"Ajudando as mulheres a liderar, vencer, governar." ✫Desde 2009✫

Arquivos para a junho, 2011

Do CNJ
Arte RatoFX

Afirmar e exigir da União e dos estados brasileiros, assim como do Poder Judiciário e de todos os órgãos integrantes do sistema de justiça criminal, o cumprimento das regras das Nações Unidas sobre reclusão de mulheres e cumpridoras de penas e medidas não-privativas de liberdade (Regras de Bangcok). Esta é uma das principais recomendações da chamada Carta de Brasília, divulgada nesta quarta-feira (29/06) no encerramento do Encontro Nacional sobre o Encarceramento Feminino, organizado e realizado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O evento foi promovido pelo Conselho por meio de seu Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário (DMF).

O documento é resultado do ciclo de palestras e debates realizados durante o seminário, ao longo desta quarta-feira (29/06), no auditório do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília. Enfatiza que para o atendimento a tais regras é importante que o poder público e a sociedade, de maneira geral, realizem estudos sistemáticos com o intuito de detectar as causas estruturais da violência contra a mulher e fortalecer os trabalhos de prevenção – com vistas a, posteriormente, combater normas sociais e jurídicas discriminatórias. Chama a atenção, ainda, para a necessidade de que sejam formuladas políticas públicas específicas para as mulheres detidas ou recolhidas em instituições prisionais.

Visibilidade – A Carta de Brasília pede a revisão, no âmbito do Legislativo, das disposições da Lei de Execução Penal (Lei 7.210/84) de modo a dar visibilidade e tratamento específico às mulheres privadas de liberdade. Dentre outros fatores, o documento leva em consideração que, diante do aumento do número de mulheres encarceradas no Brasil na última década, sabe-se que certo número delas não representa maior risco para a segurança da sociedade (de modo que o seu encarceramento pode dificultar ou inviabilizar a futura reinserção social destas mulheres).

Por conta disso, o documento propõe ao Congresso Nacional a efetivação ou criação de mecanismos legais que permitam melhor avaliação dos riscos e classificação das presas, facultando-se, quando for o caso, a adoção de medidas alternativos à pena de reclusão ou detenção, especialmente, no caso de detentas grávidas por ocasião da prática do delito e mães de filhos que sejam delas dependentes econômica ou emocionalmente. “Queremos na prática, cobrar a efetivação dessas regras no território brasileiro”, afirmou o coordenador do DMF, juiz Luciano Losekan.

Atuação em rede – Para a conselheira Morgana Richa, que coordenou os debates da última mesa de palestras, a atuação em rede entre o Judiciário, o Executivo e o Legislativo é fundamental neste trabalho, principalmente para o cumprimento das políticas públicas e como forma de se conduzir a um resultado esperado dentro da complexidade do problema, que tem vários vieses. “Estamos falando aqui da dignidade da pessoa humana e da própria questão da criança, numa compatibilidade de interesses e levando-se em conta a realidade que nos permite a concretude da situação em si. Outro ponto a levar em consideração é a questão do tráfico, que é a base desta criminalidade e um problema que margeia o aspecto social, daí porque a importância desse trabalho cooperado”, destacou.

O seminário contou com a participação de representantes do Judiciário, magistrados, servidores dos tribunais, psicólogos, assistentes sociais e demais profissionais envolvidos com o sistema carcerário brasileiros, além dos conselheiros, juízes auxiliares e técnicos do CNJ.

Por Hylda Cavalcanti

Para saber mais sobre esse tema, acesse:
CNJ vê omissão da sociedade frente às más condições do encarceramento feminino e
Especialistas pedem mais compromisso com saúde de presidiárias

 

 

Do Correio Braziliense

Renata Guerra e sua BMW: trabalho e lazer juntos

Há 18 anos, a cabeleireira Sueli de Oliveira, 40 anos, decidiu comprar uma scooter 50cc com o primeiro salário. Tirou a carteira e passou a pilotar motos mais potentes também, até adquirir a sua Garinni 250cc. A motocicleta é companheira para todas as horas e o único meio de transporte da cabeleireira. Com ela, Sueli vai trabalhar, pagar as contas, fazer compras no supermercado, passear e viajar nos fins de semana. “Sempre tive moto e não tenho habilitação de carro. Sinto-me livre com ela”, explica. “Para guardar as compras, uso os alforjes (bolsas especiais para motos), que ficam nas laterais.”

