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Mary Del Priore

Mary Del Priore é historiadora, professora universitária e autora de obras como História das Mulheres no Brasil (ed. Contexto), vencedor dos prêmios Jabuti e Casa Grande e Senzala, e Histórias e Conversas de Mulher (ed. Planeta), em que acompanha avanços femininos desde o século 18.

Para a historiadora, as mulheres brasileiras do último século conquistaram o direito de votar, tomar anticoncepcionais, usar biquíni e a independência profissional. Mas ainda hoje são vítimas de seu próprio machismo.

Muitas mulheres “não conseguem se ver fora da órbita do homem” e são dependentes da aprovação e do desejo masculino, opina ela.

BBC Brasil – Você vê traços de machismo ou preconceito em seus ambientes profissional e pessoal?

Mary Del Priore - No ambiente profissional, não vivi nenhum problema, porque desde os anos 1980 o setor acadêmico sofreu grande “feminilização”. As mulheres formam um bloco consistente nas disciplinas (universitárias) mais diversas.

Mas, na sociedade, acho que o machismo no Brasil se deve muito às mulheres. São elas as transmissoras dos piores preconceitos. Na vida pública, elas têm um comportamento liberal, competitivo e aparentemente tolerante. Mas em casa, na vida privada, muitas não gostam que o marido lave a louça; se o filho leva um fora da namorada, a culpa é da menina; e ela própria gosta de ser chamada de tudo o que é comestível, como gostosa e docinho, compra revistas femininas que prometem emagrecimento rápido e formas de conquistar todos os homens do quarteirão.

O que mais vemos, sobretudo nas classes menos educadas, é o machismo das nossas mulheres.

BBC Brasil - Mas muitas até querem que os maridos ajudem em casa, mas será que essas coisas do dia a dia acabam virando motivos de brigas justamente por conta do machismo arraigado? E também há mulheres estudadas, ambiciosas e fortes – mas também vaidosas, que ao mesmo tempo querem se sentir desejadas por um parceiro/a que as respeite. Isso é uma conquista delas, não?

Del Priore - Ambas as questões não podem ter respostas generalizantes. Mais e mais, há maridos interessados na gerência da vida privada e na educação dos filhos. Quantos homens não vemos empurrando carrinhos de bebê, fazendo cursos de preparação de parto junto com a futura mamãe ou no supermercado? Tudo depende do nível educacional de ambos os parceiros. Quanto mais informação e mais educação, mais transparente e igualitária é a relação.

Quanto às mulheres emancipadas, penso que preferem estar sós do que mal acompanhadas. Chega de querer “ter um homem só para chamar de seu”. Elas estão mais seletivas e não desejam um parceiro que queira substituir a mãe por uma esposa.

BBC Brasil - Como a mulher mudou – e o que permanece igual – no último século?

Del Priore - Temos uma grande ruptura nos anos 60 e 70 no Brasil, que reproduz as rupturas internacionais, com a chegada da pílula anticoncepcional. As mulheres começaram a ocupar postos nos diversos níveis da sociedade, a ganhar liberdade sexual e financeira. Ela passa atuar como propulsora de grandes mudanças. Quebra-se o paradigma entre a mulher da casa e a mulher da rua.

(Mas) a mulher continua se vendo através do olhar do homem. Ela quer ser essa isca apetitosa e acaba reproduzindo alguns comportamentos das suas avós. Basta olhar algumas revistas femininas hoje. Salvo algumas transformações, a impressão é de que a gente está lendo as revistas da época das nossas avós.

A mulher não consegue se ver fora da órbita do homem, diferentemente de algumas mulheres europeias, que são muito emancipadas. O que ela quer é continuar sendo uma presa desejada.

A (antropóloga) Mirian Goldenberg diz que a mulher brasileira continua correndo atrás do casamento como uma forma de realização pessoal. No topo da agenda dela não está se realizar profissionalmente, fazer o que gosta, viajar, conhecer o mundo – está encontrar um par e botar uma aliança no dedo. Mesmo que o casamento dure uma semana.

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Nilma Gomes entende a sua escolha para comandar a Unilab como mais um passo na luta pela igualdade racial no País

Professora da UFMG, Nilma Gomes assumiu a reitoria da Unilab em abril deste ano Foto: Marcello Casal Jr. / Agência Brasil

Criada em 2010 com o propósito de promover a troca de conhecimentos sobre a língua portuguesa e as diferentes culturas, a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) entrou para a história em abril deste ano: foi a primeira instituição federal no Brasil a nomear como reitora uma mulher negra. Professora da Faculdade de Educação da UFMG e especialista em questões étnico-raciais, Nilma Gomes é defensora da ampliação de ações pela igualdade racial no País, em um período de consolidação do sistema de cotas nas universidades federais, apesar da falta de consenso sobre o tema. Até por isso, ela entende sua escolha para o posto como mais um grande passo nessa luta.

Cotas, uma nova discussão nas universidades

Pelos prédios da Unilab se escuta diferentes sotaques do mesmo idioma. Nos corredores, nas salas de aula, no refeitório e pela cidade de Redenção (CE), é possível ouvir um português que para os brasileiros soa engraçado: de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. Isso acontece porque a universidade federal oferece 50% das suas vagas para os brasileiros e os outros 50% para estudantes vindos desses países.

Em entrevista ao Terra, Nilma destaca o papel da instituição em proporcionar um maior aprendizado sobre os países africanos de expressão portuguesa e sobre o Timor Leste. Apesar de os cursos não serem voltados especificamente para o tema, a diversidade cultural é apresentada em eventos da Unilab e em discussões em sala de aula, nas trocas de experiência entre os alunos. “São realidades que ainda não se fazem muito presentes no nosso cotidiano, e a universidade tem a possibilidade de ampliar esse conhecimento e superar preconceitos que, muitas vezes, são construídos pela ignorância com relação ao outro”, disse.

