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Escultura de Mafalda em San Telmo (Ekpy)

Ela é baixinha, tem os cabelos curtos e pretos e sempre tem uma crítica na ponta da língua quando o assunto é violência ou guerra. Rejeita a destruição do meio ambiente, a falta de sensibilidade dos governantes e a injustiça social. Isso tudo com apenas 6 anos!

Mafalda, nasceu dia 29 de setembro de 1964, em Buenos Aires, pelas mãos do cartunista Quino. Completando 50 anos hoje (29), a personagem continua viva e atual em todo o mundo. Suas tirinhas foram traduzidas em vinte línguas e, apesar de terem durado menos de uma década (Quino decidiu parar de desenhá-la em 1973), colecina velhos e novos fãs.

Para comemorar a data, serão inauguradas, em San Telmo, as estátuas de dois amiguinhos da personagem: Susanita e Manolito. A própria Mafalda já tem seu monumento no local. Ao longo de todo o ano, a garotinha e seu criador, Quino, foram homenageados na Espanha, na França e em países da América Latina. Em entrevista em abril passado, na inauguração da Feira do Livro em Buenos Aires, Quino revelou que se surpreende com o sucesso de seu personagem até hoje: “Fico surpreso quando vejo como temas que abordei há 50 anos permanecem atuais. Até parece que desenhei a tira hoje. Deve ser porque o mundo continua cometendo os mesmos erros”.

Frases como “Parem o mundo, que eu quero descer” e “o que há de errado com a família humana que todos querem ser o pai?” definem a perspicácia da cinquentenária Mafalda.

 Da EBC

A estilista trabalhará em uma campanha para acabar com a transmissão do HIV de mãe para filho

Victoria Beckham – Foto ATP

Victoria Beckham assumiu o papel de embaixadora da ONU na luta contra a aids ao revelar nesta quinta-feira em Nova York que uma viagem à África do Sul a levou a dedicar-se a causas humanitárias.

A estilista e cantora fez o anúncio em uma sala de imprensa na sede da ONU, em um raro momento de glamour durante uma semana dominada por discursos solenes de líderes mundiais na Assembleia Geral das Nações Unidas.

Beckham declarou que há tempos se interessa por trabalhos humanitários, mas que até o momento tinha tido um papel secundário ao lado de seu marido David Beckham e de astros como Elton John e Annie Lennox.

Mas, aos 40 anos e mãe de quatro filhos, sente que deve assumir uma nova responsabilidade, e o responsável por esta mudança foi uma viagem meses atrás à África do Sul, onde se reuniu com mães portadores do vírus HIV.

“A África do Sul foi um grande ponto de inflexão para mim. Não sei por que demorei 40 anos para me dar conta de que tinha que alçar minha voz”, declarou.

“Por alguma razão as pessoas escutarão o que direi, então irei falar em nome dessas incríveis mulheres”, disse ao lado de Michel Sidibe, diretor da agência UNAIDS.

Beckham trabalhará em uma campanha para acabar com a transmissão do HIV de mãe para filho. Também leiloou parte de seu guarda-roupa para ajudar a organização mothers2mothers.

Do Terra 

Foto – Marcelo Cruz/ABr

Nesta segunda-feira (22), são realizadas em todo o mundo atividades ligadas ao Dia Mundial Sem Carro, em defesa do meio ambiente e da qualidade de vida nas cidades. A data foi criada na França em 1997 com o objetivo de estimular a reflexão sobre o uso excessivo do automóvel e propor formas alternativas de mobilidade, como o uso de bicicletas ou transporte público. Em 2000, diversos países da Europa aderiram à data e foi criada a Semana Europeia da Mobilidade, realizada de 16 a 22 de setembro.

Em São Paulo, desde 2003 são realizadas atividades referentes ao Dia Mundial Sem Carro, realizadas principalmente por cicolativistas, por meio da Bicicletada. Em 2010, houve atividades na semana toda em vários estados. Em 2011, algumas cidades programaram eventos para o mês inteiro, que começou a ser chamado informalmente de Mês da Mobilidade. Neste domingo (21), ciclistas do Rio de Janeiro percorreram 12 quilômetros ao longo da Baía de Guanabara, em evento organizado pela Federação de Ciclismo do Estado do Rio de Janeiro, como parte da data.

