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"Ajudando as mulheres a liderar, vencer, governar." ✫Desde 2009✫

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Secretaria de Políticas para as Mulheres

A Câmara dos Deputados e a Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República darão início nesta terça-feira (20) às ações do Programa Pró-Equidade de Gênero e Raça. O programa visa a promover a igualdade de oportunidades e de tratamento entre homens e mulheres nas organizações públicas e privadas por meio do desenvolvimento de novas concepções na gestão de pessoas e na cultura organizacional.

As empresas e organizações públicas e privadas que fizerem parte do Programa deverão desenvolver suas ações durante 12 meses. Para receberem o Selo Pró-Equidade de Gênero e Raça é preciso que obtenham o mínimo de 70% de execução das ações pactuadas e que, qualitativamente, obtenham um desempenho satisfatório ou muito satisfatório.

Apoio internacional

O Programa Pró-Equidade de Gênero e Raça é uma iniciativa do governo federal que, por meio da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República e do II Plano Nacional de Políticas para as Mulheres, reafirma os compromissos de promoção da igualdade entre mulheres e homens previstos na Constituição. O programa conta com o apoio da Entidade das Nações Unidas para Igualdade de Gênero e da Organização Internacional do Trabalho (OIT – Escritório Brasil).

Foram convidados para a solenidade de início das ações do Programa:

- o diretor-geral da Câmara, Rogério Ventura;

- o diretor de Recursos Humanos da Câmara, Luiz César Lima Costa;

- a procuradora Especial da Mulher, deputada Elcione Barbalho (PMDB-PA), e

- a coordenadora da bancada feminina, deputada Janete Rocha Pietá (PT-SP);

A solenidade ocorrerá às 16 horas no Café do Salão Verde.

Da Agência Câmara

Por Meredith Lepore em The Grindstone

Arte RatoFX

Segundo novos dados de um relatório do Centro Americano para Políticas da Vida Profissional (Center for Work-Life Policy), as mulheres brasileiras são mais ambiciosas do que as americanas em relação à carreira profissional e têm como meta atingir posições do topo da hierarquia nas suas profissões.

Pelo menos 80% das brasileiras com nível universitário aspiram a postos de alto comando contra 52% nos EUA e ainda, 59% das mulheres brasileiras se consideram “muito ambiciosas”, em comparação com 36% das americanas, de acordo com o estudo. Além disso, as brasileiras têm uma presidente do sexo feminino, Dilma Rousseff. Segundo a Bloomberg, “a vitória de Dilma foi um marco para um país onde apenas uma das 68 empresas que formam a Bovespa é dirigida por uma mulher”. Dilma Rousseff nomeou pelo menos oito mulheres para postos ministeriais e fez do “empoderamento” do sexo feminino, um objetivo fundamental de seu governo. Parece estar funcionando.

As mulheres ocupam 29% dos altos cargos da iniciativa privada no Brasil e são diretoras executivas de 11% das grandes empresas. Para os EUA estes números são 20% e 3%, respectivamente, segundo o estudo. Entre as empresas privadas, 59% têm mulheres em sua composição societária, maior do que a média de 32%, apontada pela Organização para a Cooperação Econômica e Desenvolvimento.

Alguns outros fatores que contribuíram para essa tendência são o rápido crescimento econômico paralelamente ao aumento do custo de vida. Mesmo com um crescimento menor em 2011, nas cidades brasileiras, as taxas de emprego são bem altas. As mulheres representam 60% dos egressos das universidades que entram no mercado de trabalho do Brasil e o aumento do custo de vida vai significar ainda mais mulheres começando a trabalhar nos próximos anos.

Vinte e oito por cento das mulheres com um diploma universitário ganham mais que seus maridos no Brasil contra menos de 39% das mulheres americanas do mesmo nível educacional. O que é desanimador é que essas mulheres que ganham mais do que seus maridos são encorajadas a manter essa realidade em segredo, compartilhando apenas com a família. “Descobrimos que os homens são orgulhosos de que suas esposas trabalhem, mas a maioria não quer que outros saibam quando elas têm melhores salários”, disse Ripa Rashid, vice-presidente de uma organização de pesquisa sem fins lucrativos, sediada em Nova York.

