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Arquivos para a março, 2010

Exame é essencial na prevenção e combate ao câncer de mama, mas  continua pouco utilizado por brasileiras.

Quase metade (45,5%) da população feminina de 25 anos ou mais de idade nunca foi submetida à mamografia, considerado o principal exame para detectar o câncer de mama. É o que indica o Suplemento de Saúde da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) 2008, divulgado nesta quarta-feira (31). O percentual equivale a 26,4 milhões de mulheres.

O Ministério da Saúde recomenda o rastreamento de câncer de mama por mamografia, para as mulheres com idade entre 50 a 69 anos, com o máximo de dois anos entre os exames. Nessa faixa etária, 28,9% nunca fizeram a mamografia, de acordo com o levantamento.

No Norte, cerca da metade (50,2%) das mulheres de 50 a 69 anos de idade nunca realizaram o exame. No Nordeste, o percentual foi de 45,1%.

A pesquisa também revelou que, em 2008, 54,5% da população feminina com 25 anos ou mais foi submetida ao exame de mamografia ao menos uma vez. O resultado representa um crescimento de 48,8% em relação a 2003, quando o percentual foi de 42,5%.

Na faixa etária de 50 a 69 anos, o percentual foi de 71,1%, contra 54,6% registrados em 2003.

Com relação à escolaridade, observou-se que 41% das que se submeteram ao exame em 2008 tinham 11 anos ou mais de estudo.

Exame clínico das mamas

A pesquisa também mostra outro dado preocupante. O exame clínico das mamas, feito por médico ou profissional de saúde sem a necessidade de qualquer equipamento especial, ainda não é feito por todas as brasileiras. Em 2008, 70,2% das mulheres com 25 anos ou mais foram submetidas ao exame, o que indica crescimento de 28,5% em relação a 2003.

Do total de mulheres que fizeram o exame em 2008, 42,5% tinham 11 anos ou mais de estudo.

O Ministério da Saúde explica que o procedimento é compreendido como parte do atendimento integral à saúde da mulher, devendo ser realizado em todas as consultas clínicas, independente da faixa etária.

Entre as mulheres que viviam em domicílios com rendimento mensal domiciliar per capita superior a 5 salários mínimos, observou-se que 94,1% delas haviam se submetido a exame clínico das mamas. Já aquelas para as quais o rendimento era inferior a um quarto do salário mínimo, apenas 44,8% o fizeram.

A Região Sudeste apresentou o maior percentual de mulheres que realizaram exame clínico das mamas (79,8%) e o Norte, o menor (51,2%).

Câncer de colo do útero

A pesquisa também mostrou que, em 2008, 84,5% da população feminina com 25 anos ou mais foi submetida a exame preventivo para câncer do colo de útero, o que representa um total de 49 milhões de mulheres. Em 2003, o percentual foi de 79%.

O Ministério da Saúde recomenda que toda mulher que tem ou já teve atividade sexual deve submeter-se a exame preventivo periódico, especialmente se estiver na faixa etária dos 25 aos 59 anos de idade.

No grupo de mulheres de 25 a 59 anos de idade, 87% tinham realizado alguma vez o exame preventivo. As Regiões Sudeste e Sul registraram, respectivamente, 89,6% e 89,2%, os maiores percentuais de realização desse exame. O Nordeste, por outro lado, foi onde se verificou o menor percentual, 81,7%.

O Suplemento de Saúde da Pnad 2008 foi feita pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em parceria com o Ministério da Saúde. Foram pesquisadas 391 868 pessoas e 150 591 unidades domiciliares distribuídas por todas as Unidades da Federação.

Com informações do portal UOL Ciência e Saúde

Socooooorro! As babás estão em extinção

O caos sem a babá

De um dia para outro, eu fiquei sem babá. A pessoa que cuidava do meu bebê de 7 meses e do meu outro filho, de 3 anos, quebrou o pé e anunciou que partiria para sua cidade natal, na Bahia, onde a mãe poderia tomar conta dela. Depois de sua partida, o caos instalou-se em minha casa. Eu e meu marido somos profissionais liberais e não tenho sogra ou mãe na mesma cidade. Então com quem deixaria meus pequenos?

