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Elas são maioria na graduação; eles comandam posições de destaque

A bióloga Flávia Alcântara Gomes: uma das 29 mulheres entre os 112 jovens cientistas da Academia Brasileira de Ciências Guito Moreto
A primeira mulher a integrar os quadros da Academia Brasileira de Ciências (ABC) foi ninguém menos que a polonesa naturalizada francesa Marie Curie – a primeira cientista da História a ganhar dois prêmios Nobel, de física e química. Isso foi em 1926, dez anos após fundada a instituição, numa homenagem à passagem de Curie pelo Brasil. Quase um século depois, o número de mulheres aumentou muito, lógico. Mas, apesar da estreia em grande estilo, ainda é bem inferior ao de homens, mesmo entre as novas gerações.
De acordo com levantamento feito pelo GLOBO, dos 112 jovens cientistas (até 42 anos) eleitos membros afiliados da Academia Brasileira de Ciências (ABC) apenas 29 são mulheres. O desequilíbrio nas posições de destaque na ciência reflete a situação geral do país: o número de mulheres já supera ligeiramente o de homens na graduação e na pós, mas os cargos mais elevados permanecem nas mãos deles.
- A novidade é que há mulheres na ciência; então temos que saudar o fato de elas estarem aparecendo mais – afirma a economista Hildete Pereira de Melo, professora associada da Universidade Federal Fluminense (UFF), responsável por numerosos estudos sobre a participação feminina no mercado de trabalho em geral e na ciência em particular. – Sim, ainda há uma grande discrepância. As mudanças culturais são muito lentas mesmo, há ainda uma longa estrada na construção da igualdade, mas tudo indica que as próximas gerações terão uma participação cada vez maior.
Estudo feito pela economista com base em números do Censo de 2000 revela que, já naquele ano, as mulheres superavam os homens (56,5% a 43,5%) nos cursos de graduação. Na pós (mestrado e doutorado), a diferença era um pouco menor, mas se repetia: 52% a 48%. Mas a supremacia parece desaparecer quando se chega a posições de destaque e cargos mais elevados. Para onde foram todas essas mulheres?
Conciliar família e trabalho
Para Camila Indiani de Oliveira, de 38 anos, especialista em ciências biológicas da Fiocruz-BA e integrante da ABC, trata-se de uma preocupação global para quem faz ciência.
- Na graduação e na pós tem muita mulher mesmo. E mesmo entre os professores. Mas, depois, elas começam a sumir – afirma a bióloga. – Não acho que haja um preconceito direto, mas acho que há uma falta de tolerância com o fato de que, numa determinada fase da vida, quando tiver filhos, vai haver um período em que ela vai produzir menos, publicar menos, orientar menos.
Na análise de Camila, enquanto nos EUA há políticas afirmativas e ações que apoiam as mulheres, aqui o assunto nem é debatido.
- Falta o apoio formal das instituições, como creches, por exemplo – afirma. – Políticas afirmativas nas escolas, nas faculdades.
Também integrante da ABC, Flávia Carvalho Alcântara Gomes, de 42 anos, concorda com a colega. Chefe do Laboratório de Neurobiologia Celular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, primeira professora titular da instituição e coordenadora da pós-graduação em ciências morfológicas, ela també, vê poucas mulheres em cargos de chefia. E também não acredita que o preconceito direto seja a explicação.
- Em geral, há mais mulheres do que homens na ciência hoje, mas, de fato, os quadros de liderança, de tomada de decisão, ainda são mais masculinos – afirma Flávia. – A ciência hoje é voltada para o mérito, mas tudo leva um tempo para ser incorporado, para refletir nos quadros mais altos.
Flávia destaca também a necessidade de maior apoio institucional, lembrando, por exemplo, que bolsistas da pós-graduação não têm direito à licença maternidade.
- Acho que a reversão desse quadro só vai acontecer quando houver uma forma melhor de conciliar família e trabalho – acredita Hildete. – Para muitas mulheres, em carreiras que exigem muita dedicação, fica difícil conciliar as duas coisas.
Do OGlobo.Com
A presidente Dilma Rousseff disse nesta quinta-feira que o desenvolvimento social associado ao desenvolvimento econômico é uma ferramenta de redução da pobreza. Dilma falou na presença da secretária-executiva da ONU Mulheres, a ex-presidente chilena, Michelle Bachelet. Para Dilma, os governos europeus devem evitar essa dissonância.