O estudo descobriu que um dos maiores obstáculos que as brasileiras enfrentam para avançar na carreira é a falta de mentores, tal como ocorre com as americanas. Cuidar dos pais idosos foi outra barreira apontada, até mais do que cuidar de seus filhos. No Brasil, 60% das mulheres pesquisadas informa que participam do sustento de familiares idosos, em comparação com 48% nos EUA.

O Centro Americano para Políticas da Vida Profissional analisou pesquisas de um mínimo de 1.000 pessoas em cada um dos países do BRIC e pelo menos 200 nos Emirados Árabes Unidos em Outubro de 2009, bem como pesquisas de 2.952 pessoas com nível universitário nos EUA em fevereiro de 2010. O estudo foi patrocinado por cinco empresas – Bloomberg LP, a empresa-mãe da Bloomberg News, a Booz & Company, Intel Corp, Pfizer Inc. e Siemens AG.·.

Comissão julga anistia de mulheres perseguidas pela ditadura

 Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher (8 de março), a Comissão de Anistia (CA) do Ministério da Justiça realizará uma sessão especial de julgamento apenas com mulheres. Será no dia 9 de março, na Cinemateca, em São Paulo. Serão apreciados sete processos de ex-presas e perseguidas políticas, em seguida elas serão homenageadas.

Brutalmente torturadas, entre elas há duas irmãs confundidas entre si, por terem os nomes parecidos: Maria Niedja e Maria Nadja de Oliveira. A primeira, aprovada em 1976 em terceiro lugar no concurso para professora na Universidade de São Paulo, não conseguiu tomar posse porque uma triagem ideológica acreditou que ela fosse a irmã Maria Nadja, integrante do movimento contrário à ditadura militar.

No dia anterior (8 de março), será o pré-lançamento seguido de debate do documentário Repare Bem, da cineasta portuguesa Maria de Medeiros. Apoiado pelo projeto Marcas da Memória, mantido pela Comissão para promover o direito à verdade e à memória, o documentário trata da história de três gerações de mulheres perseguidas políticas, a partir do relato das perseguidas Denize Crispim e Eduarda Leite.

A história de “Repare Bem”, enfoca a vida de Eduarda, que cresce sem conhecer o país de origem e sem conhecer o pai, Eduardo Leite, o “Bacuri”, morto pela ditadura após 109 dias de tortura. Eduarda só conseguiu incluir o nome do pai na certidão de nascimento em 2009 por determinação da Comissão de Anistia. Esse direito foi negado até publicação da portaria de anistia da sua mãe, Denize Crispim.

Denize é filha da ex-presa política Encarnación Lopes Perez e do militante comunista e deputado constituinte em 1946 José Maria Crispim. Seu irmão Joelson foi assassinado aos 22 anos pela ditadura militar e sua mãe foi presa. Denize, após se envolver com Eduardo Leite, ficou grávida de Eduarda, que nasceu num hospital militar. O pai da criança foi torturado e assassinado e o casal nunca mais se viu. Denize tentou reconstruir a vida no Chile e, depois do golpe de Pinochet, seguiu para a Itália com a filha como clandestina.

 Repare Bem será o primeiro filme a compor o acervo multimídia da Comissão de Anistia, que a Cinemateca Brasileira passará a abrigar. Um acordo de cooperação a ser assinado entre as duas entidades no dia 8 de março vai viabilizar a composição desse acervo.

Resumo dos casos que serão apreciados

Maria Niedja de Oliveira: presa em 1972, foi aprovada em 3º lugar na seleção de professores na USP em 1976. Teve seu processo arquivado até 1980 por conta de uma triagem ideológica que a confundiu com sua irmã.

Maria Nadja Leite de Oliveira: estudante presa em 1968, respondeu a inquérito policial militar e foi condenada a um ano e oito meses de prisão. Teve seus direitos políticos suspensos por 10 anos. Para evitar a prisão, fugiu para São Paulo, onde foi novamente presa em 1971.

Maria Angélica Santos: foi presa em 1974 quando estava grávida de quatro meses.

