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Nem as heroínas estao imunes ao câncer de mama. Essa é a mensagem da DDB de Moçambique numa série de posters que mostram Mulher Maravilha, Tempestade, Mulher Hulk e Mulher Gato fazendo o auto-exame das mamas. O texto complementa – “Quando falamos de câncer de mama, nao há mulheres ou super mulheres. Todas precisam fazer o auto-exame mensalmente. Lute conosco contra esse inimigo e, quando estiver em dúvida, consulte seu médico.”
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Um grupo de prostitutas irlandesas está fazendo uma campanha para combater preconceitos em relação à profissão. Os idealizadores da campanha criaram pôsteres que mostram modelos sorrindo acompanhadas pela frase “I chose the job that suits my needs” (em tradução livre, “Escolhi o emprego que se adapta às minhas necessidades”). A ideia, segundo o site do movimento, é apresentar uma versão mais equilibrada e realista da profissão, sem vitimizar ou glamourisar homens e mulheres que optam pela atividade.
A campanha foi intitulada Turn Off the Blue Light (em tradução literal, Apague a Luz Azul) e é uma reação a uma outra, intitulada Turn Off the Red Light (Apague a Luz Vermelha), que pedia a criminalização para acabar com o tráfico de mulheres no país.
Preconceito
Segundo as organizadoras da campanha, tanto as representações negativas da prostituição quanto as positivas são nocivas. “Por um lado, existe a imagem dos trabalhadores da indústria do sexo como mulheres abusadas, controladas por cafetões, vítimas de tráfico, desamparadas e escravizadas”, diz o site. “Esta é uma visão incrivelmente negativa do trabalho e não é realista”.
Segundo o grupo, esse tipo de imagem é usado por entidades que fazem campanhas contra a prostituição para chocar o público. “Isso diminui a autoconfiança das profissionais, encoraja o ódio à indústria do sexo e, o que é mais sério, passa uma mensagem para o público de que profissionais do sexo estão ali para ser abusadas”.
No outro extremo está a imagem da “prostituta feliz”, mostrando a profissão como uma forma glamourosa de ganhar muito dinheiro. Esta não é a experiência vivida pela grande maioria dos profissionais da área, diz o site.
Os pôsteres estão sendo oferecidos ao público em geral. A ideia é que simpatizantes da campanha distribuam os cartazes pelo país para informar a população. Todos os cartazes tem textos que descrevem atividades cotidianas realizadas por uma mulher que, ao final, se revela como prostituta. Em um deles, é possível ler: “Eu preciso deixar meu filho no treino de futebol, pegar minha filha na aula de dança irlandesa, pagar minha hipoteca e minhas contas, e eu sou uma profissional do sexo.”
“Temos certeza de que nossa campanha faz um retrato fiel da prostituição na Irlanda hoje, e esperamos que os pôsteres ajudem as pessoas a pensar de novo sobre como elas veem as profissionais do sexo”, diz o site da campanha.
Legislação
A prostituição é uma atividade legal na Grã-Bretanha e República da Irlanda, desde que praticada por pessoas maiores de 18 anos. No entanto, algumas atividades associadas à prostituição são proibidas, como oferecer serviços sexuais nas ruas. Também é ilegal administrar bordéis. Leis como essas teriam como objetivo colocar a responsabilidade sobre os que contribuem para a exploração comercial do sexo, isentando de culpa os que praticam a prostituição.
Segundo os organizadores da campanha Turn Off the Red Light, pelo fim da prostituição na Irlanda, essas leis não são suficientes e devem ser mudadas. O grupo é uma aliança de várias ONGs que defendem direitos de imigrantes e de crianças e entidades de apoio a mulheres vítimas de violência. Entre elas, Barnardos, The Immigrant Council of Ireland e Rape Crisis Network of Ireland.
Em seu site, a aliança refuta a ideia de que a prostituição seja uma transação comercial inofensiva e consensual, entre adultos e cita os casos de vários países, entre eles, Suécia e Noruega, que optaram recentemente por criminalizar a compra (e não a oferta) do sexo – segundo a aliança, com resultados positivos.
Do Terra / BBC
Fotógrafo Sérgio Guerra se debruça sobre etnia angolana em exposição que ocupará o Museu Nacional da República.
