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Com temática universal mesclada por situações locais, o cineasta Asghar Farhadi conquista a estatueta de Melhor Filme Estrangeiro e chega onde o Brasil nunca chegou

Separação (Jodaeiye Nader az Simin, Irã - 2011)

 A Odisséia de um cineasta no regime dos Aiatolás – O cineasta iraniano Asghar Farhadi, autor do (bom) À Procura de Eli, já podia ser considerado vencedor bem antes da conquista do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, semana passada. Aliás, a primeira estatueta do Irã. Seu mais novo trabalho, Separação (Jodaeiye Nader az Simin, Irã – 2011) conseguiu a proeza de ser um filme bem realizado, inesquecível. Driblando as prováveis, talvez muitas, restrições impostas à atividade cinematográfica vigentes em país sob a tutela de padrões religiosos ortodoxos, ele apresentou ao mundo drama marcante, enriquecido por interpretações irrepreensíveis. Mirou sua câmera na intimidade de duas famílias de condições sociais distintas, na Teerã dos tempos atuais. E conseguiu lapidar história envolvente, não-maniqueísta, que poderia ter ocorrido em Nova York, Los Angeles, Buenos Aires ou Rio de Janeiro. Seu jeito de fazer cinema é universal, portanto. Em vez de formular pedagogia contra os excessos do regime, Farhadi constrói situações cotidianas nas quais a voz dos personagens, de forma melodramática, explicita situações absurdas, como a da diarista que precisa telefonar para um parente a fim de saber se seria pecado fazer o asseio em idoso com incontinência urinária. O filme segue emocionando e surpreendendo, ao tratar no mesmo nível de importância os personagens masculinos e femininos.

Resumo da história - Famílias que aparecem nos filmes do Irã de hoje devem sempre ser compostas pelo casal e, pelo menos, por um filho. É a maneira de sublinhar ensinamento basilar do Alcorão, que é taxativo ao se referir ao objetivo da união entre um homem e uma mulher: a procriação. Dessa situação, Farhadi extrai o argumento que vai segurar a narrativa até o final, que é o medo de uma adolescente, Termeh (Sarina Farhadi), de 11 anos. Sofre com a perspectiva da separação de seus pais, pessoas de classe média, com certas posses e confortos. A mãe, médica, Simin (a bela Leila Hatami), no entanto, determinada, dá um tempo na relação com o marido bancário, Nader (Peyman Moadi), e vai morar com os pais. E leva junto a esperança de que ele libere a filha. Seu desejo: ambas irem morar no exterior. A ideia não desagrada Nader. Mesmo assim, ele apresenta obstáculo intransponível para deixar o país. O seu pai (Ali-Asghar Shalbagi) padece de demência em estado avançado. “Ele já nem se lembra do seu nome, muito menos quem é você”, arremata Simin. “Acontece que eu sei que ele é meu pai. E ponto final”. A saída de cena de Simin obriga Nader a contratar uma diarista. Surge, Razieh (Saret Bayat), mulher pobre, humilde, sempre acompanhada de filhinha (Kimia Hosseini), com menos de seis anos. O que Nader não sabe é que o marido de Razieh, Hodjat (Shabat Hosseini), um sapateiro desempregado e cheio de dívidas, ignora a iniciativa da mulher de procurar emprego. Rude e autoritário, sinaliza que jamais a deixaria trabalhar. É nesse jogo de desencontros que o filme se estrutura e vai até o final, impulsionado por medos, vaidades, arrogância e egoísmo, latentes e recalcados. No final, a platéia pergunta como tudo vai se resolver. Qual será a sentença final, justa ou injusta? Como acontece com o cinema de Farhadi, todas as portas continuam abertas.

O primeiro grande mérito do diretor - Mesmo oriundo de país marcado por situação política complexa, Farhadi é hábil escultor de temas universais, aos quais junta certo tempero iraniano. Em A Separação, contrapõe desejo de mãe — mulher esclarecida, que almeja dias melhores para a família — e filha adolescente que, como a grande maioria das pessoas naquela faixa etária(em escala mundial), tende a se considerar culpada por eventual separação dos pais. Certamente, bem mais tarde, já adulta e tendo ela mesma vivenciado suas próprias experiências, bem ou mal sucedidas, Termeh irá constatar que seu desejo (passado) de manter os pais juntos de qualquer jeito estava desconectado da realidade. Mas, Termeh, no filme, tem apenas 11 anos.

