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Arquivos para a ‘Comportamento’ Categoria

Foto Valéria Pena-Costa

Foto Valéria Pena-Costa

“Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar” *

Talvez venham outras vidas para viver amores deixados pra depois. Como eu, que me comprazo do amor alheio.
Tenho buscado dedicatórias em livros antigos. Quem dera todas fossem bilhetes de amor. É o que eu queria para compor meus velhos álbuns de recordações. Recordações que não são minhas, daquilo que nunca vivi. Uma apropriação do sentimento alheio? Acho que um testemunho.
Alguns sentimentos de afeição ficaram registrados nas primeiras páginas de livros, geralmente em belas caligrafias e boa dose de um caldo doce de romantismo e sempre que encontro essas mensagens imagino rostos, construo vidas. São muito minhas, é claro, sempre idealizadas e mantidas equilibradas das finas linhas das letras cuidadosamente desenhadas por outros. Redesenhadas por mim.

 ”Não se afobe, não
Que nada é pra já.” *

Fico me perguntando se todas as relações se concretizaram e o quanto terão perdurado. Os amores antigos eram pra sempre. Tão pra sempre que muitos continuam existindo nos meus álbuns de recordações. E continuarão. Hei de mantê-los vivos colocando a arte a seu serviço.
Mas sinto uma pitada de melancolia quando penso que muitos deles não passaram de desejo sobrescrito em páginas impares. Sem respostas. Quantos terão esperado por um tempo que não chegou, pela permissão que nunca se deu?
Gosto de garimpar declarações, encontradas, principalmente, em livros de romance, de poesias, de conteúdo que traduz o desejo dos amantes. Quantas ficções foram presenteadas para dar vida a histórias reais, muitas delas impossibilitadas por adversidades da vida? E por que o tempo engoliu amores não realizados? Vou construindo, reconstruindo, possibilitando. Vejo olhares, beijos, famílias, aniversários, casas e sorrisos. Também posso ver choros, desordem, roupas sujas e móveis riscados, imagens que aborto, afinal já tenho trabalho bastante ao construir histórias. Permitir sofrimentos seria dor em dobro. Mas tudo existe dentro dos meus contos de poucas linhas. As dedicatórias, geralmente trazem palavras leves, apresentáveis. Das paixões, cuido eu.
Mas eu diria que o amor não pode esperar em silêncio. Nem em fundos de armários ou de estantes onde será devorado pelo fungo, apagado pela acidez do tempo. Os papéis ressequidos, com sentimentos já sepultados, não duram milênios. Nem esperam outras vidas.
E certamente não existirão muitas Valérias a resgatar amores remotos.

“Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos…”*
* Chico Buarque
Valéria Pena-Costa

Valéria Pena-Costa

 

 

Valéria Pena-Costa, Artista plástica . Mineira em Brasília.

O trabalho de Rosa Gonçalves como empregada doméstica em Santos (SP) no fim dos anos 70 era embalado pelos hits que saíam de um radinho de pilha, apoiado na janela da cozinha.

Um dia, perguntou para a patroa o que significava “She’s my girl”, nome da música de Morris Albert que fazia parte da trilha sonora da novela “Anjo Mau”, em 1976.

“Ela é minha namorada”, foi a resposta.

“Ah, um dia eu vou aprender a falar inglês”, disse Rosa.

“Imagina, inglês é para gente estudada. Você nunca vai aprender inglês”, cortou a patroa.

Rosa solta um gargalhada ao contar a história, em sua casa em Londres. Na cidade onde mora desde 1978, ela virou liderança comunitária e empresária social.

“Olha onde eu vim parar. E falo inglês melhor que muitos no Brasil hoje em dia”


 

O relato de sua vida foi registrado neste ano pelo Clique Brasiliance, um projeto de valorização da história da comunidade brasileira em Londres que colheu depoimentos de onze pessoas que emigraram do Brasil entre os anos 60 e 80.

Entre a roça e a cozinha

Rosa cresceu em Amparo, no interior de São Paulo. Ela conta que aos seis anos foi treinada para ser empregada. “Porque até aí eu sabia fazer o trabalho em casa, mas não na casa dos outros”, diz.

Nesse dia, cozinhou e serviu seu primeiro almoço – matou uma galinha, a cortou em pedaços e refogou com chuchu.