Da EBC

Foto Valéria Pena-Costa

Foto Valéria Pena-Costa

“Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar” *

Talvez venham outras vidas para viver amores deixados pra depois. Como eu, que me comprazo do amor alheio.
Tenho buscado dedicatórias em livros antigos. Quem dera todas fossem bilhetes de amor. É o que eu queria para compor meus velhos álbuns de recordações. Recordações que não são minhas, daquilo que nunca vivi. Uma apropriação do sentimento alheio? Acho que um testemunho.
Alguns sentimentos de afeição ficaram registrados nas primeiras páginas de livros, geralmente em belas caligrafias e boa dose de um caldo doce de romantismo e sempre que encontro essas mensagens imagino rostos, construo vidas. São muito minhas, é claro, sempre idealizadas e mantidas equilibradas das finas linhas das letras cuidadosamente desenhadas por outros. Redesenhadas por mim.

 ”Não se afobe, não
Que nada é pra já.” *

Fico me perguntando se todas as relações se concretizaram e o quanto terão perdurado. Os amores antigos eram pra sempre. Tão pra sempre que muitos continuam existindo nos meus álbuns de recordações. E continuarão. Hei de mantê-los vivos colocando a arte a seu serviço.
Mas sinto uma pitada de melancolia quando penso que muitos deles não passaram de desejo sobrescrito em páginas impares. Sem respostas. Quantos terão esperado por um tempo que não chegou, pela permissão que nunca se deu?
Gosto de garimpar declarações, encontradas, principalmente, em livros de romance, de poesias, de conteúdo que traduz o desejo dos amantes. Quantas ficções foram presenteadas para dar vida a histórias reais, muitas delas impossibilitadas por adversidades da vida? E por que o tempo engoliu amores não realizados? Vou construindo, reconstruindo, possibilitando. Vejo olhares, beijos, famílias, aniversários, casas e sorrisos. Também posso ver choros, desordem, roupas sujas e móveis riscados, imagens que aborto, afinal já tenho trabalho bastante ao construir histórias. Permitir sofrimentos seria dor em dobro. Mas tudo existe dentro dos meus contos de poucas linhas. As dedicatórias, geralmente trazem palavras leves, apresentáveis. Das paixões, cuido eu.
Mas eu diria que o amor não pode esperar em silêncio. Nem em fundos de armários ou de estantes onde será devorado pelo fungo, apagado pela acidez do tempo. Os papéis ressequidos, com sentimentos já sepultados, não duram milênios. Nem esperam outras vidas.
E certamente não existirão muitas Valérias a resgatar amores remotos.

“Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos…”*
* Chico Buarque
Valéria Pena-Costa

Valéria Pena-Costa

 

 

Valéria Pena-Costa, Artista plástica . Mineira em Brasília.

O trabalho de Rosa Gonçalves como empregada doméstica em Santos (SP) no fim dos anos 70 era embalado pelos hits que saíam de um radinho de pilha, apoiado na janela da cozinha.

Um dia, perguntou para a patroa o que significava “She’s my girl”, nome da música de Morris Albert que fazia parte da trilha sonora da novela “Anjo Mau”, em 1976.

“Ela é minha namorada”, foi a resposta.

“Ah, um dia eu vou aprender a falar inglês”, disse Rosa.

“Imagina, inglês é para gente estudada. Você nunca vai aprender inglês”, cortou a patroa.

Rosa solta um gargalhada ao contar a história, em sua casa em Londres. Na cidade onde mora desde 1978, ela virou liderança comunitária e empresária social.

“Olha onde eu vim parar. E falo inglês melhor que muitos no Brasil hoje em dia”


 

O relato de sua vida foi registrado neste ano pelo Clique Brasiliance, um projeto de valorização da história da comunidade brasileira em Londres que colheu depoimentos de onze pessoas que emigraram do Brasil entre os anos 60 e 80.

Entre a roça e a cozinha

Rosa cresceu em Amparo, no interior de São Paulo. Ela conta que aos seis anos foi treinada para ser empregada. “Porque até aí eu sabia fazer o trabalho em casa, mas não na casa dos outros”, diz.

Nesse dia, cozinhou e serviu seu primeiro almoço – matou uma galinha, a cortou em pedaços e refogou com chuchu.

Depois disso, passou anos se revezando entre o trabalho na roça e como doméstica. Aos 18, foi trabalhar para uma família em Santos. A jornada era quase ininterrupta – havia um dia de folga, às vezes apenas uma tarde, por semana.

