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Dilma cresce entre as mulheres e fica a 3 pontos de vencer no primeiro turno
Pesquisa Datafolha para presidente da República mostra Dilma com 41% das intenções de voto. Ela abriu uma vantagem de oito pontos sobre seu principal adversário, José Serra (PSDB), que registrou 33%.
Marina Silva (PV) tem 10%. Brancos e nulos são 5%. Indecisos, 9%. A pesquisa foi realizada entre os dias 9 e 12.
Quando se consideram apenas os votos válidos (os que são dados aos candidatos), Dilma vai a 47%. Fica a três pontos de uma eventual vitória no primeiro turno. A margem de erro máxima é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Entre mulheres, grupo no qual o PT e Lula enfrentam dificuldades históricas, ela subiu de 30% para 35%, empatando com Serra. São as mulheres que estão dando a liderança a Dilma, que agora terá a de manter e ampliar esta vantagem para conseguir vencer em 3 de outubro.
A pesquisa confirma tendência apontada por Fátima Pacheco Jordão (veja post abaixo), do Instituto Patricia Galvão.
A disputa se encerra no primeiro turno se um dos concorrentes obtém, pelo menos, 50% mais um dos votos válidos. Nessa conta na qual Dilma aparece com 47%, Serra tem 38%. Marina Silva registra 12%. Os candidatos de partidos pequenos somados vão a 2%.
Dilma cresce com o voto das mulheres
Fátima Pacheco Jordão
Dados processados pelo Datafolha com exclusividade para o Instituto Patrícia Galvão, e analisados por Fátima Pacheco Jordão, apresentam novos ângulos para explicar a tendência de crescimento da candidata Dilma Rousseff (PT) e de queda do candidato José Serra (PSDB).
Volatilidade do voto continua alta
Quando indagados sobre a intenção de voto presidencial, grande proporção de eleitores não declara voto espontaneamente, o que significa que ainda não há uma forte convicção na preferência por algum candidato. O patamar de volatilidade do voto permanece elevado, assim como a diferença entre os sexos. A maior taxa de indecisão de voto na resposta espontânea para presidente está entre as mulheres. Segundo a pesquisa Datafolha de 23 de julho, 59% das mulheres não citam candidatos; já entre os homens, os indecisos são 39%.
Da mesma forma, na intenção de voto estimulada os homens apontam seus candidatos em uma proporção maior que as mulheres, que mantêm a tendência histórica de definir o voto à medida que o processo eleitoral avança, ancoradas nas informações recebidas em cada estágio da campanha, até o final.

Gráfico 1 – Datafolha 01/07 e 23/07/2010; Ibope 29/07/2010
No gráfico a seguir, pode-se observar quais são os segmentos de mulheres que menos definem candidato/a espontaneamente: são as eleitoras das regiões Norte/Centro-Oeste (63%), dos estados do Paraná (64%) e Rio de Janeiro (62%) e do Distrito Federal (62%).
Com relação a aspectos demográficos, as que menos indicam espontaneamente sua intenção de voto são as jovens de 16 a 24 anos (64%) e as que apresentam escolaridade fundamental (66%). É interessante verificar que, mesmo no segmento de escolaridade superior, as mulheres também se diferenciam dos homens: 42% delas não apontam candidato/a espontaneamente, contra 25% dos homens. Estes segmentos femininos serão os mais visados pelas campanhas durante a propaganda eleitoral.

Gráfico 2 – Datafolha/Agência Patrícia Galvão, 23/07/2010. Reprocessamento inédito por sexo realizado com exclusividade para o Instituto Patrícia Galvão
Serra perde votos entre mulheres, segundo datafolha
José Serra –que manteve vantagem entre as mulheres ao longo do primeiro semestre, chegando a cravar uma boa distância de Dilma Rousseff em junho (Serra 45% x Dilma 30%; Datafolha, 1º/7)– no mês de julho foi perdendo força entre o eleitorado feminino, caindo sete pontos, de 45% para 38% (Datafolha, 23/7).