Comecei a minha saga atrás de uma babá e em três semanas descobri o que as estatísticas acabam de revelar em uma pesquisa inédita da Organização Internacional do Trabalho: há uma grande demanda de babás e uma pequena oferta de boas profissionais nesse mercado. O Brasil é um dos poucos países em que ainda há serviço doméstico. São 6,6 milhões de brasileiros que ocupam essa categoria, sendo que, desse total, 93,2% são mulheres e 6,8% são homens. As babás são 10%, ou seja, são mais de 6oo mil mulheres, mas está cada vez mais difícil encontrar uma boa profissional, com referência e experiência. Como a demanda é grande, o que existe é um aumento no número de mulheres que querem ser babás por conta do salário. São empregadas domésticas, auxiliares de enfermagem, cozinheiras e até arrumadeiras temporárias que, desempregadas, buscam a chance de ganhar melhor que uma empregada doméstica. O piso salarial de uma babá é o mesmo de uma empregada doméstica, o salário mínimo nacional, de R$ 465,00, mas elas podem ganhar cerca de R$ 1.200, dependendo do tipo de trabalho que exercem. As que não têm experiência e formação acabam zanzando de agência em agência, sem obter emprego.

Na Inglaterra são raras as mães trabalhadoras de classe média que podem pagar as 10 libras (cerca de R$ 32) a hora, exigidas por uma au pair. Talvez as nossas tradições da casa-grande & senzala tenham feito com que nos tornássemos dependentes dessas mulheres dispostas a cuidar de nossos filhos. O pediatra José Martins Filho, ex-reitor da Unicamp e membro da Sociedade Brasileira de Pediatria, vai além. Ele diz que as mães brasileiras delegam tanto os cuidados de seus filhos que eles estão sendo terceirizados. Autor de A Criança Terceirizada – Os descaminhos das relações familiares no mundo contemporâneo (ed. Papirus), Martins diz que a mãe deveria cuidar de seu filho até que ele completasse 2 anos. Além de ter defendido a licença-maternidade de seis meses (aprovada no ano passado), ele diz que a mãe, para poder amamentar, deveria trabalhar apenas meio período ao voltar da licença. Mas como fazer isso no mundo moderno?

Se, por um lado, as babás tornaram-se auxiliares fundamentais para quem trabalha fora, por outro existe a percepção de que elas realmente estão substituindo as mães e fazendo parte dessa terceirização a que o pediatra se refere. É só prestarmos atenção em como aumentou o número de mulheres de branco nos domingos cuidando de crianças na Praia de Ipanema. Ou ainda reparar nessas profissionais dando de comer aos bebês nos almoços dominicais em shoppings paulistanos. Onde estão as mães que delegam tudo às babás, até nos fins de semana? Martins prega a conscientização daqueles pais que reclamam que é um “saco, trabalhoso e chato” cuidar dos pequenos. Ele diz que, antes de ser pai ou mãe, é necessário saber que criança dá mesmo muito trabalho.

Senti essa exaustão na pele e até adoeci (tomei antibiótico, corticoide e muitas inalações para a minha bronquite). Voltei a ter uma ajudante. Mas ficar sem ela durante um certo período também me trouxe muitas alegrias. Passar a dar banho nos meus filhos diariamente se tornou uma das atividades mais prazerosas do meu dia a dia. E você, acredita que as mães estejam terceirizando a maternidade?

Seminário ressalta combate à violência contra a mulher

A bancada feminina quer focar as novas políticas públicas e leis formuladas para as mulheres.

Da Agência Câmara

A bancada feminina na Câmara pretende conduzir sob novo ângulo o debate sobre a proteção das mulheres contra violência e discriminação social e econômica. No seminário ‘Mulheres do Futuro’, realizado pela Procuradoria Especial da Mulher nesta terça-feira, o foco das novas políticas públicas e leis formuladas para o gênero feminino deve tratar da formação das mulheres desde a infância, para formar uma geração consciente.

O Legislativo solicitou a colaboração dos profissionais que lidam diretamente com a defesa dos direitos das mulheres nas áreas de saúde, educação e segurança, para formular pautas de interesse do público feminino.

No seminário da procuradoria, a chefe da delegacia da mulher em Brasília, Sandra Gomes Melo, ressaltou os avanços na aplicação da Lei Maria da Penha, contra agressões às mulheres, mas acredita que além da repressão aos crimes é necessário prevenir as futuras gerações com educação e consciência de igualdade de gênero.

“A causa da violência está justamente nessa construção social das identidades de gênero”, avalia a delegada. “Se a gente não ensina para nossos meninos e meninas que essa violência é inadmissível, que ela é crime, que traz grandes comprometimentos ao desenvolvimento social, a gente não vai conseguir avançar, vai ficar apenas prendendo, processando e não é isso que a gente quer.”

