Comentários ‘internet’
Apoiadores de Serra na internet estão com moral baixo
Marcelo S. Tognozzi
Quem se der ao trabalho de entrar no Google e digitar “José Serra presidente” vai encontrar alguns blogs e sites de apoiadores do candidato do PSDB. Detalhe: eles estão desatualizados e ainda fazem referência às pesquisas passadas, quando ele ainda liderava a corrida para o Planalto. Incrível o PSDB ter afrouxado a rédea e deixado os apoiadores de Serra órfãos de conteúdo. Isso mostra que eles estão de moral baixo e ainda não conseguiram reagir ao fato de Dilma ter ultrapassado Serra. O Twitter do candidato do PSDB continua bom, mas poderia estar melhor. Esta falta de entusiasmo dos militantes virtuais pode acabar contaminando a campanha e virar um problemão. É bom a equipe de Serra agir logo.
O modelo do negócio
Hildeberto Aleluia
Jornalista
Juan Luis Cebrián é jornalista, diretor e fundador de um dos mais importantes jornais da atualidade. Ao lado dos americanos e dos ingleses, o El País, jornal espanhol, desfruta de prestígio e qualidade em todo o mundo. Líder em tiragem e circulação na Espanha e na Europa, nos últimos anos vem amargando tiragens cada vez menores e por um bom tempo viu também emagrecer o seu faturamento publicitário, especialmente em 2009. Sentado em sua vasta experiência e autoridade no assunto de comunicação, ele transmite algumas convicções e palpites para o futuro.
A – A internet é um fenômeno de desintermediação. Que futuro aguarda os partidos políticos, sindicatos e os meios de comunicação num mundo desintermediado?
B – Os jornais, tais como os conhecemos, se acabaram, adeus. Não significa dizer que deixarão de existir. É a constatação de que os impressos pertencem à sociedade industrial, e não estamos mais nela. Entramos na era digital, adeus sociedade industrial. No ano passado cerca de 600 jornais fecharam as portas nos Estados Unidos, alguns deles com muita tradição. Em geral, jornais nascem defendendo bandeiras políticas e, ao se manterem à custa das receitas publicitárias, preservam sua independência. Como esse modelo ficará? Que tipo de jornalismo queremos ter na rede? São veículos diferentes. Isso não está claro.
C – Teremos de investir em capital humano na rede se quisermos fazer diferença: ter bons jornalistas, gente com preparo para enfrentar operações globais e mudar a nossa forma de pensar. Continuamos a fazer jornais como se fossemos o centro do mundo. Creio que já me livrei da dúvida se a internet é uma ameaça ou uma oportunidade. Estou convicto de que é uma oportunidade.
Volto ao primeiro artigo dessa série quando um diretor de TV meu amigo disse-me que não o passaria para outras pessoas, embora tenha gostado, “porque o artigo era contra o ganha-pão dele”. Mas não é só ele, todo o mercado de comunicação chamado de velha mídia comporta-se assim. Mesmo constatando-se que a convergência de mídias vem se aprofundando, o modelo do negócio não aceita inovações. Isso porque os números financeiros são consideráveis. O mercado de publicidade no Brasil cresceu 25% no primeiro trimestre de 2010, comparando-se com o mesmo período do ano passado. Isso significa 5 bilhões e meio de reais. Desse bolo a TV aberta ficou com 63% do total. O restante foi dividido entre jornais, rádios, revistas, TV por assinatura e outras mídias. A web ficou no fim da fila com 4% do faturamento, a mesma do rádio e maior que a da TV por assinatura. Ficou com 234 milhões apenas. Mas o salto percentual é que assusta o setor. Foi de 37% em relação ao mesmo período do ano passado.
Isso considerando que a internet não tem a boa vontade da espinha dorsal do sistema, as agências de publicidade, que no final são as que ficam com a grande parte da bolada, pois o Brasil é o país mais conectado à internet e o que menos investe em publicidade online, no mundo. Com esse diagnóstico chegou ao Brasil uma das maiores agências digitais do mundo, a americana Razorfish. E chegou comprando briga com a proposta de transparência e de educação aos clientes para acabar com essa diferença. E os sopapos não tardaram quando seu principal executivo, senhor Joseph Crump alardeou que é contra a prática de bonificação por volume, o BV, que faz a lucratividade das agências tradicionais uma festa. E mais disse outro executivo do grupo, Fernando Tassinari “é preciso educar as marcas para quebrar esse ciclo vicioso”.
