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"Ajudando as mulheres a liderar, vencer, governar." ✫Desde 2009✫

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Cinthia Kriemler

A escritora Cinthia Kriemler

Cinthia Kriemler não é uma revelação recente, porém, sua chegada à Academia Brasiliense de Letras e o recente lançamento de um livro de contos trouxe-lhe uma visibilidade que ela está aprendendo a gerenciar, como veremos a seguir na entrevista da jornalista Rejane Xavier.

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Cinthia Kriemler: quem é você?              

- Uma mulher de 55 anos, profissional de Comunicação, mãe de uma filha única — talhada mesmo para a minha vida — e amante de cachorros. Uma pessoa de extremos, radical e compreensiva, alegre e triste, mas sempre com alguma opinião sobre tudo. E como acredito que opinião é momento, uma visão parcial de um todo momentânea, sou também uma mulher que muda. De opinião, de roupa, de carro, de estilo. Não mudo de amigos. Acrescento um novo se e quando acho que compensa. Existem também uns três ou quatro limites que deixo na conta do imutável. Coisas inegociáveis entre mim e a minha consciência, onde se alternam culpas, desejos, perdões, dúvidas, certezas, reflexões . Odeio pedir desculpas. Mas peço sempre que acho que errei, que extrapolei.

Como você se distribui como profissional, escritora, protetora dos animais…?

- A profissional anda comigo há 35 anos. Somos uma só, quando eu quero. Somos distintas, quando preciso me distanciar de certas tomadas de decisão.

Já a escritora é a persona que mais me serve, veste a minha alma. Amo escrever. É como uma cachacinha de rolha que ora se toma em pequenas doses, ora se vira a garrafa toda. Mas sempre apreciando. Escrevo com o útero. Se eu não rir ou chorar com o que escrevo, não está bom.

Em relação aos animais, acho que se o ser humano pudesse compreender o mecanismo simples de aproximação, proteção e amor que vem deles, seria mais feliz.

Amo cachorros. Gosto de gatos. Respeito e me emociono com bichos de modo geral. Choro e rio com eles. Não ligo pra raça..

Livro Do todo que me cerca

Você é uma ou várias? De onde vêm essas vozes tão diferentes que falam na sua literatura?

- Várias! Sempre! Acho cansativo ser a mesma pessoa todos os dias. Gosto de variar a roupa, ou de me pintar num dia e no outro não; de comer sushi numa quarta-feira e sanduíche no domingo. As duas bebidas que gosto mostram isso: chope e champanha/espumante. Hoje quero vestir uma roupa elegante, preta. Amanhã quero jeans com rasteirinha. Hoje quero sentar no melhor restaurante. Amanhã tomo cerveja num caixote de mercado municipal. Sou essa pessoa inquieta, mutante, que gosta de desafios, é por isso que na literatura falo em vozes bem distintas.

Minha preferência são os contos, porque é exatamente onde posso criar personagens os mais diversos. Um garçom que lê Shakespeare e esconde um mistério. Uma menina que sofreu abusos. Uma mulher com Alzheimer. Algumas vezes me dizem que falo muito de tristeza e solidão; logo eu que vivo rindo. Talvez seja porque nunca deixei de rir que possa falar sobre coisas tão delicadas e sentidas. Mas não tenho certeza. Escrevo o que as circunstâncias me ditam. Ora é humor, ora realismo fantástico, num outro dia um conto de mistério ou crime. Gosto mais, claro, dos que posso expandir reflexões. Mas tomo cuidado com esses, porque são escritos na primeira pessoa e isso pode ser perigoso e irritante para quem lê.

Nas crônicas misturo tudo. Registro o social, os amigos, as tecnologias, as modernidades, bobagens. Mas crônica é muito cotidiana; daqui a um ano não sei se o que escrevi agora vai despertar interesse. Diferentemente dos contos.

E como gosto muito de experimentar, escrevo, ainda, nos gêneros Cartas, Poesia e Infantil. Na poesia, engatinho. Mas tenho gostado de uns poemas que escrevo. Em cartas me sinto em casa. Parece que estou mesmo conversando com a pessoa, mesmo que esse personagem esteja no Séc. XVIII, por exemplo. Já no infantil só arrisco. Embora tenha sido finalista do Prêmio SESC DF Monteiro Lobato, em 2012. Para mim, foi surpresa, porque acredito que tenho a mão de escritora pesada demais para crianças e morro de medo de confundir a cabecinha delas.

Você acha que mudou/ficou diferente depois do sucesso na literatura (os prêmios, a Academia Brasiliense de Letras…)?

- Sucesso é uma palavra forte e perigosa. É coisa, às vezes, de instante. Eu não acho que possa dizer que sou um sucesso como escritora. Já caminhei, já senti o gosto de algumas realizações. Mas ainda tem chão pela frente. Eu fiquei diferente, sim, no sentido de amadurecer. De compreender, por exemplo, no que sou melhor e no que não sou. Mudei na segurança. Antes, achava que nada era bom. Hoje, já me concedo a autoaprovação imediata em algumas coisas.

As pessoas mudaram com você?