Saúde e economia

A integração da saúde das mulheres no contexto econômico também foi alvo das discussões no Seminário. A saúde mental da mulher é uma das preocupações da professora e pesquisadora da Universidade de Brasília, Gláucia Diniz.

Ela explica que na definição de saúde mental estão incluídos os problemas de desigualdade no ambiente de trabalho, por exemplo, onde depressão e estresse atingem mais facilmente as mulheres.

“A questão do empobrecimento da mulher, da feminização da pobreza, a questão da violência e da dificuldade da mulher de ter acesso a bens e serviços públicos é uma questão gravíssima”, diz a pesquisadora. “E a participação das mulheres na construção dos planos de desenvolvimento são ações fundamentais para a gente entender a saúde como uma saúde global, quer dizer, ela envolve saúde física, mental, saúde social.”

As participantes do seminário da Procuradoria da Mulher afirmaram que esperam do Legislativo também o papel de fiscalizar a eficácia das políticas públicas aplicadas na defesa dos direitos das mulheres vítimas de violência e discriminação.

Lei prevê Delegacia da Mulher funcionando 24 horas

Da Agência Câmara

A Comissão de Seguridade Social e Família aprovou  o Projeto de Lei 3901/08, da deputada Sueli Vidigal (PDT-ES), que exige funcionamento 24 horas das delegacias de polícia especializadas no atendimento à mulher.

A relatora do projeto, deputada Elcione Barbalho (PMDB-PA), apresentou parecer pela aprovação. “Se as delegacias em funcionamento não dispuserem de um horário ininterrupto de atendimento às vítimas, em todos os dias da semana, ficaremos, praticamente, sem um mecanismo efetivo de combate à violência contra a mulher”, disse.

Atualmente, o horário de funcionamento das delegacias da mulher depende das secretarias de Segurança de cada estado. A Central de Atendimento à Mulher (telefone 180), no entanto, atende ligações telefônicas ininterruptamente em qualquer lugar do País.

Tramitação

O projeto tramita em caráter conclusivoRito de tramitação pelo qual o projeto não precisa ser votado pelo Plenário, apenas pelas comissões designadas para analisá-lo. O projeto perderá esse caráter em duas situações: – se houver parecer divergente entre as comissões (rejeição por uma, aprovação por outra); – se, depois de aprovado pelas comissões, houver recurso contra esse rito assinado por 51 deputados (10% do total). Nos dois casos, o projeto precisará ser votado pelo Plenário. e será analisado pelas comissões de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Aprovada licença maior para mãe de gêmeos ou prematuros

Da Agência Câmara

A Comissão de Seguridade Social e Família aprovou  o Projeto de Lei 2932/08, de autoria do Senado, que aumenta a licença-maternidade de 120 para 180 dias para as mães de gêmeos, de prematuro ou cujo filho seja portador de doença ou malformação grave que demande maior atenção que a normalmente dispensada ao recém-nascido em circunstâncias normais.

De acordo com a proposta, as despesas com os dois meses extras de salário-maternidade serão custeadas por dotações próprias no orçamento da Seguridade Social. O projeto altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Atualmente, a licença-maternidade já pode ser estendida para 6 meses no caso das empresas que, em troca de benefícios fiscais, se cadastrem no Programa Empresa Cidadã, criado pela Lei 11.770/08. No serviço público, o governo federal e alguns governos estaduais também já ampliaram o período de licença de suas funcionárias.

O relator do projeto na Comissão de Seguridade, deputado Lael Varella (DEM-MG), apresentou parecer pela aprovação. Ele afirmou que a proposta reconhece que certas condições de gestação e nascimento demandam tratamento especial.

Tramitação

O projeto tramita em caráter conclusivoRito de tramitação pelo qual o projeto não precisa ser votado pelo Plenário, apenas pelas comissões designadas para analisá-lo. O projeto perderá esse caráter em duas situações: – se houver parecer divergente entre as comissões (rejeição por uma, aprovação por outra); – se, depois de aprovado pelas comissões, houver recurso contra esse rito assinado por 51 deputados (10% do total). Nos dois casos, o projeto precisará ser votado pelo Plenário. e ainda será analisado pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. A proposta já foi aprovada na Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público.

O Caim de Saramago: ironia, sátira, heresia

Rejane Xavier

Jornalista

RexJosé Saramago, o Nobel português de literatura, usa Caim para atacar Deus, em seu mais recente trabalho. Ou melhor: é com uma certa idéia de Deus – idéia criada e cultivada pelos homens – que ele quer ajustar contas. Confessadamente ateu, por que ele se daria ao trabalho de atacar –algo, alguém – que não existe?