O povo seminômade Herero é um dos mais antigos da África e também um dos mais esquecidos, mesmo no continente africano. Por esses motivos, o premiado fotógrafo Sérgio Guerra lança luz sobre o assunto na exposição Hereros – Angola, que chega a Brasília depois de passar com sucesso por São Paulo. A mostra, que fica em cartaz no Museu Nacional da República de 14 de setembro a 23 de outubro de 2011 – ano Internacional dos Povos Afrodescendentes, tem curadoria de Emanoel Araújo, artista plástico e Diretor Curador do Museu Afro Brasil.
Hereros – Angola traz à capital federal 110 fotos em tamanhos diversos (incluindo plotagens em grandes dimensões), resultado de criteriosa seleção dentre um universo de mais de 30.000 imagens colhidas nas províncias do Namibe e Cunene. A mostra revela um amplo painel da vida, das atividades e dos costumes dos povos Hereros, que vivem espalhados entre Angola, Namíbia e Botsuana, e são compostos por diversos grupos: Mukubais, Muhimbas, Muhakaonas, Mudimbas, etc. A exposição reúne, ainda, roupas, adereços, utensílios diversos e um documentário sobre essa etnia. Um dos destaques mais charmosos da exposição é a holografia Vikuit 3M, onde uma mulher da etnia Muhakaona recepciona e apresenta a mostra ao público.
“Apesar de uma aparência muito diferente, os Hereros são todos da mesma raiz, da mesma família, como gostam eles próprios de definir a matriz comum”, explica Sérgio Guerra. O fotógrafo teve seu primeiro contato no ano de 1999, dentro de um programa de comunicação institucional do Governo de Angola. No entanto, esse primeiro contato não passou indiferente ao fotógrafo. “Ali, com a câmera em punho, entorpecido pela novidade, fiz as primeiras imagens dos Mukubais, mas a dimensão do que me estava a ser revelado eu só teria capacidade de perceber muito mais tarde, sete anos depois”, revela Guerra.
Serviço:
Hereros – Angola. Ensaio fotográfico de Sérgio Guerra sobre o povo nômade mais antigo da África. Museu Nacional do Conjunto Cultural da República (Galeria do Térreo, Setor Cultural Sul, Lote 2 – Esplanada dos Ministérios). De 14 de setembro a 23 de outubro de 2011 – de terça a domingo, das 9h às 18h30. Entrada franca. Classificação indicativa: livre.
Informações: 61 3325-5220 e 3325-6410.
A modelo carioca Fluvia Lacerda, que é considerada a Gisele Bündchen plus size, chega a São Paulo para mais uma maratona de trabalho nesta segunda-feira.
Eleita a modelo plus size do ano durante a Semana de Moda Plus Size de Nova York e depois de posar para a revista Vogue Itália, Fluvia diz que está animada para mais uma visita ao Brasil, mas revela que fica chateada ao ler tantas bobagens sobre esse segmento:
— Às vezes fico indignada ao ler tantas bobagens, pessoas que não sabem direito o que falam e denigrem tudo o que viemos construindo ao longo dos anos. Meu sonho é que um dia possamos estar em pé de igualdade nesse segmento. O mercado brasileiro está começando a se aquecer agora.
Serão quinze dias de campanhas, ensaios fotográficos para marcas de roupas segmentadas em Porto Alegre e Blumenau, ensaios fotográficos para revistas, participações em programas televisivos, com o objetivo de promover o mercado GG brasileiro e diminuir o preconceito contra as gordinhas.
Depois do Brasil, Fluvia retomará a agenda de compromissos e ensaios fotográficos na Europa. Recentemente, a modelo foi contratada para estrelar a campanha de uma grande multimarca alemã e se prepara para um ensaio numa das maiores revistas de moda do Exterior.
Do Byn9ve
Plantas domésticas comuns são capazes de fornecer um meio viável para purificar o ar de nossas casas, melhorando a saúde da família..
Nossas casas contêm muitas substâncias irritantes visíveis e invisíveis que contribuem para uma má qualidade do ar. Fungos, bactérias, pólen, poeira e pêlos de animais são os maiores culpados contribuindo, muitas vezes, para o desenvolvimento de doenças respiratórias crônicas, bem como dores de cabeça, congestão nasal, náuseas e fadiga.
