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A presidenta da SBPC, Helena Nader, fala do desafio de obter recursos para financiamento de projetos científicos no paísArquivo/Agência Brasil

De hoje (22) a domingo, a cidade de Rio Branco (AC) sedia um dos maiores fóruns para a difusão dos avanços da ciência e para debates de políticas públicas do país, a 66ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Às vésperas do evento, que ocorre desde 1948, a presidenta da entidade, Helena Nader, conversou com a Agência Brasil.

Para ela, a participação de indígenas e extrativistas nesta edição do encontro será fundamental. Depois de 14 anos de espera, a comunidade científica vê avançar no Congresso um projeto de lei que trata do acesso à biodiversidade. O projeto foi encaminhado pelo Executivo no fim de junho e deve tramitar em regime de urgência. “O momento é ideal, porque essa legislação influencia diretamente a esses dois grupos”, defende a presidenta a SBPC.

Durante a entrevista, ela citou a falta de financiamento como o principal entrave da ciência brasileira nos dias atuais. “Enquanto nós investimos 1,1% do PIB [Produto Interno Bruto], a China investe mais de 3%”, afirmou a cientista. “Se não tiver recursos, o Brasil não vai dar o salto”, disse a presidenta da SBPC destacando que a ciência também precisa do aporte do setor empresarial.

Helena Nader ressaltou ainda os preparativos para levar a reunião ao extremo oeste do país. Os voos estão esgotados, assim como as reservas nos hotéis. No entanto, até a semana passada, o encontro tinha menos inscritos que edições de anos anteriores. Até o momento, são 4,5 mil inscritos contra 22,9 mil no ano passado, no Recife (PE), e 11,9 mil, em São Luís (MA), em 2012. O número ainda pode crescer. A expectativa dos organizadores é reunir de 10 a 12 mil pesquisadores.

Veja, abaixo, os principais trechos da entrevista concedida por Helena Nader à Agência Brasil.

Agência Brasil: Quais são as novidades da 66ª Reunião da SBPC e qual será a importância da participação de indígenas e extrativistas?

Helena Nader: Este ano, teremos o Dia da Família na Ciência [ou SBPC Família]. Queremos trazer a família para dentro da SBPC, com atividades voltadas para esse público. Queremos desmistificar a ciência, mostrando para todos que ela está presente no dia a dia. Teremos palestras, atividades lúdicas, isso é uma novidade. A SBPC Indígena ocorre já há dois anos. A gente tem trazido as populações tradicionais para mais perto da comunidade científica com mais frequência. Nesta edição isso será especialmente importante porque recentemente, depois de 14 anos, o projeto de lei de acesso à biodiversidade foi encaminhado ao Congresso. Infelizmente, com um rótulo de regime de urgência. A gente espera que isso seja retirado. O projeto é bom, traz avanços, mas tem que ser melhor discutido. O momento é ideal para ter essas duas reuniões [SBPC Indígena e SBPC Extrativista], porque essa legislação influencia diretamente esses dois grupos.

Agência Brasil: Por que a escolha do Acre? Como estão os preparativos?

Helena Nader: São os estados e as universidades que se candidatam, o Acre pediu para sediar o que chamou de a maior das copas, a da educação e da ciência. A organização está fantástica. As pessoas da cidade estão muito envolvidas. Infelizmente, não tem mais pessoas vindo porque estourou o número de acomodações, embora muita gente esteja sendo acomodada em casas de estudantes e em casas de família. A enchente do Rio Madeira bloqueou o acesso a Rio Branco, que depende de uma balsa. Há hotéis novos que estão prontos, mas faltam algumas etapas. Há móveis que não conseguiram chegar. Mas isso não impede de fazermos uma grande reunião. Vamos ver a importância da Amazônia. O estado do Acre foi o que menos desmatou, mas nos últimos anos, 2012 e 2013, no Brasil, o desmatamento que vinha caindo, cresceu. Isso é um sinal vermelho. Vai precisar ter o desmatamento em alguns lugares, isso é óbvio, porque tem que dar condições de vida para a população, mas tem que fazer isso com equilíbrio.