Depois disso, passou anos se revezando entre o trabalho na roça e como doméstica. Aos 18, foi trabalhar para uma família em Santos. A jornada era quase ininterrupta – havia um dia de folga, às vezes apenas uma tarde, por semana.

Em uma ocasião, as crianças a chamaram de “King Kong”, imitando gestos de macaco. “Quando me levantei para sair correndo atrás delas, foram chamar um tio, que quis me bater”, conta ela.

Cerca de dois anos depois, em 1978, ela foi convidada por outra família a se mudar para Londres, onde trabalharia como empregada por dois anos. Mesmo diante do desafio de emigrar para um país totalmente diferente e distante, Rosa achou que era a chance de “andar para a frente”.

O início foi muito difícil, mas ela não teve vontade de voltar.

“Quando eu cheguei aqui eu chorei por seis meses. Uma dor tão grande. Escrevia carta todos os dias. Não mandava todos os dias, então as cartas iam todas numeradas. Mas eu achava que se eu voltasse a vida podia ser pior”, contou.

Ilegal

Depois de um ano, Rosa deixou o emprego de doméstica e passou a ser camareira em um hotel, onde ganhava 35 libras por semana para trabalhar de 7h às 14h, todos os dias da semana. De tarde, fazia diárias em pousadas por 5 libras. Atualizado pela inflação, isso seria o equivalente a uma renda semanal de cerca de 225 libras hoje ou R$ 850.

Seu visto de dois anos venceu e a brasileira continuou ilegalmente em Londres. Quando se recusou a se relacionar com um homem, amigo do dono de uma pousada onde alugava um quarto, foi denunciada para a imigração.

Rosa passou a tarde na cela de uma delegacia de polícia, mas acabou sendo liberada. Era início dos anos 80, época de protestos violentos em Brixton, bairro de forte migração afrocaribenha no sul de Londres.

A tensão racial era alta no período e havia problemas mais sérios para a polícia se preocupar, conta. Depois disso, conseguiu regularizar sua situação.

Líder comunitária

Rosa passou anos morando em quartinhos alugados até que, em 1984, se mudou para um apartamento em Ferrier Estate, uma espécie de conjunto habitacional em Greenwich, no sudoeste de Londres, com prédios de concreto onde viviam cerca de 5 mil pessoas.

Ela gostava do local e de sua diversidade – havia pessoas dos mais variados locais do mundo, ela lembra. Mas Ferrier Estate era considerado decadente e perigoso e o governo local decidiu demoli-lo para dar lugar a um mega empreendimento imobiliário.

Controverso, o processo se arrastou por mais de um década. A ideia começou a ser discutida em 1999, depois de alguns anos começaram as remoções e apenas em 2010 teve início o processo de demolição. O novo condomínio ainda está sendo erguido.

A perspectiva de demolição de sua casa levou Rosa a participar das negociações sobre como as pessoas seriam removidas, para onde seriam levadas e quais seriam seus direitos. Acabou se tornando uma liderança do bairro.

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Foto: Eli Pinheiro da Silva

Foto: Eli Pinheiro da Silva

Pra lá do fim do meu jardim, um pouquinho depois da rua, ali onde meus pés alcançam, eu vi um ipê amarelo. E ao fundo, o sol. Algumas pétalas caiam. Os dois se confundiam. Pensei que o sol chovia. Pingos de lava dourada. Pepitas de ouro caindo no chão.

Mais ouro que em serra pelada, numa terra nua pela delonga da chuva. Cascalho. Seca de cerrado como seca de sertão.

No alto do céu ainda havia uma extensa faixa azul como um xale transparente sobre os ombros dourados do horizonte, da cidade delineada, branca e delicada como um recorte de papel.

Desejei ter os ombros bronzeados do horizonte, a delicadeza distanciada da cidade e gotas de ouro num colar, em forma de flores de ipê. Flores, muitas flores no olhar.

Desejei a transparência azul, solta, somente ela a revestir o corpo como aquele xale que veste sem cobrir.

A terra ainda está árida, se alterna entre a inconstância do frio e o constante calor, mas a chuva se aproxima lenta e todos os dias, lá de longe, bem longe, acena no céu, num pequeno, ínfimo sopro de vapor.

