Uribe, Bachelet, seus candidatos e Lula!

Cesar Maia

1. Duas eleições, dois presidentes com popularidade semelhante a de Lula e dois candidatos a presidente apoiados por eles. Uma ampla vitória de Uribe com Santos. Uma derrota

Alavaro Uribe

Alavaro Uribe ganhou

de Bachelet com Frei. Só aparentemente são casos iguais em relação ao sucesso ou insucesso do apoio de um presidente muito popular.

2. Mas há uma enorme diferença. No Chile, um país de instituições sólidas, regras do jogo estáveis e um congresso com personalidade política, identidade e sem maioria de um lado ou de outro, a sucessão presidencial -independente do lado que fosse- não aportava insegurança e incertezas ao eleitorado.

3. O caso da Colômbia é muito diferente. Um país potencialmente desestabilizado pela produção e tráfico de cocaína, pela narcoguerrilha (FARC) e pela memória de tragédias e narcocorrupção, o governo Uribe foi um claro sinal de um processo de reversão desse quadro. A ampla aprovação de sua política de repressão à guerrilha e ao narcotráfico lastreou sua popularidade.

4. O processo eleitoral colombiano colocava em cima da mesa os riscos de descontinuidade, insegurança e incerteza quanto ao futuro. Um candidato de oposição, verde e um excelente ex-prefeito, assustaram no início da campanha, disparando nas pesquisas. Mas na medida em que a campanha se aproximava do final, os riscos inerentes à descontinuidade despertaram o eleitor e o quadro foi radicalmente mudado com vitória por larga diferença no primeiro turno e uma vitória avassaladora no segundo, com quase 70% dos votos do candidato de Uribe.

5. Portanto, são dois casos de presidentes populares, mas de ambientes político-eleitorais completamente diferentes. Em um, o eleitor não corria riscos quanto ao futuro. Em outro, a percepção de riscos foi ficando clara. E no Brasil temos uma situação mais próxima a de Bachelet que a de Uribe. As instituições estão razoavelmente sólidas, as políticas fiscal e monetária são consensuais, e as ações de inclusão social são de intensificação com garantia de continuidade.

6. O candidato da oposição no Brasil faz questão de afirmar essa estabilidade nas políticas monetária, fiscal e de inclusão social. O eleitor não percebe riscos e a transferência de

Michele Bachelet

Michele Bachelet perdeu

votos do presidente à sua candidata vai muito mais pelos pedidos de Lula que pelos riscos de descontinuidade. Paradoxalmente, o que Lula tenta e tentará fazer é criar sensações de risco em relação ao futuro. Mas não será um jogo simples, pois seria criar artificialmente um quadro de incertezas que ele mesmo na presidência fez questão de desconstruir quando assumiu em 2003.

7. No curso da campanha, isso ficará claro para o eleitor: o ambiente político-eleitoral no Brasil estará muito mais para Chile que para Colômbia. E Lula tentará “colombianizar” a expectativa do eleitor, construindo um cenário futuro de insegurança e incerteza. Ou seja, o mais provável é que o eleitor decida com a margem de liberdade que decidiu no Chile, numa ou noutra direção e, por isso mesmo, num quadro de pequena diferença entre os dois candidatos.

Comentário deste Blog: A questão econômica é relevante e a população tende a reafirmar isso nas urnas. Pelo menos é o que as pesquisas mostram por enquanto. Há um aumento significativo do nível de emprego no Brasil, nossa economia está crescendo e as pessoas estão consumindo mais. A maioria dos eleitores brasileiros, aquela massa que conta para eleger presidente da República, tem baixa escolaridade e baixo poder aquisitivo. Para esta maioria o que interessa é o dia de hoje. E Lula sabe disso. Trabalha para eleger sua sucessora apostando no sucesso econômico do seu governo. A favor de Lula e Dilma ainda há o fato de a oposição ter passado oito anos sem fazer o dever de casa, sem construir uma alternativa concreta de poder. Lula ergueu a candidatura Dilma tijolo por tijolo, num trabalho que começou dois anos atrás. Hoje colhe o que plantou, assim como a oposição.