"Ajudando as mulheres a liderar, vencer, governar." ✫Desde 2009✫

Arquivos para a fevereiro, 2012

Maria da Penha

 

Pedido de vista da senadora Marta Suplicy (PT-SP) adiou a votação de projeto de lei da Câmara (PLC 16/11) que enquadra agressão cometida por ex-namorado na Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/06). Marta fez a solicitação a pedido da senadora Ana Rita (PT-ES), que é relatora da CPMI da Violência contra a Mulher e pretende concentrar a discussão de propostas de mudança na Lei Maria da Penha nessa comissão mista.

O PLC 16/11 foi o último item da pauta de votações da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) nesta quarta-feira (29). A exemplo dele, também foram retirados de pauta a PEC dos Recursos (PEC 15/11), que acaba com o efeito suspensivo dos recursos apresentados aos tribunais superiores, permitindo, com isso, que as sentenças já comecem a valer depois de passar por duas instâncias de decisão; e o PLS 73/11, que dispensa o portador de doença grave de provar essa condição ao solicitar prioridade no andamento de processo judicial ou administrativo do qual seja parte ou interessado.

Da Agência Senado

Eliana Calmon Foto - José Cruz / Agência Brasil

Os senadores Demóstenes Torres (DEM-GO) e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), respectivamente autor e relator de proposta que explicita e amplia a competência do CNJ para punir juízes ( PEC 97/2011), admitiram voltar a discutir a possibilidade de sanções mais duras aos juízes envolvidos em desvios. Os parlamentares participaram de audiência pública na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, nesta terça-feira (28/2), para discutir o assunto com a ministra Eliana Calmon, corregedora nacional de Justiça, e o juiz do Trabalho Paulo Schmidt.

Pelo texto atual da PEC, o CNJ só pode punir os juízes com advertência, censura, remoção, disponibilidade e aposentadoria compulsória. Demóstenes observou que a redação não incluiu as penas de demissão e cassação de aposentadoria porque o Senado já aprovou proposta com essa previsão, em 2010.

Randolfe informou que pretendia propor punições mais severas em seu substitutivo à PEC 97/2011, mas mudou de ideia justamente depois de ouvir os esclarecimentos de Demóstenes. Ele elogiou a ministra Eliana Calmon por defender a investigação de juízes acusados de desvios e comentou que “o CNJ é hoje uma instituição que pertence à sociedade brasileira”.

O senador Lobão Filho (PMDB-MA) questionou se não seria possível incluir entre os poderes do CNJ a quebra dos sigilos fiscal e bancário dos juízes investigados. Demóstenes, lembrando que tal medida já foi defendida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, sugeriu que o colega apresentasse uma emenda com essa prerrogativa adicional. Os senadores Randolfe e Pedro Taques (PDT-MT) também apoiaram a ideia.

Eliana Calmon lembrou que a recente decisão do Supremo Tribunal Federal reconhecendo os poderes do CNJ foi tomada em liminar, podendo ser derrubada, e com pequena vantagem de votos (6 a 5). Além disso, observou que a competência do órgão pode ser modificada na Lei Orgânica da Magistratura, de iniciativa do próprio STF. A PEC, portanto, confirmaria os poderes do CNJ de forma mais permanente.

A ministra também negou que a Corregedoria Nacional de Justiça seja um “tribunal de exceção” para juízes. Ela explicou que as denúncias e representações são investigadas sigilosamente e, quando aceitas, os acusados têm garantido seu direito à ampla defesa. “No caso dos desembargadores, eles são julgados pelos seus colegas também desembargadores. E é muito difícil você julgar um igual, um amigo querido. Os juízes de primeira instância estão um pouco mais distantes, é mais fácil, mas os desembargadores estão ali trabalhando lado a lado com os corregedores”, explicou a ministra.

A corregedora também falou sobre as dificuldades estruturais das corregedorias estaduais que, segundo ela, são “estranguladas” pelos tribunais quando começam a desagradar aos desembargadores. Além disso, a ministra denunciou a interferência política de corregedores que almejam assumir a presidência do tribunal onde atuam. “Os melhores corregedores são os que não terão idade para se candidatar a presidente depois”, ironizou.