- De modo geral, tenho apoio de amigos e leitores que, discutem, trocam ideia. Mas existe uma ou outra que ficou ressentida comigo. Gente que torce o nariz não para a minha obra — porque em relação a isso não haveria problema,— mas que torce o nariz para mim e para o que eu conquistei, tentando me desmerecer, me desqualificar. Mas em sua grande maioria quem me lê é muito gentil e generoso comigo.

Você é vaidosa? O peso é um problema para você?

- Sou muito vaidosa. Mas já fui mais. Gosto de roupas novas, de bijouterias bonitas, de cabelo arrumado. Só que sou muito gorda. E é difícil encontrar coisas que eu goste no meu manequim. Isso me deixa chateada. Não por causa da estética apenas, mas também, e principalmente, pela saúde que começou a se deteriorar em função do peso. Nada letal, mas são coisas que doem, incomodam e me impedem, muitas vezes, de ser a pessoa ativa, empreendedora que já fui um dia.

Você é religiosa? Como você descreveria a sua ética?

- Sou nascida na religião católica. Frequentei colégio de freiras e fui à missa até os 35 anos gosto de alguns santos e adoro Nossa Senhora. Acredito em outro mundo, purgatório, inferno e céu.

Mas quando me divorciei, aos 30 anos, a igreja me disse que eu estava me tornando uma pessoa marcada, eu tive um grande choque. Ontem, a filha amada de Deus que fazia tudo certinho. Hoje, a mulher desregrada que não pode nem mesmo comungar.

Daí para frente comecei a perceber outros defeitos no catolicismo: A perseguição aos homossexuais, a insistência em relegar a mulher ao papel medieval de mãe e esposa, a hipocrisia dos padres pedófilos sendo mantidos longe da mídia e encobertos pelo silêncio da Igreja, as finanças, a ganância e o luxo do Vaticano, a intolerância em relação a outras religiões, a face sempre europeia da Santa Sé. Não fiz disso uma bandeira. Apenas me afastei e descobri que minha crença é na divindade, não nas instituições. No céu no qual eu acredito haverá prostitutas, ateus, muçulmanos, pais de santo, bêbados, drogados.

Ética é gesto cotidiano. É o que a gente é: essência, pensamento, atitude. Não adianta dizer que é honesto, justo, imparcial. São os atos que vão dizer se a gente é tudo isso.

As mulheres da sua vida – avó, mãe, filha, madrinha, amigas – que importância têm para entender você?

As mulheres da minha vida foram determinantes. Venho de uma família mineira de matriarcas — Família grande, lutando com dificuldade, apenas duas das irmãs puderam estudar. No entanto, conversar com cada uma das minhas tias sempre foi um assombro. Filhas de professora e dentista tinham um português de dar inveja, entendiam de qualquer assunto e muito sobre a vida. As que estudaram e as que não. Minha madrinha, por exemplo, Leonor Nunan, a quem dediquei meu segundo livro, além de ser professora foi autodidata em francês e alemão. Ouvia óperas, cozinhava como ninguém e lia autores de todas as correntes. Devo a ela a pessoa crítica, interessada em literatura, em arte que me tornei.

Minha mãe era uma mulher de grande personalidade. Por causa disso, brigamos muitas vezes. Acho que nunca conheci ninguém mais forte e guerreira do que ela. Sempre adiante do seu tempo, me educou, formou, amou e mostrou o caminho. Depois, me disse que era para ir caminhar sozinha e tropeçar e cair e levantar. Faço assim até hoje.

Hoje, minha filha única e eu temos uma relação muito parecida: brigamos, conversamos, eu ensino, ela me ensina, nos amamos. Eu gosto que ela se oponha a mim, que pense sozinha. Somos muito amigas, mas antes e acima de tudo, somos mãe e filha.

E quem foi/quem foram os homens importantes na sua vida?

- Meu pai, com certeza, embora de uma maneira diferente. Ele não era a figura tradicional de pai, a quem se tem que pedir permissão para tudo. Era o que me levava para o clube, para o cinema. Nunca julgava se minha saia estava muito curta ou se eu usava biquíni pequeno. Com ele aprendi coisas que só mais tarde percebi. Hábitos que cultivei como ele. O box é um deles! Eu voltava da rua aos sábados e o encontrava assistindo box na TV. Ele então me convidava para uma última cervejinha e aquilo era um ritual.

Meu padrinho, casado com a irmã mais velha de mamãe, foi outro homem importante na minha vida. Foi a figura mais doce e amiga que tive até o final da adolescência.

No mais, não conheci meu avô materno nem o paterno. E não tive na vida nenhum outro homem que me marcasse. Como disse antes, meus exemplos de vida são em sua grande maioria femininos.

Você tem medo de alguma coisa?

- De algumas. Da morte, com certeza. Como acredito em outra vida e acho que sou muito errada, morro de medo de morrer e ter que ir conversar com o dono do andar de cima.

Tenho medo de cobra, de rato, de ser enterrada viva (verifiquem bem, por favor, se eu morri mesmo, gente!).

Mas meu maior medo é de andar de avião. Falo dois idiomas com fluência e um outro razoavelmente, fora o português, e não viajo para o mundo todo porque tenho pânico de avião. Pode? Se for de extrema necessidade, me controlo, bebo, mordo a boca, cravo as unhas na mão e viajo. Mas já perdi cursos, festas e outras coisas por causa disso.