“Os governos precisam romper com a dissonância entre a voz dos mercados e a voz das ruas. Diminuindo essa diferença para propostas proativas de solução ao mesmo tempo que soluciona a crise, você cria condições para garantir que as pressões sofram toda essa magnitude dela”, disse a presidente.
Dilma destacou ainda que os programas de transferência de renda e o aquecimento do mercado interno criaram “o ciclo virtuoso que é o centro da força do Brasil nos últimos anos”. A presidente citou ações do governo, como por exemplo, a política de valorização do salário mínimo que, para ela, contribuiu para que “eliminasse a erosão do seu poder de compra”.
A presidente demonstrou novamente preocupação com o cenário econômico mundial e a crise aguda europeia. “Hoje estamos vendo um processo de desemprego dramático (naquele continente”, disse.
Inovação
Em evento posterior, a presidente defendeu a inovação e a pesquisa como ferramentas para o desenvolvimento do Brasil. Para a presidente, trata-se de um “esforço que estamos fazendo para ter um país mais rico e mais forte, com maior capacidade de investir, de agregar valor”. Dilma citou os investimentos em programas como o Ciência sem Fronteiras, que deverá enviar para o exterior 100 mil estudantes brasileiros.
A capacidade de competir e a agregação de valor e a inovação (…) serão talvez o maior instrumento (de desenvolvimento) nas próximas décadas e nos próximos anos”, avaliou a presidente. “O Brasil só vai conseguir usufruir dos frutos da era da prosperidade (…) se investir metódica e intensamente em educação e em ciência”, acrescentou.
Dilma assegurou que “não falta vontade política” para investimentos em educação e em ciência e tecnologia. Para a presidente, além de combater a miséria o Brasil tem o desafio de ser “capaz de criar tecnologia avançada”. A presidente discursou durante a entrega do prêmio Finep de Inovação, que reconhece talentos na área de empresas, instituições científicas e tecnológicas, públicas e privadas.
Do Terra
Foi aprovado ontem (14), na Câmara dos Deputados, o projeto de lei que protege a criança e o adolescente de receber qualquer punição por castigos físicos, as famosas palmadas. A proposta, que ficou conhecida como a Lei da Palmada, foi aprovada por unanimidade, em caráter conclusivo, na comissão especial criada para analisar a matéria e tem o objetivo de reforçar o controle da Justiça sobre os casos de maus-tratos contra a criança e o adolescente. O projeto segue agora para apreciação do Senado.
O texto original do Projeto de Lei 7.672/2010 teve que ser alterado para que a relatora, Tereza Surita (PMDB-RR), desse seu voto favorável. O termo “castigo corporal” foi substituído por “castigo físico”, que caracteriza qualquer ação de natureza disciplinar primitiva, com o uso da força física, que resulte em lesão à criança e ao adolescente. A palavra “sofrimento” também foi incluída no projeto, considerada como castigo.
A relatora Tereza Surita afirmou que a lei é educativa e que a punição física, por parte de pais e responsáveis quando a criança é desobediente, é uma questão cultural. “É cultural usar a violência na educação, e está mais do que comprovado que a violência não educa. Ela paralisa e não traz reflexão”, disse a relatora.
De acordo com a deputada, nesse cenário, é fundamental a mudança de valores. Ela destacou que o projeto de lei prevê o encaminhamento de casos mais graves para o acompanhamento psiquiátrico e social da criança e do agressor. “Quem agride de uma forma mais violenta também precisa de um acompanhamento”, justificou.
Pela proposta, não há punição dos pais com a perda da guarda da criança. Tereza Surita manteve em seu relatório a punição com multa de três a 20 salários mínimos para médicos, professores e agentes públicos que tiverem conhecimento de castigos físicos a crianças e adolescentes e não denunciarem às autoridades. As punições para os pais que agredirem os filhos serão as mesmas já estabelecidas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
A deputada Érika Kokay (PT-DF), integrante da comissão especial, disse que o uso da violência não corrige e nem educa. “O projeto não interfere na forma de educar as crianças e os adolescentes. Isso é uma função da família, dos educadores. O projeto interfere na violência, no bater, no machucar, no provocar sofrimento, no provocar lesão”, observou. Para ela, os que se colocam contra o projeto estão, na verdade, defendendo o direito de bater ou até mesmo espancar uma criança. “Esse projeto não tem o poder de interferir na educação e no poder da família, que é insubstituível”, afirmou.