Agência Brasil: Na pauta da ciência e tecnologia, qual o maior desafio atual?

Helena Nader: Os principais desafios continuam sendo o financiamento e um fluxo constante de financiamento. O Brasil melhorou, mas ainda está muito aquém do que precisa para dar aquele salto. Continuamos na 13ª posição em termos de publicação em periódicos indexados [registrados e avaliados]. Nosso impacto, em termos de publicações, tem aumentado, mas ainda está aquém do que o Brasil pode fazer. Enquanto nós investimos 1,1% do PIB [Produto Interno Bruto], a China investe mais de 3%. Para que façamos nosso gol, precisaríamos chegar a 2%. Por isso, lutei tanto pelos royalties do petróleo [que foram destinados para saúde e educação]. Vou continuar lutando pelo Fundo Social [do pré-sal], 50% vai para educação e saúde. Ainda tem mais 50%, vamos tentar por 10% em ciência. Se não tiver recursos, o Brasil não vai dar o salto. O setor empresarial também tem que investir mais. O governo é o que mais investe. O investimento, em muitos lugares, está meio a meio, mas há lugares onde o governo investe 100% e o setor empresarial, zero.

Da Agência Brasil

Usando marcadores genéticos, teste consegue antever se grávidas que tiveram contrações antes do tempo entraram mesmo em trabalho de parto.

Atualmente, grávidas com contrações antes da hora não têm como prever se terão bebês prematuros (Foto: BBC)

Especialistas canadenses desenvolveram um exame de sangue que pode prever as chances de uma mulher grávida, que sofre contrações antes do tempo, de ter um bebê prematuro.

Cerca de 5% das mulheres que começam a ter contrações antes das 37 semanas de gravidez dão à luz em até 10 dias, afirmam os especialistas, em pesquisa publicada na revista científica PlosOne.

Atualmente, mulheres com contrações antes da hora não têm formas confiáveis de saber se estão prestes a entrar em trabalho de parto ou se as contrações vão parar.

Em algumas ocasiões, são realizados esfregaços vaginais, mas esses testes muitas vezes podem acusar resultados errados.

O teste de sangue desenvolvido por pesquisadores do Mount Sinai Hospital, em Toronto, foi capaz de prever partos prematuros em 70% dos 150 casos analisados em um hospital na Austrália.

O cientista Stephen Lye explica que o exame de sangue se baseia na busca por marcadores genéticos ligados ao parto.

“Os dados indicam que marcadores no sangue de mulheres com contrações antes da hora são capazes de indicar as chances de elas darem à luz prematuramente ou não”, disse Lye.

“Isso trará benefícios para as mães, para o bebê e para o sistema de saúde”, acrescentou.

O exame será testado em um hospital em Toronto e deve estar disponível no mercado em cinco anos.

Do G1

Marco Civil da Internet

A presidenta Dilma Rousseff defendeu hoje (23) um modelo de governança global da internet que seja “multissetorial, multilateral, democrático e transparente”. Ela participou da abertura do NetMundial, encontro que ocorre até amanhã (24) em São Paulo e conta com participação de 80 países para discutir princípios de governança da internet e a proposta de um roteiro para a evolução do sistema. “A participação dos governos deve ocorrer em pé de igualdade sem que um país tenha mais peso”, declarou.

Dilma relembrou que a necessidade de promover um encontro como este surgiu, especialmente, a partir das denúncias de espionagem digital pelo governo dos Estados Unidos. “No Brasil, cidadãos, empresas, representações diplomáticas tiveram suas comunicações interceptadas. Estes fatos são inaceitáveis. Atentam contra a própria natureza da internet – aberta, plural e livre”, apontou. Esse fato fez com que o Brasil apresentasse uma proposta de estabelecimento de um marco civil global para a internet na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

A presidenta fez a defesa de que “os direitos que as pessoas em off line devem ser protegidos on line”, a exemplo do direito à privacidade. “Esta reunião é uma resposta a um anseio global por mudanças nas legislações vigentes e pelo fortalecimento sistemática da liberdade de expressão na internet e da proteção à direitos humanos básicos”, declarou. O encontro discutir e propor princípios de um modelo de governança a partir de 188 contribuições enviados por diferentes setores, como privado, acadêmico, sociedade civil, de 46 países.