Saramago já tinha reescrito à sua moda o Novo Testamento, em O Evangelho segundo Jesus Cristo. Em Caim ( Companhia das Letras,2009) ele revisita o Velho Testamento, convencido de que “o Deus dos cristãos não é esse Jeová”.

Não é o primeiro grande escritor português a fazer isso. Fernando Pessoa usa o menino Jesus para contrapor, à idéia do deus distante, do pai que julga e condena, um deus criança, irmãozinho, travesso, próximo e cúmplice das travessuras humanas:

“Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.

Ele é o humano, que é natural,

Ele é o divino que sorri e que brinca.

E por isso, que eu sei com toda certeza,

Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.

Pois esse menino Jesus de Pessoa, fugiu do céu, porque lá, explica, “tudo é estúpido como a igreja católica” e “Deus é um velho estúpido e doente”.

Em Caim não há nenhum deus bonzinho para substituir ou contrabalançar o deus terrível, criador e algoz da humanidade, que Ele parece se comprazer em fazer sofrer.

Arbitrário e injusto, Deus recusa as oferendas de Caim, enquanto aceita as de seu irmão, Abel, sem nenhuma razão aparente. Caim mata o irmão, e se torna o contraponto que Saramago escolhe para denunciar os “absurdos” que lhe parecem povoar as atitudes divinas no Velho Testamento.

Com ironia, humor e até alguns momentos picantes, Caim – espécie de dom Quixote, montado em um asno – ,se desloca pelos lugares e épocas da velha Terra Santa testemunhando, e às vezes intervindo em conhecidos episódios bíblicos.

Deus manda Abraão sacrificar o próprio filho, Deus se vinga dos homens que queriam chegar até ele construindo uma torre, Deus despeja fogo sobre as cidades pecaminosas de Sodoma e Gomorra, exterminando pecadores e inocentes; Deus se aborrece com a sua criação e manda o dilúvio para destruir (quase) tudo…

As histórias são conhecidas, as idéias de Saramago a respeito delas também. O que torna esse livro tão interessante? A provocação, por um lado: ele nos obriga a pensar, até mesmo para poder refutá-lo, se não concordarmos com ele. Mas sobretudo as qualidades literárias da narrativa, que nos prende do começo ao fim. Caim tem algo da novela picaresca ibérica e algo do realismo mágico latinoamericano, uma pitada de cordel, um tempero on the road, um aroma de relato heróico clássico e até um acento paradoxalmente bíblico. A mistura deu certo, acredito. E recomendo.

Estudantes da USP criam guia online

Estudantes da Universidade de São Paulo e criaram um guia colaborativo online de serviços locais chamado Kekanto (www.kekanto.com).  O guia funciona como um enorme Boca a Boca Online. As pessoas formam suas redes sociais, avaliam negócios locais (de restaurantes, bares e baladas a salões de beleza, spas, cirurgioes plásticos, etc) e, quando precisam de algum serviço, encontram facilmente a opinião de seus amigos a respeito de diversos provedores. Sendo as mulheres mais comunicativas, a tendência é que a maior parte do público será feminino.

A idéia surgiu das dificuldades observadas no ramo da construção civíl, em que a maioria das pessoas seleciona provedores de serviços através do bom e velho boca a boca. Apesar de produzir boas seleções em muitas ocasiões, o boca a boca é ineficiente em termos de tempo e alcance. Com isso em mente, romperam estas limitações a fim de produzir resultados imediatos, com mais opções e com a mesma riqueza de informações. O resultado foi o Kekanto.com, uma ferramente que ajuda os consumidores a tomar decisões de consumo mais informadas, aumentando sua satisfação.

O Kekanto.com também pode beneficiar as empresas. Através das resenhas dos usuários, as empresários podem identificar o que fazem bem e o que precisam melhorar, ajustando suas operações de acordo. O site lembra todos usúarios prestes a escrever uma resenha de que o Kekanto não é um espaço para desabafos e os encoraja a escrever resenhas úteis e construtivas tanto para os demais consumidores quanto para as empresas. A idéia é criar um circulo virtuoso de consumidores mais satisfeitos e empresas com melhores serviços.

O Kekanto posiciona-se em meio a duas grandes tendências socio-tecnológicas – a hipercomunicação através de redes sociais e o conteúdo gerado por usuários -, o que fica claro nas ferramentas de transposição de redes socias offline para o site e nas ferramentas de geração de conteúdo próprio (i.e. resenhas e comentários). Seus criadores imaginaram que este posicionamento ajudaria a popularizar o serviço, mas o número de acessos ao site tem crescido além de nossas expectativas mais otimistas. De fato, o Kekanto.com ainda está em desenvolvimento e o plano era divulgá-lo mais tarde, mas o número de visitas parece nos estar dizendo o contrário. Assim, aqui estamos.

