadora do estudo, para quem também soou curioso descobrir que o Dia das Mães, comemorado no Brasil desde os anos 40, foi instituído para atender demanda de lideranças feministas que queriam dar visibilidade às suas questões, bem diferente do viés mais comercial da data atualmente.

Outro ponto que chama a atenção na coletânea, segundo Débora, “é a pertinência e o diferencial dos discursos das mulheres no Parlamento ao longo de oito décadas”. Independentemente da linha ideológica e mesmo com divergências, as deputadas mantiveram uma identidade no tratamento e na temática de suas intervenções na Câmara, com ênfase aos assuntos ligados à condição das mulheres, dos jovens e das crianças na sociedade brasileira, além da área de educação. O livro também evidencia que o trabalho da Bancada Feminina produziu resultados importantes quanto aos direitos das mulheres – como o direito ao exame de mamografia e a licença-maternidade. E mostra ainda que a atuação das deputadas não ficou restrita somente à temática dita feminista, mas cobriu os inúmeros e diversos temas tratados no Legislativo.

Além de Débora, a elaboração da coletânea teve o apoio de outros quatro pesquisadores, todos servidores da Câmara: Vilma Pereira, bibliotecária e diretora da Coordenação de Histórico de Debates do Departamento de Taquigrafia; Nádia Monteiro Pereira, analista legislativa do Centro de Documentação e Informação; Tatiara Paranhos Guimarães, bibliotecária da Coordenação de Relacionamento, Pesquisa e Informação; e Márcio Nuno Rabat, consultor legislativo, que atuou como organizador adjunto e revisor da obra. A coletânea foi publicada por Edições Câmara e faz parte do conjunto “Obras Comemorativas/Homenagem”. O trabalho foi supervisionado por Cássia Botelho, diretora do Departamento de Taquigrafia, Revisão e Redação, cuja Coordenação de Histórico de Debates é responsável pelo banco de dados de discursos parlamentares (Banco de Discursos, disponível no portal da Câmara a todos os pesquisadores da política brasileira).

Do Câmara.gov

Dia da Consciência Negra - Marcello Cassal

O Senado promove sessão especial nesta segunda-feira (21) para comemorar o Dia Nacional da Consciência Negra e o Ano Internacional dos Afrodescendentes. Durante a solenidade, também serão homenageados o ex-senador Abdias do Nascimento e a Fundação Cultural Palmares e será comemorado o primeiro ano de vigência do Estatuto da Igualdade Racial.

O conjunto de homenagens foi requerido pelo senadores Paulo Paim (PT-RS), Lídice da Mata (PSB-BA) e Aníbal Diniz (PT-AC), entre outros. A sessão será no Plenário do Senado, a partir das 11h.

O Dia Nacional da Consciência Negra é celebrado na data em que o líder negro Zumbi, que comandou o Quilombo de Palmares, foi morto: 20 de novembro de 1695. A data foi instituída pela Lei 10.639/2003, que também tornou obrigatório o ensino de história e cultura afrobrasileira nas escolas. Alguns estados e mais de 700 municípios do país (inclusive capitais) marcam a data com feriado.

2011 foi instituído Ano Internacional dos Afrodescendentes pela Organização das Nações Unidas (ONU). De acordo com a instituição, com essa iniciativa a comunidade internacional reconhece que as pessoas de ascendência africana representam um setor específico da sociedade, cujos direitos humanos devem ser promovidos e protegidos.

Abdias do Nascimento foi senador (em 1991 e de 1996 a 1999) e deputado federal (1983 a 1987). Negro, dedicou seus mandatos à luta contra o racismo. Também ocupou cargos ligados á promoção da igualdade racial no governo do estado do Rio de Janeiro. Nasceu em Franca (SP) em 1914 e dedicou toda a vida a essa bandeira. Morreu em 24 de maio deste ano.

A Fundação Cultural Palmares é uma entidade vinculada ao governo federal, criada em 1988 com o objetivo de promover e preservar a cultura afrobrasileira.

O Estatuto da Igualdade Racial foi aprovado pelo Senado em 16 de junho de 2010, depois de sete anos de tramitação, e sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 20 de julho do mesmo ano, transformando-se na Lei 12.288/2010. Na época, o autor do texto original, Paulo Paim, disse que o estatuto tinha “um valor simbólico que ilumina o caminho dos que lutam pela igualdade de direitos e por ações afirmativas”.

Do Agência Senado

A presidente Dilma Rousseff - Foto: AP

A Comissão da Verdade será sancionada nesta sexta-feira (18/11) pela presidente Dilma Rousseff e deve começar a funcionar a partir de abril. O Palácio do Planalto quer evitar a coincidência da agenda do grupo com o período eleitoral. O colegiado ficará responsável por investigar violações de direitos humanos entre 1946 e1988. Há receio de que o assunto seja usado nas eleições.