A instituição pretende formar profissionais que possam atuar nas áreas de mais necessidade em suas terras natais. Por isso, os cursos de graduação oferecidos são agronomia, administração pública, bacharelado em humanidades, ciências da natureza e matemática, enfermagem, engenharia de energias e letras (língua portuguesa). E a primeira turma deve se formar em 2015. Confira a entrevista a seguir.

Terra – Qual é a proposta da Unilab que a torna tão diferente de outras instituições federais?

Nilma Gomes – A Unilab já nasce como uma universidade internacional com o objetivo de fazer a integração entre o Brasil, os países africanos de língua portuguesa e o Timor Leste. Ela nasce com o objetivo acadêmico e político de realizar uma cooperação solidária na formação de estudantes desses países parceiros e de quadros acadêmicos e políticos para que eles possam retornar aos seus países e ajudar no seu desenvolvimento. Também temos a preocupação de estimular a formação de jovens na região do Maciço do Baturité, que é composta por 13 municípios, incluindo Redenção. Essa é uma região que ainda não tinha nenhuma universidade pública, e a Unilab vem para fazer um diferencial também nesse aspecto.

Terra – De que forma essa proposta busca ser cumprida nas aulas e nos eventos da Unilab?

Nilma – Em primeiro lugar, ela é cumprida já pela própria existência da universidade. O fato de ter turmas com estudantes brasileiros e estrangeiros, convivendo academicamente e em diversos setores da universidade e debatendo com professores, já cumpre essa proposta. Outras formas são com programações de arte e cultura que a universidade promove nas quais se comemora, por exemplo, datas importantes desses países. Nelas, os estudantes fazem apresentações culturais, trazem conhecimentos históricos, sociais e culturais das suas regiões e países.

Terra – A população afrodescendente também é um foco da proposta da universidade?

Nilma – Como a universidade tem esse espírito de uma cooperação do Brasil com os principais países de expressão portuguesa, em especial os africanos, a gente promove toda uma relação Brasil-África. Nós falamos dessa diversidade que é cultural, étnica e racial. Lembrando que a universidade é aberta para todo e qualquer estudante mas, nas diretrizes, há um reconhecimento e uma valorização dessas culturas afro-brasileiras. A dimensão das ações afirmativas e um reconhecimento da importância do continente africano fazem parte das orientações pedagógicas e acadêmicas da Unilab.

Terra – Você acredita que o Brasil ainda tem dificuldades de reconhecer a existência do preconceito racial e discuti-lo?

Nilma – Acho que a discussão sobre o preconceito no Brasil já começou há muito tempo, mas o que nós temos vistos nos últimos 10 anos é a implantação de políticas de promoção da igualdade racial. Temos muito que avançar, mas já demos passos significativos. A universidade começou há pouco tempo do ponto de vista institucional. Há o desafio de fazer uma mudança curricular que englobe essas temáticas nas mais diversas áreas e uma discussão sobre os desafios de permanência desses estudantes nas instituições de ensino superior. Ainda há resistências, mas acho que aos poucos a presença desses estudantes irá aumentar.

Terra – Você é a primeira mulher negra a se tornar reitora de uma universidade federal no Brasil. O que você acha que isso representa em termos de mudanças no País?

Nilma – Eu acho que essa indicação faz parte de um movimento de luta coletiva na sociedade pelo reconhecimento da diversidade étnica e racial, o reconhecimento da presença da população negra no Brasil. Ela faz parte de um momento de políticas de promoção da igualdade racial que começam a ganhar espaço no contexto político e acadêmico.

Terra – Quais são os desafios que a instituição vem enfrentando nesses primeiros anos de funcionamento?

Nilma – Consolidar e dar continuidade ao trabalho já iniciado da gestão anterior, de incrementar o processo de internacionalização e ampliar a seleção de estudantes estrangeiros. É uma universidade jovem que ainda está em processo de consolidação. Mas eu encontrei um corpo docente e de técnicos administrativos muito comprometidos com a proposta e as diretrizes da Unilab. Isso é um diferencial das outras universidades de grande porte existentes no Brasil. Eu acho que há uma vida aqui na Unilab que pulsa e é muito significativo ver isso no dia a dia.

Terra – Hoje a Unilab tem sua sede em Redenção, no Ceará, e está expandido suas atividades para São Francisco do Conde, na Bahia. Por que essas cidades foram escolhidas para abrigar a universidade?

Nilma – Já temos sede em São Francisco do Conde, onde temos aulas a distância de bacharelado e especialização. Ano que vem pretendemos começar com as aulas presenciais. A escolha desses lugares se deve a dois motivos. Pelo processo de interiorização das universidades públicas federais para áreas onde o ensino público superior precisa chegar até a população. Outro aspecto é o da origem histórica. Redenção é a cidade onde se aboliu a escravidão antes mesmo da Lei Auréa. Então, ela é um lugar histórico, político e simbólico, e por isso se tornou um polo que poderia abrigar uma universidade com as características da Unilab. A Bahia também tem uma importância histórica e política nesse trânsito Brasil-África.

Do Terra

Cinthia Kriemler

A escritora Cinthia Kriemler

Cinthia Kriemler não é uma revelação recente, porém, sua chegada à Academia Brasiliense de Letras e o recente lançamento de um livro de contos trouxe-lhe uma visibilidade que ela está aprendendo a gerenciar, como veremos a seguir na entrevista da jornalista Rejane Xavier.

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Cinthia Kriemler: quem é você?              

