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Elas fazem diferente
Rodrigo Rocha Loures
Presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep)
Evidenciar o papel da mulher na sociedade, na política e no mundo empresarial tem sido estimulado devido à participação de duas mulheres nas candidaturas à Presidência da República. Felizmente, nesse quesito, o número de países democráticos que tiveram ou têm uma mulher como líder nacional está aumentando: Alemanha, Inglaterra, Índia, Canadá, Chile, Argentina, etc. As leis da natureza fazem com que haja diferenças óbvias entre homens e mulheres. No campo da política, por exemplo, percebemos que a presença feminina contribui, dentre outros, para elevar a qualidade do diálogo, pois quando elas estão presentes o jogo de força, eventualmente bruto e mesmo sujo, é menos frequente e os bons modos no trato interpessoal prevalece.
No campo da economia, uma das maiores autoridades mundiais na área de empreendedorismo, o pesquisador canadense Louis Jacques Filion, analisou o empreendedorismo feminino mundial e constatou que no mundo dos negócios as mulheres têm mais conhecimento do mercado, são mais bem preparadas, progridem mais lentamente, porque tomam conta da família; planejam melhor o início de seus negócios e têm uma integração maior entre suas atividades pessoais e profissionais. E, o mais surpreendente, 25% das mulheres acreditam que são mais mal tratadas do que os homens pelas instituições de crédito pelo fato de serem mulheres.
As mulheres têm um estilo de gerenciamento mais participativo, se importam mais com seus empregados e clientes, não usam o mesmo critério dos homens para definir sucesso, gastam mais tempo e recursos com seus entes queridos, são mais envolvidas em atividades voluntárias para ajudar a comunidade e apontam mais razões familiares para iniciar seus negócios. A presença da mulher está evoluindo nos pequenos negócios, nas empresas familiares, como profissionais liberais e em posições de liderança nas empresas. Considerando as características femininas, acreditamos que novas políticas devem ser criadas para aumentar a participação das mulheres no mundo dos negócios.
Destaco o treinamento adequado dos agentes de crédito no atendimento do público feminino. Nesse ponto é oportuno citar o Grameen Bank, fundado em 1976 em Bangladesh, pelo economista Muhammad Yunus, prêmio Nobel da Paz, que conseguiu retirar milhões de pessoas da pobreza extrema através de pequenos empréstimos produtivos concedidos a mulheres. Perguntado por que emprestar somente às mulheres, Yunus responde que, além de empreendedoras, elas são altamente responsáveis pela sobrevivência das suas famílias e boas pagadoras.
No Brasil já temos 35% das famílias chefiadas por mulheres, mas a sua representação política ainda é desproporcional à contribuição econômica. Por isso devemos juntos, homens e mulheres, inventar ações mais ousadas que favoreçam a presença feminina na política para que o imenso potencial feminino, historicamente represado, possa se manifestar na sua plenitude. Essa é uma condição preliminar para a construção da sociedade harmoniosa, dinâmica e sustentável que todos desejamos!
O rádio no Brasil
Hildeberto Aleluia
Jornalista
As oportunidades de negócios e estratégicas, no mundo da Mídia, e Web são infinitas. Incomensuráveis são as possibilidades que se oferecem ao universo do rádio. A meu ver o principal meio de comunicação da mídia tradicional que irá crescer perfeitamente adequado ao invento da WEB. Segmentado, regionalizado, localizado e comunitário o rádio crescerá em importância e difusão perfeitamente compatível com a nova plataforma de comunicação. Ele deverá ser um dos primeiros em importância para o internauta quando se tratar de informação local. Enquanto a WEB lhe abre as portas para o mundo a partir de sua casa, o rádio será os olhos e ouvidos da esquina, da rua, do bairro, da Cidade, da região e do Estado.
Não creio em cadeias de rádio como no passado, ou em rádios com audiência nacional monopolizando a atenção do ouvinte de norte a sul do país, como já foi um dia antes do invento da TV. Ele terá força localizada, restrita ao universo do dia a dia da vida do cidadão. Do clima ao trânsito, do consumo ao comportamento, da escola à igreja, da diversão a saúde, o rádio é quem tem, hoje, as maiores possibilidades de nos conectar à realidade comunitária, inclusive pelo canal da WEB. Exigência de investimento pequeno, barato até, de operação descomplicada e fácil. Sua sobrevivência estará assegurada pela audiência segmentada e publicidade local. Esse mercado cresce lentamente no Brasil, por enquanto, mas será a grande descoberta da mídia tradicional em convergência com a WEB dentro de pouco tempo.
