Comentários ‘dossiê’
Itagiba vai entrar com notícia-crime contra PT
O deputado federal Marcelo Itagiba (PSDB-RJ) vai entrar com uma notícia-crime na Polícia Federal para que seja apurada, segundo ele, a “formação de bando ou quadrilha”, na campanha presidencial do PT, com objetivo de espioná-lo. Acusado pelos petistas de montagem de dossiês na campanha de Serra, Itagiba vai ingressar amanhã com o pedido de investigação. A notícia está no Terra.
“Tendo em vista que se montou um bando ou quadrilha para a prática de delitos, entrarei com uma notícia-crime para que haja uma apuração desses fatos”, diz Itagiba ao Terra. Ex-diretor de inteligência da PF, ele comunicou a decisão aos colegas de partido, na tarde desta terça-feira (8), na Câmara.
Membro da assessoria de imprensa da campanha de Dilma Rousseff (PT) à presidência, o jornalista e consultor Luiz Lanzetta teve um encontro, em Brasília, com o delegado aposentado da PF, Onésimo de Souza. Os relatos sobre a conversa são divergentes. Segundo o araponga, foi solicitado o monitoramento dos telefones de José Serra e Itagiba. Lanzetta, que se afastou da pré-campanha de Dilma, relata que foi procurado por Onésimo e não propôs a confecção de um dossiê contra Serra.
Dentro desta guerra judicial, o PT interpelou Serra na Justiça de São Paulo por declarações que vincularam Dilma à articulação do hipotético dossiê.
Cúpula do PT sabia de dossiê contra Serra
De Gerson Camarotti e Jailton de Carvalho, na edição de hoje de O Globo:
Apontado como bode expiatório no episódio do suposto dossiê contra o pré-candidato José Serra, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT) não era o único que sabia das denúncias .
Toda a cúpula petista que integra a coordenação de campanha da pré-candidata Dilma Rousseff tinha conhecimento, desde o fim de 2009, da existência de um farto material investigativo contra o tucano e sua filha, Verônica Serra.
Nesta segunda-feira, dois jornalistas envolvidos no caso negaram a versão do delegado aposentado da Polícia Federal Onézimo das Graças Sousa, de que o comitê petista desejou contratar serviços de espionagem.
Segundo relatos feitos ao GLOBO por dirigentes do PT, o partido esperava que aliados do ex-governador Aécio Neves (PSDB-MG) usassem o material durante o processo de disputa interna no PSDB para a escolha do presidenciável tucano.
Como isso não ocorreu, contou um integrante da campanha petista, houve a decisão coletiva de se ter acesso a esse material, que estava sendo investigado pelo jornalista Amaury Ribeiro Junior. Na ocasião, Amaury acabara de sair do jornal “O Estado de Minas”.
Na coordenação de campanha de Dilma, o dossiê passou a ser usado internamente como “arma secreta”, para ser usada, se necessário. Amaury foi procurado, então, pelo jornalista Luiz Lanzetta, dono da empresa Lanza Comunicação, contratada para a área de comunicação da pré-campanha. Lanzetta se desligou da campanha no fim de semana.
O acerto feito com Amaury teria o propósito de se produzir um livro com todas as investigações feitas pelo jornalista contra Serra. Pela estratégia, que recebeu o aval de todos os integrantes da coordenação de campanha da Dilma, o livro-dossiê seria publicado no período eleitoral. Assim, Amaury foi integrado originalmente à campanha petista.
Só em abril, com a oficialização da pré-campanha, houve a decisão de um grupo do PT de ampliar o núcleo de inteligência do comitê de Dilma, o que causou um racha interno. Lanzetta, o empresário Benedito Oliveira Neto e Amaury participaram do encontro em abril com Onézimo.
No PT, a versão é que Onézimo foi infiltrado pela campanha tucana para detonar a crise no comitê de Dilma. Em entrevistas, Lanzetta e Amaury desafiaram nesta segunda-feira Onézimo a manter, em público, a acusação de que tenha sido sondado para montar esquema de espionagem contra Serra.
Segundo os dois, foi o delegado quem se ofereceu para desmontar um suposto grupo de produção de dossiês que teria sido organizado pelo deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ) contra políticos da base aliada, principalmente do PMDB. Amaury disse que gostaria de ser acareado com Onézimo.