O segundo grande mérito do diretor - Urdiu situação baseada em conflitos domésticos, onde as partes envolvidas se sentiam injustiçadas não por estarem sendo responsabilizadas pelo que cometeram, mas, sobretudo, por aquilo que não foram capazes de controlar. Agradou pelas sutilezas com que tratou os ângulos agudos de situações aparentemente intransponíveis. Sem discriminação cultural ou demagogia. E conseguiu ser o preferido dos mais de seis mil jurados do Oscar. Quase todos americanos.

Universalidade, o caminho para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro

A Argentina, de O Segredo dos Seus Olhos, já sabe que os jurados do Oscar raramente se encantam por produções com foco em situações exclusivamente locais. Também já o sabem Áustria, Holanda, Japão, Israel, Líbano, México, Espanha, Suécia, além, evidente, da França e da Itália. E, agora também o Irã, com litígios aparentemente insolúveis com os Estados Unidos. Resta saber quando o Brasil, de enormes talentos como Walter Salles e Fernando Meirelles, vai entender isso de uma vez por todas. Pelo visto, ainda vamos esperar (muito) pela sonhada estatueta. Nosso representante nesse ano foi Tropa de Elite 2, de José Padilha. . .

Por  José  Jardelino da Costa Jr.    

Duas empresárias que se destacaram em suas atividades representam a unidade federativa na etapa nacional do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios.

Vencedora da etapa distrital do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios. Foto: Lorena Lopes/BG Press.

Ser dona do próprio negócio é o sonho de muitas brasileiras. Essas mulheres não medem esforços para alcançar esse objetivo e, em nome dele, conseguem vencer todas as dificuldades que surgem pelo caminho. Para participar da etapa nacional do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios, as empresárias vencedoras da etapa distrital da premiação, Carla Gomes, proprietária do Espaço Bela Mulher, e Santina Gonçalves, representante da Associação Mãos de Mulher, vão representar o Distrito Federal. O evento será realizado no dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, em Brasília.

As candidatas de destaque concorrem, na próxima semana, com participantes de todo o Brasil. Entre os critérios de avaliação das histórias de sucesso inscritas estão superação de discriminação da mulher, participação ativa nos negócios, perseverança e superação dos desafios.

Carla Gomes iniciou a empresa com apenas R$500 de capital inicial. Resolveu montar uma clínica de estética na suíte que sobrava em sua casa. Em uma semana de funcionamento precisou mudar para um espaço de 25m² em razão da enorme procura de clientes. Pouco tempo depois, migrou para um imóvel com 52 m² e o faturamento triplicou.

Porém, Carla não contava com um grave problema de saúde que surgiu em meio a sua trajetória, no momento em que descobriu que estava grávida. Mesmo assim não desanimou, procurou tratamento médico, e hoje comemora a saúde e o sucesso profissional: o Espaço Bela Mulher conta com 140 m² com estacionamento privativo, recepção com TV LCD e TV a cabo, seis salas, um consultório, SPA com banheira de hidromassagem com Cromoterapia. Para atender os clientes, a empresa conta com oito colaboradores e dois parceiros, entre médico esteta, nutricionista, massoterapeuta e depiladora.

Na categoria negócios coletivos, a empreendedora Santina Gonçalves se destacou ao relatar sua história à frente da Associação das Bordadeiras, Crocheteiras e Costureiras do Bairro Morro Azul, em São Sebastião (DF). Ela enfrentou adversidades e constantes mudanças até conseguir lucrar com a produção de tapetes e fuxicos.

Santina cresceu tanto que teve seu trabalho reconhecido até mesmo em telenovelas. “Quando iniciamos o grupo, tive que aprender atividades complementares, pois antes cuidava apenas da produção. Agora precisava pensar em coleções inteiras. Contei muito com o apoio do Sebrae no DF para enfrentar dificuldades e aumentar minhas habilidades”, reconhece.