O rádio nasceu com a primeira guerra mundial. A exemplo da TV e da Internet, também foi uma contribuição das necessidades e pesquisas do aparato militar americano. De um mero instrumento de comunicação para batalhões e tropas nas trincheiras, acabou por se tornar no grande marco da comunicação de massa no começo do Século XX. De lá, por volta da década de vinte, o rádio se inseriu de tal forma na vida das pessoas, alterando o cotidiano dos homens, a ponto de se firmar no contexto da evolução humana como um marco, tal qual a revolução industrial. Foi ele, o rádio, quem universalizou e carimbou a expressão “comunicação é tudo”. Ele foi o primeiro a tornar os povos mais próximos de uma maneira direta e instantânea, ao difundir a informação e aproximar o básico que tornaria a vida mais fácil e prazerosa para os humanos. O rádio foi o primeiro a atingir os rincões levando informação e diversão aonde antes nada chegava. Foi ele o primeiro instrumento de comunicação a unir os homens independente da distância que os separava. Até a segunda guerra mundial reinou absoluto. Despertava o mesmo frisson hoje causado por um computador.
Aqui no Brasil, quem viveu da década de vinte até a de sessenta, ou leu a respeito, sabe muito bem do esplendor desfrutado pela sociedade brasileira nas ondas do rádio. Assim como em quase todo o mundo civilizado. E assim foi até a chegada da televisão no início da década de sessenta. Localizadas principalmente no Rio de Janeiro suas ondas médias e curtas foram as primeiras a integrar o país. Rádios como a Nacional, Mayrink Veiga, PRH 8 e Mauá no começo e décadas depois Tamoio, Globo, Tupi, entre outras, foram pioneiras junto com a rádio Bandeirantes em São Paulo e a Inconfidência em Belo Horizonte. Mas as do Rio de Janeiro eram as campeãs, por serem as primeiras e por estarem na sede do Poder central falavam em uníssono para o Brasil inteiro. Alguns anos depois surgiram as rádios regionais, entre elas se destacou a Rádio Sociedade da Bahia com sua Tribuna do Interior. Era um programa de interação na base do telegrama que integrava todo o Estado numa época que nem estradas havia, e concomitantemente vieram as cadeias de rádios com a regionalização das estações.
Antes da TV, o Brasil já pensava com a cabeça do Rio e de São Paulo pelas ondas do rádio. Perdeu seu reinado para a combinação perfeita do som, imagem e cor. A TV fez com o Rádio o mesmo que agora a WEB aos poucos faz com todos os meios de comunicação. Obriga-os a buscarem uma nova forma de sobrevivência sob pena de serem varridos do mapa da comunicação.
Uma década depois da implantação da TV no Brasil, o rádio começou a perder o glamour. Duas décadas depois, ai pelos anos 80 as rádios de alcance nacional foram se restringindo e algumas até fechando, como é o caso da Tamoio, no Rio de Janeiro. Outras foram vendidas, principalmente as AMs ou OMs, de ondas médias e curtas. E é nessa época que outro fenômeno de comunicação se observa entre nós. A assustadora proliferação de igrejas evangélicas em todo o país. E elas descobrem o rádio AM como o principal difusor de suas crenças. E espraiou-se pelo Brasil afora. Nem o Ministério das Comunicações e nem a ANATEL possuem a lista das rádios de propriedade das igrejas. Se possuem não me deram. E é provável que não as tenha mesmo, tal é o emaranhado de prepostos e sucessores na propriedade.
Com o advento das FMs as OMs ou AMs, perderam mercados e muitas foram compradas por bagatelas. Passaram a servir à fé e os pastores souberam tirar proveito da plataforma. Mas este fenômeno é a principal prova da regionalização do rádio, e bem antes da internet. Neste vácuo, as FMs bem que buscaram a universalização. Diante da dificuldade técnica de cobertura nacional a partir de uma única rádio partiram para as redes. Mas a idéia não vingou. Ficou um arremedo de cadeia de rádio nas organizações Globo com a CBN e na Bandeirantes com a BAND FM.
Mesmo assim elas mais se destacam enquanto emissoras locais, quando estão em rede nada significam e cobrem poucos estados. Outro bom exemplo é a rádio Tupi, do Rio de Janeiro. Outrora uma rádio nacional, hoje uma boa rádio local do Rio de Janeiro e Grande Rio. É neste horizonte de conflitos e distintos caminhos que eu acredito que o Rádio vai se reinventando e firmando-se novamente como um grande meio de comunicação. Não acredito que os outros meios tenham a mesma chance. Em função de suas características marcadamente locais e comunitárias, e custos operacionais baixíssimos, será o rádio o primeiro a se adaptar ao mecanismo da CONVERGÊNCIA.