Dilma Rousseff mantém a liderança na intenção de voto do eleitorado masculino, vencendo Serra neste segmento desde maio (Dilma 42% x Serra 36%). Apesar do crescimento de Dilma, persiste a distância de sua votação entre homens e mulheres, como revela o Datafolha.
Fátima Pacheco Jordão é socióloga e especialista em pesquisas de opinião. Fundadora do Instituto Patrícia Galvão, é assessora de pesquisa da TV Cultura.
Análise realizada a partir de reprocessamento inédito das pesquisas sobre intenção de voto do Datafolha. A produção de tabulações especiais foi realizada pelo Datafolha com exclusividade para o Instituto Patrícia Galvão, aplicando um filtro por gênero para separar os dados de homens e mulheres para todos os segmentos da amostra.
Este documento foi elaborado no contexto do Projeto Mulheres em Espaços de Poder do Instituto Patrícia Galvão, que tem o objetivo de analisar a percepção das mulheres enquanto eleitoras, com base nos levantamentos sobre intenção de voto realizados por institutos de pesquisa de opinião.
Colaboraram as pesquisadoras Ana Carla de Sá e Paula Cabrini (Perfil Urbano) e as jornalistas Marisa Sanematsu e Jacira Melo (Instituto Patrícia Galvão).
Vox Populi: Dilma Rousseff (PT) 40% x 35% José Serra (PSDB)
Pesquisa Vox Populi sobre a eleição presidencial indica que Dilma Rousseff (PT) tem 40% das intenções de voto. José Serra (PSDB) tem 35%. Marina Silva (PV), 8%. A sondagem foi feita entre os dias 24 e 26 deste mês e tem margem de erro de 1,8 ponto percentual.
Pela 1ª vez, Dilma passa a frente de Serra em pesquisa Vox Populi. Na última pesquisa do Ibope, divulgada semana passada, a petista já aparecia na frente com o mesmo resultado aferido pela Vox. Na pesquisa espontêna, em que o entrevistador apresenta uma lista com nomes dos candidatos para o entrevistado, Dilma tem 26% e Serra tem 20%.
Deu no UOL
Jornalista sai da campanha de Dilma após polêmica sobre dossiê
FERNANDO RODRIGUES
DE BRASÍLIA
O jornalista e consultor Luiz Lanzetta pediu hoje desligamento da pré-campanha de Dilma Rousseff (PT) a presidente. A sua empresa, a Lanza, era usada até agora pelo PT para contratar a maioria dos integrantes da equipe de comunicação dilmista.
Hoje de madrugada, depois de ler uma entrevista do delegado aposentado da Polícia Federal Onézimo Sousa à revista “Veja”, acusando-o de ter proposto a montagem de um esquema de espionagem contra tucanos, Lanzetta oficializou sua saída enviando uma carta a Helena Chagas, coordenadora da assessoria de imprensa de Dilma.
À Folha Lanzetta negou ter proposto a montagem de um esquema de espionagem contra tucanos. Apesar das acusações, disse ter ficado aliviado com a entrevista de Onézimo. Assumiu toda a responsabilidade pelo episódio. “Tudo o que aconteceu diz respeito a mim. A reunião foi um ato feito voluntariamente por mim. E agora ficou claro que não tem central de arapongas e dossiês porque ninguém foi contratado. Então eu posso me desligar e me aliviar e ir embora”.
A reunião à qual Lanzetta se refere foi um encontro no dia 20 de abril, no restaurante Fritz, em Brasília. Além dele próprio, estavam presentes outras quatro pessoas: o delegado Onézimo, o jornalista Amaury Ribeiro Jr., Idalberto Matias de Araújo, o Dadá (sargento da reserva e ex-agente do serviço secreto da Aeronáutica) e Benedito de Oliveira (empresário de Brasília com boas ligações no governo petista).