- As agências não querem trabalhar no digital. Estão preocupadas com o dinheiro e não com investimentos, queremos mudar isso, disse o senhor Crump. Completou argumentando que o investimento maciço em TV descarta uma parcela importante da sociedade brasileira.
Isso foi o suficiente para a Razorfish plantar um rosário de espinhos e punhais no seu caminho aqui no Brasil. No dia seguinte à declaração veio nota da Federação das Agências de Publicidade, FENAPRO, e comunicado de todas as instituições ligadas ao setor e notas das maiores agências do país onde ressaltavam “que ajudaram a construir o atual modelo, apóiam e o defendem como o melhor para o mercado”. E como argumento derradeiro ressaltou que conseguiram do presidente Lula uma Lei legalizando o tal do BV. Arrematando, o vice-presidente da FENAPRO, senhor Humberto Martins rosnou que “o mal do nosso país é aceitar passivamente que esse e outros Crumps, venha aqui e como verdadeiras vestais interfiram na nossa vida”, ou na festa, digo eu. Enquadraram a senhora Razorfish. Mais, saiba ela que é questão de tempo, a audiência e as tiragens é que irão mudar isso um dia. Uma hora o anunciante vai se dar conta. O Brasil é assim, sempre está na contramão do mundo. O Presidente da WPP, a maior agência de publicidade do mundo em faturamento, Martin Sorrel, atribui o grande crescimento dos Brics, (sigla que designa o grupo de países formado pelo Brasil, China, Rússia e Índia), ao investimento em mídias móveis e que com os consumidores passando cada vez mais tempo conectados à internet, a tendência é que os números sobre investimentos em novas mídias crescem em velocidade avassaladora. Segundo seu vice-presidente operacional, Michael Mendenhall “o maior atrativo das novas mídias é que os anunciantes podem ir além o modelo tradicional de uma mensagem para as massas e conversar com o consumidor”. Eles desejam sair do marketing invasivo para o de relacionamento.
Web tem arsenal para eleitor fiscalizar político
Do Estado de S. Paulo de hoje
Nas próximas eleições, mais do que em qualquer outra da história do País, o eleitor terá à disposição um grande número de ferramentas eletrônicas para conhecer melhor e fiscalizar os políticos que disputarão cargos públicos, podendo punir nas urnas os candidatos desonestos.
Com o avanço da organização da sociedade civil e as exigências de mais transparência nas relações do Estado com a sociedade, aliados à comodidade da internet, o pleito de outubro deverá ser marcado por uma incomum possibilidade de conhecer o patrimônio, o que pensam e como votam os candidatos.
Dessa forma, o eleitor estará muito melhor qualificado para escolher ou descartar pretendentes aos cargos públicos.
“A preocupação com a transparência e a correta aplicação dos recursos públicos têm evoluído de forma significativa. Muitas formas de informação entre sites, blogs e listas públicas surgiram nos últimos anos, mas temos a consciência de que não é a maioria da população que tem acesso a isso, embora este grupo tenha papel decisivo na eleição”, ponderou o economista Gil Castelo Branco, coordenador do site Contas Abertas (www.contasabertas.uol.com.br), que esmiúça e explica o orçamento público federal, permitindo avaliar sua aplicação.
Claudio Weber Abramo, presidente da Transparência Brasil (www.transparencia.org.br), concorda com Castelo Branco. “O eleitor votará melhor quanto mais tiver informação sobre os candidatos. Os sites de fiscalização jogam luz sobre os políticos e ajudam a formar a opinião dos cidadãos que participarão da eleição.” Sites como o da Transparência Brasil permitem, por meio do Projeto Excelências, saber muito mais sobre a vida de senadores, deputados federais, estaduais e vereadores dos principais municípios, inclusive com notícias de jornal sobre corrupção. Ainda neste portal, o projeto Às Claras (www.asclaras.org.br) permite saber quem financia quem nas campanhas políticas, com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Se o interesse do eleitor é fiscalizar prefeitos, o site da Amigos Associados de Ribeirão Bonito (Amarribo, www.amarribo.org.br) permite baixar gratuitamente o livro O Combate à corrupção nas Prefeituras do Brasil, que ensina, passo a passo, como montar uma organização não governamental (ONG) especializada em análise de gastos públicos em nível municipal e denúncias de transgressores.