Os dois decidiram partir para o ataque depois de a revista “Veja” publicar, no fim de semana, entrevista em que Onézimo diz ser sido procurado para fazer investigações, inclusive com uso de grampos telefônicos, contra Serra e Itagiba. A proposta teria sido feita numa reunião em 20 abril, num restaurante em Brasília.
- Se ele falou isso (sobre espionar Serra), vamos reconstituir os fatos: quem falou, a que horas falou, como foi. Vamos fazer uma acareação. Esse negócio (de espionagem) é uma mentira, que tem que vir à tona – disse Amaury.
Campanha de Dilma trouxe araponga para montar dossiês
Conhecido por suas apurações sigilosas, sargento da reserva Idalberto Matias de Araújo aceitou missão proposta por petistas e indicou delegado para ajudá-lo; trabalho custaria R$ 200 mil mensais
Rodrigo Rangel, de O Estado de S. Paulo:
A articulação para montar uma central de dossiês a serviço da campanha de Dilma Rousseff à Presidência da República contou com a participação de arapongas ligados aos serviços secretos oficiais. Um deles é o sargento da reserva Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, recém-saído do Cisa, o serviço secreto da Aeronáutica.
Conhecido personagem de apurações sigilosas em Brasília, o sargento esteve, por exemplo, ao lado do delegado Protógenes Queiroz nas investigações que deram origem à Operação Satiagraha, que levou o banqueiro Daniel Dantas à prisão.
A participação de Idalberto de Araújo remonta às origens do plano de inteligência petista. Em abril, após ter sido procurado por emissários da campanha, o sargento disse que aceitaria o serviço, mas necessitaria de apoio. Deixou claro que, para executar a missão proposta pela campanha, seria preciso chamar mais gente.
O sargento, então, indicou um amigo de longa data, o delegado aposentado da Polícia Federal Onésimo de Souza, dono de uma pequena empresa de segurança instalada num conhecido centro comercial de Brasília. As conversas avançaram.
Outros agentes, dentre eles um araponga aposentado do extinto Serviço Nacional de Informações (SNI) e um militar que já serviu à Agência Brasileira de Inteligência (Abin), chegaram a ser contatados para integrar a equipe. O passo seguinte foi chegar a um valor para o serviço.
É onde começa o contato direto entre o agente e um dos principais profissionais da área de comunicação da campanha de Dilma, o jornalista e consultor Luiz Lanzetta. Dono da Lanza Comunicação, empresa contratada pelo PT para fazer a assessoria de imprensa da campanha, Lanzetta marcou um encontro com o sargento e o ex-delegado.
A reunião ocorreu no restaurante Fritz, na Asa Sul de Brasília. A dupla disse a Lanzetta que, pelo serviço, cobraria R$ 200 mil por mês. O delegado justificou o preço com o argumento de que seria preciso montar uma equipe de 12 pessoas para a missão.
Bunker. Lanzetta se encarregou de detalhar o serviço de que precisava. A primeira tarefa seria interna, no bunker que ele próprio montara no Lago Sul. Desconfiado de que seu trabalho estaria sendo sabotado por gente do próprio PT, o consultor queria que os arapongas descobrissem a origem do fogo amigo.
O pacote incluiria ainda investigações que pudessem dar à campanha de Dilma munição para ser usada, em caso de necessidade, contra adversários. O alvo preferencial era o candidato tucano José Serra.
A proposta para contratação dos serviços do araponga e do delegado foi levada, então, para o núcleo central do comitê de Dilma. O assunto chegou a ser discutido com o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, coordenador da campanha. Num primeiro momento, Pimentel avaliou que o preço estava alto demais. Disse que topava pagar, no máximo, R$ 60 mil.
O grupo já estava discutindo estratégias de trabalho – um dos planos era infiltrar um agente no núcleo de inteligência da campanha de José Serra – quando começaram a vazar para a imprensa informações acerca de supostos dossiês produzidos pelo bureau montado por Lanzetta na fortaleza petista do Lago Sul.
Era o que faltava para os ânimos se acirrarem ainda mais no comitê. O imbróglio realçou, no interior da campanha de Dilma, o conflito entre dois grupos: o do mineiro Fernando Pimentel, responsável por levar Lanzetta para o staff de Dilma, e o do ex-ministro Antonio Palocci.