Gilda Fioravanti da Silva: presa em 1970 pela OBAN, foi transferida para o DOPS em janeiro de 1971. Respondeu a inquérito policial militar e foi absolvida em 1972.

Ida Schrage: professora e membro da Ação Popular, entrou na clandestinidade e foi presa quando estava tentando se inserir na classe operária. Saiu do país e morou na Bélgica, em Israel e na Alemanha, onde vive atualmente.

Hilda Alencar Gil: militante da POLOP, passou a sofrer perseguição após o seu companheiro assinar uma matéria na revista O Cruzeiro sobre a prática do Comando de Caça aos Comunistas.

Darci Toshiko Miyaki: militante da ALN, foi presa em 1971. O seu mandado de prisão foi expedido seis após a sua detenção. Permaneceu presa por um ano e cinco meses.

Programação

8 de março-19h

Pré-lançamento do documentário Repare Bem, com a direção da portuguesa Maria de Medeiros

Debate, com a presença de Maria de Medeiros, Denize e Eduarda Crispim

Ato de assinatura de termo de cooperação técnica entre a Comissão de Anistia e a Cinemateca Brasileira

9 de março-19h

Exibição do documentário Vou contar para meus Filhos, sobre um reencontro de 24 mulheres presas na Colônia Penal de Recife entre 1969 e 1979

Sessão de julgamento da Caravana da Anistia com apreciação de sete casos de mulheres perseguidas políticas

Serviço

55ª Caravana da Anistia

Data: 8 e 9 de março

Horário: a partir das 19h

Local: Cinemateca Brasileira (Largo Senador Raul Cardoso, 207- Vila Clementino – São Paulo)

Mais informações

Assessoria de Comunicação Social – Ministério da Justiça

(61) 2025 3315/3135

Carolina Valadares

carolina.valadares@mj.gov.br

www.mj.gov.br

Com temática universal mesclada por situações locais, o cineasta Asghar Farhadi conquista a estatueta de Melhor Filme Estrangeiro e chega onde o Brasil nunca chegou

Separação (Jodaeiye Nader az Simin, Irã - 2011)

 A Odisséia de um cineasta no regime dos Aiatolás – O cineasta iraniano Asghar Farhadi, autor do (bom) À Procura de Eli, já podia ser considerado vencedor bem antes da conquista do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, semana passada. Aliás, a primeira estatueta do Irã. Seu mais novo trabalho, Separação (Jodaeiye Nader az Simin, Irã – 2011) conseguiu a proeza de ser um filme bem realizado, inesquecível. Driblando as prováveis, talvez muitas, restrições impostas à atividade cinematográfica vigentes em país sob a tutela de padrões religiosos ortodoxos, ele apresentou ao mundo drama marcante, enriquecido por interpretações irrepreensíveis. Mirou sua câmera na intimidade de duas famílias de condições sociais distintas, na Teerã dos tempos atuais. E conseguiu lapidar história envolvente, não-maniqueísta, que poderia ter ocorrido em Nova York, Los Angeles, Buenos Aires ou Rio de Janeiro. Seu jeito de fazer cinema é universal, portanto. Em vez de formular pedagogia contra os excessos do regime, Farhadi constrói situações cotidianas nas quais a voz dos personagens, de forma melodramática, explicita situações absurdas, como a da diarista que precisa telefonar para um parente a fim de saber se seria pecado fazer o asseio em idoso com incontinência urinária. O filme segue emocionando e surpreendendo, ao tratar no mesmo nível de importância os personagens masculinos e femininos.