“Já temos 190 entidades fundadas a partir do exemplo da Amarribo pelo País e queremos chegar, até o próximo ano, a 300. Até hoje, quase 1,7 mil municípios do Brasil nos procuraram para saber como foi a nossa luta e de que forma podem organizar a luta para fiscalizar prefeituras e câmaras em sua cidade,” contou o presidente da ONG, Jorge Donizetti Sanchez.
Quando a tropa de elite vale mais que o exército
Marcelo S. Tognozzi
O PT anunciou no fim de fevereiro, oito meses antes da eleição, que mobilizará 500 mil militantes para a campanha digital de Dilma. Eles terão a missão de distribuir na rede material favorável à candidata e ao mesmo tempo falar mal dos adversários. Da maneira como o projeto está sendo formatado pode ter problemas para decolar. Os principais motivos: começou atrasado demais, carece de orçamento específico, não indica que terá unidade de linguagem nem rotina, batendo de frente com o projeto Dilma Paz & Amor elaborado pelo competente João Santana, o Patinhas, marketeiro oficial da campanha.
Dilma não tem presença pessoal nas redes sociais, ao contrário de Marinha Silva e José Serra, que começaram a trabalhar ainda no primeiro semestre do ano passado. Serra, por exemplo, chegou aos 165 mil seguidores no Twitter, com os quais interage todos os dias. Dilma não tuita. Marina Silva está no ar desde abril de 2009 e apenas o Movimento Marina Silva Presidente, montado na plataforma ning, conta com 13.500 apoiadores e 300 grupos de discussão.
O PT imagina que a campanha digital será uma guerra de informação e contrainformação, como admite o secretário nacional da legenda André Vargas. Campanha digital não é uma guerra. Ao contrário, é a busca de um diálogo permanente com o eleitor, a interatividade e a troca de informações. WEB 2.0. Do jeito que está sendo concebida, a campanha de Dilma corre o risco de virar spam. Aliás, até agora as iniciativas digitais dos companheiros se mostraram desastrosas, como o Blog Dilma Presidente que andou batendo duro na “mídia golpista” e em jornalistas considerados anti-petistas. Por tudo isso, o PT pode acabar pregando para convertidos ao invés de conquistar apoios e votos para Dilma.
Estas ações de mobilização não necessitam de exércitos para dar certo. Precisam, sim, de um grupo de inteligência, capaz de produzir conteúdo de qualidade com alto grau viral e que será postado por uma equipe treinada, capaz de interagir e dar respostas eficientes aos questionamentos de eleitores e até de adversários. Isso não é um trabalho para poucos meses. É uma jornada longa, como aparentemente entenderam José Serra e Marinha Silva. De uma maneira geral é espantoso que as campanhas dos presidenciáveis não tenham previsto (pelo menos não ainda divulagram nada) ações voltadas para celular (mobile marketing). Temos 170 milhões de linhas em funcionamento, das quais cerca de 85% são de pré-pagos.
A sociedade costuma estar muito à frente dos políticos. Ela muda muito antes. O eleitor das classes C, D e E entre 18 e 35 anos, por exemplo, não fala no seu pré-pago. Ele escreve. Até hoje os políticos não entenderam direito como funciona esta comunicação. Muitos, talvez a grande maioria, nem abre seus e-mails. Manda a secretária imprimi-los. Nesta eleição o papel da internet e das novas mídias ainda não será decisivo, devido à nossa baixa inserção digital. Mas em 2012 será muito diferente e em 2014 mais ainda, porque as ferramentas digitais para a campanha desta próxima corrida presidencial ainda nem foram inventadas.
Os 500 mil militantes do PT não podem transformar Dilma num avatar, como no Second Life, e sair por aí falando por ela. Antes deles, a própria Dilma tem de se engajar na campanha digital como fez Obama nos EUA e Fernando Gabeira no Brasil. E deve ter a consciência de que internet é para sempre; não acaba dia 3 de outubro.
Dilma começou mal na internet
Marcelo Tognozzi
Começam a aparecer os primeiros sinais da campanha de Dilma Rousseff na internet. São iniciativas de apoiadores da ministra que criaram sites como o Amigos da presidente Dilma, uma comunidade no Ning também chamada Dilma Presidente, blogs, página no Orkut perfis no Twitter e em outras mídias sociais. Quem quiser conferir basta acionar o Google.