Em uma ocasião, as crianças a chamaram de “King Kong”, imitando gestos de macaco. “Quando me levantei para sair correndo atrás delas, foram chamar um tio, que quis me bater”, conta ela.

Cerca de dois anos depois, em 1978, ela foi convidada por outra família a se mudar para Londres, onde trabalharia como empregada por dois anos. Mesmo diante do desafio de emigrar para um país totalmente diferente e distante, Rosa achou que era a chance de “andar para a frente”.

O início foi muito difícil, mas ela não teve vontade de voltar.

“Quando eu cheguei aqui eu chorei por seis meses. Uma dor tão grande. Escrevia carta todos os dias. Não mandava todos os dias, então as cartas iam todas numeradas. Mas eu achava que se eu voltasse a vida podia ser pior”, contou.

Ilegal

Depois de um ano, Rosa deixou o emprego de doméstica e passou a ser camareira em um hotel, onde ganhava 35 libras por semana para trabalhar de 7h às 14h, todos os dias da semana. De tarde, fazia diárias em pousadas por 5 libras. Atualizado pela inflação, isso seria o equivalente a uma renda semanal de cerca de 225 libras hoje ou R$ 850.

Seu visto de dois anos venceu e a brasileira continuou ilegalmente em Londres. Quando se recusou a se relacionar com um homem, amigo do dono de uma pousada onde alugava um quarto, foi denunciada para a imigração.

Rosa passou a tarde na cela de uma delegacia de polícia, mas acabou sendo liberada. Era início dos anos 80, época de protestos violentos em Brixton, bairro de forte migração afrocaribenha no sul de Londres.

A tensão racial era alta no período e havia problemas mais sérios para a polícia se preocupar, conta. Depois disso, conseguiu regularizar sua situação.

Líder comunitária

Rosa passou anos morando em quartinhos alugados até que, em 1984, se mudou para um apartamento em Ferrier Estate, uma espécie de conjunto habitacional em Greenwich, no sudoeste de Londres, com prédios de concreto onde viviam cerca de 5 mil pessoas.

Ela gostava do local e de sua diversidade – havia pessoas dos mais variados locais do mundo, ela lembra. Mas Ferrier Estate era considerado decadente e perigoso e o governo local decidiu demoli-lo para dar lugar a um mega empreendimento imobiliário.

Controverso, o processo se arrastou por mais de um década. A ideia começou a ser discutida em 1999, depois de alguns anos começaram as remoções e apenas em 2010 teve início o processo de demolição. O novo condomínio ainda está sendo erguido.

A perspectiva de demolição de sua casa levou Rosa a participar das negociações sobre como as pessoas seriam removidas, para onde seriam levadas e quais seriam seus direitos. Acabou se tornando uma liderança do bairro.

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Foto: Eli Pinheiro da Silva

Foto: Eli Pinheiro da Silva

Pra lá do fim do meu jardim, um pouquinho depois da rua, ali onde meus pés alcançam, eu vi um ipê amarelo. E ao fundo, o sol. Algumas pétalas caiam. Os dois se confundiam. Pensei que o sol chovia. Pingos de lava dourada. Pepitas de ouro caindo no chão.

Mais ouro que em serra pelada, numa terra nua pela delonga da chuva. Cascalho. Seca de cerrado como seca de sertão.

No alto do céu ainda havia uma extensa faixa azul como um xale transparente sobre os ombros dourados do horizonte, da cidade delineada, branca e delicada como um recorte de papel.

Desejei ter os ombros bronzeados do horizonte, a delicadeza distanciada da cidade e gotas de ouro num colar, em forma de flores de ipê. Flores, muitas flores no olhar.

Desejei a transparência azul, solta, somente ela a revestir o corpo como aquele xale que veste sem cobrir.

A terra ainda está árida, se alterna entre a inconstância do frio e o constante calor, mas a chuva se aproxima lenta e todos os dias, lá de longe, bem longe, acena no céu, num pequeno, ínfimo sopro de vapor.

Vai lavar minhas árvores. Vai deixar no chão, pra lá do fim do meu jardim, um tapete amarelo, caminhos desenhados por pequenas enxurradas, um vestígio da estação.

E eu, mais uma vez, sentirei saudades do amarelo dos ipês.

Valéria Pena-Costa

Valéria Pena-Costa

Valéria Pena-Costa, Artista plástica . Mineira em Brasília.