 A Invenção de Hugo Cabret é uma fantástica e surpreendente declaração de amor ao Cinema

A Invenção de Hugo Cabret (Hugo – EUA – 2011)

 Scorsese em ritmo de aventura – O cineasta Martin Scorsese adentra em terreno inédito. Saem de cena os psicopatas e esquizofrênicos de todos os gêneros que habitaram vários dos seus magníficos filmes (Táxi Driver, Touro Indomável, Infiltrados, Cassino, O Aviador, Cabo do Medo). Em A Invenção de Hugo Cabret (Hugo – EUA – 2011), eles foram substituídos por referências aos tipos imaginados por Victor Hugo, Alexandre Dumas e Júlio Verne, em ambiente compatível: Paris do início do século vinte. Mais especificamente, a estação de trem da Cidade-Luz, onde quase toda a trama se desenvolve. A conexão com três dos maiores autores literários franceses vai se desdobrar em citação aos Irmãos Lumière. Eles inventaram o cinematógrafo, que surpreendeu os franceses e o mundo com as antológicas imagens em movimento de cotidiano trem chegando numa estação. Nascia o cinema. Com esses elementos, Scorsese construiu o argumento de história fantástica e surpreendentemente não-maniqueísta. O personagem-protagonista que inspira o título, um menino-órfão, agirá no sentido de despertar sentimentos inconscientes nos adultos com quem irá interagir e lhes modificará para sempre as suas vidas.

Resumo da história – Hugo Cabret (Asa Butterfield) é um menino esperto, mal chegado à adolescência. E órfão, numa Paris encantadora nas aparências, mas crudelíssima com quem teve a desventura de perder precocemente o pai e cair nas mãos de tio quase sempre bêbado, cuja função era a de manter os relógios da estação de trem de Paris em funcionamento e sincronizados. A alternativa seria ir para um orfanato, perspectiva que apavorava o garoto. Submete-se às sempre crescentes ausências do tio e começa, ele mesmo, a controlar os relógios da estação. É lá onde mora em cubículo esquecido, no qual conserva inusitado legado de seu pai (Jude Law), relojoeiro habilidoso e sonhador. Era um simulacro de andróide que se movimentava a partir dos mesmos mecanismos dos relógios de corda. Para fazer a engenhoca funcionar teria que contar com a ajuda de outro relojoeiro, dono de pequena loja no local, o ranzinza Georges Méliès (Ben Kingsley), que esconde passado inimaginável. Com a ajuda da afilhada deste, Isabelle (Chloe Moretz), Hugo chegará a segredos cuidadosamente camuflados. Eles estarão entrelaçados com a solução de que precisa para fazer o seu “robô” voltar a funcionar. Vencer as resistências do sorumbático Méliès não será o único desafio para a sagacidade de Hugo. Ele terá que se livrar da perseguição do guarda da estação (Sacha Baron Cohen), mutilado de guerra, com perna mecânica e cachorro (Maximillian) hostil, que perseguirá Hugo com persistência semelhante a do inspetor Javert no encalço de Jean Valjean — ambos personagens de “Os Miseráveis”, de Victor Hugo. A vida pregressa de Méliès, a ser descoberta por Hugo, será a deixa para Scorsese fazer bela homenagem aos pioneiros da arte cinematográfica. Com imagens digitais em 3D, decifrará para o espectador os segredos mágicos dos primeiros filmes, em sequências extraordinariamente bem dirigidas e produzidas.No final, o diretor ainda encaixará reflexão filosófica-existencialista na fala do adolescente Hugo: “O mundo é uma grande máquina que não dispõe de peças sobressalentes. Se você (dirigindo-se a Isabelle) e eu estamos aqui, é por algum motivo”. Instigante fecho para a fabulosa aventura de menino sonhador, apaixonado pelo futuro. Aqui o adjetivo “fabulosa” se desvincula de outros laudatórios, como grandiosa, magnífica, para sublinhar ligação com bela fábula, o que realmente o filme é.