Segundo Onézimo relatou à “Veja”, no encontro no Fritz foi feita uma proposta de operação de espionagem de adversários políticos do PT. Lanzetta nega: “O importante disso tudo é que há duas coisas que se confirmam. Primeiro, os cinco dizem que não houve negócio. Segundo, dos cinco presentes só um diz que eu propus algo para ele. Os outros relatam que algo foi proposto a nós”.
Lanzetta relata o que teria ouvido de Onézimo: “Ele veio se oferecer para acompanhar o Marcelo Itagiba [deputado federal pelo PSDB do Rio e ligado a José Serra, pré-candidato tucano a presidente]. Disseram que sabiam que o Marcelo Itagiba estava trabalhando porque já trabalharam na equipe dele e o conheceram. Falaram que o Marcelo Itagiba estava fazendo cem dossiês contra a base aliada. Estaria fazendo isso com uma série de ex-agentes da Polícia Federal e da Abin no gabinete dele. Essa informação era o que eles queriam dar e depois se ofereceram para ir atrás disso. Era uma coisa um pouco pirotécnica. Mas da nossa parte nada prosperou. É impressionante: é uma coisa da qual caímos fora e ficou como se tivéssemos feito”.
Lanzetta exime de responsabilidade todos os integrantes da cúpula petista nesse episódio do restaurante Fritz. Nega também que seu principal contato na direção da campanha, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, soubesse do encontro previamente.
A seguir, trechos da entrevista:
Folha – Quem estava na reunião de 20 de abril no restaurante Fritz, em Brasília?
Luiz Lanzetta – Cinco pessoas. Onézimo, Amaury, o Dadá, o Benedito e eu.
Folha – Quem marcou a reunião e fez os convites?
Luiz Lanzetta – Eu não me lembro.
Folha – Por que pessoas como o Benedito e o Amaury estavam nessa reunião?
Luiz Lanzetta – O Benedito estava lá até para me servir de testemunha agora. Até porque o Onézimo parece ter sido acometido por uma crise de ética que ficou retida por dois meses. Ele chegou ao encontro dizendo que transportava dinheiro. Os dois, ele e o Dadá, falaram ter conhecimento de que o Marcelo Itagiba estaria montando cem dossiês. Ofereceram-se.
Folha – Como foram os contatos seguintes?
Luiz Lanzetta – Nunca mais vi os dois. O fato a ser dito é que não foi feito nenhum contrato.
Folha – Numa entrevista, Onézimo falou ter sido proposto a ele grampear e espionar pessoas. Isso não é fato?
Luiz Lanzetta – Ele que ofereceu serviços de espionagem. Eu fui lá ouvir. Levantei e fui embora.
Folha – Mas Onézimo é muito assertivo ao dizer que foi proposto a ele buscar dados da vida pessoal do pré-candidato José Serra.
Luiz Lanzetta – Não é verdade. Não se tratou de Serra. Ele montou essa reunião agora para dar essa mídia toda. Não teve isso. Eu fui para uma reunião, ouço um monte de coisa, levanto e vou embora. Não faço contrato. Nunca mais falo com a pessoa. De repente aparece como se fosse uma proposta minha? Eu nunca mais quis encontrar com ele.
Ele veio se oferecer para acompanhar o Marcelo Itagiba. Disseram que sabiam que o Marcelo Itagiba estava trabalhando porque já trabalharam na equipe dele e o conheceram.
Folha – Mas Onézimo se ofereceu explicitamente para investigar Marcelo Itagiba?
Luiz Lanzetta – Explicitamente.
Folha – Qual serviço exatamente foi oferecido?
Luiz Lanzetta – Eles começaram a falar o que eles têm de serviço. Demonstram como seguem, como gravam. Essas coisas todas. Eu comecei nem prestar mais atenção. Eles falaram que o Marcelo Itagiba estava fazendo cem dossiês contra a base aliada. Estaria fazendo isso com uma série de ex-agentes da Polícia Federal e da Abin no gabinete dele. Essa informação era o que eles queriam dar e depois se ofereceram para ir atrás disso. Era uma coisa um pouco pirotécnica. Mas da nossa parte nada prosperou. É impressionante: é uma coisa da qual caímos fora e ficou como se tivéssemos feito.