Segundo Eliana Calmon, “todos sabem quem são os maus juízes”, mas aqueles que agem corretamente se calam para não se indispor com os colegas. “A magistratura séria, decente, não pode ser misturada com meia dúzia de vagabundos que se infiltraram na magistratura”.

O vice-presidente da Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho (Anamatra), Paulo Schimidt, também participou da audiência e disse que a classe não se opõe aos poderes do CNJ. Schimidt, no entanto, cobrou que o conselho ofereça apoio aos magistrados na mesma proporção em que fiscaliza a atuação deles. “Os juízes esperam muito do CNJ na questão disciplinar, no cumprimento de metas, na busca de eficiência, mas também esperam muito do CNJ na defesa da independência do juiz”.

A expectativa é que a PEC que trata dos poderes do CNJ seja votada na CCJ do Senado na próxima semana. O relator da proposta é o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), que deverá acatar novas sugestões para ampliar ainda mais os poderes do conselho.

Do R7

Franqueadas - Arte RatoFX

 Muito se fala sobre franquias e franchising. Mas você sabe um pouco deste idioma “franquialês”?

Abaixo os principais termos e palavras usados neste promissor segmento de negócios:

Circular de Oferta : Circular de Oferta ou COF é o documento usado pelo franqueador para fornecer informações financeiras, comerciais e jurídicas sobre a sua franquia para interessados em adquirir e operar uma unidade da rede. De acordo com o artigo 3º da Lei 8955/94, a entrega deste documento é obrigatória para garantir total transparência no relacionamento entre o franqueador e o franqueado.

Consultoria de Campo: A Consultoria de Campo trata-se da visita de um representante do franqueador nas unidades franquiadas. O objetivo é acompanhar o desenvolvimento de cada franquia, checando procedimentos, fornecendo orientações e recolhendo sugestões.

Contrato de Franquia: É o documento que cede ao franqueado o direito de uso de marca, associado ao direito de distribuição exclusiva ou semi-exclusiva de um produto ou direito. Além de formalizar os direitos e deveres do franqueado e franqueador.

Expansão da Rede: É o termo usado para expansão de franquias de uma determinada marca. Muitas empresas franqueadoras contam com um departamento para ajudar na ampliação da rede por todo o Brasil e exterior.

Franchising: Uma estratégia adotada pelas empresas para a distribuição e comercialização de produtos e serviços ao consumidor, por meio de uma rede de franquias.

Franquia: Método o qual o franqueador autoriza um terceiro (franqueado) a usar os direitos de uso de uma marca, de distribuição de serviço e/ou produto num mercado definido. Além disso, o procedimento também permite que o franqueado utilize os sistema de operação e gestão de um negócio de sucesso.

Franquia de Conversão: Ocorre quando um empresário de sucesso, normalmente no mesmo segmento que o franqueador, decide reverter o seu negócio para o sistema de franquia. Nesta situação há uma troca de experiências e pelo histórico acumulado do empresário, algum sistema implatado em seu antigo negócio, pode ser reaproveitado pelo franqueador em toda a rede de franquias.

Franqueado: Pessoa física ou jurídica que abre uma franquia de alguma marca. O franqueado investe recursos em seu próprio negócio, o qual será operado com a marca do franqueador e de acordo com todos os padrões estabelecidos e supervisionados por ele.

Franqueador: Empresa que oferece a terceiros (franqueado) o direito de utilizar a marca e seu know-how (experiência, técnica), comercializando seus serviços e/ou produtos por meio de uma franquia.

Fundo de Propaganda: É o caminho pelo qual o franqueador pode apresentar, sugerir e, principalmente, ouvir o que pensam seus franqueados sobre as ações que a rede pretende seguir. Formada pela taxa de propaganda pagas pelos franqueados, presente no Contrato de Franquia. Apesar de muitos franqueadores acreditarem que é uma despesa, o resultado deste fundo é um investimento de curto, médio e longo prazo.

Licenciamento: É a autorização, por meio de pagamentos de taxas, para o uso da marca. Algumas empresas, por exemplo, usam o licenciamento para utilizar os desenhos animados para fazer divulgação de suas lojas. Diferente do franchising, que o franqueado tem direito de usar a marca e o know-how de operações de negócio da empresa.