- Uma mulher de 55 anos, profissional de Comunicação, mãe de uma filha única — talhada mesmo para a minha vida — e amante de cachorros. Uma pessoa de extremos, radical e compreensiva, alegre e triste, mas sempre com alguma opinião sobre tudo. E como acredito que opinião é momento, uma visão parcial de um todo momentânea, sou também uma mulher que muda. De opinião, de roupa, de carro, de estilo. Não mudo de amigos. Acrescento um novo se e quando acho que compensa. Existem também uns três ou quatro limites que deixo na conta do imutável. Coisas inegociáveis entre mim e a minha consciência, onde se alternam culpas, desejos, perdões, dúvidas, certezas, reflexões . Odeio pedir desculpas. Mas peço sempre que acho que errei, que extrapolei.

Como você se distribui como profissional, escritora, protetora dos animais…?

- A profissional anda comigo há 35 anos. Somos uma só, quando eu quero. Somos distintas, quando preciso me distanciar de certas tomadas de decisão.

Já a escritora é a persona que mais me serve, veste a minha alma. Amo escrever. É como uma cachacinha de rolha que ora se toma em pequenas doses, ora se vira a garrafa toda. Mas sempre apreciando. Escrevo com o útero. Se eu não rir ou chorar com o que escrevo, não está bom.

Em relação aos animais, acho que se o ser humano pudesse compreender o mecanismo simples de aproximação, proteção e amor que vem deles, seria mais feliz.

Amo cachorros. Gosto de gatos. Respeito e me emociono com bichos de modo geral. Choro e rio com eles. Não ligo pra raça..

Livro Do todo que me cerca

Você é uma ou várias? De onde vêm essas vozes tão diferentes que falam na sua literatura?

- Várias! Sempre! Acho cansativo ser a mesma pessoa todos os dias. Gosto de variar a roupa, ou de me pintar num dia e no outro não; de comer sushi numa quarta-feira e sanduíche no domingo. As duas bebidas que gosto mostram isso: chope e champanha/espumante. Hoje quero vestir uma roupa elegante, preta. Amanhã quero jeans com rasteirinha. Hoje quero sentar no melhor restaurante. Amanhã tomo cerveja num caixote de mercado municipal. Sou essa pessoa inquieta, mutante, que gosta de desafios, é por isso que na literatura falo em vozes bem distintas.

Minha preferência são os contos, porque é exatamente onde posso criar personagens os mais diversos. Um garçom que lê Shakespeare e esconde um mistério. Uma menina que sofreu abusos. Uma mulher com Alzheimer. Algumas vezes me dizem que falo muito de tristeza e solidão; logo eu que vivo rindo. Talvez seja porque nunca deixei de rir que possa falar sobre coisas tão delicadas e sentidas. Mas não tenho certeza. Escrevo o que as circunstâncias me ditam. Ora é humor, ora realismo fantástico, num outro dia um conto de mistério ou crime. Gosto mais, claro, dos que posso expandir reflexões. Mas tomo cuidado com esses, porque são escritos na primeira pessoa e isso pode ser perigoso e irritante para quem lê.

Nas crônicas misturo tudo. Registro o social, os amigos, as tecnologias, as modernidades, bobagens. Mas crônica é muito cotidiana; daqui a um ano não sei se o que escrevi agora vai despertar interesse. Diferentemente dos contos.

E como gosto muito de experimentar, escrevo, ainda, nos gêneros Cartas, Poesia e Infantil. Na poesia, engatinho. Mas tenho gostado de uns poemas que escrevo. Em cartas me sinto em casa. Parece que estou mesmo conversando com a pessoa, mesmo que esse personagem esteja no Séc. XVIII, por exemplo. Já no infantil só arrisco. Embora tenha sido finalista do Prêmio SESC DF Monteiro Lobato, em 2012. Para mim, foi surpresa, porque acredito que tenho a mão de escritora pesada demais para crianças e morro de medo de confundir a cabecinha delas.

Você acha que mudou/ficou diferente depois do sucesso na literatura (os prêmios, a Academia Brasiliense de Letras…)?

- Sucesso é uma palavra forte e perigosa. É coisa, às vezes, de instante. Eu não acho que possa dizer que sou um sucesso como escritora. Já caminhei, já senti o gosto de algumas realizações. Mas ainda tem chão pela frente. Eu fiquei diferente, sim, no sentido de amadurecer. De compreender, por exemplo, no que sou melhor e no que não sou. Mudei na segurança. Antes, achava que nada era bom. Hoje, já me concedo a autoaprovação imediata em algumas coisas.

As pessoas mudaram com você?

- De modo geral, tenho apoio de amigos e leitores que, discutem, trocam ideia. Mas existe uma ou outra que ficou ressentida comigo. Gente que torce o nariz não para a minha obra — porque em relação a isso não haveria problema,— mas que torce o nariz para mim e para o que eu conquistei, tentando me desmerecer, me desqualificar. Mas em sua grande maioria quem me lê é muito gentil e generoso comigo.

Você é vaidosa? O peso é um problema para você?

- Sou muito vaidosa. Mas já fui mais. Gosto de roupas novas, de bijouterias bonitas, de cabelo arrumado. Só que sou muito gorda. E é difícil encontrar coisas que eu goste no meu manequim. Isso me deixa chateada. Não por causa da estética apenas, mas também, e principalmente, pela saúde que começou a se deteriorar em função do peso. Nada letal, mas são coisas que doem, incomodam e me impedem, muitas vezes, de ser a pessoa ativa, empreendedora que já fui um dia.

Você é religiosa? Como você descreveria a sua ética?

- Sou nascida na religião católica. Frequentei colégio de freiras e fui à missa até os 35 anos gosto de alguns santos e adoro Nossa Senhora. Acredito em outro mundo, purgatório, inferno e céu.

Mas quando me divorciei, aos 30 anos, a igreja me disse que eu estava me tornando uma pessoa marcada, eu tive um grande choque. Ontem, a filha amada de Deus que fazia tudo certinho. Hoje, a mulher desregrada que não pode nem mesmo comungar.