Tema caro à presidente, Dilma tem mantido a “sete chaves” os nomes dos integrantes da comissão. A expectativa é de que ela indique os membros até meados de dezembro e, a partir daí, as atividades comecem a ser planejadas. A presidente tem rejeitado sugestões e indicações de nomes.

“O sucesso desta comissão vai depender dos integrantes e esse é o problema da presidente. Se ela fizer boas indicações, terá um papel histórico. Caso aconteça o contrário, o fracasso cairá na conta dela”, afirma um interlocutor do Palácio, explicando o delicado dilema da presidente. Dilma tem encontrado resistência tanto do lado dos familiares de mortos e desaparecidos políticos, que cobram nomes comprometidos com a causa, quanto dos militares, que pressionam pela escolha de figuras independentes para evitar o clima de revanchismo.

A comissão, vinculada à Casa Civil, será formada por sete pessoas, escolhidas com base na conduta ética e atuação em defesa da democracia e dos direitos humanos. Outros 14 servidores irão trabalhar na área administrativa e serão responsáveis por coordenar os trabalhos, inclusive com os comitês estaduais.

Transparência

Na mesma cerimônia de sanção da comissão da verdade, Dilma assinará também a Lei de Acesso à Informação. A medida — que vale para os Três Poderes da União, estados e municípios — entrará em vigor 180 dias depois da publicação no Diário Oficial da União. A partir daí, nenhum documento poderá ser mantido em sigilo eternamente. Até aqueles considerados ultrassecretos, com informações imprescindíveis à segurança do Estado, estarão protegidos por um prazo máximo de 50 anos. No caso de documentos relativos às violações de direitos humanos, não haverá mais qualquer possibilidade de segredo.

Todos os órgãos serão obrigados a dar transparência aos atos da administração pública, além de responder a questionamentos dos cidadãos. O órgão responsável deverá conceder o acesso imediato à informação ou orientar como o cidadão poderá obtê-la em até 30 dias — em caso de recusa será necessário informar os motivos para a decisão.

DO Correio Braziliense
O Homem Que Amava As Mulheres, considerado síntese da obra do melhor entre os cineastas franceses, fará 35 anos em 2012 e acaba de ganhar edição remasterizada.

O Homem Que Amava As Mulheres (L'homme Qui Aimait Les Femmes - França - 1977)

Resumo da história - Instigante comédia dramática, narrada em flashback, sobre a vida e as conquistas amorosas de Bertrand Morane (Charles Denner), especialista na construção de aviões, barcos e helicópteros. Ele é O Homem Que Amava As Mulheres (L’homme Qui Aimait Les Femmes – França – 1977). Morava em Montpellier, a “cidade francesa com maior número de belas por metro quadrado”. Um apaixonado pela alma feminina. . Todas. Nenhuma o deixava indiferente. Gostava das ruivas “pelo cheiro”, das louras platinadas “pelo artifício”, das jovens porque elas acham que “o mundo lhes pertence”, das viúvas “por estarem disponíveis”,das casadas “por não estarem”. Para ele, engenheiro, “as pernas das mulheres eram compassos que percorrem o globo terrestre em todas as direções, dando-lhe equilíbrio e harmonia”. Na primeira cena que mostra uma de suas conquistas, ele se deixa fascinar apenas pelas pernas de quem sequer consegue ver o rosto. Anota a placa do conversível dela e,obstinado, tenta de todas as formas encontrá-la. Chega a chocar o seu carro aleatoriamente e denuncia à companhia de seguros que o acidente teria sido por culpa da dona do belo par de pernas. Queria , porque queria, saber o seu endereço e a sua identidade. Sucedem-se outras aventuras, até que ele esbarra em Hélène (Geneviève Fontanel), mulher madura e bela, dona de loja de lingeries, que aceita convite para jantar. Logo após, confessa que prefere mesmo os homens mais jovens, embora aprecie a sua companhia. A partir desse momento, Bertrand decide escrever um livro sobre sua vida e as mulheres que dela participaram. As reminiscências adentram no terreno freudiano. O espectador fica sabendo que ele foi desprezado por mãe castradora e promíscua. Mais: a mulher por quem se apaixonou e com quem viveu alguns anos, Vera (Leslie Caron), o abandonara inexplicavelmente. Começam as semelhanças entre a vida do personagem e a do próprio Truffaut (segundo os biógrafos do cineasta, “Vera” teria sido Catherine Deneuve). Ele, Truffaut, sinaliza a conexão entre a fantasia e a realidade, ao aparecer no início do filme. Os originais do livro de Bertrand ficam prontos e uma importante empresa editora decide transformá-los em livro. Escala a diretora Geneviève Bigey (Brigitte Fossey), bonita e cheia de charme, para cuidar do projeto. Ela vai além e termina na cama dele. Fatos imprevisíveis atrapalham a trajetória de Bertrand rumo a mais outra conquista. A história termina com explicação freudianamente plausível sobre os motivos do comportamento compulsivo do personagem. Apenas mais uma vítima de neuroses recalcadas, muito distante, portanto, do estereótipo do sedutor convencido e chato.

