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Gravidez

Enquanto a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que no máximo 15% dos partos sejam cesarianas, no Brasil o índice é de 52%, chegando a 88% na rede privada. Os dados estão na pesquisa inédita Nascer no Brasil: Inquérito Nacional sobre Parto e Nascimento, feita pela Fundação Oswaldo Cruz e o Ministério da Saúde, divulgada hoje (29).

A pesquisa acompanhou o pré-natal e o parto de 23.894 mulheres em maternidades públicas, privadas e mistas em 191 municípios em todos os estados. A coleta de dados ocorreu de fevereiro de 2011 a outubro de 2012. Para a coordenadora da pesquisa, Maria do Carmo Leal, os resultados são alarmantes, já que a intervenção cirúrgica expõe a mãe e o bebê a riscos desnecessários.

“Um prejuízo que a criança pode ter é ela nascer antes do tempo que estaria pronta para nascer e, portanto, pode ter dificuldade para respirar, pode precisar ir para uma UTI [Unidade de Tratamento Intensivo] neonatal, e isso é um imenso prejuízo no começo da vida, essa separação da mãe. Para a mãe, o primeiro risco é que a cesárea é uma cirurgia, e como tal tem maior chance de hemorragia, de infecção, e também a recuperação da mulher é pior na cesárea do que no parto vaginal”, comparou.

No Brasil, 28% das mulheres começam o pré-natal querendo a cesárea, enquanto a média mundial é de 10%. O dado preocupa a pesquisadora, que defende uma mudança na cultura do parto no país.

“Tem uma cultura na sociedade, muitas mulheres hoje realmente já acham que a cesárea é uma boa forma de ter parto. E para os médicos também, é conveniente para eles que a cesárea aconteça porque organiza a vida deles, marca uma atrás da outra e não fica à disposição do tempo que você não controla, que é o tempo de nascimento de cada criança. É verdade que médicos podem induzir a mulher a fazer a cesárea, mas o sistema está todo organizado de uma forma a promover isso”.

Segundo Maria do Carmo, nos países desenvolvidos que também vinham aumentando as taxas de cesárea, os índices começaram a diminuir por causa das evidências científicas de riscos para a mulher e para o bebê na gestação em questão e também nas seguintes. Para ela, governo e sociedade precisam se mobilizar para reverter o quadro.

“Há necessidade de políticas públicas, há necessidade das mulheres se movimentarem também, lerem mais sobre o parto e sobre o risco da cesárea. As mulheres tem um papel importante, que é se informar, mas acho que tem que ter uma mudança de atitude, de cultura médica também. Não acontece tão facilmente”, avaliou. “O Ministério da Saúde tem trabalhado muito, já teve várias iniciativas para diminuir a quantidade de cesáreas no país e não tem obtido sucesso”, acrescentou.

Com o tema A mãe abe parir e o bebê sabe como e quando nascer, o estudo também mostra que, mesmo nos partos normais, o atendimento não atende às boas práticas recomendadas pela OMS, o que provoca dor e sofrimento desnecessário. Entre as práticas comuns estão a de deixar a mulher em trabalho de parto apenas no leito, sem estímulo para caminhar e sem alimentação durante o período, a de oferecer remédios para acelerar as contrações e a de deixar as mulheres darem à luz deitadas, de costas.

Os dados ainda apontam que, no Brasil, entre as mães de baixo risco, apenas 19,8% tiveram presença contínua de acompanhante, 25,6% puderam se alimentar, 46,3% foram estimuladas a se movimentar e 28% tiveram acesso a procedimentos não farmacológicos para alívio da dor. Apenas 5% dos partos ocorre sem intervenções, enquanto no Reino Unido o número chega a 40%.

Quanto aos cuidados com o bebê, entre os recém-nascidos saudáveis, apenas 28,2% tiveram contato pele a pele com a mãe após o nascimento, 16,1% receberam o seio na sala de parto e 44% mamaram na primeira hora. O alojamento conjunto foi verificado em 69% dos casos. As intervenções nos bebês também são altas: 71% tiveram as vias aéreas superiores aspiradas, 39,5% passaram por aspiração gástrica, 8,8% foram para o inalador e 8,7% para a incubadora.