De acordo com a American Lung Association – Associação Americana do Pulmão- em muitas casas há substâncias químicas comuns, tais como formaldeídos, monóxido de carbono, e muitos outros. Muitas vezes, produtos domésticos muito utilizados, como pesticidas, produtos de limpeza, tintas e solventes podem ser fontes de agentes químicos potencialmente perigosos. Esses agentes químicos são conhecidos por contribuir para problemas crônicos de saúde, incluindo câncer de pulmão.
E o que se pode fazer para melhorar a qualidade do ar em nossa casa?
Uma solução simples é cultivar plantas domésticas
Em 1989 a NASA divulgou um relatório intitulado “Plantas de Interior para a redução da Poluição do Ar Doméstico”. O relatório detalha as conclusões de um estudo de dois anos sobre os efeitos do uso de plantas domésticas, com o propósito de melhorar a qualidade do ar através da remoção de poluentes do ar interior.
Embora o relatório aponte a necessidade de mais estudos, os resultados apresentados são promissores e trazem uma lista das plantas mais eficazes para a remoção de muitas das toxinas prejudiciais, no ambiente doméstico
O estudo descobriu que plantas domésticas comuns podem melhorar a qualidade do ar em menos de 24 horas. Algumas das toxinas testadas que foram total ou parcialmente removidas são o benzeno, tricloroetileno e formaldeídos. Outro fato interessante, de acordo com o estudo, é que quando as plantas e a terra dos vasos estão constantemente expostos ao ar que contem as toxinas a sua capacidade de filtragem melhora continuamente, já que os microorganismos têm a habilidade de adaptar-se geneticamente, aumentando assim a sua capacidade de utilizar produtos químicos tóxicos como fonte de alimento.
Com base nos achados, acredita-se que uma planta de 15 a 20 cm de diâmetro, que não exija muita luz solar, é suficiente para melhorar o ar de um ambiente de 300metros quadrados.
Algumas da melhores plantas para a redução da poluição do ar doméstico;
Fonte: Greenword 365
Dois anúncios de cosméticos que usavam fotos alteradas por computador foram proibidos na Grã-Bretanha sob a acusação de que eram ‘enganosos’. Os anúncios, das marcas Lancôme e Maybelline, da empresa L’Oreal, traziam fotos da atriz Julia Roberts e da modelo Christy Turlington manipuladas por computador.
A decisão foi tomada em resposta à denúncia da parlamentar Jo Swinson, do partido Liberal Democrata britânico, que afirmou que as propagandas “não são representativas dos resultados que os produtos podem alcançar”.
O órgão regulador da publicidade britânica, Advertising Standards Authority (ASA, na sigla em inglês), concordou que as imagens eram exageradas e violavam seu código de conduta. Obrigada a retirar as propagandas de circulação, a L’Oreal admitiu ter retocado as imagens, mas negou que as duas propagandas fossem enganosas.
Autoimagem
Swinson disse que, apesar de alguns retoques serem aceitáveis, os dois anúncios em questão eram “maus exemplos de propaganda enganosa” e poderiam contribuir para problemas com a autoimagem dos consumidores. “Deveríamos ter alguma honestidade nos anúncios publicitários e isso é exatamente o que a ASA está aqui para fazer. Estou contente que eles tenham apoiado estas denúncias.”
“Há um quadro mais abrangente, em que metade das mulheres jovens, entre 16 e 21 anos, dizem que consideram fazer cirurgias cosméticas e estamos vendo o número de distúrbios alimentares mais do que dobrar nos últimos 15 anos”, afirmou.
O diretor executivo da ASA, Guy Parker, disse à BBC que os retoques no computador eram uma “questão de gradação” e que os anúncios só serão proibidos se forem enganosos, danosos ou ofensivos. “Se os publicitários forem muito longe ao usar retoques e outras técnicas de pós-produção para alterar a aparência das modelos e se isso correr o risco de ser enganoso para as pessoas, então está errado e nós proibiremos os anúncios.”