O secretário-geral das Nações Unidas para temas econômicos e sociais, Wu Hongbo, destacou que a internet é essencial para disseminar informações e a governança, portanto, deve preservar essa característica. “Cada vez mais temos pessoas que podem fazer sua voz ser ouvida e podem participar da sociedade. Por isso é essencial que a governança da internet continue a estimular a liberdade de expressão e o fluxo livre das informações”, declarou. Ele lembrou que um terço das pessoas atualmente tem acesso à internet no mundo e, embora seja um número relevante, ainda é necessário ampliar a democratização da rede, especialmente nos países em desenvolvimento.

A representante da sociedade civil, a nigeriana Nnenna Nwakanna, que também participou da abertura da conferência, destacou que a internet está sendo cada vez mais um meio para acumulação de riqueza. “O direito ao desenvolvimento deve incluir a justiça social. Eu quero um mecanismo que inclua as pessoas e seja um meio de inovação para que a mente humana floresça”, defendeu. Também participaram representantes do setor privado, o vice-presidente da empresa Google, Vint Cerf; e técnico, o físico Tim Berners-Lee, criador da World Wide Web.

Da EBC

TO DO

TO DO LIST

Começo de ano é o momento ideal para montar e colocar seu planejamento financeiro em andamento, o que permitirá que você cumpra de forma organizada seus objetivos, sem passar por contratempos.

Esse é um processo, que para ser bem elaborado e praticado, pede um perfil de comportamento motivado e disciplinado: o cenário perfeito para a realização de seus sonhos a curto, médio e longo prazos.

Então vamos aos passos:

1) Observação

Aqui você lança uma visão aérea sobre a sua situação financeira, sem receios e resistências, e tem a dimensão de como as coisas estão atualmente, podendo compará-las em relação ao seu planejamento.

2) Assimilação

Neste ponto, você percebe realmente o que não está adequado ao contexto e começa a entender que mudanças são necessárias, se quiser realizar seus objetivos. É o famoso “cair a ficha”.

3) Conhecimento

Você deve se perguntar:

- “o que eu sei sobre finanças?”

- “qual o conhecimento necessário para diferenciar como chegar no sucesso financeiro e os porquês do fracasso financeiro”?

4) Objetivos

Chega o momento de rever a viabilidade de seus objetivos e concluir se eles devem ser mantidos, ajustados ou alterados, conforme os recursos possíveis. Quanto custa o seu sonho?

Em quanto tempo pretende realizá-lo?

5) Atitudes

Hora da verdade. O que você precisa fazer efetivamente para promover mudanças e conseguir realizar seus objetivos?

6) Investimentos

Fazer o dinheiro trabalhar para você é fundamental.

Conheça as características e riscos dos investimentos disponíveis, para saber quais se adequam ao perfil de suas necessidades e horizonte de tempo previsto para o seu planejamento.

Então, mãos à obra e $uce$$o!!

Elaine Mello

Elaine Mello

Por Elaine Mello, da PYXIS_Academia de Investimentos

A bailarina Luana estudará engenharia elétrica no MIT – Foto Arquivo Pessoal

A bailarina mineira Luana Lopes Lara, 17, aguarda ansiosamente o próximo mês. Em abril, a jovem vai conhecer a universidade em que estudará pelos próximos quatro anos a partir de agosto: o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos.

A estudante soube da notícia na última sexta-feira (14) e já se decidiu. Vai deixar a Escola do Teatro Bolshoi, em Joinville (SC), onde mora e estuda há três anos, para se dedicar ao curso de engenharia elétrica em uma das instituições mais conceituadas e concorridas do mundo.