Resumo da história - Famílias que aparecem nos filmes do Irã de hoje devem sempre ser compostas pelo casal e, pelo menos, por um filho. É a maneira de sublinhar ensinamento basilar do Alcorão, que é taxativo ao se referir ao objetivo da união entre um homem e uma mulher: a procriação. Dessa situação, Farhadi extrai o argumento que vai segurar a narrativa até o final, que é o medo de uma adolescente, Termeh (Sarina Farhadi), de 11 anos. Sofre com a perspectiva da separação de seus pais, pessoas de classe média, com certas posses e confortos. A mãe, médica, Simin (a bela Leila Hatami), no entanto, determinada, dá um tempo na relação com o marido bancário, Nader (Peyman Moadi), e vai morar com os pais. E leva junto a esperança de que ele libere a filha. Seu desejo: ambas irem morar no exterior. A ideia não desagrada Nader. Mesmo assim, ele apresenta obstáculo intransponível para deixar o país. O seu pai (Ali-Asghar Shalbagi) padece de demência em estado avançado. “Ele já nem se lembra do seu nome, muito menos quem é você”, arremata Simin. “Acontece que eu sei que ele é meu pai. E ponto final”. A saída de cena de Simin obriga Nader a contratar uma diarista. Surge, Razieh (Saret Bayat), mulher pobre, humilde, sempre acompanhada de filhinha (Kimia Hosseini), com menos de seis anos. O que Nader não sabe é que o marido de Razieh, Hodjat (Shabat Hosseini), um sapateiro desempregado e cheio de dívidas, ignora a iniciativa da mulher de procurar emprego. Rude e autoritário, sinaliza que jamais a deixaria trabalhar. É nesse jogo de desencontros que o filme se estrutura e vai até o final, impulsionado por medos, vaidades, arrogância e egoísmo, latentes e recalcados. No final, a platéia pergunta como tudo vai se resolver. Qual será a sentença final, justa ou injusta? Como acontece com o cinema de Farhadi, todas as portas continuam abertas.

O primeiro grande mérito do diretor - Mesmo oriundo de país marcado por situação política complexa, Farhadi é hábil escultor de temas universais, aos quais junta certo tempero iraniano. Em A Separação, contrapõe desejo de mãe — mulher esclarecida, que almeja dias melhores para a família — e filha adolescente que, como a grande maioria das pessoas naquela faixa etária(em escala mundial), tende a se considerar culpada por eventual separação dos pais. Certamente, bem mais tarde, já adulta e tendo ela mesma vivenciado suas próprias experiências, bem ou mal sucedidas, Termeh irá constatar que seu desejo (passado) de manter os pais juntos de qualquer jeito estava desconectado da realidade. Mas, Termeh, no filme, tem apenas 11 anos.

O segundo grande mérito do diretor - Urdiu situação baseada em conflitos domésticos, onde as partes envolvidas se sentiam injustiçadas não por estarem sendo responsabilizadas pelo que cometeram, mas, sobretudo, por aquilo que não foram capazes de controlar. Agradou pelas sutilezas com que tratou os ângulos agudos de situações aparentemente intransponíveis. Sem discriminação cultural ou demagogia. E conseguiu ser o preferido dos mais de seis mil jurados do Oscar. Quase todos americanos.

Universalidade, o caminho para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro

A Argentina, de O Segredo dos Seus Olhos, já sabe que os jurados do Oscar raramente se encantam por produções com foco em situações exclusivamente locais. Também já o sabem Áustria, Holanda, Japão, Israel, Líbano, México, Espanha, Suécia, além, evidente, da França e da Itália. E, agora também o Irã, com litígios aparentemente insolúveis com os Estados Unidos. Resta saber quando o Brasil, de enormes talentos como Walter Salles e Fernando Meirelles, vai entender isso de uma vez por todas. Pelo visto, ainda vamos esperar (muito) pela sonhada estatueta. Nosso representante nesse ano foi Tropa de Elite 2, de José Padilha. . .

Por  José  Jardelino da Costa Jr.    

Duas empresárias que se destacaram em suas atividades representam a unidade federativa na etapa nacional do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios.

Vencedora da etapa distrital do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios. Foto: Lorena Lopes/BG Press.

Ser dona do próprio negócio é o sonho de muitas brasileiras. Essas mulheres não medem esforços para alcançar esse objetivo e, em nome dele, conseguem vencer todas as dificuldades que surgem pelo caminho. Para participar da etapa nacional do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios, as empresárias vencedoras da etapa distrital da premiação, Carla Gomes, proprietária do Espaço Bela Mulher, e Santina Gonçalves, representante da Associação Mãos de Mulher, vão representar o Distrito Federal. O evento será realizado no dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, em Brasília.

As candidatas de destaque concorrem, na próxima semana, com participantes de todo o Brasil. Entre os critérios de avaliação das histórias de sucesso inscritas estão superação de discriminação da mulher, participação ativa nos negócios, perseverança e superação dos desafios.