Há muitos anos, ouvi de uma psicóloga: “Quem é maior, o criador ou a criatura?”. Assim que lhe dei a resposta óbvia, ela me disse: “Se o criador é sempre maior que a criatura, você é maior que o seu medo”.

Fora isso,tenho medo de gente invejosa, de gente que maltrata idosos, crianças e animais. De gente que tem prazer em humilhar o outro como forma de exercer poder. De gente que suga, mas não dá. De gente que se acha superior aos outros porque tem mais estudo, mais dinheiro, mais sorte.

Mas o medo não me acovarda. Só me inquieta.

Uma coisa que deixa você furiosa:

- Não podem ser duas? Humilhação e maus-tratos.

Uma coisa que deixa você feliz:

- Quando alguém elogia um texto literário meu.

Marina Silva por Renata Castelo Branco

Marina Silva, ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente, participou do “Poder e Política”, projeto do UOL e da Folha conduzido pelo jornalista Fernando Rodrigues. A gravação ocorreu em 26.fev.2012 no estúdio do UOL em Brasília.

Narração de abertura: Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima tem 55 anos. Já foi senadora da República, ministra do Meio-Ambiente e candidata a presidente da República.

Marina Silva nasceu em uma pequena comunidade chamada Breu Velho, no Seringal Bagaço, localidade situada na zona rural de Rio Branco, capital do Acre. Aos 16 anos, mudou-se para a zona urbana para tratar da saúde, fragilizada por doenças como malária e hepatite. Nessa idade, aprendeu a ler, trabalhou como empregada doméstica e também dedicou-se à religião.

Filiada ao PT, Marina disputou sua primeira eleição em 1986, para deputada federal. Perdeu. Depois, em 1988, foi eleita vereadora em Rio Branco. Foi quando sua carreira política deslanchou. Na eleição seguinte, de 1990, elegeu-se deputada estadual. E, em 1994, aos 36 anos, tornou-se senadora, cargo para o qual foi reeleita em 2002.

Marina Silva foi ministra do Meio Ambiente do ex-presidente Lula de 2003 a 2008. Pediu demissão do cargo por discordar de políticas do governo petista. Filiou-se ao Partido Verde e disputou a eleição presidencial de 2010 contra a candidata do PT, Dilma Rousseff. Marina foi derrotada, mas ficou em 3º lugar com 19,6 milhões de votos.

Agora, em 2013, fora do Partido Verde, Marina Silva tenta fundar uma nova sigla… chamada “Rede Sustentabilidade”. Se a “Rede” ficar pronta, Marina pode disputar a Presidência da República pela legenda em 2014.

Folha/UOL: Olá internauta. Bem-vindo a mais um “Poder e Política – Entrevista”.

Este programa é uma realização do jornal Folha de S.Paulo e do portal UOL. E a gravação é realizada aqui no estúdio do Grupo Folha, em Brasília.

A entrevistada desta edição do Poder e Política é a ex-senadora, ex-ministra, ex-candidata à presidente da República, Marina Silva.

Folha/UOL: Como vai, Marina, tudo bem?

Marina Silva: Tudo bem, Fernando.

Folha/UOL: Começo perguntando uma questão de gênero. O novo partido que está sendo criado deve ser tratado por nós como a Rede ou o Partido Rede Sustentabilidade? Masculino ou feminino?

Marina Silva: É. Eu acho que a Rede.

Folha/UOL: É?

Marina Silva: A Rede. É.

Folha/UOL: Seria, assim, no feminino, então. A Rede, sempre.

Marina Silva: A Rede. É.

Folha/UOL: Está certo.

Marina Silva: Porque, inclusive, já…

Folha/UOL: Então, “o partido [a Rede]“, né?

Marina Silva: É. Mas vai quebrando o paradigma, né?

Folha/UOL: Está certo. Então, feminino. E, dois, outra dúvida que eu tenho, os jornalistas têm essa dúvida: Quem é do partido PT, é petista. Do PMDB, pemedebista. Do PSDB, peessedebista. Quem é da Rede é o que? Redista? Como a gente poderia chamar?

Marina Silva: É, isso é ainda uma indagação que até o meu filho, que trabalha com programação, me fez. “Mãe, como é que vai ser isso?” Eu digo, as pessoas vão ser criativas o suficiente para encontrar um caminho. Ou, pelo menos, vão nos chamar de “os redes”.

Folha/UOL: Os redes?

Marina Silva: [risos]

Folha/UOL: Essa seria uma forma aceitável, você acha, do grupo que foi composto?

Marina Silva: É. Eu acho que soa bem, não é?

Folha/UOL: É. Muito bem. Como é que está a coleta de assinaturas para a formação do partido?

Marina Silva: Bem, nesse momento em que a gente ainda está no processo de registro junto ao TSE [Tribunal Superior Eleitoral], ainda é um esforço de mobilização muito espontâneo. Mas várias iniciativas estão sendo tomadas e, sobretudo, das pessoas que entram no nosso site, o www.brasilemrede.com.br, e baixam a ficha e estão encaminhando para os endereços mais próximos.