Deu na Veja
‘Era para levantar tudo, inclusive coisas pessoais’
Delegado conta que aloprados planejavam mesmo espionar aliados e o ex-governador José Serra
Policarpo Junior e Daniel Pereira:
Na semana passada, VEJA revelou a existência de um grupo que se reunia dentro do comitê eleitoral do PT, em Brasília, com a missão de espionar adversários e integrantes do próprio partido.
A notícia estremeceu as relações até então amigáveis entre os principais atores ligados à campanha presidencial. O PSDB anunciou que pretende convocar para depor no Congresso os personagens que tentaram montar uma rede de espionagem onde funciona o comitê de comunicação da pré-campanha da ex-ministra Dilma Rousseff.
“Haverá um acirramento”, avisou Eduardo Jorge, vice-presidente executivo dos tucanos. Já os petistas correm em sentido oposto, tentando pôr um ponto final à discussão. “Não fomos nós que colocamos esse assunto absurdo em pauta. Esse tipo de debate não interessa ao país”, afirma o presidente do PT, José Eduardo Dutra.
Na sexta-feira passada, em entrevista a VEJA, o delegado aposentado da Polícia Federal Onézimo Sousa revelou detalhes que ajudam a dimensionar com maior exatidão o que se planejou nos subterrâneos do comitê petista – forçando uma intervenção direta do comando da campanha com ordens expressas de parar com tudo.
Apontado como o chefe do grupo de espionagem, o policial garante que sua atuação se restringiu a uma reunião de planejamento. O que foi proposto, segundo ele, era inaceitável.
Em carta a VEJA, ele reafirmou que divergia “cabalmente quanto à metodologia e ao direcionamento dos trabalhos a ser ali executados”. O comitê petista queria identificar um suposto membro da cúpula da campanha que estaria vazando informações estratégicas.
Para isso, era necessário reunir os extratos telefônicos e rastrear com quem cada um deles conversava. Acreditava que por meio do cruzamento de números o traidor seria facilmente identificado.
A outra missão era ainda mais explosiva: monitorar o ex-governador José Serra, candidato à Presidência pelo PSDB, e o deputado tucano Marcelo Itagiba, seus familiares e amigos. Os aloprados do comitê queriam saber tudo o que os dois faziam e falavam.
No início de abril, ainda distante do atual clima de euforia com o resultado das pesquisas eleitorais, havia uma disputa interna pelo controle da campanha. De um lado, o ex-prefeito Fernando Pimentel, coordenador e amigo de Dilma. Do outro, um grupo do PT de São Paulo ligado ao vice-presidente do partido, o deputado Rui Falcão.
Onézimo Sousa conta que foi convidado para uma conversa com Pimentel, na área reservada de um restaurante tradicional de Brasília. No local marcado, não encontrou o coordenador da campanha, mas um representante do comitê, o jornalista Luiz Lanzetta.
Responsável pela parte de comunicação da campanha, Lanzetta explicou ao delegado que o objetivo deles era montar um grupo de espionagem. Não haveria contrato, e o pagamento – 1,6 milhão de reais, o equivalente a 160 000 por mês – seria feito pelo empresário Benedito de Oliveira Neto, um prestador de serviços que enriqueceu durante o governo Lula e estava presente à reunião, da qual participou também o ínclito, reto e vertical ex-jornalista e agora escritor Amaury Ribeiro.
O senhor foi apontado como chefe de um grupo contratado para espionar adversários e petistas rivais?
Fui convidado numa reunião da qual participaram o Lanzetta, o Amaury (Ribeiro), o Benedito (de Oliveira, responsável pela parte financeira) e outro colega meu, mas o negócio não se concretizou. Havia problemas de metodologia e direcionamento do trabalho que eles queriam.
Como assim?
Primeiro, queriam que a gente identificasse a origem de vazamentos que estavam acontecendo dentro do comitê. Havia a suspeita de que um dos coordenadores da campanha estaria sabotando o trabalho da equipe. Depois, queriam investigações sobre o governador José Serra e o deputado Marcelo Itagiba.
Que tipo de investigação?