Folha – Onézimo diz ter sido convidado para a reunião no Fritz pelo Pimentel. Isso ocorreu?
Luiz Lanzetta – É delírio. O Pimentel nem sabia disso. Só fui falar depois, quando começou a aparecer essa reunião. Falei para ele como tinha sido e que nada havia sido acertado.
Folha – Há uma informação de que Fernando Pimentel tinha conhecimento sobre a finalização da apuração que Amaury Ribeiro Jr. fazia, sobre privatizações e negócios de Verônica, filha de José Serra. Como se dava essa troca de informações?
Luiz Lanzetta – Não tinha. De minha parte, não.
Folha – Mas o Amaury poderia falar diretamente com Pimentel?
Luiz Lanzetta – Ah… só se houve algo assim. Porque nunca houve reunião que eu tenha visto dos dois.
Folha – Há também uma informação de que por algum canal, da pré-campanha ou do PT, Amaury Ribeiro teria sido remunerado regularmente para continuar suas apurações. Essa informação é real?
Luiz Lanzetta – Não tenho conhecimento. Pelo que eu sei não houve nada. O Amaury tem recursos para tocar a vida dele.
Folha – Quais serão seus próximos passos na pré-campanha?
Luiz Lanzetta – Hoje devo soltar uma nota a respeito de tudo. Tudo o que aconteceu diz respeito a mim. A reunião foi um ato feito voluntariamente por mim. Hoje [ontem] eu mandei uma carta para a pré-campanha e me desliguei. E agora ficou claro que não tem central de arapongas e dossiês porque ninguém foi contratado. Então eu posso me desligar e me aliviar e ir embora. Ninguém foi contratado, não existe. Mandei uma carta hoje [ontem] de madrugada. Quando eu vi as entrevistas [de Onézimo e uma reportagem sobre Dadá] eu pensei: ‘Dá para falar’. Fiquei tranquilo porque tudo está no meu âmbito. A carta foi para algumas pessoas, mas basicamente para a Helena Chagas.
Folha – Mas o seu contrato não vai até o final de junho?
Luiz Lanzetta – Eu estou saindo pessoalmente. O meu contrato eu estou abrindo mão e com grande alívio.
Folha – Mas se ao seu juízo nada errado foi feito, por que então sair da campanha?
Luiz Lanzetta – Por que não tenho como ficar na campanha nessa situação. É melhor para todos a minha saída. Foram 40 dias dizendo que eu fiz uma coisa que eu não fiz. E o principal é que ficou esclarecido que nenhum negócio foi feito como nos acusaram.
Deu na Folha de S.Paulo (clique para ler a integra)
Serra acusa Dilma de estar por trás de suposto dossiê
Objetivo de tucano é colar na petista a imagem de sectária e “sem coração”
Pré-candidato do PSDB diz “não ter dúvidas” da participação da petista e que “PT tem tradição” na produção de dossiês
CATIA SEABRA
DE SÃO PAULO
Com o objetivo de imprimir na adversária a pecha de sectária, o pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, atribuiu à petista Dilma Rousseff a autoria de um suposto dossiê contra ele. “A principal responsabilidade desse dossiê é da candidata Dilma. Não tenho dúvidas”, afirmou Serra.
No sábado, a revista “Veja” divulgou que petistas articularam a montagem de uma equipe de espionagem para confeccionar dossiês contra adversários, mas a estratégia não teria ido adiante, em razão de intervenção de outra ala do partido. Os petistas negam as acusações.
