"Ajudando as mulheres a liderar, vencer, governar." ✫Desde 2009✫

Grupo Meio & Mensagem realiza no País segunda edição do Women to Watch. Conheças as indicadas de 2014

Reprodução

Mulheres que se destacam hoje no mercado brasileiro por terem conseguido chamar a atenção em um ambiente extremamente masculino, como é o da criação publicitária. Outras por desenvolverem um trabalho de altíssima qualidade na condução da área de marketing e negócios de importantes marcas. Há ainda aquelas que estão com foco regional, voltadas a alavancar operações de grupos internacionais na América Latina. Com perfis variados, mas todas oriundas de trajetórias ascendentes, as sete mulheres indicadas ao Women to Watch 2014 têm um traço em comum: estão dando sua contribuição para transformar o mercado de comunicação e marketing (confira lista abaixo).

Criada pelo Advertising Age em 1997, o Women to Watch chegou ao Brasil no ano passado por iniciativa do Grupo Meio & Mensagem. Além do mercado norte-americano, China, Brasil e Turquia realizam a premiação cuja missão editorial é incentivar as conquistas femininas em uma indústria em transformação. “O foco é dar luz à excelência do trabalho das mulheres. Por meio de um trabalho apurado selecionamos as profissionais que já estão hoje em posição de destaque e que têm potencial para crescerem ainda mais e se tornarem de fato líderes de suas áreas nos próximos anos”, comenta Maria Laura Nicotero, diretora executiva de eventos do Grupo Meio & Mensagem.

A lista foi elaborada pelo conselho editorial do Meio & Mensagem após uma consulta a um grupo de formadores de opinião do mercado. A cerimônia de homenagem às sete indicadas da edição 2014 do Women to Watch será no dia 18 de setembro, no Hotel Hilton. Os patrocinadores desta edição são GNT, McDonald’s e Eco Benefícios com apoio de mídia de Exame e Você S/A.

Do Meio & Mensagem

Foto - Valéria Pena-Costa

Foto – Valéria Pena-Costa

Há muitos e muitos anos tive um sapatinho de tiras coloridas trançadas. Desses de feira. Adorava. Além do conforto me remetia a algum trechinho de um vitral que eu vira não sei onde, não sei quando. Tempos mais recentes procurei outro e só encontrei alguns muito menos delicados do que aquele que tive. Eis que minha filha, em viagem pelo nordeste, se deparou com um e me trouxe esse mimo. Ele tem andado comigo e, às vezes, por alguns lugares lindos onde achei que combinaram muito, por exemplo, as ruas delgadas e coloridas de Cartagena. Aquele par de retalhinhos coloridos trançados andando por ruas estreitas e floridas fizeram minhas caminhadas mais poéticas. É sério, de vez em quando eu olhava pros meus pés e confirmava essa impressão. A questão é que as folgas pra descanso não lhe pouparam o suficiente e tanto andamos que ele sofreu um dano, embora não aparentasse fadiga. Acabou soltando um pedacinho do solado, bem na frente, na ponta interna do pé.

Dia desses o calcei, completamente esquecida do problema. Fui a um antiquário “caçar passarinhos”, onde sou atendida por um rapaz atencioso, paciente, afável nas negociações e com nome de santo, Damião. No fim das compras (felizmente), ao subir uma escada, plac! Senti e ouvi aquele pequeno baque parecido com um estalar de língua. Então constatei que, do estrago antigo, o quadro piorara. Ri de mim mesma, do ridículo de sair à rua com sapato estragado e mostrei ao Damião o acontecido e ele, gentilmente, ofereceu-se para “dar jeito” provisoriamente. Buscou uma cola instantânea, pediu que eu tirasse o sapato e ainda o segurou pressionando por longos segundos para assegurar-se da eficácia do conserto. Não pude evitar um quadro “sapatinho de cristal” embora meu gentil amigo estivesse longe de ser meu príncipe, mas poderia ser um daqueles personagens dotados de bondade.