Era para levantar tudo, inclusive coisas pessoais. O Lanzetta disse que eles precisavam saber tudo o que eles faziam e falavam. Grampos telefônicos…
Pediram ao senhor para grampear os telefones do ex-governador Serra?
Explicitamente, não. Mas, quando me disseram que queriam saber tudo o que se falava, ficou implícita a intenção. Ninguém é capaz de saber tudo o que se fala sobre alguém sem ouvir suas conversas. Respondendo objetivamente, é claro que eles queriam grampear o telefone do ex-governador.
Disseram exatamente que tipo de informação interessava?
Tudo o que pudesse ser usado contra ele na campanha, principalmente coisas da vida pessoal. Esse é o problema do direcionamento que eu te disse. O material não era para informação apenas. Era para ser usado na campanha. Na hora, adverti que aquilo ia acabar virando um novo escândalo dos aloprados.
Quem fez essa proposta?
Fui convidado para um encontro com Fernando Pimentel. Chegando lá no restaurante, estava o Luiz Lanzetta, que eu não conhecia, mas que se apresentou como representante do prefeito.
Ele pediu para investigar os petistas também?
Disse que estava preocupado, que tinha ocorrido uma reunião entre os seis coordenadores da campanha e que tudo o que havia sido discutido foi parar nos jornais. Havia alguém vazando informações, e ele queria saber quem era. Suspeitava do Rui Falcão.
O ex-prefeito Fernando Pimentel informou que não conhece o delegado e que Luiz Lanzetta não fala em seu nome. O jornalista, que continua trabalhando no comitê da campanha, disse que “fez uma bobagem” ao tentar criar um grupo que tinha como objetivo apenas evitar ataques dos adversários.
Deu no UOL
Jornalista sai da campanha de Dilma após polêmica sobre dossiê
FERNANDO RODRIGUES
DE BRASÍLIA
O jornalista e consultor Luiz Lanzetta pediu hoje desligamento da pré-campanha de Dilma Rousseff (PT) a presidente. A sua empresa, a Lanza, era usada até agora pelo PT para contratar a maioria dos integrantes da equipe de comunicação dilmista.
Hoje de madrugada, depois de ler uma entrevista do delegado aposentado da Polícia Federal Onézimo Sousa à revista “Veja”, acusando-o de ter proposto a montagem de um esquema de espionagem contra tucanos, Lanzetta oficializou sua saída enviando uma carta a Helena Chagas, coordenadora da assessoria de imprensa de Dilma.
À Folha Lanzetta negou ter proposto a montagem de um esquema de espionagem contra tucanos. Apesar das acusações, disse ter ficado aliviado com a entrevista de Onézimo. Assumiu toda a responsabilidade pelo episódio. “Tudo o que aconteceu diz respeito a mim. A reunião foi um ato feito voluntariamente por mim. E agora ficou claro que não tem central de arapongas e dossiês porque ninguém foi contratado. Então eu posso me desligar e me aliviar e ir embora”.
A reunião à qual Lanzetta se refere foi um encontro no dia 20 de abril, no restaurante Fritz, em Brasília. Além dele próprio, estavam presentes outras quatro pessoas: o delegado Onézimo, o jornalista Amaury Ribeiro Jr., Idalberto Matias de Araújo, o Dadá (sargento da reserva e ex-agente do serviço secreto da Aeronáutica) e Benedito de Oliveira (empresário de Brasília com boas ligações no governo petista).
Segundo Onézimo relatou à “Veja”, no encontro no Fritz foi feita uma proposta de operação de espionagem de adversários políticos do PT. Lanzetta nega: “O importante disso tudo é que há duas coisas que se confirmam. Primeiro, os cinco dizem que não houve negócio. Segundo, dos cinco presentes só um diz que eu propus algo para ele. Os outros relatam que algo foi proposto a nós”.
Lanzetta relata o que teria ouvido de Onézimo: “Ele veio se oferecer para acompanhar o Marcelo Itagiba [deputado federal pelo PSDB do Rio e ligado a José Serra, pré-candidato tucano a presidente]. Disseram que sabiam que o Marcelo Itagiba estava trabalhando porque já trabalharam na equipe dele e o conheceram. Falaram que o Marcelo Itagiba estava fazendo cem dossiês contra a base aliada. Estaria fazendo isso com uma série de ex-agentes da Polícia Federal e da Abin no gabinete dele. Essa informação era o que eles queriam dar e depois se ofereceram para ir atrás disso. Era uma coisa um pouco pirotécnica. Mas da nossa parte nada prosperou. É impressionante: é uma coisa da qual caímos fora e ficou como se tivéssemos feito”.