Folha/UOL: Eu soube que, num primeiro momento, cerca de 20 mil fichas foram baixadas. Tem alguma atualização desse número?

Marina Silva: Nesse momento, eu não tenho essa atualização. Mas é uma grande quantidade que já foi baixada e a busca que as pessoas estão fazendo. Eu estou medindo um pouco isso nas minhas caminhadas. Geralmente, as pessoas são muito respeitosas, mas quando, agora, depois do sábado que foi lançada a Rede, uma boa parte passa e diz: “Como é que eu faço para ajudar? Conte comigo”. E várias pessoas estão manifestando espontaneamente o desejo de contribuir com as assinaturas.

Já tivemos um ato aqui, na Feira do Guará, sábado aqui em Brasília. Em São Paulo também, lá na Av. Paulista. E em Minas Gerais já está programado. Em vários lugares, as pessoas já estão fazendo. E não só, digamos assim, pelos grupos mais ligados à Rede, mas iniciativas espontâneas também de pessoas que não são fundadoras ou que não estão diretamente ligadas.

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Ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial Luiza Bairros
Ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial Luiza Bairros

Em entrevista ao programa Bom Dia Ministro dessa quarta-feira (26), a ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Luiza Bairros, falou sobre o lançamento da primeira etapa do Plano de Prevenção à Violência Contra a Juventude Negra, o “Juventude Viva”, cujo piloto será colocado em prática em Alagoas. Leia abaixo trechos da entrevista, editada pelo Em Questão.

Preconceito

O racismo é um fenômeno extremamente elástico, que vai tomando formas diferenciadas à medida que a sociedade também vai mudando. Mas, do ponto de vista das políticas públicas, temos feito tudo o que é possível para que a igualdade racial se estabeleça.

Discriminação

O que as ideias racistas fazem é desvalorizar as pessoas. E, desumanizando as pessoas, se tem uma dimensão de que a vida vale menos. Felizmente, com o trabalho que tem sido desenvolvido pelos movimentos sociais, em primeiro lugar e, na continuação, o trabalho que temos feito, a partir do governo, acredito que esse tipo de mentalidade na sociedade brasileira tende a mudar.

Violência

Tivemos, no Brasil, no ano de 2010, 19 mil mortes entre jovens negros, contra 7 mil entre jovens brancos. Existe uma diferença abismal nesses números. Portanto, isso exige, da nossa parte, uma preocupação específica com esse segmento da população. Isso dá para nós todos bem a ideia de como esse problema é urgente, não apenas para a população negra, mas para o futuro do Brasil.

Processo histórico

O Estado reconhece que existe um processo de vitimização em um determinado segmento da população, no caso os negros e, em função dessa constatação, se coloca como um responsável primário para poder modificar esse tipo de situação. Para mim é mais importante, hoje, a gente pensar naquilo que ganhamos do ponto de vista não apenas de consciência social, mas de responsabilização do Estado.

Juventude Viva

O Juventude Viva foi pensado para ser trabalhado em 132 municípios brasileiros, que são responsáveis por 70% das mortes violentas de jovens negros. Nós estamos começando uma experiência piloto no estado de Alagoas. Obviamente, a ideia é que isso possa ser espalhado por todo o Brasil.

Além da Secretaria-Geral e da Seppir, que o coordenam, [o plano conta com] a saúde, a cultura, a educação, esporte e justiça. Cada um desses ministérios entra no programa com um conjunto de possibilidades, que serão utilizadas de acordo com o diagnóstico que se fizer em cada um dos municípios.

Educação

O Ministério da Educação, por exemplo, tem uma contribuição com o Programa Mais Educação, que tem sido uma aposta muito grande de fazer com que as escolas se tornem de tempo integral, fazendo com que os estudantes tenham a possibilidade de participar de atividades não só curriculares, mas extracurriculares também.

Saúde

No caso do Ministério da Saúde, tem a ver com a possibilidade de ter uns agentes jovens de saúde. O protagonismo da juventude é extremamente importante para que nós possamos criar uma relação mais positiva com a vida.

Cultura

O Ministério da Cultura entra com as praças de esporte e lazer e com as usinas culturais, que são extremamente importantes para fazer com que a juventude tenha alternativas. O jovem deve ser encarado, ser tratado, como alguém que tem contribuições efetivas para dar à sociedade e, portanto, merece estar vinculado às ações e atividades que são valorizadoras da vida e dos seus talentos. O Ministério da Cultura oferece as usinas culturais, que estão previstas para se realizar até 2014, como espaços de convivência, de exercício da criatividade, da inovação, que é algo que fundamentalmente os jovens necessitam.

O programa é transmitido ao vivo pela TV NBR e pode ser acompanhado na página da Secretaria de Imprensa da Presidência da República.

De SECOM
Ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM/PR), Eleonora Menicucci
Ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM/PR), Eleonora Menicucci

Em entrevista ao programa Bom Dia Ministro dessa quinta-feira (8), a ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM/PR), Eleonora Menicucci, comentou, entre outros assuntos, sobre a “Campanha Compromisso e Atitude – a Lei é Mais Forte”, que fortalece a implementação da Lei Maria da Penha. Leia abaixo trechos da entrevista, editada pelo Em Questão.