Sueli descobriu a praticidade, a economia e a agilidade de locomoção que só as motos oferecem. Assim como ela, muitas consumidoras decidiram investir nesse meio de transporte. Segundo o Detran são 23.946 das habilitações no Distrito Federal. Isso para uma frota que passou de 25 mil unidades, em 2000, para 137 mil.

Dados da Abraciclo (associação que reúne os fabricantes nacionais) confirmam o aumento da demanda no Brasil: meio milhão de motocicletas vendidas em 2010 para o público feminino — 25% do total comercializado pelo setor. Uma conquista que vem crescendo desde 1995, quando a fatia do segmento era de 15%.

Pequenas e eficientes

A segmentação do setor de motocicletas por cilindradas registrou 83% da preferência pelos modelos até 150cc. Apesar de serem menos potentes, conseguem atender às necessidades do dia a dia, economizar combustível e são usados como meio de trabalho, no caso das motogirls.

A gerente financeira Débora Patrícia de Alcântara, 26 anos, já tentou trocar a companheira Biz 100cc, apelidada de Papa-léguas, por um carro. Contudo, o aumento no orçamento pesou no bolso. “Vendi a moto para comprar outra, mas com as pessoas próximas falando que andar de carro era mais seguro, segui a dica. Não foi a mesma coisa.” O orçamento de Débora foi triplicado com combustível e manutenções. Outro problema foi a dificuldade em achar vagas em estacionamentos. “Hoje, só saio com meu carro para levar a família para passear e uso a moto para trabalhar”, afirma.

Segundo a Abraciclo, os tipos de moto preferidos por elas são as scooters e as CUBs (Cheap Urban Bike ou moto urbana de baixo custo). As vantagens de ambas são os preços acessíveis, a facilidade para pilotar, por serem automáticas e por permitirem a condução em posição confortável. Já as scooters ganham pontos com as meninas pela possibilidade de serem guiadas de salto alto, pois têm proteção para os pés e não precisam de embreagem.

A Yamaha surpreendeu este ano ao lançar uma edição limitada em cor-de-rosa da motocicleta XJ6. A novidade homenageia o 94º Giro d’Itália — uma das corridas de ciclismo mais conhecidas da Europa. Segundo a fabricante, a XJ6 Rosa Itália foi feita com a cor da maglia rosa (malha rosa) — camiseta do primeiro colocado da corrida. Por aqui, a fabricante apostou na cor roxa da Fazer YS 250 e da Factor YBR 125 ED. Ambas da categoria street, as motocicletas agradam a homens e mulheres.

A rival Honda investiu no segmento das scooters e das CUBs, por causa da forte procura do público feminino. A empresa japonesa lançou este ano a Biz 125 e a Lead 110 na cor rosa metálico. As motocicletas são as mais vendidas da marca para as mulheres (68% do total de motos Biz e 55% das Leads).

Utilidade

De acordo com dados da Abraciclo, do total de vendas de motocicletas no país, 40% substituem o transporte público; 19% são voltadas para o lazer; 16% usadas como instrumento de trabalho; e o restante, para outras finalidades.

Facilidades

Na hora de comprar uma moto, as mulheres se dividem entre os financiamentos tradicionais e, principalmente, o consórcio. Segundo a Caixa, de cada quatro consórcios de moto comercializados desde o lançamento do serviço, em dezembro passado, um foi adquirido por mulheres. “Aquela história de que lugar de mulher é na garupa já é coisa do passado”, afirma o diretor de operações da Caixa, Antônio Limone.

 

Do Senado.gov

Arte RatoFX

 

Pesquisa nacional do DataSenado, concluída no final de fevereiro, revela que 66% das mulheres acham que aumentou a violência doméstica e familiar contra o gênero feminino, ao mesmo tempo em que a maioria (60%) entende que a proteção está melhor, após a criação da Lei Maria da Penha.

O levantamento sobre violência doméstica contra a mulher já tem tradição no programa de trabalho do DataSenado, que fez a primeira pesquisa sobre o tema em 2005. A cada dois anos o estudo se repete. Em sua quarta versão, os resultados de 2011 indicam que o conhecimento sobre a Lei Maria da Penha cresceu nos dois últimos anos: 98% disseram já ter ouvido falar na lei, contra 83% em 2009. Foram feitas 1.352 entrevistas, apenas com mulheres, em 119 municípios, incluídas todas as Capitais e o DF.