Scorsese encontra Spielberg e o francês Michel Hazanavicius no mesmo Oscar – Três ótimas produções que concorrem à estatueta de melhor Filme e Melhor Diretor no Oscar do próximo domingo têm seus enredos entrelaçados. A Invenção de Hugo Cabret apresenta argumento semelhante ao de O Artista, de Michel Hazanavicius: magnífica homenagem ao Cinema e aos extraordinários talentos que o conceberam e aperfeiçoaram. Ambos também se estruturam em roteiros rocambolescos, exatamente como Cavalo de Guerra (dirigido por Steven Spielberg), que concorre no mesmo páreo (Melhor Filme e Melhor Diretor). Mais: a Primeira Guerra Mundial, que move o herói equino de Spielberg, será a resposta para as perguntas sobre o mistério do enigmático Méliès. Nunca antes na história do Oscar houve situação parecida.

Scorcese dá novo e bem-vindo tom para a aventura no CinemaA Invenção de Hugo Cabret tem como (bom) atributo a simplicidade; não é uma história nervosa e cheia de detalhes que deixam a platéia tonta. Também foi cuidadosamente editado para evitar conotação pessimista, por mais tristes que sejam alguns eventos. Os personagens, por sua vez, vivem situações improváveis, mas, bem dirigidos, têm aparência “humana”, e ficam a anos-luz dos tipos caricatos. A simplicidade do roteiro, no entanto, traz embutida tema complexo e profundo: a guerra, como devastadora de sonhos e de vidas. Essa mistura faz o filme decolar, tal e qual os primeiros arquétipos de foguetes imaginariamente dirigidos para a Lua.

Filme diz muito, sem mostrar pouco – Além do maestro Scorsese na direção, A Invenção de Hugo Cabret conta com elenco raro: Ben Kingsley repete performances que o notabilizaram (Ghandi, Fatal). O menino Asa Buterfield passa autenticidade a personagem determinado e discretamente otimista. Tem na garota Chloe Moretz o contraponto ideal para sua performance. Há ainda o impagável Sacha Baron Cohen (Borat), como o guarda da estação, que consegue a proeza de fazer o que faz, sem parecer cem por cento ridículo ou abominável. Elenco de apoio, com astros como Jude Law (o pai), Emily Mortimer (a florista da estação, que encanta o guarda) e Helen McCrory como, Mama, a esposa de Méliès, aparentemente resignada, mas dona de força inesperada para induzir mudanças comportamentais surpreendentes no marido, formam conjunto sem o qual Scorsese não poderia ter avançado como avançou em sua já magistral filmografia.

Escrito por José Jardelino da Costa Júnior
 com a colaboração de Camila Costa. 

Atriz já foi indicada 17 vezes ao maior prêmio da indústria. Ela venceu por sua interpretação de Thatcher em ‘A dama de ferro’.

Meryl Streep durante seu discurso de agradecimento (Foto: Reuters)

Ovacionada de pé por seus colegas, a norte-americana Meryl Streep ganhou na noite deste domingo (26) o terceiro Oscar de sua carreira. O prêmio de melhor atriz veio por sua interpretação da primeira-dama britânica Margaret Thatcher no filme “A dama de ferro” – as duas vitórias anteriores aconteceram em 1980, quando levou o prêmio de atriz coadjuvante por “Kramer vs. Kramer”, e em 1983, quando venceu a categoria de melhor atriz por seu trabalho em “A escolha de Sofia”.

Ela abriu seu discurso agradecendo o marido, por medo de que o limite de tempo a impedisse de dizer seu ‘obrigada’ a ele. E encerrou declarando que queria aproveitar para agradecer a todos os seus colegas e amigos, “porque acho que nunca mais estarei aqui de novo”.

Meryl Streep é a atriz mais vezes indicadas ao Oscar na história, tendo concorrido 17 vezes, recorde que demonstra sua credibilidade dentro da indústria. A marca, no entanto, tem um lado amargo – com tantas disputas, Streep é também a atriz que mais vezes esperou em vão ter seu nome chamado. O fato foi notado pelo apresentador Billy Cristal, que aproveitou para fazer uma piada, dizendo que só por ter tido que aguentar tantos discursos de agradecimento de outros atores ela já merecia um Oscar.