Ao acusar Dilma, Serra tenta desestabilizar a campanha petista, a exemplo do que ocorreu em 2006, quando a candidatura de Aloizio Mercadante ao governo paulista foi abatida em meio ao escândalo dos aloprados. A ideia é reeditar o clima de 2006. Até hoje, tucanos creditam a vitória fácil de Serra em 2006 à descoberta de uma operação para compra de dossiês contra o partido. A aparição de dinheiro destinado à compra também beneficiou Geraldo Alckmin, então candidato ao Planalto.
Ontem, Serra lembrou o caso e a montagem de um grupo petista em 2002 para afirmar que o “PT tem tradição” na produção de dossiês. A irritação de Serra se deve ao fato de que a filha, Veronica, foi alvo de investigações, informação divulgada pelo jornal “O Globo”. Indignado, incentivou reação do PSDB.
Em Brasília, o deputado Marcelo Itagiba (RJ) disse que vai pedir apuração das atividades de um “grupo de inteligência” que teria sido montado pelo jornalista e consultor Luiz Lanzetta.
Para Dilma, acusação tucana é “falsidade”
Presidente do PT, José Eduardo Dutra, afirma que ninguém encomendou dossiê e que Serra mostra “desespero”
Partido “blinda” petista para evitar que ela seja envolvida na polêmica; Garcia diz que campanha será “desdossierizada”
RANIER BRAGON
ENVIADO ESPECIAL A GOIÂNIA
Diante da acusação do PSDB de que Dilma Rousseff (PT) é responsável por dossiês, o PT “blindou” a ex-ministra para evitar que ela entrasse na polêmica e chamou de “pesquisite aguda” e “patifaria” as reações tucanas. Durante quase toda a sua visita a Goiânia, ontem, Dilma evitou falar com os jornalistas. Ao ir embora, afirmou: “Isso [a acusação de Serra] é uma falsidade. Eu não vou ficar batendo boca sobre isso.
Agora, é uma falsidade.” Antes, o presidente do PT, José Eduardo Dutra, que a acompanhou, convocou a mídia para contestar Serra.
“Não há nenhuma ação por parte do PT no sentido de orientar, autorizar ou encomendar a formação de dossiês. Repelimos essa política.” Para Dutra, Serra revela “desespero”, “estresse acima do suportável” e “pesquisite aguda”. O petista disse ainda que é “patifaria” ligar Dilma à montagem de dossiês.
Dutra também afirmou que o jornalista e consultor Luiz Lanzetta “não faz parte da campanha”. A empresa de Lanzetta é responsável pela contratação de assessores para o auxílio de Dilma.
Reportagem da revista “Veja” informou que Lanzetta manteve contatos com um delegado aposentado e com outros investigadores para contratar seus serviços, o que acabou não ocorrendo.
A atitude de Lanzetta levantou a suspeita sobre produção de “dossiês” para serem usados contra José Serra. Segundo Dutra, o trabalho de Lanzetta se resumiu a contratar pessoas indicadas pelo PT. “Não sei se houve tal contato [com pessoas que produziriam o dossiê], se não houve. Se houve, não há nenhuma responsabilidade do partido ou da campanha.”
Sensus registra empate entre Serra e Dilma
Resultados da pesquisa de intenção de votos para presidente da República aplicada pelo Instituto Sensus por encomenda do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Pesada e Afins do Estado de São Paulo. Foram aplicadas 2 mil entrevistas, entre 5 e 9 de abril, em 136 municípios de 24 Estados.
Serra: 32,7% .
Dilma: 32,3%.
Ciro Gomes: 10,1%.
Marina Silva: 8,1%.
Brancos e nulos: 7,7%.
Não sabe: 9,1%.
Cenário sem Ciro: Serra 36,8%; Dilma 34,0%; Marina, 10,6%. Brancos e nulos: 9,1%.
Não sabe ou não respondeu: 9,5%.
Segundo turno: Serra 41,7%; Dilma, 39,7%.
Brancos e Nulos: 10,1%.
Não sabe e não respondeu: 8,5%.