O Brasil, em seus quase 6 mil municípios, tem funcionando hoje 1.778 rádios OM, ou AM instaladas em 1.214 municípios. Existe mais 1.478 municípios inscritos no Ministério das Comunicações à espera de canais de rádio OM, ou AM e 343 canais vagos nessa frequência. Já para o canal FM existem na mesma lista 5.363 municípios inscritos. Em 1.924 deles existem rádios FM em funcionamento, totalizando 2.952 emissoras e 3.597 canais vagos à espera de titulares. Portanto, existe ainda muito espaço para crescer.
Joga pedra na Geni
Rejane Xavier
Jornalista
Parece até ironia escrever sobre isso num site que se chama “Mulheres no Poder”… Em pleno século XXI, mais uma mulher é condenada à morte – e que morte! – por homens fanáticos que a culpam por um pecado, ou crime (quando o Estado não é laico esses conceitos se confundem) que por definição exige um coparticipante masculino para ser cometido…
É a velha tecla da mulher responsável pela queda: um poder que os homens temem e reprimem, desde Adão. Pobre Adão, se não fosse por Eva e pela serpente ele até hoje estaria no paraíso, servido pelos anjos, poupado da desagradável maldição de ter de ganhar seu pão com o suor de seu rosto. O castigo de Eva, claro, foi pior: como Adão, também precisou trabalhar para comer, mas além disso teve de parir seus filhos na dor, e passou a ser oficialmente dominada pelo homem.
O Ocidente, que hoje se horroriza, com razão, diante do apedrejamento da iraniana Sakineh, também tem uma longa história de
repressão à mulher, à sua sexualidade, a qualquer forma de poder a que ela tivesse acesso ou pudesse aspirar. A caça às bruxas incinerou milhares delas – as estimativas mais recentes e moderadas admitem que possam ter sido até 100 mil em toda a Europa, principalmente entre 1550 e 1650, o auge da histeria. Suíça, Alemanha e França foram os países mais encarniçados contra as bruxas, paradoxalmente no período em que se aponta o início da “Idade da Razão”. A coincidência dá o que pensar: o medo do que poderia acontecer ao se fragilizar o poder da religião no interior da sociedade não seria um dos motores do reinado do terror que se fez abater sobre as mulheres, para que elas não ousassem sair dos limites a que vinham sendo confinadas secularmente?
E o que dizer da nossa sociedade brasileira hoje, com a sua impressionante estatística de mulheres agredidas, mutiladas, mortas, por uma cultura que ainda as considera objetos, propriedades de que o homem pode dispor e destruir a seu bel prazer?
É estranho ver como é tímida a mobilização em torno da solidariedade a essa mulher iraniana que vai ser sacrificada da forma mais cruel. Onde está nossa indignação frente às titubeantes declarações do nosso presidente da República, que quer fazer parte de um poder global mas lava as mãos diante desse crime contra a humanidade?
“Um presidente da República não pode ficar na internet atendendo a todo pedido que alguém pede de outro país. É preciso tomar muito cuidado porque as pessoas têm leis, as pessoas têm regras, as pessoas, sabe, se começarem a desobedecer as leis deles para atender o pedido de presidentes, daqui a pouco vira uma avacalhação”.
Pois é, Lula. Não queremos que o Irã “vire uma avacalhação”. Deixa eles apedrejar mulheres e fazer bombas atômicas, pois afinal “as pessoas” têm as regras delas, e nós só vamos lá tirar retrato, fazer negócios e pedir apoio para a nossa cadeirinha no Conselho de Segurança. Afinal, uma boquinha em Nova Iorque pode ser uma boa, enquanto aqui no Brasil posamos de liberais, com “uma mulher no poder”.
Dilma cresce com o voto das mulheres
Fátima Pacheco Jordão
Dados processados pelo Datafolha com exclusividade para o Instituto Patrícia Galvão, e analisados por Fátima Pacheco Jordão, apresentam novos ângulos para explicar a tendência de crescimento da candidata Dilma Rousseff (PT) e de queda do candidato José Serra (PSDB).
Volatilidade do voto continua alta
Quando indagados sobre a intenção de voto presidencial, grande proporção de eleitores não declara voto espontaneamente, o que significa que ainda não há uma forte convicção na preferência por algum candidato. O patamar de volatilidade do voto permanece elevado, assim como a diferença entre os sexos. A maior taxa de indecisão de voto na resposta espontânea para presidente está entre as mulheres. Segundo a pesquisa Datafolha de 23 de julho, 59% das mulheres não citam candidatos; já entre os homens, os indecisos são 39%.
Da mesma forma, na intenção de voto estimulada os homens apontam seus candidatos em uma proporção maior que as mulheres, que mantêm a tendência histórica de definir o voto à medida que o processo eleitoral avança, ancoradas nas informações recebidas em cada estágio da campanha, até o final.