Lanzetta exime de responsabilidade todos os integrantes da cúpula petista nesse episódio do restaurante Fritz. Nega também que seu principal contato na direção da campanha, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, soubesse do encontro previamente.
A seguir, trechos da entrevista:
Folha – Quem estava na reunião de 20 de abril no restaurante Fritz, em Brasília?
Luiz Lanzetta – Cinco pessoas. Onézimo, Amaury, o Dadá, o Benedito e eu.
Folha – Quem marcou a reunião e fez os convites?
Luiz Lanzetta – Eu não me lembro.
Folha – Por que pessoas como o Benedito e o Amaury estavam nessa reunião?
Luiz Lanzetta – O Benedito estava lá até para me servir de testemunha agora. Até porque o Onézimo parece ter sido acometido por uma crise de ética que ficou retida por dois meses. Ele chegou ao encontro dizendo que transportava dinheiro. Os dois, ele e o Dadá, falaram ter conhecimento de que o Marcelo Itagiba estaria montando cem dossiês. Ofereceram-se.
Folha – Como foram os contatos seguintes?
Luiz Lanzetta – Nunca mais vi os dois. O fato a ser dito é que não foi feito nenhum contrato.
Folha – Numa entrevista, Onézimo falou ter sido proposto a ele grampear e espionar pessoas. Isso não é fato?
Luiz Lanzetta – Ele que ofereceu serviços de espionagem. Eu fui lá ouvir. Levantei e fui embora.
Folha – Mas Onézimo é muito assertivo ao dizer que foi proposto a ele buscar dados da vida pessoal do pré-candidato José Serra.
Luiz Lanzetta – Não é verdade. Não se tratou de Serra. Ele montou essa reunião agora para dar essa mídia toda. Não teve isso. Eu fui para uma reunião, ouço um monte de coisa, levanto e vou embora. Não faço contrato. Nunca mais falo com a pessoa. De repente aparece como se fosse uma proposta minha? Eu nunca mais quis encontrar com ele.
Ele veio se oferecer para acompanhar o Marcelo Itagiba. Disseram que sabiam que o Marcelo Itagiba estava trabalhando porque já trabalharam na equipe dele e o conheceram.
Folha – Mas Onézimo se ofereceu explicitamente para investigar Marcelo Itagiba?
Luiz Lanzetta – Explicitamente.
Folha – Qual serviço exatamente foi oferecido?
Luiz Lanzetta – Eles começaram a falar o que eles têm de serviço. Demonstram como seguem, como gravam. Essas coisas todas. Eu comecei nem prestar mais atenção. Eles falaram que o Marcelo Itagiba estava fazendo cem dossiês contra a base aliada. Estaria fazendo isso com uma série de ex-agentes da Polícia Federal e da Abin no gabinete dele. Essa informação era o que eles queriam dar e depois se ofereceram para ir atrás disso. Era uma coisa um pouco pirotécnica. Mas da nossa parte nada prosperou. É impressionante: é uma coisa da qual caímos fora e ficou como se tivéssemos feito.
Folha – Onézimo diz ter sido convidado para a reunião no Fritz pelo Pimentel. Isso ocorreu?
Luiz Lanzetta – É delírio. O Pimentel nem sabia disso. Só fui falar depois, quando começou a aparecer essa reunião. Falei para ele como tinha sido e que nada havia sido acertado.
Folha – Há uma informação de que Fernando Pimentel tinha conhecimento sobre a finalização da apuração que Amaury Ribeiro Jr. fazia, sobre privatizações e negócios de Verônica, filha de José Serra. Como se dava essa troca de informações?
Luiz Lanzetta – Não tinha. De minha parte, não.
Folha – Mas o Amaury poderia falar diretamente com Pimentel?
Luiz Lanzetta – Ah… só se houve algo assim. Porque nunca houve reunião que eu tenha visto dos dois.