Parece boba a história mas não foi, porque esses pequenos atos aliviam a dureza com que nos deparamos todos os dias, seja virtual ou pessoalmente. Gente que nos atende mal em estabelecimentos comerciais não falta, gente que se antecipa com rispidez a qualquer cumprimento, também há. Assim como há pessoas como Damião. Muitos sequer se dariam conta da minha pequena tragédia e não se comoveriam com minha precariedade. Me deixariam ir meio manquitolando.

E o conserto ficou tão bom que sou capaz de me arriscar novamente a sair com ele como está.

Não sei bem porquê é uma sapatilha que me lembra sorrisos. E agora risos também.

Valéria Pena-Costa

Valéria Pena-Costa

 

Valéria Pena-Costa, Artista plástica . Mineira em Brasília.

Livro KALAHARI do poeta português Luis Serguilha

Livro KALAHARI do poeta português Luis Serguilha

Será lançado no próximo dia 19 de agosto o livro KALAHARI do poeta português Luis Serguilha.

O evento ocorrerá na Livraria Cultura do Shopping Iguatemi no Lago Norte às 19 horas com uma conversa sobre o trabalho do poeta. O debate será com os convidados professor e poeta Antonio Miranda, a poeta e professora Sylvia Cyntrão e o público presente.

Poeta irreverente, inquieto,criador em toda a amplitude do termo, traz um sopro novo à poesia lusa. É impossível rotular seu fazer poético, engavetá-lo numa ou noutra corrente. Serguilha é caso isolado no panorama mais geral da literatura portuguesa do século XXI

Maiores informações entrar em contato com Mônica Lucena

(61) 95591694.

Arte RatoFX

Arte RatoFX

Caminhar meia hora por dia já ajuda na diminuição do risco da doença

As mulheres que praticam pelo menos 30 minutos por dia de caminhada têm 10% menos de chance de desenvolver câncer de mama, revelou um estudo publicado no jornal da Associação Americana de Pesquisa do Câncer. Os cientistas monitoraram mulheres que já haviam passado pela menopausa.

— Nós descobrimos que a atividade física de lazer, mesmo de modesta intensidade, parecia ter um impacto rápido sobre o risco de câncer de mama. As mulheres devem ser encorajadas a continuar o exercício físico. E aquelas que não se exercitam deveriam iniciar, porque o seu risco de câncer de mama pode diminuir rapidamente — explica o pesquisador Agnes Fournier.

Fournier e colegas analisaram dados obtidos a partir de questionários preenchidos por quase 60 mil mulheres pós-menopáusicas. O tempo médio de acompanhamento foi de 8,5 anos — durante os quais 2 mil mulheres foram diagnosticadas com câncer de mama invasivo.

Os efeitos de redução de risco de câncer de mama por causa da atividade física eram independentes do índice de massa corporal, ganho de peso, circunferência da cintura e do nível de atividade de cinco a nove anos antes.

Do  ZH – ClicRBS

Imagem – Divulgação

A bailarina Mary Hellen Bowers, 35 anos, é a prova de que é possível ter controle sobre o corpo, dominar o equilíbrio e ainda ser capaz de lidar com todas as mudanças enfrentadas por uma mulher durante a gravidez, sem que seja preciso parar com as atividades cotidianas. Às vésperas do nascimento de seu primeiro filho, Mary ainda dançava com uma agilidade inacreditável e uma graça de tirar o fôlego.

À frente da fundação da companhia Ballet Beautiful (Balé Bonito), que defende a ideia de que qualquer pessoa pode se transformar em um bailarino profissional, Mary documentou todos os estágios de sua gestação em uma série de fotografias em que aparece dançando e fazendo as posições mais difíceis do balé mesmo com um “barrigão”. As fotos foram todas postadas em sua página no Instagram.

Com acompanhamento médico constante, a talentosa mamãe dançou até uma semana antes do nascimento de sua filha. A ideia era dar a outras mulheres a consciência sobre o que elas poderiam fazer durante a gravidez, sem o perigo de prejudicar o corpo ou a saúde do bebê. “As mudanças pelas quais o corpo passa durante a gestação são tão radicais… Eu realmente tentei abraçar e celebrar meu novo corpo e tive esperança de que, com isso, eu encorajasse outras pessoas a fazer o mesmo”, conta Mary.