Medo e rigor da lei seguram denúncias

Para as mulheres entrevistadas, conhecer a lei não faz com que as vítimas de agressão denunciem o fato às autoridades. O medo continua sendo a razão principal para evitar a exposição dos agressores, com 68% das respostas. Para 64% das mulheres ouvidas pelo DataSenado, o fato da vítima não poder mais retirar a queixa na delegacia faz com que a maioria das mulheres deixe de denunciar o agressor.

Do total de entrevistadas, 57% declararam conhecer mulheres que já sofreram algum tipo de violência doméstica. A que mais se destaca é a violência física, citada por 78% das pessoas ouvidas pela pesquisa. Em segundo lugar aparece a violência moral, com 28%, praticamente empatada com a violência psicológica (27%).

Álcool e ciúmes são as causas principais

Entre as mulheres que afirmaram já ter sofrido algum tipo de violência e que citaram, espontaneamente, o motivo da agressão, os mais citados foram o uso de álcool e ciúmes, ambos com 27% cada. Os principais responsáveis pelas agressões, segundo as vítimas, foram os maridos ou companheiros (66% dos casos). Quase a totalidade das entrevistadas, 96%, entende que a Lei Maria da Penha deve valer também para ex-namorado, ex-marido ou ex-companheiro.

A maioria das mulheres agredidas, 67%, afirma não conviver mais com o agressor. Mas uma parte significativa, 32%, ainda convive. E destas, segundo a pesquisa, 18% continuam a sofrer agressões. Dentre aquelas que disseram ainda viver com o agressor e ainda serem vítimas de violência doméstica, 40% afirmaram ser agredidas raramente, mas 20% revelaram sofrer ataques diários.

O levantamento, finalmente, buscou saber o que pensam as mulheres sobre a nova interpretação da Lei Maria da Penha, estabelecida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), em dezembro último. A corte entendeu que a lei é compatível com a dos Juizados Especiais, permitindo a suspensão da pena nos casos em que a condenação for inferior a um ano. Quando isto ocorrer, o juiz pode trocar a pena de prisão por uma pena alternativa ou, ainda, suspender o processo. A pesquisa apurou que a maioria das entrevistadas ficou insatisfeita. Para 79%, a decisão enfraquece a lei.

Aumenta informação da mulher e disposição para denunciar violência

O nível de conhecimento das mulheres sobre a Lei Maria da Penha cresceu 15% nos dois últimos anos e alcançou 98%. O levantamento também constatou que a esmagadora maioria das entrevistadas (81%) não pensaria duas vezes para denunciar um ato de agressão cometido contra uma mulher. Desse montante, 63% ainda procurariam uma delegacia de polícia comum, enquanto 24% dariam preferência à delegacia da mulher. Quem usou os serviços da delegacia especializada gostou do atendimento (54% acharam ótimo/bom; 24% regular).

Embora seja muito alto o nível de conhecimento da lei (98%), 63% das mulheres ouvidas consideram que apenas uma minoria denuncia as agressões às autoridades e 41% acha que a mulher não é tratada com respeito no país. O percentual de mulheres que declararam já ter sido vítimas de algum tipo de violência permaneceu igual ao número obtido em 2009: a cada 5 mulheres pesquisadas, uma declara já ter sofrido algum tipo de violência doméstica e familiar.

Quase um terço ainda sofre calada

A pesquisa também procurou avaliar o limite da mulher agredida. As entrevistadas que disseram já ter sofrido algum tipo de violência, foram questionadas: após quantas agressões elas procuraram ajuda? Os resultados: 36% disseram ter procurado ajuda na primeira agressão, mas 29% confessaram não ter procurado qualquer ajuda; 24% pediram ajuda após a terceira agressão, 5% na segunda e 5% preferiram não responder.

Quando questionadas sobre o que fizeram após a última agressão, nada menos que 23% das mulheres ouvidas disseram não ter feito nada. As razões para essa atitude, segundo elas: 31% decidiram não fazer nada preocupadas com a criação dos filhos, 20% por medo de vingança do agressor, 12% por vergonha da violência sofrida, 12% por achar que seria a última vez, 5% por dependência financeira, 3% por acharem que não haveria punição e 17% citaram outros motivos.

