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Dilma cresce entre as mulheres e fica a 3 pontos de vencer no primeiro turno
Pesquisa Datafolha para presidente da República mostra Dilma com 41% das intenções de voto. Ela abriu uma vantagem de oito pontos sobre seu principal adversário, José Serra (PSDB), que registrou 33%.
Marina Silva (PV) tem 10%. Brancos e nulos são 5%. Indecisos, 9%. A pesquisa foi realizada entre os dias 9 e 12.
Quando se consideram apenas os votos válidos (os que são dados aos candidatos), Dilma vai a 47%. Fica a três pontos de uma eventual vitória no primeiro turno. A margem de erro máxima é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Entre mulheres, grupo no qual o PT e Lula enfrentam dificuldades históricas, ela subiu de 30% para 35%, empatando com Serra. São as mulheres que estão dando a liderança a Dilma, que agora terá a de manter e ampliar esta vantagem para conseguir vencer em 3 de outubro.
A pesquisa confirma tendência apontada por Fátima Pacheco Jordão (veja post abaixo), do Instituto Patricia Galvão.
A disputa se encerra no primeiro turno se um dos concorrentes obtém, pelo menos, 50% mais um dos votos válidos. Nessa conta na qual Dilma aparece com 47%, Serra tem 38%. Marina Silva registra 12%. Os candidatos de partidos pequenos somados vão a 2%.
Dilma terá 3 minutos a mais que Serra na TV e no rádio
O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) divulgou nesta quinta-feira (12) o tempo de cada candidato à Presidência na propaganda eleitoral gratuita. A candidata do PT, Dilma Rousseff, da coligação “Para o Brasil seguir mudando”, terá 10 minutos 38 segundos e 54 centésimos em cada um dos dois blocos de 25 minutos que serão veiculados em cadeia de rádio e televisão.
O segundo maior tempo é o do candidato do PSDB, José Serra, da coligação “O Brasil Pode Mais”. O tucano terá sete minutos, 18 segundos e 54 centésimos. Já a candidata Marina Silva (PV) terá um minuto, 23 segundos e 22 centésimos.
O socialista Plínio Arruda Sampaio (PSOL) terá um minuto, um segundo e 94 centésimos para apresentar suas propostas no rádio e na TV. Já os outros cinco postulantes ao cargo, Rui Costa Pimenta (PCO), José Maria de Almeida (PSTU), José Maria Eymael (PSDC), Levy Fidelix (PRTB) e Ivan Pinheiro (PCB) terão com 55 segundos e 56 centésimos cada um.
A propaganda eleitoral gratuita para presidente, na modalidade bloco, será veiculada a partir do dia 17 de agosto até 30 de setembro, às terças, quintas e aos sábados, às 7h e 12h no rádio e às 13h e 20h30 na televisão.
De acordo com sorteio realizado no último dia 3, Serra abrirá o horário eleitoral gratuito seguido de Plínio de Arruda Sampaio, Rui Costa Pimenta, José Maria de Almeida, Dilma Rousseff, José Maria Eymael, Levi Fidelix, Marina Silva e Ivan Pinheiro.
Inserções diárias
Além dos 25 minutos da modalidade bloco, a propaganda gratuita também será veiculada por mais seis minutos diários, divididos em inserções de, no máximo, 60 segundos, distribuídos ao longo da programação das emissoras, entre 8h e 24h, inclusive aos domingos.
Assim como na divisão por bloco, Dilma também terá o maior tempo diário nas inserções: 2 minutos e 33 segundos. Já José Serra terá 1 minuto e 45 segundos. Os outros candidatos contarão com menos de um minuto diário.
Como é feita a distribuição
A distribuição dos tempos do horário eleitoral gratuito segue regras estabelecidas pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Ao todo, serão 25 minutos de propaganda política para os candidatos à Presidência. Destes, um terço (cerca de 8 minutos) são divididos igualmente entre todos os candidatos. Já os dois terços restantes são distribuídos proporcionalmente de acordo com a bancada eleita por cada partido nas eleições de 2006.
Dilma cresce com o voto das mulheres
Fátima Pacheco Jordão
Dados processados pelo Datafolha com exclusividade para o Instituto Patrícia Galvão, e analisados por Fátima Pacheco Jordão, apresentam novos ângulos para explicar a tendência de crescimento da candidata Dilma Rousseff (PT) e de queda do candidato José Serra (PSDB).