A bailarina relatou ainda que a prática do balé a ajudou a evitar as dores nas costas e os inchaços durante os três trimestres de gravidez.

Graça, força e descobertas

Bailarina desde os 15 anos, Mary Helen Bowers dançou na companhia de balé de Nova York por uma década. Após uma lesão que a deixou afastada dos palcos, a profissional entrou em contato com outros tipos de exercícios e percebeu que a conciliação entre ginástica e balé fortaleceria e tonificaria seus músculos, diminuindo as chances de lesões. Dessa ideia, surgiu o Ballet Beautiful, método que mescla passos de balé com sequências de ginástica.

Convidada para treinar a atriz Natalie Portman para o filme Cisne Negro, Mary passou a dar aulas virtualmente, permitindo assim que qualquer pessoa pudesse praticar o balé sem sair de casa, o que ajuda a reforçar a ideia de que a dança é para todos.

“Eu quero que todas as minhas alunas possam sentir o poder de um movimento gracioso, da força e das possibilidades que podem surgir a partir disso”, revela Mary. “Minha companhia foi construída em torno de uma celebração da força e da feminilidade do corpo da mulher. E, para mim, a gravidez foi apenas uma extensão disso.”

Do Terra

Imagem - Valéria Pena - Costa

Imagem – Valéria Pena – Costa

É ‘Agosto’,

Resto de inverno nos ‘Sertões’.

Cai a tarde e vai chegando ‘A hora da estrela’.

Plantas vivem suas ‘Vidas secas’, próprias da estação.

Ainda à ‘Margem da história’ da primavera que se prenuncia,

Sonham com o momento da ‘Ressurreição’.

Aqui nesse jardim, agora triste,

Nem ‘A linguagem dos pássaros’ encontra eco. Silêncio.

Alguns meses ‘Tantos anos’ de abandono lhe parecem…

É como se estivesse mesmo imerso em uns ‘Cem anos de solidão’,

Sem ‘A mão e a luva’ de um atento jardineiro a lhe afagar a terra,

A lhe trazer, como adubo, punhados de ‘Contos na palma da mão’.

Ninguém soube sequer ‘O nome da rosa’ que aqui floresceu…

Não lhe cortejou um beija-flor a beijar-lhe a boca,

Ninguém lhe deu sequer ‘O espelho’

Que lhe provasse a parte que lhe cabe na ‘A história da beleza’.

Onde esteve seu ‘Pequeno Príncipe’ alado?

Foi-se a florada da rosa, mantida na ‘Inocência’, perdida na incerteza…

Foi embora pra ‘Terras do sem fim’…

‘O tempo e o vento’ trazem,

‘O tempo e o vento’ levam,

‘O tempo e o vento’ são inclementes.

Mas assim como varreram as pétalas secas,

Fizeram pousar aqui suas sementes.

Valéria Pena-Costa

Valéria Pena-Costa

 

 

 

Valéria Pena-Costa, Artista plástica . Mineira em Brasília.

 

 

 

Arte – Agência Brasil

A partir de hoje (7), a informalidade do trabalhador doméstico pode resultar em multa de até R$ 805,06 para o patrão. A previsão está na Lei 12.964/14. Segundo dados da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio (Pnad) 2012, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dos 6,35 milhões de domésticos no Brasil, 4,45 milhões (70% da categoria) são informais.

O Ministério do Trabalho fará a fiscalização por meio de denúncias. Para fazer uma denúncia, o trabalhador, um parente ou pessoa próxima deve procurar uma unidade regional do ministério – Agência do Trabalhador, Delegacia do Trabalho, Superintendência Regional do Trabalho – onde terá de preencher um formulário com os dados do empregador. O patrão será notificado a comparecer a uma Delegacia do Trabalho para prestar esclarecimentos. “Caso o empregador não compareça, a denúncia será encaminhada ao Ministério Público do Trabalho para que tome as providências cabíveis”, garantiu o coordenador-geral de Recursos, da Secretaria de Inspeção do Trabalho, Roberto Leão.