“Eu sempre amei dançar e, por vezes, cheguei a pensar em ser bailarina profissional, mas também sempre quis estudar numa universidade de engenharia e fazer algo que pudesse mudar o mundo e ajudar as pessoas”, disse Luana, que recebeu a notícia de sua aprovação em Salzburgo, na Áustria, onde apresenta “O Lago dos Cisnes” com os integrantes brasileiros do balé russo Bolshoi.

“Nossa, eu estava ansiosa na sala da minha casa esperando [o resultado]. Daí li metade da carta de aprovação e já sai gritando. Comecei a chorar, abracei minhas amigas e liguei pros meus pais”, relembra.

A estudante recebeu uma bolsa de 20% e tentará mais um auxílio da Fundação Estudar, instituição sem fins lucrativos que apoia a formação de jovens brasileiros. Segundo ela, o gasto anual do curso é de cerca de 63 mil dólares.

Rotina, estudos e o balé

Luana soma em seu currículo uma série de títulos, como medalhas de ouro e bronze na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (2013) e na Olimpíada de Matemática de Santa Catarina (2012), respectivamente; prêmios de melhor aluna de seu colégio em Joinville; e melhor nota no curso escola avançada de engenharia mecatrônica da USP (Universidade de São Paulo).

O bom desempenho escolar da jovem é resultado de pouquíssimas horas de sono. “Tinha vezes que eu chegava a dormir 7 horas por semana. Meus pais ficavam super preocupados. Me mandavam dormir”, conta.

Em geral, das 7h20 às 12h30, a jovem fazia o ensino médio em uma escola particular focada nas áreas de ciência e tecnologia. Por volta de 13h15 ela chegava na sede do Bolshoi e saia de lá só às 19h45. Apesar do cansaço, a estudante tentava aproveitar todos os momentos livres durante a semana para estudar. Assim, conseguiria ter tempo livre nos finais de semana para sair com os amigos, ir ao cinema, assistir televisão.

Na época do vestibular, a estudante não focou muito na preparação para as provas brasileiras. Preferiu estudar para os exames de conhecimentos gerais SAT (Scholastic Aptitude Test) e para o de proficiência em inglês Toefl (Test of English as a Foreign Language), ambos exigidos pelas universidades norte-americanas.

“Desde pequena eu sonhava em estudar fora, mas foi depois de visitar minha irmã no campus da North Carolina State University [a irmã passou um ano estudando lá por meio do programa Ciência sem Fronteiras] que decidi que era isso que eu queria”, explica.

Em todo caso, decidiu fazer o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e conseguiu pontuação suficiente para estudar engenharia elétrica na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Para ela, a paixão pelo balé e pela engenharia provavelmente ajudou no processo de aceite do MIT. “Acho que o maior diferencial foi eu ser uma menina que dança balé e quer fazer engenharia [risos]“, brinca.

Com base em suas duas paixões, Luana pretende se especializar na área de robótica e deseja usar o que aprendeu com o balé para desenvolver movimentos robóticos mais orgânicos.

Mesmo tendo que deixar a escola do Bolshoi, ela faz questão de dizer que pretende continuar dançando. “Vou fazer aula no campus ou em alguma escola próxima”, destaca. “Quero que agosto chegue logo! Acho que vai ser bem difícil [no começo] e vou estranhar um pouco, mas acho que depois de um tempo vou conseguir acompanhar.”

Do Uol

 

Arte RatoFX

Arte RatoFX

Meninas de 11 a 13 anos começam a ser imunizadas hoje (10) contra o papiloma vírus humano (HPV), principal causador do câncer de colo de útero. A orientação do Ministério da Saúde é que a primeira dose seja oferecida nas escolas (públicas e particulares), mas a vacinação também poderá ser feita em postos de saúde de todo o país.

A meta do governo é vacinar 80% do público-alvo, formado por 5,2 milhões de meninas. A vacina distribuída na rede pública previne contra quatro subtipos do HPV (6, 11, 16 e 18). Os subtipos 16 e 18 são responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer de colo do útero em todo o mundo.

