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O Homem Que Amava As Mulheres, considerado síntese da obra do melhor entre os cineastas franceses, fará 35 anos em 2012 e acaba de ganhar edição remasterizada.

O Homem Que Amava As Mulheres (L'homme Qui Aimait Les Femmes - França - 1977)

Resumo da história - Instigante comédia dramática, narrada em flashback, sobre a vida e as conquistas amorosas de Bertrand Morane (Charles Denner), especialista na construção de aviões, barcos e helicópteros. Ele é O Homem Que Amava As Mulheres (L’homme Qui Aimait Les Femmes – França – 1977). Morava em Montpellier, a “cidade francesa com maior número de belas por metro quadrado”. Um apaixonado pela alma feminina. . Todas. Nenhuma o deixava indiferente. Gostava das ruivas “pelo cheiro”, das louras platinadas “pelo artifício”, das jovens porque elas acham que “o mundo lhes pertence”, das viúvas “por estarem disponíveis”,das casadas “por não estarem”. Para ele, engenheiro, “as pernas das mulheres eram compassos que percorrem o globo terrestre em todas as direções, dando-lhe equilíbrio e harmonia”. Na primeira cena que mostra uma de suas conquistas, ele se deixa fascinar apenas pelas pernas de quem sequer consegue ver o rosto. Anota a placa do conversível dela e,obstinado, tenta de todas as formas encontrá-la. Chega a chocar o seu carro aleatoriamente e denuncia à companhia de seguros que o acidente teria sido por culpa da dona do belo par de pernas. Queria , porque queria, saber o seu endereço e a sua identidade. Sucedem-se outras aventuras, até que ele esbarra em Hélène (Geneviève Fontanel), mulher madura e bela, dona de loja de lingeries, que aceita convite para jantar. Logo após, confessa que prefere mesmo os homens mais jovens, embora aprecie a sua companhia. A partir desse momento, Bertrand decide escrever um livro sobre sua vida e as mulheres que dela participaram. As reminiscências adentram no terreno freudiano. O espectador fica sabendo que ele foi desprezado por mãe castradora e promíscua. Mais: a mulher por quem se apaixonou e com quem viveu alguns anos, Vera (Leslie Caron), o abandonara inexplicavelmente. Começam as semelhanças entre a vida do personagem e a do próprio Truffaut (segundo os biógrafos do cineasta, “Vera” teria sido Catherine Deneuve). Ele, Truffaut, sinaliza a conexão entre a fantasia e a realidade, ao aparecer no início do filme. Os originais do livro de Bertrand ficam prontos e uma importante empresa editora decide transformá-los em livro. Escala a diretora Geneviève Bigey (Brigitte Fossey), bonita e cheia de charme, para cuidar do projeto. Ela vai além e termina na cama dele. Fatos imprevisíveis atrapalham a trajetória de Bertrand rumo a mais outra conquista. A história termina com explicação freudianamente plausível sobre os motivos do comportamento compulsivo do personagem. Apenas mais uma vítima de neuroses recalcadas, muito distante, portanto, do estereótipo do sedutor convencido e chato.

O diretor – Ao romper com Jean-Luc Godard, amigo dos primeiros tempos, Truffaut deixou claro o tipo de cinema que queria produzir. Abandonaria as ilações políticas, etéreas, a fim de se fixar em filmes que mostrassem o encanto dos relacionamentos, independentemente de “finais felizes”. Seus trabalhos iriam esmiuçar o jeito de ser de mulheres, homens e suas neuroses. Aprimorou estilo baseado em suas experiências pessoais. O Homem Que Amava As Mulheres é considerado o filme em que melhor exprimiu o seu jeito de lidar com o mundo e com as belas que lhe surgiram no caminho.

O elenco – Charles Denner foi um dos principais atores franceses dos anos 60 e 70. Trabalhou com Louis Malle (Ascensor Para o Cadafalso, ótimo suspense, ao lado de Jeanne Moreau), Godard, Costa-Gavras (Z), Claude Chabrol, Claude Lelouch e com Truffaut. Segundo este, depois que o roteiro de O Homem Que Ama As Mulheres foi concluído, não havia melhor ator para vivenciar a aventura de Bertrand Morane pelos labirintos dos sentimentos femininos. Aos 51, a voz grave e viril de Charles Denner fazia o contraponto ideal com certa vulnerabilidade que costuma despertar o instinto maternal das mulheres. Todas as coadjuvantes estiveram perfeitas, cada uma preenchendo, à sua maneira, lacunas explícitas na autoestima do personagem. Destaque para Brigitte Fossey e Geneviève Fontanel.

Filme viria a influenciar a outros grandes diretores da geração seguinte

O Homem Que Amava As Mulheres, pelo mergulho no inconsciente masculino, iria deixar marcas em trabalhos futuros de Pedro Almodóvar (Carne Trêmula, Abraços Partidos), François Ozon, no filme mais sensível de Clint Eastwood (Pontes de Madisson) e Christophe Honoré (A Bela Junie),entre outros.

Truffaut chegou a planejar retomada ao tema de O Homem que Amava As Mulheres

Em maio de 1984, Truffaut reuniu seu diretor de fotografia preferido, Nestor Almendros (também o responsável pelas magníficas imagens de O Homem Que Amava As Mulheres), e Gérard Depardieu, a fim de discutir adaptação do romance La Varande, que contava a vida amorosa de militar que voltava das guerras napoleônicas, com o rosto desfigurado e a certeza de que a sua vida de sedutor havia acabado. Para surpresa dele, o seu nariz mal refeito dos ferimentos tornar-se-ia elemento fetichista e objeto de desejo das mulheres que passaria a conhecer. Não houve tempo. Em 21 de outubro do mesmo ano, viria a falecer, vencido por câncer no cérebro.

Outro filme, aqui no Brasil também “O Homem Que Amava As Mulheres” (Vie Hérooique, na língua original), relativo àcinebiografia do músico francês Serge Gainsbourg, realizado em 2010, nada tem a ver com o filme de François Truffaut.

José Jardelino da Costa Júnior

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