Leite materno

Descobrir como o Brasil tem sido tão bem sucedido com bancos de leite é o gol da pediatra americana Lisa Hammer, que junto com outros profissionais de saúde da Universidade de Michigan (UM), estiveram no Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz). Este é um exemplo de inovação reversa, com parceiros internacionais da universidade, fornecendo modelos de sucesso que podem ser implantados no sistema de saúde da UM. O sistema de banco de leite humano brasileiro é o principal responsável por um declínio de 73% na mortalidade infantil nas últimas duas décadas.

Nos Estados Unidos, o sistema de banco de leite fica muito aquém da demanda e basicamente não é regulado. “Aqui o leite materno é vendido por U$ 4 por Oz (0.118 L). É uma barreira significativa e no Brasil essa barreira foi removida”, explica Lisa Hammer, uma das profissionais que estiveram no Instituto. Para a coordenadora de Produto e Qualidade da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano do IFF, Danielle Aparecida da Silva, os EUA têm um modelo que não tem a responsabilidade da amamentação, não tem a prática da amamentação, a não ser o dia a dia, e este foi o grande diferencial. “Saber como grande parte da população amamenta, como manter os níveis elevados e como a amamentação ajudou a diminuir a mortalidade infantil foi o que atraiu a atenção da UM. Consequentemente, eles se interessaram em como trabalhamos o leite humano como um fluido funcional. Eles vieram em busca de como manipular o alimento”, explica.

O Brasil é conhecido internacionalmente pela sua rede bem organizada, com bom custo-benefício, regulamentação dos bancos e ampla aceitação social de práticas de aleitamento materno e doação de leite humano. “Os EUA chegaram até nós por meio do Prêmio Sasakawa de Saúde. Esta premiação veio justo pelo diferencial que temos. Não somos somente um banco de leite, onde a mãe o deposita e nós distribuímos. Também começamos a trabalhar a promoção e o incentivo ao aleitamento materno. Não vemos o leite humano como um medicamento. Conseguimos manter um padrão de qualidade de um alimento funcional e com isso trazemos a tecnologia de alimento e a adaptamos para manter características que não vão servir somente a um bebê, mas a diversas necessidades de vários bebês”, comenta Danielle.

O leite materno doado para um banco passa por um processo de seleção, classificação e pasteurização e é então distribuído aos bebês internados em unidades neonatais. “O alimento vai ajudar no sistema imunológico, no crescimento e desenvolvimento e auxilia também em aspectos probióticos. Ou seja, temos um cuidado maior com esse leite, pegamos todas as características dele para suprir as necessidades de cada bebê”, esclarece a coordenadora.

A rede brasileira também fornece educação e treinamento para os funcionários de bancos de leite, realiza pesquisas sobre a metodologia do leite doado e o controle de qualidade humana, divulga informações sobre bancos de leite e colabora com o governo nacional na concepção de políticas de saúde pública. A Universidade de Michigan foi a primeira faculdade de medicina americana interessada na colaboração com a rede de banco de leite brasileiro, e se uniu ao Brasil para saber mais sobre este sistema exclusivo e quem sabe implantá-lo nos EUA.

A delegação incluiu médicos, enfermeiros, nutricionistas, consultores de lactação e estudantes de saúde pública da UM. Eles trabalharam diretamente com os colaboradores para adquirir experiência prática e desenvolver projetos internacionais com foco em aleitamento materno, leite humano e nutrição infantil. Esta semana experimental deve começar a definir o cenário para uma parceria internacional, que potencialmente será que um exemplo de como a colaboração global pode melhorar a saúde infantil em todo o mundo.

Do EBC

Custo chega a quase R$ 20 trilhões; para cada morte em um campo de batalha, nove pessoas são assassinadas em desavenças interpessoais, diz estudo

Arte RatoFX

Arte RatoFX

A violência doméstica, principalmente contra mulheres e crianças, mata muito mais que guerras e é um flagelo muitas vezes subestimado que custa à economia mundial mais de 8 trilhões de dólares por ano (cerca de R$ 20 trilhões), informaram especialistas nesta terça-feira.

O estudo, que seus autores dizem ter sido uma primeira tentativa de estimar os gastos globais da violência, exortou a Organização das Nações Unidas (ONU) a prestar mais atenção aos abusos em casa, que recebem menos destaque que conflitos armados como os da Síria ou da Ucrânia.