Para se imunizar é preciso apresentar o cartão de vacinação ou um documento de identificação. Cada adolescente deverá tomar três doses para completar o esquema de proteção, sendo a segunda aplicada depois de seis meses, e a última, cinco anos após a primeira.

Em 2015, a vacina contra o HPV será oferecida para meninas de 9 a 11 anos e, em 2016, para as de 9 anos.

O câncer de colo de útero tem a terceira maior taxa de incidência entre os cânceres que atingem as mulheres, atrás apenas do câncer de mama e do câncer de cólon e reto.

Confira o esquema de vacinação adotado em todo o país:

Esquema de Vacinação

Fonte: Ministério da Saúde

Da EBC

Foto – Eric Gaillard/Reuters

A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) divulgou nesta quinta-feira (13) um texto em que reitera sua defesa à realização da mamografia anual a partir dos 40 anos. A recomendação do Instituto Nacional de Câncer (Inca) é de que o exame seja feito apenas a partir dos 50, e somente a cada dois anos. O comunicado da SBM foi escrito em resposta a um grande estudo canadense publicado esta semana pelo “British Medical Journal”, segundo o qual mamografias e exames clínicos anuais têm a mesma eficácia no que se refere a diagnóstico e mortalidade por câncer de mama.

A pesquisa contou com 90 mil mulheres de 40 a 59 anos, divididas em dois grupos: no primeiro, as participantes faziam mamografias todos os anos. No segundo, apenas o exame clínico anual (quando o médico apalpa as mamas e axilas para detectar possíveis alterações). O número de diagnósticos de câncer em ambos os grupos foi semelhante, assim como a mortalidade pela doença (500 e 505, respectivamente), em um acompanhamento que durou 25 anos. Os resultados para as mulheres de 40 a 49 anos também foram similares aos do grupo de 50 a 59 anos.

Em outras palavras, o estudo indica que submeter as mulheres a mamografias anuais pode não ser uma boa ideia. Não só pelo risco que a exposição acumulada à radiação que o exame envolve (e que a longo prazo pode aumentar a propensão ao câncer). Mas pelo alto índice de superdiagnóstico, ou seja, de tumores descobertos que não iriam necessariamente evoluir, levando mais mulheres a realizarem biópsias, cirurgias e tratamentos sem necessidade. Segundo o trabalho canadense, 22% dos cânceres detectados nas mamografias não precisariam ter sido tratados.

Outra realidade

Para a SBM, a realidade do Canadá difere do Brasil, já que lá o sistema de saúde é “mais adequado” e a mulher, “mais disciplinada”. “Essas duas situações juntas certamente contribuíram favoravelmente para que as mulheres que foram submetidas ao exame físico e encaminhadas para tratamento logo no início pudessem ter acesso ao serviço de saúde pública com rapidez, o que não acontece no Brasil”, diz o texto.

A entidade cita um trabalho publicado este ano pelo Grupo Brasileiro de Estudos em Câncer de Mama que mostra que mulheres brasileiras de vários Estados tratadas nos serviços privados tiveram o dobro de chance de apresentar o diagnóstico de câncer avançado em relação as que utilizam o sistema público. Essa diferença fez com que houvesse uma chance de 10% a mais das pacientes morrerem por câncer de mama no serviço público. Quem vai a médicos particulares ou tem planos de saúde sabe: os médicos em geral pedem uma batelada de exames, muitas vezes por exigência dos pacientes.

A SBM deixa claro que o Brasil ainda não conseguiu diminuir sua taxa de mortalidade por câncer de mama, o que já ocorreu no Canadá. “É possível verificar uma estabilização e discreta redução nas mortes no Sul do país, onde há rastreamento mais adequado, mas no Centro-Oeste e no Norte o índice ainda é bastante alto.

Será que os resultados teriam sido diferentes se o estudo tivesse feito no Brasil, e não no Canadá? Para o médico Arn Migowski, sanitarista e epidemiologista do Inca, não necessariamente. “A incidência de câncer de mama é maior lá; não se sabe exatamente a razão, mas provavelmente porque a população canadense é mais idosa, tem menos filhos e engravida mais tarde”, explica.