Lojas próprias: Unidades que pertencem ao franqueador.

Master franquia: É o direito de exploração do negócio como um todo permitindo a administração descentralizada da franquia.

Master franqueado: Um franqueado, autorizado pelo franqueador, que fica responsável pelas franquias da rede numa determinada região ou país. Ele dá assistência aos outros franqueados e pode tanto abrir novas unidades da marca como oferecer treinamentos.

Mix de Produtos: Conjunto de produtos distribuídos pelo franqueador a serem vendidos pelos franqueados.

Rede de Franquias: Conjunto de todos os franqueados de uma empresa.

Royalties: Pagamento mensal do franqueado para o franqueador pelo uso da marca. Este valor, na maiorira dos casos, é calculado sobre o faturamento da unidade franqueado, por isso este percentual pode variar.

Store in store: Trata-se de uma franquia dentro de um estabelecimento franqueado, ambos de ramos diferentes. Como, por exemplo, uma lanchonete dentro de uma livraria. A expressão também pode ser encontrada como Franquia Combinada ou Franquia Shop in Shop.

Taxa de Franquia: Taxa paga pelo franqueado na assinatura do contrato, permitindo-o que tenha o direito de abrir uma franquia.

Território: Área exclusiva ou de preferência de um único franqueado. O território tem que ser especificado no contrato de franquias. Além disso, muitas vezes, também estabelece o raio de atuação do master-franqueado.

Unidade-piloto: Estabelecimento administrado como uma franquia, mas pertecente ao franqueado. Este local serve como modelo para toda a rede.

Ainda tem alguma dúvida?  Escreva para nossa redação e teremos imneso prazer em respondê-la/o.


Lênia Luz

Lênia LUZ
Consultora em Franquias

www.mundodasfranquias.com.br

www.aurelioluz.com.br

Site American Girl

A boneca Barbie, que reina absoluta há mais de 50 anos como a favorita das meninas, pode estar sofrendo o seu primeiro ataque significativo e isso nada tem a ver com crise de consumo.

Artigo do semanário argentino Noticias de La Semana   conta que  o novo fetiche  é uma boneca que mais parece as que encantavam  meninas de muitas gerações atrás; “ corpulentas, são uma espécie de Che Guevara com discurso feminista capaz de revolucionar o gosto das garotas argentinas que, numa reviravolta ideológica que compromete o universo epidêmico da legendária loira,veneram este brinque que vem carregado de forte conteúdo intelectual. “ Palavras do autor do artigo, Omar Belo.

A missão da boneca, segundo a empresa fabricante, é  “transformar os desafios em triunfos e contribuir à formação das meninas em mulheres independentes, à altura dos desafios atuais e futuros”.

Puro discurso de marketing!

Entretanto, há que se reverenciar o gênio por trás desta novidade, pois seguramente entendeu a discussão que vem sendo travada sobre a sexualização dos brinquedos , as questões de gênero e diversidade.

Para ficar no tema das bonecas, é fácil constatar que uma ou outra boneca negra garante seu espaço nas vitrines das lojas, mas as meninas, até aqui, preferiam as loiras, esbeltas e ricas que vão formando o nosso padrão de beleza, desde a infância.

A nova American Girl vem cheia de apelos intelectuais, inclusive tem vida acadêmica, num campus virtual.

As lojas da American Girl não são apenas lojas: são “Places”, tais como os daquela marca da maçã que vende os mais cobiçados produtos eletrônicos.  Ali dentro, nada é casual e sim pensado para envolver as pequenas clientes e suas mães na atmosfera deste novo e revolucionário conceito de produto.

Vale a pena visitar o site da marca para sentir a diferença no discurso de venda.

Agora, fica a dúvida: Será que a moda pega por aqui?

Nisreen Awwad apresenta o programa matinal da Nisaa FM. Foto: Jillian Kestler-D'Amours/IPS.

A apresentadora de rádio palestina Nisreen Awwad se aproxima do microfone e se despede de seus ouvintes: “Nisaa FM: música, mudança, sucesso”, o slogan que se vê em letras garrafais à suas costas. “O que mais gosto é de entrevistar mulheres simples de povoados pequenos que têm sucesso e fazem algo diferente na sociedade”, contou à IPS a produtora de rádio de 31 anos, originária do acampamento de refugiados de Qalandiya, na Cisjordânia.

