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Mardi Gras

O Carnaval que existe hoje vem da sociedade vitoriana. Copiado de Paris por Nice, Nova Orleans e Rio de Janeiro. O Rio criou um estilo próprio a partir do que havia copiado. Acrescentou o desfile das escolas de samba e com isso ganhou pompa e magnitude. Virou uma festa suntuosa e diferente que, por sua vez, foi copiada por São Paulo, Tóquio e, pasmem, Helsinque.

Dizem que a origem dessa festa aconteceu na Grécia. Servia para agradecer aos deuses pela fertilidade do solo, produção e boas colheitas. A palavra vem do latim “carne vale” que significa “adeus à carne”. Era feita de cultos e cânticos.

Hoje em dia poderia ser ad carne, lorem carne, grata carne. (Não entendeu? Google tradutor existe pra isso!)

Pois bem, depois dos gregos vieram os romanos que adoraram a festinha e introduziram vinho e sexo. Tornando-a mais aprazível, ao menos, aos olhos do povo. Uma festança na minha visão! Dionísio, Baco, Saturno e, é claro, Pã se divertindo horrores e tomando bons drink. A igreja, não curtiu nadinha e censurou geral, adotou a festa e baniu os atos pecaminosos.

Isso tudo rolou na visão de alguns historiadores. Encontramos, ainda, a origem do carnaval no Egito com festas dedicadas à Ísis e ao Touro Apis, nos bacanais romanos e , também, com o entrudo português. Enfim, independentemente da origem, sempre foi festa.

Não sou fã número um do carnaval, mas aproveito o feriado para fazer alguma coisa diferente. Mesmo que seja “tirar o atraso” do sono. Já tive catapora, fugi pra Porto Alegre uma vez, outra fui pra Nova Iorque. Duas vezes me joguei na esbórnia: Salvador e Diamantina. No último ano aproveitei os dias extras pra me recuperar de uma cirurgia.

Esse ano vou trabalhar. Sexta, sábado e um pouquinho do domingo. É. Inusitado, não? Vamos fingir que eu estou gostando disso pra não começar a ladainha das reclamações sem fim.

Ainda aproveitarei segunda e terça. Ah, quarta também! Já que os meus princípios não me permitem trabalhar na quarta-feira de cinzas. E se alguém da repartição reclamar, paciência, é só lembrar quem passa o Natal e o Ano Novo lá na seção, ok?

Despeço-me desejando um excelente carnaval. Pra quem vai viajar e pra quem programou uma boa hibernada. Pra quem vai tomar todas, pra quem não bebe nada. Pra quem vai trabalhar e resmungar também. Enfim, pra todos!

Boa festa e juízo.

(pouquinho, né!)

Carolina Vianna

 

Carolina Vianna é fotógrafa, Poderosa e escreve para o Mulheres no Poder.

Meryl Streep é recordista de indicações ao Oscar Foto: Getty Images

A atriz norte-americana Meryl Streep, recordista de indicações ao Oscar com 17 nomeações, recebeu, nesta terça-feira (14) um Urso de Ouro honorário no Festival de Berlim em homenagem a seus 40 anos de carreira.

Streep está em Berlim para divulgar seu mais recente filme, A Dama de Ferro, que não concorre na mostra principal da Berlinale. Sua atuação como Margaret Thatcher no longa lhe rendeu mais uma indicação ao Oscar – a atriz é uma das favoritas a vencer a categoria, pela terceira vez.

Na tarde desta terça, durante uma concorrida entrevista coletiva de divulgação de A Dama de Ferro, Streep foi surpreendida por um buquê de flores entregue por um repórter austríaco e uma coleção de bonecas russas desenhadas com seu rosto e trajes de seus personagens marcantes.

Mesmo acostumada às glórias das premiações, a atriz garantiu na entrevista que ainda sente “borboletas no estômago” a cada novo reconhecimento. “É muito estranho estar numa posição em que as pessoas chegam pra você e dizem: ‘eu acho que você vai ganhar’ ou ‘esse ano você não ganha’. Parece um esporte, um jogo que você não pediu pra participar. Me sinto me preparando para o Super Bowl!”