O médico ressalta que os tratamentos contra a doença evoluíram, o que diminui um pouco a importância do diagnóstico precoce. Também lembra que, em países onde as mulheres têm mais informação, o impacto dos rastreamentos também pode ser menor. E, nesse quesito, as brasileiras não estão muito bem: “Aqui acontece de a mulher ter um tumor palpável e só descobrir ao fazer a mamografia”, comenta.

Riscos

O representante do Inca afirma que a maioria dos casos de câncer é descoberta na apalpação, ou pelo médico, ou pela mulher, que percebe alguma alteração e marca uma consulta. E pondera, ainda, que os cânceres mais agressivos muitas vezes aparecem nos intervalos entre os exames e evoluem muito rápido. “Essa ideia de que a mulher tem um câncer grave porque não fez mamografia é equivocada”, diz.

Para Migowski, apesar de entender as limitações do Brasil, é preciso que as mulheres saibam que fazer a mamografia tem seus riscos. Primeiro, o de não detectar um tumor, o que pode acontecer, especialmente se as imagens e o laudo não tiverem qualidade. Segundo, o de descobrir um câncer de evolução lenta que talvez nem precisasse ser tratado (vale lembrar que a quimioterapia e a radioterapia têm efeitos a longo prazo). “A paciente tem a sensação de que a mamografia salvou sua vida, mas não é assim”, observa.

Para as mulheres, enquanto as entidades médicas não chegam a um acordo sobre a frequência mais adequada para realizar o exame, resta o conselho de conhecer bem o próprio corpo e ficar atenta a qualquer alteração. E o que é mais difícil: ter acesso, todo ano, a um médico atencioso, que saiba dosar os riscos e benefícios e pedir a mamografia quando necessário.

Do UOL

Arte RatoFX

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O estudo, um dos maiores já feitos sobre o exame, foi feito ao longo de 25 anos com cerca de 90 000 mulheres

Um novo estudo feito no Canadá concluiu que submeter-se a mamografia todos os anos não diminui o risco de morte por câncer de mama em comparação com realizar apenas exames físicos para detectar a doença. A pesquisa, uma das maiores já realizadas sobre o assunto, avaliou cerca de 90 000 mulheres de 49 a 59 anos ao longo de 25 anos.

Ainda segundo o trabalho, um em cada cinco casos de câncer de mama diagnosticados pelo exame durante o estudo não representava uma ameaça à saúde da mulher — ou seja, não precisaria ser combatido com quimioterapia, radioterapia ou cirurgia.

Exame — A mamografia é indicada para a detecção precoce de câncer de mama. Não há uma regra que determine a partir de qual idade uma mulher deve ser submetida ao exame, ou com qual periodicidade. O que existem são recomendações de entidades médicas e órgãos públicos a partir de fatores econômicos e pesquisas consistentes sobre o assunto. O Instituto Nacional do Câncer (Inca), por exemplo, recomenda a mamografia a cada dois anos para mulheres entre 50 e 60 anos.

As diferentes diretrizes e a postura dos médicos sobre a mamografia estão longe de alcançar um ponto em comum. Por um lado, o exame pode detectar tumores potencialmente agressivos, de modo que as pacientes comecem um tratamento precoce e aumentem suas chances de sobreviver. Por outro, existe a possibilidade de haver diagnósticos em excesso, ou seja, de detectar e tratar cânceres inofensivos, que não apresentariam sintomas ou colocariam a vida da paciente em risco.

Comparação — No novo estudo, que começou em 1988, parte das participantes foi submetida a mamografias e exames físicos anuais durante cinco anos. Em um grupo de controle, ficaram as participantes que fizeram apenas os exames físicos. Todas foram acompanhadas ao longo dos anos seguintes.