Segundo ele, não haverá fiscalização nas residências. “Em momento nenhum a gente vai fiscalizar a casa das pessoas. De acordo com o Artigo 5º da Constituição Federal, o lar é inviolável. As pessoas não podem ingressar a não ser que tenham autorização judicial”, esclareceu à Agência Brasil.

Para Leão, a existência de multa tem grande caráter pedagógico. “A partir do momento em que existe uma penalidade que pode ser aplicada ao patrão, isso é um incentivo para que as pessoas regularizem a situação porque até agora isso não existia. Até agora, o único risco que existia ao empregador era o trabalhador ingressar em juízo. A gente entende que isso incentiva a formalização dos vínculos”, avalia.

De acordo com o presidente do Instituto Doméstica Legal, Mário Avelino, a expectativa é que o número de formalizações aumente de 10% a 15%, já que a informalidade “vai ficar mais cara”. Segundo ele, o fato de a multa começar a vigorar já “quebra a espinha de uma cultura patriarcal”. “A lei trabalhista doméstica sempre foi [benéfica] para o patrão. A lei determina o direito, mas não [prevê casos em] que ela for descumprida, por isso a informalidade é tão alta”, lembra.

“O registro das informações na carteira é obrigatório, mesmo nos casos em que o profissional esteja em período de experiência”, explica o advogado trabalhista Cristiano Oliveira. Ainda segundo ele, se a pessoa trabalha pelo menos três dias por semana para uma família, precisa ser registrada dentro das normas. São considerados trabalhadores domésticos, cuidadores, auxiliares de limpeza, cozinheiras, jardineiros, motoristas e caseiros e babás, entre outros.

A lei que determina a punição por falta de registro não faz parte da chamada PEC das Domésticas, emenda constitucional que igualou os direitos dos empregados domésticos aos dos demais trabalhadores, promulgada em abril do ano passado. Entretanto, é considerada mais uma conquista dos trabalhadores já que pressiona os patrões a formalizar a situação dos domésticos. Vários dos direitos previstos na PEC das Domésticas ainda não foram regulamentados. Trabalhadores domésticos e defensores da categoria reclamam da demora para a consolidação de direitos considerados fundamentais como o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), salário-família e seguro-desemprego. Com o ano eleitoral, a expectativa é que a regulamentação, parada na Comissão Especial do Congresso Nacional que trata do assunto, só saia no ano que vem.

Da Agência Brasil

Maria da Penha Maia Fernandes- Foto Iracema Chequer - Folhapress

Maria da Penha Maia Fernandes- Foto Iracema Chequer – Folhapress

Atividade em Brasília reunirá magistrados e profissionais que atuam na área de violência doméstica contra mulher

Representantes da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR) participam da VIII Jornada de Trabalhos da Lei Maria da Penha, promovida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de 7 a 8 de agosto, em Brasília. O evento destina-se a magistrados e profissionais que atuam na área de violência doméstica contra a mulher.

Participam também do evento representantes do Supremo Tribunal Federal e do CNJ e do Movimento Permanente de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher do CNJ.

Combate à violência

A VIII Jornada tem como objetivo discutir temas como avanços e desafios da Lei Maria da Penha; a atuação da Polícia Militar no contexto da violência doméstica e familiar contra a mulher; atuação terapêutica nos problemas que entremeiam a violência doméstica e familiar contra a mulher; experiências exitosas; feminicídio; e o papel das Coordenadorias da Mulher nos Tribunais de Justiça.

Veja programação completa.

A partir dos avanços e das experiências serão lançados desafios a serem cumpridos pelos participantes e – em especial – pelos Tribunais de Justiça nessa temática, como forma de melhor implementação da Lei Maria da Penha. Ao final será editada a Carta da VIII Jornada da Lei Maria da Penha a fim de se ratificar tudo o que for discutido e decidido durante os trabalhos.