Volatilidade do voto continua alta
Quando indagados sobre a intenção de voto presidencial, grande proporção de eleitores não declara voto espontaneamente, o que significa que ainda não há uma forte convicção na preferência por algum candidato. O patamar de volatilidade do voto permanece elevado, assim como a diferença entre os sexos. A maior taxa de indecisão de voto na resposta espontânea para presidente está entre as mulheres. Segundo a pesquisa Datafolha de 23 de julho, 59% das mulheres não citam candidatos; já entre os homens, os indecisos são 39%.
Da mesma forma, na intenção de voto estimulada os homens apontam seus candidatos em uma proporção maior que as mulheres, que mantêm a tendência histórica de definir o voto à medida que o processo eleitoral avança, ancoradas nas informações recebidas em cada estágio da campanha, até o final.

Gráfico 1 – Datafolha 01/07 e 23/07/2010; Ibope 29/07/2010
No gráfico a seguir, pode-se observar quais são os segmentos de mulheres que menos definem candidato/a espontaneamente: são as eleitoras das regiões Norte/Centro-Oeste (63%), dos estados do Paraná (64%) e Rio de Janeiro (62%) e do Distrito Federal (62%).
Com relação a aspectos demográficos, as que menos indicam espontaneamente sua intenção de voto são as jovens de 16 a 24 anos (64%) e as que apresentam escolaridade fundamental (66%). É interessante verificar que, mesmo no segmento de escolaridade superior, as mulheres também se diferenciam dos homens: 42% delas não apontam candidato/a espontaneamente, contra 25% dos homens. Estes segmentos femininos serão os mais visados pelas campanhas durante a propaganda eleitoral.

Gráfico 2 – Datafolha/Agência Patrícia Galvão, 23/07/2010. Reprocessamento inédito por sexo realizado com exclusividade para o Instituto Patrícia Galvão
Serra perde votos entre mulheres, segundo datafolha
José Serra –que manteve vantagem entre as mulheres ao longo do primeiro semestre, chegando a cravar uma boa distância de Dilma Rousseff em junho (Serra 45% x Dilma 30%; Datafolha, 1º/7)– no mês de julho foi perdendo força entre o eleitorado feminino, caindo sete pontos, de 45% para 38% (Datafolha, 23/7).
Dilma Rousseff mantém a liderança na intenção de voto do eleitorado masculino, vencendo Serra neste segmento desde maio (Dilma 42% x Serra 36%). Apesar do crescimento de Dilma, persiste a distância de sua votação entre homens e mulheres, como revela o Datafolha.
Fátima Pacheco Jordão é socióloga e especialista em pesquisas de opinião. Fundadora do Instituto Patrícia Galvão, é assessora de pesquisa da TV Cultura.
Análise realizada a partir de reprocessamento inédito das pesquisas sobre intenção de voto do Datafolha. A produção de tabulações especiais foi realizada pelo Datafolha com exclusividade para o Instituto Patrícia Galvão, aplicando um filtro por gênero para separar os dados de homens e mulheres para todos os segmentos da amostra.
Este documento foi elaborado no contexto do Projeto Mulheres em Espaços de Poder do Instituto Patrícia Galvão, que tem o objetivo de analisar a percepção das mulheres enquanto eleitoras, com base nos levantamentos sobre intenção de voto realizados por institutos de pesquisa de opinião.
Colaboraram as pesquisadoras Ana Carla de Sá e Paula Cabrini (Perfil Urbano) e as jornalistas Marisa Sanematsu e Jacira Melo (Instituto Patrícia Galvão).
Porque Dilma caminha para a vitória e Serra para a derrota
Marcelo S. Tognozzi
Por que Dilma está no rumo da vitória e José Serra caminha para a derrota a menos de dois meses da eleição? A resposta é simples: Serra errou e continua errando muito. Vem fazendo a pior campanha da sua carreira política. Demorou a assumir publicamente a candidatura, enquanto o presidente Lula passou os últimos dois anos fazendo campanha para Dilma. Demorou a apresentar seu vice, escolhido não num consenso, mas numa briga – um barraco daqueles – com os aliados do DEM. Não foi capaz até agora de dizer ao eleitor de forma simples e direta porque seu governo seria melhor do que este que aí está.
O Serra de 2010 não empolga as pessoas. Não fala nem ao coração nem ao racional do eleitor. Seu site é pobrinho, seu mailing desatualizado (conheço muitos formadores de opinião e blogueiros que não recebem seus boletins). Dilma tem Lula para falar ao coração das pessoas. E ainda a boa performance econômica do governo que, por si, fala ao racional delas.