Até o final do estudo, 3 250 mulheres do grupo da mamografia e 3 111 do grupo de controle foram diagnosticadas com câncer de mama, sendo que a doença resultou na morte de 500 e 505 delas, respectivamente. Ou seja, a taxa de mortalidade foi praticamente a mesma. A pesquisa completa foi publicada nesta terça-feira no periódico British Medical Journal.

De acordo com os pesquisadores, os resultados sugerem que é necessária a reavaliação de algumas características do rastreio do câncer de mama pela mamografia. Em um editorial publicado junto com o estudo, pesquisadores da Universidade de Oslo, na Noruega, defendem que mamografia anual não deve ser recomendada a mulheres com menos de 60 anos. Eles concordam que a indicação da mamografia precisa ser revista – mas acreditam que seria uma tarefa difícil, já que “o governo, fundos de pesquisa, cientistas e médicos podem ter interesse em continuar as atividades assim como estão estabelecidas”, escrevem.

Contraponto — Segundo a radiologista Elvira Marques, diretora do serviço de imagem das mamas do Hospital A. C. Camargo, a pesquisa canadense apresenta uma série de ressalvas. “As cinco mamografias anuais do estudo foram realizadas entre 1988 e 1992. Desde então, a qualidade do mamógrafo aumentou, a técnica do exame foi aperfeiçoada e a preparação das pessoas que realizam o exame está melhor”, disse a médica ao site de VEJA. “Além disso, as pessoas que realizaram as mamografias nesse estudo foram treinadas durante apenas um mês, o que é muito pouco.”

Em entrevista ao jornal The New York Times, Richard Wender, da Sociedade Americana do Câncer, disse que a combinação dos resultados de estudos sobre mamografia mostra que, na verdade, o exame reduz a taxa de mortalidade por câncer de mama em ao menos 15% entre mulheres na faixa dos 40 anos e em 20% ou mais entre pacientes mais velhas. Segundo ele, a mamografia, assim como o avanço dos tratamentos contra a doença, é responsável pela queda do número de mortes pela doença.

Da Veja.com

Apenas 39% da população feminina brasileira com mais de 45 anos já fizeram algum teste para detectar a osteoporose, doença que atinge majoritariamente as mulheres

De acordo com estudo da Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (Abrasso), uma em cada três brasileiras vai desenvolver osteoporose, doença que enfraquece os ossos, após a menopausa. Detalhe: 90% delas não consomem a quantidade ideal de cálcio, presente principalmente em leite e derivados.

Segundo a Abrasso, cerca de 10 milhões de brasileiros sofrem com o problema. Mesmo com esse número assustador, apenas 39% da população feminina com mais de 45 anos já fizeram algum teste para detectar a doença que atinge majoritariamente as mulheres – a proporção é de dez para cada homem.

A prevenção, segundo a entidade, deveria começar na infância, por meio de alimentação adequada e, claro, ser rica em cálcio. A gravidade do quadro é que, por ser uma doença silenciosa, que não causa dor, muitas vezes só é descoberta após a primeira fratura.

Perigo: fratura nos quadris

O assunto merece atenção: a International Osteoporosis Foundation (IOF) calcula que o número de fraturas no quadril, em decorrência do problema, deve crescer 32% até 2050 no Brasil. O dado se baseia no envelhecimento da população: o número de indivíduos com mais de 70 anos aumentará 380% até 2050, representando 14% do total.

As fraturas são o maior risco, especialmente as de quadril – sabe-se que 20% das mulheres que apresentam este tipo de fratura morrem até um ano depois da queda em decorrência de complicações.

Com a idade, é esperada que haja perda óssea: se ela é normal, será de 0,5% por ano a partir dos 45 anos. Uma perda equivalente a 25% do esqueleto, no entanto, leva à grande possibilidade de fratura – e, quando atinge este ponto, está instalada a osteoporose.

Segundo o IOF, o fator genético é responsável por 80% da formação óssea de um indivíduo: o restante dependerá dos hábitos (aquisição de cálcio, prática de atividades físicas) de cada um. A exposição ao sol – cerca de 15 minutos, três vezes por semana – também é fundamental para alavancar a absorção do mineral.