Do G1

Mardi Gras

O Carnaval que existe hoje vem da sociedade vitoriana. Copiado de Paris por Nice, Nova Orleans e Rio de Janeiro. O Rio criou um estilo próprio a partir do que havia copiado. Acrescentou o desfile das escolas de samba e com isso ganhou pompa e magnitude. Virou uma festa suntuosa e diferente que, por sua vez, foi copiada por São Paulo, Tóquio e, pasmem, Helsinque.

Dizem que a origem dessa festa aconteceu na Grécia. Servia para agradecer aos deuses pela fertilidade do solo, produção e boas colheitas. A palavra vem do latim “carne vale” que significa “adeus à carne”. Era feita de cultos e cânticos.

Hoje em dia poderia ser ad carne, lorem carne, grata carne. (Não entendeu? Google tradutor existe pra isso!)

Pois bem, depois dos gregos vieram os romanos que adoraram a festinha e introduziram vinho e sexo. Tornando-a mais aprazível, ao menos, aos olhos do povo. Uma festança na minha visão! Dionísio, Baco, Saturno e, é claro, Pã se divertindo horrores e tomando bons drink. A igreja, não curtiu nadinha e censurou geral, adotou a festa e baniu os atos pecaminosos.

Isso tudo rolou na visão de alguns historiadores. Encontramos, ainda, a origem do carnaval no Egito com festas dedicadas à Ísis e ao Touro Apis, nos bacanais romanos e , também, com o entrudo português. Enfim, independentemente da origem, sempre foi festa.

Não sou fã número um do carnaval, mas aproveito o feriado para fazer alguma coisa diferente. Mesmo que seja “tirar o atraso” do sono. Já tive catapora, fugi pra Porto Alegre uma vez, outra fui pra Nova Iorque. Duas vezes me joguei na esbórnia: Salvador e Diamantina. No último ano aproveitei os dias extras pra me recuperar de uma cirurgia.

Esse ano vou trabalhar. Sexta, sábado e um pouquinho do domingo. É. Inusitado, não? Vamos fingir que eu estou gostando disso pra não começar a ladainha das reclamações sem fim.

Ainda aproveitarei segunda e terça. Ah, quarta também! Já que os meus princípios não me permitem trabalhar na quarta-feira de cinzas. E se alguém da repartição reclamar, paciência, é só lembrar quem passa o Natal e o Ano Novo lá na seção, ok?

Despeço-me desejando um excelente carnaval. Pra quem vai viajar e pra quem programou uma boa hibernada. Pra quem vai tomar todas, pra quem não bebe nada. Pra quem vai trabalhar e resmungar também. Enfim, pra todos!

Boa festa e juízo.

(pouquinho, né!)

Carolina Vianna

 

Carolina Vianna é fotógrafa, Poderosa e escreve para o Mulheres no Poder.

Meryl Streep é recordista de indicações ao Oscar Foto: Getty Images

A atriz norte-americana Meryl Streep, recordista de indicações ao Oscar com 17 nomeações, recebeu, nesta terça-feira (14) um Urso de Ouro honorário no Festival de Berlim em homenagem a seus 40 anos de carreira.

Streep está em Berlim para divulgar seu mais recente filme, A Dama de Ferro, que não concorre na mostra principal da Berlinale. Sua atuação como Margaret Thatcher no longa lhe rendeu mais uma indicação ao Oscar – a atriz é uma das favoritas a vencer a categoria, pela terceira vez.

Na tarde desta terça, durante uma concorrida entrevista coletiva de divulgação de A Dama de Ferro, Streep foi surpreendida por um buquê de flores entregue por um repórter austríaco e uma coleção de bonecas russas desenhadas com seu rosto e trajes de seus personagens marcantes.

Mesmo acostumada às glórias das premiações, a atriz garantiu na entrevista que ainda sente “borboletas no estômago” a cada novo reconhecimento. “É muito estranho estar numa posição em que as pessoas chegam pra você e dizem: ‘eu acho que você vai ganhar’ ou ‘esse ano você não ganha’. Parece um esporte, um jogo que você não pediu pra participar. Me sinto me preparando para o Super Bowl!”

Do Terra

Feliz dia de São Valentim!