O diretor – Ao romper com Jean-Luc Godard, amigo dos primeiros tempos, Truffaut deixou claro o tipo de cinema que queria produzir. Abandonaria as ilações políticas, etéreas, a fim de se fixar em filmes que mostrassem o encanto dos relacionamentos, independentemente de “finais felizes”. Seus trabalhos iriam esmiuçar o jeito de ser de mulheres, homens e suas neuroses. Aprimorou estilo baseado em suas experiências pessoais. O Homem Que Amava As Mulheres é considerado o filme em que melhor exprimiu o seu jeito de lidar com o mundo e com as belas que lhe surgiram no caminho.

O elenco – Charles Denner foi um dos principais atores franceses dos anos 60 e 70. Trabalhou com Louis Malle (Ascensor Para o Cadafalso, ótimo suspense, ao lado de Jeanne Moreau), Godard, Costa-Gavras (Z), Claude Chabrol, Claude Lelouch e com Truffaut. Segundo este, depois que o roteiro de O Homem Que Ama As Mulheres foi concluído, não havia melhor ator para vivenciar a aventura de Bertrand Morane pelos labirintos dos sentimentos femininos. Aos 51, a voz grave e viril de Charles Denner fazia o contraponto ideal com certa vulnerabilidade que costuma despertar o instinto maternal das mulheres. Todas as coadjuvantes estiveram perfeitas, cada uma preenchendo, à sua maneira, lacunas explícitas na autoestima do personagem. Destaque para Brigitte Fossey e Geneviève Fontanel.

Filme viria a influenciar a outros grandes diretores da geração seguinte

O Homem Que Amava As Mulheres, pelo mergulho no inconsciente masculino, iria deixar marcas em trabalhos futuros de Pedro Almodóvar (Carne Trêmula, Abraços Partidos), François Ozon, no filme mais sensível de Clint Eastwood (Pontes de Madisson) e Christophe Honoré (A Bela Junie),entre outros.

Truffaut chegou a planejar retomada ao tema de O Homem que Amava As Mulheres

Em maio de 1984, Truffaut reuniu seu diretor de fotografia preferido, Nestor Almendros (também o responsável pelas magníficas imagens de O Homem Que Amava As Mulheres), e Gérard Depardieu, a fim de discutir adaptação do romance La Varande, que contava a vida amorosa de militar que voltava das guerras napoleônicas, com o rosto desfigurado e a certeza de que a sua vida de sedutor havia acabado. Para surpresa dele, o seu nariz mal refeito dos ferimentos tornar-se-ia elemento fetichista e objeto de desejo das mulheres que passaria a conhecer. Não houve tempo. Em 21 de outubro do mesmo ano, viria a falecer, vencido por câncer no cérebro.

Outro filme, aqui no Brasil também “O Homem Que Amava As Mulheres” (Vie Hérooique, na língua original), relativo àcinebiografia do músico francês Serge Gainsbourg, realizado em 2010, nada tem a ver com o filme de François Truffaut.

José Jardelino da Costa Júnior

9 e 1/2 Semanas de Amor (1986)

Filme do diretor Adrian Lyne traz Kim Bassinger e Mickey Rourke em trama marcada pela obsessão e comportamentos sexuais transgressores

Resumo da história - A natureza da trama vem explicitada logo no título em inglês, 9 e 1/2 Weeks. Ou seja, o limite de tempo que uma relação obsessiva costuma durar, desde que um dos dois seja minimamente saudável, sob o aspecto psíquico. Por razões comerciais, o tradutor brasileiro fez acréscimo (“de amor”) que, de certa forma, desconecta a versão em português da essência verdadeira do filme.

9 e 1/2 Semanas de Amor (1986) representa hábitos dos anos 80, o charme de homens e mulheres bonitas, elegantes, tendo como moldura Nova York, Wall Street e outros símbolos da geração yuppie, enquanto na linguagem subjacente transbordam atitudes marcadas por erotismo transgressor. Liz (Kim Bassinger, aos 30, no auge de seus extraordinários encantos), gerente de uma galeria de arte, certo dia esbarra no olhar de John (Mickey Rourke), charmoso e bem sucedido executivo financeiro. Iniciam romance que será marcado pelos superlativos. Desde os primeiros encontros, ele era o dono de todas as palavras. Sabia o que estava pretendendo e não se incomodava nem um pouco com isso. Quando ela ensaiava alguma coragem para expressar seus sentimentos, ele se fechava dentro de si e apenas pensava nos seus termos. Começa então a demolição da dignidade de Liz.