Segundo Parker, as imagens da L’Oreal foram banidas porque a empresa não foi capaz de mostrar exatamente o quanto retocou as fotografias originais, um pré-requisito para anúncios de produtos cosméticos. “Neste caso, a L’Oreal não nos deu as provas, então não tivemos escolha a não ser apoiar a denúncia”, afirmou.
A empresa francesa admitiu que a imagem de Christy Turlington, que promovia uma base “anti-envelhecimento”, foi alterada para “clarear a pele, limpar a maquiagem, diminuir sombras escuras ao redor dos olhos, deixar os lábios mais lisos e escurecer as sobrancelhas”. No entanto, a L’Oreal disse que a imagem refletia precisamente os resultados que o produto poderia ter na pele.
O anúncio da Lancôme, segundo a empresa, mostrava Julia Roberts em sua “pele naturalmente saudável e brilhante”. Eles disseram ainda que o produto anunciado precisou de 10 anos para ser desenvolvido.
Em 2010, a ASA rejeitou as denúncias sobre outro anúncio da L’Oreal de um produto para o cabelo, com a cantora britânica Cheryl Cole, dizendo que os benefícios do produto não haviam sido exagerados.
Do Terra
Do R7 / AFP

De esquerda para direita, as meninas Malia, Sasha, a primeira-dama americana Michelle Obama e o sul-africano Nelson Mandela Foto Debbie Yazbek/Nelson Mandela Foundation/AFP
A primeira-dama americana Michelle Obama visitou o ex-presidente e ícone sul-africano, Nelson Mandela, em sua casa nesta terça-feira (21).
Esse é o segundo dia da viagem de seis dias que a mulher do presidente dos Estados Unidos realiza ao continente africano.
Michelle, acompanhada por sua mãe e as duas filhas, Malia e Sasha, visitou as instalações da fundação criada pelo ex-presidente e líder da luta contra o sistema de segregação racial na África do Sul, o apartheid.
Quem fez o papel de “guia” foi a mulher de Mandela, Graca Machel, que encaminhou a família Obama para reunir-se com Mandela, segundo o porta-voz da fundação.
- Nossa!!! Que casaco lindo!
- Ih, esse casaco é tão velho. Coloquei hoje só porque não tinha outra roupa pra usar.
Eu responderia apenas muito obrigada. Claro, devido aos anos de terapia. Afinal, foram horas e horas de treinamento para desenvolver a arte de receber um elogio.
Gosto de elogiar as pessoas. Penso que se temos algo bom a dizer sobre alguém, podemos fazê-lo diretamente a esse alguém. E reparo sempre no comportamento da pessoa que recebe o elogio.
É engraçado, mas a maioria das pessoas se desculpa como se fosse um pecado ter uma roupa bonita, ser simpático ou qualquer qualidade que salte aos olhos de outrem.
A crítica é nossa conhecida de longa data, o agrado não. Lidamos bem com a agressão, vivemos na defensiva e, às vezes, nos espantamos até com o sorriso de quem nos diz bom dia. Bom dia por quê? Pensamos.
No meu caso, isso tinha relação com o medo de exclusão. Sim, felicidade demais incomoda os outros. Segurança demais assusta as pessoas. E por fim, parece que o que gera interesse mesmo é a desgraça alheia.
Felizmente não sou dada a desgraças, mas sou gregária. Gosto de gente. Então dava desculpas para não aceitar o afago.
- Bonita blusa.
- Ah, é da feira.
Pra quê, meu Deus? Pra quê essa falta de consideração comigo mesma? Para não me destacar, hoje analiso. Medo de me destacar dentro do grupo. Medo da rejeição.
Mudei de atitude a duras penas. No começo foi mecânico e soava falso. Agora, agradeço e sorrio. O ato, além de natural virou ensinamento.
Elogio sempre e quando noto que alguém vai se desmerecer interrompo logo e brinco. Não se recrimine por ser especial, agradeça e sorria.
Carolina Vianna é fotógrafa, Poderosa e escreve para o Mulheres no Poder.
Então me encontro – pela primeira vez – nesse país estranho, sozinha e disposta a descobrir coisas. Não sobre o país, mas sobre mim. É quando estou fora que vejo o que tem dentro. É quando estou longe que consigo chegar perto. E esses são os momentos mais preciosos. Talvez porque sejam só meus. E é nesses momentos que realmente me encontro.