É uma aluna aplicada. Até agora não errou. Guardadas as devidas proporções, seu estilo lembra muito o do ex-presidente João Figueiredo, escolhido por Geisel para sucedê-lo pelos seus méritos de gerentão eficiente e tríplice coroado na academia militar. Dilma tem o mesmo jeito durão de ser. Fala grosso, se impõe. Vamos ver o que acontece quando ela sentar na cadeira e empunhar a caneta, mas esta é uma outra conversa.
Serra perdeu o bonde da História e está fazendo uma campanha melancólica, fruto dos seus erros estratégicos, da falta de timing e de uma tendência exagerada em subestimar o adversário. Mas Serra não errou sozinho. O PSDB e o DEM cometeram inúmeros tropeços ao longo dos últimos oito anos, sendo o principal deles não investir em pesquisas, profissionalização das assessorias, planejamento de internet de longo prazo e construção das bases de uma candidatura que pudesse confrontar o presidente Lula. Dinheiro não faltaria. Bastava usar o fundo partidário, que, por sinal, foi feito exatamente para isso.
O PT nos seus primórdios seguiu este script. Me lembro bem da ação do partido no Congresso nos anos 80 e 90. Os investimentos do PT na formação de quadros permitiu que sua assessoria se transformasse na mais eficiente de todas quando o assunto era regimento e, principalmente, obstrução. Fez oposição profissional, coisa que nem de longe PSDB e DEM foram capazes de repetir.
Não é possível cravar 100% a vitória de Dilma, mas esta é uma tendência que a cada dia se consolida mais. Está refletida numa maioria de brasileiros – eleitores dela ou de Serra – que insistem em dizer aos institutos de pesquisas que as chances da candidata de Lula são maiores que as do seu adversário.
Lula encarna aquilo que se chama de político profissional, figura que até uns anos atrás era simbolizada por ACM. Um dos traços mais fortes deste tipo de político é saber faturar (no bom sentido, claro) seus acertos.
Até hoje, o único presidente a eleger seu sucessor foi Itamar Franco, com FHC. Com Dilma, Lula caminha para ser o segundo. Se Deus permitir e a oposição continuar ajudando.
Ato promove candidata ao criar uma versão on-line do “panelaço”.
O comitê de campanha de Marina Silva promoveu terça-feira dia 20, um “twitaço”. Vendida como versão cibernética do velho panelaço, a iniciativa rendeu à candidata a ultrapassagem de uma marca. No meio da tarde, 15h25, o microblog de Marina logrou ultrapassar a fronteira dos 100 mil seguidores. A coisa ecoou no exterior. De passagem por São Paulo, Marina abriu espaço na agenda para conferir os resultados da mobilização.Foi a uma lan house, na Rua Augusta. Mais tarde, soltou fogos no próprio twitter: “Feliz coincidência: no dia do Twitaço, cruzamos a marca de 100 mil…” Na madrugada desta quarta (21), também o presidenciável tucano José Serra saboreou uma mudança de patamar no twitter. Anotou: “Êpa, olhei para o lado e vi: hoje passamos os 300 mil seguidores! Não sei identificar quem protagonizou a virada dos 200 para os 300…” Dilma Rousseff está no meio dos dois. Às 5h30 da matina, os seguidores da petista somavam quase 121 mil.
Com informações do JusBrasil
Vox Populi: Dilma Rousseff (PT) 40% x 35% José Serra (PSDB)
Pesquisa Vox Populi sobre a eleição presidencial indica que Dilma Rousseff (PT) tem 40% das intenções de voto. José Serra (PSDB) tem 35%. Marina Silva (PV), 8%. A sondagem foi feita entre os dias 24 e 26 deste mês e tem margem de erro de 1,8 ponto percentual.
Pela 1ª vez, Dilma passa a frente de Serra em pesquisa Vox Populi. Na última pesquisa do Ibope, divulgada semana passada, a petista já aparecia na frente com o mesmo resultado aferido pela Vox. Na pesquisa espontêna, em que o entrevistador apresenta uma lista com nomes dos candidatos para o entrevistado, Dilma tem 26% e Serra tem 20%.
A Austrália terá pela primeira vez uma primeira-ministra mulher. Julia Gillard, nomeada na quinta-feira, prometeu encerrar a polêmica que envolve um novo imposto de mineração, retomar um esquema de créditos de carbono e convocar eleições nos próximos meses.
Seu antecessor, Kevin Rudd, protagonizou uma renúncia dramática, quando estava prestes a ser derrubado numa votação interna do seu Partido Trabalhista, menos de três anos depois da sua arrasadora vitória eleitoral de 2007.
A drástica perda de popularidade de Rudd no último ano fez o partido temer uma derrota eleitoral na eleição que deve acontecer em torno de outubro.