Gráfico 1 – Datafolha 01/07 e 23/07/2010; Ibope 29/07/2010
No gráfico a seguir, pode-se observar quais são os segmentos de mulheres que menos definem candidato/a espontaneamente: são as eleitoras das regiões Norte/Centro-Oeste (63%), dos estados do Paraná (64%) e Rio de Janeiro (62%) e do Distrito Federal (62%).
Com relação a aspectos demográficos, as que menos indicam espontaneamente sua intenção de voto são as jovens de 16 a 24 anos (64%) e as que apresentam escolaridade fundamental (66%). É interessante verificar que, mesmo no segmento de escolaridade superior, as mulheres também se diferenciam dos homens: 42% delas não apontam candidato/a espontaneamente, contra 25% dos homens. Estes segmentos femininos serão os mais visados pelas campanhas durante a propaganda eleitoral.

Gráfico 2 – Datafolha/Agência Patrícia Galvão, 23/07/2010. Reprocessamento inédito por sexo realizado com exclusividade para o Instituto Patrícia Galvão
Serra perde votos entre mulheres, segundo datafolha
José Serra –que manteve vantagem entre as mulheres ao longo do primeiro semestre, chegando a cravar uma boa distância de Dilma Rousseff em junho (Serra 45% x Dilma 30%; Datafolha, 1º/7)– no mês de julho foi perdendo força entre o eleitorado feminino, caindo sete pontos, de 45% para 38% (Datafolha, 23/7).
Dilma Rousseff mantém a liderança na intenção de voto do eleitorado masculino, vencendo Serra neste segmento desde maio (Dilma 42% x Serra 36%). Apesar do crescimento de Dilma, persiste a distância de sua votação entre homens e mulheres, como revela o Datafolha.
Fátima Pacheco Jordão é socióloga e especialista em pesquisas de opinião. Fundadora do Instituto Patrícia Galvão, é assessora de pesquisa da TV Cultura.
Análise realizada a partir de reprocessamento inédito das pesquisas sobre intenção de voto do Datafolha. A produção de tabulações especiais foi realizada pelo Datafolha com exclusividade para o Instituto Patrícia Galvão, aplicando um filtro por gênero para separar os dados de homens e mulheres para todos os segmentos da amostra.
Este documento foi elaborado no contexto do Projeto Mulheres em Espaços de Poder do Instituto Patrícia Galvão, que tem o objetivo de analisar a percepção das mulheres enquanto eleitoras, com base nos levantamentos sobre intenção de voto realizados por institutos de pesquisa de opinião.
Colaboraram as pesquisadoras Ana Carla de Sá e Paula Cabrini (Perfil Urbano) e as jornalistas Marisa Sanematsu e Jacira Melo (Instituto Patrícia Galvão).
Mistério do voto
Miriam Leitão
Publicado na edição de hoje de O Globo
Alguns cientistas políticos estão dizendo que a eleição já está decidida. A democracia tem um processo mais rico de escolhas que sempre surpreende os especialistas e seus vaticínios precoces; a parte mais importante da disputa começa agora com entrevistas mais decisivas, a propaganda eleitoral eletrônica, e o acirramento dos debates. Os próximos 55 dias serão mais definidores.
A análise econômica erra muito; a análise política, também. Uma das teses é que o governo Lula teria feito uma clivagem entre ricos e pobres após o mensalão. Pobres teriam ficado como sua base, e os riscos se afastaram.
Para acreditar que é simples assim, e que o Brasil é tão dividido em classes, é preciso não ter lido o manifesto dos empresários que faz uma defesa aguerrida e politizada da manutenção de uma das escolhas do atual governo que é a de recriar no BNDES o passado mais que pretérito.
É preciso também ignorar a abundância das contribuições dos maiores grupos empresariais brasileiros ao financiamento da campanha da candidata do governo.
A ideia de que há uma divisão entre pobres e ricos, que os pobres passaram a ser parte de uma espécie de curral eleitoral eterno do Lulismo e que os ricos ficaram definitivamente com o PSDB, é uma estultice.
Simplesmente há pobres e ricos na base de apoio de todas as candidaturas. O processo de escolha de cada eleitor passa por caminhos menos automáticos.
As políticas sociais e econômicas dos dois principais partidos do país têm superposições e pontos em que se diferenciam. Mas nem é essa análise comparada das políticas que dará a resposta sobre quem vencerá as eleições de outubro no Brasil.
Os caminhos da escolha de cada um tem a ver com uma teia mais complexa de emoções, sensações, interpretações, conversas de amigos, êxitos e fracassos de cada campanha de passar seus principais recados. Há mudanças de última hora, há fatos surpreendentes, há oscilações fortes.