 

Do O Globo

Ministro da Previdência, Garibaldi Alves

O governo já tem pronta uma minirreforma da Previdência, que será enviada ao Congresso ainda este ano. Elaborada pelas equipes técnicas dos ministérios da Fazenda e da Previdência, a proposta mexe nas regras das pensões pagas a viúvas e viúvos e traça mecanismos alternativos para o fim do fator previdenciário, com aumento da idade e do tempo de contribuição para que os trabalhadores do setor privado (INSS) possam requerer suas aposentadorias. No caso da pensão por morte, uma das mudanças é a redução no valor do benefício dos novos pedidos de concessão: hoje, a pensão corresponde ao valor integral pago ao segurado. A ideia é reduzi-la para 70%, no caso de cônjuges sem filhos menores de 21 anos.

O governo propõe também criar um prazo de validade do pagamento do benefício de dez anos para viúvas e viúvos que tenham menos de 35 anos. Acima dessa idade, a pensão permanece vitalícia. Além disso, a proposta prevê novos critérios na concessão da pensão, com distribuição para os filhos menores: em vez de ficar com 100% do benefício pago ao segurado morto, como ocorre hoje, o novo beneficiado passaria a receber 70% do valor; 30% seriam repartidos com os filhos menores (cinco no máximo). Quando um desses filhos completar 21 anos, perderá direito ao pagamento. Mas o cônjuge continuará a receber os 70%.

A mulher que se casar novamente perderá direito à pensão. Para evitar casos de jovens que se casam com idosos só para ter direito à pensão do INSS, será criado um prazo de carência de 12 meses para o início do pagamento da pensão. Soma-se a isso o pagamento por, no máximo, dez anos nos casos de quem tiver menos de 35 anos.

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Do O Globo

Arte RatoFX

Pesquisa sobre violência doméstica, divulgada nesta terça-feira, pelo Instituto Avon e pela Ipsos, revela que 47% das mulheres confessaram que já foram agredidas fisicamente dentro de casa. O levantamento “Percepções sobre a Violência Doméstica contra a Mulher no Brasil” mostra ainda que, na região Centro-Oeste do país, o medo de ser morta é o principal motivo das mulheres agredidas não abandonarem os seus agressores. O motivo foi apontado por 21% das entrevistadas na região.

Nos estados do Sudeste, o medo de ser morta caso rompa a relação chega a 15%. No Sul, 16%. O Nordeste tem o menor índice: 13%. O estudo também mostrou que o alcoolismo e o ciúme são os principais motivos da agressão à mulher.

- É uma vergonha a mulher não sair de casa porque podem ser mortas. Ciúme não é paixão. É algo mais complexo. O homem acha que tem posse da mulher. E a sociedade machista é um problema porque acha que a mulher não tem direito à autoestima e nem pode falar, se manifestar – comenta a socióloga Fátima Jordão, conselheira do Instituto Patrícia Galvão, Ong que defende os direitos da mulher.

Entre as mulheres agredidas no país, 15% apontam que são forçadas a fazer sexo com o companheiro. Os homens também admitem que já agrediram fisicamente as mulheres: 38%. Além de ciúmes e alcoolismo, eles confessam que já bateram nas companheiras sem motivo (12% das razões apontadas).

A falta de dinheiro para viver sem o companheiro também é um motivo apontado pelas mulheres que não largam os seus agressores (25%).

O estudo mostrou que a sociedade não confia na proteção jurídica e policial nos casos de violência doméstica. Essa é a percepção de 59% das mulheres e de 48% dos homens. – Denunciar depende da coragem da mulher. O número de denúncias feitas ainda é pequeno em relação à violência que existe. Isso acontece porque as políticas públicas, que incluem delegacias especializadas e centros de referência, para que a mulher confie e vá denunciar ainda estão aquém da necessidade – diz Maria da Penha Fernandes, que teve a história de vida como inspiração na criação da Lei Maria da Penha, que completará cinco anos em vigor. Em 1983, Maria da Penha ficou paraplégica após levar um tiro do marido.