Carla Gomes iniciou a empresa com apenas R$500 de capital inicial. Resolveu montar uma clínica de estética na suíte que sobrava em sua casa. Em uma semana de funcionamento precisou mudar para um espaço de 25m² em razão da enorme procura de clientes. Pouco tempo depois, migrou para um imóvel com 52 m² e o faturamento triplicou.

Porém, Carla não contava com um grave problema de saúde que surgiu em meio a sua trajetória, no momento em que descobriu que estava grávida. Mesmo assim não desanimou, procurou tratamento médico, e hoje comemora a saúde e o sucesso profissional: o Espaço Bela Mulher conta com 140 m² com estacionamento privativo, recepção com TV LCD e TV a cabo, seis salas, um consultório, SPA com banheira de hidromassagem com Cromoterapia. Para atender os clientes, a empresa conta com oito colaboradores e dois parceiros, entre médico esteta, nutricionista, massoterapeuta e depiladora.

Na categoria negócios coletivos, a empreendedora Santina Gonçalves se destacou ao relatar sua história à frente da Associação das Bordadeiras, Crocheteiras e Costureiras do Bairro Morro Azul, em São Sebastião (DF). Ela enfrentou adversidades e constantes mudanças até conseguir lucrar com a produção de tapetes e fuxicos.

Santina cresceu tanto que teve seu trabalho reconhecido até mesmo em telenovelas. “Quando iniciamos o grupo, tive que aprender atividades complementares, pois antes cuidava apenas da produção. Agora precisava pensar em coleções inteiras. Contei muito com o apoio do Sebrae no DF para enfrentar dificuldades e aumentar minhas habilidades”, reconhece.

 A Invenção de Hugo Cabret é uma fantástica e surpreendente declaração de amor ao Cinema

A Invenção de Hugo Cabret (Hugo – EUA – 2011)

 Scorsese em ritmo de aventura – O cineasta Martin Scorsese adentra em terreno inédito. Saem de cena os psicopatas e esquizofrênicos de todos os gêneros que habitaram vários dos seus magníficos filmes (Táxi Driver, Touro Indomável, Infiltrados, Cassino, O Aviador, Cabo do Medo). Em A Invenção de Hugo Cabret (Hugo – EUA – 2011), eles foram substituídos por referências aos tipos imaginados por Victor Hugo, Alexandre Dumas e Júlio Verne, em ambiente compatível: Paris do início do século vinte. Mais especificamente, a estação de trem da Cidade-Luz, onde quase toda a trama se desenvolve. A conexão com três dos maiores autores literários franceses vai se desdobrar em citação aos Irmãos Lumière. Eles inventaram o cinematógrafo, que surpreendeu os franceses e o mundo com as antológicas imagens em movimento de cotidiano trem chegando numa estação. Nascia o cinema. Com esses elementos, Scorsese construiu o argumento de história fantástica e surpreendentemente não-maniqueísta. O personagem-protagonista que inspira o título, um menino-órfão, agirá no sentido de despertar sentimentos inconscientes nos adultos com quem irá interagir e lhes modificará para sempre as suas vidas.