Tudo isso vimos em eleições para diversos níveis nos últimos tempos. Em resumo: o eleitor não vota como um resultado automático de uma equação. A complexidade da escolha é que encerra a beleza do processo.
Há uma lista grande de “óbvios” políticos que não se confirmaram e uma sucessão de inesperados. O exuberante carisma de Lula e o uso da máquina, em 2006, não foram suficientes para ele derrotar Geraldo Alckmin no primeiro turno, um político conhecido por sua falta de carisma.
Jornal do Brasil – O fim de uma era
Hildeberto Aleluia
Jornalista
Foi-se o Jornal do Brasil tal e qual conhecíamos. Desfigurado e empobrecido, agonizou sem merecer os cuidados dedicados aos anciões. Na sucessão familiar no controle da empresa editora foi-se também o pouco que restava da identidade com o seu público leitor. A nova era da comunicação nem se anunciava e o velho JB já tentava encontrar novos caminhos. Era preciso sustentar os números de vendas e defender-se do implacável poder de renovação e aceitação da concorrência. Acossado pelo jornal O GLOBO de um lado e do outro por O DIA (esse, atualmente, também em queda livre) o Jornal do Brasil perdeu-se num território minado, onde era farto o talento na redação, mas escasso na área de gerência e marketing. Sem controle e sem comando foi afundando como um grande navio, aos poucos, sucumbindo a uma administração caótica e às inovações tecnológicas. No final, teve ampla e generosa ajuda dos governos, a ponto de comprometer a qualidade do jornalismo. Ficou como prova de que o leitor não é burro. Verbas de governos não salvam jornais. Agora parte para sua etapa derradeira, a edição digital, paga. Pode ser o fim definitivo.
Oxalá seja esse o caminho! As experiências que vêm sendo realizadas nos Estados Unidos, Austrália e na Inglaterra não são nada animadoras. Na Inglaterra, segundo a revista “THE ECONOMIST” cerca de 70 jornais fecharam suas portas no biênio 2008/2009 e ninguém sentiu falta. Com extrema cautela, os grandes jornais do mundo vêm desenvolvendo modelos de transferência da plataforma impressa para a digital, paga. Os gigantes da mídia impressa, capitaneados pelo senhor Murdoch, o titã midiático do século XXI, buscam, desesperadamente, o novo caminho. Como sabemos, o mundo inteiro acompanha com atenção a experiência. O que acontecer lá vai orientar todo o setor nos quatros cantos do planeta. Ao que parece, quanto mais tentam, mais se distanciam de uma solução satisfatória para o futuro de seus jornais impressos.
O The New York Times (NYT), um dos mais arrojados na busca do novo caminho, estreou para o grande público da WEB introduzindo a assinatura digital e cerceando o acesso gratuito de todas as formas ao conteúdo. Inovou, junto com o The Financial Times e o Wall Street Journal permitindo o primeiro e segundo clique gratuito passando a cobrar de acordo com o interesse do internauta em se aprofundar na leitura. O NYT vem perdendo receita e circulação numa espiral assustadora. A empresa editora vem abrindo mão do controle de jornais menores em outros estados americanos e mesmo assim sua dívida não para de crescer. Já passa de um bilhão de dólares. Já vendeu sua sede e incorporou o milionário mexicano Carlos Slim como sócio. Nada disso tem assegurado tranquilidade à família controladora.
Recentemente o The New York Times recuou e liberou o acesso gratuito quando buscado através dos sites de relacionamento, como Facebook, Twitter e outros. Foi uma decisão difícil. A instituição da cobrança online diminuiu drasticamente os acessos de visitantes. Até que ponto esta liberação pode comprometer todo o esforço de implantação do sistema de cobrança digital? Ainda não se tem a resposta. Um dado curioso é que todos esses grandes jornais já limitaram o acesso dos leitores no passado, só permitindo àqueles da base de assinantes. Depois de alguns poucos anos liberaram o acesso total e agora partem para essa experiência de clique. Quem marcha numa vertente contrária é o jornal THE GUADIAN, de Londres. Todo acesso é gratuito. O certo é que o velho modelo de venda de espaço publicitário mais circulação já não sustenta a velha mídia.
do site Plena Mulher
É bem verdade que as mulheres maduras de hoje já não são como as de décadas atrás.
Longe de ser uma “senhora”, no sentido de matrona, ela é moderna, ativa, atuante, empreendedora, tem estilo, persegue seus sonhos e objetivos, gosta de se cuidar, quer estar sempre bonita e cheia de energia.