Novo filme de Clint Eastwood usa Freud para explicar a persona de um dos mais poderosos americanos do século 20

J.Edgar - EUA - 2011

Eastwood em seu filme mais freudiano – Em J.Edgar (J.Edgar – EUA – 2011), o cineasta Clint Eastwood literalmente retira o pano que sempre encobriu a personalidade de um dos mais poderosos americanos do século 20. Ninguém menos do que J. Edgar Hoover, fundador e líder supremo do Federal Bureau of Investigations – FBI, por quase cinco décadas. O enredo coloca sonda no inconsciente do personagem e, a partir dali, acende holofote sobre as fraquezas de quem tentou, sempre, se mostrar duro como um rochedo, por fora. O quarteto principal reúne arquétipos freudianos conhecidos: mãe castradora, Annie Hoover (Judi Dench, magnífica) e filho submisso, Edgar, que reprime e tenta esconder suas inclinações sexuais, por sentir medo da mãe, numa relação edipiana mal resolvida (Leonardo di Caprio, em grande performance, atingiu o que parecia impossível, que foi superar a sua atuação em O Aviador, quando incorporou o lendário magnata Howard Hughes). Há ainda o melhor amigo Clyde Tolson (Armie Hammer, perfeito em seu desempenho), como”libertador” das pulsões sexuais recalcadas, alvo da paixão do outro, devidamente correspondida. E mulher bela e jovem (Helen Gandy, vivida por Naomi Watts, igualmente estonteante na vida real), assexuada declaradamente, que aceita ser a eterna e fiel secretária, depositária inexpugnável dos maiores segredos políticos e sexuais dos Estados Unidos, no período entre 1924 e 1972. Cinebiografia eficiente, que provoca no espectador a sensação de ter assistido narrativa contendo autêntico retrato falado (e filmado) do poderoso chefão da polícia federal americana.

Resumo da história - O filme conta a história de John Edgar Hoover (Leonardo di Caprio), desde os primeiros tempos. Confinado pelo sistema a tarefas burocráticas, ele se mostrou determinado na construção de estrutura que usasse métodos científicos avançados para ajudar na investigação de crimes hediondos. Em paralelo, trabalhou politicamente no sentido de aprovar legislação que permitisse ao recém-criado FBI autorização para atuar em escala nacional, se sobrepondo, quando necessário, às leis estaduais. E, obstinado, conseguiu recursos orçamentários para aquisição de armas e equipamentos tão ou mais sofisticados do que aqueles usados pelo crime organizado. Naqueles primeiros anos, o FBI prendeu, efetivamente, facínoras notórios. E se envolveu intensamente na tentativa de elucidar o sequestro do filho do famoso Charles Lindberg. No entanto, a solução que encontrou, repleta de pontos obscuros, sinalizaria para onde e como J. Edgar iria conduzir a atuação da enorme estrutura sob seu poder, que era constitucional apenas nas aparências. Tal e qual o rei francês Luís quartorze (O Estado sou eu), deveria, sinceramente, achar que o FBI era ele e suas controvertidas convicções. Doravante, apenas valeria sua opinião. Provas? Ele as forjaria com os avançados recursos tecnológicos à sua disposição. Em paralelo, frestas de luz iriam se infiltrar por entre as persianas quase intransponíveis de sua intimidade. E começaram a iluminar pessoa atormentada. A indefinição sexual do início viria a ser substituída pela certeza da homossexualidade. No cargo que ocupava e nos Estados Unidos dos anos 20 e 30 do século passado, ser verdadeiro estava fora de cogitação. Significaria perder o poder, o enorme poder recém conquistado, para onde até então era canalizada a energia sexual reprimida. Além da pressão externa, ele tinha, dentro de casa, força maior ainda, representada pela mãe, conservadora ortodoxa e predadora de sentimentos. Ela daria o empurrão que faltava para que o filho viesse a ser o falso self que efetivamente foi a vida inteira. Recalcado seu lado gay, tratou de castigar quem encontrasse pelo caminho em posições heterodoxas, fossem comunistas, lésbicas ou simples seres humanos com ideias diferentes das suas. Ou ainda homossexuais masculinos. Olhava-se no espelho e sentia inveja daqueles que tinham coragem de nadar contra a corrente. Sua mente carcomida por distúrbios inconscientes transformava aquela inveja em ódio. Com a morte da mãe, às escondidas,cai nos braços de Clyde, seu melhor amigo e conselheiro, sob o olhar cúmplice de Helen, eficiente e fiel secretária.