Resumo da história – Hugo Cabret (Asa Butterfield) é um menino esperto, mal chegado à adolescência. E órfão, numa Paris encantadora nas aparências, mas crudelíssima com quem teve a desventura de perder precocemente o pai e cair nas mãos de tio quase sempre bêbado, cuja função era a de manter os relógios da estação de trem de Paris em funcionamento e sincronizados. A alternativa seria ir para um orfanato, perspectiva que apavorava o garoto. Submete-se às sempre crescentes ausências do tio e começa, ele mesmo, a controlar os relógios da estação. É lá onde mora em cubículo esquecido, no qual conserva inusitado legado de seu pai (Jude Law), relojoeiro habilidoso e sonhador. Era um simulacro de andróide que se movimentava a partir dos mesmos mecanismos dos relógios de corda. Para fazer a engenhoca funcionar teria que contar com a ajuda de outro relojoeiro, dono de pequena loja no local, o ranzinza Georges Méliès (Ben Kingsley), que esconde passado inimaginável. Com a ajuda da afilhada deste, Isabelle (Chloe Moretz), Hugo chegará a segredos cuidadosamente camuflados. Eles estarão entrelaçados com a solução de que precisa para fazer o seu “robô” voltar a funcionar. Vencer as resistências do sorumbático Méliès não será o único desafio para a sagacidade de Hugo. Ele terá que se livrar da perseguição do guarda da estação (Sacha Baron Cohen), mutilado de guerra, com perna mecânica e cachorro (Maximillian) hostil, que perseguirá Hugo com persistência semelhante a do inspetor Javert no encalço de Jean Valjean — ambos personagens de “Os Miseráveis”, de Victor Hugo. A vida pregressa de Méliès, a ser descoberta por Hugo, será a deixa para Scorsese fazer bela homenagem aos pioneiros da arte cinematográfica. Com imagens digitais em 3D, decifrará para o espectador os segredos mágicos dos primeiros filmes, em sequências extraordinariamente bem dirigidas e produzidas.No final, o diretor ainda encaixará reflexão filosófica-existencialista na fala do adolescente Hugo: “O mundo é uma grande máquina que não dispõe de peças sobressalentes. Se você (dirigindo-se a Isabelle) e eu estamos aqui, é por algum motivo”. Instigante fecho para a fabulosa aventura de menino sonhador, apaixonado pelo futuro. Aqui o adjetivo “fabulosa” se desvincula de outros laudatórios, como grandiosa, magnífica, para sublinhar ligação com bela fábula, o que realmente o filme é.

Scorsese encontra Spielberg e o francês Michel Hazanavicius no mesmo Oscar – Três ótimas produções que concorrem à estatueta de melhor Filme e Melhor Diretor no Oscar do próximo domingo têm seus enredos entrelaçados. A Invenção de Hugo Cabret apresenta argumento semelhante ao de O Artista, de Michel Hazanavicius: magnífica homenagem ao Cinema e aos extraordinários talentos que o conceberam e aperfeiçoaram. Ambos também se estruturam em roteiros rocambolescos, exatamente como Cavalo de Guerra (dirigido por Steven Spielberg), que concorre no mesmo páreo (Melhor Filme e Melhor Diretor). Mais: a Primeira Guerra Mundial, que move o herói equino de Spielberg, será a resposta para as perguntas sobre o mistério do enigmático Méliès. Nunca antes na história do Oscar houve situação parecida.

Scorcese dá novo e bem-vindo tom para a aventura no CinemaA Invenção de Hugo Cabret tem como (bom) atributo a simplicidade; não é uma história nervosa e cheia de detalhes que deixam a platéia tonta. Também foi cuidadosamente editado para evitar conotação pessimista, por mais tristes que sejam alguns eventos. Os personagens, por sua vez, vivem situações improváveis, mas, bem dirigidos, têm aparência “humana”, e ficam a anos-luz dos tipos caricatos. A simplicidade do roteiro, no entanto, traz embutida tema complexo e profundo: a guerra, como devastadora de sonhos e de vidas. Essa mistura faz o filme decolar, tal e qual os primeiros arquétipos de foguetes imaginariamente dirigidos para a Lua.

Filme diz muito, sem mostrar pouco – Além do maestro Scorsese na direção, A Invenção de Hugo Cabret conta com elenco raro: Ben Kingsley repete performances que o notabilizaram (Ghandi, Fatal). O menino Asa Buterfield passa autenticidade a personagem determinado e discretamente otimista. Tem na garota Chloe Moretz o contraponto ideal para sua performance. Há ainda o impagável Sacha Baron Cohen (Borat), como o guarda da estação, que consegue a proeza de fazer o que faz, sem parecer cem por cento ridículo ou abominável. Elenco de apoio, com astros como Jude Law (o pai), Emily Mortimer (a florista da estação, que encanta o guarda) e Helen McCrory como, Mama, a esposa de Méliès, aparentemente resignada, mas dona de força inesperada para induzir mudanças comportamentais surpreendentes no marido, formam conjunto sem o qual Scorsese não poderia ter avançado como avançou em sua já magistral filmografia.