Folha – Há também uma informação de que por algum canal, da pré-campanha ou do PT, Amaury Ribeiro teria sido remunerado regularmente para continuar suas apurações. Essa informação é real?
Luiz Lanzetta – Não tenho conhecimento. Pelo que eu sei não houve nada. O Amaury tem recursos para tocar a vida dele.
Folha – Quais serão seus próximos passos na pré-campanha?
Luiz Lanzetta – Hoje devo soltar uma nota a respeito de tudo. Tudo o que aconteceu diz respeito a mim. A reunião foi um ato feito voluntariamente por mim. Hoje [ontem] eu mandei uma carta para a pré-campanha e me desliguei. E agora ficou claro que não tem central de arapongas e dossiês porque ninguém foi contratado. Então eu posso me desligar e me aliviar e ir embora. Ninguém foi contratado, não existe. Mandei uma carta hoje [ontem] de madrugada. Quando eu vi as entrevistas [de Onézimo e uma reportagem sobre Dadá] eu pensei: ‘Dá para falar’. Fiquei tranquilo porque tudo está no meu âmbito. A carta foi para algumas pessoas, mas basicamente para a Helena Chagas.
Folha – Mas o seu contrato não vai até o final de junho?
Luiz Lanzetta – Eu estou saindo pessoalmente. O meu contrato eu estou abrindo mão e com grande alívio.
Folha – Mas se ao seu juízo nada errado foi feito, por que então sair da campanha?
Luiz Lanzetta – Por que não tenho como ficar na campanha nessa situação. É melhor para todos a minha saída. Foram 40 dias dizendo que eu fiz uma coisa que eu não fiz. E o principal é que ficou esclarecido que nenhum negócio foi feito como nos acusaram.
Marina diz que dossiê lembra “episódio de triste memória”
Da Redação
A pré-candidata do PV à Presidência, Marina Silva que a campanha presidencial não deve repetir “episódios de triste memória” do passado ao se referir à troca de acusações ente PSDB e PT sobre a produção de um susposto dossiê com acusações contra o tucano José Serra e seus familiares. “Espero que a campanha não resvale para os episódios de triste memória que já tivemos, com dossiês que depois se mostraram, enfim, bastante complicados”, disse Marina.
Reportagem da revista Veja, que circulou no último fim de semana, revelou que um grupo que atua na campanha da ex-ministra Dilma Rousseff (PT) preparava a produção do dossiê. A iniciativa teria sido barrada por outra ala do PT.
Marina disse que eventuais acusações e denúncias contra rivais “tem que ser fundamentadas em dados de realidade”. “Não tenho conhecimento [da troca de acusações entre Dilma e Serra], não tive tempo de ver. Estava competamente imbuída do trabalho que estava fazendo aqui [apresentação de programas sociais], portanto não gostaria de me manifestar sobre algo que não tive tempo de analisar”, afirmou a pré-candidata verde.
Deputado quer investigação sobre arapongagem do PT
Em discurso da Câmara, Marcelo Itagiba (PSDB-RJ) chama de “quadrilha” grupo de inteligência da campanha de Dilma
“Venho com muita tranquilidade a esta tribuna fazer uma grave denúncia e vou exigir desta Casa que ela tome as devidas providências. A revista Veja desta semana traz uma matéria relativa à estrutura de arapongagem incrustada na campanha presidencial da candidata Dilma, que, em boa hora, foi defenestrada por aqueles que cuidam dessa estrutura.
É muito grave vermos um estado policial, que já foi desmontado em um dado momento pela Comissão Parlamentar de Inquérito das Escutas Telefônicas, ressurgir dentro de uma campanha política.
Portanto, esses fatos não podem ficar sem a devida apuração por parte dos órgãos competentes, pois reunir pessoas para a prática de atos criminosos, como a quebra de sigilo de essoas e outros tipificados no Código Penal, merece a repressão por parte dos órgãos competentes.
E, quando se juntam mais de três para a prática, é formação de quadrilha ou bando. O que estamos vendo é a ressurreição dos mesmos aloprados que no passado já traíram o Presidente da República e criaram enormes constrangimentos para o Governo.