Nenhuma delas ainda bombou. Os Amigos da presidente Dilma no Orkut tem 906 membros, o Blog da Dilma Presidente conta com 1013 apoiadores e a comunidade Ning Dilma Presidente tem apenas três membros e nenhum grupo de discussão. Como tudo funciona na base do improviso, do amadorismo e Dilma acabou entrando na internet com o pé esquerdo. O material veiculado é de péssima qualidade e sem unidade de linguagem.
Os amigosdapresidentedilma.blogspot.com, por exemplo, bate pesado no jornal Folha de S. Paulo. Faz campanha para que leitores cancelem assinaturas do jornal, afirmando que a Folha apoiou a ditadura militar, a tortura e pratica a censura. Publica banners da Petrobrás, Banco do Brasil, FIES, Minha Casa, Minha Vida e do PAC, nos quais exalta iniciativas do governo Lula.
No dilma13.blogspot.com, “o maior portal da Dilma Rousseff na internet”, há ataques aos tucanos e a jornalistas como Augusto Nunes, do Jornal do Brasil, além do apoio formal ao blog Amigos do Crivela, patrocinado por apoiadores do senador Marcelo Crivela (PRB-RJ), um dos líderes da Igreja Universal. Também é possível comprar camisetas com “Agora é Dilma” e “Quero Dilma” e fazer pedidos de adesivos da campanha.
Dilma merecia coisa melhor. Muito melhor. O PT, que costuma trabalhar bem a internet, a exemplo do novo portal do partido e do Blog do Planalto, tem demorado para colocar no ar um site ainda que oficioso da candidata de Lula e o resultado é a perda do controle. As iniciativas amadoras e que atiram para todos os lados mais prejudicam do ajudam. Dilma corre o risco de ter de enfrentar problemas como o que Obama foi obrigado a encarar no MySpace. O então candidato deixou que um apoiador, Joe Anthony, comandasse seu site no MySpace e o resultado foi desastroso. Depois de muita negociação tiveram de pagar 50 mil dólares a Anthony para que ele entregasse as senhas de acesso.
Com tantos blogs, sites e perfis nas redes sociais vai ficar difícil para a campanha de Dilma administrar e controlar o conteúdo. Isto é resultado da lentidão em ocupar racionalmente espaços na Web e de uma aparente falta de planejamento da equipe de Dilma em relação às novas mídias. Marina Silva começou na Web em abril do ano passado e vem colhendo melhores resultados. A comunidade Ning Marina Silva Presidente já conta com mais de 11 mil membros e 272 grupos de discussão. O trabalho do PV é mais organizado, propositivo e profissional.
Faltando nove meses para a eleição, se não der um jeito nessa desordem Dilma corre o risco de ter sérios problemas mais adiante. Campanha na internet não é para amadores.
Publicado na edição de fevereiro da Revista Voto
O modelito ponto com do governo
Marcelo Tognozzi
A Presidência da República terá nova cara na Internet em 2010. No início do ano entra no ar o portal assinado pela TV1 do jornalista Sérgio Motta Mello. A novidade integra o projeto digital supervisionado pelo secretário de Imprensa da Presidência, Nelson Breve, o homem que criou e implantou o Blog do Planalto.
Já estava mais do que na hora de o governo começar a trabalhar com competência a comunicação digital. Quando o sucessor de Lula iniciar seu mandato em janeiro de 2011, a presidência contará com uma estrutura digital implantada, capaz de distribuir informações em tempo real como manda o figurino ponto com.
Nelson Breve foi repórter das rádios Eldorado e CBN, da Agência Estado e do Jornal do Brasil, chefe da sucursal de Brasília da Agência Carta Maior e assessor de imprensa da Confederação Nacional da Indústria e do ex-deputado José Dirceu. Seu trabalho na secretaria de Imprensa do Planalto é um divisor de águas. A comunicação digital do governo brasileiro é uma realidade e, de agora em diante, todos vão utilizá-la, aperfeiçoá-la, agregar valor.