Do Portal Brasil

Foto Valéria Pena-Costa

Foto Valéria Pena-Costa

Ainda tenho a falar de Cartagena, lugar generoso em histórias e inspiração, mas, ao voltar, criei uma pequena esquina no caminho e um breve assunto surgiu num passeio saudosista pelo centro de São Paulo, com direito a um guia amoroso e narrativas pitorescas.

Alguns poderiam chamar nosso trajeto de ‘clichê’ ou coisa assim, já que caminhamos por pontos como a Praça da Republica, o Largo do Paissandú e a Av. Ipiranga (com avenida São João). Claro que mais clichê que citar Caetano, impossível, mas não resisto. Aliás já se tornou um cacoete meu cantarolar Sampa ao passar por ali. E, claro, me peguei com um assobio embutido, louco para ser transformado em canto, mas que engoli – o que o prolongou perseverantemente no meu cérebro a ponto de ritmar meus passos por intermináveis instantes. Iniciamos pela tradicional Xavier Toledo, passamos pelo teatro Municipal, descemos à Praça Ramos de Azevedo, também conhecida como a praça dos gatos. Para minha decepção, um único representante apareceu ao longe. Diante da bela Fonte dos Desejos não pude evitar a imagem de Anita Ekberg deliciando a vista dos inúmeros transeuntes com um banho dirigido por Fellini. Chegamos à igreja Nossa Senhora do Rosário no Largo do Paissandu, o que pra mim foi o ponto alto do trajeto. Não tanto pela minha já conhecida devoção, mas pelos detalhes que dali extraí. O singelo templo é hiper adornado, dando a impressão de que mãos e olhares ansiosos por agradar à padroeira local juntaram ali, com o andar do tempo, um considerável grupo de elementos vistosos e de santos de comprovada influência na esfera celeste. De algumas imagens confesso ter sentido um quase medo, tão feias me pareceram numa grosseira artesania barroca, com cabelos humanos e olhos de vidro nadinha compassivos. Muito mais, sim, assustadores, como aqueles que em nada me lembraram as belas representações de Jesus. Este, especialmente, estava meio desolado num abandono de quaisquer traços da vaidade católica, comum ao apresentar seus ícones. Estava descabelado, na verdade, e nem a roupa fora feita à sua medida. Talvez nem seja assim e tudo seja fruto da minha tendência ao caráter de ‘impressionável’.

Felizmente já havia feito minhas preces à doce Virgem Maria antes de cruzar meu olhar com o olhar vítreo da dramática imagem, senão, certamente teria minha concentração abalada e o poder da minha oração estaria em risco.

À saída da igreja passamos pela bancada de velas, mas para minha divertida surpresa não eram velas que ardem em belas coreografias de chamas delicadas e recatadas, símbolos da transmutação de desejos terrenos em mensagens que se elevam aos céus como emissoras sagradas. Eram lâmpadas. E, pasmem, com funcionamento pago por tempo de serviço. Um papel fixado trazia a tabela de preços do “Velário Ecológico” com tempos predefinidos:

Moedas R$ 0,25
Vela ligada
Por 15 minutos

Moedas R$ 0,50
Vela ligada
Por 30 minutos

Moedas R$ 1,00
Vela ligada
Por 60 minutos

Vela ligada! Achei isso o máximo. Da esquisitice, da incoerência entre o divino e o mercantil. É certo que também vamos pedir coisas nas igrejas (quero dizer, aos santos e a Deus!), dinheiro até, mas pagar taxas por pedidos… e saber que um interruptor de energia elétrica define o tempo da manifestação de fé…

Saímos da igreja e a bela história de sua construção pelos escravos (ou Homens Pretos, como consta em seu nome), ainda que em dissintonia com o prosaico detalhe, não permitiu que meu estado de contemplação fosse maculado (demais). Logo ali fora, porém, o profano era gritante e não pude deixar de fazer paradoxais relações. A praça era o avesso da Igreja. Ao invés das ‘estátuas’ sagradas no contorno interno da nave, postadas à volta da igreja, pontilhando a grade que a circunda, moças em trajes contemporâneos e muito menos pudicos prestavam-se a outro tipo de devoção. Pusessem-lhes túnicas longas de cores celestiais, retirassem as gritantes cores dos traços fisionômicos retintos pela pesada maquiagem, seriam belas imagens de santas. Madalenas.