“Pedi aos meus colegas que fizessem a mudança de liderança porque acreditava que um bom governo estava perdendo seu rumo”, disse Gillard em entrevista coletiva.
A casa de apostas Centrebet indica que um governo trabalhista sob o comando de Gillard será favorito para derrotar nas urnas a oposição conservadora. A nova primeira-ministra, de 48 anos, tem experiência como articuladora política do governo no Parlamento.
A primeira medida dela foi prometer o fim do polêmico imposto sobre os “superlucros” das mineradoras, que ameaçava afetar investimentos de 20 bilhões de dólares e preocupava o eleitorado. Gillard disse que vai renegociar o assunto.
“É uma oferta genuína – a porta deste governo está aberta (…). Estou pedindo ao setor minerador que abra sua cabeça”, afirmou ela.
Mas ela disse que não abrirá mão de uma nova lei para a taxação de recursos, e salientou que as mineradoras terão de pagar mais. Mais tarde, no Parlamento, ela declarou que as próprias empresas do setor admitiram que teriam como arcar com mais impostos.
As mineradoras elogiaram o tom conciliador de Gillard e cancelaram uma milionária campanha publicitária contra o novo imposto.
“Esperamos trabalhar com o governo deste novo jeito para encontrar uma solução que seja do interesse nacional”, disse um porta-voz da BHP Billiton, maior mineradora do mundo.
As empresas, no entanto, se mantêm resolutas na redução da alíquota tributária de 40 por cento, e também pleiteiam a elevação de 6 para 12 por cento no limite de isenção.
O dólar australiano teve uma breve alta após a mudança de governo, e as ações da BHP e da Rio Tinto subiram cerca de 2 por cento, enquanto o resto do mercado ficou praticamente estável.
Com informações do Portal UOL / Reuters
Uribe, Bachelet, seus candidatos e Lula!
Cesar Maia
1. Duas eleições, dois presidentes com popularidade semelhante a de Lula e dois candidatos a presidente apoiados por eles. Uma ampla vitória de Uribe com Santos. Uma derrota
de Bachelet com Frei. Só aparentemente são casos iguais em relação ao sucesso ou insucesso do apoio de um presidente muito popular.
2. Mas há uma enorme diferença. No Chile, um país de instituições sólidas, regras do jogo estáveis e um congresso com personalidade política, identidade e sem maioria de um lado ou de outro, a sucessão presidencial -independente do lado que fosse- não aportava insegurança e incertezas ao eleitorado.
3. O caso da Colômbia é muito diferente. Um país potencialmente desestabilizado pela produção e tráfico de cocaína, pela narcoguerrilha (FARC) e pela memória de tragédias e narcocorrupção, o governo Uribe foi um claro sinal de um processo de reversão desse quadro. A ampla aprovação de sua política de repressão à guerrilha e ao narcotráfico lastreou sua popularidade.
4. O processo eleitoral colombiano colocava em cima da mesa os riscos de descontinuidade, insegurança e incerteza quanto ao futuro. Um candidato de oposição, verde e um excelente ex-prefeito, assustaram no início da campanha, disparando nas pesquisas. Mas na medida em que a campanha se aproximava do final, os riscos inerentes à descontinuidade despertaram o eleitor e o quadro foi radicalmente mudado com vitória por larga diferença no primeiro turno e uma vitória avassaladora no segundo, com quase 70% dos votos do candidato de Uribe.
5. Portanto, são dois casos de presidentes populares, mas de ambientes político-eleitorais completamente diferentes. Em um, o eleitor não corria riscos quanto ao futuro. Em outro, a percepção de riscos foi ficando clara. E no Brasil temos uma situação mais próxima a de Bachelet que a de Uribe. As instituições estão razoavelmente sólidas, as políticas fiscal e monetária são consensuais, e as ações de inclusão social são de intensificação com garantia de continuidade.
6. O candidato da oposição no Brasil faz questão de afirmar essa estabilidade nas políticas monetária, fiscal e de inclusão social. O eleitor não percebe riscos e a transferência de
votos do presidente à sua candidata vai muito mais pelos pedidos de Lula que pelos riscos de descontinuidade. Paradoxalmente, o que Lula tenta e tentará fazer é criar sensações de risco em relação ao futuro. Mas não será um jogo simples, pois seria criar artificialmente um quadro de incertezas que ele mesmo na presidência fez questão de desconstruir quando assumiu em 2003.