Awwad apresenta o programa matutino da Nisaa FM (mulheres, em árabe), de onde procura incidir positivamente nos papéis que a população feminina desempenha na sociedade palestina e na percepção que as mulheres têm de si mesmas. “Acredito na mensagem da emissora e quero mudar algo pelas mulheres de nossa sociedade. A Nisaa FM é diferente”, afirmou Awwad. “Gosto como meu trabalho na rádio me coloca em contato com temas femininos”, acrescentou.

Criada em junho de 2010, a Nisaa FM 96.0 e 96.2 é quase totalmente dirigida por palestinas. Transmite desde Ramalá, na Cisjordânia, e é a única do Oriente Médio dedicada apenas a assuntos femininos. Sua diretora, Maysoun Odeh Gangat, explicou que se dedica a informar, inspirar e potencializar as mulheres. “Ao divulgar o papel positivo que elas têm, podemos dar às mulheres poderes econômico, social e político. E falamos de qualquer mulher, desde uma camponesa até uma refugiada, uma parlamentar ou uma ministra”, detalhou à IPS.

Além de suportar um amplo grau de violações de direitos humanos pela ocupação israelense da Cisjordânia e pelo sítio à Faixa da Gaza, as palestinas também devem lidar com as dificuldades inerentes à sua própria sociedade. Em uma pesquisa de 2009, divulgada pelo Centro de Informação e Mídia de Mulheres Palestinas, 77% das moradoras de Gaza ouvidas disseram ter sofrido alguma forma de violência, 53% sofreram violência física e 15% abuso sexual.

Um ano antes, um estudo do centro Mundo Árabe de Pesquisa e Desenvolvimento concluiu que 74% das entrevistadas não conheciam nenhuma organização que trabalhasse em defesa dos direitos femininos. Além disso, 77% declararam estar a favor de leis que protegessem as mulheres da violência de gênero.

“Esta é uma sociedade patriarcal, dominada pelos homens, então a mudança virá se também nos dirigirmos a eles”, defendeu Gangat, ao explicar que a emissora também busca que os homens se interessem pelos problemas femininos. Para conseguir mudanças, ressaltou, deve-se falar de temas difíceis, como poligamia, divórcio, abuso, casamento precoce e pobreza, e de como as mulheres podem reafirmar seus direitos nessas áreas. “As ouvintes se motivam quando ouvimos especialistas em assuntos controvertidos ou negativos. Algumas nos telefonam perguntando o nome de quem entrevistamos”, contou Gangat.

Com centenas de postos de controle permanentes ou itinerantes na Cisjordânia, e o isolamento quase total de Gaza, a população palestina vê limitada sua liberdade de movimento diariamente. Esta realidade e as restrições sociais e econômicas da própria sociedade palestina fazem com que emissoras com a Nisaa se tornem muito mais importantes, disse Gangat.

“A rádio está ao alcance de todas as mulheres, mesmo em áreas isoladas, e é um meio muito barato e simples. Quando elas comentam suas experiências em Gaza, as compartilham com congêneres da Cisjordânia, e vice-versa”, explicou. “A Nisaa FM as conecta. Vinculam-se através das ondas e têm uma voz e uma plataforma que podem compartilhar e falar de suas experiências”, destacou. E o impacto da emissora começa a ser sentido.

“Temos centenas de telefonemas de trabalhadoras que perguntam sobre seus direitos após ouvirem um debate na rádio”, afirma um comunicado da U’nwan al-A’Amel (o endereço dos trabalhadores, em árabe), uma organização de defesa trabalhista com sede em Yenín, norte da Cisjordânia. Isto mostra a eficácia da mídia e a rapidez e facilidade com que distribuem informação a grupos específicos”, diz o comunicado de imprensa publicado pelo jornal Al Quds no começo deste mês.

Nos últimos meses, representantes da organização foram convidados a falar sobre vários temas relacionados com os direitos trabalhistas na legislação israelense no programa matutino da Nisaa FM. “As trabalhadoras agrícolas do Vale do Jordão começaram a se organizar em grupos e criar comitês para defender seus direitos usurpados”, acrescenta o comunicado.