Das mulheres ouvidas para o levantamento, cerca de 30% não desejaram a gravidez, 2,3% tentaram interromper a gestação e 60% iniciaram o pré-natal tardiamente, após a 12ª semana. Do total de mulheres, 19% eram adolescentes, sendo que 42% delas fizeram cesárea, e, com isso, “estarão expostas a mais riscos nas gestações futuras”, segundo o estudo.

Da EBC

Arte RatoFX

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Mais de 800 mulheres morrem todos os dias devido a complicações na gravidez e no parto, mostra a Organização Mundial da Saúde (OMS) em dados divulgados hoje (6). A mortalidade materna, no entanto, registra redução de 45% desde 1990.

Segundo a OMS, 289 mil mulheres morreram em 2013 devido a complicações relacionadas à gravidez e ao parto. Em 1990, foram 523 mil mortes.

A quase totalidade das mortes maternas (99%) ocorre em países em desenvolvimento e um terço do total é regitrado em apenas dois países: a Índia (50 mil) e a Nigéria (40 mil). De acordo com a OMS, a região mais perigosa para se ter um filho é a África Subsaariana.

A taxa de mortalidade materna nos países em desenvolvimento em 2013 foi 230 por 100 mil nascimentos, enquanto nos países desenvolvidos foi 16 por 100 mil nascidos vivos.

A organização, sediada em Genebra, alerta para as grandes disparidades entre os países – com alguns registrando taxas de mortalidade materna extremamente elevadas, de 1.000 por cada 100 mil nascidos vivos – e também entre pobres e ricos dentro de alguns países.

Outro estudo da agência da ONU para a saúde, publicado hoje na revista The Lancet Global Health revela que uma em cada quatro mortes se deve a complicações previamente existentes, como diabetes, HIV, malária ou obesidade, cujos impactos são agravados pela gravidez.

Um quarto das mortes deve-se a hemorragia severa. Outras causas identificadas são a hipertensão induzida pela gravidez (14%), as infeções (11%), obstruções e outras complicações no parto (9%), complicações relacionadas com o aborto (8%) e coágulos sanguíneos (3%).

“Juntos, os dois relatórios destacam a necessidade de investir em soluções comprovadas, como cuidados de saúde de qualidade para todas as mulheres durante a gravidez e o parto, e cuidados especiais para grávidas com problemas clínicos pré-existentes”, disse a diretora-geral adjunta da OMS para a Saúde da Família, Mulher e Criança, Flavia Bustreo, citada em comunicado da OMS.

Outro alerta da organização é sobre a falta de dados rigorosos relacionados à mortalidade materna. Apesar de ter aumentado o conhecimento sobre o número de mulheres que morrem e as razões das mortes, muitos dados ainda não são registrados. “Trinta e três mortes maternas por hora são 33 mortes a mais”, disse o diretor de Saúde, Nutrição e População do Banco Mundial, citado no comunicado.

“Precisamos documentar cada um desses acontecimentos trágicos, determinar as suas causas e iniciar ações corretivas urgentemente”, acrescentou Bustreo.

Da EBC

Arte RatoFX

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Começa hoje (22) a Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe. Este ano, a imunização deve atingir mais crianças do que em anos anteriores, já que a faixa etária definida pelo Ministério da Saúde foi ampliada. Com a nova regra, crianças de seis meses a menos de cinco anos poderão ser vacinadas. No ano passado, apenas crianças com até dois anos podiam receber a vacina.

Representantes do governo acreditam que a ampliação dessa faixa etária vai beneficiar tanto as crianças quanto outros grupos vulneráveis, como menores de seis meses de idade que ainda são amamentados, idosos e pessoas com doenças crônicas.

A campanha continua até 9 de maio e a meta do governo é vacinar pelo menos 80% do público, que representa 49,6 milhões de crianças. A vacina também será disponibilizada para grupos considerados mais vulneráveis à gripe, como as pessoas com 60 anos ou mais, trabalhadores da saúde, povos indígenas, gestantes, mães até 45 dias após o parto, população privada de liberdade e funcionários do sistema prisional.

O Ministério da Saúde ainda incluiu pessoas que têm doenças crônicas não transmissíveis ou que estão em condições clínicas especiais, mas não definiu uma meta a ser atingida nesses casos. Essas pessoas terão que apresentar prescrição médica no ato da vacinação

A escolha dos grupos prioritários segue recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), e o governo brasileiro se baseia em estudos que apontam que a vacinação pode reduzir entre 32% e 45% o número de hospitalizações por pneumonias e de 39% a 75% a mortalidade por complicações da influenza.