Daí para frente comecei a perceber outros defeitos no catolicismo: A perseguição aos homossexuais, a insistência em relegar a mulher ao papel medieval de mãe e esposa, a hipocrisia dos padres pedófilos sendo mantidos longe da mídia e encobertos pelo silêncio da Igreja, as finanças, a ganância e o luxo do Vaticano, a intolerância em relação a outras religiões, a face sempre europeia da Santa Sé. Não fiz disso uma bandeira. Apenas me afastei e descobri que minha crença é na divindade, não nas instituições. No céu no qual eu acredito haverá prostitutas, ateus, muçulmanos, pais de santo, bêbados, drogados.

Ética é gesto cotidiano. É o que a gente é: essência, pensamento, atitude. Não adianta dizer que é honesto, justo, imparcial. São os atos que vão dizer se a gente é tudo isso.

As mulheres da sua vida – avó, mãe, filha, madrinha, amigas – que importância têm para entender você?

As mulheres da minha vida foram determinantes. Venho de uma família mineira de matriarcas — Família grande, lutando com dificuldade, apenas duas das irmãs puderam estudar. No entanto, conversar com cada uma das minhas tias sempre foi um assombro. Filhas de professora e dentista tinham um português de dar inveja, entendiam de qualquer assunto e muito sobre a vida. As que estudaram e as que não. Minha madrinha, por exemplo, Leonor Nunan, a quem dediquei meu segundo livro, além de ser professora foi autodidata em francês e alemão. Ouvia óperas, cozinhava como ninguém e lia autores de todas as correntes. Devo a ela a pessoa crítica, interessada em literatura, em arte que me tornei.

Minha mãe era uma mulher de grande personalidade. Por causa disso, brigamos muitas vezes. Acho que nunca conheci ninguém mais forte e guerreira do que ela. Sempre adiante do seu tempo, me educou, formou, amou e mostrou o caminho. Depois, me disse que era para ir caminhar sozinha e tropeçar e cair e levantar. Faço assim até hoje.

Hoje, minha filha única e eu temos uma relação muito parecida: brigamos, conversamos, eu ensino, ela me ensina, nos amamos. Eu gosto que ela se oponha a mim, que pense sozinha. Somos muito amigas, mas antes e acima de tudo, somos mãe e filha.

E quem foi/quem foram os homens importantes na sua vida?

- Meu pai, com certeza, embora de uma maneira diferente. Ele não era a figura tradicional de pai, a quem se tem que pedir permissão para tudo. Era o que me levava para o clube, para o cinema. Nunca julgava se minha saia estava muito curta ou se eu usava biquíni pequeno. Com ele aprendi coisas que só mais tarde percebi. Hábitos que cultivei como ele. O box é um deles! Eu voltava da rua aos sábados e o encontrava assistindo box na TV. Ele então me convidava para uma última cervejinha e aquilo era um ritual.

Meu padrinho, casado com a irmã mais velha de mamãe, foi outro homem importante na minha vida. Foi a figura mais doce e amiga que tive até o final da adolescência.

No mais, não conheci meu avô materno nem o paterno. E não tive na vida nenhum outro homem que me marcasse. Como disse antes, meus exemplos de vida são em sua grande maioria femininos.

Você tem medo de alguma coisa?

- De algumas. Da morte, com certeza. Como acredito em outra vida e acho que sou muito errada, morro de medo de morrer e ter que ir conversar com o dono do andar de cima.

Tenho medo de cobra, de rato, de ser enterrada viva (verifiquem bem, por favor, se eu morri mesmo, gente!).

Mas meu maior medo é de andar de avião. Falo dois idiomas com fluência e um outro razoavelmente, fora o português, e não viajo para o mundo todo porque tenho pânico de avião. Pode? Se for de extrema necessidade, me controlo, bebo, mordo a boca, cravo as unhas na mão e viajo. Mas já perdi cursos, festas e outras coisas por causa disso.

Há muitos anos, ouvi de uma psicóloga: “Quem é maior, o criador ou a criatura?”. Assim que lhe dei a resposta óbvia, ela me disse: “Se o criador é sempre maior que a criatura, você é maior que o seu medo”.

Fora isso,tenho medo de gente invejosa, de gente que maltrata idosos, crianças e animais. De gente que tem prazer em humilhar o outro como forma de exercer poder. De gente que suga, mas não dá. De gente que se acha superior aos outros porque tem mais estudo, mais dinheiro, mais sorte.

Mas o medo não me acovarda. Só me inquieta.

Uma coisa que deixa você furiosa:

- Não podem ser duas? Humilhação e maus-tratos.

Uma coisa que deixa você feliz:

- Quando alguém elogia um texto literário meu.

Marina Silva por Renata Castelo Branco

Marina Silva, ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente, participou do “Poder e Política”, projeto do UOL e da Folha conduzido pelo jornalista Fernando Rodrigues. A gravação ocorreu em 26.fev.2012 no estúdio do UOL em Brasília.

Narração de abertura: Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima tem 55 anos. Já foi senadora da República, ministra do Meio-Ambiente e candidata a presidente da República.

Marina Silva nasceu em uma pequena comunidade chamada Breu Velho, no Seringal Bagaço, localidade situada na zona rural de Rio Branco, capital do Acre. Aos 16 anos, mudou-se para a zona urbana para tratar da saúde, fragilizada por doenças como malária e hepatite. Nessa idade, aprendeu a ler, trabalhou como empregada doméstica e também dedicou-se à religião.

Filiada ao PT, Marina disputou sua primeira eleição em 1986, para deputada federal. Perdeu. Depois, em 1988, foi eleita vereadora em Rio Branco. Foi quando sua carreira política deslanchou. Na eleição seguinte, de 1990, elegeu-se deputada estadual. E, em 1994, aos 36 anos, tornou-se senadora, cargo para o qual foi reeleita em 2002.