Campanha

Em relação à campanha que lançamos, “Compromisso e Atitude – A Lei é mais Forte”, em parceria com o Ministério da Justiça, com o Conselho Nacional de Justiça, com a Defensoria Pública, a Procuradoria-Geral da União e com o apoio efetivo da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, pretendemos atingir toda a sociedade brasileira no que diz questão à mudança de mentalidade, à sensibilização para a questão da violência contra as mulheres. Ela terá três fases. Primeiro, essa campanha que nós lançamos. Depois, terá um site paralelo sobre a campanha. E, também, adesivos que serão lançados para ônibus, carros, banheiros, em lugares públicos, ônibus. Pretendemos, efetivamente, sensibilizar a população para três questões: é crime bater em mulher; a lei é mais forte, vai para a cadeia; não podemos conviver mais com tamanha violência contra as mulheres.

Rede de atendimento

A rede de atendimento precisa ser reforçada e empoderada de recursos humanos qualificados para atender essas mulheres [vítimas de violência], de recursos financeiros. Tem que ter a delegacia, as casas-abrigo, os pronto-socorros especializados, com profissionais de saúde para atender às mulheres, as varas familiares para agilizar o processo e julgar os agressores. O que acontece quando não existe essa rede? As mulheres denunciam e o Estado, o Poder Público, não as acolhe. Elas voltam para casa, para uma situação extremamente perigosa, vulnerável. O Poder Público tem a responsabilidade de proteger aquela mulher e de garantir a integridade física dela. Nós lançamos a campanha “Compromisso e Atitude – a Lei é Mais Forte” para sensibilizar a população e, sobretudo, os operadores da Segurança Pública e do Judiciário, em relação à fala das mulheres. Entramos em um caminho novo para a consolidação da Lei Maria da Penha, que garante a integridade física, psíquica e emocional das mulheres.

Indenização regressiva

O ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves, e eu assinamos um convênio. Pela primeira vez, a Previdência Social inclui, no âmbito das suas ações, a indenização regressiva. Vamos identificar, via Polícia Federal, segurança pública e Ligue 180 as mulheres que ficaram com sequelas – não importa que tipo – por decorrência de agressão, violência doméstica ou aquelas que foram a óbito e deixaram filhos ou mães como dependentes. E a indenização que o INSS paga a essa mulher deverá, obrigatoriamente, ser ressarcida pelo agressor. Ontem ajuizamos, junto ao INSS, as duas primeiras ações. São mulheres do DF: uma que foi assassinada enforcada e deixou dois filhos e uma outra que ficou paraplégica. A lei não só levará o agressor para a cadeia como vai colocar a mão no bolso do agressor.

Lei Maria da Penha

A Lei Maria da Penha constituiu um elemento que é fundamental: a possibilidade efetiva de uma parceria com o sistema judiciário, o sistema de segurança e a Defensoria Pública do nosso País, porque sem esses operadores do direito é dificílimo que alguma lei caminhe no nosso País. Esses seis anos da Lei e o resumo do nosso Disque 180, com 2.714.877 registros de telefonemas, são fundamentais. A Lei veio para punir e está punindo, tem casos exemplares. Com a Lei Maria da Penha acabou a fiança. À medida que a mulher faz a denúncia, transforma-se, imediatamente, em processo, segue rapidamente pelas varas familiares para o julgamento. E o crime, não sendo afiançável, o agressor vai para a cadeia. A visibilidade dos casos lamentáveis de violência tem ajudado a outras mulheres a denunciarem. A visibilidade da punição também ajuda, dá força para as mulheres.

Brasil Sem Miséria

O governo federal tem investido fortemente em políticas públicas do Brasil sem Miséria para retirar a população da pobreza e extrema pobreza. Essas políticas geram melhores condições de vida para a população e para as mulheres, que são 52% da população. Uma mulher que entra em um programa do Brasil sem Miséria tem mais acesso, mais condições de educação, de informação. É um passo para que a vida dela melhore. A outra política que eu quero destacar é o Luz para Todos, que ilumina o município e protege as mulheres, porque passam a ter um livre acesso em condições mais seguras.

O programa é transmitido ao vivo pela TV NBR e pode ser acompanhado na página da Secretaria de Imprensa da Presidência da República.

Da SECOM
A presidente Dilma Rousseff negou que um grande país seja medido somente por riquezas econômicas.
O discurso foi feito na 9ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente / Evaristo Sa/AFP

O discurso foi feito na 9ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente / Evaristo Sa/AFP

Diante de um público jovem, a presidente Dilma Rousseff disse nesta quinta-feira que uma grande nação deve ser medida não só pelas riquezas econômicas, mas também pelo que faz pelas crianças e adolescentes. “Uma grande nação tem que ser medida por aquilo que faz por suas crianças e adolescentes, e não pelo Produto Interno Bruto [que tem].”

O discurso foi feito na 9ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente que começou ontem e segue até o próximo sábado.

Dilma também afirmou que o governo vai aumentar o número de escolas em tempo integral no país. Segundo a presidente, a finalidade é ampliar dos atuais 33 mil para 60 mil o número de colégios de ensino médio e fundamental que oferecem atividades em turno complementar até o final de 2014.