A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República divulgou hoje nota na qual reconhece a aprovação da lei que pune a agressão física a crianças como um “importante passo para a afirmação dos direitos da criança e do adolescente contra todos os tipos de violência”. De acordo com a secretaria, um terço das denúncias registradas pelo módulo criança e adolescente do Disque Direitos Humanos (Disque 100) corresponde a situações de violência física.
Na visão da secretaria, o projeto propõe que a educação dos filhos seja baseada no diálogo e no respeito, de forma a priorizar os direitos humanos de meninos e meninas. A proposta, diz a nota, apoia as famílias e colabora para o enfrentamento da banalização da violência.
Da Agência Brasil
A melhor política de direitos humanos é aquela que tem como base a diminuição da pobreza, das desigualdades e da discriminação entre as pessoas, as regiões e os gêneros. A constatação faz parte da minuta do Relatório Nacional para o mecanismo de Revisão Periódica Universal, do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas apresentada no Senado nesta quarta-feira (14) pela ministra Maria do Rosário Nunes, da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República.
- A estratégia fundamental para a resposta que estamos oferecendo neste momento é o compromisso do Brasil para o enfrentamento da pobreza e das desigualdades sociais nos últimos anos. O Brasil investiu numa estratégia de desenvolvimento econômico com equidade e desenvolvimento social – afirmou a ministra durante audiência da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH).
Em virtude dessa estratégia, nos últimos oito anos, disse Maria do Rosário, o país retirou 28 milhões de pessoas da pobreza e promoveu a inclusão de 36 milhões de pessoas na classe média.
Ao resumir o relatório, a ministra avaliou que o embora o Brasil tenha avançado nos últimos anos, a construção de uma sociedade mais justa e atenta à garantia dos direitos humanos requer atenção permanente.
Em sua exposição, Maria do Rosário também listou uma série de ações e programas do governo para atender obrigações internacionais assumidas pelo país em 2008 como a aprovação do 3º Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3) e a elaboração de planos temáticos voltados a questões de especial interesse para agenda da área. Como exemplos, ela citou o Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência e o Programa de Promoção e Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa. A ministra citou ainda a criação da Comissão da Verdade e a aprovação da Lei de acesso à informação.
Relatório
A minuta do Relatório Nacional para o mecanismo de Revisão Periódica Universal é a versão preliminar do documento que o Brasil apresentará no II Ciclo do Mecanismo de Revisão Periódica Universal, na data provável de 25 de maio de 2012. Ele está disponível para consulta pública até o dia 20 deste mês.
Criado em março de 2006 pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, esse instrumento serve para acompanhamento da implementação dos Direitos Humanos pelos países.
Para Gláucia Silveira Gauch, diretora do Departamento de Direitos Humanos e Temas Sociais do Itamaraty, o mecanismo é de grande relevância por proporcionar uma oportunidade para reflexão e diálogo com o governo e a sociedade civil sobre temas relacionados à defesa dos direitos humanos no Brasil.
- Esse é um desafio que transcende a Secretaria de Direitos Humanos e o Itamaraty. Em última instancia é todo o Estado que se vê implicado dessa tarefa – disse.
O presidente da comissão, senador Paulo Paim (PT-RS) também elogiou a transparência do processo.
-Sua equipe faz algo inédito expondo um trabalho feito e pedindo à sociedade que leia esse documento e diga aquilo que concorda e discorda e faça críticas. Isso é um símbolo da democracia – afirmou o senador
Dia Internacional
A audiência foi convocada para celebrar o Dia Internacional dos Direitos Humanos, comemorado anualmente no dia 10 de dezembro. A data foi instituída em 1950, dois anos após a Organização das Nações Unidas (ONU) adotar a Declaração Universal dos Direitos Humanos como marco legal regulador das relações entre governos e pessoas.
Da Agência Senado
A ampliação do número de creches como a forma mais eficaz para garantir a entrada da mulher no mercado de trabalho, a desigualdade de renda entre os gêneros e a violência contra as mulher são alguns dos principais temas em debate na 3ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, que começou ontem (12), em Brasília. A conferência deve reunir cerca de 3 mil pessoas e a presença da presidenta Dilma Rousseff participará da cerimômia de abertura.
“A creche é o principal equipamento público para o atendimento adequado das necessidades da mulher para entrar no mundo do trabalho”, disse a ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Iriny Lopes. Uma das promessas da presidenta Dilma Rousseff é, justamente, construir 6 mil creches até 2014.
Com relação à diferença de salários, apesar do maior nível de escolaridade em relação aos homens, as mulheres ganham 30% menos e, quanto mais especializadas, mais distantes ficam do salário de um homem com as mesmas qualificações ou que ocupem as mesmas funções.