Vai lavar minhas árvores. Vai deixar no chão, pra lá do fim do meu jardim, um tapete amarelo, caminhos desenhados por pequenas enxurradas, um vestígio da estação.

E eu, mais uma vez, sentirei saudades do amarelo dos ipês.

Valéria Pena-Costa

Valéria Pena-Costa

Valéria Pena-Costa, Artista plástica . Mineira em Brasília.

Leite materno

Descobrir como o Brasil tem sido tão bem sucedido com bancos de leite é o gol da pediatra americana Lisa Hammer, que junto com outros profissionais de saúde da Universidade de Michigan (UM), estiveram no Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz). Este é um exemplo de inovação reversa, com parceiros internacionais da universidade, fornecendo modelos de sucesso que podem ser implantados no sistema de saúde da UM. O sistema de banco de leite humano brasileiro é o principal responsável por um declínio de 73% na mortalidade infantil nas últimas duas décadas.

Nos Estados Unidos, o sistema de banco de leite fica muito aquém da demanda e basicamente não é regulado. “Aqui o leite materno é vendido por U$ 4 por Oz (0.118 L). É uma barreira significativa e no Brasil essa barreira foi removida”, explica Lisa Hammer, uma das profissionais que estiveram no Instituto. Para a coordenadora de Produto e Qualidade da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano do IFF, Danielle Aparecida da Silva, os EUA têm um modelo que não tem a responsabilidade da amamentação, não tem a prática da amamentação, a não ser o dia a dia, e este foi o grande diferencial. “Saber como grande parte da população amamenta, como manter os níveis elevados e como a amamentação ajudou a diminuir a mortalidade infantil foi o que atraiu a atenção da UM. Consequentemente, eles se interessaram em como trabalhamos o leite humano como um fluido funcional. Eles vieram em busca de como manipular o alimento”, explica.

O Brasil é conhecido internacionalmente pela sua rede bem organizada, com bom custo-benefício, regulamentação dos bancos e ampla aceitação social de práticas de aleitamento materno e doação de leite humano. “Os EUA chegaram até nós por meio do Prêmio Sasakawa de Saúde. Esta premiação veio justo pelo diferencial que temos. Não somos somente um banco de leite, onde a mãe o deposita e nós distribuímos. Também começamos a trabalhar a promoção e o incentivo ao aleitamento materno. Não vemos o leite humano como um medicamento. Conseguimos manter um padrão de qualidade de um alimento funcional e com isso trazemos a tecnologia de alimento e a adaptamos para manter características que não vão servir somente a um bebê, mas a diversas necessidades de vários bebês”, comenta Danielle.

O leite materno doado para um banco passa por um processo de seleção, classificação e pasteurização e é então distribuído aos bebês internados em unidades neonatais. “O alimento vai ajudar no sistema imunológico, no crescimento e desenvolvimento e auxilia também em aspectos probióticos. Ou seja, temos um cuidado maior com esse leite, pegamos todas as características dele para suprir as necessidades de cada bebê”, esclarece a coordenadora.

A rede brasileira também fornece educação e treinamento para os funcionários de bancos de leite, realiza pesquisas sobre a metodologia do leite doado e o controle de qualidade humana, divulga informações sobre bancos de leite e colabora com o governo nacional na concepção de políticas de saúde pública. A Universidade de Michigan foi a primeira faculdade de medicina americana interessada na colaboração com a rede de banco de leite brasileiro, e se uniu ao Brasil para saber mais sobre este sistema exclusivo e quem sabe implantá-lo nos EUA.

A delegação incluiu médicos, enfermeiros, nutricionistas, consultores de lactação e estudantes de saúde pública da UM. Eles trabalharam diretamente com os colaboradores para adquirir experiência prática e desenvolver projetos internacionais com foco em aleitamento materno, leite humano e nutrição infantil. Esta semana experimental deve começar a definir o cenário para uma parceria internacional, que potencialmente será que um exemplo de como a colaboração global pode melhorar a saúde infantil em todo o mundo.

Do EBC

Custo chega a quase R$ 20 trilhões; para cada morte em um campo de batalha, nove pessoas são assassinadas em desavenças interpessoais, diz estudo

Arte RatoFX

Arte RatoFX

A violência doméstica, principalmente contra mulheres e crianças, mata muito mais que guerras e é um flagelo muitas vezes subestimado que custa à economia mundial mais de 8 trilhões de dólares por ano (cerca de R$ 20 trilhões), informaram especialistas nesta terça-feira.