Margem de erro da pesquisa: 2,2%
Dilma estreia no Twitter
Ela já tem 1.035 seguidores no microblog
Com muito atraso em relação ao rival tucano José Serra (PSDB), a presidenciável petista Dilma Rousseff estreou no domingo, 11, no Twitter. Dilma, que adotou o login “dilmabr” no microblog (http://twitter.com/dilmabr), começou a escrever às 18 horas, em casa, de seu computador. Às 19h15, tinha pouco menos de 900 seguidores. Às 19h20, eram 1.035.
De início, ela escolheu seguir seis pessoas: o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, os ministros de Relações Institucionais Alexandre Padilha, e do Planejamento, Paulo Bernardo, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), além da jornalista Helena Chagas e Marcelo Branco, membros de sua equipe de comunicação.
“Começo hoje minha aventura no twitter. Quero aprender c/ vcs”, escreveu. Mas avisou: “Tbém não vou ficar fingindo que passarei muito tempo na web. Vcs sabem que será impossível. Alguns amigos vão me ajudar”.
Não se pode reduzir juros “feito maluco”, diz Dilma
Pré-candidata diz que manter política econômica é “mais do que compromisso”
Petista ironiza promessa de Serra de que vai “fazer mais”, diz que adversário não pode se dissociar de FHC e que ela “carregou piano” no governo
MARIA CRISTINA FRIAS
COLUNISTA DA FOLHA
VALDO CRUZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Pré-candidata petista à Presidência da República, Dilma Rousseff diz que manter a política econômica do governo Lula “é mais do que compromisso” e que não pretende mudar a política monetária atual. “Você não pode sair por aí reduzindo os juros feito maluco”, diz.
Ex-chefe da Casa Civil, responsável pelo PAC, Dilma rebate o discurso dos tucanos de que o ex-governador José Serra (PSDB) mostrará que é capaz de fazer melhor do que ela. “O que ele [Serra] foi? Ele não pode dizer que a biografia dele não passa pelo governo FHC. A minha biografia é o governo Lula. Eu carreguei o piano nesses cinco anos [na Casa Civil], eles não podem me tirar isso.”
Dilma sugere que as empreiteiras desistiram do leilão de Belo Monte porque “o pessoal está estofadinho de obras”, o que aumentaria o poder de escolha do empresariado.
Sobre a possibilidade de surgir um novo consórcio para disputar o leilão, ela se esquiva: “Eu já não estou acompanhando isso mais, sabe”. Mas deixa claro que não é intenção do governo ceder e mudar regras.
A ex-ministra afirma que dará prioridade ao aumento das exportações, principalmente de manufaturados, e que vai procurar desonerar o setor.
Por fim, ela defende a política de criação de grandes grupos empresariais, sob estímulo do BNDES. Dilma conversou com a Folha por mais de duas horas, na quinta-feira, na casa do marqueteiro João Santana, que servirá de escritório para a pré-candidata, em Brasília.
POLÍTICA ECONÔMICA
De olho nas dúvidas que o mercado levanta sobre sua posição a respeito da política econômica, Dilma diz que manter o tripé metas de inflação, câmbio flutuante e rigor fiscal “é mais do que compromisso” e que não há motivos para mudar o que deu certo. “Por que eu iria abandonar? O que eu ganharia com isso? Vou manter as bases da nossa estabilidade.”
A ex-chefe da Casa Civil, que no primeiro mandato de Lula chegou a ter divergências com a equipe do ex-ministro Antonio Palocci sobre o tamanho do superavit primário, afirma que irá manter a meta de 3,3% do PIB de economia de gastos para pagar juros da dívida durante um eventual governo seu. “Queremos inclusive ter superavit nominal, de 0,4% do PIB até 2014″, afirma, acrescentando que tem a “ambição” de reduzir a dívida pública dos atuais 42,9% do PIB para 28,7%.