Atualmente, o país tem 388 delegacias especializadas no atendimento à mulher, 70 juizados de violência doméstica, 193 centros de referência de atendimento à mulher e 71 casas para abrigo temporário.

A pesquisa foi feita em 70 municípios brasileiros, com 1.800 homens e mulheres, entre 31 de janeiro e 10 de fevereiro. Para relatar a violência vivenciada, os entrevistados responderam um questionário sigiloso e devolveram o envelope lacrado.

 

 

 

Do Blog do Marinho

Existem no Brasil cerca de 6 milhões de trabalhadores domésticos. Estou falando de caseiros, arrumadeiras, faxineiras, empregadas e diaristas. Um levantamento recente, feito pelo Data Popular com base nos números do IBGE, revelou dados surpreendentes sobre esse grupo peculiar de trabalhadores. Para começo de conversa, vale dizer que somente 28% desses brasileiros possuem carteira assinada, 62% deles são pretos ou pardos, 94% são mulheres e 45% dos empregadores estão em estados do Sudeste. Até aí nada de novo.

Porém, a quantidade de empregados em serviços domésticos cresceu só 9% nos últimos 9 anos, enquanto a população como um todo aumentava 13,5%. Essa desproporção acabou se refletindo no salário desse pessoal. Enquanto o rendimento médio dos trabalhadores no país subiu 25% de 2002 para cá, o salário médio das domésticas se elevou em mais de 43% no mesmo período. Para você ter uma ideia do que isso representa, basta dizer que 5% dos trabalhadores domésticos brasileiros pertencem às classes A e B e outros 55% são da Classe C. Apenas 4 em cada 10 empregados domésticos estão nas classes D e E. Por isso mesmo não surpreende que 17% dos trabalhadores domésticos contem com a ajuda em suas casas de outros empregados domésticos. No total, esses profissionais movimentam 43 bilhões de reais por ano aqui no país. É um bocado de dinheiro.

Por Luiz Alberto Marinho

 

Elisangela Araújo

José Graziano da Silva é brasileiro e será o primeiro latino-americano a assumir o cargo. Elisângela Araújo, coordenadora Geral da FETRAF-BRASIL esteve na eleição, em Roma

Engenheiro agrônomo, economista, professor e escritor, José Graziano da Silva, já ocupou o cargo de diretor regional das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), foi ministro da Segurança Alimentar e do Combate à Fome entre 2003 e 2004, no primeiro mandato do governo Luiz Inácio Lula da Silva, e coordenou a elaboração do programa Fome Zero. Graziano, ganhou a eleição para diretor Geral com 92 votos contra 88 do ex-chanceler espanhol Miguel Angel Moratinos. Ele será o primeiro latino-americano que assumirá o cargo desde a fundação da entidade, em 1945.

Em documento de candidatura ao cargo Graziano, elencou em cinco pontos estruturais as tarefas da FAO, que são: erradicação da fome; produção e consumo sustentável de alimentos – uma vez que a FAO tem papel fundamental no trabalho pela garantia de alimentação e segurança alimentar de forma sustentável – gerenciamento de sistemas alimentares, no sentido de que seja criado um marco regulatório para proteger produtores e consumidores garantindo maior equilíbrio nas relações bem como estabelecer um sistema de governança global capaz de reduzir impactos que possam comprometer a produção de alimentos e o abastecimento das populações.

Como quarto quesito, encontra-se a necessidade de consolidar um processo de reforma da FAO, que consiste em descentralizar ações, promover maior transparência e compromisso com os princípios da organização; assim como estabelecer processo cada vez mais participativo das organizações da sociedade civil no debate. Como último ponto, Graziano citou a necessidade de expandir as parceiras e cooperações.

José Graziano

Elisângela Araújo, coordenadora Geral da FETRAF-BRASIL, considerou a vitória de Graziano, como uma revolução.

“Se de fato houver avanço e efetivação desses cinco pilares que Graziano, levantou em seu discurso de campanha, haverá uma nova perspectiva com relação à FAO e será uma organização muito mais comprometida e capaz de combater os desafios que temos pela frente”, disse a coordenadora que, nos dois dias que antecederam a eleição, participou do Seminário Cooperação Técnica Brasileira: Agricultura, Segurança Alimentar e Políticas Sociais.