A Nisaa transmite pela internet, e seu site está disponível em inglês e árabe, e é ouvida no norte da Cisjordânia, em Ramalá e Belém. Sua prioridade é encontrar uma frequência livre em Hebron, sul da Cisjordânia e Faixa de Gaza. Enquanto isso, o principal objetivo do programa matutino continua sendo mudar a percepção local e derrubar os estereótipos de gênero, reafirmou Awwad.

“Todos os dias entrevisto mulheres únicas. Na resposta das pessoas sempre ouvimos algo amável e positivo, como ‘Oh, por Deus. Falam sobre essas mulheres… Onde estão?”, contou. “As mulheres quase sempre são fortes e podem conseguir mudanças. Isto é o que espero.

Do Envolverde/IPS

 A Invenção de Hugo Cabret é uma fantástica e surpreendente declaração de amor ao Cinema

A Invenção de Hugo Cabret (Hugo – EUA – 2011)

 Scorsese em ritmo de aventura – O cineasta Martin Scorsese adentra em terreno inédito. Saem de cena os psicopatas e esquizofrênicos de todos os gêneros que habitaram vários dos seus magníficos filmes (Táxi Driver, Touro Indomável, Infiltrados, Cassino, O Aviador, Cabo do Medo). Em A Invenção de Hugo Cabret (Hugo – EUA – 2011), eles foram substituídos por referências aos tipos imaginados por Victor Hugo, Alexandre Dumas e Júlio Verne, em ambiente compatível: Paris do início do século vinte. Mais especificamente, a estação de trem da Cidade-Luz, onde quase toda a trama se desenvolve. A conexão com três dos maiores autores literários franceses vai se desdobrar em citação aos Irmãos Lumière. Eles inventaram o cinematógrafo, que surpreendeu os franceses e o mundo com as antológicas imagens em movimento de cotidiano trem chegando numa estação. Nascia o cinema. Com esses elementos, Scorsese construiu o argumento de história fantástica e surpreendentemente não-maniqueísta. O personagem-protagonista que inspira o título, um menino-órfão, agirá no sentido de despertar sentimentos inconscientes nos adultos com quem irá interagir e lhes modificará para sempre as suas vidas.

Resumo da história – Hugo Cabret (Asa Butterfield) é um menino esperto, mal chegado à adolescência. E órfão, numa Paris encantadora nas aparências, mas crudelíssima com quem teve a desventura de perder precocemente o pai e cair nas mãos de tio quase sempre bêbado, cuja função era a de manter os relógios da estação de trem de Paris em funcionamento e sincronizados. A alternativa seria ir para um orfanato, perspectiva que apavorava o garoto. Submete-se às sempre crescentes ausências do tio e começa, ele mesmo, a controlar os relógios da estação. É lá onde mora em cubículo esquecido, no qual conserva inusitado legado de seu pai (Jude Law), relojoeiro habilidoso e sonhador. Era um simulacro de andróide que se movimentava a partir dos mesmos mecanismos dos relógios de corda. Para fazer a engenhoca funcionar teria que contar com a ajuda de outro relojoeiro, dono de pequena loja no local, o ranzinza Georges Méliès (Ben Kingsley), que esconde passado inimaginável. Com a ajuda da afilhada deste, Isabelle (Chloe Moretz), Hugo chegará a segredos cuidadosamente camuflados. Eles estarão entrelaçados com a solução de que precisa para fazer o seu “robô” voltar a funcionar. Vencer as resistências do sorumbático Méliès não será o único desafio para a sagacidade de Hugo. Ele terá que se livrar da perseguição do guarda da estação (Sacha Baron Cohen), mutilado de guerra, com perna mecânica e cachorro (Maximillian) hostil, que perseguirá Hugo com persistência semelhante a do inspetor Javert no encalço de Jean Valjean — ambos personagens de “Os Miseráveis”, de Victor Hugo. A vida pregressa de Méliès, a ser descoberta por Hugo, será a deixa para Scorsese fazer bela homenagem aos pioneiros da arte cinematográfica. Com imagens digitais em 3D, decifrará para o espectador os segredos mágicos dos primeiros filmes, em sequências extraordinariamente bem dirigidas e produzidas.No final, o diretor ainda encaixará reflexão filosófica-existencialista na fala do adolescente Hugo: “O mundo é uma grande máquina que não dispõe de peças sobressalentes. Se você (dirigindo-se a Isabelle) e eu estamos aqui, é por algum motivo”. Instigante fecho para a fabulosa aventura de menino sonhador, apaixonado pelo futuro. Aqui o adjetivo “fabulosa” se desvincula de outros laudatórios, como grandiosa, magnífica, para sublinhar ligação com bela fábula, o que realmente o filme é.

