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As mulheres tunisianas são chamadas a se manifestar nesta segunda-feira na capital Túnis e denunciar uma “islamização” crescente que ameaçam seus direitos. Organizações feministas exigem a retirada de um projeto de artigo na constituição do país sobre a igualdade de sexo, que considera que a mulher é apenas “complementar” ao homem.
Nas eleições tunisianas realizadas no ano passado, o vitorioso partido islamita Ennahda se comprometeu a respeitar os direitos das mulheres. REUTERS/Anis Mili
Nas eleições tunisianas realizadas no ano passado, o vitorioso partido islamita Ennahda se comprometeu a respeitar os direitos das mulheres. REUTERS/Anis Mili

Adotado no começo deste mês por um grupo da Assembleia Nacional Constituinte, mas ainda aguardando aprovação, o artigo 27 estipula que “o Estado garante a proteção dos direitos da mulher sob o princípio de complementaridade ao homem no seio da família e como associada ao homem no desenvolvimento da pátria”.

O protesto é defendido pela Liga dos Direitos Humanos, organizações não-governamentais feministas e a central sindical do país. Além da passeata prevista hoje, uma petição endereçada à Assembleia tunisiana que pede a igualdade da cidadania de homens e mulheres foi criada e reuniu 8 mil assinaturas na internet.

A corredora tunisiana Habiba Ghribi corre risco de perder sua nacionalidade por utilizar um short os Jogos Olímpicos de Londres, vestimenta considerada inaceitável pelos islamitas radicais. REUTERS/Lucy Nicholson
A corredora tunisiana Habiba Ghribi corre risco de perder sua nacionalidade por utilizar um short os Jogos Olímpicos de Londres, vestimenta considerada inaceitável pelos islamitas radicais. REUTERS/Lucy Nicholson

“Nós pedimos a retirada pura e simples deste artigo que constitui uma violação da evolução da mulher”, protesta a presidente da Associação das Mulheres Democratas, Ahlem Belhaj.

A professora Meherzia explica que a simples troca de duas palavras prejudica gravemente os direitos da mulher. “Igualdade se torna complementaridade, mas na verdade todo o quadro jurídico das relações entre homens e mulheres que muda”, defende.

Já o jurista Sadok Belaid aponta que o papel das tunisianas na sociedade também é diminuído. “Os riscos de regressão não concernem unicamente os direitos das mulheres já que se coloca em questão todo um modelo de sociedade”, alerta.

Short polêmico

A polêmica acontece em um momento em que as tunisianas denunciam pressões islamitas crescentes. Uma briga entre religiosos e laicos na internet parou o país na semana passada devido ao short utilizado pela atleta Habiba Ghribi nas Olimpíadas de Londres. Radicais chegaram a pedir a retirada da nacionalidade da vencedora da prata nos 3 mil metros com obstáculos.

Do RFI Português

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