Marina Silva foi ministra do Meio Ambiente do ex-presidente Lula de 2003 a 2008. Pediu demissão do cargo por discordar de políticas do governo petista. Filiou-se ao Partido Verde e disputou a eleição presidencial de 2010 contra a candidata do PT, Dilma Rousseff. Marina foi derrotada, mas ficou em 3º lugar com 19,6 milhões de votos.

Agora, em 2013, fora do Partido Verde, Marina Silva tenta fundar uma nova sigla… chamada “Rede Sustentabilidade”. Se a “Rede” ficar pronta, Marina pode disputar a Presidência da República pela legenda em 2014.

Folha/UOL: Olá internauta. Bem-vindo a mais um “Poder e Política – Entrevista”.

Este programa é uma realização do jornal Folha de S.Paulo e do portal UOL. E a gravação é realizada aqui no estúdio do Grupo Folha, em Brasília.

A entrevistada desta edição do Poder e Política é a ex-senadora, ex-ministra, ex-candidata à presidente da República, Marina Silva.

Folha/UOL: Como vai, Marina, tudo bem?

Marina Silva: Tudo bem, Fernando.

Folha/UOL: Começo perguntando uma questão de gênero. O novo partido que está sendo criado deve ser tratado por nós como a Rede ou o Partido Rede Sustentabilidade? Masculino ou feminino?

Marina Silva: É. Eu acho que a Rede.

Folha/UOL: É?

Marina Silva: A Rede. É.

Folha/UOL: Seria, assim, no feminino, então. A Rede, sempre.

Marina Silva: A Rede. É.

Folha/UOL: Está certo.

Marina Silva: Porque, inclusive, já…

Folha/UOL: Então, “o partido [a Rede]“, né?

Marina Silva: É. Mas vai quebrando o paradigma, né?

Folha/UOL: Está certo. Então, feminino. E, dois, outra dúvida que eu tenho, os jornalistas têm essa dúvida: Quem é do partido PT, é petista. Do PMDB, pemedebista. Do PSDB, peessedebista. Quem é da Rede é o que? Redista? Como a gente poderia chamar?

Marina Silva: É, isso é ainda uma indagação que até o meu filho, que trabalha com programação, me fez. “Mãe, como é que vai ser isso?” Eu digo, as pessoas vão ser criativas o suficiente para encontrar um caminho. Ou, pelo menos, vão nos chamar de “os redes”.

Folha/UOL: Os redes?

Marina Silva: [risos]

Folha/UOL: Essa seria uma forma aceitável, você acha, do grupo que foi composto?

Marina Silva: É. Eu acho que soa bem, não é?

Folha/UOL: É. Muito bem. Como é que está a coleta de assinaturas para a formação do partido?

Marina Silva: Bem, nesse momento em que a gente ainda está no processo de registro junto ao TSE [Tribunal Superior Eleitoral], ainda é um esforço de mobilização muito espontâneo. Mas várias iniciativas estão sendo tomadas e, sobretudo, das pessoas que entram no nosso site, o www.brasilemrede.com.br, e baixam a ficha e estão encaminhando para os endereços mais próximos.

Folha/UOL: Eu soube que, num primeiro momento, cerca de 20 mil fichas foram baixadas. Tem alguma atualização desse número?

Marina Silva: Nesse momento, eu não tenho essa atualização. Mas é uma grande quantidade que já foi baixada e a busca que as pessoas estão fazendo. Eu estou medindo um pouco isso nas minhas caminhadas. Geralmente, as pessoas são muito respeitosas, mas quando, agora, depois do sábado que foi lançada a Rede, uma boa parte passa e diz: “Como é que eu faço para ajudar? Conte comigo”. E várias pessoas estão manifestando espontaneamente o desejo de contribuir com as assinaturas.

Já tivemos um ato aqui, na Feira do Guará, sábado aqui em Brasília. Em São Paulo também, lá na Av. Paulista. E em Minas Gerais já está programado. Em vários lugares, as pessoas já estão fazendo. E não só, digamos assim, pelos grupos mais ligados à Rede, mas iniciativas espontâneas também de pessoas que não são fundadoras ou que não estão diretamente ligadas.

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Ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial Luiza Bairros
Ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial Luiza Bairros

Em entrevista ao programa Bom Dia Ministro dessa quarta-feira (26), a ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Luiza Bairros, falou sobre o lançamento da primeira etapa do Plano de Prevenção à Violência Contra a Juventude Negra, o “Juventude Viva”, cujo piloto será colocado em prática em Alagoas. Leia abaixo trechos da entrevista, editada pelo Em Questão.

Preconceito

O racismo é um fenômeno extremamente elástico, que vai tomando formas diferenciadas à medida que a sociedade também vai mudando. Mas, do ponto de vista das políticas públicas, temos feito tudo o que é possível para que a igualdade racial se estabeleça.

Discriminação

O que as ideias racistas fazem é desvalorizar as pessoas. E, desumanizando as pessoas, se tem uma dimensão de que a vida vale menos. Felizmente, com o trabalho que tem sido desenvolvido pelos movimentos sociais, em primeiro lugar e, na continuação, o trabalho que temos feito, a partir do governo, acredito que esse tipo de mentalidade na sociedade brasileira tende a mudar.

Violência

Tivemos, no Brasil, no ano de 2010, 19 mil mortes entre jovens negros, contra 7 mil entre jovens brancos. Existe uma diferença abismal nesses números. Portanto, isso exige, da nossa parte, uma preocupação específica com esse segmento da população. Isso dá para nós todos bem a ideia de como esse problema é urgente, não apenas para a população negra, mas para o futuro do Brasil.