“Esse país precisa caminhar para a escola de tempo integral, não e só para tirar os nossos jovens e crianças das ruas, é também para garantir ensino de padrão de primeiro mundo. Nenhum país desenvolvido tem escolas de período único”, disse.

A presidente destacou que a ampliação do turno escolar garante reforço aos estudantes nas disciplinas em que eles têm mais dificuldades, além de dar acesso a atividades culturais e esportivas. “Vamos disputar a economia moderna, a economia do conhecimento, aquela que agrega valor. Esse país vai ser desenvolvido quando as crianças e jovens tiverem acesso à educação de qualidade”, disse.

Durante a Conferência será discutido um plano que prevê políticas públicas ao longo de dez anos, voltadas à proteção de menores que estão em abrigos, nas ruas e em conflito com a lei.

Da Band.com
 Cristina Kirchner mostra jornal com foto de Luis de Guindos; presidente diz que engasgou quando viu ministro - Reuters

Cristina Kirchner mostra jornal com foto de Luis de Guindos; presidente diz que engasgou quando viu ministro - Reuters

A presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, afirmou nesta quarta-feira que ficou “engasgada” após ver a foto do ministro de Economia da Espanha, Luis de Guindos, na capa da edição de hoje do jornal espanhol “El País”.

O diário apresentava como título a intervenção da União Europeia para resgatar os bancos espanhóis, ao lado de uma foto do ministro espanhol. “Hoje tomei um susto terrível de manhã. Olhem o que era a capa, trouxe se vocês não viram: ‘A UE coloca a Espanha sob tutela’. Olhem para este careca”.

Em seguida, explicou a surpresa. “Isso me trouxe umas lembranças que quase deixam meu café amargo, fiquei com a torrada engasgada. Isso me fez lembrar de épocas e políticas, fundamentalmente de intervenção”.

Cristina Kirchner fazia referência ao ministro de Economia argentino Domingo Cavallo, que ocupou a pasta nos governos de Carlos Menem (1989-1999) e Fernando de la Rúa (1999-2001).

Responsável pela política de convertibilidade, que atribuía ao peso o mesmo valor do dólar, Cavallo é visto como um dos principais autores da estratégia econômica da década de 1990, que provocou a crise financeira argentina de 2001.

Ao fim, Cristina fez um novo ataque à imprensa local.

“Curiosamente vi em um jornal daqui que questionava a soberania espanhola e que, no entanto, aplaudiram quando vinham para cá os vice-reis do Fundo Monetário Internacional a dizer as coisas que nós tínhamos que fazer. Pode ser um adianto importante na visão dos problemas da economia mundial”.

 Da Folha.Com

Ministra Eleonora Menicucci Foto: Tomás Faquini/SPM

Publicado no jornal Correio Braziliense, em 17 de junho de 2012, artigo escrito pela Ministra Eleonora Menicucci trata das oportunidades da Rio+20 para a inclusão social e a igualdade entre homens e mulheres.

Sustentabilidade com as Mulheres

A Conferência Rio+20, essa janela de oportunidade única, se realizará em sua plenitude por meio de dois compromissos: o da inclusão social, como inegociável; e o da incorporação das mulheres como propulsoras do desenvolvimento sustentável. Para a implementação de um novo modelo de sustentabilidade, devemos considerar uma reordenação da divisão sexual do trabalho e da carga produtiva e reprodutiva das classes sociais.

A participação de todas as populações, classes sociais, etnias, cores, credos e tendências é o cimento sine qua non do processo que materializa uma nova atitude no mundo. Mas o debate da inclusão que se trava no momento no Brasil aponta equívocos, como o de acusar a nova classe média que começa a se apropriar de fatia ainda pequena do célebre bolo por tanto tempo prometido, de praticar um consumo “irresponsável”. O que precisa ser inserido no debate é a lembrança de que as classes sociais de maior poder aquisitivo é que têm praticado, secularmente, um consumo predatório.

Isso não elimina a convicção de que mudar o paradigma e a atitude de consumo é uma necessidade de todas as classes sociais. Mas como pôr no mesmo patamar uma pequena renúncia ao consumo por parte de quem nunca se aplicou limites, como é o caso dessas classes de maior poder aquisitivo, e a renúncia absoluta de quem sempre foi forçado a viver abaixo do limite, justamente no momento em que, por justiça, começa a desfrutar?

A outra questão central para um novo modelo se firmar via Rio+20 é o reconhecimento e incorporação da contribuição das mulheres à economia e ao desenvolvimento de múltiplas estratégias para enfrentar a pobreza e preservar os diferentes conhecimentos; da sua contribuição com práticas fundamentais para a sobrevivência e a sustentação da vida.

Isso foi reconhecido pelo Consenso de Brasília, aprovado em 2010 na XI Conferência Regional sobre a Mulher da América Latina e Caribe. Portanto, quando se fala em recorte de gênero no âmbito da Rio+20, fala-se na perspectiva transformadora que se abre por força da ótica proposta pelas mulheres e seus movimentos, fala-se em pensar os impactos de todas as políticas na vida de mulheres e de homens.

O Consenso de Brasília chama a atenção para o fato de que o acesso à propriedade da terra, à água, aos bosques e à biodiversidade em geral é mais restrito para as mulheres que para os homens; que o uso desses recursos naturais está condicionado pela divisão sexual e secular do trabalho; que a poluição ambiental tem impactos específicos sobre as mulheres na cidade e no campo.