Vários setores de consumo estão se rendendo às mulheres que chegaram à maturidade, as quais, além de buscarem qualidade de vida, geralmente, têm alto poder aquisitivo. Elas são bem informadas, independentes, não acreditam em falsas promessas e, principalmente, podem pagar caro por alguns luxos.
Essas mulheres se tornaram público-alvo das pesquisas, da mídia e dos caçadores de tendências dos segmentos de cosméticos, editorial e moda. E com isso eis que surge então, a new age woman (em português, algo como “mulher de nova idade” ou “mulher de uma nova era”), ou seja, a mulher que se conserva bonita, está “inteira” e não aparenta a idade que tem.
Mulheres como Sarah Jessica Parker, Kristin Davis, Demi Moore, Madonna, Sharon Stone, Julianne Moore, Kim Katrall, e até Susan Sarandon, do alto de seus 63 anos, reforçam essa tendência: a valorização da mulher madura. E o Brasil, que tem como representantes Ângela Vieira, Marília Pêra, Maitê Proença e Cristiane Torloni, por exemplo, não fica de fora.
Ok, tudo bem, pessoal, fenômenos como esses, dão visibilidade às quarentonas, cinquentonas e sessentonas, mas há também – por incrível que pareça – o outro lado da moeda. Mesmo depois de tantas conquistas e transformações, a mulher (principalmente a madura) continua sendo alvo de discriminação e preconceito. Reflexos de uma sociedade patriarcal e de uma cultura extremamente machista? O fato é que ainda há aqueles que, mesmo que de uma forma velada, meio disfarçada, querem colocar a mulher para baixo. …
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É bem verdade que as mulheres maduras de hoje já não são como as de décadas atrás.
Longe de ser uma “senhora”, no sentido de matrona, ela é moderna, ativa, atuante, empreendedora, tem estilo, persegue seus sonhos e objetivos, gosta de se cuidar, quer estar sempre bonita e cheia de energia.
Vários setores de consumo estão se rendendo às mulheres que chegaram à maturidade, as quais, além de buscarem qualidade de vida, geralmente, têm alto poder aquisitivo. Elas são bem informadas, independentes, não acreditam em falsas promessas e, principalmente, podem pagar caro por alguns luxos.
Essas mulheres se tornaram público-alvo das pesquisas, da mídia e dos caçadores de tendências dos segmentos de cosméticos, editorial e moda. E com isso eis que surge então, a new age woman (em português, algo como “mulher de nova idade” ou “mulher de uma nova era”), ou seja, a mulher que se conserva bonita, está “inteira” e não aparenta a idade que tem.
Mulheres como Sarah Jessica Parker, Kristin Davis, Demi Moore, Madonna, Sharon Stone, Julianne Moore, Kim Katrall, e até Susan Sarandon, do alto de seus 63 anos, reforçam essa tendência: a valorização da mulher madura. E o Brasil, que tem como representantes Ângela Vieira, Marília Pêra, Maitê Proença e Cristiane Torloni, por exemplo, não fica de fora.
Ok, tudo bem, pessoal, fenômenos como esses, dão visibilidade às quarentonas, cinquentonas e sessentonas, mas há também – por incrível que pareça – o outro lado da moeda. Mesmo depois de tantas conquistas e transformações, a mulher (principalmente a madura) continua sendo alvo de discriminação e preconceito. Reflexos de uma sociedade patriarcal e de uma cultura extremamente machista? O fato é que ainda há aqueles que, mesmo que de uma forma velada, meio disfarçada, querem colocar a mulher para baixo.
A imprensa em questão
JB: morte em anúncio
Jornal sem epitáfio
Alberto Dines
Os sinos não dobram quando fecha um jornal, mas dobram pelo jornalismo. Nenhum jornal é uma ilha — menos um jornal, menor a imprensa. Menos um diário, menor o continente, o mundo, a humanidade.
Pífia, lamentável, a repercussão do anúncio do fim do “Jornal do Brasil” impresso. Ninguém vestiu luto – só os jornalistas — porque há muito aboliu-se o luto. O luto e a luta. Sobreviventes não lamentaram, dão-se bem no jornalismo morno, sem disputa. Juntaram-se para revogar a concorrência e enterraram a porção vital do seu ofício. Esqueceram a animada dissonância, preferiram a consonância melancólica.
O derradeiro confronto jornalístico no Rio talvez tenha se travado no início dos anos 70 (ou fim dos 60) quando Roberto Marinho decidiu que “O Globo” não poderia ficar confinado ao esquema de vespertino e passou a circular aos domingos. Em represália, Nascimento Brito decidiu que o JB invadiria a segunda-feira. Encontro de gigantes, disputa de qualidade. Mesmo com a ditadura e a censura como pano de fundo.