Quem tem mais tendência

Entre as causas e fatores de risco, destacam-se história familiar da doença; pessoas de pele branca, baixas e magras; asiáticos; deficiência na produção de hormônios; medicamentos à base de cortisona, heparina e no tratamento da epilepsia; alimentação deficiente em cálcio e vitamina D; baixa exposição à luz solar; sedentarismo; tabagismo; consumo de álcool; certos tipos de câncer; e algumas doenças reumatológicas, endócrinas e hepáticas.

“O perigo maior é porque estamos falando de uma moléstia de instalação silenciosa”, adverte Denise Ludovico, endocrinologista pediatra da ADJ Diabetes Brasil, pesquisadora clínica do Centro de Pesquisas Clínicas (CPClin), em São Paulo.

“A dor, que seria o único sintoma, somente ocorre quando acontece a fratura”, salienta Felipe Henning Gaia Duarte, doutor em Endocrinologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Já Thiago Martins, fisioterapeuta pós-graduado em Ortopedia e Traumatologia pela USP (Universidade de São Paulo) e especializado em idosos lembra que a fratura ocorre porque o osso está poroso, já que perdeu massa progressivamente.

“Na menopausa, quando a perda de massa óssea ocorre de maneira intensa e rápida por causa das alterações hormonais, o problema é agravado”, conclui Marco Antonio Ambrósio, com especialização em Ortopedia e Traumatologia pelo Instituto de Ortopedia Clínica da USP.

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O número global de mortes por câncer subiu para 8,2 milhões em 2012, refletindo principalmente a expansão da doença nos países em desenvolvimento. Os casos de câncer de mama foram os que mais cresceram.

A mortalidade por câncer subiu 8% em relação aos 7,6 milhões da pesquisa anterior, em 2008, segundo dados da Agência Internacional para a Pesquisa do Câncer (Iarc, na sigla em inglês), da OMS (Organização Mundial da Saúde).

O câncer de mama matou 522 mil mulheres no ano passado, alta de 14% no mesmo período.

“O câncer de mama também é uma importante causa de morte nos países menos desenvolvidos do mundo”, disse David Forman, diretor do Departamento de Informação sobre o Câncer da Iarc.

Segundo ele, tal expansão “se deve em parte a uma mudança no estilo de vida… e em parte porque os avanços clínicos para o combate à doença não estão chegando às mulheres que vivem nessas regiões”.

Estima-se que 14,1 milhões de pessoas tenham desenvolvido câncer em 2012, o que é cerca de 1,4 milhão a mais do que em 2008. Houve 1,7 milhão de diagnósticos de câncer de mama no ano passado, ou 20% a mais do que em 2008.

O relatório da Iarc, chamado Globocan 2012, oferece a mais atualizada estimativa a respeito de 28 tipos de câncer em 184 países. No conjunto da população, os cânceres mais comuns são os de pulmão, mama e colorretal. Os mais letais são os de pulmão, fígado e estômago.

A Iarc ainda prevê um “aumento substancial” nos casos mundiais de câncer, podem chegar a 19,3 milhões em 2025, acompanhando a expansão e envelhecimento da população.

Outro fator importante para o avanço da doença é a difusão de estilos de vida antes restritos a países industrializados, o que provoca um aumento nos casos de câncer relacionados à reprodução, dieta e hormônios.

O relatório diz que a incidência do câncer aumenta na maioria das regiões do mundo, mas que há “enormes desigualdades” entre nações ricas e pobres.

Embora o câncer ainda seja mais prevalente nas regiões mais desenvolvidas, a mortalidade é relativamente muito maior nos países menos desenvolvidos, por causa da dificuldade de diagnóstico precoce.

“Uma necessidade urgente para o controle do câncer hoje é desenvolver abordagens eficazes e acessíveis para a detecção precoce, diagnóstico e tratamento do câncer de mama entre mulheres que vivem em países menos desenvolvidos”, disse Christopher Wild, diretor do Iarc

Do Uol

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