Chegou a hora de esta Casa tomar as medidas necessárias e encaminhar ao Tribunal Superior Eleitoral pedido de investigação para saber se há dinheiro público colocado nessas contratações.
É preciso acionar a Procuradoria-Geral da República, para que determine uma investigação para saber a proveniência desse dinheiro colocado à disposição das investigações espúrias.
Também é necessário solicitar ao Departamento de Polícia Federal que apure as ações dessa quadrilha de aloprados que se colocava à margem da lei para investigar pessoas que estão dentro de um disputa política e eleitoral.
É preciso investigar a empresa do Sr. Luiz Lanzetta e saber quem é o Sr. Luiz Lanzetta; como também o Sr. Benedito de Oliveira Neto,que serviço presta ao Estado brasileiro através de suas empresas.
Portanto, é importante colocar um ponto final na questão relacionada à matéria publicada. No passado, já tivemos a oportunidade de ver o Zeca Diabo do PT, agente da inteligência cubana, a serviço do governo de Cuba, que atuou em nosso País e está sempre por trás desses aloprados que praticam crime em nome de um partido que não pode coadunar com esse tipo de atividade espúria.
É por isso que eu vi com satisfação que o partido adotou as medidas cabíveis, mas elas não são suficientes, pois são necessárias as investigações pelos órgãos competentes. Porque, na verdade, são antropófagos que estão praticando a autofagia, porque estavam investigando inclusive os membros do próprio partido envolvidos nessa campanha.
Esse tipo de criminoso não pode ter trégua e tem que ser combatido por todos: pelo Parlamento, pelas polícias e inclusive pelo próprio PT, que deveria neste momento pegar o nome de todos esses indivíduos envolvidos, que foram contratados por pessoas ligadas à legenda, para que esses nomes sejam encaminhados à Polícia Federal.
Não sou a favor de nenhum dossiê, nem nunca pratiquei na minha vida qualquer tipo de dossiê. Honro o distintivo que carrego de Delegado de Polícia Federal. Como Delegado de Polícia Federal, investiguei sempre os criminosos, através de inquérito policial, para colocá-los na cadeia.
É por isso que foram defenestrados todos aqueles envolvidos com o Zeca Diabo, agente da inteligência cubana, que levou à morte no território nacional durante o chamado período da revolução no Brasil seus companheiros que vieram de Cuba.
É preciso apurar todos os fatos como eles são. Não aceito que se fale por trás. Venho aqui e falo na frente e exijo providências, porque tenho um mandato a honrar nesta Casa que não pode ser afrontado.
Digo isto porque uma afronta ao meu mandato é uma afronta ao mandato de qualquer um dos Parlamentares, que não poderão mais ter a liberdade de ir e vir, porque existem arapongas envolvidos em partidos políticos produzindo dossiês.
Por isso, nada temo. Esses, sim, temem, porque estão respondendo a processo-crime perante a Justiça. Já foram defenestrados desta Casa. E eu estou pronto para enfrentá-los onde quer que seja, seja na tribuna, seja pessoalmente, seja aqui dentro, seja lá fora, porque temos que zelar pela democracia”.
Da Folha.com
PT vai questionar Serra por atribuir autoria de suposto dossiê a Dilma
NANCY DUTRA
NOELI MENEZES
DE BRASÍLIA
O PT decidiu interpelar judicialmente o pré-candidato tucano à Presidência, José Serra, para que ele confirme ou não a declaração na qual atribuiu a Dilma Rousseff (PT) a responsabilidade pela confecção de um suposto dossiê contra ele. Se reafirmar, será processado, segundo os petistas.
A decisão foi tomada nesta quinta-feira após reunião entre o presidente do partido, José Eduardo Dutra, e o secretário-geral do partido, deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP).
“Um candidato à Presidência não pode ficar fazendo acusações ao léu. Se ele confirmar o que disse, entraremos com uma ação por danos morais. Ele terá de provar o que falou. Essa declaração é uma lesão à imagem de Dilma”, defendeu Cardozo.
“Decidimos interpelar o Serra judicialmente, pelas suas acusações a Dilma e ao PT sobre o tal dossiê. Quem não deve, não teme”, escreveu Dutra, na sua página no Twitter.