Scorsese encontra Spielberg e o francês Michel Hazanavicius no mesmo Oscar – Três ótimas produções que concorrem à estatueta de melhor Filme e Melhor Diretor no Oscar do próximo domingo têm seus enredos entrelaçados. A Invenção de Hugo Cabret apresenta argumento semelhante ao de O Artista, de Michel Hazanavicius: magnífica homenagem ao Cinema e aos extraordinários talentos que o conceberam e aperfeiçoaram. Ambos também se estruturam em roteiros rocambolescos, exatamente como Cavalo de Guerra (dirigido por Steven Spielberg), que concorre no mesmo páreo (Melhor Filme e Melhor Diretor). Mais: a Primeira Guerra Mundial, que move o herói equino de Spielberg, será a resposta para as perguntas sobre o mistério do enigmático Méliès. Nunca antes na história do Oscar houve situação parecida.

Scorcese dá novo e bem-vindo tom para a aventura no CinemaA Invenção de Hugo Cabret tem como (bom) atributo a simplicidade; não é uma história nervosa e cheia de detalhes que deixam a platéia tonta. Também foi cuidadosamente editado para evitar conotação pessimista, por mais tristes que sejam alguns eventos. Os personagens, por sua vez, vivem situações improváveis, mas, bem dirigidos, têm aparência “humana”, e ficam a anos-luz dos tipos caricatos. A simplicidade do roteiro, no entanto, traz embutida tema complexo e profundo: a guerra, como devastadora de sonhos e de vidas. Essa mistura faz o filme decolar, tal e qual os primeiros arquétipos de foguetes imaginariamente dirigidos para a Lua.

Filme diz muito, sem mostrar pouco – Além do maestro Scorsese na direção, A Invenção de Hugo Cabret conta com elenco raro: Ben Kingsley repete performances que o notabilizaram (Ghandi, Fatal). O menino Asa Buterfield passa autenticidade a personagem determinado e discretamente otimista. Tem na garota Chloe Moretz o contraponto ideal para sua performance. Há ainda o impagável Sacha Baron Cohen (Borat), como o guarda da estação, que consegue a proeza de fazer o que faz, sem parecer cem por cento ridículo ou abominável. Elenco de apoio, com astros como Jude Law (o pai), Emily Mortimer (a florista da estação, que encanta o guarda) e Helen McCrory como, Mama, a esposa de Méliès, aparentemente resignada, mas dona de força inesperada para induzir mudanças comportamentais surpreendentes no marido, formam conjunto sem o qual Scorsese não poderia ter avançado como avançou em sua já magistral filmografia.

Escrito por José Jardelino da Costa Júnior
 com a colaboração de Camila Costa. 

Atriz já foi indicada 17 vezes ao maior prêmio da indústria. Ela venceu por sua interpretação de Thatcher em ‘A dama de ferro’.

Meryl Streep durante seu discurso de agradecimento (Foto: Reuters)

Ovacionada de pé por seus colegas, a norte-americana Meryl Streep ganhou na noite deste domingo (26) o terceiro Oscar de sua carreira. O prêmio de melhor atriz veio por sua interpretação da primeira-dama britânica Margaret Thatcher no filme “A dama de ferro” – as duas vitórias anteriores aconteceram em 1980, quando levou o prêmio de atriz coadjuvante por “Kramer vs. Kramer”, e em 1983, quando venceu a categoria de melhor atriz por seu trabalho em “A escolha de Sofia”.