“Para cada morte civil em um campo de batalha, nove pessoas… são mortas em desavenças interpessoais”, escreveram Anke Hoeffler, da Universidade Oxford, e James Fearon, da Universidade Stanford, no relatório.

Das brigas domésticas às guerras, eles estimaram que em todo o mundo a violência custe 9,5 trilhões de dólares por ano, sobretudo na perda da produção econômica, o que equivale a 11,2 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) mundial.

Nos últimos anos, cerca de 20 a 25 nações sofreram com guerras civis, o que devastou muitas economias locais e custou cerca de 170 bilhões de dólares por ano. Os homicídios, a maioria de homens e não relacionados com brigas domésticas, custaram 650 bilhões de dólares.

Mas estas cifras se apequenam diante dos 8 trilhões de dólares anuais do custo da violência doméstica, cuja maioria das vítimas são mulheres e crianças.

O estudo afirma que cerca de 290 milhões de crianças sofreram alguma forma de violência disciplinar em casa, de acordo com estimativas baseadas em dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Com base nos custos estimados, que vão de lesões a serviços de assistência infantil, o estudo calculou que o abuso não-fatal de crianças drena 1,9 por cento do PIB em nações ricas e até 19 por cento do PIB na África subsaariana, onde as modalidades severas de disciplina são comuns.

Bjorn Lomborg, chefe do Centro de Consenso de Copenhagem, que encomendou o relatório, disse que a violência doméstica é frequentemente subestimada, assim como acidentes de carro atraem menos atenção que acidentes de avião, embora muito mais pessoas morram no primeiro caso.

‘Não se trata só de dizer ‘isto é um problema sério’”, disse ele à Reuters. “É uma maneira de encontrar soluções inteligentes”. O Centro emprega estudos de mais de 50 economistas, inclusive três prêmios Nobel, e procura soluções de baixo custo para combater desde a mudança climática até a malária.

O estudo pretende ajudar a ONU a selecionar metas para 2030 para alcançar os Objetivos do Milênio estabelecidos para o período 2000-2015, que incluem a redução da pobreza e a melhoria dos depósitos de água potável. Os novos objetivos poderiam incluir o fim dos espancamentos como forma socialmente aceita de disciplina infantil e a redução da violência doméstica contra mulheres.

Rodrigo Soares, professor da Escola de Economia de São Paulo-FGV, disse ser bom ressaltar o grande número de mortes causadas pela violência doméstica, embora a falta de dados faça com que seja “um pouco ambicioso demais” estimar os custos globais.

Do Terra

Foto Valeria Pena-Costa

Foto Valeria Pena-Costa

Quarta-feira, primeira chuva depois de um longo estio. Alívio para tudo o que é vivente, com frescor e umidade no ar. Preencho o dia com urgências pela necessidade de terminar a contento um trabalho especialmente importante. Setembro chegou e prometi (a alguém) estar presente nesse mês e o trabalho é, eu diria, a confirmação simbólica dessa presença. Setembro passará, a instalação permanecerá. Desse modo, lá estarei eu.