Sobre o combate à violência, a ministra disse que o encontro irá consolidar o Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, firmado há quatro anos. Iriny Lopes avalia que o andamento do plano foi “médio”. Ela atribuiu o fraco desempenho ao grande número de ações propostas sem uma lista de prioridades. “O plano é bom. Mas é [preciso] ter uma hierarquia e isso faz uma enorme diferença”, disse ela, lembrando que, na última conferência, foram aprovadas cerca de 400 propostas.
Em relação ao aborto, tema que também consta da pauta de debates e que sempre provoca polêmica, Iriny Lopes disse que essa é uam discussão permanente da sociedade. “Esse é um tema que perpassa a sociedade de maneira permanentemente, não trata somente da conferência. É um debate autônomo que está dentro da sociedade”.
Sobre a reforma ministerial prevista para janeiro, Iriny Lopes negou que Dilma Rousseff esteja pensando em fundir a pasta com a Secretaria de Direitos Humanos. “A presidenta Dilma já disse que não pretende retroceder nas conquistas do povo. Não há nenhuma discussão sobre isso dentro do governo”.
Da Agência Brasil
A senadora Ana Amélia (PP-RS) relatou, nesta quarta-feira (30), audiência com o ministro da Educação, Fernando Haddad, para tratar do pagamento dos complementos financeiros da União aos estados e municípios que respeitam o piso salarial para professores da educação básica previsto na Lei 11.738/08.
Ana Amélia lembrou que, nos casos em que o pagamento do piso gerar um acréscimo de custeio que ultrapasse as vinculações orçamentárias constitucionais para a educação, a lei prevê que a União faça a complementação. Ela levou ao ministro o caso do município de Dom Pedrito, no Sudoeste do Rio Grande do Sul, onde o pagamento do piso elevou o orçamento destinado à educação para 33,45%, quando a vinculação constitucional é de 25%.
- Dom Pedrito já investia 30% do orçamento em educação, mas o cumprimento da lei produziu um acréscimo de despesas de R$ 1.511.701, comprovados em planilha de pagamento de salários, que foi levada ao conhecimento do Ministério – assinalou.
A senadora observou que, de acordo com o prefeito Francisco Alves Dias, os recursos utilizados no pagamento são retirados de investimentos em infraestrutura educacional e de outras áreas do orçamento municipal. Ela disse que o ministro lhe explicou que, por uma decisão do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), o ministério não pode transferir recursos ao município de Dom Pedrito, já que municípios pertencentes a estados que não recebem a complementação não teriam direito aos recursos garantidos por lei.
- Este é apenas um exemplo de como as distorções federativas e a burocracia emperram o desenvolvimento social em nosso país – protestou.
Da Agência Senado
A presidenta Dilma Rousseff reforçou o compromisso do governo em apoiar e garantir oportunidades às pessoas com deficiência. A intenção é fazer com que eles desenvolvam “todo o potencial”, destacou ela hoje (28) durante o programa Café com a Presidenta.
Dilma recebeu, na quinta-feira (24) no Palácio do Planalto, em Brasília, os atletas e técnicos que participaram recentemente dos Jogos Parapanamericanos de Guadalajara (Parapan), no México. O Brasil foi o vencedor da competição: obteve 197 medalhas; 81 de ouro, 61 de prata e 55 de bronze.
“Nossos atletas deram um show lá em Guadalajara”, ressaltou a presidenta durante o programa. Para Dilma Rousseff, os esportistas “escolheram ser vencedores” e “mostraram determinação para ultrapassar os limites e superar, portanto, os preconceitos”.
A presidenta ressaltou que dos 222 atletas que disputaram o Parapan, 162 fazem parte do programa Bolsa Atleta do governo federal, pago pelo Ministério do Esporte. “É isso que permite a eles treinar, participar de competições e obter vitórias como essa agora no México”, disse. “Os resultados são extraordinários: 80% das medalhas obtidas lá no Parapan foram conquistadas pelos atletas que recebem a Bolsa Atleta”, completou.
De acordo com o Censo 2010, o Brasil tem 45,6 milhões de pessoas com alguma deficiência (17,7 milhões com deficiência considerada grave). Para atender essa população, o governo federal lançou há dez dias o programa Viver sem Limite, envolvendo 15 ministérios e orçamento de R$ 7,6 bilhões em três anos, para áreas de acessibilidade (R$ 4 bilhões), educação (R$ 1,8 bilhão), saúde (R$ 1,5 bilhão), além de inclusão social e mobilidade urbana (R$ 300 milhões).