Escrito por José Jardelino da Costa Júnior
 com a colaboração de Camila Costa. 

Atriz já foi indicada 17 vezes ao maior prêmio da indústria. Ela venceu por sua interpretação de Thatcher em ‘A dama de ferro’.

Meryl Streep durante seu discurso de agradecimento (Foto: Reuters)

Ovacionada de pé por seus colegas, a norte-americana Meryl Streep ganhou na noite deste domingo (26) o terceiro Oscar de sua carreira. O prêmio de melhor atriz veio por sua interpretação da primeira-dama britânica Margaret Thatcher no filme “A dama de ferro” – as duas vitórias anteriores aconteceram em 1980, quando levou o prêmio de atriz coadjuvante por “Kramer vs. Kramer”, e em 1983, quando venceu a categoria de melhor atriz por seu trabalho em “A escolha de Sofia”.

Ela abriu seu discurso agradecendo o marido, por medo de que o limite de tempo a impedisse de dizer seu ‘obrigada’ a ele. E encerrou declarando que queria aproveitar para agradecer a todos os seus colegas e amigos, “porque acho que nunca mais estarei aqui de novo”.

Meryl Streep é a atriz mais vezes indicadas ao Oscar na história, tendo concorrido 17 vezes, recorde que demonstra sua credibilidade dentro da indústria. A marca, no entanto, tem um lado amargo – com tantas disputas, Streep é também a atriz que mais vezes esperou em vão ter seu nome chamado. O fato foi notado pelo apresentador Billy Cristal, que aproveitou para fazer uma piada, dizendo que só por ter tido que aguentar tantos discursos de agradecimento de outros atores ela já merecia um Oscar.

Do G1

Mardi Gras

Em tempos remotos os gregos agradeciam pela fartura das colheitas com muita dança, comida e bebida.  O espírito festivo foi sendo adotado por outras culturas e ao longo do tempo se transformou no carnaval de hoje, em cada país com suas peculiaridades. O nosso, inigualável no mundo.

Sem a menor semelhança com os tempos de outrora, essa terça-feira gorda  não foi para a Grécia, e claro, muito menos para os gregos, o que se poderia chamar de apoteose à pujança, muito ao contrário.

França, Itália, Portugal, entre outros, também sambam, um samba atravessado.

A economia dos Estados Unidos da América não está bem. Os tempos estão difíceis e se ouve e se lê, a todo instante, que medidas alternativas são criadas para contornar o mau momento.

O Oriente Médio, não bastassem os antigos conflitos, apresenta novos a todo momento: a Síria conflagrada na busca pelo fim de uma ditadura ; o Iêmem tentando sair de outra. O Irã, a cada dia enriquecendo mais urânio, apresenta tom belicoso crescente; o ocidente cada dia mais preocupado.

O petróleo atinge preços estratosféricos.

Mas o carnaval fantasia até o tempo e Cronos sai atrás do trio elétrico e o deixa passar, sem qualquer compromisso.

Os jornais registraram os dramas do mundo e não se prestou nenhuma atenção. Até a alvissareira notícia do reconhecimento da constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa, pelo Supremo Tribunal Federal, ocorrida às vésperas da folia de Momo, teve pouca repercussão, sem que os foliões se dessem conta de que foi a primeira lei de iniciativa popular aprovada, que amealhou um milhão e trezentas mil assinaturas de eleitores de todo o Brasil.

Por aqui, depois de muitos dias de folia, “festas acabadas, músicos a pé”. E orelhas em pé, acrescente-se. Espera-se que o bordão “sai do chão, sai do chão…”  seja trocado por ”pés no chão, pés no chão!”.

É preciso reentrar na atmosfera, cair na real, recuperar-se completamente da dose máxima desse anestésico. A festa acabou. A legítima pausa chegou ao fim. Aos poucos o trabalho e a rotina dão o ritmo.

E como o bloco da esperança não tropeça no enredo da vida, também está nos jornais que uma semente de 32 mil anos encontrada por cientistas russos numa toca de esquilo congelada na Sibéria, plantada, brotou e floresceu numa singela e linda florzinha branca.