Do Terra

Feliz dia de São Valentim!

Novo filme de Clint Eastwood usa Freud para explicar a persona de um dos mais poderosos americanos do século 20

J.Edgar - EUA - 2011

Eastwood em seu filme mais freudiano – Em J.Edgar (J.Edgar – EUA – 2011), o cineasta Clint Eastwood literalmente retira o pano que sempre encobriu a personalidade de um dos mais poderosos americanos do século 20. Ninguém menos do que J. Edgar Hoover, fundador e líder supremo do Federal Bureau of Investigations – FBI, por quase cinco décadas. O enredo coloca sonda no inconsciente do personagem e, a partir dali, acende holofote sobre as fraquezas de quem tentou, sempre, se mostrar duro como um rochedo, por fora. O quarteto principal reúne arquétipos freudianos conhecidos: mãe castradora, Annie Hoover (Judi Dench, magnífica) e filho submisso, Edgar, que reprime e tenta esconder suas inclinações sexuais, por sentir medo da mãe, numa relação edipiana mal resolvida (Leonardo di Caprio, em grande performance, atingiu o que parecia impossível, que foi superar a sua atuação em O Aviador, quando incorporou o lendário magnata Howard Hughes). Há ainda o melhor amigo Clyde Tolson (Armie Hammer, perfeito em seu desempenho), como”libertador” das pulsões sexuais recalcadas, alvo da paixão do outro, devidamente correspondida. E mulher bela e jovem (Helen Gandy, vivida por Naomi Watts, igualmente estonteante na vida real), assexuada declaradamente, que aceita ser a eterna e fiel secretária, depositária inexpugnável dos maiores segredos políticos e sexuais dos Estados Unidos, no período entre 1924 e 1972. Cinebiografia eficiente, que provoca no espectador a sensação de ter assistido narrativa contendo autêntico retrato falado (e filmado) do poderoso chefão da polícia federal americana.

Resumo da história - O filme conta a história de John Edgar Hoover (Leonardo di Caprio), desde os primeiros tempos. Confinado pelo sistema a tarefas burocráticas, ele se mostrou determinado na construção de estrutura que usasse métodos científicos avançados para ajudar na investigação de crimes hediondos. Em paralelo, trabalhou politicamente no sentido de aprovar legislação que permitisse ao recém-criado FBI autorização para atuar em escala nacional, se sobrepondo, quando necessário, às leis estaduais. E, obstinado, conseguiu recursos orçamentários para aquisição de armas e equipamentos tão ou mais sofisticados do que aqueles usados pelo crime organizado. Naqueles primeiros anos, o FBI prendeu, efetivamente, facínoras notórios. E se envolveu intensamente na tentativa de elucidar o sequestro do filho do famoso Charles Lindberg. No entanto, a solução que encontrou, repleta de pontos obscuros, sinalizaria para onde e como J. Edgar iria conduzir a atuação da enorme estrutura sob seu poder, que era constitucional apenas nas aparências. Tal e qual o rei francês Luís quartorze (O Estado sou eu), deveria, sinceramente, achar que o FBI era ele e suas controvertidas convicções. Doravante, apenas valeria sua opinião. Provas? Ele as forjaria com os avançados recursos tecnológicos à sua disposição. Em paralelo, frestas de luz iriam se infiltrar por entre as persianas quase intransponíveis de sua intimidade. E começaram a iluminar pessoa atormentada. A indefinição sexual do início viria a ser substituída pela certeza da homossexualidade. No cargo que ocupava e nos Estados Unidos dos anos 20 e 30 do século passado, ser verdadeiro estava fora de cogitação. Significaria perder o poder, o enorme poder recém conquistado, para onde até então era canalizada a energia sexual reprimida. Além da pressão externa, ele tinha, dentro de casa, força maior ainda, representada pela mãe, conservadora ortodoxa e predadora de sentimentos. Ela daria o empurrão que faltava para que o filho viesse a ser o falso self que efetivamente foi a vida inteira. Recalcado seu lado gay, tratou de castigar quem encontrasse pelo caminho em posições heterodoxas, fossem comunistas, lésbicas ou simples seres humanos com ideias diferentes das suas. Ou ainda homossexuais masculinos. Olhava-se no espelho e sentia inveja daqueles que tinham coragem de nadar contra a corrente. Sua mente carcomida por distúrbios inconscientes transformava aquela inveja em ódio. Com a morte da mãe, às escondidas,cai nos braços de Clyde, seu melhor amigo e conselheiro, sob o olhar cúmplice de Helen, eficiente e fiel secretária.