De acordo com o ministério, serão distribuídos 53,5 milhões de doses da vacina, capazes de proteger pessoa de três subtipos do vírus da gripe (A/H1N1; A/H3N2 e influenza B). O material será distribuído para 65 mil postos de vacinação e 240 mil pessoas estarão envolvidas na imunização.

Para os locais de mais difícil acesso, o governo anunciou que vai disponibilizar 27 mil veículos terrestres, marítimos e fluviais.

O tema deste ano será Vacinação contra a Gripe: Você Não Pode Faltar, e a campanha será veiculada na TV, no rádio, na mídia impressa e internet, com custo total de R$ 14 milhões.

Da EBC

Arte RatoFX

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O mastologista Ruffo de Freitas Júnior diz que o ideal é que as mulheres mantenham o índice de massa corporal abaixo de 25

Um estudo publicado recentemente no jornal “Cancer Epidemiology, Biomakers & Prevention” aponta que uma hora de exercício físico por dia diminui o risco de câncer de mama em até 14%, em comparação com mulheres que caminham menos de três horas por semana. A informação foi divulgada pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) para celebrar o Dia Mundial de luta contra o câncer, comemorado nesta terça-feira (8/4).

“A incidência do câncer está ligada ao sedentarismo. Exercício físico e perda de peso são fundamentais para a saúde da mulher”, esclarece Ruffo de Freitas Júnior, presidente da SBM. Ele também lembra que mudanças na dieta para reduzir o colesterol ajudam na prevenção de células cancerígenas.

O mastologista diz que o ideal é que as mulheres mantenham o índice de massa corporal abaixo de 25, pois quanto maior o peso e a idade, maiores as chances da mulher de desenvolver câncer de mama, principalmente no período após a menopausa. Isso porque um dos principais hormônios produzidos pelo tecido gorduroso é o estrógeno, que serve como ‘combustível’ para as células cancerígenas, explica ele.

Do Correio Braziliense

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Quase 40% das mulheres entre 14 e 25 anos de idade não usam ou quase nunca usam camisinha em suas relações sexuais. Entre os homens de mesma idade, um em cada três declarou não usar o contraceptivo ou usá-lo pouco. Os números foram divulgados hoje (26) no 2º Levantamento Nacional de Álcool e Drogas, elaborado pela Universidade Federal de São Paulo, que analisou o comportamento de 1.742 pessoas com idade entre 14 e 25 anos.

O levantamento apontou que quase um terço das mulheres com idade entre 14 e 20 anos engravidou pelo menos uma vez. O índice de aborto neste grupo etário, seja ele provocado ou natural, alcançou 12%, ou seja, uma em cada dez mulheres entre 14 e 20 anos abortou.

Entre os homens menores de 20 anos, cerca de 2% declararam ser pai. “Temos aí um problema de saúde pública que não está sendo discutido”, disse Clarice Madruga, uma das coordenadoras do levantamento, em entrevista à TV Brasil.

Segundo ela, a pesquisa demonstra que a juventude assume muitos comportamentos de risco. “Sabemos que a juventude é um período de maior vulnerabilidade e o cérebro não está completamente formado, então, as pessoas se expõem mais e têm menos controle de impulso”, disse ela.

Da EBC

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As mulheres são mais propensas do que os homens a morrer de ataque cardíaco devido a um diagnóstico mal feito que atribui seu mal-estar a um ataque de ansiedade, segundo estudo divulgado nesta segunda-feira no Canadá.

Cientistas da Universidade de McGill em Montreal pesquisaram a diferença de mortalidade entre homens e mulheres que sofrem ataques do coração.

Para isto, interrogaram 1.123 pacientes de 18 a 55 anos hospitalizados em 24 instituições do Canadá, mas também em um hospital dos Estados Unidos e outro da Suíça. Os pacientes, todos com síndrome coronariana aguda, responderam aos cientistas nas 24 horas posteriores à sua entrada no centro médico.

As mulheres entrevistadas tinham origem sócio-econômica mais modesta do que os homens que participaram do estudo. Por fim, elas demonstraram correr mais riscos de sofrer de diabetes e hipertensão, havia mais casos de doenças cardíacas em suas famílias e tinham mais possibilidades de sofrer de depressão e ansiedade do que os homens.

Os cientistas, cujos estudos são publicados na revista da Associação Médica do Canadá, constataram que, em média, os homens eram mais submetidos a eletrocardiogramas rápidos e desfibrilação do que as mulheres.