Katia Dias Freitas

Katia Dias Freitas é advogada em Brasília

Contato: contato@freitastotolipedrosa.adv.br

Mardi Gras

O Carnaval que existe hoje vem da sociedade vitoriana. Copiado de Paris por Nice, Nova Orleans e Rio de Janeiro. O Rio criou um estilo próprio a partir do que havia copiado. Acrescentou o desfile das escolas de samba e com isso ganhou pompa e magnitude. Virou uma festa suntuosa e diferente que, por sua vez, foi copiada por São Paulo, Tóquio e, pasmem, Helsinque.

Dizem que a origem dessa festa aconteceu na Grécia. Servia para agradecer aos deuses pela fertilidade do solo, produção e boas colheitas. A palavra vem do latim “carne vale” que significa “adeus à carne”. Era feita de cultos e cânticos.

Hoje em dia poderia ser ad carne, lorem carne, grata carne. (Não entendeu? Google tradutor existe pra isso!)

Pois bem, depois dos gregos vieram os romanos que adoraram a festinha e introduziram vinho e sexo. Tornando-a mais aprazível, ao menos, aos olhos do povo. Uma festança na minha visão! Dionísio, Baco, Saturno e, é claro, Pã se divertindo horrores e tomando bons drink. A igreja, não curtiu nadinha e censurou geral, adotou a festa e baniu os atos pecaminosos.

Isso tudo rolou na visão de alguns historiadores. Encontramos, ainda, a origem do carnaval no Egito com festas dedicadas à Ísis e ao Touro Apis, nos bacanais romanos e , também, com o entrudo português. Enfim, independentemente da origem, sempre foi festa.

Não sou fã número um do carnaval, mas aproveito o feriado para fazer alguma coisa diferente. Mesmo que seja “tirar o atraso” do sono. Já tive catapora, fugi pra Porto Alegre uma vez, outra fui pra Nova Iorque. Duas vezes me joguei na esbórnia: Salvador e Diamantina. No último ano aproveitei os dias extras pra me recuperar de uma cirurgia.

Esse ano vou trabalhar. Sexta, sábado e um pouquinho do domingo. É. Inusitado, não? Vamos fingir que eu estou gostando disso pra não começar a ladainha das reclamações sem fim.

Ainda aproveitarei segunda e terça. Ah, quarta também! Já que os meus princípios não me permitem trabalhar na quarta-feira de cinzas. E se alguém da repartição reclamar, paciência, é só lembrar quem passa o Natal e o Ano Novo lá na seção, ok?

Despeço-me desejando um excelente carnaval. Pra quem vai viajar e pra quem programou uma boa hibernada. Pra quem vai tomar todas, pra quem não bebe nada. Pra quem vai trabalhar e resmungar também. Enfim, pra todos!

Boa festa e juízo.

(pouquinho, né!)

Carolina Vianna

 

Carolina Vianna é fotógrafa, Poderosa e escreve para o Mulheres no Poder.

Meryl Streep é recordista de indicações ao Oscar Foto: Getty Images

A atriz norte-americana Meryl Streep, recordista de indicações ao Oscar com 17 nomeações, recebeu, nesta terça-feira (14) um Urso de Ouro honorário no Festival de Berlim em homenagem a seus 40 anos de carreira.

Streep está em Berlim para divulgar seu mais recente filme, A Dama de Ferro, que não concorre na mostra principal da Berlinale. Sua atuação como Margaret Thatcher no longa lhe rendeu mais uma indicação ao Oscar – a atriz é uma das favoritas a vencer a categoria, pela terceira vez.

Na tarde desta terça, durante uma concorrida entrevista coletiva de divulgação de A Dama de Ferro, Streep foi surpreendida por um buquê de flores entregue por um repórter austríaco e uma coleção de bonecas russas desenhadas com seu rosto e trajes de seus personagens marcantes.

Mesmo acostumada às glórias das premiações, a atriz garantiu na entrevista que ainda sente “borboletas no estômago” a cada novo reconhecimento. “É muito estranho estar numa posição em que as pessoas chegam pra você e dizem: ‘eu acho que você vai ganhar’ ou ‘esse ano você não ganha’. Parece um esporte, um jogo que você não pediu pra participar. Me sinto me preparando para o Super Bowl!”

Do Terra