A IV Conferência Mundial sobre a Mulher (Pequim, 1995) já incluía item específico sobre a mulher e o meio ambiente, e defendia: a) Envolver a mulher na adoção de decisões relativas ao meio ambiente; b) Integrar a perspectiva de gênero nas políticas e programas do desenvolvimento sustentável; e c) Fortalecer ou estabelecer mecanismos, em nível nacional, regional ou internacional, para avaliar o impacto das políticas de desenvolvimento e ambientais na vida das mulheres.

Todo esse acumulado de visões ecoa no Plano Nacional de Políticas para as mulheres, da Secretaria de Políticas para as mulheres, da Presidência da República. Nele, a justiça social e a equidade são articuladas sob os aspectos econômicos, políticos, sociais, culturais e ambientais.

Simultaneamente, não podemos pensar em um mundo sustentável que aceite a violência contra as mulheres e a exploração sexual de crianças, adolescentes e mulheres, tampouco o tráfico de pessoas. Não podemos pensar em um mundo sustentável que aceita uma educação discriminatória, sexista e racista. Nem numa economia verde que conviva com a diferença salarial ainda existente entre mulheres e homens.

Pensar o desenvolvimento sustentável com a inclusão das mulheres significa reconhecer o trabalho doméstico como trabalho decente, à semelhança de qualquer outro trabalho. Implica reconhecer a ação de cuidado e o autoconsumo, ainda concentrados nas mulheres, como elementos de sustentação da vida cotidiana que devem ser compartilhados pelos homens e por toda a sociedade.

Isso tudo compõe – aí, sim – um novo paradigma de desenvolvimento, em que sustentabilidade e desenvolvimento se associarão de forma estrutural a uma igual distribuição do trabalho e dos bens – à igualdade, enfim, entre mulheres e homens.

Eleonora Menicucci

Ministra de Estado Chefe da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República

Do Site da Secretaria de Políticas para Mulheres

Café com a Presidenta

O Brasil pode ser referência para outros países que buscam o desenvolvimento sustentável, disse hoje (18) a presidenta Dilma Rousseff em seu programa semanal de rádio. Para ela, o país tem matriz energética mais limpa que as demais nações, é um dos principais produtores de alimentos do mundo e chegou a esses resultados aumentando a qualidade de vida da população, mantendo a maior reserva de água e a maior biodiversidade do planeta..

“Desenvolvimento sustentável é isso (…), são esses três verbos: crescer, incluir e proteger”, resumiu Dilma no programa Café com a Presidenta. “Nosso crescimento econômico é baseado em energia limpa e renovável, produzida por usinas hidrelétricas e biocombustíveis. E é por isso que hoje 45% dessa energia que usamos, tanto para gerar luz elétrica quanto para mover nossos automóveis e nossas máquinas, são renováveis. Um percentual que nos deixa muito à frente do resto do mundo, que tem uma matriz concentrada em fontes fósseis e físseis de energia. Ou seja, em energia de carvão, petróleo ou energia nuclear. Veja só, a diferença, a média internacional do uso de fontes renováveis é 13%!”, lembrou Dilma.

A partir da próxima quarta-feira (20), a presidenta receberá, no Rio de Janeiro, 94 chefes de Estado e de Governo que participarão da reunião de cúpula da conferência Rio+20. O evento será uma oportunidade de discutir alternativas de políticas e iniciativas econômicas e tecnológicas que conciliem expansão econômica e proteção ao meio ambiente. O Brasil apresenta na conferência experiências bem-sucedidas de desenvolvimento sustentável.

“O Brasil também vai mostrar a nossa mais valiosa experiência, reconhecida mundialmente, que foi reduzir a pobreza com crescimento econômico e proteção ao meio ambiente”, disse Dilma. “Somos grandes produtores agrícolas e plantamos com alta produtividade sem destruir o meio ambiente. Isso é sustentabilidade!”. Segundo ela, o país é “um dos três maiores produtores de alimentos do planeta e tem as maiores reservas de água doce.

Da Agência Brasil

 

Ministra Tereza Campello

A ministra do Desenvolvimento Social e Combate a Fome, Tereza Campello, afirmou hoje (12) que o Brasil não está imune aos impactos de uma redução do crescimento econômico mundial. No entanto, diz a ministra, os efeitos da crise no país estão sendo resolvidos com medidas econômicas, graças ao mercado de consumo de massa apoiado, em parte, pelos programas sociais do governo, que devem injetar este ano R$ 20 bilhões na economia.

Em entrevista à Agência Brasil, Tereza Campello disse que os empresários do comércio, os industriais e os governantes de todos os partidos conseguem compreender a dimensão extra do Bolsa Família. ”Não é só a dimensão de justiça e equidade, mas a dimensão econômica, que é ter criado um colchão de renda, que não só garante que haja sempre um patamar da economia funcionando, como impede que, nos momentos de crise, você bata no fundo do poço. Você sempre tem uma renda que garante um patamar mínimo de funcionamento da economia”, explicou.