Sem competição, o jornalismo perdeu o elã, desvirtuado, virou disputa pelo poder. Exatamente isso atraiu Nelson Tanure, o empresário que investe em informática, estaleiros e faz negócios pelo negócio. Não lhe disseram que empresário de jornal não precisa escrever editoriais, basta gostar do ramo e ser fiel a ele.
Simbólico: o fim do JB impresso foi confirmado na edição de quarta-feira (14/7) sob a forma de anúncio, publicidade. Aquela Casa não acredita em texto. E o seu jornal morreu sem epitáfio.
As pressões da velha mídia
Hildeberto Aleluia
Jornalista
Pressiona daqui, aperta por lá, escreve acolá e tenta influir em todas as esferas. No Legislativo, no Executivo e no Judiciário. A velha mídia não tem sossego mais. Na medida em que a ameaça da WEB vai se tornando realidade à agonia ganha expressão, principalmente na atuação da ANJ, Associação Nacional de Jornais, e da ABERT, Associação Nacional de Radio e Televisão. Estas duas entidades representam a expressiva maioria dos órgãos de comunicação, rádio, TV e jornais, da velha mídia. E através delas os barões da comunicação exercem seus poderes e influências especialmente em Brasília, onde esperneiam em todos os fóruns na desesperada busca de uma alternativa no sentido de parar o avanço da WEB, marcadamente no setor de produção de conteúdo. Onde se apresenta estas duas entidades citadas leia-se em destaque os grupos de mídia GLOBO, FOLHA DE SÃO PAULO, ESTADÃO E ABRIL. Esta é a que menos se expõe em função de já possuir em seu quadro societário a participação de capital estrangeiro, dentro das regras previstas pela constituição. Capital financeiro sul-africano adorna sua árvore administrativa. Juntos esses quatro grupos de mídia representam a expressividade do setor no Brasil e através das entidades de classe querem demarcar não só o espaço da WEB como a participação do capital estrangeiro na nova plataforma de comunicação.
Em nota divulgada recentemente em Brasília grifaram que “independente de plataforma a veiculação com fins comerciais de conteúdo jornalístico, sejam notícias ou esportes, enquadram-se nas determinações da Constituição que exigem o controle de empresas dessa natureza seja exercido por brasileiros”. Esse texto é basicamente a espinha dorsal do artigo 222 da Constituição brasileira escrita em 1998 quando ninguém seria capaz de prever o aparecimento de uma coisa chamada internet. Criado sob a inspiração dos grandes grupos de mídia nacionais e com o beneplácito aberto dos “coronéis eletrônicos”.
Nos estados, concessionários daqueles, em sua maioria deputados e senadores ainda hoje no Congresso Nacional, estabeleceram uma reserva de mercado com a redação do artigo 222 da Constituição onde se trata da propriedade de empresas jornalísticas. Lá está explicito que “a propriedade de empresa jornalística e de radiodifusão sonora e de sons e imagens é privativa de brasileiro nato, ou naturalizado há mais de dez anos, ou de pessoas jurídicas constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sede no país”. Determina ainda o artigo que pelo menos 70 por cento do capital total e do capital votante pertençam a brasileiros. Em 2002 uma emenda constitucional foi aprovada no Congresso Nacional permitindo até 30 por cento de participação estrangeira no capital das empresas de comunicação.
O bombardeio não cessa, não só nas paginas e telas dos órgãos da velha mídia como nos corredores das comissões do Congresso Nacional onde tramita o Projeto de Lei de número 29, também conhecido como PL 29. Entre outras inovações este projeto remove as restrições ao capital estrangeiro e permite a entrada das teles na oferta de serviços de TV paga e produção e veiculação de conteúdos. E aqui mora a dor de cabeça que está virando enxaqueca sem cura para a velha mídia. O PL 29 não trata de radiodifusão ou internet e remove as restrições ao capital estrangeiro. E tampouco o artigo 222 da Constituição pode ser usado contra a produção de conteúdo, pois ele é claro com relação à radiodifusão e impressos.
Tanto a ABERT quanto a ANJ lutam com todos os seus esforços para que o PL-29 atinja com seus itens e letras os sites e portais de internet que produzem notícias. A luta aqui é maior que a luta pela proibição de distribuição de conteúdo jornalístico, gratuitamente. Os “coronéis eletrônicos” querem de todo jeito manter a reserva de mercado ignorando a era da globalização. Ora sabem eles que o segundo round é mais fácil. Mas o primeiro, a produção de conteúdo para internet, é difícil. Podemos comparar a um tipo de censura a proibição que eles desejam para a nova mídia. Como eles farão para proibir o site da BBC em português? Como farão para proibir que um jovem estabelecido em território uruguaio, paraguaio, boliviano ou argentino (países fronteiriços) e com uma boa idéia possa invadir o território brasileiro produzindo conteúdo e distribuindo-o a partir do estrangeiro. Ou mesmo em qualquer outro lugar do planeta. A Internet não tem considerações por fronteiras, ela não é uma concessão do Estado, como emissoras de rádio e TVs e não goza das isenções tributárias que habita o setor de radiodifusão e impressos no Brasil.