JUROS ALTOS
A petista diz que a manutenção do superavit primário permitirá a continuidade da redução das taxas de juros pelo BC, mas que não esperem dela tentativas de “dar um golpe de forma artificial nos juros”, porque “você não pode sair por aí reduzindo os juros feito maluco” -uma alfinetada em tucanos que defendem queda brusca na taxa de juros. “Isso não é sustentável”, diz ela, que antes não poupava críticas ao presidente do BC, Henrique Meirelles.
AUTONOMIA DO BC
Vista com reservas por boa parte do sistema financeiro por conta de suas críticas ao conservadorismo do Banco Central, Dilma diz que não vai alterar o modelo de autonomia informal adotado no governo Lula, mas não irá além disso. “Acho que a lei que existe hoje é muito boa. Não pretendo passar nenhuma lei [sobre autonomia do BC], não vejo por que. A que existe hoje é perfeita.”
Dilma diz que não pretende tirar o status de ministro que o presidente do BC ganhou durante o governo Lula -na época, para Meirelles ter foro privilegiado e evitar problemas com o Ministério Público. “Por que vamos tirar isso?”, questiona.
Indagada se o BC não perdeu em 2008 uma janela para reduzir ainda mais os juros, afirma “que é muito difícil raciocinar assim”. “Hoje eu posso até achar isso, mas depois que a coisa aconteceu”.
PÓS-MEIRELLES
Indagada sobre quem escolheria para substituir Meirelles, a ex-ministra evita o tema. “Isso, de ficar sentando na cadeira antes, ficar escolhendo nomes antes, não dá sorte”, diz.
CÂMBIO
Lembrando que algumas medidas para o setor serão divulgadas ainda no governo Lula, a petista diz que o objetivo é reduzir o custo da produção de manufaturados. “Mesmo sabendo que o que puxa a economia brasileira é o mercado interno, nós vamos ter de dar uma força imensa na ampliação das exportações, dar prioridade para os manufaturados.”
O QUE FALTOU FAZER
Fora do governo por conta da lei eleitoral, a ex-ministra diz que a “gente sempre acha que há tanta coisa que deixou de fazer”. Cita especificamente o Programa Nacional de Banda Larga, prometido para ser lançado em 2009. “Essa questão da banda larga demorou muito, porque teve esse problema da Justiça.” “A nossa briga não é com os acionistas”, diz, em referência ao empresário Nelson dos Santos, que comprou a Eletronet por R$ 1 e assumiu dívida de R$ 800 milhões.
ESTÍMULO A FUSÕES
A ministra defende a política do governo Lula de incentivar e estimular com verbas do BNDES a fusão e criação de grandes empresas nacionais, como no caso da compra da Brasil Telecom pela Oi. “Não inventamos ninguém, fundiram-se aqueles que tinham envergadura para isso”, afirma.
Em seguida, questiona e responde ao mesmo tempo: “Se você me pergunta se foi bom, eu digo que, na área de petroquímica, ou ganhamos escala ou não competimos internacionalmente”. Ela defende o raciocínio para outros setores. “Em celulose, tem de ter escala. No de carnes, é bom que tenha escala. Na telefonia, também.”
PRIVATIZAÇÕES
A petista procura diferenciar as privatizações do governo FHC e o estímulo a fusão de empresas do período Lula. Para ela, a venda de estatais ocorreu no passado por falta de recursos. “Fizemos aquilo porque não tínhamos dinheiro. Se tivéssemos, nós é que teríamos comprado.” Em seguida, porém, defende a presença das multinacionais no setor de telefonia. “É importante que eles estejam aqui [os espanhóis da Telefonica e o mexicano Carlos Slim da Embratel]. É bom porque força nossas empresas privadas a ter mais musculatura”, para logo depois defender a criação de uma grande empresa telecomunicação nacional, como a originada da fusão da Oi com a Brasil Telecom.
SERRA FAZ MELHOR?