Ela abriu seu discurso agradecendo o marido, por medo de que o limite de tempo a impedisse de dizer seu ‘obrigada’ a ele. E encerrou declarando que queria aproveitar para agradecer a todos os seus colegas e amigos, “porque acho que nunca mais estarei aqui de novo”.

Meryl Streep é a atriz mais vezes indicadas ao Oscar na história, tendo concorrido 17 vezes, recorde que demonstra sua credibilidade dentro da indústria. A marca, no entanto, tem um lado amargo – com tantas disputas, Streep é também a atriz que mais vezes esperou em vão ter seu nome chamado. O fato foi notado pelo apresentador Billy Cristal, que aproveitou para fazer uma piada, dizendo que só por ter tido que aguentar tantos discursos de agradecimento de outros atores ela já merecia um Oscar.

Do G1

Foto Carolina Vianna

Cópia

s.f. Reprodução manual ou automática de um texto, documento etc.
Imitação exata de uma obra de arte: cópia de um quadro.
Imitação desonesta de uma obra; plágio:

Diário

s.m. Livro de anotações contendo a narrativa diária de experiências pessoais. Na literatura inglesa, encontra-se grande número de diários importantes.

Gerúndio

s.m. Forma nominal e invariável dos verbos, proveniente do ablativo do gerúndio latino, e caracterizada, em português, pela desinência -ndo: copiando, refazendo, reproduzindo, pondo.

diário-gerúndio*

pensando em hades & tártaro. sobrevivendo ao caos. arrastando os pertences dentro do saco de pim. agarrando o saco. lutando com unhas e dentes. sabendo como é.

vivendo na ilha da fantasia. usurpando mimos do verdadeiro rei. engordando o cão. ludibriando o rei. simulando contrição. ouvindo ultrajes. respirando fundo. retrucando insultos. semeando a discórdia.

disfarçando indecências. escondendo carências. dissimulando intenções. resvalando para a concupiscência. desviando o olhar dos olhos inquisidores da matrona. criando subterfúgios & submergindo. querendo o nada de atreyu.

adquirindo micróbios, germes e doenças na rede de alcance mundial.

sonhando & ansiando & vivendo & respirando & pensando 24×7 no mausoléu & na obra & na arte. procrastinando as famigeradas promessas de fim de ano. fumando.

sendo sereia em terra firme.

 *Fonte de inspiração 
Crise econômica mundial não é desculpa para fugir do tema, afirma a OIT. Brasil tem hoje cerca de 2,9 milhões de postos de trabalho sustentáveis.

Usinas eólicas instaladas no Rio Grande do Sul (Foto: Divulgação/ABEEólica)

A Organização das Nações Unidas (ONU) quer tentar colocar mais peso nas negociações da Rio+20, Cúpula de Desenvolvimento Sustentável que acontece em junho no Brasil, sobre a criação de empregos verdes — postos de trabalho que ajudam a proteger e restaurar ecossistemas e a biodiversidade.

Por meio de sua agência multilateral, a Organização Internacional do Trabalho (OIT), já existe uma negociação com o governo brasileiro, responsável pela elaboração do texto-base para a negociação diplomática, para que os pontos presentes no documento chamado “Rascunho Zero” não fiquem apenas “nas intenções”.

O documento, que vai nortear a conferência do Rio de Janeiro, afirma que os países reconhecem a necessidade de criar essas vagas em obras públicas para restauração e valorização do capital natural, uso racional da biodiversidade, além de novos mercados vinculados às fontes de energias renováveis. Outro ponto importante é sobre o incentivo ao comércio e indústria para contribuir com a geração de trabalhos sustentáveis.

Porém, segundo Paulo Sérgio Muçouçah, coordenador do programa de empregos verdes e trabalho decente do escritório brasileiro da OIT, os pontos colocados até então são apenas promessas. “As coisas estão no nível de intenções, estão cruas”, disse Muçouçah ao Globo Natureza.

Instrumento legal

De acordo com ele, é necessário articular durante a Rio+20 um instrumento que obrigue as nações a adotar algo mais concreto sobre o tema. “Isto depende de regulação e estímulos financeiros. Sabemos que não dá para obrigar todo mundo, mas é possível adotarmos medidas em determinados setores”, disse.