Processo histórico

O Estado reconhece que existe um processo de vitimização em um determinado segmento da população, no caso os negros e, em função dessa constatação, se coloca como um responsável primário para poder modificar esse tipo de situação. Para mim é mais importante, hoje, a gente pensar naquilo que ganhamos do ponto de vista não apenas de consciência social, mas de responsabilização do Estado.

Juventude Viva

O Juventude Viva foi pensado para ser trabalhado em 132 municípios brasileiros, que são responsáveis por 70% das mortes violentas de jovens negros. Nós estamos começando uma experiência piloto no estado de Alagoas. Obviamente, a ideia é que isso possa ser espalhado por todo o Brasil.

Além da Secretaria-Geral e da Seppir, que o coordenam, [o plano conta com] a saúde, a cultura, a educação, esporte e justiça. Cada um desses ministérios entra no programa com um conjunto de possibilidades, que serão utilizadas de acordo com o diagnóstico que se fizer em cada um dos municípios.

Educação

O Ministério da Educação, por exemplo, tem uma contribuição com o Programa Mais Educação, que tem sido uma aposta muito grande de fazer com que as escolas se tornem de tempo integral, fazendo com que os estudantes tenham a possibilidade de participar de atividades não só curriculares, mas extracurriculares também.

Saúde

No caso do Ministério da Saúde, tem a ver com a possibilidade de ter uns agentes jovens de saúde. O protagonismo da juventude é extremamente importante para que nós possamos criar uma relação mais positiva com a vida.

Cultura

O Ministério da Cultura entra com as praças de esporte e lazer e com as usinas culturais, que são extremamente importantes para fazer com que a juventude tenha alternativas. O jovem deve ser encarado, ser tratado, como alguém que tem contribuições efetivas para dar à sociedade e, portanto, merece estar vinculado às ações e atividades que são valorizadoras da vida e dos seus talentos. O Ministério da Cultura oferece as usinas culturais, que estão previstas para se realizar até 2014, como espaços de convivência, de exercício da criatividade, da inovação, que é algo que fundamentalmente os jovens necessitam.

O programa é transmitido ao vivo pela TV NBR e pode ser acompanhado na página da Secretaria de Imprensa da Presidência da República.

De SECOM
Ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM/PR), Eleonora Menicucci
Ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM/PR), Eleonora Menicucci

Em entrevista ao programa Bom Dia Ministro dessa quinta-feira (8), a ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM/PR), Eleonora Menicucci, comentou, entre outros assuntos, sobre a “Campanha Compromisso e Atitude – a Lei é Mais Forte”, que fortalece a implementação da Lei Maria da Penha. Leia abaixo trechos da entrevista, editada pelo Em Questão.

Campanha

Em relação à campanha que lançamos, “Compromisso e Atitude – A Lei é mais Forte”, em parceria com o Ministério da Justiça, com o Conselho Nacional de Justiça, com a Defensoria Pública, a Procuradoria-Geral da União e com o apoio efetivo da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, pretendemos atingir toda a sociedade brasileira no que diz questão à mudança de mentalidade, à sensibilização para a questão da violência contra as mulheres. Ela terá três fases. Primeiro, essa campanha que nós lançamos. Depois, terá um site paralelo sobre a campanha. E, também, adesivos que serão lançados para ônibus, carros, banheiros, em lugares públicos, ônibus. Pretendemos, efetivamente, sensibilizar a população para três questões: é crime bater em mulher; a lei é mais forte, vai para a cadeia; não podemos conviver mais com tamanha violência contra as mulheres.

Rede de atendimento

A rede de atendimento precisa ser reforçada e empoderada de recursos humanos qualificados para atender essas mulheres [vítimas de violência], de recursos financeiros. Tem que ter a delegacia, as casas-abrigo, os pronto-socorros especializados, com profissionais de saúde para atender às mulheres, as varas familiares para agilizar o processo e julgar os agressores. O que acontece quando não existe essa rede? As mulheres denunciam e o Estado, o Poder Público, não as acolhe. Elas voltam para casa, para uma situação extremamente perigosa, vulnerável. O Poder Público tem a responsabilidade de proteger aquela mulher e de garantir a integridade física dela. Nós lançamos a campanha “Compromisso e Atitude – a Lei é Mais Forte” para sensibilizar a população e, sobretudo, os operadores da Segurança Pública e do Judiciário, em relação à fala das mulheres. Entramos em um caminho novo para a consolidação da Lei Maria da Penha, que garante a integridade física, psíquica e emocional das mulheres.

Indenização regressiva

O ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves, e eu assinamos um convênio. Pela primeira vez, a Previdência Social inclui, no âmbito das suas ações, a indenização regressiva. Vamos identificar, via Polícia Federal, segurança pública e Ligue 180 as mulheres que ficaram com sequelas – não importa que tipo – por decorrência de agressão, violência doméstica ou aquelas que foram a óbito e deixaram filhos ou mães como dependentes. E a indenização que o INSS paga a essa mulher deverá, obrigatoriamente, ser ressarcida pelo agressor. Ontem ajuizamos, junto ao INSS, as duas primeiras ações. São mulheres do DF: uma que foi assassinada enforcada e deixou dois filhos e uma outra que ficou paraplégica. A lei não só levará o agressor para a cadeia como vai colocar a mão no bolso do agressor.