A impressão é de ser estrangeira na minha própria casa. É um estranhamento com as coisas, cores e cheiros. Então me deparo com a sensação de aconchego em lugares onde não conheço as ruas, os rostos, a língua, os gostos. É fugir de mim, de tudo que é registro, de tudo que é dado como certo. É andar sem rumo, não saber, surpreender-me.
O desconhecido me atrai. Registrando tudo a minha volta em fotos, textos, pensamentos e, principalmente, novas emoções. Sinto-me, assim, livre. Aberta, inclinada a ver tudo, mas me perco. Sim, perco-me em devaneios. Medito por horas em um banco de praça.
E viajo uma viagem interna, profunda, de autoconhecimento. Então para aumentar a lista das descobertas entendo o motivo de tanta insatisfação com o lugar de sempre. A quebra como forma de construção. E o que se esconde quando estou nos tais lugares de sempre, revela-se nos lugares de nunca.
E volto revigorada, diferente, encantada. É, as viagens provocam esse efeito em mim. Ando cada vez mais sozinha e menos solitária. As pessoas me perguntam: E aí, o que você fez na viagem? Parei, me olhei, me escutei e fiquei feliz – penso. Passeei bastante – respondo.
De repente, me pego pensando no tanto que isso faz falta no dia a dia. Essas paradas completas quando nada mais faz sentido. Saber se olhar, se escutar. A correria, a rotina e a pressão tem sido temas recorrentes nos meus textos e, também, no que tenho lido por aí. Talvez porque incomodem bastante. E não acredito que eu seja a única pessoa no mundo a sofrer com isso.
Carolina Vianna é fotógrafa, Poderosa e escreve para o Mulheres no Poder.
Do Eco Amazonia
Tabatinga (AM) – Quando Sabá Mayoruna entendeu que estava doente tinha apenas 24 anos, mas já era tarde. Passou três meses ardendo de febre na aldeia Fruta-Pão, no Vale do Javari, no estado do Amazonas. Apesar da resistência do pai, cedeu ao pedido do cunhado e do agente indígena de saúde da comunidade. No início deste mês, deixou mulher e dois filhos pequenos para embarcar em uma canoa, pelas águas que correm ao rio Solimões, em uma viagem sem volta.
Foram três dias para o jovem matsés chegar à Atalaia do Norte, município de referência dos cerca de 4 mil índios que vivem na segunda maior terra indígena do Brasil, com 8,5 milhões de hectares. Nesta floresta vivem povos Kanamari, Kulina, Marubo, Matís e Matsés (Mayoruna), e a maior concentração de grupos indígenas isolados na Amazônia. A área é endêmica para hepatites virais (A,B, C e Delta), surtos de malárias são constantes, além da alta incidência de casos de desnutrição infantil. O lugar é um caso emblemático da inoperância do governo brasileiro em garantir um atendimento adequado à saúde indígena.
Na Casa de Apoio Indígena (Casai), e depois, no Hospital de São Sebastião de Atalaia do Norte, ambas instituições públicas, o quadro de Sabá, portador de hepatite B e D crônica, não evoluiu, pelo contrário, agravou-se. “Uma tristeza”, lamentou Gilson “Gaúcho” Mayoruna, recém eleito vice-coordenador da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja). A liderança ouviu da equipe médica e da coordenação do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei), instituição regional ligada ao Ministério da Saúde, que o seu parente estava desenganado: “Deveríamos apenas escolher se ele morreria na aldeia ou na cidade”.
No dia 8 de maio, foi decidido que o índio seria transferido para o Hospital de Guarnição de Tabatinga, sob a administração do Exército, e o único instalado na maior cidade do Alto Solimões. Manoel Mayoruna, que durante dois dias foi intérprete do paciente da família linguística Pano, na unidade semi-intensiva, contou que Sabá quis arrancar a sonda que introduziram desde as suas narinas até o estômago: “Expliquei que era para o seu bem, e ele se acalmou, mas confessou que estava com medo que o médico fosse matá-lo”.
