Os pesquisadores explicam esta diferença de tratamento pelo fato de que as mulheres costumam recorrer com mais frequência do que os homens ao serviço de emergência com dor torácica de origem não cardíaca.

Além disso, “a prevalência da síndrome coronariana aguda é menor entre as mulheres jovens do que entre os homens jovens”, disse a principal pesquisadora do estudo, Louise Pilote.

Estes resultados, explicou, sugerem que o pessoal médico têm mais probabilidades de confundir um evento cardíaco nas mulheres com sintomas de ansiedade.

Do Terra

África é responsável por mais de 160 mil mortes de mulheres relacionadas à gestação, das 287 mil que ocorrem no mundo anualmente (BOLD / Divulgação)

Reduzir a mortalidade materna e perinatal no mundo. É com esse objetivo que a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Departamento de Medicina Social (DMS), da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP firmaram parceria para o desenvolvimento e implementação do Projeto Better Outcomes in Labour Difficulty – Melhores resultados em dificuldades do trabalho de parto (BOLD).

A iniciativa, liderada pela OMS, por meio dos Departamentos de Saúde Reprodutiva e Pesquisa (RHR) e de Saúde Materna, Neonatal, Saúde da Criança e do Adolescente, além do DMS da FMRP, conta com a participação de instituições da Finlândia, Nigéria e Uganda. O lançamento oficial ocorreu na sede da OMS, em Genebra, na Suíça, nos dias 11 e 12 de fevereiro. Financiado e apoiado pela Fundação Bill e Melinda Gates, a primeira fase do projeto já conta com US$ 3 milhões para o seu desenvolvimento.

Com mais de 160 mil mortes de mulheres relacionadas à gestação, das 287 mil que ocorrem no mundo anualmente, o continente africano será o primeiro a receber o BOLD. “Para se ter uma ideia global, 99% das mortes maternas acontecem em países em desenvolvimento e 1% em países desenvolvidos. No Brasil, esse número gira em torno de 1,7 mil mortes por ano”, afirma o professor João Paulo Souza, da FMRP, e um dos coordenadores do Projeto BOLD, que terá duas fases.

Fases

A primeira fase será de coleta de dados em doze hospitais, na Nigéria e em Uganda, países da África, onde menos da metade das mulheres chegam a um hospital para o trabalho de parto. Ainda na primeira fase será desenvolvida uma nova ferramenta para auxiliar médicos, parteiras e até pessoas leigas, na tomada de decisão sobre os procedimentos durante o trabalho de parto. Batizada de Simplified, Effective, Labour Monitoring-to-Action tool (SELMA), a ferramenta será um orientador, que vai guiar o manejo do trabalho de parto.

A SELMA será desenvolvida e analisada pelos pesquisadores do DMS e virá como uma alternativa ao partograma, outra ferramenta que existe desde 1970, mas que tem apresentado problemas fundamentais, segundo Souza. “Imaginamos esse sistema orientando, por exemplo, que o usuário rompa a bolsa da paciente, ou que considere fazer uma cesárea”, diz o professor. A duração desta fase será de dois anos. Com expectativa de início para 2016, a segunda fase terá duração de cinco anos e será de implementação e expansão do projeto. A ideia é que ele seja desenvolvido em mais dez países do continente africano.

Em um mundo onde as diferenças se mostram cada vez maiores, a esperança parece estar naquilo que é uma das principais manifestações da desigualdade, a tecnologia. E é utilizando-se dela que a OMS, juntamente com seus parceiros pretende diminuir as mortes relacionadas à gestação.

A escolha da África como primeiro continente a receber as atividades do projeto, vai além dos números, chegando a alguns problemas peculiares como, por exemplo, a baixa qualidade dos hospitais africanos e a dificuldade das mulheres em frequentá-los. “No Brasil, em 1940, as mulheres davam a luz em casa e, ao longo de duas décadas elas passaram a dar à luz em hospitais, mas essa não é a realidade do continente africano hoje”, conta Souza.

Desenvolver o projeto de pesquisa, coordenar e supervisionar sua implantação em instituições e comunidades africanas, gerenciar e analisar os dados produzidos, realizar modelagem estatística e computacional, além de desenvolver a ferramenta SELMA, serão as tarefas que o DMS da USP estará encarregado. Acompanhe o projeto pelo site.