Filme mostra como os presidentes recém-eleitos eram chantageados

Nos quarenta e oito anos em que esteve no comando do FBI, J.Edgar Hoover serviu a oito presidentes americanos. O enredo estreita o foco em três emblemáticas situações, envolvendo Roosevelt, Kennedy e Nixon. Nas duas primeiras, ele surpreende os interlocutores, com a existência de transcrições de gravações que revelariam detalhes íntimos da vida de Eleonor Roosevelt, que seria bissexual, e do próprio Kennedy, obcecado por sexo e transpirando amantes por todos os poros, Marilyn Monroe incluída. Na vez de Nixon, ele, J. Edgar, é quem se surpreenderia: ao mencionar as famosas gravações, é interrompido pelo presidente, que lhe confirma no cargo sem que ele chegue a pedir. E vai além. Autoriza-o a espionar os inimigos políticos do governo, prática que permaneceria após a morte de J. Edgar em 1972, e desembocaria no famoso Escândalo Watergate.

Magistral sequência em que sombras sugerem Kennedy e Marilyn

entrelaçados Saindo do lugar comum que seria mostrar um casal na cama, em ação, Clint Eastwood mostra a sequência por meio de sombras projetadas na parede de quarto na penumbra. A sutileza é potencializada pelos acordes de um piano que domina a trilha sonora, que também tem como autor o próprio diretor.

Maquiagem prejudica desempenhos, montagem impõe ritmo

diferente à narrativa O excesso de maquiagem para caracterizar o envelhecimento dos personagens de Armie Hammer e Naomi Watts efetivamente prejudicou os desempenhos cênicos dos dois. Não foi o caso de Leonardo di Caprio que, submetido ao mesmo infortúnio, conseguiu sair do invólucro plástico. Para contrabalançar aquele peso negativo, o filme foi editado com sequências temporalmente diferentes, “coladas”, mostrando, ora os personagens nos anos 30, ora no crepúsculo de suas vidas (início dos anos 70), o que permitiu agilidade e leveza à narrativa.

Escrito por José Jardelino da Costa Júnior

 

Arte: Ananda Nahu

“Dois de fevereiro
Vai no rio Vermelho
Ela vai sambar
Vai botar presente
Pro orixá de frente
Nas ondas do mar”

 

Música: Roque Ferreira

Wislawa Szymborska

Morreu hoje, tinha 88 anos, a poeta polaca, Wislawa Szymborska, nobel da literatura em 1996. Fico aqui com o céu que ela deixou (tradução para português do Brasil) Procurem-na lá. Ela deixa os sinais

Céu

Era preciso comecar daí: céu.
Janela sem encosto, sem moldura, sem vidraça.
Abertura e nada mais, porém muito bem aberta.
Não preciso aguardar a noite amena:
nem levantar a cabeça
para perscrutar o céu.
Tenho céu atrás de mim, sob as mãos
e debaixo das pálpebras.
Estou enredada de céu
e isto me exalta.
Nem as montanhas mais altas
Estão mais próximas do céu
que os vales mais profundos.
Nao há mais céu num lugar
do que em outro.
A nuvem está atada ao céu
indiferente como o túmulo.
A toupeira é tão feliz
quanto a coruja que abre as asas.
O objeto que cai no precipício
cai do céu no céu.
Partes poeirentas, léquidas, montanhosas,
passageiras e queimadas do céu, migalhas do céu,
brisas de céu e montes.
O céu é onipresente
até nas trevas sob a pele.
Devoro o céu, rejeito o céu.
Estou com armadilhas na armadilha,
com o habitante instalado,
com o abraço abraçado,
com a pergunta presente na resposta.
A divisão entre céu e terra
não foi pensada de forma adequada
a respeito desta unidade.
Permite até que se sobreviva
no endereço mais exato,
que pode ser achado mais depressa
se me procurarem.
Os meus sinais característicos são
o arrebatamento e o desespero.
 
Do Puro Acaso