Ele cita a criação de políticas pontuais, como, por exemplo, determinar o aumento da eficiência energética em automóveis e criar novos padrões de emissões de gases. “Temos estudos feitos nos Estados Unidos que mostram uma possibilidade de vagas nessa área”.

Para o coordenador da OIT, a crise econômica que afeta países da Europa e os Estados Unidos não é desculpa para evitar o tema. “O que a OIT tem mostrado é que a melhor maneira de combater a crise é fazer a economia girar. Os empregos verdes têm um duplo objetivo, que é combater a crise imediata e deixar a economia mais sustentável”, complementa.

No Brasil e no mundo

Levantamento feito pela ONU em 2009, e atualizado em 2010, mostra que o Brasil gerou 2,9 milhões de empregos verdes no ano retrasado, o equivalente a 6,6% do total de postos de trabalho criados no período.

A maior parte da mão de obra foi empregada na área de transportes coletivos e alternativos ao rodoviário e aeroviário (ferrovias e meios marítimos). Em seguida, vem a geração e distribuição de energias renováveis (cultivo da cana de açúcar, fabricação do etanol e geração de energia elétrica). Segundo Muçouçah, este setor é o que mais vai receber trabalhadores nos próximos anos.

Pesquisa mais recente sobre o tema realizada pela OIT em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) em 2008 aponta que o número de trabalhadores nesta área será de 20 milhões até 2030. Isto devido aos investimentos maciços em energias renováveis.

Uma demonstração sobre o aumento desta velocidade são os últimos números referentes ao crescimento da capacidade mundial de geração de eletricidade por meio dos ventos (eólica).

Estatísticas apresentadas no início de fevereiro pelo Conselho Global de Energia Eólica apontam elevação de 21% na geração em 2011, passando de 197 GW para 238 GW (o equivalente a 17 vezes a potência instalada da usina de Itaipu).

Em relação à última década, houve alta de quase sete vezes. Mais de 40% do aumento total ocorreu na China, cuja capacidade instalada saltou para 62 GW. No Brasil, o crescimento foi de 62%.

“Os Estados Unidos e a China têm aplicado tecnologias para substituir o uso do carvão na geração de eletricidade. Além disso, edifícios também estão sendo reformados na Europa para aumentar a eficiência energética. Tudo isso tem efeito na mudança da matriz energética. A recomendação da OIT é que haja uma atenção especial para a adoção dessas tecnologias”, disse.

Do G1

Maternidade

Dados divulgados nesta quinta-feira pelo Ministério da Saúde indicam que o Brasil pode registrar a maior queda, em termos absolutos, na taxa de mortalidade materna desde 2002, quando o país freou uma fase acentuada de redução dessas mortes.

O país está, porém, longe de atingir a meta para 2015, traçada pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 2000.

Segundo levantamento do ministério, foram 870 mortes maternas no primeiro semestre de 2010 e 705 no mesmo período de 2011; uma diminuição de 19%.

Os dados completos de 2011, ainda preliminares, fazem o governo acreditar que o país pode encerrar o ano com uma razão de mortalidade de 63 mortes de mães por cada cem mil crianças nascidas vivas.

Isso significaria uma redução de cinco pontos em relação a 2010, queda que não é registrada pelo Brasil desde 2002 (quando a taxa saiu de 80 para 75), explicou o ministro da pasta, Alexandre Padilha. “Demoramos de 2003 a 2010 para ter uma queda de quatro pontos na taxa de mortalidade materna”, disse.

Enquanto os anos 90 registraram uma acentuada queda nesse indicador, os de 2000 foram quase de estabilidade, o que fez pesquisadores apontarem, em 2011, que o Brasil levaria 25 anos para cumprir a meta da ONU, atingindo o indicador apenas em 2040.

“Temos que intensificar os trabalhos nos próximos anos se quisermos atingir os Objetivos do Milênio de chegar a 35 [mortes maternas por cem mil nascidos vivos] em 2015. [Vemos em 2011 uma] intensificação da curva de redução”, admitiu Padilha.

As principais causas de morte materna são hipertensão gestacional, hemorragia, infecção pós-parto, doenças circulatórias pré-existentes e agravadas com a gravidez e aborto.

Do Ambiental Sustentável
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