Da EBC

Em São Paulo, SUS já disponibiliza fórmulas às crianças com APLV (Bradleypjohnson CC)

Crianças de 0 a 2 anos de idade sem possibilidade de aleitamento materno e que sofram de Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) têm direito a receber fórmulas alimentares especiais pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Essa é a posição do Ministério Público Federal em Santa Catarina, que ajuizou ação civil pública para garantir o acesso à alimentação especial de crianças que se encontrem nessa condição em todo o território nacional.

Estima-se que a alergia alimentar alcance aproximadamente seis de cada cem crianças, sendo que a desencadeada pela proteína do leite de vaca é a mais frequente, alcançando cerca de 80% dos casos infantis. Sua ocorrência frequentemente desencadeia manifestações digestivas (como vômitos, diarreia crônica, refluxo e perda de sangue nas fezes), cutâneas (como urticária, inchaço e lesões na pele) e respiratórias (como rinite, asma e broncoespasmos), além de comprometimento do sistema imunológico. Ainda mais grave, o risco nutricional e a desnutrição infantil nessa fase da vida estão associados ao atraso no crescimento e no desenvolvimento físico, motor, neurológico e cognitivo, podendo repercutir em impactos por toda a vida.

A ação do Ministério Público Federal pretende que o SUS implante protocolo de tratamento das crianças com APLV e disponibilize as fórmulas alimentares conforme a necessidade nutricional, de acordo com regras científicas estabelecidas e que já se encontram em aplicação em algumas unidades da federação, como é o caso do Estado de São Paulo.

Segundo o procurador regional dos direitos do cidadão Maurício Pessutto, autor da ação, existem evidências científicas suficientes a demonstrar a necessidade do SUS disponibilizar as fórmulas às crianças com APLV, tanto é que alguns Estados, mesmo na omissão do Ministério da Saúde já passaram a fornecê-la. “A situação fere o direito de igualdade de acesso à saúde, pois uma criança nascida em São Paulo recebe o tratamento, enquanto que a nascida em Santa Catarina não. Especialmente as famílias mais carentes são as mais prejudicadas, pois não têm recursos para comprar a fórmula alimentar e a criança padece em risco nutricional”, afirma o procurador.

Da EBC

Arte RatoFX

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Meninas de 11 a 13 anos começam a ser imunizadas hoje (10) contra o papiloma vírus humano (HPV), principal causador do câncer de colo de útero. A orientação do Ministério da Saúde é que a primeira dose seja oferecida nas escolas (públicas e particulares), mas a vacinação também poderá ser feita em postos de saúde de todo o país.

A meta do governo é vacinar 80% do público-alvo, formado por 5,2 milhões de meninas. A vacina distribuída na rede pública previne contra quatro subtipos do HPV (6, 11, 16 e 18). Os subtipos 16 e 18 são responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer de colo do útero em todo o mundo.

Para se imunizar é preciso apresentar o cartão de vacinação ou um documento de identificação. Cada adolescente deverá tomar três doses para completar o esquema de proteção, sendo a segunda aplicada depois de seis meses, e a última, cinco anos após a primeira.

Em 2015, a vacina contra o HPV será oferecida para meninas de 9 a 11 anos e, em 2016, para as de 9 anos.

O câncer de colo de útero tem a terceira maior taxa de incidência entre os cânceres que atingem as mulheres, atrás apenas do câncer de mama e do câncer de cólon e reto.

Confira o esquema de vacinação adotado em todo o país:

Esquema de Vacinação

Fonte: Ministério da Saúde

Da EBC

Foto – Eric Gaillard/Reuters

A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) divulgou nesta quinta-feira (13) um texto em que reitera sua defesa à realização da mamografia anual a partir dos 40 anos. A recomendação do Instituto Nacional de Câncer (Inca) é de que o exame seja feito apenas a partir dos 50, e somente a cada dois anos. O comunicado da SBM foi escrito em resposta a um grande estudo canadense publicado esta semana pelo “British Medical Journal”, segundo o qual mamografias e exames clínicos anuais têm a mesma eficácia no que se refere a diagnóstico e mortalidade por câncer de mama.