Da Agência Brasil EBC
A ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campelo, disse há pouco em audiência pública da Comissão de Seguridade Social e Família, que o Plano Brasil sem Miséria já está na rua com ações e andamento e metas já atingidas.
Na área de complementação de renda, por exemplo, todas as metas para 2014 já foram alcançadas. Uma delas era o reajuste do Bolsa Família, já concedido em 2011. A ministra demonstrou ainda que as ações do Ministério se anteciparam à aprovação formal de alguns programas, como o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), de qualificação profissional. Desta forma, vagas do Pronatec voltadas para a população muito pobre já estão sendo oferecidas.
Outra meta que deve ser atingida antecipadamente é a inclusão de 70 mil famílias extrativistas no Bolsa Verde até a Rio +20. Este objetivo será alcançado no ano que vem, quando a meta inicial era 2014. O Bolsa Verde é um benefício de R$ 100 para as famílias que preservarem as áreas em que vivem.
Da Agência Câmara de Notícias
Coluna Saúde
O ultrassom é um dos exames mais solicitados durante o pré-natal, para acompanhar as condições de saúde da mãe e do bebê. O termo ultrassom se refere a ondas sonoras com frequência superior àquela que nós, humanos, somos capazes de ouvir.
Ao entender apropriadamente os princípios físicos dessa tecnologia, o ultrassonografista está apto a otimizar a qualidade da imagem, contribuindo para um diagnóstico de alta qualidade e precisão. Apesar de aparentemente simples, esse exame tão comum ainda gera muitas dúvidas entre as futuras mamães.
Seguem, então, treze perguntas respondidas pelo doutor Victor Bunduki, médico obstetra e especialista em medicina fetal e ultrassonografia do CDB Premium, em São Paulo:
1. O ultrassom é um exame seguro?
Dr. Victor Bunduki – “Sim, é um exame isento de contraindicações tanto para a mãe quanto para o feto. No caso do ultrassom com dopplerfluxometria colorida, que analisa o fluxo sanguíneo em diferentes vasos do corpo humano, recomendamos que seja realizado somente após a 9ª semana de gestação, para maior segurança.
2. É verdade que o feto, ao contrário dos humanos, ouve o som emitido pela tecnologia ultrassom?
Dr. Victor Bunduki – “Não. No ultrassom, lidamos com mais de três milhões de hertz, enquanto o ouvido humano escuta até dois mil hertz. Portanto, essa questão está totalmente descartada.”
3. A partir de quando é possível ter uma imagem do bebê?
Dr. Victor Bunduki – “Como as semanas de gestação são contadas a partir da data da última menstruação, é possível enxergar o embrião a partir da quinta semana – pelo ultrassom transvaginal – ou ainda a partir da sexta semana via suprapúbica. É nessa fase que, apesar de o embrião medir poucos milímetros, podemos identificar e ouvir seus batimentos cardíacos.”
4. Existe um ‘número ideal’ de ultrassonografias recomendado às gestantes?
Dr. Victor Bunduki – “Não há um número ideal. Quem determina os pedidos de exame é o obstetra da paciente, de acordo com as características da gestação. Entretanto, quatro exames seriam o mínimo necessário durante uma gestação normal. O primeiro, para confirmar a gravidez e descartar ou não a gestação gemelar. Ainda no primeiro trimestre, medimos a translucência nucal; no segundo trimestre, é possível realizar uma boa avaliação morfológica; e, no terceiro trimestre, devemos revisar a morfologia e acompanhar o crescimento, a quantidade de líquido amniótico e o aspecto da placenta.”
5. O que significa “translucência nucal”?
Dr. Victor Bunduki – “Trata-se de um exame de rastreamento de alterações genéticas (cromossomopatias) – como a Síndrome de Down, por exemplo – em que medimos a região da nuca do bebê. Em bebês que têm alterações cromossômicas essa medida pode estar aumentada. Esse exame, portanto, não tem finalidade diagnóstica, mas seleciona as pacientes que teriam indicação de estudo do cariótipo (colhido por punção de vilosidade coriônica ou do líquido amniótico).”