Lei Maria da Penha

A Lei Maria da Penha constituiu um elemento que é fundamental: a possibilidade efetiva de uma parceria com o sistema judiciário, o sistema de segurança e a Defensoria Pública do nosso País, porque sem esses operadores do direito é dificílimo que alguma lei caminhe no nosso País. Esses seis anos da Lei e o resumo do nosso Disque 180, com 2.714.877 registros de telefonemas, são fundamentais. A Lei veio para punir e está punindo, tem casos exemplares. Com a Lei Maria da Penha acabou a fiança. À medida que a mulher faz a denúncia, transforma-se, imediatamente, em processo, segue rapidamente pelas varas familiares para o julgamento. E o crime, não sendo afiançável, o agressor vai para a cadeia. A visibilidade dos casos lamentáveis de violência tem ajudado a outras mulheres a denunciarem. A visibilidade da punição também ajuda, dá força para as mulheres.

Brasil Sem Miséria

O governo federal tem investido fortemente em políticas públicas do Brasil sem Miséria para retirar a população da pobreza e extrema pobreza. Essas políticas geram melhores condições de vida para a população e para as mulheres, que são 52% da população. Uma mulher que entra em um programa do Brasil sem Miséria tem mais acesso, mais condições de educação, de informação. É um passo para que a vida dela melhore. A outra política que eu quero destacar é o Luz para Todos, que ilumina o município e protege as mulheres, porque passam a ter um livre acesso em condições mais seguras.

O programa é transmitido ao vivo pela TV NBR e pode ser acompanhado na página da Secretaria de Imprensa da Presidência da República.

Da SECOM
A presidente Dilma Rousseff negou que um grande país seja medido somente por riquezas econômicas.
O discurso foi feito na 9ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente / Evaristo Sa/AFP

O discurso foi feito na 9ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente / Evaristo Sa/AFP

Diante de um público jovem, a presidente Dilma Rousseff disse nesta quinta-feira que uma grande nação deve ser medida não só pelas riquezas econômicas, mas também pelo que faz pelas crianças e adolescentes. “Uma grande nação tem que ser medida por aquilo que faz por suas crianças e adolescentes, e não pelo Produto Interno Bruto [que tem].”

O discurso foi feito na 9ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente que começou ontem e segue até o próximo sábado.

Dilma também afirmou que o governo vai aumentar o número de escolas em tempo integral no país. Segundo a presidente, a finalidade é ampliar dos atuais 33 mil para 60 mil o número de colégios de ensino médio e fundamental que oferecem atividades em turno complementar até o final de 2014.

“Esse país precisa caminhar para a escola de tempo integral, não e só para tirar os nossos jovens e crianças das ruas, é também para garantir ensino de padrão de primeiro mundo. Nenhum país desenvolvido tem escolas de período único”, disse.

A presidente destacou que a ampliação do turno escolar garante reforço aos estudantes nas disciplinas em que eles têm mais dificuldades, além de dar acesso a atividades culturais e esportivas. “Vamos disputar a economia moderna, a economia do conhecimento, aquela que agrega valor. Esse país vai ser desenvolvido quando as crianças e jovens tiverem acesso à educação de qualidade”, disse.

Durante a Conferência será discutido um plano que prevê políticas públicas ao longo de dez anos, voltadas à proteção de menores que estão em abrigos, nas ruas e em conflito com a lei.

Da Band.com
 Cristina Kirchner mostra jornal com foto de Luis de Guindos; presidente diz que engasgou quando viu ministro - Reuters

Cristina Kirchner mostra jornal com foto de Luis de Guindos; presidente diz que engasgou quando viu ministro - Reuters

A presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, afirmou nesta quarta-feira que ficou “engasgada” após ver a foto do ministro de Economia da Espanha, Luis de Guindos, na capa da edição de hoje do jornal espanhol “El País”.

O diário apresentava como título a intervenção da União Europeia para resgatar os bancos espanhóis, ao lado de uma foto do ministro espanhol. “Hoje tomei um susto terrível de manhã. Olhem o que era a capa, trouxe se vocês não viram: ‘A UE coloca a Espanha sob tutela’. Olhem para este careca”.

Em seguida, explicou a surpresa. “Isso me trouxe umas lembranças que quase deixam meu café amargo, fiquei com a torrada engasgada. Isso me fez lembrar de épocas e políticas, fundamentalmente de intervenção”.

Cristina Kirchner fazia referência ao ministro de Economia argentino Domingo Cavallo, que ocupou a pasta nos governos de Carlos Menem (1989-1999) e Fernando de la Rúa (1999-2001).

Responsável pela política de convertibilidade, que atribuía ao peso o mesmo valor do dólar, Cavallo é visto como um dos principais autores da estratégia econômica da década de 1990, que provocou a crise financeira argentina de 2001.

Ao fim, Cristina fez um novo ataque à imprensa local.

“Curiosamente vi em um jornal daqui que questionava a soberania espanhola e que, no entanto, aplaudiram quando vinham para cá os vice-reis do Fundo Monetário Internacional a dizer as coisas que nós tínhamos que fazer. Pode ser um adianto importante na visão dos problemas da economia mundial”.

 Da Folha.Com

Ministra Eleonora Menicucci Foto: Tomás Faquini/SPM

Publicado no jornal Correio Braziliense, em 17 de junho de 2012, artigo escrito pela Ministra Eleonora Menicucci trata das oportunidades da Rio+20 para a inclusão social e a igualdade entre homens e mulheres.

Sustentabilidade com as Mulheres

A Conferência Rio+20, essa janela de oportunidade única, se realizará em sua plenitude por meio de dois compromissos: o da inclusão social, como inegociável; e o da incorporação das mulheres como propulsoras do desenvolvimento sustentável. Para a implementação de um novo modelo de sustentabilidade, devemos considerar uma reordenação da divisão sexual do trabalho e da carga produtiva e reprodutiva das classes sociais.

A participação de todas as populações, classes sociais, etnias, cores, credos e tendências é o cimento sine qua non do processo que materializa uma nova atitude no mundo. Mas o debate da inclusão que se trava no momento no Brasil aponta equívocos, como o de acusar a nova classe média que começa a se apropriar de fatia ainda pequena do célebre bolo por tanto tempo prometido, de praticar um consumo “irresponsável”. O que precisa ser inserido no debate é a lembrança de que as classes sociais de maior poder aquisitivo é que têm praticado, secularmente, um consumo predatório.