O estudo, que seus autores dizem ter sido uma primeira tentativa de estimar os gastos globais da violência, exortou a Organização das Nações Unidas (ONU) a prestar mais atenção aos abusos em casa, que recebem menos destaque que conflitos armados como os da Síria ou da Ucrânia.

“Para cada morte civil em um campo de batalha, nove pessoas… são mortas em desavenças interpessoais”, escreveram Anke Hoeffler, da Universidade Oxford, e James Fearon, da Universidade Stanford, no relatório.

Das brigas domésticas às guerras, eles estimaram que em todo o mundo a violência custe 9,5 trilhões de dólares por ano, sobretudo na perda da produção econômica, o que equivale a 11,2 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) mundial.

Nos últimos anos, cerca de 20 a 25 nações sofreram com guerras civis, o que devastou muitas economias locais e custou cerca de 170 bilhões de dólares por ano. Os homicídios, a maioria de homens e não relacionados com brigas domésticas, custaram 650 bilhões de dólares.

Mas estas cifras se apequenam diante dos 8 trilhões de dólares anuais do custo da violência doméstica, cuja maioria das vítimas são mulheres e crianças.

O estudo afirma que cerca de 290 milhões de crianças sofreram alguma forma de violência disciplinar em casa, de acordo com estimativas baseadas em dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Com base nos custos estimados, que vão de lesões a serviços de assistência infantil, o estudo calculou que o abuso não-fatal de crianças drena 1,9 por cento do PIB em nações ricas e até 19 por cento do PIB na África subsaariana, onde as modalidades severas de disciplina são comuns.

Bjorn Lomborg, chefe do Centro de Consenso de Copenhagem, que encomendou o relatório, disse que a violência doméstica é frequentemente subestimada, assim como acidentes de carro atraem menos atenção que acidentes de avião, embora muito mais pessoas morram no primeiro caso.

‘Não se trata só de dizer ‘isto é um problema sério’”, disse ele à Reuters. “É uma maneira de encontrar soluções inteligentes”. O Centro emprega estudos de mais de 50 economistas, inclusive três prêmios Nobel, e procura soluções de baixo custo para combater desde a mudança climática até a malária.

O estudo pretende ajudar a ONU a selecionar metas para 2030 para alcançar os Objetivos do Milênio estabelecidos para o período 2000-2015, que incluem a redução da pobreza e a melhoria dos depósitos de água potável. Os novos objetivos poderiam incluir o fim dos espancamentos como forma socialmente aceita de disciplina infantil e a redução da violência doméstica contra mulheres.

Rodrigo Soares, professor da Escola de Economia de São Paulo-FGV, disse ser bom ressaltar o grande número de mortes causadas pela violência doméstica, embora a falta de dados faça com que seja “um pouco ambicioso demais” estimar os custos globais.

Do Terra

Foto Valeria Pena-Costa

Foto Valeria Pena-Costa

Quarta-feira, primeira chuva depois de um longo estio. Alívio para tudo o que é vivente, com frescor e umidade no ar. Preencho o dia com urgências pela necessidade de terminar a contento um trabalho especialmente importante. Setembro chegou e prometi (a alguém) estar presente nesse mês e o trabalho é, eu diria, a confirmação simbólica dessa presença. Setembro passará, a instalação permanecerá. Desse modo, lá estarei eu.