7. No curso da campanha, isso ficará claro para o eleitor: o ambiente político-eleitoral no Brasil estará muito mais para Chile que para Colômbia. E Lula tentará “colombianizar” a expectativa do eleitor, construindo um cenário futuro de insegurança e incerteza. Ou seja, o mais provável é que o eleitor decida com a margem de liberdade que decidiu no Chile, numa ou noutra direção e, por isso mesmo, num quadro de pequena diferença entre os dois candidatos.
Comentário deste Blog: A questão econômica é relevante e a população tende a reafirmar isso nas urnas. Pelo menos é o que as pesquisas mostram por enquanto. Há um aumento significativo do nível de emprego no Brasil, nossa economia está crescendo e as pessoas estão consumindo mais. A maioria dos eleitores brasileiros, aquela massa que conta para eleger presidente da República, tem baixa escolaridade e baixo poder aquisitivo. Para esta maioria o que interessa é o dia de hoje. E Lula sabe disso. Trabalha para eleger sua sucessora apostando no sucesso econômico do seu governo. A favor de Lula e Dilma ainda há o fato de a oposição ter passado oito anos sem fazer o dever de casa, sem construir uma alternativa concreta de poder. Lula ergueu a candidatura Dilma tijolo por tijolo, num trabalho que começou dois anos atrás. Hoje colhe o que plantou, assim como a oposição.
Líderes de doações são os mais afetados pela Ficha Limpa
A dúvida jurídica se os principais atingidos terão condição ou não de concorrer nas eleições já dificulta formação de alianças
Marcelo de Moraes / BRASÍLIA – O Estado de S.Paulo
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Levantamento feito pelo Estado mostra que os políticos que correm maior risco de ser atingidos pela Lei da Ficha Limpa receberam doações expressivas na campanha anterior, em 2006. O grupo inclui três candidatos a governos estaduais, três ao Senado, um à Câmara dos Deputados e dois à Câmara do DF.
Ao todo, esse grupo movimentou R$ 23 milhões em receitas arrecadadas junto a doadores para suas campanhas e que foram registradas na Justiça Eleitoral.
O alcance eleitoral da nova lei produzirá impacto nas doações de campanha deste ano. A dúvida jurídica se os principais atingidos terão condição ou não de concorrer nas próximas eleições já dificulta a formação de alianças e começa a causar problemas na captação de recursos.
Alvos garantidos de representações com pedidos de inelegibilidade, esses políticos já avisaram que recorrerão à Justiça para manter suas candidaturas. O problema é que, na dúvida, os doadores tendem a migrar com seu apoio financeiro rumo a outros candidatos.
Alvos. Em 2006, o peemedebista Marcelo Miranda chegou ao governo do Tocantins com doações de R$ 6,9 milhões. Por decisão da Justiça, perdeu o cargo e agora planeja concorrer ao Senado.
Situação parecida enfrenta o ex-governador da Paraíba Cássio Cunha Lima (PSDB), que perdeu o comando do Executivo por decisão da Justiça. Ele argumenta que as regras não se aplicam a seu caso e recorrerá para manter a candidatura, caso sua inscrição não seja aceita.
O terceiro maior arrecadador do grupo é o ex-governador maranhense Jackson Lago (PDT), substituído por Roseana Sarney (PMDB). Lago recebeu doações de R$ 3,3 milhões em 2006 e lançou sua candidatura ao governo para tentar recuperar o posto.
No Pará, Jader Barbalho (PMDB) foi eleito deputado com doações de R$ 1,9 milhão. Agora, poderá ver frustrado o plano de obter uma vaga para o Senado, numa eleição em que é favorito. No DF, Joaquim Roriz (PSC) lidera as pesquisas de intenção de voto para a corrida ao governo, mas deverá ser alvo de pedido de impugnação da candidatura, pois renunciou ao mandato de senador para escapar de um pedido de abertura de processo de cassação. Em Rondônia, o tucano Expedito Júnior se elegeu senador com R$ 984 mil em doações. Seu mandato foi cassado e agora vê sob risco sua candidatura ao governo estadual.
Na disputa pelas eleições proporcionais, pelo menos três parlamentares que podem ser afetados pelo Ficha Limpa tiveram arrecadações expressivas em 2006. Em São Paulo, o deputado Paulo Maluf (PP), levantou R$ 819 mil. Já os distritais Júnior Brunelli e Leonardo Prudente, que se elegeram no DF pelo então PFL (hoje DEM), receberam doações de respectivamente R$ 415 mil e R$ 351 mil. Envolvidos no chamado escândalo do mensalão do DEM, deverão ter problemas para assegurar sua inscrição nas eleições deste ano.