Deu na Folha de S. Paulo
O que fizeram com os Correios?
Os abusos cometidos por governos nas estatais só acabarão quando houver limitação de nomeações
Maria Inês Dolci
HÁ ORGANIZAÇÕES que pairam acima do descrédito que a prestação de serviços recebe, merecidamente, no Brasil. A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos sempre desfrutou desse crédito.
Lamentavelmente, a situação mudou nos últimos anos. O Sedex (Serviço de Encomenda Expressa), por exemplo, foi criado há quase três décadas como uma opção mais rápida de envio de correspondência, em até 24 horas. Hoje, porém, não há mais garantia dessa rapidez, embora tenha ficado cada vez mais caro.
Cartas comuns levam muitos dias entre uma capital como São Paulo e uma cidade do interior de um Estado do Sul do Brasil. Note que não me refiro à região amazônica, distante e com dificuldades de acesso.
Recebi, há alguns dias, e-mail de uma leitora que enviou um texto, fruto de meses de trabalho, via Sedex com taxa de Aviso de Recebimento (AR), para registro na Biblioteca Nacional. Quando reclamou por não ter recebido o AR, foi informada de que fora extraviado. Sem o registro na Biblioteca Nacional, não poderia buscar patrocínio para sua obra.
Ela teve de trocar telefonemas, e-mails e se desgastar até saber que a entrega efetivamente ocorrera, mas com atraso de três dias.
Seria somente uma exceção? Parece que não, porque o diretor de Operações dos Correios, Marco Antônio Marques de Oliveira, foi exonerado do cargo no dia 17 passado. Exoneração que teria ocorrido porque os Correios vêm enfrentando críticas nos últimos meses, devido a atrasos nas entregas de encomendas e de correspondências. A revista “Veja” já havia publicado, na edição do dia 5, que a diretoria dos Correios estaria a perigo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria exigido que o ministro das Comunicações, José Artur Filardi, acabasse com disputas internas entre diretores da autarquia e que agisse para melhorar a gestão do serviço postal.
Esta Folha abordou, no dia 12, a crise enfrentada pelos Correios, que tiveram o menor lucro na era Lula, provocado pelo rombo do fundo de pensão da empresa, o Postalis.
Além disso, há atrasos nas entregas de correspondência e na realização de concursos e problemas na renovação de franqueados.
Por que os Correios passaram de orgulho nacional a problema? Temos que voltar mais atrás no tempo e lembrar que o mensalão foi descoberto após a denúncia de irregularidades nos Correios, envolvendo partido aliado do governo federal, em 2005.
O uso de empresas públicas para acomodar apoiadores de um determinado partido no poder não dá boa coisa. O inchaço da área pública, com a multiplicação de funcionários sem prévio estudo e debate nacional, também não.
Estragaram uma empresa que tem fortíssima vinculação com todos nós, brasileiros, seja pelo envio de uma simples carta a um familiar distante ou de um documento urgente para fechar um negócio.
Empresas estatais não pertencem a governantes nem a seus partidários, e sim ao país. Os abusos cometidos por governos nas estatais só acabará quando houver limitação de nomeações, inclusive de diretores.
Não há razão para mudar o comando de uma empresa pública após uma eleição, exceto com justificativas consistentes para as trocas.
Discutem-se as privatizações como se fossem prejudiciais à sociedade brasileira. Mais importante, contudo, do que uma empresa ser pública ou privada é a qualidade dos serviços que presta e o retorno que dá a seus acionistas, empregados e clientes.
Por que a cliente que pagou Sedex com AR e não recebeu confirmação da entrega da correspondência no prazo correto deveria pagar pela má escolha de dirigentes dos Correios?
Por que teria de perder tempo e se irritar para saber o que houve com a correspondência?
Consumidores de serviços públicos também são consumidores. E, nesses casos, devem entrar com ação no Juizado Especial Federal por perdas e danos, independentemente do dano moral, que pode ser tratado na Justiça comum.
MARIA INÊS DOLCI, 54, advogada formada pela USP com especialização em business, é especialista em direito do consumidor e coordenadora institucional da ProTeste Associação de Consumidores. Escreve quinzenalmente, às segundas, nesta coluna.
Internet: mariainesdolci.folha.blog.uol.com.br



