"Ajudando as mulheres a liderar, vencer, governar." ✫Desde 2009✫

Arquivos para a outubro 5th, 2009

A beleza de se ver

Monica Torres Maia

Jornalista. Prêmio Rey de España de Imprensa 1999.


monica1Beleza. Não aquela que as medidas são perfeitas, mas os olhos são opacos. Aquela que é translúcida, tem frente e verso, tem grafia de bom gosto na capa e polpa com sumo e substância. Aquela que à primeira vista enche a visão comum; que à segunda, terceira, quarta vistas revigora, provoca frio na barriga, arrepia os pelos de prazer, enche de energia. Cada vez mais. Aquela que enxergamos; que é capaz de fazer o cotidiano banal não ser tedioso. Nem dramático.

Da mera janela do carro. Quando o trânsito está caótico, os raios emocionais à flor da pele, o celular tocando insistentemente, a reunião a cinco quilômetros de distância já começou. Preferimos – sempre – nos debater, franzir o cenho, balançar a cabeça com a confusão. Bem à nossa frente, por toda à nossa volta, céu, ipês derramando seus cachos, nuvens formando esculturas… Mas continuamos nos debatendo, apertando os lábios, não deixando a imaginação voar.

Ocultamos na bagagem os momentos de beleza. A magia do nascimento do filho, um estádio cheio de espanhóis entoando “El rey de Brasil!”, os sorrisos de acalanto, as prosas com José Saramago, os abraços intensos, a esperança suplantando o impossível nas crianças de uma escola pública no Itapoã, os feixes de luz, o parque de Gaudí em Barcelona, os mergulhos no mar, os gramados no interior da Inglaterra, deliciosos pães-de-queijo, o Rio de Janeiro inteiro, o aconchego de quem gosta. Pura vida.

Os momentos de beleza são os únicos que podem atravessar cada minuto de tensão, de incômodo, de ansiedade, de desalento, de agonia, de franca preguiça. Fragmentando-os. E refazendo o nosso cronômetro. São muitos. Todos nós somamos milhares. De meio milésimo de segundo, de um dia inteiro. Não importa. O negócio é deixá-los ser os protagonistas da nossa história.

Nunca tinha feito qualquer matéria sobre futebol. Nem gosto muito: sou só uma torcedora convencional da seleção brasileira. E também sei que não há uma rede no meio do campo. Apenas isso. Então, o impacto foi enorme. Ao entrar no estádio do Deportivo La Coruña, lotado, me senti um peixinho. Como narraria aquele jogo? Procurei refúgio entre a multidão. Um homem de uns 65 anos, radinho em punho, entusiasmado. Tinha um lugar vago ao seu lado. Ocupei-o, meio sem graça. Naquela distante e empedernida Galícia, a sensação era de abandono. E deram o primeiro chute e o homem, sem sentir, descrevia cada lance arriscado, cada minuto de quase gol. Fui, simplesmente, ‘copiando’. Até que a bola de Bebeto ultrapassou as traves, foi ao fundo da rede. Houve um tremor, um coro crescente e, em ritmo fugaz, 35 mil torcedores hablavam, berraban, agitavam bandeirinhas. A saudade que doía me fez ouvir, lá longe, primeiro, ‘sil’, ‘sil’, ‘Brasil’, ‘Brasilllllll’, “El rey de Brasilllllll”. Ano de 1996. Pelo cérebro, todas aquelas cenas de policiais brasileiros executando inocentes, prostitutas brasileiras sendo presas nos aeroportos, imigrantes ilegais sendo deportados. Dor e desgraça tupiniquim nas telas européias. A festa de despedida de Bebeto, de regresso ao Flamengo, varreu tudo. O País renasceu. Redigir o que o senhor galego tinha narrado foi uma emoção forte como a que tive em Goiás Velho, quase uma década antes, ao ‘psicografar’ as andanças pela casa de Cora Coralina e seus versos e seu vidro de esmalte e seus tachos de doces.

É. Impregnar os momentos de beleza na retina e na alma é fazer valer a pena. O milímetro de um instante; a roda completa do nosso tempo. Conversei com o escritor português José Saramago, durante uma hora inteira, pelo menos umas três vezes. Fora o dia em que tive que caçá-lo, de Lisboa, na Feira de Frankfurt, no anúncio do Nobel de Literatura 98. As mãos são impressionantes. Grandes, calejadas, exprimem inconscientemente o que ele tenta esconder atrás dos óculos. Seus livros produzem a perplexidade aos óbvios das injustiças. Produzem, claro, dor. À primeira impressão. Produzem, depois, sabedorias que podem transmutar as feiúras do planeta. Conheci muito pouca gente tão “cristã” e, num de nossos encontros, acabei deixando escapar. Imprevidência que o deixou, inicialmente, desconcertado e, adiante, explicativo. Deus não fazia parte do seu rol de crédito. Não tentei debater que ser cristão é exclusividade de homens de bem, de quem é capaz de tornar o belo – o desejo absurdo por ele – invencível perante as misérias a consertar. A recompensa fugidia foi um meio sorriso incontido naquelas águas de aparente eterna sisudez.