Algo não deu certo como eu previa e até agora não consegui desenvolver um mecanismo de um dos principais elementos, não consigo entrar em contato com a pessoa que executa meus projetos. Mas tenho um plano B, ir atrás de um outro técnico e usar outro objeto. Vou buscá-lo no ateliê e resolvo testá-lo lá mesmo por precaução. Ao ligá-lo na energia (elétrica) imediatamente percebo um erro e agora penso que o queimei. Saio de casa às pressas e vou atrás de conserto. Outro choque, o técnico… Bem, há uns nove meses que ele não está mais entre nós. Além do meu sincero sentimento de pesar, saio com a certeza de que preciso de um plano C. Vou pensando pelo caminho do qual me desvio atraída pelo típico aroma quente do fermento assado e me deixo seduzir pela aparência e por um nome nas prateleiras da padaria: ‘Bolo Mármore’. Decido levá-lo para meus filhos que certamente gostarão como eu. Vou para o estacionamento revirando a bolsa em busca de moedas para o simpático flanelinha e, decepcionada, percebo que não tenho nada ali, nem notas, nada. A não ser alguns pesos colombianos que ficaram como resíduos da ultima viagem e que eu poderia oferecer como souvenir, mas não ficaria bem. Penso em lhe oferecer o bolo, mas meu ‘mármore’ não… Constrangida peço-lhe desculpas por não lhe recompensar “a vigilância” e, à espera de uma cara contrariada, recebo uma encantadora expressão acompanhada de um “não tem problema, querida, vá com Deus”. E despede-se num um amplo sorriso com a falta de um ou dois dentes em posições de evidência. Mas a expressão era tão agradável que somente fixei na lembrança os olhos sorridentes. E a palavra “querida” pronunciada em um tom atencioso de carinho respeitoso. Quem recebeu uma gratificação fui eu. E voltei mais leve pra casa. Um pouco mais adiante, ali pelo meio do caminho, ao entrar numa curva fechada, meu carro deslizou no asfalto escorregadio das primeiras águas, péssima combinação com pneus ‘calvos’. Vi, num ínfimo momento, a aproximação da alta encosta da pista com detalhes da vegetação irregular, e cheguei a notar, também num átimo, uma grande falha esbranquiçada no asfalto como o desenho de um retalho arrancado e a aproximação da guia do canteiro que me separava da outra pista. Não entendo como pude ver essas coisas pois também sentia cada meia volta que o carro fazia, indo e vindo, enquanto eu o segurava e o redirecionava. Foi um instante de hiper consciência. Sentia internamente que eu dançava com ele numa pista encerada. (Quase) Rodopiávamos. Surpreendida, assustada, ao invés de bradar um nome de santo, que seria usual, exclamei um longo, lento e bem pronunciado palavrão. Nada de irritação, somente uma reação involuntária de exaltação da surpresa. Mais gíria que palavrão. Uma palavra sonora, até bonita, de sílabas fortes, bem definidas e de expressão prazerosa. Olhei pelos retrovisores e vi que não vinha carro atrás. Sorte! Ou proteção.

Concluo que estou passando por um período de fortes emoções. Um pessimista diria, “tenho entrado em cada enrascada!”, mas num momento de teimosia otimista eu digo: “tenho saído de cada enrascada!”. Eu que sou da fé e do sagrado creio em proteção. E assim vou passando e volto pra casa ilesa. Venho trazendo a lembrança de um inesperado sorriso desconhecido, um delicioso Bolo Mármore e a certeza de que emoções boas estão a caminho (sem derrapadas na pista de vinda, espero). Aqui sou recebida afetuosamente por dois gatinhos lindos que me oferecem olhares doces e o pelo macio pra que eu os afague e sinta a brandura da vida. Os mecanismos, ainda não sei como, arranjarei. Eu sei. Haverei de assegurar a arte e a presença marcada no mês de setembro. Certo como a Primavera.

Valéria Pena-Costa

Valéria Pena-Costa

 

Valéria Pena-Costa, Artista plástica . Mineira em Brasília.

Arte RatoFX

Arte RatoFX

Meninas de 11 a 13 anos que já receberam a primeira dose da vacina contra o papiloma vírus humano (HPV) devem receber, a partir de hoje (1º), a segunda dose. A imunização será feita em escolas públicas e particulares e também em unidades de saúde.

De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 4,3 milhões de meninas nessa faixa etária já receberam a primeira dose em março deste ano. A segunda é essencial para garantir a proteção contra o HPV.

A vacina protege contra quatro subtipos do HPV (6, 11, 16 e 18). Os subtipos 16 e 18 são responsáveis por 70% dos casos de câncer de colo de útero, enquanto os subtipos 6 e 11 respondem por 90% das verrugas anogenitais.

Meninas que ainda não tomaram a primeira dose também podem procurar os postos de saúde. Para receber a segunda, basta apresentar o cartão de vacinação ou documento de identificação. A terceira dose será aplicada cinco anos após a primeira.

Em 2015, a vacina será oferecida para meninas de 9 a 11 anos e, em 2016, para meninas de 9 anos. O ministério reforçou a importância do uso do preservativo como proteção contra as demais doenças sexualmente transmissíveis e da realização do exame conhecido como papanicolau em mulheres a partir dos 25 anos.