Ele se inspirou no Blog da Transição, da equipe de Barack Obama, para propor o Blog do Planalto a Lula durante reunião no fim do ano passado. O presidente topou no ato. Após quase quatro meses enfrentando o vai e vem do serviço público – a pressa é inimiga do burocrata – o blog tinha cara e conteúdo. Faltava apenas um detalhe: não havia equipe contratada. “Presidente, sem equipe a gente não pode ir pro ar”, informou Nelson Breve. “Manda contratar já”, respondeu Lula de bate pronto. Os cargos apareceram e finalmente foi marcada a data da estréia: 31 de agosto, dia do lançamento do pré-sal.
O coordenador Jorge Cordeiro e equipe colocaram o Blog do Planalto no ar. A tensão era grande e aumentou muitos graus quando o número de acessos se multiplicou a ponto de faltar banda larga para tanta curiosidade.
Com menos de três meses de idade, o Blog do Planalto ainda não pode ser considerado um produto acabado e há muitos problemas a resolver, como a questão da interatividade e de uma métrica 100% segura para medir a audiência (há conflito entre os números da AW Statics e do Google Analytics). Mas é um bom produto, concebido na plataforma Wordpress, com seus picos de audiência entre 10h e 11h e 16h e 18h, sendo que é mais acessado em São Paulo, seguido de Brasília, Rio, Belo Horizonte e Salvador. É bom porque seu conteúdo é eficiente, bem trabalhado, com posts curtos (só desocupados e os adoradores de Onã conseguem encarar posts longos), vídeos, fotos e uma boa dinâmica de atualização. Com certeza está fazendo a cabeça de uma parte do respeitável público que rejeita a informação da mídia tradicional.
Pode melhorar se houver espaço para cadastro com apenas três janelinhas: CEP, e-mail e celular com DDD. Desta forma ficará mais fácil o relacionamento com usuários fiéis, principalmente quando a comunicação digital da Presidência incorporar o SMS e o MMS como ferramentas.
A partir do início do ano que vem o blog passa a ser abrigado pelo novo portal da Presidência. E com novidades. Ainda neste restinho de 2009 será lançado o Portal Internacional do Brasil, voltado exclusivamente para o público externo.
Deu trabalho, mas o governo do Brasil finalmente adotou o modelito ponto com.
Publicado na edição de novembro da Revista Voto
A banda larga no Brasil
Hildeberto Aleluia
jornalista
Elaborada por uma entidade internacional de telecomunicação, a lista que mede a qualidade e rapidez da banda larga em 62 países mostra o Brasil ostentando o distante 45º lugar. Muito atrás de países como a Bulgária e aLituânia que estão entre os cinco melhores ao lado do Japão e da Coréia do Sul. A nossa banda larga além de ruim é muito cara. É tão ruim que mereceu do Presidente da ANATEL (agencia reguladora do setor) embaixador Ronaldo Sardemberg a diplomática observação sobre o caos:
- As operadoras fizeram previsões e perceberam que se continuassem vendendo a banda larga na velocidade em que vinham vendendo teriam problemas na rede.
E as operadoras pisaram no freio. A demanda pela banda larga foi contida. Na previsão da agência reguladora cada uma das operadoras terá que investir um bilhão de reais em infra-estrutura para suprir a demanda pela banda larga no Brasil. – Resumo da ópera, as operadoras venderam mais do que poderiam entregar. - Diante desses fatos o governo se movimenta. Está tudo pronto para a velha Telebrás iniciar o Programa Nacional de Implantação da Banda Larga. Nessa empreitada, está previsto, no começo, um investimento de três bilhões de reais, sendo um bilhão proveniente do FUST, o Fundo Universal para as Telecomunicações. E é aqui, nesse atalho, que está um dos canhões apontados para a TV. Com este programa implantado e barateada a assinatura para a conquista da banda larga, todas as classes sociais terão um acesso melhor à internet.
Segundo o Ministro das Comunicações,Helio Costa serão necessários 10 bilhões de reais para levar a internet ao interior e interligar a área rural, escolas, postos de saúde, hospitais e delegacias.O ministro clama pela iniciativa privada no investimento. Espera contar com ela para uma grande parte do investimento.Mas existe um grupo no governo que defende a ação da Telebrás como a estatal da banda larga. E mais, envolver a Petrobrás, a Eletrobrás e Eletronet na estrutura de implantação do projeto da banda larga.