6. Em que período da gestação o ultrassom é mais importante?
Dr. Victor Bunduki – “Todos são igualmente importantes. O primeiro exame é muito útil para confirmar a gestação, identificar o local da implantação e determinar a idade gestacional. O segundo, também chamado de morfologia do primeiro trimestre, mede a translucência nucal, conforme mencionado. O terceiro exame morfológico confirma a idade gestacional, avalia o crescimento e, principalmente, a morfologia fetal. Já o quarto tem o objetivo de avaliar o crescimento, a quantidade de líquido e a placenta – além de revisar a morfologia. Isso tudo pode ser realizado também no segundo trimestre, mas existem patologias típicas do terceiro trimestre que podem levar a alterações de líquido e da placenta. Daí a importância de realizar um ultrassom nessa fase da gravidez.”
7. Que doenças podem ser identificadas durante o ultrassom gestacional?
Dr. Victor Bunduki – “São inúmeros tipos de malformações estruturais que podem ser detectados pelo ultrassom. Entre os mais recorrentes estão a hidrocefalia – que é o acúmulo de fluido cerebroespinhal nas cavidades ventriculares do cérebro – e outros distúrbios do sistema nervoso central, além de alguns tipos de malformações cardíacas, entre outras.”
8. Em que casos o obstetra costuma solicitar exames mais sofisticados de ultrassom, como Doppler, 3D e 4D?
Dr. Victor Bunduki – “O ultrassom com doppler é indicado para avaliar a circulação da mãe para o bebê e para checar o fluxo nos vasos internos do bebê. É importante nos casos de diabetes, hipertensão e retardo de crescimento fetal, por exemplo. Já o ultrassom 3D nos permite enxergar as estruturas fetais em três dimensões, melhorando muito a visão da anatomia de superfície, principalmente do rostinho do bebê. Também é muito útil como complemento do ultrassom convencional em caso de diagnóstico de malformações. No 4D, além das imagens bastante reais, também é possível acompanhar os movimentos do bebê.”
9. É possível que o ultrassom cometa erros, indicando problemas inexistentes?
Dr. Victor Bunduki – “Por mais que uma tecnologia ofereça recursos de ponta, o exame depende de um operador passível de cometer falhas. Por isso, além de se recomendar que uma malformação, por exemplo, seja confirmada através de um novo exame, é importante que a gestante realize seus exames em clínicas com boa reputação, principalmente que tenham profissionais especializados em medicina fetal.”
10. Mesmo que todos os exames solicitados estejam aparentemente normais, é possível que uma criança nasça com alguma malformação?
Dr. Victor Bunduki – “É possível, já que a sensibilidade ou taxa de detecção do ultrassom gira em torno de 90% na identificação de malformações estruturais. Sendo assim – e por existirem malformações muito discretas, de difícil identificação – o exame tem suas limitações. Por isso, há casos em que há indicação de um acompanhamento rigoroso, com a realização de exames complementares.”
11. Há casos em que o ultrassom identifica a necessidade de intervenções na hora do nascimento do bebê?
Dr. Victor Bunduki – “Sim, especialmente as cardiopatias e doenças do tórax. Há intervenções que podem ocorrer inclusive no ambiente intrauterino, como transfusões de sangue, derivações (ventriculares, renais), punções de líquido amniótico com finalidade terapêutica, entre outros. Fetos portadores de malformações cardíacas graves devem nascer em um centro de referência provido de UTI neonatal, cardiologistas pediátricos e cirurgiões cardíacos, prontos para atender o recém-nascido cardiopata, dado que desse atendimento depende a sua sobrevida.”
12. Como deve ser a preparação da gestante para o exame de ultrassom?
Dr. Victor Bunduki – “Nos três primeiros meses é necessário que a gestante beba bastante água antes de se submeter ao exame. Pelo menos, entre quatro e cinco copos. Depois da 12ª semana, entretanto, isso não é mais necessário. Vale ressaltar que, ao contrário do ultrassom suprapúbico, o transvaginal é realizado com a bexiga vazia. O gel utilizado durante o exame é o meio ideal para a transmissão das ondas sonoras através da pele e facilitar o deslizamento do equipamento.”
13. A partir de quando é possível saber o sexo do bebê?
Dr. Victor Bunduki – “Apesar de o sexo ser definido no momento da concepção, o órgão genital se desenvolve entre nove e doze semanas de gravidez. Portanto, entre a 14ª e a 16ª semana, dependendo da posição do bebê, é possível identificar o sexo da criança. Quando a criança está sentada sobre as perninhas ou quando está de pernas cruzadas, é mais difícil a visualização de sua genitália – obrigando os pais a terem um pouco mais de paciência para obter essa informação.”