A economia em crescimento é uma condição importante para que parcela daqueles que vivem na extrema pobreza sejam inseridos no mercado de trabalho, mas a ministra ressalta que isso depende da qualificação profissional deste segmento da população. “A taxa de crescimento pode ser maior ou pode estar no patamar de hoje. Tudo indica que teremos oportunidade para os brasileiros. Por isso, estamos investindo pesadamente para que tais oportunidade sejam aproveitadas.”

A íntegra da entrevista é a seguinte:

ABr: O Brasil está com um dos mais baixos índices de desemprego e, além disso, a economia crescendo nos atuais patamares pode contribuir para a redução do número de famílias beneficiadas pelo Bolsa Família?

Tereza Campello: Isso depende de quanto a economia vai crescer. Não podemos discutir se as pessoas vão conseguir emprego. Na década de 1990, os governos faziam cursos de qualificação para pessoas desempregadas. A economia estava estagnada e jogava-se para o trabalhador o ônus de estar desempregado. O fato de você qualificar a pessoa não quer dizer que ela vai melhorar de vida. O fato de o Brasil estar crescendo também não significa que ela vai conseguir se empregar. Hoje, esta população não está conseguindo tais oportunidades por falta de qualificação. Em várias cidades brasileiras, faltam oportunidades de qualificação. O Brasil crescendo, o governo entra com a capacitação das pessoas.

ABr: O Brasil crescendo tem algum efeito sobre o programa?

Tereza Campello: Muito grande da parte dessas pessoas, que não precisarão mais do Bolsa Família. Agora tem gente que ainda não entrou no programa. Estamos indo atrás dessas pessoas. Há muita gente saindo do Bolsa Família porque melhorou de vida. Outros, a gente ainda está incluindo.

ABr: Seu ministério (MDS) tem ações que envolvem forte atuação na área social, com reflexos importante na economia.

Tereza Campello: O Brasil Sem Miséria não é um programa do ministério. É da presidenta Dilma. Por isso, ele vem sendo priorizado por todos os ministérios, inclusive pelo da Fazenda. Incluir milhões de brasileiros como consumidores tem ajudado o Brasil a crescer. Tem uma demanda de bens de consumo em diversas localidades do país. Hoje acabou o tabu de que quem defende a agenda social é quem trabalha com política social. Hoje os empresários do comércio, os industriais, os diferentes governantes e partidos conseguem compreender a dimensão extra de que não é só a dimensão de justiça e equidade, mas a dimensão econômica, que é ter criado um colchão de renda, que não só garante que haja sempre um patamar da economia funcionando, como impede que, nos momentos de crise, você bata no fundo do poço. Você sempre tem uma renda que garante um patamar mínimo de funcionamento da economia.

ABr: Se ocorrer um processo de desaquecimento da economia, quais as conseqüências sobre o programa?

Tereza Campello: O Brasil não é uma ilha e não está imune aos efeitos de uma redução do crescimento econômico mundial. Estamos sentindo os efeitos, mas temos conseguido resolver, não só com medidas econômicas para manter a economia brasileira e nosso mercado interno de massa funcionando, mas apoiados inclusive em parte em nossos programas sociais para atravessar este momento de crise. E, com isso, são menores os impactos sociais.

 Da Agência Brasil

 

Café com a Presidenta

Ao comentar os dados divulgados na semana passada sobre preservação ambiental, a presidenta Dilma Rousseff disse hoje (11) que se orgulha da redução de 77% no desmatamento ilegal no país. “O Brasil, que já tem o privilégio de abrigar a maior área de florestas tropicais do mundo, pode se orgulhar também de conseguir protegê-las cada vez mais”, reforçou.

No programa semanal Café com a Presidenta, Dilma avaliou que a queda do índice é resultado “da forte ação do governo” na fiscalização e do trabalho conjunto de órgãos como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a Polícia Federal e as Forças Armadas.

“Também é importante dizer que temos oferecido alternativas de produção e renda para a população que vive em nossas florestas, para que esses trabalhadores possam produzir e garantir o seu sustento sem desmatar ou destruir o meio ambiente”, disse, ao destacar estratégias como o Bolsa Verde – benefício de R$ 300 pago a cada três meses para as famílias extremamente pobres que trabalham na coleta de frutos, na extração de látex ou na pesca artesanal, na Amazônia.

Para a presidenta, combinar uma fiscalização forte com ações que permitem a exploração sustentável dos recursos naturais ajuda a manter as florestas. Atualmente, segundo ela, mais de 80% da floresta amazônica estão preservados, enquanto na maioria dos países da Europa o índice fica em torno de 10%.

Dilma ressaltou que, a partir de agora, as compras feitas pelo governo federal vão dar prioridade a produtos e serviços que forem fabricados respeitando o meio ambiente. A medida inclui produtos como papéis, livros escolares, fardamentos, areia, tijolos, asfalto e cimento. Apenas em 2010, as compras públicas movimentaram R$ 70 bilhões.

“Esse é o modelo de desenvolvimento que vamos continuar seguindo, que tem como base três eixos que são igualmente importantes: o eixo crescer, o eixo incluir e o eixo proteger. Isso é o que vamos apresentar ao mundo durante a Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que começa nesta semana no Rio de Janeiro”, concluiu.

Da Agência Brasil