O HPV é um vírus transmitido pelo contato direto com a pele ou mucosas infectadas por meio de relação sexual. Ele também pode ser transmitido da mãe para o filho no momento do parto. Estimativas da Organização Mundial da Saúde indicam que 290 milhões de mulheres em todo o mundo estão infectadas, sendo 32% delas pelos subtipos 16 e 18.

Em relação ao câncer de colo de útero, estudos apontam que 270 mil mulheres no mundo vivem com a doença. No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer estima o surgimento de 15 mil novos casos este ano.

Da Agência Brasil

Adega Base Atacadista

Adega Base Atacadista

Semanalmente, a Adega Base traz para o público de Brasília uma aula-degustação com enólogos e sommeliers, além de chefs e produtores, como forma de proporcionar aos clientes uma oportunidade de conhecer um pouco mais sobre o fascinante mundo dos vinhos. A próxima degustação será na próxima terça-feira, dia 02, as 19h30, no espaço de cursos e eventos da Adega do Base Atacadista da EPTG. As inscrições são gratuitas e as vagas limitadas.

Na oportunidade, o público irá conhecer um pouco mais sobre os vinhos portugueses Cartuxa, distribuídos no Brasil pela Adega Alentejana. Estes vinhos, produzidos pela Fundação Eugénio de Almeida, que administra a Adega Cartuxa, associam a sua qualidade ao nome dos monges Cartuxos que, desde 1598, levam uma vida solitária de oração no Convento de Santa Maria Scala Coeli. Também são responsáveis pela produção do legendário Pêra Manca, um dos melhores e mais caros vinhos portugueses.

Na degustação, conduzida pelo sommelier Antônio Duarte, que também é presidente da Associação Brasileira de Sommeliers – Seção Brasília, serão apresentados 4 vinhos. O Cartuxa branco, que têm por base as castas Antão Vaz e Arinto, será o primeiro a ser degustado. Na seqüência, o vinho EA tinto, uma linha que tem como proposta ser um vinho de qualidade para o consumo no dia a dia. Trata-se de vinhos do ano, tendo por base as principais castas alentejanas, e que caracterizam-se pela sua suavidade e juventude.

O Cartuxa colheita, produzido a partir das castas, Aragonez, Alicante Bouschet e Trincadeira, envelhecidos 12 meses em barricas de carvalho Frances, e Cartuxa reserva, envelhecido 15 meses em barricas novas de carvalho francês e 18 meses em garrafa, ambos com potencial para envelhecer, são dois mais elaborados, que finalizam a degustação.

Adega Alentejana – A maior importadora de vinhos portugueses no Brasil, a Adega Alentejana foi fundada em 1998. Trabalha exclusivamente com produtos portugueses, e importa 1,1 milhão de garrafas de vinhos e 200 mil de azeites de alta qualidade por ano. No portfólio está o legendário Pêra Manca, o vinho de valor agregado que mais vende na importadora. Em volume, o rótulo mais vendido é o EA, do mesmo produtor e que tem melhor custo benefício.

Sobre a Adega Base – A recém-inaugurada Adega Base vem se consolidando como um espaço de eventos de enogastronomia, com oferta de palestras, cursos e degustações de vinhos e produtos de delicatessen. Nova casa grupo Base Atacadista, a Adega abriu as portas no dia 10 de março entre Vicente Pires e Águas Claras, no Centermix, na EPTG.

A loja oferece 1.800 rótulos de bebidas, sendo 1.300 de vinhos, tudo isso em um Espaço Empório climatizado que oferece também queijos especiais, azeites, azeitonas, cervejas importadas e chocolates. Com os melhores rótulos de vários países passando por Portugal, França, Espanha, Alemanha, África do Sul, Austrália, Chile, Uruguai, Argentina e Brasil, a proposta da Adega Base é oferecer ao mercado de Brasília produtos selecionados para os apreciadores de vinho, com preço de atacado e atendimento personalizado, proporcionando bem-estar a cada cliente.