Isso não elimina a convicção de que mudar o paradigma e a atitude de consumo é uma necessidade de todas as classes sociais. Mas como pôr no mesmo patamar uma pequena renúncia ao consumo por parte de quem nunca se aplicou limites, como é o caso dessas classes de maior poder aquisitivo, e a renúncia absoluta de quem sempre foi forçado a viver abaixo do limite, justamente no momento em que, por justiça, começa a desfrutar?

A outra questão central para um novo modelo se firmar via Rio+20 é o reconhecimento e incorporação da contribuição das mulheres à economia e ao desenvolvimento de múltiplas estratégias para enfrentar a pobreza e preservar os diferentes conhecimentos; da sua contribuição com práticas fundamentais para a sobrevivência e a sustentação da vida.

Isso foi reconhecido pelo Consenso de Brasília, aprovado em 2010 na XI Conferência Regional sobre a Mulher da América Latina e Caribe. Portanto, quando se fala em recorte de gênero no âmbito da Rio+20, fala-se na perspectiva transformadora que se abre por força da ótica proposta pelas mulheres e seus movimentos, fala-se em pensar os impactos de todas as políticas na vida de mulheres e de homens.

O Consenso de Brasília chama a atenção para o fato de que o acesso à propriedade da terra, à água, aos bosques e à biodiversidade em geral é mais restrito para as mulheres que para os homens; que o uso desses recursos naturais está condicionado pela divisão sexual e secular do trabalho; que a poluição ambiental tem impactos específicos sobre as mulheres na cidade e no campo.

A IV Conferência Mundial sobre a Mulher (Pequim, 1995) já incluía item específico sobre a mulher e o meio ambiente, e defendia: a) Envolver a mulher na adoção de decisões relativas ao meio ambiente; b) Integrar a perspectiva de gênero nas políticas e programas do desenvolvimento sustentável; e c) Fortalecer ou estabelecer mecanismos, em nível nacional, regional ou internacional, para avaliar o impacto das políticas de desenvolvimento e ambientais na vida das mulheres.

Todo esse acumulado de visões ecoa no Plano Nacional de Políticas para as mulheres, da Secretaria de Políticas para as mulheres, da Presidência da República. Nele, a justiça social e a equidade são articuladas sob os aspectos econômicos, políticos, sociais, culturais e ambientais.

Simultaneamente, não podemos pensar em um mundo sustentável que aceite a violência contra as mulheres e a exploração sexual de crianças, adolescentes e mulheres, tampouco o tráfico de pessoas. Não podemos pensar em um mundo sustentável que aceita uma educação discriminatória, sexista e racista. Nem numa economia verde que conviva com a diferença salarial ainda existente entre mulheres e homens.

Pensar o desenvolvimento sustentável com a inclusão das mulheres significa reconhecer o trabalho doméstico como trabalho decente, à semelhança de qualquer outro trabalho. Implica reconhecer a ação de cuidado e o autoconsumo, ainda concentrados nas mulheres, como elementos de sustentação da vida cotidiana que devem ser compartilhados pelos homens e por toda a sociedade.

Isso tudo compõe – aí, sim – um novo paradigma de desenvolvimento, em que sustentabilidade e desenvolvimento se associarão de forma estrutural a uma igual distribuição do trabalho e dos bens – à igualdade, enfim, entre mulheres e homens.

Eleonora Menicucci

Ministra de Estado Chefe da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República

Do Site da Secretaria de Políticas para Mulheres

Café com a Presidenta

O Brasil pode ser referência para outros países que buscam o desenvolvimento sustentável, disse hoje (18) a presidenta Dilma Rousseff em seu programa semanal de rádio. Para ela, o país tem matriz energética mais limpa que as demais nações, é um dos principais produtores de alimentos do mundo e chegou a esses resultados aumentando a qualidade de vida da população, mantendo a maior reserva de água e a maior biodiversidade do planeta..

“Desenvolvimento sustentável é isso (…), são esses três verbos: crescer, incluir e proteger”, resumiu Dilma no programa Café com a Presidenta. “Nosso crescimento econômico é baseado em energia limpa e renovável, produzida por usinas hidrelétricas e biocombustíveis. E é por isso que hoje 45% dessa energia que usamos, tanto para gerar luz elétrica quanto para mover nossos automóveis e nossas máquinas, são renováveis. Um percentual que nos deixa muito à frente do resto do mundo, que tem uma matriz concentrada em fontes fósseis e físseis de energia. Ou seja, em energia de carvão, petróleo ou energia nuclear. Veja só, a diferença, a média internacional do uso de fontes renováveis é 13%!”, lembrou Dilma.

A partir da próxima quarta-feira (20), a presidenta receberá, no Rio de Janeiro, 94 chefes de Estado e de Governo que participarão da reunião de cúpula da conferência Rio+20. O evento será uma oportunidade de discutir alternativas de políticas e iniciativas econômicas e tecnológicas que conciliem expansão econômica e proteção ao meio ambiente. O Brasil apresenta na conferência experiências bem-sucedidas de desenvolvimento sustentável.

“O Brasil também vai mostrar a nossa mais valiosa experiência, reconhecida mundialmente, que foi reduzir a pobreza com crescimento econômico e proteção ao meio ambiente”, disse Dilma. “Somos grandes produtores agrícolas e plantamos com alta produtividade sem destruir o meio ambiente. Isso é sustentabilidade!”. Segundo ela, o país é “um dos três maiores produtores de alimentos do planeta e tem as maiores reservas de água doce.

Da Agência Brasil

 

Ig
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