Na ocasião, o Brasil apresentou o programa Brasil Sem Miséria, que pretende tirar 16 bilhões de pessoas da situação de extrema pobreza, a experiência com o Fome Zero e, as iniciativas de ajuda aos países da África.

“As experiências do Brasil se destacam como exemplos que podem servir de modelo para outros países e a nossa participação enquanto movimento ativo no processo de formulação das políticas públicas é determinante para sucesso dessas políticas”, expôs Elisângela em discurso durante o seminário.

Para ela, o sucesso nos programas de erradicação da pobreza e garantia de alimentação aos povos depende da participação da sociedade civil e, de um conjunto de políticas públicas que garantam o fortalecimento da agricultura familiar e meios eficazes de sobrevivência no campo.

“Embora tenhamos tido inúmeros avanços nos últimos anos, o Brasil precisa investir e descentralizar políticas públicas para focar na agricultura familiar e vencer os desafios que se apresentam no que se refere à habitação, assistência técnica, tecnologia e pesquisa científica. O mundo precisa discutir a criação de mecanismos eficazes de garantir renda e potencializar a nossa juventude rural para garantir a sucessão nas propriedades da agricultura familiar. Esses são os nossos grandes desafios”, considerou a coordenadora.

Vale lembrar que a cooperação técnica brasileira é uma resposta aos países em desenvolvimento que tem o Brasil como referência nas políticas e práticas. Ela reúne projetos em 81 países – sendo que 45% se concentram na América Latina e no Caribe e 55% na África, Ásia e Oceania, além de uma cooperação técnica trilateral com o Japão, a Alemanha, os Estados Unidos, a Itália, a França, a Austrália, o Reino Unido e a Espanha, recentemente, o Brasil, assinou memorando de entendimento sobre cooperação técnica trilateral com Israel e Egito.

Na cooperação Sul-Sul, são desenvolvidas parcerias nas áreas de pesquisas e cooperação social e envolvem países das Américas do Sul e Central, além da África, da Ásia e do Oriente Médio.

 

 

 

 

 

Do G1

Francesa cumprirá mandato de cinco anos começando em 5 de julho. Brasil, China e Rússia apoiaram a ministra, eleita por unanimidade.

Christine Lagarde Foto: AFP

A francesa Christine Lagarde foi escolhida como nova diretora-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), informou nesta terça-feira (28) o organismo. Ela torna-se a primeira mulher à frente do principal cargo do fundo.

O comitê executivo do fundo, com 24 países-membros, nomeou por unanimidade a francesa para um mandato de cinco anos, começando em 5 de julho, segundo comunicado.

“Sinto-me honrada e feliz de que o comitê tenha me escolhido”, disse ela em seu Twitter logo após a divulgação da notícia.

Mais tarde, em comunicado, ela disse que seu objetivo será manter o organismo financeiro com os mesmos foco e espírito do passado, buscando “crescimento mais forte e sustentável” e “estabilidade macroeconômica”.

Em outro comunicado, a presidência da França celebrou o fato de uma mulher ter conquistado o posto.

A vitória da francesa de 55 anos foi assegurada após países emergentes como Brasil, China e Rússia terem declarado apoio a ela. Os EUA também endossaram o nome da francesa.

Lagarde, ministra de Finanças da França, derrotou na disputa Agustín Carstens, presidente do Banco Central do México. Derrotado, Carstens desejou sorte à vencedora e disse que ela será uma líder “muito competente” do fundo.

Lagarde vai suceder ao também francês Dominique Strauss-Kahn, que renunciou após envolvimento em um escândalo sexual em Nova York, no qual foi acusado de atacar sexualmente uma camareira de hotel.

O Brasil havia anunciado pouco antes o apoio a ela, por meio do ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Trajetória

Nascida em Paris em 1º de janeiro de 1956, Lagarde estudou direito e ciências políticas e completou sua formação acadêmica nos EUA.

Ela começou a carreira como advogada em 1981, como colaboradora do escritório americano Baker e McKenzie em Paris. Ela foi subindo hierarquicamente e, em 1999, tornou-se presidente do comitê executivo da empresa em Chicago, atuando em defesa de empresas multinacionais.22

Em 2006, a revista “Forbes” a colocou em sua lista de mulheres mais influentes do mundo, citando sua visibilidade na média e seu poder no mundo da economia e das finanças.