Algo não deu certo como eu previa e até agora não consegui desenvolver um mecanismo de um dos principais elementos, não consigo entrar em contato com a pessoa que executa meus projetos. Mas tenho um plano B, ir atrás de um outro técnico e usar outro objeto. Vou buscá-lo no ateliê e resolvo testá-lo lá mesmo por precaução. Ao ligá-lo na energia (elétrica) imediatamente percebo um erro e agora penso que o queimei. Saio de casa às pressas e vou atrás de conserto. Outro choque, o técnico… Bem, há uns nove meses que ele não está mais entre nós. Além do meu sincero sentimento de pesar, saio com a certeza de que preciso de um plano C. Vou pensando pelo caminho do qual me desvio atraída pelo típico aroma quente do fermento assado e me deixo seduzir pela aparência e por um nome nas prateleiras da padaria: ‘Bolo Mármore’. Decido levá-lo para meus filhos que certamente gostarão como eu. Vou para o estacionamento revirando a bolsa em busca de moedas para o simpático flanelinha e, decepcionada, percebo que não tenho nada ali, nem notas, nada. A não ser alguns pesos colombianos que ficaram como resíduos da ultima viagem e que eu poderia oferecer como souvenir, mas não ficaria bem. Penso em lhe oferecer o bolo, mas meu ‘mármore’ não… Constrangida peço-lhe desculpas por não lhe recompensar “a vigilância” e, à espera de uma cara contrariada, recebo uma encantadora expressão acompanhada de um “não tem problema, querida, vá com Deus”. E despede-se num um amplo sorriso com a falta de um ou dois dentes em posições de evidência. Mas a expressão era tão agradável que somente fixei na lembrança os olhos sorridentes. E a palavra “querida” pronunciada em um tom atencioso de carinho respeitoso. Quem recebeu uma gratificação fui eu. E voltei mais leve pra casa. Um pouco mais adiante, ali pelo meio do caminho, ao entrar numa curva fechada, meu carro deslizou no asfalto escorregadio das primeiras águas, péssima combinação com pneus ‘calvos’. Vi, num ínfimo momento, a aproximação da alta encosta da pista com detalhes da vegetação irregular, e cheguei a notar, também num átimo, uma grande falha esbranquiçada no asfalto como o desenho de um retalho arrancado e a aproximação da guia do canteiro que me separava da outra pista. Não entendo como pude ver essas coisas pois também sentia cada meia volta que o carro fazia, indo e vindo, enquanto eu o segurava e o redirecionava. Foi um instante de hiper consciência. Sentia internamente que eu dançava com ele numa pista encerada. (Quase) Rodopiávamos. Surpreendida, assustada, ao invés de bradar um nome de santo, que seria usual, exclamei um longo, lento e bem pronunciado palavrão. Nada de irritação, somente uma reação involuntária de exaltação da surpresa. Mais gíria que palavrão. Uma palavra sonora, até bonita, de sílabas fortes, bem definidas e de expressão prazerosa. Olhei pelos retrovisores e vi que não vinha carro atrás. Sorte! Ou proteção.

Concluo que estou passando por um período de fortes emoções. Um pessimista diria, “tenho entrado em cada enrascada!”, mas num momento de teimosia otimista eu digo: “tenho saído de cada enrascada!”. Eu que sou da fé e do sagrado creio em proteção. E assim vou passando e volto pra casa ilesa. Venho trazendo a lembrança de um inesperado sorriso desconhecido, um delicioso Bolo Mármore e a certeza de que emoções boas estão a caminho (sem derrapadas na pista de vinda, espero). Aqui sou recebida afetuosamente por dois gatinhos lindos que me oferecem olhares doces e o pelo macio pra que eu os afague e sinta a brandura da vida. Os mecanismos, ainda não sei como, arranjarei. Eu sei. Haverei de assegurar a arte e a presença marcada no mês de setembro. Certo como a Primavera.

Valéria Pena-Costa

Valéria Pena-Costa

 

Valéria Pena-Costa, Artista plástica . Mineira em Brasília.

Arte RatoFX

Arte RatoFX

Meninas de 11 a 13 anos que já receberam a primeira dose da vacina contra o papiloma vírus humano (HPV) devem receber, a partir de hoje (1º), a segunda dose. A imunização será feita em escolas públicas e particulares e também em unidades de saúde.

De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 4,3 milhões de meninas nessa faixa etária já receberam a primeira dose em março deste ano. A segunda é essencial para garantir a proteção contra o HPV.

A vacina protege contra quatro subtipos do HPV (6, 11, 16 e 18). Os subtipos 16 e 18 são responsáveis por 70% dos casos de câncer de colo de útero, enquanto os subtipos 6 e 11 respondem por 90% das verrugas anogenitais.

Meninas que ainda não tomaram a primeira dose também podem procurar os postos de saúde. Para receber a segunda, basta apresentar o cartão de vacinação ou documento de identificação. A terceira dose será aplicada cinco anos após a primeira.

Em 2015, a vacina será oferecida para meninas de 9 a 11 anos e, em 2016, para meninas de 9 anos. O ministério reforçou a importância do uso do preservativo como proteção contra as demais doenças sexualmente transmissíveis e da realização do exame conhecido como papanicolau em mulheres a partir dos 25 anos.

O HPV é um vírus transmitido pelo contato direto com a pele ou mucosas infectadas por meio de relação sexual. Ele também pode ser transmitido da mãe para o filho no momento do parto. Estimativas da Organização Mundial da Saúde indicam que 290 milhões de mulheres em todo o mundo estão infectadas, sendo 32% delas pelos subtipos 16 e 18.

Em relação ao câncer de colo de útero, estudos apontam que 270 mil mulheres no mundo vivem com a doença. No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer estima o surgimento de 15 mil novos casos este ano.

Da Agência Brasil

Ig
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