Filme mostra como os presidentes recém-eleitos eram chantageados

Nos quarenta e oito anos em que esteve no comando do FBI, J.Edgar Hoover serviu a oito presidentes americanos. O enredo estreita o foco em três emblemáticas situações, envolvendo Roosevelt, Kennedy e Nixon. Nas duas primeiras, ele surpreende os interlocutores, com a existência de transcrições de gravações que revelariam detalhes íntimos da vida de Eleonor Roosevelt, que seria bissexual, e do próprio Kennedy, obcecado por sexo e transpirando amantes por todos os poros, Marilyn Monroe incluída. Na vez de Nixon, ele, J. Edgar, é quem se surpreenderia: ao mencionar as famosas gravações, é interrompido pelo presidente, que lhe confirma no cargo sem que ele chegue a pedir. E vai além. Autoriza-o a espionar os inimigos políticos do governo, prática que permaneceria após a morte de J. Edgar em 1972, e desembocaria no famoso Escândalo Watergate.

Magistral sequência em que sombras sugerem Kennedy e Marilyn

entrelaçados Saindo do lugar comum que seria mostrar um casal na cama, em ação, Clint Eastwood mostra a sequência por meio de sombras projetadas na parede de quarto na penumbra. A sutileza é potencializada pelos acordes de um piano que domina a trilha sonora, que também tem como autor o próprio diretor.

Maquiagem prejudica desempenhos, montagem impõe ritmo

diferente à narrativa O excesso de maquiagem para caracterizar o envelhecimento dos personagens de Armie Hammer e Naomi Watts efetivamente prejudicou os desempenhos cênicos dos dois. Não foi o caso de Leonardo di Caprio que, submetido ao mesmo infortúnio, conseguiu sair do invólucro plástico. Para contrabalançar aquele peso negativo, o filme foi editado com sequências temporalmente diferentes, “coladas”, mostrando, ora os personagens nos anos 30, ora no crepúsculo de suas vidas (início dos anos 70), o que permitiu agilidade e leveza à narrativa.

Escrito por José Jardelino da Costa Júnior

 

Arte: Ananda Nahu

“Dois de fevereiro
Vai no rio Vermelho
Ela vai sambar
Vai botar presente
Pro orixá de frente
Nas ondas do mar”

 

Música: Roque Ferreira

Wislawa Szymborska

Morreu hoje, tinha 88 anos, a poeta polaca, Wislawa Szymborska, nobel da literatura em 1996. Fico aqui com o céu que ela deixou (tradução para português do Brasil) Procurem-na lá. Ela deixa os sinais

Céu

Era preciso comecar daí: céu.
Janela sem encosto, sem moldura, sem vidraça.
Abertura e nada mais, porém muito bem aberta.
Não preciso aguardar a noite amena:
nem levantar a cabeça
para perscrutar o céu.
Tenho céu atrás de mim, sob as mãos
e debaixo das pálpebras.
Estou enredada de céu
e isto me exalta.
Nem as montanhas mais altas
Estão mais próximas do céu
que os vales mais profundos.
Nao há mais céu num lugar
do que em outro.
A nuvem está atada ao céu
indiferente como o túmulo.
A toupeira é tão feliz
quanto a coruja que abre as asas.
O objeto que cai no precipício
cai do céu no céu.
Partes poeirentas, léquidas, montanhosas,
passageiras e queimadas do céu, migalhas do céu,
brisas de céu e montes.
O céu é onipresente
até nas trevas sob a pele.
Devoro o céu, rejeito o céu.
Estou com armadilhas na armadilha,
com o habitante instalado,
com o abraço abraçado,
com a pergunta presente na resposta.
A divisão entre céu e terra
não foi pensada de forma adequada
a respeito desta unidade.
Permite até que se sobreviva
no endereço mais exato,
que pode ser achado mais depressa
se me procurarem.
Os meus sinais característicos são
o arrebatamento e o desespero.
 