O número de usuários do serviço de banda larga hoje no Brasil, apesar de estar na casa dos milhões, são irrisórios diante das necessidades. Temos 14 milhões de assinantes, ou pontos de conexão de banda larga. Vinte por cento são oferecidos por conexão móvel das teles. Competem aí as empresas de telefonia fixa, de TV por assinatura e as operadoras de celular. Formam um pequeno monopólio privado com preços que variam de 30 a 600 reais de acordo com o local, a capacidade e a velocidade. A média deve ficar em torno de 300 reais por assinatura. É muito cara.
No interior de Minas Gerais,como exemplo,a conexão de 56 kbps, a menos veloz, sai por 100 reais em média, enquanto no Rio a mesma conexão com 128 kbps custa 50 reais. A conexão mais veloz, de 8 mbps, custa em média 240 reais no Rio de Janeiro. Para os que não são afeitos a essa linguagem cibernética, kbps significa uma velocidade de carroça e mbps a velocidade do foguete.
A taxa de penetração da internet nos lares brasileiros é de 15 por cento sobre o número de habitantes. Enquanto na Argentina chega a 25 por cento e no Chile a 30, segundo levantamento realizado pela CISCO, empresa global de soluções em telecomunicações.Na Itália,o governo acabou de anunciar investimentos no valor de 1 bilhão de euros destinados a implantar um programa de banda larga de 2 megas para toda a população italiana até o ano que vem.
You scream, we scream, ice cream…
Rodrigo Capdeville
Publicitário
Barack Obama venceu as eleições com a conquista de novos eleitores e a sua fidelização permanente. Prova disso é que, se contarmos exclusivamente os que votaram na eleição anterior, Obama ficou com 50% dos votos contra 49% de John McCain. Quando analisamos somente os novos eleitores: 71% contra 24%.
A base da conquista foi a mídia digital. Eu mesmo, curioso, cadastrei-me no site do BO, chegando ao limite de quase contribuir com US$ 20, mas esbarrei em meu bom senso e no impedimento legal de doação para estrangeiros. Passados vários meses da posse, continuo recebendo e-mails que divulgam as ações do presidente eleito. Isso é “pós-venda”? Não, isso é “próxima venda”! O voto ficará mais barato e eficiente para Obama em sua reeleição.
É o marketing de relacionamento em sua essência e aplicado em mão dupla, tanto na conquista quanto na manutenção. Os meios digitais permitiram a rapidez e a interatividade necessárias ao perfeito atingimento dos objetivos. O tempero a mais é a autenticidade que transborda de todo o material. Sem ela, duvido que teria sucesso. Obama e o coordenador de campanha, David Plouffe, implantaram um sistema inédito para o marketing eleitoral, na fase pré e durante a campanha, e político, na pós.
A eficácia das ações digitais fazem parte do “grito compartilhado”. Twitteiros, facebookers, blogueiros, youtubanos, orkuteiros de plantão mandaram ver no boca a boca cibernético, multiplicando opiniões e realizando passeatas virtuais pró-Obama pelo mundo inteiro, fazendo valer o que significa “world wide web”. No final foram 13 milhões de e-mails cadastrados, 1 bilhão enviados e cerca de US$ 750 milhões recebidos em doação pela web.
Por aqui, em 2010, os candidatos terão a vontade, mas lhes faltarão a coragem e a determinação de fazer uso de uma linguagem nova e assustadora. A tecnologia, os meios de acesso e os bons profissionais para fazer igual ou melhor já temos de sobra. Ferramentas não é o problema. O que não temos é o perfil de candidato ideal para tanto.
José Serra tem ensaiado alguns passos nessa direção, sem converter sua simpatia na autenticidade exigida, tão necessária e fundamental.
Dilma Roussef tem o perfil de mulher atualizada e com conteúdo para dizer a que veio. É boa gestora, administradora dos pepinos públicos e, como tal, íntima dos procedimentos eletrônicos atuais. Mais uma vez, será que sentiremos a autenticidade que garantirá a eficácia?
Já Ciro Gomes navegaria bem na rede se conseguisse manter o que tem de mais verdadeiro: ser Ciro Gomes.
Aécio Neves caberia melhor no figurino do candidato mais autêntico no uso das ferramentas digitais, por ser jovem, boa pinta e antenado. Só que está atrasado. Já poderia ter um plano estratégico voltado ao relacionamento com seus eleitores mineiros e nacionais.
Não se trata de fazer um site bacana, perfil nas redes sociais e blog atualizado, praticamente uma obrigação de todos, e, sim, de ter uma vivência real, um comprometimento tático, uma ação cotidiana e ética com o mundo virtual, que dá dinheiro e voto!