A pesquisa contou com 90 mil mulheres de 40 a 59 anos, divididas em dois grupos: no primeiro, as participantes faziam mamografias todos os anos. No segundo, apenas o exame clínico anual (quando o médico apalpa as mamas e axilas para detectar possíveis alterações). O número de diagnósticos de câncer em ambos os grupos foi semelhante, assim como a mortalidade pela doença (500 e 505, respectivamente), em um acompanhamento que durou 25 anos. Os resultados para as mulheres de 40 a 49 anos também foram similares aos do grupo de 50 a 59 anos.

Em outras palavras, o estudo indica que submeter as mulheres a mamografias anuais pode não ser uma boa ideia. Não só pelo risco que a exposição acumulada à radiação que o exame envolve (e que a longo prazo pode aumentar a propensão ao câncer). Mas pelo alto índice de superdiagnóstico, ou seja, de tumores descobertos que não iriam necessariamente evoluir, levando mais mulheres a realizarem biópsias, cirurgias e tratamentos sem necessidade. Segundo o trabalho canadense, 22% dos cânceres detectados nas mamografias não precisariam ter sido tratados.

Outra realidade

Para a SBM, a realidade do Canadá difere do Brasil, já que lá o sistema de saúde é “mais adequado” e a mulher, “mais disciplinada”. “Essas duas situações juntas certamente contribuíram favoravelmente para que as mulheres que foram submetidas ao exame físico e encaminhadas para tratamento logo no início pudessem ter acesso ao serviço de saúde pública com rapidez, o que não acontece no Brasil”, diz o texto.

A entidade cita um trabalho publicado este ano pelo Grupo Brasileiro de Estudos em Câncer de Mama que mostra que mulheres brasileiras de vários Estados tratadas nos serviços privados tiveram o dobro de chance de apresentar o diagnóstico de câncer avançado em relação as que utilizam o sistema público. Essa diferença fez com que houvesse uma chance de 10% a mais das pacientes morrerem por câncer de mama no serviço público. Quem vai a médicos particulares ou tem planos de saúde sabe: os médicos em geral pedem uma batelada de exames, muitas vezes por exigência dos pacientes.

A SBM deixa claro que o Brasil ainda não conseguiu diminuir sua taxa de mortalidade por câncer de mama, o que já ocorreu no Canadá. “É possível verificar uma estabilização e discreta redução nas mortes no Sul do país, onde há rastreamento mais adequado, mas no Centro-Oeste e no Norte o índice ainda é bastante alto.

Será que os resultados teriam sido diferentes se o estudo tivesse feito no Brasil, e não no Canadá? Para o médico Arn Migowski, sanitarista e epidemiologista do Inca, não necessariamente. “A incidência de câncer de mama é maior lá; não se sabe exatamente a razão, mas provavelmente porque a população canadense é mais idosa, tem menos filhos e engravida mais tarde”, explica.

O médico ressalta que os tratamentos contra a doença evoluíram, o que diminui um pouco a importância do diagnóstico precoce. Também lembra que, em países onde as mulheres têm mais informação, o impacto dos rastreamentos também pode ser menor. E, nesse quesito, as brasileiras não estão muito bem: “Aqui acontece de a mulher ter um tumor palpável e só descobrir ao fazer a mamografia”, comenta.

Riscos

O representante do Inca afirma que a maioria dos casos de câncer é descoberta na apalpação, ou pelo médico, ou pela mulher, que percebe alguma alteração e marca uma consulta. E pondera, ainda, que os cânceres mais agressivos muitas vezes aparecem nos intervalos entre os exames e evoluem muito rápido. “Essa ideia de que a mulher tem um câncer grave porque não fez mamografia é equivocada”, diz.

Para Migowski, apesar de entender as limitações do Brasil, é preciso que as mulheres saibam que fazer a mamografia tem seus riscos. Primeiro, o de não detectar um tumor, o que pode acontecer, especialmente se as imagens e o laudo não tiverem qualidade. Segundo, o de descobrir um câncer de evolução lenta que talvez nem precisasse ser tratado (vale lembrar que a quimioterapia e a radioterapia têm efeitos a longo prazo). “A paciente tem a sensação de que a mamografia salvou sua vida, mas não é assim”, observa.

Para as mulheres, enquanto as entidades médicas não chegam a um acordo sobre a frequência mais adequada para realizar o exame, resta o conselho de conhecer bem o próprio corpo e ficar atenta a qualquer alteração. E o que é mais difícil: ter acesso, todo ano, a um médico atencioso, que saiba dosar os riscos e benefícios e pedir a mamografia quando necessário.

Do UOL

Ig
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