Do Puro Acaso

Rita Lee em show na Virada Cultural 2011, no centro de São Paulo (16/4/2011) Foto: Uol

Aos 64 anos, a cantora e compositora Rita Lee anunciou, durante show que fez neste sábado (21), no Circo Voador (Rio), que vai se aposentar dos palcos. Esta foi a primeira apresentação da cantora no tradicional palco de shows na Lapa, centro do Rio.

Pela manhã deste domingo, a cantora explicou no Twitter: “aposento-me de shows, da música nunca. Quem me viu ontem pode bem atestar minha fragilidade física. Saio de cena absolutamente paixonadacocês”.

De acordo com o relato do crítico musical Jamari França, do jornal “O Globo”, a roqueira disse que vai se aposentar dos palcos durante a execução da música “Ovelha Negra”. Emocionada, Rita baixou a cabeça diante do microfone e foi aplaudida pelo público, que gritou “Rita, Rita”.

Para o público que estava no local, Rita disse ainda que aquele era o penúltimo show da turnê ETC, mas para ela era o último: “Vocês bateram direto no meu coração. Não podia ser lugar melhor nem público melhor. Parabéns Circo Voador.”

Não é de hoje que a saúde de Rita inspira cuidados. Em 2009, Rita passou por uma cirurgia de hérnia de disco, depois de sentir fortes dores nas costas. A cantora também foi submetida a uma mastectomia, retirada preventiva dos seios, para evitar o surgimento de câncer nas mamas.

O último show da turnê, que pode ser o último da carreira da cantora, acontece no dia 28 de janeiro em Aracaju (SE), na praia Atalaia Nova.

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Feliz Natal e um 2012 de encher os olhos! Equipe Mulheresnopoder. Arte RatoFX

'Lioness: Hidden Treasures' é o álbum póstumo da cantora inglesa Foto: Reprodução

Um esperado álbum com material inédito da cantora britânica Amy Winehouse foi lançado nesta segunda-feira (5), cinco meses após sua dramática e prematura morte aos 27 anos.

O álbum Amy Winehouse Lioness: Hidden Treasures contém 12 músicas, entre as quais estão algumas não editadas anteriormente, versões pessoais de clássicos de outros artistas e novas composições da considerada “diva do soul”.

A morte da artista de voz grave em julho, após um histórico marcado por álcool e drogas, comoveu o mundo da música, que ainda hoje lamenta sua ausência.

Com a intérprete de Rehab – seu grande sucesso – e You Know I’m No Good elevada ao olimpo póstumo do rock, os encarregados de recopilar o material desse novo álbum foram seus produtores, Salaam Remi e Mark Ronson.

Ambos trabalharam com a cantora e, após sua morte, viram um filão nas gravações que Amy realizou antes, durante e após o lançamento de seus dois únicos discos, Frank e Back to Black.

Após sua morte, Remi e Ronson perceberam que Amy deixou “uma coleção de temas que mereciam ser escutados” e que era um “verdadeiro legado” da cantora, explicou a Fundação Amy Winehouse, criada por sua família.

Entre as músicas resgatadas nesse trabalho está A Song For You, que a artista gravou quando estava sob o efeito das drogas em 2009.

A nova seleção traz também Body and Soul, que Amy gravou com o cantor americano Tony Bennett para o álbum que o veterano artista lançou em setembro.

O álbum inclui temas inéditos como Between The Cheats e Best Friends, além de Garota de Ipanema, a primeira música que Amy cantou aos 18 anos quando foi a Miami pela primeira vez para gravar com o produtor Salaam Remi.

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