Em ritmo de videoclipe, com situações aparentemente românticas e trilha sonora envolvente, o diretor Adrian Lyne conduz a relação na direção dos desvios psicológicos que irão acentuar o lado sociopata de John. Liz se submete: olhos vendados, palmadas por “castigo merecido” e outras manifestações do caráter deformado do namorado, turbinado pelos recalques decorrentes de situações vividas na infância que ele queria esconder. Era um homem experiente e dono de grande talento para negócios, mas que, por dentro, nunca havia nascido. Liz começa a perceber o sentimento de medo tomando conta de sua existência. No espelho, viu o seu retrato tenebroso e entendeu finalmente que precisava se proteger do efeito devastador que aquela relação lhe trazia. “Eu quase esperei tempo demais”, pensou, instantes antes de tomar a decisão que lhe resgataria a autoestima.

O diretor - Adrian Lyne iria voltar ao tema (psicopatas) um ano depois de 9 e 1/2 Semanas de Amor, em novo filme que retomou a discussão sobre relacionamentos efervescentes, no início, e sombrios, a partir do momento em que um dos parceiros descobre que foi vítima de idealização inconsequente e se deixou seduzir por pessoas que não eram o que aparentavam. Paixão avassaladora, marcada por imediatos e tórridos encontros sexuais também foi o tema de Atração Fatal (1987), com magistrais interpretações de Michael Douglas e Glen Close. Em ambos os filmes, o diretor teve a habilidade de colocar a câmera como uma sonda no inconsciente dos protagonistas-psicopatas e permitir que o próprio espectador testemunhasse que eles não amam, não trabalham, não vivem. Simplesmente vão à caça.

O elenco - O bem sucedida trajetória no universo da publicidade permitiu que Adrian Lyne selecionasse dois atores com o biotipo desejado por dez entre dez mulheres e homens. Isso era imprescindível para o filme funcionar. Kim Bassinger, linda, transbordava sexo por todos os poros do seu corpo arrasador. Mickey Rourke mostrou olhar, sorriso e gestos do príncipe encantado moderno. Mais: um e outro conseguiram transmitir os mais profundos sentimentos dos seus personagens, apenas com pequenos detalhes de linguagem não-verbal. Ótimas interpretações.

Detalhe (1) – 9 e 1/2 Semanas representou o ponto mais alto da carreira de Mickey Rourke. Tempos depois, enveredou pelas lutas de boxe e literalmente desconstruiu a reputação de sexy symbol.

Detalhe (2) - O filme ainda mantém certo frescor atual e merece ser visto (ou revisto). Na era das mídias sociais, quando as mais fantasiosas idealizações postadas no Facebook adquirem o status da credibilidade, a chance de se entrar na mesma cilada de Liz é real. A médica psiquiatra Ana Beatriz Barbosa da Silva aborda a questão com argumentos sólidos em seu bestseller “Mentes Perigosas” (Editora Objetiva – 2008). O perigo efetivamente existe. Numa nova e promissora relação, de repente, um(a) psicopata pode estar dormindo ao lado.

José Jardelino da Costa Júnior

 

Ministra Luiza Bairros, da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial

A ministra Luiza Bairros, da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), afirmou que a questão da terra para as comunidades quilombolas “é a mais difícil” enfrentada por essa população.

- Trabalhamos contra todos os paradigmas e toda a legislação do país – afirmou ela, durante audiência pública que acontece neste momento no Senado.

A regularização fundiária dessas terras é uma das principais demandas dos quilombolas, que participam nesta semana do lançamento da Campanha em Defesa dos Direitos do Povo Quilombola (que inclui uma marcha na Praça dos Três Poderes, em Brasília, na tarde de hoje).

Ao apontar as dificuldades para a titulação dessas terras, Ivo Fonseca, representante da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq, entidade que promove a campanha), lembrou o assassinato, no ano passado, do líder quilombola do Maranhão, Flaviano Pinto Neto, supostamente por fazendeiros da região.

Durante a audiência, diversos quilombolas fizeram uma manifestação, cantando músicas típicas de suas comunidades. Eles chegaram a interromper a reunião, protestando contra a falta de espaço para todos e solicitando que também pudessem se manifestar. Os senadores Cristovam Buarque (PDT-DF) e Paulo Paim (PT-RS), presidente da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), informaram que mais duas salas estavam disponíveis (com telões que transmitem a audiência) e que os representantes dos quilombolas teriam a oportunidade de se expressar – neste momento, são eles que estão falando.

A audiência está sendo realizada na sala 2 da Ala Nilo Coelho.

Do Agência Senado