E agora, se pareço pecar, perdoe-me aquele que é o Senhor da verdade, mas imediatamente me veio à lembrança a tal da tabela de preços dos minutos de uso do calor da chama.

Melhor e mais poético teria sido ver velas de cera que derretem ao fogo, trazidas pelas mãos crentes que oferecem e pedem com o mesmo ardor as benesses divinas. Já as moças, ficariam ainda mais bonitas como ninfas na Fonte dos Desejos, pois voluptuosas e sensuais como Anita Ekberg, quase todas eram. E Fellini certamente se comprazeria a observar lá do céu. Se é que se encontre lá.

(Penso que sim).

Valéria Pena-Costa

Valéria Pena-Costa

Valéria Pena-Costa, Artista plástica . Mineira em Brasília.

Arte RatoFX

Arte RatoFX

A Câmara dos Deputados lançou, no último dia 22, uma nova enquete, para saber o que os brasileiros pensam sobre a possível limitação do número de cesarianas realizadas no Brasil. A redução do número de partos cirúrgicos (cesarianas) aos patamares indicados pelo Manual de Boas Práticas de Atenção ao Parto e o Nascimento da Organização Mundial de Saúde (OMS) está prevista em projeto de lei apresentado pelo deputado Jean Wyllys (Psol-RJ) que pretende instituir o parto humanizado no País e combater práticas definidas no texto como “violência obstétrica”.

A pergunta da enquete é: “Você concorda com a proposta de limitar o número de cesarianas no País à média recomendada pela OMS, atualmente de 15% dos partos?”.

De acordo com a pesquisa Nascer no Brasil, coordenada pela Fiocruz, em parceria com diversas instituições científicas nacionais, e divulgada em maio deste ano, a cesariana é realizada em 52% dos nascimentos. No setor privado, o índice é de 88%.

Direitos da mulher

No Projeto de Lei 7633/14, Wyllys define os direitos da mulher durante a gestação e o parto – inclusive nos casos de aborto – e as obrigações dos profissionais de saúde. Trata também dos direitos do feto e do recém-nascido.

A proposta associa assistência humanizada a procedimentos como interferência mínima da equipe médica, preferência por métodos não invasivos e utilização de medicamentos e cirurgias somente quando estritamente necessário.

Por outro lado, define como violência obstétrica atitudes como “tratamento desumanizado, abuso de medicalização e patologização de processos naturais, que causem a perda de autonomia e da capacidade das mulheres de decidir livremente sobre seus corpos e sua sexualidade”.

Entre os dias 1º e 21 deste mês, a proposta já gerou 133 comentários no portal Câmara Notícias. Em uma enquete mais genérica – “Você concorda com esta proposta?” –, os resultados mostram que, entre 3.433 respostas, 76,81% (2.636) apoiam o projeto.

O texto ainda garante à mulher o direito de receber da equipe de saúde todas as informações sobre gestação, diferentes formas de parto e amamentação. E obriga médicos e demais profissionais de saúde a dar prioridade à assistência humanizada no nascimento.

Controle de cesarianas

Realizar cesariana sem indicação clínica real ou submeter a mulher a procedimentos invasivos desnecessários ou humilhantes também constam como formas de ofensa. O projeto prevê a criação, por meio de portarias, de comissões de monitoramento dos índices de cesarianas e de boas práticas obstétricas (CMICBPO), com o objetivo de fiscalizar o cumprimento desses índices e controlar a violência obstétrica no País.

O texto estabelece que os limites para essas cirurgias deverão ser seguidos pelas instituições ou estabelecimentos obstétricos públicos ou privados de saúde suplementar, a não ser nos casos de hospitais-maternidades de renomada referência setorial que possuam maior demanda de atendimentos de alto risco, que deverão determinar seus próprios índices.

Da EBC

Ig
agosto 2014
D S T Q Q S S
« jul    
 12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31  
Curta!
Mulheresnopoder