No sábado, a revista “Veja” divulgou que petistas articularam a montagem de uma equipe de espionagem para confeccionar dossiês contra adversários, mas a estratégia não teria ido adiante, em razão de intervenção de outra ala do partido.
Deu na Folha de S.Paulo (clique para ler a integra)
Serra acusa Dilma de estar por trás de suposto dossiê
Objetivo de tucano é colar na petista a imagem de sectária e “sem coração”
Pré-candidato do PSDB diz “não ter dúvidas” da participação da petista e que “PT tem tradição” na produção de dossiês
CATIA SEABRA
DE SÃO PAULO
Com o objetivo de imprimir na adversária a pecha de sectária, o pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, atribuiu à petista Dilma Rousseff a autoria de um suposto dossiê contra ele. “A principal responsabilidade desse dossiê é da candidata Dilma. Não tenho dúvidas”, afirmou Serra.
No sábado, a revista “Veja” divulgou que petistas articularam a montagem de uma equipe de espionagem para confeccionar dossiês contra adversários, mas a estratégia não teria ido adiante, em razão de intervenção de outra ala do partido. Os petistas negam as acusações.
Ao acusar Dilma, Serra tenta desestabilizar a campanha petista, a exemplo do que ocorreu em 2006, quando a candidatura de Aloizio Mercadante ao governo paulista foi abatida em meio ao escândalo dos aloprados. A ideia é reeditar o clima de 2006. Até hoje, tucanos creditam a vitória fácil de Serra em 2006 à descoberta de uma operação para compra de dossiês contra o partido. A aparição de dinheiro destinado à compra também beneficiou Geraldo Alckmin, então candidato ao Planalto.
Ontem, Serra lembrou o caso e a montagem de um grupo petista em 2002 para afirmar que o “PT tem tradição” na produção de dossiês. A irritação de Serra se deve ao fato de que a filha, Veronica, foi alvo de investigações, informação divulgada pelo jornal “O Globo”. Indignado, incentivou reação do PSDB.
Em Brasília, o deputado Marcelo Itagiba (RJ) disse que vai pedir apuração das atividades de um “grupo de inteligência” que teria sido montado pelo jornalista e consultor Luiz Lanzetta.
Para Dilma, acusação tucana é “falsidade”
Presidente do PT, José Eduardo Dutra, afirma que ninguém encomendou dossiê e que Serra mostra “desespero”
Partido “blinda” petista para evitar que ela seja envolvida na polêmica; Garcia diz que campanha será “desdossierizada”
RANIER BRAGON
ENVIADO ESPECIAL A GOIÂNIA
Diante da acusação do PSDB de que Dilma Rousseff (PT) é responsável por dossiês, o PT “blindou” a ex-ministra para evitar que ela entrasse na polêmica e chamou de “pesquisite aguda” e “patifaria” as reações tucanas. Durante quase toda a sua visita a Goiânia, ontem, Dilma evitou falar com os jornalistas. Ao ir embora, afirmou: “Isso [a acusação de Serra] é uma falsidade. Eu não vou ficar batendo boca sobre isso.
Agora, é uma falsidade.” Antes, o presidente do PT, José Eduardo Dutra, que a acompanhou, convocou a mídia para contestar Serra.
“Não há nenhuma ação por parte do PT no sentido de orientar, autorizar ou encomendar a formação de dossiês. Repelimos essa política.” Para Dutra, Serra revela “desespero”, “estresse acima do suportável” e “pesquisite aguda”. O petista disse ainda que é “patifaria” ligar Dilma à montagem de dossiês.
Dutra também afirmou que o jornalista e consultor Luiz Lanzetta “não faz parte da campanha”. A empresa de Lanzetta é responsável pela contratação de assessores para o auxílio de Dilma.
Reportagem da revista “Veja” informou que Lanzetta manteve contatos com um delegado aposentado e com outros investigadores para contratar seus serviços, o que acabou não ocorrendo.
A atitude de Lanzetta levantou a suspeita sobre produção de “dossiês” para serem usados contra José Serra. Segundo Dutra, o trabalho de Lanzetta se resumiu a contratar pessoas indicadas pelo PT. “Não sei se houve tal contato [com pessoas que produziriam o dossiê], se não houve. Se houve, não há nenhuma responsabilidade do partido ou da campanha.”