No momento, nossa prioridade é construir uma base sólida de usuários para que o serviço agregue valor a população. Quando isso ocorrer, pensaremos mais na monetização.

A agênica USP uma publicou uma matéria sobre o Kekanto em seu Guia De Serviços (http://www.usp.br/agen/?p=19143), mas gostaríamos de divulgá-lo além do meio acadêmico pois acreditamos em sua utilidade social.

O guia é baseado em cidades e esta disponível em todo o Brasil

A mídia pede socorro

Hildeberto Aleluia

Jornalista

dinheiro midiaImagine a cena: o Presidente da Republica em seu palácio reúne a mídia do país, agonizante por falta de dinheiro, e pergunta quanto é necessário em dinheiro para que ela não vá à bancarrota.Três bilhões de euros, de uma só vez, para salvar os órgãos de comunicação da França. Foi quanto autorizou o Presidente Sarkozy ao tesouro Francês. Sabemos, ele, o povo francês, e nós que a república francesa jamais verá este dinheiro de volta. E não vai demorar muito para se constatar que grande parte dos “ ajudados” naufragaram e os que ficaram vão precisar de ajuda financeira outra vez, logo, logo.

É calamitosa a situação da mídia, na França, especialmente a mídia impressa. Outrora baluartes de vendas, ícones de circulação, e de opinião também, jornais como Le Monde, LeFígaro, LeParisien, Liberation, L’Express, L’Humanité, claudicam em tiragens cada vez menores. E olha que a França está no rabo da inclusão digital na Europa. Mas a internet fere de morte todos os meios de comunicação franceses, assim como em todo o mundo.

Corta para o Brasil. Três bilhões de euros são mais de 7 bilhões de reais, algo como 4 bilhões de dólares. Quanto em reais o governo brasileiro investe, doa ou ajuda a mídia no Brasil? Ninguém sabe. Mas pelo que se sabe, os números daqui não estão longe dos números franceses e com um agravante: no Brasil a ajuda vem todos os anos. Somente o governo federal, oficialmente, reconhece que sua verba de publicidade, anual, está em torno de 2 bilhões de reais.

Acredito que seja muito mais, pois só estão computados aí os números das verbas de publicidade autorizadas por processos licitatórios para a publicidade institucional. Se juntarmos os números do governo federal em COMUNICAÇÃO, mais a chamada publicidade legal, mais os números dos estados e municípios , mais os gastos dos poderes legislativos e judiciário, em suas esferas federais, estaduais e municipais de publicidade institucional e legal, ultrapassaremos com folga os números franceses. Isso sem contar os incentivos e a elisão fiscais.

Empresas de comunicação, mídia, gozam de um sistema tributário especial, particularmente as editoras. Se estes números forem traduzidos em termos matemáticos ficarão assustadores. Sem contar também com o custo das empresas de comunicação do próprio governo. Mas é o preço da “liberdade” de informação. Sem essa “ajuda”, a imprensa sucumbiria. Sem a participação publicitária dos governos, federal, estadual e municipal, a maioria da mídia no Brasil já teria morrido. Ela não suportaria os seus custos unicamente com as verbas do setor privado. Isso traz problemas no que diz respeito à qualidade e independência da informação. Governos são fortes e sabem pressionar para fazerem valer seus pontos de vistas. É uma eterna luta de gato e rato. Hoje é assim que funciona. Se você prestar atenção e passar a observar a quantidade de publicidade dos governos vai tomar um susto.

No Brasil os governos anunciam para tudo, até o legislativo faz campanha de publicidade. Não deveria ser assim, governos se fazem comunicar pela eficiência na prestação de seus serviços. Eles não deveriam ter anúncios institucionais como a empresa privada vendendo sua marca. Governos se vendem por si só, nas esquinas, quando funcionam. Quando interessam à massa, informações governamentais deveriam ser veiculadas de graça. A Lei manda que o balanço anual da empresa estatal seja publicado em um só jornal de grande circulação no município onde está a sede da empresa. Pois saiba que todos os jornais do eixo Rio- São Paulo – Brasília, este mês, ficaram muito agradecidos à Casa da Moeda do Brasil, portanto ao governo, quando fez publicar seu balanço em todos eles. Esse é só um exemplo do que acontece diariamente aqui entre nós.

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Ig
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