Os trópicos tentarão seguir os mesmos passos de Obama. E é bom que sigam. Advirto que, apesar de parecer sem dono e aberto ao que der e vier, o modelo não cabe indistintamente em todos.
Não elegeremos sabão em pó, sorvetes ou produtos mal acabados. Vamos eleger ideais autênticos. E, para isso, a rede estará pronta para marchar e gritar junto. Yes, we can!
Entenda o poder.com
Hildeberto Aleluia
Jornalista e professor da UNIVERCIDADE-(RJ)
Atenção mulheres. Descubram a Internet como o caminho mas curto para a vossa chegada ao poder. Recomendo a leitura de dois livros, e com eles vocês estarão na vanguarda das transformações dos meios de comunicação e dos efeitos, arrasadores, que a web vem causando na mídia tradicional,rádio,tv e jornal.
Primeiro A CAUDA LONGA, (Editora Campus), do jornalista americano Chris Anderson. Um livro sobre os negócios atuais e como a Internet interferiu e interfere no tradicional modelo de investimento e como vem mudando a face dos mercados. Você vai entender como o mercado de massa mudou para o mercado de nicho. Entenderá porque o mercado de comunicação e seus veículos sofrem a maior transformação que a história do homem já viu. E como a Internet transformou o mundo num lugar menor e muito mais interligado. Grandes idéias e novas oportunidades num livro magistralmente bem escrito e sucinto.
O outro chama-se CULTURA DA CONVERGÊNCIA, (Editora ALEPH). Num fascinante diagnóstico sobre as mídias tradicionais, e como a Internet tornou todas as mídias interativas e participativas, o autor, também americano, HENRY JENKINS mostra como essa revolução está acontecendo dentro de nossas casas e como a Internet obrigou a uma mudança no modelo de negócio e na produção dos meios de comunicação. Vai entender também onde a equipe do OBAMA foi beber para realizar a inteligente campanha presidencial. Não criaram nada, apenas incorporaram o que Hollyood já vinha fazendo com seus produtos. Vai entender também porque o Matrix e o Hery Potter são fenômenos de mídia. E naturalmente,entender porque as formas de fazer campanhas serão diferentes.
Estas leituras servem também para deixar a mulher capacitada a entender porque a Internet vai tardar a mudanças, no Brasil, justamente no voto.
O voto, entre nós ainda é de cabresto, de curral. Ou é de curral ideológico, onde a grande imprensa fabrica e protege os donos dessa votação, marcadamente de esquerda, ou de curral fisiológico, na base do favor, do dinheiro e da assistência. E o mais recente, o voto religioso, especialmente traduzido no voto evangélico que é o grande curral da fé, de norte a sul do país. São poucos, muito poucos,aqueles que se elegem em torno de um programa ou de idéias.Há,ainda,o curral da comunicação,traduzido naquele que dispõem do privilégio de defender seu ponto de vista através de um meio de comunicação, cativo, como uma TV, um programa de rádio, ou uma coluna nos grandes jornais. Ou ainda o voto que vai para as celebridades,atores,cantores e outros.
Agora mesmo está aí na Camara Federal o projeto do deputado Flávio Dino (PCdoB-MA), com astúcia e jeito, cheio de derivativos e outros quetais destinados a cercear a liberdade na rede. O projeto vem cheio de proibições. No fundo,as restrições irão beneficiar os tais currais,com seus donos e seus mandatos.E estes é que inlfluenciam o STE, Superior Tribunal Eleitoral que pensa em estabelecer limitações nas campanhas na rede na hora da regulamntação da Lei. Estes senhores estão a se arvorar em censores. E muitas vezes, sem intuir, estarão a criar dificuldades àqueles que irão romper as fronteiras com a nova mídia
Mesmo assim a Internet vai mudar isso. Com a leitura desses dois livros você vai estar habilitada a entender,interagir e participar, com armas modernas, desse novo mundo que vem por aí. A TV, o Rádio, o Jornal, como nós os conhecemos,deixarão de existir. Você saberá como.
Regras eleitorais
Daqui a pouco, a Câmara realiza sessão para discutir as novas regras para as eleições de 2010. Na pauta, o relatório do deputado Flávio Dino (PCdoB-MA) que tentará regulamentar as campanhas e doações para candidatos na internet.