“Existem apenas duas maneiras de ver a vida. Uma é pensar que não existem milagres e a outra é que tudo é um milagre”. A física quântica de Einstein estava nas ruas de Londres em setembro de 1997. Respeitáveis senhores ingleses, com longos sobretudos, sentados desleixados nas calçadas chorando sem controle. Cheiro quase insuportável de flores se esforçando para não murchar desde o aeroporto de Heathrow. Faltavam dois dias para o funeral da princesa Diana. A beleza veio dos campos. Setenta e duas horas depois de tudo ter terminado, num passeio Reino Unido adentro. Uma grande amiga e um inglês muito especial levaram meu filho Bruno e a mim numa excursão impensada aos locais onde o rei Arthur e sua Távola Redonda teriam realmente vivido. Nenhuma placa para turista no caminho.

Todo o resto, belo, não caberia em mil páginas. Continuo procurando ver fora da janela do carro. Tento – nem sempre consigo – virar rápido cada página de insegurança, de insensibilidade. De não ver a beleza.

Acusada de improbidade administrativa, governadora do RS tem 74% de desaprovação de seu eleitorado

Yeda Crusius, governadora do RS. Foto ObritoNews.

Yeda Crusius, governadora do RS. Foto ObritoNews.

A governadora do estado do Rio Grande do Sul (RS), Yeda Crusius (PSDB), tem nada mais nada menos que 74% de desaprovação de seus governados. O dado foi levantado por pesquisa Ibope, publicada pelo jornal gaúcho Zero Hora nesta segunda-feira (5). De acordo com o levantamento, dos 812 eleitores consultados em 52 municípios do estado entre os dias 25 e 29 de setembro, 64% acham o governo ruim ou péssimo e 62% são a favor do afastamento de Yeda devido às denúncias de corrupção.

 Yeda é acusada de participar de um esquema de corrupção que teria desviado cerca de R$ 44 milhões dos cofres públicos por meio de fraudes no Departamento de Trânsito (Detran) do estado. A ação, de improbidade administrativa, está sendo movida pelo Ministério Público Federal e também envolve outros oito réus ligados ao governo.

Dos eleitores entrevistados pelo instituto, 29% consideram que as denúncias contra Yeda são verdadeiras e outros 39% acham que são mais verdadeiras que falsas. Apenas 3% dos eleitores disseram não confiar nas denúncias. Outro dado que chama a atenção na pesquisa: 84 em cada 100 eleitores se disseram informados sobre as denúncias envolvendo a governadora.

 A atual governadora foi também a candidata ao governo gaúcho que apresentou a maior rejeição entre todos os candidatos: 60%. Nenhum dos demais candidatos alcança sequer 20% de rejeição, segundo a pesquisa. O porta-voz da governadora, Joabel Pereira, disse que Yeda não vai comentar os resultados. Ela viaja nesta segunda-feira para São Paulo, onde participa à noite do programa de entrevistas Roda Viva, da TV Cultura.

*Com informações do UOL Notícias

Confira os temas de interesse das mulheres no Congresso Nacional, de 5 a 9 de outubro 

Terça-feira

 Comissão Especial da Licença Maternidade da Câmara
Audiência pública para a qual foram convidados o ministro da Previdência, José Pimentel, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, a presidenta da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas, Creuza Oliveira, e a assessora parlamentar do Centro Feminista de Estudos e Assessoria, Myllena Calazans. A reunião acontece às 14h30 no Plenário 4, Anexo II.

 Comissão de Assuntos Sociais do Senado

Com 13 itens na pauta, a comissão analisa projeto que estabelece distribuição gratuita

de leite especial industrializado para filhos de mães portadoras do vírus da Aids. Examina também proposta que determina a distribuição gratuita de medicamentos de uso contínuo. A reunião é às 10 horas em local a ser definido.

 Quarta-feira

 Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara
A comissão realizada audiência pública para discutir o programa de Apoio e Proteção a Testemunhas, Vítimas e Familiares de Vítimas de Violência: Balanço e Recomendações. Foram convidados, entre outros, o procurador da República do Rio Grande do Sul, Alexandre Amaral Gavronski, o subsecretário de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Perly Cipriano, e o coordenador do Movimento Nacional de Direitos Humanos, Gilson Cardoso. A reunião acontece às 14h no Plenário 9.

Quinta-feira

Comissões de Seguridade Social e Família e de Legislação Participativa da Câmara
Acontece o seminário Métodos de Auto-Observação (métodos de planejamento familiar segundo os quais o casal usa os dados que a mulher obtém através da observação de sinais que o seu corpo lhe dá sobre a sua fertilidade para regular o nascimento de filhos). Será às 9h no Plenário 7.

Comissões de Finanças e Tributação e de Desenvolvimento Econômico,
Indústria e Comércio da Câmara

Será realizada audiência pública sobre cartão de crédito no Brasil – concentração e custos. Foram convidados o presidente da Visanet Brasil, Rômulo de Mello Dias, o presidente da Redecard, Roberto José Maris de Medeiros, o presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, Arthur Sanchez Badin, o diretor do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça, Ricardo Morishita Wada, o chefe do Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos do Banco Central do Brasil, José Antônio Marciano, e o deputado Guilherme Campos. A audiência será às 9h30 no Plenário 10.

Com informações do Congresso em Foco.

Ig
outubro 2009
D S T Q Q S S
« set   nov »
 123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031
Curta!
Mulheresnopoder