Instada a comentar a tônica do discurso tucano, de que Serra teria capacidade para fazer melhor do que ela, Dilma responde em tom de desafio: “Vou dizer o seguinte. Convence. Convence [disso] os empresários, os prefeitos. Sabe qual a diferença? Nós fizemos, eles [empresários] sabem que nós fizemos, e sabem das dificuldades que enfrentamos.”
BELO MONTE
Ao comentar a decisão das empreiteiras Odebrecht e Camargo Corrêa de desistir do leilão da hidrelétrica de Belo Monte, a ex-ministra sugere que eles só fizeram isso porque há muitas obras hoje no país. “Sabe o que é? Tem muita obra no Brasil. O pessoal está estofadinho de obras. Antes, tinha só uma obra, eles sofriam. As empresas hoje têm um leque grande de oportunidades”. Segundo ela, os próximos governos terão de enfrentar esse desafio, viabilizar um volume grande de obras. “Nós vamos ter de resolver, porque tem muita obra daqui para a frente.” Ainda sobre Belo Monte, ela diz não saber se será formado um novo consórcio para disputar o leilão. “Eu já não estou acompanhando isso mais, sabe”, acrescentando, porém, que não é intenção do governo ceder e mudar o edital com as regras do leilão.
REFORMA TRIBUTÁRIA
Questionada se a reforma tributária será um dos temas de sua campanha, ela diz que sim, mas acrescenta que os “empresários sabem da dificuldade de se fazer reforma tributária no Brasil por conta da questão federativa”. Quanto à desoneração da folha de pagamentos, ela, a princípio, diz que não preferia comentá-la. Diante da insistência, afirma que “é fundamental, temos de caminhar para isso, temos de buscar a desoneração, é uma distorção que temos. Agora não é coisa simples de fazer. É o bom senso”.
Deu no Globo de hoje:
Bunker abriga ‘guerrilheiros virtuais’ de Dilma
Maria Lima
BRASÍLIA. Escondido a sete chaves até agora, o bunker de comunicação e marketing da campanha da pré-candidata petista a presidente, Dilma Rousseff, funciona numa casa que ocupa meio quarteirão no caro Lago Sul, numa chamada “ponta de picolé”, os grandes terrenos à beira do Paranoá. A casa no fim da rua na QI 05, conjunto 13, foi palco ontem de uma reunião da coordenação da campanha de Dilma, que terá entre os coordenadores o jornalista Mário Marona, junto com a Agência Pepper Comunicação, que trabalhou em campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ex-prefeita Marta Suplicy.
Ali, um batalhão de especialistas em internet — inspirados na experiência bem-sucedida de Ben Self, marqueteiro digital e telefônico da campanha vitoriosa do presidente dos EUA, Barack Obama — está sendo treinado para travar o que batizaram de “guerrilha virtual”.
Além do treinamento para captação de doações via internet, criam centenas de perfis para atacar os adversários e defender os ataques feitos a Dilma em sites noticiosos ou redes sociais: Orkut, Facebook, Twitter, entre outros. Também ali funciona o site “Mulheres com Dilma”, criado pela Pepper e que é vendido ao público como uma páginas em que mulheres, espontaneamente, manifestam apoio à pré-candidata petista.
A partir do bunker, o comando da campanha de Dilma pretende desarmar eventuais ataques dos adversários a pontos sensíveis de sua biografia, principalmente os que tratam de sua participação em grupos de luta armada durante a ditadura.
Em reunião semana passada, a equipe começou a traçar estratégias de como abordar e neutralizar o que estão chamando de “discurso do medo” — em referência à campanha presidencial de 2002 — para afastar Dilma do eleitorado médio. Este poderia rejeitar as ligações dela com a guerrilha no passado, inclusive o treinamento com armas que admitiu ter feito no Uruguai.
A Agência Pepper foi responsável pela campanha presidencial em El Salvador, explorando o mote “a esperança venceu o medo”, o mesmo usado por Duda Mendonça na campanha de Lula em 2002.