Para tanto, a casa conta com dois sommeliers à disposição dos clientes para auxiliar na escolha das bebidas. Formado há 4 anos, Tiago Pereira estudou na Associação Brasileira de Sommeliers. Hoje, com a outorga da ABS, é considerado um dos maiores especialistas em vinho do País. Ester Bonfim é formada como sommelier de cervejas pelo Instituto Federal de Brasília e tem certificação como sommelier de vinhos pela Wine & Spirits, conta com 15 anos de experiência na área.

Além disso, o cliente tem à sua disposição um Terminal de Informações sobre os Vinhos, onde pode passar o código de barras da garrafa em frente ao visor do terminal que irá harmonizar o vinho com vários pratos.

Serviço:

Degustação Vinhos Cartuxa- Adega Alentejana
Data: 02.09 – terça
Horário: 19h30
Endereço: Adega Base – Centermix, lote 54 Vicente Pires EPTG. Ao lado da Transplantas
Inscrições: adega@baseatacadista.com.br / www.baseatacadista.com.br

Esmalte antiestupro: criadores esperam que produto ajude a prevenir a violência sexual

Reprodução

Proteger o maior número possível de mulheres da experiência da violência do estupro com um recurso simples de aplicar, discreto e barato.

Com esse objetivo um grupo de estudantes da Universidade Estadual da Carolina do Norte (EUA) criou um esmalte que muda de cor em contato com substâncias conhecidas como drogas de estupro ou “boa noite cinderela” – a mais famosa é o GHB (gama-hidroxibutirato).

“Isso é quase uma em cada cinco mulheres em nosso país. Podemos não saber quem são, mas essas mulheres têm um rosto. Eles são as nossas filhas, nossas namoradas e nossas amigas”, diz o texto de apresentação da startup criada por Tasso Von Windheim, Tyler Confrey-Maloney, Stephan Gray and Ankesh Madan para desenvolver e produzir os esmaltes.De acordo com a página da empresaUndercover Project no Facebook, somente nos Estados Unidos, 18% das mulheres são vítimas de estupro ao longo da vida e o uso de substâncias para facilitar o abuso e a violência sexual contra mulheres é algo comum, em especial no âmbito estudantil.

Uma vez aplicado nas unhas, o esmalte permite à mulher testar a presença de drogas de abuso na bebida apenas mexendo o drinque discretamente com o dedo. O produto ainda está em testes, mas não deve demorar para chegar ao mercado, já que conseguiu atrair a atenção de investidores de peso depois que a empresa ficou entre os seminfinalistas da Kairos 50, uma iniciativa global para premiar empreendedores com menos de 25 anos.

Grupo Meio & Mensagem realiza no País segunda edição do Women to Watch. Conheças as indicadas de 2014

Reprodução

Mulheres que se destacam hoje no mercado brasileiro por terem conseguido chamar a atenção em um ambiente extremamente masculino, como é o da criação publicitária. Outras por desenvolverem um trabalho de altíssima qualidade na condução da área de marketing e negócios de importantes marcas. Há ainda aquelas que estão com foco regional, voltadas a alavancar operações de grupos internacionais na América Latina. Com perfis variados, mas todas oriundas de trajetórias ascendentes, as sete mulheres indicadas ao Women to Watch 2014 têm um traço em comum: estão dando sua contribuição para transformar o mercado de comunicação e marketing (confira lista abaixo).

Criada pelo Advertising Age em 1997, o Women to Watch chegou ao Brasil no ano passado por iniciativa do Grupo Meio & Mensagem. Além do mercado norte-americano, China, Brasil e Turquia realizam a premiação cuja missão editorial é incentivar as conquistas femininas em uma indústria em transformação. “O foco é dar luz à excelência do trabalho das mulheres. Por meio de um trabalho apurado selecionamos as profissionais que já estão hoje em posição de destaque e que têm potencial para crescerem ainda mais e se tornarem de fato líderes de suas áreas nos próximos anos”, comenta Maria Laura Nicotero, diretora executiva de eventos do Grupo Meio & Mensagem.

A lista foi elaborada pelo conselho editorial do Meio & Mensagem após uma consulta a um grupo de formadores de opinião do mercado. A cerimônia de homenagem às sete indicadas da edição 2014 do Women to Watch será no dia 18 de setembro, no Hotel Hilton. Os patrocinadores desta edição são GNT, McDonald’s e Eco Benefícios com apoio de mídia de Exame e Você S/A.

Do Meio & Mensagem

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