Entre 2004 e 2005, foi presidente do comitê estratégico mundial da Baker & McKenzie, e em 2005 foi membro do conselho de vigilância do banco holandês ING Group.

Ainda em 2005, voltou à france, onde começou sua carreira política, quase no fim do mandato do presidente Jacques Chirac (1995-2007), como ministra do Comércio.

Com a chegada do conservador Nicolas Sarkozy ao poder, Lagarde foi designada para o Ministério da Agricultura, e depois para o Ministério de Economia e Finanças. Ela foi a primeira ministra da economia mulher entre os países do G7.

Seu prestígio cresceu no país e internacionalmente durante o combate aos efeitos da crise financeira de 2008.

Em 2009, o “Financial Times” a escolher “ministro das Finanças do ano”, citando sua determinação para enfrentar a pior recessão francesa no pós-guerra.

Mãe de dois filhos, Lagarde pratica ioga todas as manhãs, segundo pessoas do seu círculo.

Desde maio, ela percorreu vários países emergentes, iniciando pelo Brasil, para promover sua candidatura.

Os países europeus apoiaram sua candidatura imediatamente.

 

Do Terra

O Brasil vai apoiar a francesa Christine Lagarde para o cargo de diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), disse à Reuters uma fonte do governo nesta terça-feira.

A fonte, que pediu anonimato, disse que o país deve divulgar, ainda nesta manhã, comunicado conjunto com a Argentina informando o apoio.

Lagarde concorre com o presidente do banco central do México, Agustín Carstens, para substituir Dominique Strauss-Kahn, que renunciou no mês passado em meio a acusações de crime sexual.

Apoiada pela União Europeia, o G8 e alguns países africanos, Lagarde é a principal concorrente.

Nesta manhã, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, anunciou o apoio formal de seu país à francesa, enquanto o ministro russo das Finanças, Alexei Kudrin, disse que a Rússia vai votar por ela.

O FMI quer nomear um novo diretor-gerente até o dia 30.

 

Do G1

Estudo sugere que apesar de reduzirem gordura sob a pele, variantes do IRS1 não diminuem perigosa gordura em torno das vísceras.

Gene IRS1 reduz gordura sob a pele mas não tem efeito sobre gordura no coração. (Foto: SLP / BBC)

Genes que produzem pessoas magras foram associados a problemas no coração e a diabetes do tipo 2 – condições normalmente vinculadas ao excesso de peso.

O estudo, feito pelo Medical Research Council da Grã-Bretanha, sugere que variantes do gene IRS1 reduzem a gordura sob a pele, mas não têm efeito sobre a gordura presente nas vísceras, em torno de órgãos como o coração e o fígado – muito mais perigosa.

O trabalho foi publicado na revista científica Nature Genetics e envolveu estudos genéticos com 76 mil pessoas. A associação entre as variantes genéticas e a doença foi maior forte nos homens.

Magros

A chefe do estudo, Ruth Loos, pesquisadora da Epidemiology Unit do Institute of Metabolic Science, em Cambridge, na Inglaterra, disse que quando os cientistas perceberam a associação genética ficaram intrigados.

“Fizemos uma fascinante descoberta genética”, disse Loos. E aconselhou: “Não são apenas os indivíduos obesos que podem estar predispostos a essas doenças metabólicas. Indivíduos magros não devem pressupor que são saudáveis com base em sua aparência.”

O médico Iain Frame, diretor de pesquisas da entidade de auxílio a diabéticos Diabetes UK, disse que o estudo pode “esclarecer por que 20% das pessoas com diabetes do tipo 2 sofrem da condição apesar de terem um peso saudável”.

“[A pesquisa] também é uma mensagem clara de que pessoas magras não podem ser complacentes em relação à sua saúde.”

Comentando o novo estudo, o médico Jeremy Pearson, um dos diretores da British Heart Foundation, entidade britânica de combate às doenças do coração, disse:

“Esses resultados reforçam a ideia de que, para riscos ao coração, é particularmente importante não apenas quão obeso você é, mas sim onde você deposita a gordura.”

“A gordura armazenada internamente é pior para você do que a armazenada sob a pele.”

“Entretanto, isto não elimina o fato de que ser obeso é ruim para a saúde do seu coração, então devemos continuar tentando ficar magros e em boa forma física.”

 

 

Ig
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